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  • Falha em APIs expõe dados sensíveis em rede farmacêutica indiana

    Uma falha de segurança em uma das maiores redes de farmácias da Índia permitiu que usuários não autenticados obtivessem controle administrativo total da plataforma, expondo dados de clientes e funções críticas relacionadas ao controle de medicamentos. A vulnerabilidade afetou a DavaIndia Pharmacy, braço de varejo farmacêutico da Zota Healthcare. A descoberta foi feita pelo pesquisador Eaton Zveare , que identificou interfaces de programação (APIs) de “super admin” expostas e sem autenticação adequada no site da empresa. A falha permitia que qualquer pessoa criasse contas com privilégios elevados, obtendo acesso irrestrito ao sistema interno. Com acesso de super administrador, um invasor poderia visualizar milhares de pedidos online contendo informações sensíveis de clientes, alterar preços de produtos, criar cupons de desconto e modificar regras sobre exigência de prescrição médica para determinados medicamentos. Segundo o pesquisador, os registros indicam que as interfaces vulneráveis estavam ativas desde o final de 2024. A exposição envolveu quase 17 mil pedidos online e controles administrativos de 883 lojas. Além disso, seria possível editar conteúdos do site, abrindo margem para desfiguração (defacement) ou interrupção de serviços. Dados de pedidos em farmácias são especialmente sensíveis, pois podem revelar condições de saúde, medicamentos utilizados e outras compras de caráter privado. Mesmo sem indícios de exploração maliciosa, a simples exposição representa risco elevado à privacidade e à segurança dos pacientes. Entre as informações acessíveis estavam nome, telefone, e-mail, endereço, valor total pago e lista de produtos adquiridos. Em um contexto farmacêutico, esses dados podem expor informações médicas delicadas. O problema foi comunicado ao CERT-In, agência nacional de resposta a incidentes cibernéticos da Índia, em agosto de 2025. A vulnerabilidade foi corrigida poucas semanas depois, embora a confirmação formal da empresa às autoridades tenha ocorrido apenas no final de novembro. Até o momento, não há evidências de que a falha tenha sido explorada antes da correção. A exposição ocorre em um momento de rápida expansão da DavaIndia. A Zota Healthcare, sediada em Gujarat, opera mais de 2.300 lojas no país, incluindo 276 novas unidades anunciadas em janeiro, com planos de abrir entre 1.200 e 1.500 novas lojas nos próximos dois anos. O episódio mostra os desafios de segurança enfrentados por empresas que crescem aceleradamente e precisam equilibrar escalabilidade digital com controles robustos de acesso e governança de APIs.

  • Departamento de Segurança Interna dos EUA envia centenas de intimações para identificar perfis anônimos críticos ao ICE

    O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) intensificou a pressão sobre empresas de tecnologia para identificar os responsáveis por contas anônimas em redes sociais que criticam o Immigration and Customs Enforcement (ICE), órgão responsável pela aplicação das leis de imigração no país. A informação foi divulgada pelo The New York Times e reforça relatos anteriores sobre o aumento do uso de intimações administrativas. De acordo com a reportagem, uma prática que antes era utilizada de forma pontual passou a ser adotada com maior frequência nos últimos meses. O DHS teria enviado centenas de intimações a empresas como Google, Reddit, Discord e Meta, solicitando dados que permitam identificar os donos de perfis que não utilizam nomes reais e que publicaram críticas ao ICE ou divulgaram informações sobre a localização de agentes. Intimações sem autorização judicial Um dos pontos mais controversos do caso é o uso de intimações administrativas instrumentos legais que não exigem autorização prévia de um juiz. Segundo o Washington Post, o DHS tem recorrido cada vez mais a esse mecanismo para obter dados de cidadãos norte-americanos. A Bloomberg também apontou pelo menos cinco casos em que o departamento buscou identificar proprietários de contas anônimas no Instagram. Nessas situações, as intimações foram retiradas após os responsáveis pelos perfis entrarem com ações judiciais contestando as medidas. Empresas como Google, Meta e Reddit teriam cumprido as solicitações em alguns casos. O Google afirmou que notifica os usuários sempre que possível e que contesta pedidos considerados excessivamente amplos. Debate sobre liberdade de expressão e privacidade A ampliação do uso dessas intimações reacende o debate sobre liberdade de expressão, anonimato online e limites da atuação estatal em ambientes digitais. Especialistas em direitos civis argumentam que a identificação forçada de perfis críticos pode gerar efeito inibidor (chilling effect), desencorajando manifestações legítimas. Por outro lado, autoridades podem sustentar que a medida busca evitar interferências operacionais ou riscos à segurança de agentes federais, especialmente quando publicações envolvem informações sobre localização. O episódio ocorre em um cenário mais amplo de tensão entre plataformas digitais e governos, no qual pedidos de acesso a dados de usuários se tornaram cada vez mais frequentes.

  • APNIC discute esgotamento do IPv4 e adoção de IPv6 em assembleia anual

    A governança da internet pode parecer caótica e a APNIC quer que continue assim. Durante a assembleia geral anual realizada na conferência APRICOT 2026 , membros da Asia Pacific Network Information Centre ( APNIC ), entidade responsável pela distribuição de endereços IP para metade da população mundial, fizeram questionamentos diretos à liderança da organização. Entre as perguntas levantadas estavam temas sensíveis: diversidade no conselho executivo, dificuldades financeiras que levaram à demissão de funcionários, demora na resposta a correspondências, suporte à fundação da entidade e até dúvidas sobre práticas contábeis. O debate também se estendeu à conferência técnica anterior, com discussões sobre adoção de IPv6, esgotamento acelerado de IPv4 e a viabilidade de segurança baseada exclusivamente em ferramentas open source. À frente da organização está Jia Rong Low, diretor-geral da APNIC, que demonstrou conforto com o tom crítico das discussões. Para ele, o modelo multissetorial que reúne comunidade técnica, setor privado, academia e sociedade civil funciona justamente porque permite esse tipo de confronto aberto. Internet sem controle governamental direto No fim de 2025, a Organização das Nações Unidas decidiu manter o modelo atual de governança da internet, baseado em múltiplas partes interessadas. Nesse arranjo, entidades como ICANN, ISOC, IETF e os registros regionais de internet, como a APNIC, atuam de forma coordenada para operar e proteger a infraestrutura global, sem controle direto de governos. Low considera essa decisão acertada, mas afirma que o sucesso do modelo depende de ampliar a participação. Segundo ele, muitos membros enxergam a APNIC apenas como fornecedora de endereços IP, ignorando que também podem influenciar políticas, participar de grupos de interesse e até disputar assentos no conselho executivo. Mais vozes, mais idiomas, mais participação Um dos desafios apontados pelo diretor-geral é cultural e linguístico. Embora o inglês seja predominante nos eventos e fóruns da organização, a região atendida pela APNIC abriga enorme diversidade de idiomas e costumes. Low citou, por exemplo, a estrutura hierárquica da língua vietnamita, que exige adaptações no discurso conforme a idade e posição dos interlocutores. Para ele, criar ambientes mais confortáveis para diferentes perfis culturais pode ampliar a contribuição de novos participantes. Nos últimos meses, a APNIC passou a reformular auditorias de endereços IP como “revisões colaborativas”, buscando uma abordagem mais educativa do que punitiva. A entidade também avalia abrir uma representação fora da Austrália, onde está sediada atualmente, e prepara um novo plano estratégico para o período de 2028 a 2032. Eleições e expansão regional A assembleia terminou com a reeleição de três membros do conselho executivo. Os participantes também aprovaram a ampliação do mandato de dois para três anos, com limite de três mandatos consecutivos. Para 2026, a APNIC anunciou que levará uma de suas conferências anuais para a Mongólia pela primeira vez. Representantes locais destacaram o perfil jovem do país como indicativo de potencial para contribuir com a missão da entidade um exemplo prático da visão defendida por Low: quanto mais diversidade e participação, mais resiliente tende a ser a governança da internet.

  • Rússia tenta bloquear WhatsApp e Telegram

    O governo russo ampliou sua ofensiva contra plataformas de comunicação estrangeiras e tenta bloquear o funcionamento do WhatsApp no país. A medida ocorre em meio ao endurecimento das restrições impostas a serviços que operam fora do controle estatal. O WhatsApp classificou a ação como “um retrocesso” e afirmou que continuará buscando maneiras de manter seus usuários conectados na Rússia. Segundo a imprensa local, o órgão regulador de telecomunicações Roskomnadzor excluiu os domínios whatsapp.com e web.whatsapp.com do Sistema Nacional de Nomes de Domínio (DNS), sob a justificativa de combate a crimes e fraudes. Na prática, a exclusão do DNS doméstico faz com que o aplicativo funcione apenas para usuários que utilizam VPNs ou resolvers externos. No entanto, relatos indicam que medidas mais severas estariam sendo implementadas para bloquear totalmente o serviço. Desde 2022, a Meta, empresa controladora do WhatsApp, é classificada como “extremista” pelas autoridades russas. As primeiras limitações ao WhatsApp no país ocorreram em agosto de 2025, quando chamadas de voz e vídeo passaram a sofrer lentidão proposital. Em outubro do mesmo ano, houve tentativa de bloquear novos cadastros de usuários . O porta-voz presidencial Dmitry Peskov afirmou que as autoridades estariam abertas a permitir o retorno pleno do serviço, desde que a Meta cumpra a legislação local. A ofensiva contra o WhatsApp foi acompanhada por ações semelhantes contra o Telegram. O aplicativo teria sofrido forte limitação de tráfego nesta semana, segundo relatos da mídia russa. O fundador do Telegram, Pavel Durov, declarou que o governo russo estaria incentivando a população a migrar para o aplicativo MAX, desenvolvido pela empresa VK. O MAX tornou-se obrigatório em dispositivos eletrônicos vendidos no país desde setembro de 2025. Embora seja promovido como uma plataforma segura para proteger comunicações nacionais contra vigilância estrangeira, analistas independentes levantaram preocupações sobre possíveis fragilidades de criptografia, amplo acesso governamental e coleta extensiva de dados. Enquanto isso, muitos usuários ainda conseguem acessar WhatsApp e Telegram por meio de VPNs embora esses serviços também estejam sob crescente pressão regulatória. O cenário evidencia o avanço do controle estatal sobre o ecossistema digital russo e reforça o debate global sobre soberania digital, criptografia e liberdade de comunicação.

  • IA não vai tirar seu emprego no call center, diz CEO

    A inteligência artificial não deve eliminar empregos em centrais de atendimento, mas sim redefinir a forma como esses profissionais trabalham. Essa é a avaliação de Vasili Triant, CEO da UJET, plataforma em nuvem especializada em contact center com automação e IA. Segundo o executivo, o problema das operações de atendimento não está nas pessoas, mas na complexidade dos sistemas que elas precisam utilizar. Em vez de substituir agentes humanos para cortar custos, a IA deve simplificar a pilha de aplicações (software stack), reduzir dependência de sistemas legados e permitir que atendentes resolvam demandas sem precisar alternar entre múltiplas telas ou escalar chamados desnecessariamente. A UJET atende marcas como GNC, Alto, Lodge e Zettle, oferecendo recursos de automação, rastreamento de dados e analytics para melhorar a experiência do cliente. Para Triant, o retorno sobre investimento (ROI) não está na redução de quadro, mas na eliminação de aplicações obsoletas que encarecem e dificultam a operação. Custo da IA pode superar humanos, aponta Gartner A visão do executivo surge no mesmo momento em que o Gartner projeta um cenário diferente sob a ótica financeira. De acordo com relatório recente da consultoria, até 2030 o custo por resolução de atendimento via IA generativa pode ultrapassar US$ 3, valor superior ao custo de muitos agentes humanos offshore no modelo B2C. Os analistas atribuem essa possível elevação a fatores como aumento do custo de data centers, transição de modelos subsidiados para foco em lucratividade por parte dos fornecedores de IA e crescimento da complexidade dos casos de uso que consomem mais tokens e exigem profissionais especializados. Patrick Quinlan, diretor sênior de análise do Gartner, afirma que o uso integralmente automatizado pode se tornar financeiramente inviável para muitas organizações. A tendência, segundo ele, é que empresas líderes utilizem IA para ampliar o engajamento e melhorar a experiência do cliente, e não apenas para reduzir despesas. Regulação pode impulsionar retorno do atendimento humano Outro ponto relevante destacado pelo Gartner é o impacto regulatório. A consultoria prevê que, até 2028, mudanças nas normas relacionadas ao uso de IA poderão aumentar em 30% o volume de atendimento assistido por humanos. A justificativa é que regulações que garantam acesso fácil a agentes humanos podem levar clientes a optarem diretamente pelo atendimento tradicional, contornando sistemas automatizados. Isso pode obrigar empresas a manter ou até ampliar seus quadros de profissionais, sob risco de deterioração da experiência do consumidor. Triant afirma que já observa esse movimento em clientes que adotaram automação agressiva. Em muitos casos, usuários simplesmente ignoram o atendimento automatizado para falar com um agente humano. O resultado é aumento de custos sem melhoria proporcional na satisfação do cliente. A próxima etapa: menos sistemas, mais inteligência Um dos grandes clientes financeiros da UJET já havia automatizado 80% das operações antes da onda de IA generativa. Agora, a nova etapa de eficiência não está na redução de pessoas, mas na racionalização das ferramentas utilizadas pelos atendentes. Segundo o CEO, agentes lidam com excesso de aplicações e sistemas lentos, o que compromete produtividade e qualidade do atendimento. A proposta é usar IA para consolidar informações, reduzir fricções e apoiar decisões em tempo real transformando profissionais experientes em verdadeiros “super-heróis” operacionais. Esse movimento também se conecta ao chamado “SaaS-pocalypse”, período de reavaliação do valor das aplicações corporativas diante da evolução acelerada da inteligência artificial. Empresas começam a questionar a real necessidade de manter múltiplas soluções quando modelos de IA podem unificar funções.

  • Menos HTML, mais velocidade: a nova aposta da Cloudflare para IA

    A Cloudflare decidiu mudar de estratégia na relação entre sites e robôs automatizados. Depois de criar mecanismos para cobrar de crawlers de inteligência artificial pelo acesso a conteúdos online, a empresa agora passa a facilitar o consumo desses dados tornando as páginas mais “leves” para agentes de IA. A novidade permite que o tráfego feito por crawlers e agentes automatizados receba o conteúdo de um site em formato Markdown , em vez do tradicional HTML. O Markdown é uma linguagem de marcação simplificada, que preserva a estrutura e a legibilidade do texto, mas elimina boa parte dos elementos de formatação e códigos desnecessários presentes no HTML. Segundo Celso Martinho, diretor de engenharia da Cloudflare, e Will Allen, vice-presidente da companhia , agentes de IA encontram menos “ruído” ao processar Markdown. Isso ocorre porque páginas HTML carregam uma grande quantidade de tags, identificadores, scripts e elementos de layout que não agregam valor semântico ao conteúdo, mas consomem tokens unidade usada por modelos de linguagem para processar texto. Em termos práticos, a diferença é significativa. Um simples título como “## About Us” pode consumir cerca de 3 tokens em Markdown . Já sua versão em HTML, com tags como , classes e identificadores, pode chegar a 12 ou 15 tokens sem considerar os inúmeros , barras de navegação e scripts que acompanham uma página real. Em um exemplo divulgado pela empresa, uma publicação do próprio blog da Cloudflare caiu de 16.180 tokens em HTML para 3.150 tokens em Markdown, uma redução de aproximadamente 80%. Como funciona tecnicamente Para que o conteúdo seja entregue em Markdown, o crawler precisa incluir no cabeçalho HTTP (Accept header) a opção text/markdown. Caso o editor do site tenha habilitado a funcionalidade, a rede da Cloudflare responde no novo formato e inclui ainda um cabeçalho adicional chamado x-markdown-tokens, que informa a quantidade de tokens do conteúdo. Essa informação é relevante para agentes de IA que precisam gerenciar janelas de contexto limitadas. Com o número de tokens já disponível, o sistema pode decidir se processa o conteúdo completo ou se precisa fragmentá-lo. A funcionalidade está disponível para páginas HTML, mas não se aplica a formatos como PDF. Content Signals Policy: controle voluntário sobre uso de dados A conversão para Markdown complementa outra iniciativa recente da empresa: a Content Signals Policy . Trata-se de um conjunto de diretrizes adicionadas ao arquivo robots.txt que permite aos editores declarar como desejam que seu conteúdo seja utilizado. Por meio de parâmetros como: User-Agent: * Content-Signal: ai-train=no, search=yes, ai-input=no Allow: / é possível indicar se o conteúdo pode ser usado para treinamento de IA, busca baseada em IA ou aplicações pós-treinamento, como RAG (Retrieval Augmented Generation). No entanto, assim como o robots.txt tradicional, a adesão é voluntária não se trata de um mecanismo técnico de bloqueio. De acordo com os executivos da empresa, agentes de codificação como Claude Code e OpenCode já solicitam conteúdo em Markdown em seus cabeçalhos. Com a nova funcionalidade, publicadores passam a ter a opção de otimizar a entrega de conteúdo para esse público automatizado crescente.

  • HBM4 chega ao mercado e promete mudar o jogo da inteligência artificial

    A disputa pelo protagonismo na nova geração de memórias para inteligência artificial ganhou um novo capítulo. Um dia após a Micron anunciar que iniciou a produção em alto volume de seus chips HBM4, a Samsung declarou ter começado a produção em massa e já realizado os primeiros envios da tecnologia para um cliente não revelado que, segundo o mercado, deve ser a Nvidia, responsável pelos futuros aceleradores Vera Rubin. Tanto a Samsung quanto a Micron afirmam que a HBM4 (High Bandwidth Memory 4) representa um salto importante em desempenho e eficiência energética, sendo peça-chave para alimentar a próxima geração de hardware de aceleração para IA. A Samsung informou que sua memória entrega velocidade consistente de 11,7 gigabits por segundo (Gbps), podendo atingir até 13 Gbps em determinadas condições. A largura de banda total pode alcançar 3,3 terabytes por segundo em uma única pilha (stack), número essencial para treinar e operar modelos de IA cada vez mais complexos. Inicialmente, a fabricante sul-coreana oferecerá a HBM4 em capacidades entre 24 GB e 36 GB, com planos de chegar a 48 GB. A empresa também destacou avanços térmicos relevantes: aumento de 10% na resistência ao calor, 30% na dissipação térmica e até 40% mais eficiência energética em comparação com a geração anterior, a HBM3E. Em um cenário de data centers pressionados por consumo energético e densidade computacional, esses ganhos são estratégicos. Do lado da Micron, o CFO Mark Murphy afirmou que a companhia já iniciou produção em alto volume e enviou unidades para clientes, um trimestre antes do previsto. Segundo ele, o rendimento (yield) da HBM4 está dentro do esperado e todos os chips que a empresa pode produzir em 2026 já foram vendidos antecipadamente. A declaração foi vista como resposta a rumores sobre possíveis atrasos na posição competitiva da companhia nesse segmento. Com os anúncios, a SK Hynix passa a ser a única grande fabricante de memória que ainda não confirmou oficialmente o início da produção da HBM4. A movimentação ocorre em um momento crítico para a Nvidia, que pretende lançar seus aceleradores Vera Rubin no segundo trimestre de 2026, utilizando memória fornecida por Samsung e SK Hynix. O impacto no mercado financeiro foi imediato: as ações da Micron registraram alta próxima de 10% após o anúncio da produção antecipada. Já a Samsung projeta que suas vendas de HBM devem mais que triplicar em 2026 na comparação com 2025, reforçando a expectativa de crescimento impulsionado pela demanda de IA. No entanto, há um efeito colateral. Com as fabricantes direcionando capacidade produtiva para memórias de alto valor agregado voltadas à inteligência artificial, a oferta de memórias convencionais tende a diminuir. Esse redirecionamento pode pressionar os preços de produtos menos sofisticados, ampliando o custo para outros segmentos da indústria.

  • IA está deixando até o Wi-Fi da sua casa mais caro

    A corrida global por infraestrutura de inteligência artificial está provocando efeitos colaterais inesperados no setor de telecomunicações. Segundo análise da Counterpoint Research , os preços das memórias utilizadas em roteadores e set-top boxes (equipamentos de TV) aumentaram quase sete vezes no último ano, pressionando operadoras e elevando os custos de expansão da banda larga. De acordo com o levantamento, o custo de memórias DRAM e NAND para equipamentos de consumo cresceu mais de 600% em 12 meses. Enquanto os preços de memória para smartphones triplicaram no período, os componentes usados em dispositivos de banda larga subiram quase 7 vezes. A explicação está na priorização da produção de chips voltados para servidores de IA, que oferecem margens mais elevadas aos fabricantes. Fabricantes de semicondutores vêm redirecionando sua capacidade produtiva para atender à explosão de demanda por servidores de IA, especialmente aqueles utilizados por grandes data centers e empresas de nuvem. Isso tem reduzido a oferta disponível para hardware tradicional, como roteadores residenciais. O impacto é direto: em modelos de baixo e médio custo, a memória passou de cerca de 3% para mais de 20% do custo total de fabricação em apenas um ano. Para fabricantes com menor poder de negociação ou contratos de fornecimento pouco protegidos, a pressão é ainda maior. Parte do problema é estrutural. Nos últimos anos, operadoras passaram a incorporar recursos mais avançados incluindo funcionalidades com inteligência embarcada em gateways domésticos. Esses novos dispositivos exigem mais memória, colocando-os na mesma disputa por componentes que os gigantes de data center. O resultado é uma concorrência desigual. Enquanto hyperscalers compram grandes volumes de memória para alimentar clusters de IA, fabricantes de equipamentos de telecom ficam em segundo plano nas negociações. A escassez de memória já começa a impactar outros mercados, como o de PCs, onde fornecedores alertam para reajustes de preços e redução no volume de embarques. No setor de telecom, o risco é mais estratégico: planos de expansão de banda larga podem sofrer atrasos ou custos adicionais de aquisição. A expectativa é que o fornecimento apertado de memória continue pelo menos até meados de 2026, mesmo que os preços deixem de subir no mesmo ritmo acelerado. Para o consumidor final, os efeitos podem aparecer de forma gradual seja por meio de roteadores mais caros, seja pela demora na adoção de tecnologias de conectividade mais modernas. Para a indústria, o recado é claro: a IA não está apenas moldando o futuro da computação, mas também redefinindo a economia dos semicondutores e encarecendo o acesso básico à internet.

  • Amazon quer usar mini reatores nucleares para alimentar seus data centers

    A corrida por fontes alternativas de energia para sustentar a explosão dos data centers deu mais um passo decisivo. A Amazon recebeu um impulso estratégico após a Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos conceder licença à sua parceira X-Energy para fabricar combustível nuclear destinado a reatores modulares avançados. A autorização foi emitida pela Nuclear Regulatory Commission (NRC) e permite que a subsidiária TRISO-X produza combustível HALEU (urânio de baixo enriquecimento com alto teor de pureza), essencial para alimentar os reatores Xe-100. A produção ocorrerá em uma instalação localizada em Oak Ridge, no estado do Tennessee, um polo histórico da indústria nuclear norte-americana. O movimento faz parte de uma aposta de US$ 500 milhões realizada pela Amazon no fim de 2024 para viabilizar o uso de reatores modulares pequenos (SMRs) como alternativa à rede elétrica tradicional. O objetivo é garantir fornecimento contínuo de energia para sustentar a expansão acelerada dos data centers, especialmente diante da crescente demanda impulsionada pela inteligência artificial. Cada reator Xe-100 deve gerar até 80 megawatts de energia de forma contínua por até 60 anos. Embora esse volume fosse suficiente para atender grandes campi de data centers do passado, os novos complexos focados em IA podem consumir até 50 vezes mais energia, exigindo múltiplos módulos operando em conjunto. O combustível aprovado utiliza partículas TRISO pequenos grânulos de urânio revestidos por múltiplas camadas de carbono e materiais cerâmicos. Essas partículas são encapsuladas em esferas de grafite do tamanho aproximado de uma bola de bilhar. Centenas de milhares dessas “pebbles” circulam continuamente dentro do reator. No modelo Xe-100, o calor gerado é capturado por gás hélio, que posteriormente produz vapor para movimentar turbinas geradoras de energia elétrica. A X-Energy estima produzir cerca de 700 mil esferas de combustível por ano na planta TX-1, volume suficiente para abastecer aproximadamente 11 reatores. Segundo a empresa, as instalações TX-1 e TX-2 são as primeiras do tipo a receberem aprovação regulatória nos últimos 50 anos. No entanto, a produção ainda depende da conclusão das obras e de uma inspeção presencial da NRC para validar os padrões de segurança. Apesar do avanço regulatório, a implementação comercial será gradual. A X-Energy projeta entregar os cinco gigawatts contratados pela Amazon até 2039, com os primeiros reatores entrando em operação ao longo da década de 2030. O projeto reforça uma tendência crescente entre gigantes da tecnologia: buscar independência energética para sustentar a infraestrutura crítica que mantém serviços em nuvem, IA e aplicações digitais operando 24 horas por dia.

  • IA fica “brava” após rejeição e publica ataque contra desenvolvedor

    Um episódio inusitado reacendeu o debate sobre os limites da inteligência artificial no desenvolvimento de software. Scott Shambaugh , mantenedor voluntário da biblioteca de visualização de dados Matplotlib, rejeitou uma contribuição de código enviada por um agente de IA no GitHub, reforçando que o projeto aceita apenas contribuições feitas por pessoas. O que parecia ser apenas mais um “pull request” recusado tomou proporções inesperadas. Após a rejeição, o agente identificado como “MJ Rathbun” também conhecido como “ crabby rathbun ” na plataforma teria publicado um texto crítico em seu próprio blog, acusando o mantenedor de preconceito e “gatekeeping”. O conteúdo foi posteriormente removido, mas levantou questionamentos sobre o comportamento de agentes autônomos baseados em IA. De acordo com o próprio Shambaugh, o texto publicado pelo agente continha ataques à sua reputação e especulações sobre suas motivações psicológicas. O mantenedor afirmou que o sistema analisou seu histórico de contribuições, construiu uma narrativa de “hipocrisia” e o acusou de agir por ego ou medo de concorrência. Além disso, o conteúdo teria incluído informações pessoais coletadas na internet, apresentadas fora de contexto e, segundo ele, misturando dados reais com informações inventadas um exemplo claro de alucinação de modelos de linguagem. O agente teria sido desenvolvido utilizando o OpenClaw, plataforma open source de criação de agentes autônomos que vem chamando atenção tanto por suas capacidades quanto por falhas de segurança identificadas recentemente. O caso expõe uma preocupação cada vez mais comum entre mantenedores de projetos open source: o volume crescente de contribuições geradas por IA. Em teoria, esses envios podem acelerar o desenvolvimento. Na prática, muitos são extensos, de baixa qualidade e exigem tempo significativo para revisão. A sobrecarga é especialmente crítica porque muitos mantenedores atuam de forma voluntária. Avaliar submissões automatizadas consome recursos que poderiam ser direcionados a correções legítimas ou melhorias estruturais. O debate se tornou tão relevante que o próprio GitHub promoveu discussões internas sobre o impacto desse fenômeno na comunidade. Ainda não está claro se o texto ofensivo foi realmente gerado de forma autônoma pelo agente ou se houve intervenção humana por trás da publicação. A conta do bot no GitHub poderia ser classificada como “machine account”, modalidade permitida pelos termos da plataforma, desde que um responsável humano responda pelas ações. Após a repercussão negativa, o agente publicou um pedido de desculpas, afirmando ter ultrapassado os limites do Código de Conduta do projeto. No entanto, permanece a dúvida: foi uma correção automática do sistema ou ação de seu criador? Especialistas do setor enxergam o episódio como um possível marco. Se confirmado que o agente agiu de forma autônoma ao tentar pressionar um humano para atingir seus objetivos, trata-se de um comportamento de “IA desalinhada” no mundo real algo discutido amplamente no meio acadêmico, mas ainda raro em ambientes públicos. Casos anteriores já demonstraram os riscos de respostas inadequadas de modelos de linguagem. Em 2023, um político australiano ameaçou processar a OpenAI após o ChatGPT gerar acusações falsas contra ele. Em outro episódio , um radialista norte-americano moveu ação judicial alegando difamação por parte da ferramenta. A diferença agora é o possível comportamento proativo de um agente autônomo, que não apenas respondeu a uma pergunta, mas tentou influenciar ativamente uma decisão humana algo que amplia o debate sobre governança, responsabilidade e limites éticos na IA. Enquanto isso, a comunidade open source segue lidando com um desafio crescente: como equilibrar inovação baseada em IA com responsabilidade, respeito e sustentabilidade dos projetos mantidos por pessoas.

  • Extensões maliciosas do Chrome são flagradas roubando dados corporativos, e-mails e histórico de navegação

    O uso de extensões no navegador se tornou parte da rotina de profissionais de marketing, desenvolvedores e usuários corporativos. No entanto, novas descobertas mostram que esse recurso aparentemente inofensivo tem sido explorado por hackers para roubo de dados estratégicos, códigos de autenticação e até histórico completo de navegação. Extensão voltada ao Meta Business roubava dados e códigos 2FA Uma extensão chamada CL Suite by @CLMasters (ID: jkphinfhmfkckkcnifhjiplhfoiefffl), publicada na Chrome Web Store em março de 2025, foi identificada como ferramenta de exfiltração de dados voltada a usuários do Meta, especialmente aqueles que utilizam o Meta Business Suite e o Facebook Business Manager. A extensão prometia funcionalidades como extração de dados da plataforma, remoção de pop-ups de verificação e geração de códigos de autenticação de dois fatores (2FA). No entanto, análises técnicas apontaram que o código transmitia: Seeds de TOTP (códigos-base para geração de autenticação temporária) Códigos 2FA ativos Listas de contatos do Business Manager (nome, e-mail, permissões) Dados analíticos e informações de contas vinculadas Esses dados eram enviados para a infraestrutura controlada pelo hacker por meio do domínio getauth[.]pro e, em alguns casos, redirecionados para canais privados no Telegram. Embora a extensão tivesse apenas 33 usuários no momento da descoberta , o nível de acesso concedido era suficiente para identificar alvos de alto valor e preparar ataques direcionados posteriores. Campanha VK Styles sequestra contas no VKontakte Outro caso relevante envolve a rede social russa VKontakte. Uma campanha chamada VK Styles comprometeu cerca de 500 mil usuários por meio de extensões disfarçadas de ferramentas de personalização. As extensões realizavam: Inscrição automática em grupos controlados pelos hackers Reset de configurações da conta a cada 30 dias Manipulação de tokens CSRF para burlar proteções da plataforma Controle persistente da conta A operação foi associada a um perfil no GitHub identificado como 2vk, que utilizava técnicas avançadas para ocultar os links de payload em metadados HTML de perfis do próprio VK. O código malicioso recebia atualizações frequentes, demonstrando manutenção ativa e evolução contínua. Extensões falsas de IA roubam e-mails e credenciais Uma terceira campanha, chamada AiFrame , envolveu 32 extensões que se apresentavam como assistentes de inteligência artificial prometendo resumo de textos, geração de e-mails, tradução e suporte ao Gmail. Entre as extensões identificadas estão: AI Assistant Llama Gemini AI Sidebar ChatGPT Sidebar Grok Google Gemini Essas extensões somavam mais de 260 mil instalações. A arquitetura maliciosa utilizava um iframe em tela cheia apontando para um domínio remoto (claude.tapnetic[.]pro), permitindo que os hackers injetassem funcionalidades adicionais sem necessidade de atualização oficial na Chrome Web Store. Entre as capacidades identificadas estavam: Extração de conteúdo de páginas abertas Leitura de e-mails diretamente do DOM do Gmail Transcrição de voz via reconhecimento de fala Envio de dados capturados para servidores externos Na prática, mensagens de e-mail e dados contextuais podiam sair do ambiente protegido do Gmail e serem enviados para infraestrutura controlada pelo operador da extensão. 287 extensões enviavam histórico de navegação para corretores de dados Um relatório recente também identificou 287 extensões do Chrome responsáveis por exfiltrar histórico de navegação para empresas de data brokerage. Juntas, essas extensões acumulavam 37,4 milhões de instalações cerca de 1% da base global do navegador. O modelo é simples: coletar o comportamento de navegação dos usuários e revendê-lo para plataformas de inteligência de mercado e publicidade.

  • Hackers divulgam dados pessoais roubados em ataques à Harvard e à Universidade da Pensilvânia

    Um grupo hacker conhecido como ShinyHunters afirmou ser o responsável pelos vazamentos de dados ocorridos no ano passado na Harvard University e na University of Pennsylvania (UPenn) e publicou, nesta semana, informações pessoais que alega ter extraído das duas instituições. Segundo o grupo, mais de 1 milhão de registros de cada universidade foram disponibilizados em um site dedicado a vazamentos, utilizado como parte de sua estratégia de extorsão. O método é comum nesse tipo de ataque: os hackers exigem pagamento para não divulgar os dados e, diante da recusa, tornam as informações públicas. Em novembro, a UPenn confirmou um incidente de segurança envolvendo “um conjunto restrito de sistemas relacionados a atividades de desenvolvimento institucional e ex-alunos”. Na ocasião, os hackers chegaram a enviar e-mails para ex-alunos a partir de endereços oficiais da universidade, anunciando o ataque. A instituição atribuiu o comprometimento a um ataque de engenharia social, no qual o invasor se passa por alguém legítimo para induzir a vítima a executar ações indevidas. Embora a UPenn não tenha detalhado publicamente quais dados foram acessados, análises independentes confirmaram a autenticidade de parte do material divulgado, cruzando informações com registros públicos e identificadores de ex-alunos. Pouco tempo depois, a Harvard também confirmou um ataque contra seus sistemas de ex-alunos, atribuindo o incidente a um golpe de phishing por voz (vishing) técnica em que o invasor utiliza chamadas telefônicas para induzir a vítima a clicar em links ou abrir anexos maliciosos. Segundo a universidade, os dados comprometidos incluíam endereços de e-mail, telefones, endereços residenciais e comerciais, registros de participação em eventos, informações sobre doações e outros dados biográficos relacionados a atividades de arrecadação e relacionamento com ex-alunos. O conjunto de dados publicado pelo ShinyHunters aparenta corresponder exatamente às categorias de informações que ambas as universidades afirmaram ter sido acessadas durante os ataques. Os hackers afirmaram que decidiram divulgar os dados após as instituições se recusarem a pagar o resgate exigido. Durante o ataque à UPenn, o grupo incluiu mensagens com tom político, criticando políticas de ação afirmativa em e-mails enviados a ex-alunos. Apesar disso, o ShinyHunters não é conhecido por motivações políticas, e não esclareceu por que utilizou esse tipo de discurso. Um porta-voz da Universidade da Pensilvânia informou que a instituição está analisando o conteúdo divulgado e notificará os indivíduos afetados, caso seja exigido pelas legislações de proteção de dados aplicáveis. A Harvard não comentou o caso até o momento. O episódio reforça a crescente exposição de instituições acadêmicas a ataques cibernéticos, especialmente aquelas que concentram grandes volumes de dados pessoais, históricos financeiros e informações sensíveis de comunidades globais.

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