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- Hackers da Coreia do Norte invadem ao menos 70 empresas americanas usando identidades roubadas
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) revelou uma operação de infiltração atribuída a hackers ligados ao regime da Coreia do Norte, que conseguiram obter empregos em pelo menos 70 empresas americanas utilizando identidades roubadas. Segundo as autoridades, os envolvidos exploravam posições de trabalho remoto para acessar sistemas corporativos, roubar informações confidenciais e gerar receitas para o governo norte-coreano. Em comunicado divulgado na terça-feira, os promotores federais anunciaram a prisão e o indiciamento de pelo menos duas pessoas, além de operações de busca em mais de 40 instalações conhecidas como laptop farms, localizadas no Texas. Essas estruturas funcionavam como centros de operação remota, permitindo que trabalhadores norte-coreanos utilizassem computadores fisicamente instalados nos Estados Unidos para acessar redes empresariais. Durante as ações, as autoridades apreenderam mais de 180 computadores que teriam sido enviados por empresas americanas a funcionários recém-contratados. As organizações desconheciam que os profissionais utilizavam identidades de cidadãos americanos para ocultar sua verdadeira origem. Estruturas no Texas permitiam acesso remoto às empresas Segundo o DOJ, as mais de 40 instalações investigadas estavam distribuídas por residências e imóveis no Texas, sob responsabilidade de pelo menos dois facilitadores americanos. Os computadores recebidos das empresas eram mantidos nesses locais e acessados remotamente pelos operadores norte-coreanos, criando a aparência de que os funcionários trabalhavam dentro dos Estados Unidos. A CrowdStrike, que colaborou com o FBI na investigação, afirmou que essas estruturas são essenciais para superar barreiras físicas, financeiras e legais enfrentadas pelos hackers que operam fora do território americano. O esquema também envolvia endereços de e-mail aparentemente legítimos, perfis falsificados no LinkedIn e contas em redes sociais utilizadas para sustentar as identidades fraudulentas. De acordo com os investigadores, a operação permitiu a infiltração em pelo menos 70 empresas, com aproximadamente US$ 3 milhões obtidos de forma ilícita. As organizações afetadas atuam nos setores de saúde, suporte em cibersegurança, varejo, comunicações e manufatura, distribuídas por Ohio e outros 16 estados, além do Distrito de Columbia. O Departamento de Justiça não divulgou os nomes das empresas comprometidas. Norte-coreanos passam a recrutar americanos para facilitar infiltrações As autoridades americanas identificaram uma mudança na estratégia utilizada pelos operadores norte-coreanos. Com o aprimoramento dos mecanismos de detecção pelas empresas e o aumento das ações policiais, os envolvidos passaram a recrutar cidadãos americanos para facilitar suas operações. Segundo o DOJ, esses intermediários desempenham uma variedade crescente de funções, incluindo a administração dos computadores utilizados no esquema. Em determinados casos, os operadores norte-coreanos também terceirizam integralmente os trabalhos obtidos fraudulentamente para profissionais estrangeiros. Essa abordagem permite manter o acesso às empresas e contornar verificações que poderiam identificar inconsistências relacionadas à localização dos funcionários. Em um alerta separado, o FBI afirmou que existem milhares de profissionais de tecnologia controlados pelo Estado norte-coreano trabalhando em empresas ocidentais. A agência classificou essa presença como uma ameaça significativa à segurança nacional e à proteção da propriedade intelectual, especialmente devido ao acesso interno que esses profissionais podem obter. Funcionários infiltrados também são usados para extorsão O esquema de trabalhadores remotos faz parte de uma estratégia utilizada há anos pela Coreia do Norte para obter receitas em empresas americanas e europeias. Os operadores conseguem contratos de trabalho utilizando identidades falsas, recebem salários e, durante o vínculo profissional, podem acessar informações sensíveis e propriedade intelectual das organizações. Em determinadas situações, os dados obtidos são posteriormente utilizados para extorquir as empresas, criando uma fonte adicional de receita ilícita. As operações anunciadas pelo DOJ representam mais uma etapa de uma série de prisões, indiciamentos e medidas de repressão contra essas atividades nos Estados Unidos. Recursos ilícitos podem financiar programa nuclear norte-coreano Segundo as autoridades americanas, a infiltração de trabalhadores de tecnologia integra um conjunto mais amplo de atividades utilizadas pelo regime norte-coreano para gerar receitas e contornar sanções internacionais. Entre essas operações estão ataques contra corretoras de criptomoedas e projetos de desenvolvimento de software de código aberto. Os recursos obtidos são associados ao financiamento do programa nuclear norte-coreano, sujeito a sanções internacionais. Estimativas citadas no contexto dessas investigações apontam que o regime teria roubado pelo menos US$ 2 bilhões em criptomoedas somente durante 2025. Especialistas em Coreia do Norte consideram que tanto o número de empresas comprometidas quanto os valores efetivamente desviados podem ser superiores aos divulgados publicamente. Em um relatório anterior, a CrowdStrike também atribuiu a hackers norte-coreanos aproximadamente metade das intrusões documentadas com atividade humana direta, conhecidas como hands-on-keyboard, registradas no período de um ano. Esse tipo de intrusão envolve operadores que executam manualmente ações nos sistemas comprometidos, em vez de depender exclusivamente de ferramentas automatizadas ou inteligência artificial. A investigação mais recente mostra como o acesso corporativo obtido por meio de contratações fraudulentas pode ser explorado para espionagem, roubo de propriedade intelectual e geração de receitas ilícitas, mesmo quando os equipamentos utilizados pertencem legitimamente às empresas afetadas.
- Senha “123456” pode ter facilitado vazamento de dados de 8,8 milhões de pessoas na Dinamarca
Uma senha considerada extremamente fraca pode ter sido a porta de entrada para um ataque cibernético que comprometeu informações de 8,8 milhões de pessoas na Dinamarca. Segundo relatos publicados pela imprensa local, o invasor teria utilizado uma conta protegida pela senha “123456” para acessar o Registro Central de Pessoas (CPR), banco de dados nacional que reúne informações da população dinamarquesa. Uma pessoa que afirma ser responsável pelo ataque declarou ao jornal dinamarquês Politiken que conseguiu acessar o sistema por meio de uma conta pertencente a uma empresa de tecnologia. De acordo com a publicação, pelo menos três contas corporativas, incluindo uma com privilégios administrativos, utilizavam a mesma senha. O suposto responsável também afirmou que não pretendia vender ou divulgar os dados obtidos. Entretanto, as autoridades não confirmaram publicamente os detalhes relacionados às senhas utilizadas. A administração do CPR confirmou o incidente em 5 de outubro de 2026, informando que o acesso legítimo concedido a uma empresa dinamarquesa havia sido utilizado indevidamente para consultar informações do registro nacional. Embora o governo não tenha identificado oficialmente a organização envolvida, Sophie Laursen, diretora-geral da Pays ApS, empresa de tecnologia localizada na ilha de Funen, confirmou em 9 de outubro que o acesso da companhia havia sido explorado. A Pays possuía autorização para consultar o CPR e oferecer serviços como validação de registros de clientes empresariais. Após a divulgação do incidente, o site da companhia foi retirado do ar. A empresa não respondeu aos questionamentos do portal The Register sobre as alegações envolvendo o uso de senhas fracas. Invasor realizou 14 milhões de consultas automatizadas Segundo documentos obtidos pela emissora dinamarquesa TV 2, o invasor conseguiu acessar o sistema em 10 de setembro e realizou aproximadamente 14 milhões de consultas automatizadas até 20 de setembro. O CPR contém cerca de 11 milhões de registros, incluindo informações de pessoas falecidas e cidadãos que se mudaram para outros países. O governo informou que dados relacionados a 8,8 milhões de pessoas foram acessados durante a invasão. Apesar do volume expressivo de consultas, a atividade suspeita só foi identificada em 2 de outubro, 12 dias após as últimas buscas registradas. Durante uma coletiva de imprensa, Mikkel Leihardt, diretor do Ministério do Ensino Superior e Ciência da Dinamarca, explicou que o incidente foi descoberto depois que um funcionário identificou uma fatura indicando um volume anormalmente elevado de atividades associado à Pays. A descoberta ocorreu, portanto, por meio de uma inconsistência no faturamento, e não pela identificação imediata das consultas suspeitas durante sua execução. A autoridade dinamarquesa de proteção de dados, Datatilsynet, foi notificada em 4 de outubro. No dia seguinte, o governo divulgou oficialmente o incidente. Até o momento, não há confirmação independente de que a senha “123456” tenha sido efetivamente utilizada na invasão. As informações divulgadas, entretanto, apontam para um possível comprometimento de contas corporativas autorizadas a acessar uma base governamental que reúne dados de milhões de pessoas.
- Carteiras Ledger são encontradas com chips espiões capazes de roubar criptomoedas
A fabricante de carteiras de criptomoedas Ledger identificou dispositivos adulterados com componentes eletrônicos maliciosos capazes de capturar frases de recuperação e permitir o roubo de ativos digitais. Os equipamentos comprometidos foram comercializados pela revendedora CryptoBilis, que atua no Sudeste Asiático. Em comunicados publicados na terça-feira, a empresa francesa informou que sua equipe de pesquisa em segurança encontrou implantes físicos escondidos dentro das carteiras. Esses componentes foram projetados para capturar informações exibidas nas telas dos dispositivos durante a configuração inicial. O principal alvo dos invasores eram as frases de recuperação compostas por 24 palavras, utilizadas para restaurar o acesso às criptomoedas armazenadas nas carteiras. Com essas informações, os criminosos conseguiram acessar os ativos das vítimas e realizar transferências não autorizadas. Chips escondidos transmitiam informações por conexão LTE Segundo a investigação da Ledger, os dispositivos adulterados continham implantes capazes de monitorar os dados apresentados na tela durante o processo de configuração. Quando a frase de recuperação de 24 palavras era exibida, o componente malicioso capturava essas informações e as transmitia por uma conexão LTE, utilizando um eSIM integrado. Esse mecanismo permitia que os invasores obtivessem as credenciais necessárias para recuperar as carteiras sem precisar comprometer diretamente o software ou os mecanismos criptográficos dos dispositivos. Os fundos das vítimas foram desviados em 9 de outubro de 2026, segundo a empresa. A Ledger ainda não confirmou o valor total dos prejuízos e pediu cautela em relação a estimativas não verificadas. Até o momento, os responsáveis pela adulteração dos equipamentos não foram identificados. Dispositivos adulterados podem passar por verificações de autenticidade Um dos aspectos mais relevantes da descoberta é que os implantes não comprometem necessariamente o Secure Element, componente de segurança utilizado pela Ledger para proteger operações criptográficas e informações sensíveis. Como esse elemento permanece intacto, dispositivos fisicamente adulterados podem continuar passando pelas verificações oficiais de autenticidade da fabricante. Isso significa que um equipamento pode ser reconhecido como legítimo pelos mecanismos de validação da Ledger e, ainda assim, conter componentes eletrônicos maliciosos instalados em seu interior. A empresa não divulgou quais modelos de carteiras foram afetados. Embora todos os roubos confirmados estejam relacionados a dispositivos vendidos pela CryptoBilis, a Ledger informou que também está analisando relatos de implantes em outros equipamentos e localidades. A maioria dos casos confirmados foi registrada no Sudeste Asiático. Ledger orienta clientes a interromper o uso dos dispositivos A fabricante publicou orientações específicas para consumidores que adquiriram carteiras por meio da CryptoBilis. Clientes que ainda não configuraram seus dispositivos devem evitar a ativação e entrar em contato com o suporte oficial da Ledger. Para aqueles que já utilizaram os equipamentos, a recomendação é transferir imediatamente os ativos para uma nova carteira, utilizando uma frase de recuperação completamente diferente. A empresa também alertou que nenhuma frase de recuperação deve ser inserida ou restaurada em dispositivos adquiridos da revendedora investigada. A medida busca impedir que informações adicionais sejam capturadas pelos componentes maliciosos. A Ledger orientou as vítimas a entrar em contato com a fabricante e com as autoridades policiais locais antes de abrir, desmontar ou enviar os equipamentos afetados. Revendedora suspende vendas durante investigação Após a divulgação do incidente, a CryptoBilis publicou um comunicado em seu site direcionando os clientes ao alerta oficial da Ledger. A empresa informou que suspendeu todas as vendas e remessas de dispositivos da fabricante enquanto a investigação estiver em andamento. A revendedora também declarou estar cooperando integralmente com os trabalhos de apuração. A Ledger afirmou acreditar que a quantidade de dispositivos comprometidos seja limitada, embora ainda esteja investigando possíveis ocorrências fora da rede de distribuição inicialmente identificada. O caso envolve uma adulteração física de equipamentos antes de sua utilização pelos consumidores, caracterizando um risco à cadeia de fornecimento de dispositivos de segurança. Nesse tipo de ataque, a proteção oferecida pelos componentes criptográficos pode não ser suficiente para impedir o comprometimento, já que informações confidenciais são capturadas por hardware adicional instalado no próprio equipamento.
- Engenheiro da OpenAI é acusado de instalar dispositivo de espionagem em sala de executivos
Um engenheiro da OpenAI, de nacionalidade saudita, foi acusado pela Justiça federal dos Estados Unidos de instalar secretamente um dispositivo de gravação de áudio em uma sala de reuniões executivas da empresa, em São Francisco. O equipamento foi encontrado em um ambiente utilizado para discussões sobre pesquisas confidenciais, desenvolvimento de produtos e estratégias comerciais. O acusado é Abdulrahman Alfozan, de 35 anos, contratado pela OpenAI em julho de 2025. Segundo os promotores federais, ele teria conectado um dispositivo de gravação oculto a uma porta USB localizada na parte traseira de uma televisão instalada na sala. Alfozan compareceu à Justiça federal na terça-feira e responde à acusação de utilizar ou tentar utilizar um equipamento para interceptar comunicações orais. Caso seja condenado, poderá receber pena de até cinco anos de prisão e multa de US$ 250 mil. Dispositivo foi encontrado em sala com informações confidenciais De acordo com a denúncia criminal, funcionários da OpenAI descobriram o dispositivo em 30 de setembro, aproximadamente dois dias depois de sua instalação. O equipamento estava envolvido em papel higiênico e armazenava gravações criptografadas. A sala era frequentemente utilizada para reuniões envolvendo pesquisas proprietárias, planos de produtos, estratégias de negócios, relações comerciais e contatos com órgãos governamentais. Imagens de câmeras de segurança mostraram Alfozan nas proximidades do ambiente diversas vezes antes da descoberta do dispositivo. Segundo a acusação, ele não possuía autorização para entrar na sala nem para participar das reuniões realizadas no local. Investigações apontam buscas internas e consultas a chatbot Os promotores afirmam que Alfozan teria utilizado uma ferramenta interna de produtividade da OpenAI para pesquisar endereços de edifícios, calendários de salas de reunião e locais onde ocorreriam encontros de lideranças e executivos. Essas consultas teriam sido realizadas antes da instalação do equipamento de gravação. A investigação também identificou atividades suspeitas em uma conta de chatbot associada à esposa do engenheiro. Segundo os documentos judiciais, essa conta compartilhava diversos identificadores e características com a conta utilizada pelo próprio Alfozan. Os registros mostraram consultas específicas sobre como construir, instalar e acessar remotamente o dispositivo de gravação. As autoridades apresentaram essas informações como parte dos elementos que sustentam a acusação, sem que isso represente uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade do investigado. Segundo dispositivo foi encontrado após retorno à sala Aproximadamente uma semana depois da descoberta inicial, novas imagens de segurança registraram Alfozan entrando na sala de conferências e aparentemente verificando a parte traseira da televisão. No mesmo dia, a equipe de segurança da OpenAI encontrou uma bolsa deixada sem supervisão pelo engenheiro. Dentro dela estavam sua carteira, documentos de identificação e um segundo dispositivo de gravação semelhante ao encontrado anteriormente. Os equipamentos e os registros de segurança passaram a integrar a investigação federal. O diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que proteger a inovação americana em inteligência artificial é essencial para preservar a competitividade econômica e a segurança nacional dos Estados Unidos. Em sua declaração, Patel utilizou o termo superinteligência, expressão adotada pelo presidente Donald Trump para se referir à inteligência artificial. Autoridades não confirmaram envolvimento de governo estrangeiro Apesar da nacionalidade saudita do acusado e da natureza confidencial das informações discutidas na sala, os promotores não identificaram um possível destinatário das gravações. Também não há acusação de que Alfozan estivesse agindo em nome de um governo estrangeiro. Até o momento, as informações divulgadas não esclarecem se os áudios foram efetivamente acessados por terceiros ou se dados confidenciais da OpenAI foram transmitidos para fora da empresa. A investigação concentra-se na suposta instalação dos dispositivos e na tentativa de interceptação de conversas realizadas em um ambiente corporativo restrito.
- Hackers elevam temperatura de refrigeradores a 50°C e provocam incêndios em supermercados na França
Um ataque cibernético de grande escala comprometeu sistemas de refrigeração de centenas de supermercados franceses, permitindo que hackers elevassem a temperatura de refrigeradores e freezers a até 50°C durante a madrugada. A ação provocou incêndios, perdas de alimentos e prejuízos que podem chegar a dezenas de milhões de euros. O Ministério Público de Paris confirmou que o ataque atingiu equipamentos de refrigeração conectados de grandes redes varejistas em diferentes regiões da França. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu determinou que a Agência Nacional de Segurança Cibernética francesa (ANSSI) investigasse o incidente. As autoridades francesas também iniciaram uma coordenação com outros países europeus para avaliar a extensão da campanha e identificar possíveis riscos para outras empresas. Segundo Félix Aimé, analista sênior de inteligência de ameaças da Sekoia, Espanha, Portugal, Polônia, Alemanha e Bélgica também foram afetados. Carrefour, Monoprix e Intermarché estão entre as redes atingidas O Carrefour confirmou que 80 supermercados foram afetados. A Monoprix, que opera aproximadamente 490 unidades na França, informou que 5% de suas lojas sofreram impactos. O grupo Les Mousquetaires, proprietário da rede Intermarché, relatou que os sistemas de refrigeração de aproximadamente 150 estabelecimentos foram submetidos a temperaturas de até 50°C durante seis horas consecutivas. A empresa informou que todos os alimentos comprometidos foram descartados para eliminar riscos à saúde dos consumidores. Em uma unidade da Intermarché no centro de Paris, funcionários foram vistos descartando carrinhos inteiros de produtos congelados, incluindo sorvetes completamente derretidos. A Cooperative U também confirmou ter sido alvo da campanha. Seu diretor-presidente, Dominique Schelcher, classificou o ataque contra equipamentos essenciais à conservação de alimentos como extremamente grave e sem precedentes. As redes E.Leclerc e Auchan não responderam aos pedidos de comentários. Embora ainda não exista uma estimativa consolidada dos prejuízos, Thierry Cotillard, presidente da Intermarché, afirmou à BFM TV que as perdas poderiam alcançar dezenas de milhões de euros em todo o país em apenas um dia. Vulnerabilidade em sistemas da Danfoss entra na investigação As investigações apontam para uma possível vulnerabilidade em softwares fornecidos pela fabricante dinamarquesa Danfoss, utilizados no gerenciamento de sistemas de refrigeração comercial. Supermercados normalmente utilizam controladores centralizados para administrar refrigeradores e freezers. Esses equipamentos podem ser acessados remotamente pela internet, permitindo que empresas de manutenção monitorem e ajustem temperaturas sem precisar estar fisicamente nas instalações. Essa conectividade também pode representar um vetor de ataque quando os sistemas apresentam vulnerabilidades ou utilizam versões desatualizadas de firmware. Segundo uma fonte próxima ao governo francês, a ANSSI identificou uma vulnerabilidade em software da Danfoss durante a investigação. A fabricante confirmou estar ciente de incidentes na França envolvendo um número limitado de sistemas de gerenciamento de refrigeração. De acordo com a empresa, os equipamentos afetados utilizavam versões antigas de firmware. A Danfoss afirmou que recomenda há bastante tempo a atualização dos sistemas compatíveis e a migração de equipamentos legados para soluções mais recentes. Em 9 de agosto, pesquisadores da equipe Team82, da Claroty, publicaram uma análise sobre vulnerabilidades no controlador Danfoss AK-SM 800A. O relatório descreveu falhas que poderiam permitir a invasores contornar mecanismos de autenticação e executar códigos nos dispositivos comprometidos. A Danfoss disponibilizou atualizações de software para corrigir os problemas. Entretanto, as informações divulgadas não confirmam se essas vulnerabilidades específicas foram exploradas nos ataques aos supermercados franceses. Ataques semelhantes já haviam afetado instalações militares americanas A campanha apresenta semelhanças com incidentes registrados no final de agosto em aproximadamente uma dúzia de supermercados destinados a militares nos Estados Unidos. Na ocasião, problemas provocados em sistemas de refrigeração também resultaram na perda de alimentos. Ainda não foi estabelecida uma ligação entre os dois episódios. A associação francesa Fédération du Commerce et de la Distribution (FCD) solicitou transparência à Danfoss sobre o incidente e afirmou que as redes varejistas trabalham para proteger os consumidores e restabelecer suas operações. Segundo a entidade, algumas unidades afetadas já haviam retomado o funcionamento. Christel Delberghe, diretora-geral da associação europeia EuroCommerce, destacou a necessidade de resiliência em toda a cadeia de abastecimento diante de ataques que comprometem equipamentos essenciais à operação comercial. Rede de supermercados na Holanda também enfrenta incidente cibernético Paralelamente, o grupo varejista Ahold Delhaize, responsável pela rede Albert Heijn, a maior dos Países Baixos, informou que estava enfrentando um problema de segurança em sua rede corporativa. Como medida preventiva, a companhia retirou diversos sistemas de operação. O aplicativo da Albert Heijn passou a exibir uma mensagem informando que as entregas de compras estavam indisponíveis devido a um incidente de cibersegurança. As vendas online representam aproximadamente 10% do faturamento da rede. As lojas físicas permaneceram abertas, enquanto concorrentes registraram aumento na demanda por entregas, segundo a agência holandesa ANP. A Ahold Delhaize afirmou que não havia motivos para associar seu incidente aos ataques registrados na França. O grupo também possui operações expressivas nos Estados Unidos, onde é o quarto maior varejista de alimentos. Sites das redes Stop & Shop, Giant, Hannaford e Food Lion apresentaram avisos de indisponibilidade temporária. Até o momento, não estava claro se outras operações do grupo haviam sido comprometidas.
- Microsoft 365 enfrenta instabilidade na Europa no dia do fim do suporte ao Office 2021 LTSC
A Microsoft registrou uma interrupção em serviços do Microsoft 365 que afetou clientes europeus, incluindo usuários na Alemanha e no Reino Unido. O incidente ocorreu no mesmo período em que a empresa encerrou o suporte ao Office LTSC 2021, versão do pacote de produtividade destinada a ambientes corporativos locais. A falha atingiu o Global Secure Access (GSA), solução utilizada por organizações para acessar serviços corporativos como Outlook, OneDrive, SharePoint Online, Microsoft Teams e computadores virtuais do Windows 365. Segundo a Microsoft, parte da infraestrutura do GSA apresentou desempenho abaixo dos níveis aceitáveis, comprometendo a conectividade com os serviços do Microsoft 365. Para reduzir os impactos, a empresa iniciou ajustes de tráfego e otimizações de desempenho. Os sistemas começaram a apresentar sinais de recuperação, embora alguns clientes ainda enfrentassem dificuldades para acessar os serviços por meio do GSA. Falha também comprometeu o acesso às informações de status Além dos problemas de conectividade, administradores corporativos tiveram dificuldades para consultar informações sobre a disponibilidade dos serviços. A Microsoft informou que alguns administradores poderiam não conseguir acessar o centro de administração do Microsoft 365 para verificar o estado dos sistemas. Na página oficial de integridade dos serviços, uma mensagem indicava que não existiam problemas ativos. Entretanto, outro aviso informava dificuldades para recuperar dados sobre incidentes, comunicados e histórico de disponibilidade. A situação dificultou o acompanhamento da interrupção pelos clientes afetados. Até o momento descrito no comunicado, a causa técnica específica da degradação de desempenho não havia sido esclarecida. Incidente coincide com encerramento do suporte ao Office 2021 LTSC A instabilidade ocorreu em um momento importante para clientes corporativos da Microsoft, coincidindo com o encerramento do suporte ao Office LTSC 2021. Com o fim do ciclo de suporte, a versão deixa de receber atualizações de segurança e correções oficiais, embora os aplicativos instalados continuem funcionando. A Microsoft incentiva a migração para o Microsoft 365, sua plataforma de produtividade baseada em assinaturas e serviços em nuvem. Entretanto, organizações que preferem manter aplicações instaladas localmente ainda podem optar pelo Office LTSC 2024. Para empresas que utilizam o Office LTSC 2021, o encerramento do suporte exige uma avaliação dos riscos de segurança, dos requisitos de conformidade e da necessidade de atualização ou substituição do software. Dependência da nuvem amplia impactos operacionais O incidente também evidencia os desafios enfrentados por organizações que dependem de serviços de produtividade hospedados na nuvem. Embora a infraestrutura afetada tenha sido o Global Secure Access, a falha comprometeu o acesso a diferentes aplicações corporativas integradas ao Microsoft 365. Para empresas que utilizam essas ferramentas em suas operações diárias, problemas de conectividade podem interromper a comunicação interna, dificultar o compartilhamento de documentos e reduzir a produtividade dos funcionários. A Microsoft informou que estava trabalhando na recuperação do desempenho da infraestrutura, mas não apresentou, nas informações divulgadas, uma explicação definitiva sobre a origem do problema.
- China desafia OpenAI e Anthropic com modelos de IA mais baratos e competitivos
A rápida expansão de modelos de inteligência artificial chineses, de baixo custo e de código aberto pode provocar uma reavaliação dos investimentos trilionários em infraestrutura de IA. A análise é do banco de investimentos Jefferies, que questiona se as grandes empresas de computação em nuvem conseguirão recuperar os recursos aplicados em data centers diante da queda contínua dos preços de processamento. Em relatório recente sobre os mercados asiáticos, o Jefferies estima que aproximadamente metade dos US$ 2,3 trilhões em contratos futuros acumulados por Microsoft, Alphabet, Amazon e Oracle esteja vinculada à OpenAI e à Anthropic. Entretanto, o avanço de modelos chineses, de pesos abertos e de modelos menores ameaça reduzir os preços praticados pelas empresas americanas, colocando em dúvida suas perspectivas de receita. Dados da plataforma OpenRouter mostram que modelos chineses processaram 76,12 trilhões de tokens na semana encerrada em 27 de setembro de 2026, contra apenas 4,37 trilhões no final de abril. No mesmo período de referência, os quatro principais fornecedores americanos processaram 14,2 trilhões de tokens. Outro fator destacado é o lançamento do Kimi K3, modelo de código aberto da chinesa Moonshot AI. Segundo a análise, a tecnologia já compete entre os modelos mais avançados, alcançando aproximadamente 95% do desempenho do Claude Fable 5, da Anthropic. Para o Jefferies, os mercados financeiros ainda não incorporaram completamente os efeitos dessa concorrência sobre a rentabilidade futura da inteligência artificial. Investimentos bilionários em data centers enfrentam incertezas As maiores empresas de infraestrutura em nuvem devem investir conjuntamente entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões em data centers durante 2026. Uma parcela crescente desses investimentos está sendo financiada por endividamento, em vez de recursos próprios. O problema, segundo o banco, é a incerteza sobre a origem das receitas necessárias para sustentar essa expansão. Com a chegada de alternativas competitivas e significativamente mais baratas, já não seria possível presumir que os grandes modelos de linguagem (LLMs) alcançarão rentabilidade. A queda dos preços cobrados por token compromete as projeções utilizadas para justificar investimentos em capacidade computacional. Essa questão afeta diretamente os grandes provedores de nuvem, que ampliaram suas estruturas considerando que empresas como OpenAI e Anthropic continuariam comprando grandes volumes de processamento. Embora o Jefferies considere que os investimentos em IA possam fazer sentido no longo prazo, o relatório aponta incertezas relevantes no horizonte intermediário. A instituição prevê que o setor poderá passar por uma grande reavaliação em um futuro relativamente próximo e questiona se os quatro principais provedores realmente investirão US$ 993 bilhões em despesas de capital em 2027. Lucros das gigantes de tecnologia também entram em discussão O relatório também levanta dúvidas sobre a composição dos resultados financeiros das grandes empresas de nuvem, especialmente quanto à participação de ganhos provenientes de investimentos em desenvolvedoras de modelos de IA. Segundo o Jefferies, os lucros anualizados das quatro companhias cresceram US$ 222 bilhões, alcançando US$ 581 bilhões nos quatro trimestres encerrados no segundo trimestre de 2026. Entretanto, a categoria de receitas e perdas não operacionais apresentou crescimento de US$ 224 bilhões na comparação anual, chegando a US$ 237 bilhões. Isso significa que, segundo os cálculos do banco, esses resultados responderam por todo o aumento registrado nos lucros. A análise sugere que parte desses ganhos pode estar relacionada à valorização de participações em empresas privadas de inteligência artificial. A situação levanta questionamentos sobre a sustentabilidade dos resultados, já que os grandes provedores investem em empresas das quais também esperam receber receitas futuras pela utilização de infraestrutura computacional. Setor de IA precisará gerar US$ 6 trilhões anuais até 2031 Um estudo da consultoria Bain & Company amplia as dúvidas sobre a viabilidade financeira da expansão da inteligência artificial. Segundo o Global Technology Report 2026, o setor precisará gerar aproximadamente US$ 6 trilhões em receitas anuais até 2031 para continuar financiando a infraestrutura necessária ao crescimento esperado da demanda. A Bain estima que as aplicações atuais de IA poderão representar cerca de US$ 1,8 trilhão desse montante, deixando uma diferença de US$ 4,2 trilhões. Novas aplicações, incluindo mecanismos de busca, publicidade, veículos autônomos desenvolvidos com IA e sistemas de simulação, poderiam acrescentar US$ 1,5 trilhão em receitas anuais. Mesmo nesse cenário, permaneceria uma lacuna de US$ 2,7 trilhões, que dependeria de produtos e aplicações ainda inexistentes. As projeções indicam que ganhos de produtividade corporativa, isoladamente, não serão suficientes para sustentar os investimentos previstos. A expansão financeira do setor dependerá da criação de novos mercados e aplicações capazes de transformar a crescente capacidade computacional em receitas recorrentes.
- Smart TVs da LG podem ser invadidas pela rede Wi-Fi sem senha ou autorização do usuário
Três vulnerabilidades no webOS, sistema operacional das Smart TVs da LG, podem ser exploradas em conjunto para permitir que invasores obtenham acesso root a determinados modelos de televisores. O ataque pode ser realizado pela rede local, sem necessidade de PIN, autenticação prévia ou qualquer interação do proprietário. A LG disponibilizou uma correção para as falhas, conforme comunicado publicado pela SSD Secure Disclosure em 12 de outubro de 2026. A cadeia de exploração foi testada nos modelos LG 32LQ636BPSA e 27TQ600SW, equipados com webOS 7.5.7-25 e firmware 04.54.40. Ainda não há confirmação sobre a existência das vulnerabilidades em outros modelos ou versões do sistema. Os proprietários dos dispositivos afetados devem verificar a disponibilidade de atualizações de firmware. Até o momento, não foi divulgada uma solução alternativa para os equipamentos que ainda não puderem receber a correção. Como funciona a cadeia de ataque O ataque começa por um serviço exposto na porta 3001 da televisão, utilizado pelo aplicativo LG ThinQ durante o processo de pareamento. O invasor reutiliza um manifesto do aplicativo interno sync-demo, já presente no dispositivo e assinado com um certificado de teste considerado confiável pelo firmware. Uma permissão contida nesse manifesto faz com que o serviço de pareamento ignore a solicitação do PIN e forneça uma chave privilegiada. Com essa chave, o atacante consegue iniciar outro aplicativo integrado ao sistema, chamado cmp-client, direcionando-o para uma página controlada pelo próprio invasor. O problema ocorre porque o aplicativo não valida o destino da navegação. Dessa forma, a página carregada mantém acesso ao PalmServiceBridge, uma interface interna responsável pela comunicação com serviços do sistema operacional. Por meio dessa interface, o invasor consegue acessar o serviço de registro de eventos pmlogd e inserir comandos de shell em um campo de entrada que não realiza a validação adequada. Como o pmlogd é executado com privilégios de root, os comandos injetados também são executados com esse nível de permissão, concedendo ao atacante controle privilegiado sobre o sistema da televisão. Histórico de vulnerabilidades no webOS Esta não é a primeira vez que serviços acessíveis pela rede local permitem obter privilégios elevados em Smart TVs da LG. Em 2024, a Bitdefender divulgou outro conjunto de vulnerabilidades no webOS que possibilitava acesso não autenticado pela rede. As falhas afetavam componentes diferentes e foram corrigidas em março daquele ano. Outra cadeia de exploração foi demonstrada durante o TyphoonPWN 2025, utilizando uma vulnerabilidade de travessia de diretórios (path traversal) em uma porta diferente. A nova cadeia foi apresentada por um pesquisador anônimo durante o TyphoonPWN 2026, realizado em maio, em Seul, na Coreia do Sul. A descoberta conquistou o terceiro lugar na categoria LG webOS da competição. Até o momento, as três vulnerabilidades não receberam identificadores CVE, e não existem relatos de exploração ativa em ataques reais. Embora a exploração dependa de acesso à mesma rede local da televisão, a possibilidade de executar comandos com privilégios de root representa um risco para dispositivos vulneráveis que permaneçam sem atualização.
- Docker corrige falha crítica CVE-2026-105445 que permitia publicar imagens em contas de outros usuários
A Docker corrigiu uma vulnerabilidade crítica no Docker Hub que permitia a um usuário realizar operações em repositórios de outras contas, incluindo publicação, download e exclusão de imagens de contêineres. Identificada como CVE-2026-105445, a falha recebeu pontuação 9,4 no CVSS 4.0 e permaneceu presente na plataforma por pouco mais de dois anos. A correção foi implementada em 30 de setembro de 2026, enquanto o comunicado oficial de segurança foi publicado em 12 de outubro. Segundo a Docker, uma investigação dos registros da plataforma não encontrou evidências de exploração maliciosa da vulnerabilidade. O problema estava relacionado ao mecanismo que permite converter contas pessoais do Docker Hub em organizações. Durante esse processo, os tokens de acesso pessoal (Personal Access Tokens, ou PATs) eram transferidos para o usuário designado como proprietário da nova organização, sem invalidar os segredos utilizados anteriormente. Esses tokens funcionam como credenciais de autenticação para operações no registro de imagens, substituindo o uso direto de senhas. Como os valores dos tokens permaneciam válidos após a transferência, seus criadores continuavam capazes de utilizá-los, agora com a identidade do novo proprietário. Falha permitia assumir permissões de outros usuários no registro O Docker Hub não permite transferir diretamente um repositório entre contas. Para manter o mesmo nome de usuário ou namespace, a plataforma oferece a possibilidade de converter uma conta pessoal em organização, indicando outra conta existente como proprietária. A vulnerabilidade ocorria porque essa conversão modificava a identidade associada aos tokens, mas preservava suas credenciais originais. Um invasor poderia explorar o comportamento criando um token em uma conta sob seu controle, convertendo essa conta em organização e indicando outra pessoa como proprietária. Após a conversão, o token poderia ser utilizado no registro do Docker Hub com as permissões da conta escolhida como proprietária. Segundo a Docker e os pesquisadores responsáveis pela descoberta, o usuário indicado não precisava confirmar a transferência e também não recebia uma notificação, apesar de a interface informar, desde pelo menos agosto de 2024, que um e-mail seria enviado ao novo proprietário. Dependendo do nível de permissão do token, o invasor poderia baixar, publicar ou excluir imagens em repositórios da vítima e em organizações às quais ela tivesse acesso. A Docker classificou o problema como crítico principalmente pela possibilidade de publicar imagens utilizando a identidade de um usuário legítimo, criando riscos para a integridade da cadeia de suprimentos de software. A exploração, entretanto, estava limitada às operações do registro de imagens. A falha não permitia acessar a interface web do Docker Hub, modificar senhas, alterar endereços de e-mail, desabilitar autenticação de dois fatores ou assumir integralmente uma conta. Vulnerabilidade GhostPat foi descoberta por pesquisadores independentes A falha, denominada GhostPat, foi identificada por Peter Molnar e Krisztian Hozak, da mptrdev.com. Os pesquisadores reproduziram o problema duas vezes utilizando contas de teste com autorização dos envolvidos. Durante os experimentos, conseguiram autenticar-se no registro com a identidade de outra conta, criar e publicar imagens em seu namespace, enviar imagens para uma organização da qual ela participava e acessar repositórios privados. A Docker informou que disponibilizou a correção menos de quatro horas após receber o relatório dos pesquisadores. Como a vulnerabilidade estava presente no próprio serviço Docker Hub, a atualização foi aplicada diretamente pela empresa, sem necessidade de instalação de patches pelos usuários. O problema existia desde 26 de agosto de 2024 e foi corrigido em 30 de setembro de 2026. Docker analisou aproximadamente 304 mil publicações de imagens Após a correção, a Docker iniciou uma investigação para determinar se a vulnerabilidade havia sido utilizada indevidamente. A empresa examinou todas as conversões de contas realizadas durante o período de exposição, comparando registros de autenticação, utilização de tokens e operações no registro. A análise procurou identificar credenciais utilizadas sob diferentes identidades e verificou aproximadamente 304 mil operações de publicação de imagens realizadas com tokens transferidos. Segundo a Docker, todas essas publicações ocorreram em repositórios pertencentes às organizações convertidas ou aos proprietários designados. Na maioria dos casos, as duas contas envolvidas pertenciam à mesma pessoa ou equipe. Quando não foi possível confirmar essa relação, a empresa examinou as imagens públicas consideradas de maior risco, sem executá-las, e não encontrou indícios de malware ou adulteração. Apesar dos resultados, a investigação apresenta limitações. Os registros do Docker Hub identificam quando um token é utilizado, mas não necessariamente sua existência caso nunca tenha sido empregado. Por esse motivo, todos os tokens transferidos durante o período da vulnerabilidade foram considerados potencialmente afetados. Além disso, o comunicado detalha os resultados das operações de publicação, mas não esclarece as conclusões sobre downloads ou exclusões realizados com esses tokens, incluindo possíveis acessos a repositórios privados. Usuários afetados foram notificados e tokens desativados Em 2 de outubro, a Docker enviou notificações aos usuários que receberam tokens transferidos e aos proprietários das organizações envolvidas. As mensagens incluíam a descrição e a data de criação de cada token identificado. A empresa não divulgou a quantidade exata de usuários ou credenciais afetadas, limitando-se a informar que o problema envolveu um número restrito de contas. Segundo a Docker, usuários que não receberam notificações não foram expostos à vulnerabilidade e não precisam realizar ações específicas relacionadas ao incidente. Em 8 de outubro, a empresa desativou os tokens transferidos identificados, exceto aqueles cuja manutenção havia sido solicitada pelos respectivos proprietários. Todd Matens, responsável pela ferramenta de análise Docker Compose compose-lint, relatou ter recebido duas notificações, uma relacionada à sua organização e outra à conta pessoal. Como medida preventiva, ele substituiu dois tokens utilizados em processos de integração contínua (CI) e verificou as assinaturas de suas 42 imagens publicadas, relacionando cada uma ao processo automatizado responsável por sua criação. Recomendações para verificar credenciais e repositórios A Docker orienta os usuários a revisar os tokens existentes, revogar credenciais desconhecidas ou desnecessárias e utilizar tokens específicos de organização para automações corporativas. A verificação pode ser realizada em Account settings → Personal access tokens, onde são apresentadas as datas de criação e última utilização das credenciais. Os pesquisadores também recomendam observar dois possíveis indicadores de exposição: tokens que o usuário não reconhece e organizações desconhecidas exibidas no seletor de contas. Para organizações que utilizam os planos Docker Team ou Docker Business, os administradores podem consultar registros de atividades para identificar publicações anteriores, incluindo as tags enviadas e os tokens utilizados. Esses registros ficam disponíveis no Docker Home por 30 dias, enquanto informações mais antigas podem ser consultadas por meio da API do Docker Hub. Os tokens de organização exigem assinaturas Team ou Business e podem ser administrados por proprietários ou funções personalizadas autorizadas. Entretanto, não são compatíveis com Docker Desktop ou Image Access Management. Documentação descrevia comportamento vulnerável desde 2025 Um aspecto identificado na investigação envolve a própria documentação oficial da Docker. Em 22 de abril de 2025, uma atualização na página de conversão de contas passou a informar que os tokens pessoais associados à conta seriam transferidos ao proprietário da organização. Essa descrição permaneceu publicada durante aproximadamente 17 dos 25 meses em que a vulnerabilidade esteve presente. A referência foi removida em 30 de setembro de 2026, poucos minutos após o horário informado pela Docker para a implementação da correção, conforme o histórico público da documentação. A empresa informou que agora exige o consentimento do usuário antes de designá-lo como proprietário de uma organização e envia notificações sobre a alteração. Também passou a registrar todas as mudanças de propriedade dos tokens e iniciou uma revisão de outras funcionalidades que permitem modificar a titularidade de credenciais. A vulnerabilidade apresenta riscos associados a ataques à cadeia de suprimentos de software. Em março e abril, invasores utilizaram credenciais roubadas de publicadores para distribuir imagens maliciosas das ferramentas Trivy e KICS em repositórios legítimos do Docker Hub, em incidentes citados pela empresa como exemplos dos possíveis impactos desse tipo de acesso indevido. Embora a Docker não tenha encontrado evidências de exploração da GhostPat, o caso demonstra como falhas no gerenciamento de credenciais podem permitir operações não autorizadas em repositórios confiáveis, mesmo sem o comprometimento completo das contas.
- Anthropic alerta que modelos de IA podem criar botnets autônomas e se espalhar por dispositivos IoT
Modelos de inteligência artificial (IA) de pequeno porte podem estar a poucos meses de adquirir capacidades para se replicar autonomamente em dispositivos conectados à internet, como televisores Android, fornos inteligentes e outros equipamentos de Internet das Coisas (IoT). O alerta foi divulgado pela Anthropic, que investiga os riscos de sistemas de IA capazes de formar botnets distribuídas e difíceis de interromper. Segundo a empresa, esses modelos poderiam criar uma espécie de worm de IA, um malware capaz de se espalhar automaticamente entre dispositivos vulneráveis, utilizando o poder computacional das máquinas comprometidas para executar suas próprias operações. Diferentemente das botnets tradicionais, essas redes poderiam operar sem uma infraestrutura centralizada de comando, dificultando sua desativação. A ausência de um ponto único de controle permitiria que diferentes dispositivos continuassem executando o modelo mesmo após a interrupção de parte da rede. Como funcionariam os worms de inteligência artificial Pesquisas anteriores já demonstraram que agentes de IA conseguem executar etapas de uma cadeia de ataque, incluindo varredura de redes, exploração de vulnerabilidades e transferência dos parâmetros de um modelo, conhecidos como weights, para outras máquinas. Em experimentos realizados em clusters de GPUs, esses agentes foram capazes de reproduzir componentes de modelos em sistemas de destino, demonstrando a possibilidade de utilizar equipamentos comprometidos para sustentar operações de IA e ampliar sua capacidade de processamento. A Anthropic explica que um worm de IA poderia transportar seus próprios parâmetros durante a propagação ou baixá-los novamente de um repositório público. Dessa forma, o modelo seria executado diretamente no hardware comprometido, tornando seus parâmetros parte da carga maliciosa. Na prática, dispositivos conectados à internet poderiam ser utilizados para executar modelos de IA e participar da propagação para outras máquinas, reduzindo a dependência de grandes datacenters. Modelos mais complexos, que não caberiam individualmente em um dispositivo, também poderiam ser divididos em componentes menores e distribuídos entre diferentes equipamentos, permitindo sua execução coletiva. Três estratégias de propagação identificadas A Anthropic descreve três mecanismos pelos quais sistemas de IA poderiam se replicar e estabelecer operações distribuídas: Replicação baseada em parâmetros (weight-based replicators): pequenos modelos comprometem dispositivos e transferem seus parâmetros para novas máquinas. Equipamentos IoT são considerados alvos atraentes devido aos controles de segurança frequentemente limitados. Replicação em infraestrutura computacional: agentes buscam datacenters e outros ambientes com elevado poder de processamento para estabelecer instâncias não autorizadas. A classificação inclui frontier replicators e open-weight replicators, dependendo do modelo utilizado. Replicação baseada em APIs (API-based replicators): sistemas obtêm chaves de API ou credenciais de plataformas de IA para executar novas instâncias utilizando serviços legítimos. Nesse cenário, o provedor poderia interpretar inicialmente as operações como solicitações comuns de um cliente. A última estratégia apresenta limitações, pois padrões anormais de utilização de APIs podem gerar alertas de segurança, resultando na revogação das credenciais ou no bloqueio das contas envolvidas. Testes com 11 modelos de IA mostram avanços na replicação Para avaliar essas capacidades, a Anthropic testou 11 modelos de pesos abertos desenvolvidos por Alibaba, DeepSeek, Google, Meta, Moonshot AI, OpenAI e Zhipu AI, também conhecida como Z.ai. Entre os modelos avaliados, o GLM-5.2 foi o único capaz de propagar de maneira confiável o Llama 3.1-8B para oito de oito nós executando o emulador Android redroid, alcançando esse resultado em quatro de cinco tentativas. O experimento demonstra avanços na execução automatizada de etapas necessárias à replicação, embora não comprove a existência de uma botnet de IA totalmente autônoma em ambientes reais. A empresa também avaliou a possibilidade de construir uma rede distribuída utilizando dispositivos Android TV de baixo custo. Uma infraestrutura composta por centenas de milhares desses equipamentos poderia reunir capacidade computacional suficiente para executar tarefas relevantes de inferência de IA, ainda que de maneira lenta e distribuída. Botnets de IA poderiam atingir datacenters e serviços em nuvem Além dos dispositivos IoT, a Anthropic considera outros cenários possíveis, incluindo modelos capazes de comprometer datacenters rapidamente ou sistemas que utilizem fraudes para obter créditos de processamento em plataformas de inteligência artificial. Essas possibilidades ampliariam os riscos para provedores de serviços em nuvem e organizações que disponibilizam infraestrutura computacional acessível pela internet. A empresa ressalta, entretanto, que ainda não foi demonstrado um agente malicioso totalmente autônomo capaz de completar toda a cadeia de autorreplicação. O avanço observado está na capacidade crescente dos agentes de executar individualmente as etapas necessárias e transmitir adaptações para futuras cópias. A Anthropic também prevê que eventuais botnets baseadas em IA não ficariam restritas a dispositivos IoT nem dependeriam exclusivamente da replicação de parâmetros. Esses sistemas poderiam combinar diferentes estratégias e até adaptar seu comportamento para dificultar ações defensivas, embora essa última capacidade ainda não tenha sido testada pela empresa.
- China domina até 95% de minerais essenciais à fabricação de chips nos Estados Unidos
A indústria de semicondutores dos Estados Unidos depende de matérias-primas chinesas em proporções muito superiores às indicadas pelos dados de fornecimento direto. Um relatório da Semiconductor Industry Association (SIA) revela que, embora a China represente apenas 5% dos equipamentos e materiais adquiridos diretamente pelos fabricantes americanos, sua participação no fornecimento global de determinados minerais essenciais chega a 95%. O levantamento aponta vulnerabilidades nas cadeias internacionais de suprimentos que sustentam a fabricação de chips, especialmente em etapas anteriores à aquisição dos equipamentos e materiais utilizados pelas empresas americanas. Segundo a SIA, aproximadamente 95% dos quase US$ 27 bilhões gastos anualmente pela indústria americana de semicondutores em equipamentos e materiais são destinados a fornecedores sediados nos Estados Unidos, Europa e Japão. Entretanto, quando os valores são analisados pelo país onde os produtos são efetivamente fabricados, essa participação cai para 68%. A diferença ocorre porque fornecedores internacionais frequentemente dependem de instalações industriais e cadeias produtivas localizadas fora de seus países de origem. Nesse cenário, a participação chinesa aumenta de aproximadamente 1%, considerando a sede dos fornecedores, para 5% quando analisado o local de fabricação. No Sudeste Asiático, a participação passa de menos de 1% para 10%. Esses números consideram apenas os equipamentos e materiais adquiridos diretamente pelos fabricantes americanos, sem incluir matérias-primas e componentes utilizados nas etapas anteriores da cadeia produtiva. China controla grande parte do fornecimento de minerais estratégicos A dependência se torna mais significativa quando são analisados minerais utilizados na fabricação de semicondutores e equipamentos industriais. De acordo com a SIA, a China concentra parcelas expressivas da oferta mundial de materiais considerados estratégicos: Mineral Participação chinesa na oferta global Gálio 95% Tungstênio 85% Neodímio e praseodímio 95% Térbio Aproximadamente 95% O gálio é utilizado na produção de semicondutores compostos, enquanto o tungstênio pode ser refinado para produzir substâncias químicas empregadas na deposição de filmes finos durante a fabricação de chips. Já o neodímio, o praseodímio e o térbio são utilizados na fabricação de ímãs de alto desempenho, presentes em motores, robôs e sistemas de precisão integrados aos equipamentos de produção de semicondutores. Esses materiais desempenham funções importantes na operação das máquinas industriais, mesmo quando não fazem parte diretamente dos chips produzidos. A associação destaca que equipamentos e materiais necessários à fabricação de semicondutores nos Estados Unidos dependem de insumos vulneráveis, muitas vezes pouco visíveis nas etapas iniciais das cadeias globais de fornecimento. Segundo o relatório, essa exposição amplia os riscos para o setor de semicondutores americano e para países parceiros. Restrições chinesas ampliam preocupação com abastecimento Pequim estabeleceu exigências de licenciamento para exportações de determinados produtos de gálio, tungstênio e materiais relacionados a sete elementos de terras raras médias e pesadas. O governo chinês também anunciou, em outubro de 2025, um conjunto mais amplo de controles comerciais, mas suspendeu sua implementação até 10 de novembro de 2026. As exigências anteriores de licenciamento permaneceram em vigor. Após a visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos, em setembro de 2026, a Casa Branca informou que os dois países continuavam negociando soluções para as preocupações americanas com a escassez de terras raras e outros minerais críticos. O objetivo das conversas é restabelecer os fluxos de fornecimento desses materiais. Apesar da flexibilização de algumas restrições, empresas americanas continuaram enfrentando dificuldades de abastecimento no início de 2026, conforme informações publicadas pelo South China Morning Post em março. Diversificação de fornecedores pode levar mais de uma década Diante dos riscos identificados, a SIA defende a formação de estoques estratégicos de materiais prioritários e o desenvolvimento de fontes alternativas de abastecimento em parceria com países aliados. Entretanto, a substituição de fornecedores apresenta desafios industriais e tecnológicos. Segundo a associação, a criação de capacidade produtiva para determinados materiais pode exigir dez anos ou mais. Após essa etapa, a qualificação de novos fornecedores e materiais para utilização na fabricação de semicondutores pode demandar outros três a quatro anos. Esses prazos estão relacionados às exigências de qualidade, consistência e confiabilidade dos processos industriais utilizados na produção de chips. O relatório indica que a diversificação da cadeia de suprimentos não depende apenas da localização das fábricas de semicondutores, mas também da disponibilidade de matérias-primas, componentes especializados e fornecedores qualificados nas etapas anteriores da produção.
- Adoção de IA nas empresas avança mais rápido que a capacidade de monitorar custos e riscos
A rápida adoção de inteligência artificial nas empresas está criando novos desafios para as equipes de TI, especialmente no controle de gastos, na visibilidade sobre o uso das ferramentas e na definição de políticas de governança. Com diferentes modelos de cobrança e plataformas utilizadas por diversos departamentos, muitas organizações enfrentam dificuldades para identificar quanto estão investindo em IA e quais atividades justificam esses custos. O problema se intensifica com a expansão dos modelos de precificação baseados em consumo. Diferentemente de softwares tradicionais, que geralmente possuem custos previsíveis por licença, serviços de IA podem cobrar por tokens processados, créditos utilizados ou volume de requisições. Essa diversidade dificulta a consolidação das despesas e o acompanhamento dos recursos consumidos. Além disso, cada plataforma oferece seus próprios painéis administrativos, métricas e mecanismos de controle. Como resultado, as equipes de TI precisam reunir informações de diferentes sistemas para compreender o consumo total da organização, muitas vezes trabalhando com dados que já estão desatualizados quando a análise é concluída. Falta de visibilidade dificulta decisões sobre investimentos em IA Um dos principais desafios da governança de inteligência artificial é transformar dados dispersos em informações que permitam decisões estratégicas. Conhecer o valor total gasto com IA não é suficiente para identificar desperdícios, justificar investimentos ou reconhecer padrões inesperados de utilização. As organizações precisam compreender quais departamentos, usuários, modelos e projetos estão consumindo recursos. Um aumento repentino nas despesas, por exemplo, pode estar relacionado ao desenvolvimento de um novo produto, ao início de um projeto ou à utilização de modelos mais caros como configuração padrão. Também pode indicar atividades não autorizadas ou situações que exigem investigação. Sem uma visão consolidada, identificar essas diferenças demanda consultas manuais a diversas plataformas, aumentando o tempo necessário para compreender as causas e adotar medidas corretivas. A centralização das informações permite acompanhar o consumo com maior precisão e oferece às lideranças elementos para avaliar se os investimentos estão alinhados às prioridades do negócio. Governança de IA exige políticas próprias e responsabilidades definidas Embora as equipes de TI desempenhem um papel central na administração das ferramentas, a governança de inteligência artificial não deve ficar restrita a esse departamento. As decisões sobre orçamento, seleção de modelos e prioridades de utilização precisam envolver diferentes áreas da organização, considerando requisitos técnicos, financeiros e de segurança. Outro obstáculo está na ausência de padronização entre os fornecedores. Enquanto algumas plataformas oferecem controles administrativos detalhados, outras disponibilizam apenas configurações gerais por conta. Essa diferença dificulta a aplicação uniforme das políticas corporativas. Para evitar que as regras de cada ferramenta determinem o funcionamento da organização, as empresas precisam estabelecer critérios próprios para utilização da IA. Entre as principais definições estão quais ferramentas podem ser utilizadas pelos funcionários, quais atividades exigem aprovação adicional, quais informações podem ser compartilhadas com sistemas de IA e quem possui autoridade para autorizar novos modelos ou ampliar orçamentos. Essas decisões também precisam ser acompanhadas de mecanismos operacionais, como controles de acesso, alertas de consumo, processos de aprovação, revisões periódicas e procedimentos de escalonamento. A distribuição de responsabilidades é igualmente importante. A TI pode administrar os sistemas e implementar controles, enquanto a área de segurança estabelece requisitos para o tratamento de dados. O departamento financeiro acompanha os orçamentos, compras avalia as condições contratuais e as lideranças técnicas definem prioridades relacionadas ao desenvolvimento. Essa divisão permite que problemas envolvendo custos ou utilização inadequada sejam encaminhados rapidamente às equipes responsáveis. Uso de ferramentas não autorizadas amplia desafios de segurança O inventário de ferramentas é considerado um dos primeiros passos para estabelecer uma governança eficiente. Esse levantamento deve contemplar plataformas corporativas, ferramentas de desenvolvimento, APIs de modelos de linguagem, agregadores de serviços, funcionalidades de IA incorporadas a softwares existentes e aplicações adotadas diretamente pelos funcionários. A inclusão de ferramentas utilizadas fora dos processos formais de contratação é especialmente importante, pois essas soluções podem permanecer fora da visibilidade das equipes responsáveis pela administração e segurança. Esse cenário, frequentemente associado ao conceito de Shadow AI, dificulta a identificação dos serviços utilizados e o controle sobre informações compartilhadas pelos colaboradores. Sem políticas claras, dados corporativos sensíveis podem ser inseridos em ferramentas que não passaram por avaliações de segurança ou conformidade. Por isso, o inventário precisa ser atualizado continuamente e associado a regras sobre classificação de informações, ferramentas autorizadas, seleção de modelos e limites de utilização. Cinco medidas para melhorar o controle da inteligência artificial A estruturação da governança pode começar com cinco medidas práticas: 1. Mapear as ferramentas utilizadas: identificar serviços corporativos, APIs, recursos integrados e aplicações adotadas sem aprovação formal. 2. Consolidar informações de consumo: acompanhar despesas por plataforma, departamento, usuário, modelo e, quando possível, projeto ou finalidade. 3. Definir responsabilidades: estabelecer quem aprova novas ferramentas, determina orçamentos, investiga aumentos inesperados e autoriza modelos específicos. 4. Formalizar políticas de governança: criar regras para tratamento de dados sensíveis, ferramentas permitidas, limites financeiros, aprovações e escalonamento de incidentes. 5. Realizar revisões periódicas: acompanhar mudanças no consumo, identificar comportamentos inesperados e atualizar os procedimentos conforme a utilização evolui. A implementação dessas medidas não exige que as empresas desenvolvam imediatamente um modelo definitivo de governança. A prioridade é estabelecer processos consistentes que possam ser aperfeiçoados à medida que novas tecnologias e necessidades surgem. Visibilidade deve acompanhar a expansão da IA nas empresas A velocidade de evolução das ferramentas de inteligência artificial e de seus modelos comerciais exige que as organizações revisem continuamente seus mecanismos de controle. O desafio não está apenas em reduzir despesas, mas em compreender como a tecnologia é utilizada, quais resultados justificam os investimentos e quais riscos precisam ser administrados. Com informações consolidadas e responsabilidades bem definidas, as equipes de TI conseguem fornecer maior transparência sobre o ambiente, enquanto as lideranças passam a tomar decisões fundamentadas em dados de consumo e nas prioridades corporativas. A governança, nesse contexto, deixa de ser uma atividade isolada de fiscalização e passa a integrar os processos cotidianos de gestão da inteligência artificial.











