Amazon quer usar mini reatores nucleares para alimentar seus data centers
- Cyber Security Brazil
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A corrida por fontes alternativas de energia para sustentar a explosão dos data centers deu mais um passo decisivo. A Amazon recebeu um impulso estratégico após a Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos conceder licença à sua parceira X-Energy para fabricar combustível nuclear destinado a reatores modulares avançados.
A autorização foi emitida pela Nuclear Regulatory Commission (NRC) e permite que a subsidiária TRISO-X produza combustível HALEU (urânio de baixo enriquecimento com alto teor de pureza), essencial para alimentar os reatores Xe-100. A produção ocorrerá em uma instalação localizada em Oak Ridge, no estado do Tennessee, um polo histórico da indústria nuclear norte-americana.
O movimento faz parte de uma aposta de US$ 500 milhões realizada pela Amazon no fim de 2024 para viabilizar o uso de reatores modulares pequenos (SMRs) como alternativa à rede elétrica tradicional. O objetivo é garantir fornecimento contínuo de energia para sustentar a expansão acelerada dos data centers, especialmente diante da crescente demanda impulsionada pela inteligência artificial.
Cada reator Xe-100 deve gerar até 80 megawatts de energia de forma contínua por até 60 anos. Embora esse volume fosse suficiente para atender grandes campi de data centers do passado, os novos complexos focados em IA podem consumir até 50 vezes mais energia, exigindo múltiplos módulos operando em conjunto.
O combustível aprovado utiliza partículas TRISO pequenos grânulos de urânio revestidos por múltiplas camadas de carbono e materiais cerâmicos. Essas partículas são encapsuladas em esferas de grafite do tamanho aproximado de uma bola de bilhar. Centenas de milhares dessas “pebbles” circulam continuamente dentro do reator.
No modelo Xe-100, o calor gerado é capturado por gás hélio, que posteriormente produz vapor para movimentar turbinas geradoras de energia elétrica. A X-Energy estima produzir cerca de 700 mil esferas de combustível por ano na planta TX-1, volume suficiente para abastecer aproximadamente 11 reatores.
Segundo a empresa, as instalações TX-1 e TX-2 são as primeiras do tipo a receberem aprovação regulatória nos últimos 50 anos. No entanto, a produção ainda depende da conclusão das obras e de uma inspeção presencial da NRC para validar os padrões de segurança.
Apesar do avanço regulatório, a implementação comercial será gradual. A X-Energy projeta entregar os cinco gigawatts contratados pela Amazon até 2039, com os primeiros reatores entrando em operação ao longo da década de 2030.
O projeto reforça uma tendência crescente entre gigantes da tecnologia: buscar independência energética para sustentar a infraestrutura crítica que mantém serviços em nuvem, IA e aplicações digitais operando 24 horas por dia.






