APNIC discute esgotamento do IPv4 e adoção de IPv6 em assembleia anual
- Cyber Security Brazil
- há 7 horas
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A governança da internet pode parecer caótica e a APNIC quer que continue assim. Durante a assembleia geral anual realizada na conferência APRICOT 2026, membros da Asia Pacific Network Information Centre (APNIC), entidade responsável pela distribuição de endereços IP para metade da população mundial, fizeram questionamentos diretos à liderança da organização.
Entre as perguntas levantadas estavam temas sensíveis: diversidade no conselho executivo, dificuldades financeiras que levaram à demissão de funcionários, demora na resposta a correspondências, suporte à fundação da entidade e até dúvidas sobre práticas contábeis. O debate também se estendeu à conferência técnica anterior, com discussões sobre adoção de IPv6, esgotamento acelerado de IPv4 e a viabilidade de segurança baseada exclusivamente em ferramentas open source.
À frente da organização está Jia Rong Low, diretor-geral da APNIC, que demonstrou conforto com o tom crítico das discussões. Para ele, o modelo multissetorial que reúne comunidade técnica, setor privado, academia e sociedade civil funciona justamente porque permite esse tipo de confronto aberto.
Internet sem controle governamental direto
No fim de 2025, a Organização das Nações Unidas decidiu manter o modelo atual de governança da internet, baseado em múltiplas partes interessadas. Nesse arranjo, entidades como ICANN, ISOC, IETF e os registros regionais de internet, como a APNIC, atuam de forma coordenada para operar e proteger a infraestrutura global, sem controle direto de governos.
Low considera essa decisão acertada, mas afirma que o sucesso do modelo depende de ampliar a participação. Segundo ele, muitos membros enxergam a APNIC apenas como fornecedora de endereços IP, ignorando que também podem influenciar políticas, participar de grupos de interesse e até disputar assentos no conselho executivo.
Mais vozes, mais idiomas, mais participação
Um dos desafios apontados pelo diretor-geral é cultural e linguístico. Embora o inglês seja predominante nos eventos e fóruns da organização, a região atendida pela APNIC abriga enorme diversidade de idiomas e costumes.
Low citou, por exemplo, a estrutura hierárquica da língua vietnamita, que exige adaptações no discurso conforme a idade e posição dos interlocutores. Para ele, criar ambientes mais confortáveis para diferentes perfis culturais pode ampliar a contribuição de novos participantes.
Nos últimos meses, a APNIC passou a reformular auditorias de endereços IP como “revisões colaborativas”, buscando uma abordagem mais educativa do que punitiva. A entidade também avalia abrir uma representação fora da Austrália, onde está sediada atualmente, e prepara um novo plano estratégico para o período de 2028 a 2032.
Eleições e expansão regional
A assembleia terminou com a reeleição de três membros do conselho executivo. Os participantes também aprovaram a ampliação do mandato de dois para três anos, com limite de três mandatos consecutivos.
Para 2026, a APNIC anunciou que levará uma de suas conferências anuais para a Mongólia pela primeira vez. Representantes locais destacaram o perfil jovem do país como indicativo de potencial para contribuir com a missão da entidade um exemplo prático da visão defendida por Low: quanto mais diversidade e participação, mais resiliente tende a ser a governança da internet.
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