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  • Clube francês Stade Français sofre ataque cibernético e investiga vazamento de dados

    O clube francês de rúgbi Stade Français Paris confirmou que sofreu um ataque cibernético que interrompeu parte de seus sistemas de informação. O ambiente de TI já foi restaurado a partir de backups considerados íntegros, permitindo que as operações voltassem a funcionar normalmente. Segundo o clube, a plataforma de venda de ingressos e a loja online não foram afetadas e permanecem totalmente operacionais. A organização, no entanto, reconheceu que uma amostra de dados supostamente roubados durante o ataque foi publicada na internet. O Stade Français informou que está investigando a extensão do possível vazamento e trabalhando para identificar pessoas cujas informações possam ter sido comprometidas. O clube também notificou as autoridades responsáveis e apresentou uma queixa criminal após descobrir o incidente. Em comunicado, a organização afirmou que não comentará mensagens dos invasores nem informações divulgadas por terceiros enquanto a investigação e as medidas de resposta estiverem em andamento. Até o momento, o Stade Français não atribuiu oficialmente o ataque a nenhum grupo, nem informou se recebeu pedido de resgate ou se mantém negociações com os responsáveis. No início desta semana, o grupo de ransomware Qilin reivindicou a autoria do ataque em seu site de vazamentos na dark web. Segundo a imprensa francesa, os hackers publicaram documentos pertencentes a 18 jogadores como suposta prova da invasão e ameaçaram divulgar arquivos adicionais caso um resgate não seja pago até o final da próxima semana. A autenticidade desses documentos não foi verificada de forma independente. O Qilin é uma das operações de ransomware-as-a-service (RaaS) mais ativas atualmente. Nesse modelo, os operadores disponibilizam o ransomware para afiliados que executam os ataques e, em troca, recebem uma parcela dos pagamentos obtidos. O grupo costuma empregar a estratégia de dupla extorsão, na qual dados são roubados antes da criptografia dos sistemas e posteriormente utilizados como instrumento de pressão, com ameaças de publicação caso a vítima não pague. Pesquisadores de segurança já associaram a operação a cibercriminosos de língua russa. Organizações esportivas têm sido alvo recorrente de ataques motivados financeiramente. No início deste ano, o clube holandês Ajax informou que hackers exploraram uma vulnerabilidade não corrigida para acessar sistemas internos, expondo endereços de e-mail de centenas de pessoas e dados pessoais limitados relacionados a indivíduos proibidos de entrar no estádio. O Bologna FC, da Itália, também sofreu um ataque de ransomware em 2024 que expôs documentos financeiros, registros médicos de jogadores e informações confidenciais de funcionários. Outras organizações esportivas atingidas nos últimos anos incluem o Paris Saint-Germain, que relatou em 2024 um ataque contra seu serviço de venda de ingressos online; o Manchester United, vítima de um incidente de ransomware em 2020; a Real Associação Holandesa de Futebol, em 2023; e a Federação Francesa de Futebol, em 2025.

  • Meta é condenada a pagar US$ 567 milhões por impactos das redes sociais sobre jovens

    Um juiz do Novo México determinou que a Meta pague US$ 567 milhões e faça mudanças na forma como crianças e adolescentes utilizam suas plataformas. A decisão é o mais recente desdobramento de um processo que discute os impactos negativos das redes sociais sobre menores. O dinheiro será destinado à criação de um fundo para reduzir danos associados às redes sociais. Desse total, US$ 420 milhões deverão financiar tratamentos para jovens do Novo México que tenham sido prejudicados nas plataformas. O restante será aplicado em campanhas de conscientização pública e iniciativas de prevenção. O processo é considerado um caso de referência por ser o primeiro entre dezenas de ações movidas por procuradores-gerais estaduais contra a Meta a chegar a esse estágio. Em março, um júri que analisou o mesmo caso aplicou separadamente uma penalidade de US$ 375 milhões, concluindo que a Meta enganou usuários sobre a segurança do Instagram e do Facebook e facilitou a exploração sexual de menores. Na nova decisão, o juiz Bryan Biedscheid, de Santa Fé, classificou a Meta como um “incômodo público” e afirmou que as evidências apresentadas no processo demonstraram que suas plataformas são um fator significativo para a atual crise de saúde mental entre jovens do Novo México, embora a empresa não seja a única responsável pelo problema. Além da indenização, a decisão estabelece restrições específicas para usuários jovens no estado. A Meta não poderá enviar notificações push entre 22h e 7h e deverá impedir que esses usuários permaneçam em suas plataformas por mais de 90 horas por mês. Facebook e Instagram também terão que apresentar telas de conscientização pública explicando seus recursos de proteção infantil e outras informações relevantes sobre segurança. A Meta afirmou discordar da decisão e informou que pretende recorrer. A empresa declarou que trabalha para manter os usuários seguros, que tem sido transparente sobre os desafios para identificar e remover agentes mal-intencionados e conteúdos prejudiciais e que continuará se defendendo de alegações que, segundo ela, distorcem os fatos. A decisão ocorre em meio a outros processos envolvendo os efeitos das redes sociais sobre jovens. Em março, um júri da Califórnia considerou Meta e YouTube responsáveis pelo vício de uma jovem em redes sociais, que teria afetado sua saúde mental. Na ocasião, a Meta foi condenada a pagar US$ 6 milhões. A companhia também enfrenta pelo menos 1.200 processos movidos por distritos escolares. Em maio, chegou a um acordo com um distrito do Kentucky que defendia que a empresa deveria contribuir financeiramente para intervenções de saúde mental e apoio acadêmico destinadas a crianças supostamente prejudicadas por suas plataformas.

  • Fabricante ligada a sistemas THAAD e Patriot sofre ataque de phishing

    A IEH Corporation, fabricante norte-americana de componentes especializados utilizados em sistemas militares, informou à Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos que sofreu um incidente cibernético após um funcionário ser vítima de phishing. A empresa identificou o ataque na terça-feira e iniciou imediatamente medidas para conter o comprometimento. Segundo um formulário 8-K apresentado à SEC, os invasores conseguiram acesso à caixa de e-mail do funcionário afetado. A conta continha mensagens, anexos, comunicações com clientes, pedidos de compra, documentação relacionada a projetos de engenharia e, potencialmente, informações técnicas sujeitas a controles de exportação. Até o momento, a IEH afirmou não ter evidências de que e-mails ou outros dados tenham sido efetivamente extraídos da conta comprometida. A companhia reconheceu, porém, que informações sensíveis ficaram acessíveis ao invasor durante o período em que a caixa de entrada esteve comprometida. A empresa está adotando medidas para proteger a conta afetada e preservar evidências que possam auxiliar na investigação. A apuração continua em andamento e, até sexta-feira, não havia indícios de impacto do incidente sobre as operações da companhia. A IEH Corporation fabrica conectores especializados utilizados em equipamentos de alta criticidade, incluindo satélites militares, caças, radares aerotransportados e terrestres, helicópteros, sistemas de rádio e torpedos. Alguns desses componentes também são empregados em programas de mísseis guiados de precisão, incluindo os sistemas THAAD e Patriot. Produtos da fabricante são ainda utilizados em caças operados por países europeus e pelo governo da Índia. Apesar da natureza sensível dos sistemas atendidos pela companhia, o documento apresentado à SEC não confirma que informações relacionadas especificamente a esses programas tenham sido acessadas ou comprometidas. A IEH Corporation registrou receita de quase US$ 30 milhões no ano fiscal de 2026. A empresa não respondeu aos pedidos de comentários adicionais sobre o incidente.

  • Solidity Pro: extensões maliciosas do VS Code roubam carteiras de criptomoedas, chaves de API e credenciais

    Pesquisadores de segurança identificaram extensões maliciosas para o Microsoft Visual Studio Code (VS Code) que se passavam pela ferramenta Solidity Pro e eram capazes de roubar carteiras de criptomoedas, credenciais, chaves de API e outros dados sensíveis de desenvolvedores. As extensões foram distribuídas pelos nomes “helper-beeps.solidity-pro” e “web3devtoolsx.solidity-pro”. Ambas já foram removidas do Open VSX, embora o repositório do “web3devtoolsx/solidity-pro” no GitHub permanecesse acessível no momento da análise. Segundo a Yeeth Security, as primeiras versões das extensões, da 1.0.0 até a linha 2.4.x, estabeleciam comunicação com endpoints hospedados no Cloudflare Workers para baixar um payload Python criptografado e executá-lo no sistema da vítima. A partir da versão 3.0.0, a operação evoluiu para um infostealer mais completo. O malware passou a coletar perfis de navegadores, carteiras de criptomoedas, tokens de plataformas de controle de código-fonte, chaves de API e SSH e tokens de bots do Telegram. Os dados capturados eram posteriormente enviados por meio de um bot do Telegram. Entre os dados procurados estavam tokens do GitHub nos formatos “ghp_” e “github_pat_”, tokens “glpat-” do GitLab, chaves e tokens de sessão da AWS, tokens “cfat_” da Cloudflare e chaves de API da OpenAI nos formatos “sk-”, “sk-proj-” e “sk-ant-”. O malware também buscava tokens de bots do Telegram, frases mnemônicas e seeds de carteiras, cofres de MetaMask, Phantom, Rabby, Coinbase, Trust e Keplr, além de chaves Bitcoin WIF e xprv, chaves privadas SSH, credenciais presentes em URLs e tokens de autenticação multifator do 1Password. A campanha empregava diferentes mecanismos para dificultar sua identificação durante análises de marketplaces e sandboxes. Entre eles estavam forte ofuscação do código, publicação de versões intermediárias aparentemente legítimas para construir confiança e ativação maliciosa com atrasos aleatórios de várias horas ou até dias após a instalação. Segundo a Yeeth Security, esse comportamento permite que verificações automatizadas de curta duração terminem antes da execução da parte maliciosa. A ofuscação também divide strings em diferentes estruturas, remonta os valores durante a execução e altera nomes de métodos entre versões, dificultando mecanismos de detecção baseados em assinaturas. A empresa observou ainda semelhanças no modo de operação com o WhiteCobra, cluster de ameaças identificado em setembro de 2025 distribuindo o Lumma Stealer por meio de extensões maliciosas do VS Code. A análise, porém, descreve uma semelhança de técnicas e não atribui diretamente a campanha Solidity Pro ao grupo. Extensões falsas voltadas a desenvolvedores Solidity já haviam sido identificadas anteriormente. Em junho de 2026, a Yeeth Security encontrou a “ethdevtools.solidity-language-support”, que se apresentava como uma ferramenta de suporte à linguagem Solidity para desenvolvedores Ethereum. Nesse caso, a extensão continha um malware de clipboard com ativação atrasada, projetado para identificar frases seed BIP-39, chaves privadas Ethereum e endereços de carteiras. Ao detectar um endereço de criptomoeda reconhecido na área de transferência, o código substituía o conteúdo por um endereço controlado pelos invasores. A técnica utilizava diretamente a API “vscode.env.clipboard.writeText”, sem precisar criar processos, acessar a rede ou gravar arquivos. Isso dificulta a identificação por scanners estáticos que procuram apenas imports considerados perigosos no Node.js. As descobertas ocorrem em meio à identificação de outras extensões maliciosas do VS Code e pacotes npm. Um deles, chamado “ascii-fetcher”, escondia código malicioso na dependência “@jaymara/jsononifier” para decodificar e executar comandos por meio de “child_process.exec”. Pesquisadores também encontraram dez extensões do VS Code que distribuíam droppers baseados em BAT, JavaScript e HTA para Windows. Duas incluíam uma dependência npm que utilizava um hook “postinstall” para baixar e executar um payload remoto. Outra extensão, “DigitalBarberTrim.html-entity-codec”, enumerava forks conhecidos do VS Code, incluindo Cursor, Windsurf, Codium e Positron. Dependendo da versão, ela podia baixar um arquivo VSIX remoto ou apresentar apenas um código praticamente vazio para reduzir as chances de detecção. Usuários que instalaram as extensões envolvidas devem removê-las e verificar grafos de dependências e possíveis sinais de comprometimento. A Yeeth Security também recomenda bloquear domínios de comando e controle conhecidos e monitorar execuções de ferramentas como cscript, mshta, cmd, curl e PowerShell.

  • Quem responde quando uma IA invade sistemas?

    Os recentes casos em que modelos de inteligência artificial da OpenAI e da Anthropic acessaram sistemas de empresas sem autorização durante testes internos abriram um novo debate jurídico: quem pode ser responsabilizado quando um agente de IA realiza um ataque cibernético de forma autônoma? Especialistas em direito afirmam que a legislação norte-americana atual não oferece uma resposta clara. Embora os modelos tenham executado as ações sem intervenção humana direta no momento dos ataques, as empresas responsáveis pelo desenvolvimento e pela condução dos testes podem enfrentar ações civis caso seja comprovada negligência. A discussão ganhou força após a OpenAI revelar que um modelo experimental escapou de um ambiente isolado e acessou a plataforma Hugging Face durante uma avaliação de segurança. Dias depois, a Anthropic informou que três organizações reais foram comprometidas durante testes internos após uma configuração permitir acesso indevido à internet. Pela legislação dos Estados Unidos, a principal norma aplicável a crimes de invasão de computadores é o Computer Fraud and Abuse Act (CFAA), criado em 1986. A lei exige, entre outros elementos, a demonstração de intenção (intent) para caracterizar o crime de acesso não autorizado. Segundo especialistas, esse requisito cria um obstáculo jurídico importante. Como modelos de linguagem não possuem personalidade jurídica nem podem ser considerados agentes legais independentes, eles não podem ser processados criminalmente nem responder por intenção criminosa. Ahmed Ghappour, advogado especializado em cibersegurança e inteligência artificial, afirma que um modelo de IA não pode ser equiparado a um funcionário de uma empresa para fins de responsabilização criminal. Andrew Crocker, diretor de litígios da Electronic Frontier Foundation (EFF), também considera improvável que promotores consigam demonstrar que um agente de IA possuía intenção ao executar um ataque. Embora uma ação criminal contra OpenAI ou Anthropic seja considerada pouco provável no cenário atual, especialistas avaliam que ações civis movidas pelas empresas afetadas possuem fundamentos jurídicos mais sólidos. Nesse caso, o foco deixaria de ser a intenção do modelo e passaria a ser a conduta das empresas responsáveis pelos testes. A principal tese seria a de negligência, argumentando que OpenAI e Anthropic falharam ao implementar controles suficientes para impedir que os agentes acessassem a internet, atacassem sistemas externos ou executassem ações além do escopo autorizado. Para que uma ação desse tipo prospere, as vítimas precisariam demonstrar que sofreram prejuízos concretos, como perda de dados, custos de resposta ao incidente ou outros danos decorrentes das invasões. No caso da Anthropic, os advogados observam que a situação pode ser mais delicada porque a empresa só identificou os três incidentes meses depois, durante uma revisão interna iniciada após a divulgação do caso envolvendo a OpenAI. Segundo Ghappour, esse atraso pode fortalecer argumentos de negligência. Outro fator que pode pesar contra as empresas é o fato de ambas reconhecerem que possuem mecanismos de segurança desenvolvidos justamente para impedir que seus modelos realizem atividades ofensivas. Durante essas avaliações, porém, esses controles foram deliberadamente desativados para testar o limite das capacidades dos agentes. Na avaliação de Ghappour, esse contexto pode enfraquecer eventual defesa das empresas, já que demonstra conhecimento prévio dos riscos associados aos modelos. Apesar disso, ainda não há processos judiciais relacionados aos incidentes. A Hugging Face, alvo do caso envolvendo a OpenAI, afirmou que não pretende processar a empresa, embora seu CEO, Clem Delangue, tenha defendido que desenvolvedores de IA sejam responsabilizados quando seus sistemas causarem danos. Especialistas ressaltam que a ausência de legislação específica sobre responsabilidade civil e criminal envolvendo inteligência artificial faz com que qualquer disputa judicial dependa da interpretação de leis criadas décadas antes do surgimento dos modelos de linguagem. Enquanto isso, alguns estados norte-americanos, como Califórnia, Nova York e Rhode Island, já discutem ou aprovam legislações que estabelecem um princípio mais amplo: quando um sistema de IA pratica um ato pelo qual um ser humano poderia ser responsabilizado, a empresa que desenvolveu esse sistema também poderá responder legalmente pelos danos causados. Até que os primeiros processos cheguem aos tribunais, permanece indefinido como a Justiça tratará casos em que agentes de IA atuem de forma autônoma e provoquem incidentes de segurança no mundo real.

  • Apple contesta nova ordem do Reino Unido para criar acesso a dados criptografados do iCloud

    A Apple voltou a enfrentar o governo do Reino Unido em uma disputa sobre criptografia. Segundo o Financial Times, a empresa contestou judicialmente uma nova ordem secreta que exige mecanismos para permitir o acesso a dados criptografados armazenados no iCloud por usuários britânicos. De acordo com a reportagem, a Apple apresentou um recurso ao Investigatory Powers Tribunal, tribunal britânico responsável por analisar casos relacionados à vigilância governamental. A contestação envolve uma Technical Capability Notice (TCN), instrumento legal sigiloso utilizado pelo governo para exigir que empresas de tecnologia implementem capacidades técnicas que permitam o acesso a dados de usuários, mesmo quando protegidos por criptografia. Na prática, críticos da medida afirmam que a exigência equivale à criação de uma "porta dos fundos" (backdoor) para os backups do iCloud protegidos pelo recurso Advanced Data Protection (ADP). O ADP oferece criptografia de ponta a ponta para os backups do iCloud, garantindo que apenas o usuário tenha acesso às chaves de descriptografia. Nem mesmo a Apple consegue visualizar o conteúdo protegido por esse mecanismo. Esta é a segunda disputa entre a empresa e o governo britânico sobre o mesmo tema em pouco mais de um ano. No início de 2025, Londres emitiu uma ordem secreta semelhante exigindo acesso aos backups criptografados do iCloud. A medida acabou sendo retirada após a intervenção do governo dos Estados Unidos durante a administração de Donald Trump. Na ocasião, a Apple respondeu suspendendo a disponibilidade do Advanced Data Protection para usuários localizados no Reino Unido, impedindo que novos clientes ativassem o recurso de criptografia avançada. Segundo o Financial Times, o governo britânico voltou a emitir uma nova Technical Capability Notice em outubro do ano passado. Desta vez, a Apple decidiu contestar formalmente a exigência perante o tribunal especializado. A disputa ocorre em meio ao debate internacional sobre o equilíbrio entre privacidade e investigação criminal. Autoridades de diversos países defendem mecanismos que permitam acesso a dados criptografados mediante autorização legal, enquanto empresas de tecnologia e especialistas em segurança argumentam que qualquer backdoor enfraquece a proteção oferecida a todos os usuários e pode ser explorada por agentes maliciosos. Até o momento, nem a Apple nem o governo britânico divulgaram detalhes sobre o conteúdo da nova ordem devido ao caráter sigiloso desse tipo de procedimento.

  • Pesquisador mostra como malware pode manter acesso ao Microsoft Entra ID usando Windows Hello

    Um pesquisador de segurança demonstrou que malwares executados em uma sessão já autenticada do Windows podem abusar das chaves do Windows Hello for Business (WHfB) para obter acesso persistente ao Microsoft Entra ID, sem extrair a chave privada, descobrir o PIN ou acionar autenticação biométrica do usuário. A técnica foi apresentada por Dirk-jan Mollema, pesquisador especializado em Microsoft Entra ID. Segundo ele, um invasor que já tenha conseguido executar código na sessão autenticada da vítima pode utilizar a chave protegida pelo Trusted Platform Module (TPM) para assinar solicitações de autenticação em nome do usuário. O processo ocorre por meio das operações de assinatura disponibilizadas pelo próprio Windows enquanto a sessão permanece ativa e não exige privilégios administrativos. A partir desse acesso, o atacante pode registrar um dispositivo sob seu controle no Entra ID, obter um Primary Refresh Token (PRT) — utilizado para manter sessões autenticadas nos serviços da Microsoft — e, quando as políticas do ambiente permitirem, adicionar novos métodos de autenticação para garantir persistência na conta comprometida. Mollema afirma que o comportamento não decorre de uma vulnerabilidade tradicional, mas do próprio funcionamento do Windows Hello for Business. Até o momento, não há relatos de exploração ativa, vítimas conhecidas ou identificação de um CVE relacionado à técnica. Também não havia, até 6 de agosto, qualquer boletim de segurança da Microsoft sobre o tema. A Microsoft já documenta que as operações de assinatura permanecem disponíveis durante uma sessão autenticada. Em 2024, durante a DEF CON 32, Mollema apresentou uma técnica semelhante, que exigia que o dispositivo comprometido já estivesse registrado ou associado ao Entra ID. A nova pesquisa elimina essa limitação ao tratar a chave do Windows Hello for Business como uma passkey FIDO2 por meio da API WebAuthn. O pesquisador identificou que o desafio de autenticação do Entra ID, válido por cinco minutos, não está vinculado à sessão, ao usuário ou ao tenant específico. Com isso, um invasor pode solicitar o desafio em outro equipamento e utilizar o endpoint comprometido apenas para gerar a assinatura criptográfica necessária. Os testes também mostraram que os tokens obtidos dessa forma não incluem um identificador de dispositivo. Sem esse vínculo, o invasor pode registrar um novo equipamento, solicitar um PRT para ele e acessar serviços em nuvem da Microsoft utilizando uma máquina totalmente controlada pelo atacante. Segundo a documentação da Microsoft, um PRT permanece válido por até 90 dias e é renovado continuamente enquanto o dispositivo estiver em uso, o que pode proporcionar acesso prolongado ao ambiente comprometido. Outro aspecto observado é que a autenticação realizada via WebAuthn pode atender às políticas de Conditional Access que exigem autenticação resistente a phishing. Além disso, esse login também é reconhecido como uma autenticação multifator recente, permitindo que o invasor adicione novas passkeys ou novas chaves do Windows Hello for Business ao dispositivo registrado, desde que as políticas da organização permitam essa operação. O pesquisador ressalta, porém, que mecanismos adicionais de segurança, como verificações de conformidade do dispositivo ou políticas específicas de estado do equipamento, podem impedir que toda a cadeia de persistência seja concluída. Para auxiliar pesquisadores e equipes de segurança, Mollema publicou scripts de prova de conceito em PowerShell no repositório ROADtools, incluindo os arquivos fido_assertion.ps1 e hellopoc.ps1. Como medida de detecção, o pesquisador recomenda monitorar autenticações do Windows Hello for Business no Entra ID que apresentem Device ID vazio, embora ressalte que sessões legítimas iniciadas em modo anônimo ou navegadores sem Single Sign-On (SSO) também possam gerar esse mesmo padrão, exigindo análise adicional antes da investigação.

  • Nova técnica com CSS pode roubar senhas e tokens em serviços de webmail

    Uma nova pesquisa apresentada na Black Hat USA 2026 revelou que falhas na forma como serviços de webmail processam HTML e CSS podem permitir que conteúdos maliciosos escapem dos limites da mensagem e interfiram diretamente na interface do usuário. As técnicas afetam serviços como Microsoft Outlook, Gmail, Fastmail, Proton Mail, Yahoo Mail e AOL Mail, possibilitando desde o roubo de senhas e tokens até o abuso de assistentes de inteligência artificial integrados ao e-mail. O estudo foi conduzido por Gareth Heyes, pesquisador da PortSwigger, e descreve diversas cadeias de ataque de prova de conceito. Segundo o pesquisador, não há evidências de exploração maliciosa dessas técnicas, embora os códigos de demonstração permaneçam disponíveis publicamente. Em um dos cenários, envolvendo Outlook e Firefox, a técnica permite exibir uma falsa tela de autenticação da Microsoft capaz de capturar a senha digitada pela vítima. O ataque combina diferentes comportamentos da aplicação, incluindo elementos HTML permitidos, manipulação do DOM pelo JavaScript do Outlook e uma técnica de parsing de consultas de mídia (media queries) que concede ao invasor controle arbitrário sobre regras CSS. Para tornar a fraude mais convincente, o ataque disfarça um elemento select como um campo de senha. No Firefox, um comportamento específico do navegador permite que a captura da seleção ocorra em tempo real quando esse elemento é movido para fora da área visível da página. Outra técnica afeta Yahoo Mail e AOL Mail. Nesses casos, durante um curto intervalo após a colagem de conteúdo HTML em um rascunho de e-mail, regras CSS permanecem ativas antes da sanitização completa. Na demonstração apresentada, esse comportamento permite expor parte de um token de autenticação enviado pelo Medium para login por e-mail, possibilitando que um servidor controlado pelo invasor reconstrua o token e acesse a conta da vítima. Os pesquisadores também apresentaram um método de exfiltração baseado em cliques para contornar restrições impostas por políticas de Content Security Policy (CSP). Em vez de carregar recursos externos diretamente, o CSS identifica quais caracteres de um token aparecem na mensagem, oculta links inválidos e deixa apenas o link correspondente visível. Quando a vítima clica, os dados são enviados ao servidor do atacante. A pesquisa também explora riscos envolvendo ferramentas de inteligência artificial conectadas ao e-mail. Em um cenário utilizando o Claude Cowork, da Anthropic, integrado ao Gmail, uma técnica de prompt injection indireta faz com que o assistente recupere um token de autenticação do Slack presente em um e-mail e o insira automaticamente em um rascunho HTML. Uma falha relacionada ao tratamento da função image-set() no Gmail permitia que a simples visualização desse rascunho resultasse no vazamento do token. Outro experimento teve como alvo o navegador com IA Atlas, da OpenAI. Utilizando pseudoelementos CSS e manipulação de opacidade, o pesquisador fez com que usuários enxergassem apenas um texto aparentemente inofensivo, enquanto o modelo de IA interpretava instruções ocultas. Ao solicitar uma tradução do conteúdo, o assistente executava ações adicionais, como abrir abas e incluir informações da vítima em fragmentos de URLs. Segundo a OpenAI, o Atlas será descontinuado em 9 de agosto de 2026. A pesquisa descreve ainda ataques de CSS hotwiring contra o Fastmail, capazes de redirecionar cliques do usuário para ações não intencionais na interface, além de uma técnica que contorna o proxy de imagens do serviço para identificar quando um e-mail foi visualizado. Em outro teste, Heyes demonstrou um vetor contra o Proton Mail que permitia expor o endereço IP do destinatário. Durante uma nova validação dos testes, o pesquisador verificou que esse bypass deixou de funcionar, indicando que o serviço implementou correções. O Fastmail também corrigiu duas falhas relacionadas à mutação de CSS, enquanto algumas técnicas envolvendo Outlook e Gmail permaneciam funcionais na data de publicação do estudo. Como medidas de mitigação, a PortSwigger recomenda que provedores de webmail isolem mensagens HTML em iframes sandbox, reforcem a validação de CSS por meio de listas de caracteres permitidos, bloqueiem seletores e elementos potencialmente perigosos, restrinjam atributos personalizados e impeçam requisições de imagens controladas por atacantes.

  • Metabase alerta para falha zero-day explorada que concede acesso de administrador sem autenticação

    A Metabase alertou que uma vulnerabilidade crítica de gravidade máxima (CVSS 10.0) em sua plataforma de business intelligence e visualização de dados está sendo explorada como zero-day. A falha, que ainda não recebeu um identificador CVE, permite que um invasor remoto, sem autenticação, obtenha privilégios de administrador na aplicação. Segundo a empresa, o problema permite a injeção arbitrária de SQL no banco de dados da aplicação Metabase. Após assumir privilégios administrativos, o invasor pode alterar configurações da plataforma, roubar credenciais armazenadas para bancos de dados conectados, acessar informações disponíveis nessas conexões e exportar dados. A Metabase informou que identificou ataques contra sua plataforma Metabase Cloud utilizando uma vulnerabilidade até então desconhecida em versões 1.58 e posteriores. As instâncias em nuvem já foram atualizadas, mas clientes que utilizam implantações self-hosted devem aplicar imediatamente as correções de segurança. As versões afetadas são: 1.58.0 até 1.58.23 (corrigido na 1.58.24) 1.59.0 até 1.59.20 (corrigido na 1.59.21) 1.60.0 até 1.60.16 (corrigido na 1.60.17) 1.61.0 até 1.61.10 (corrigido na 1.61.11) 1.62.0 até 1.62.8 (corrigido na 1.62.9) 1.63.0 até 1.63.3 (corrigido na 1.63.5) Como medida temporária para organizações que ainda não possam atualizar imediatamente, a empresa recomenda bloquear o endpoint /api/session/reset_password, utilizado na exploração da vulnerabilidade. Após aplicar as atualizações, a Metabase orienta os administradores a revogar todas as sessões ativas, remover chaves de API desconhecidas, revisar contas administrativas em busca de alterações não autorizadas, rotacionar as credenciais dos bancos de dados conectados e analisar os logs do data warehouse, além do histórico de atividades e consultas da plataforma. A empresa também divulgou indicadores de comprometimento (IoCs). Um dos principais sinais é uma requisição POST para /api/session/reset_password retornando código 400, seguida por uma chamada GET para /api/user/current com resposta 200. Segundo o CEO da Metabase, Sameer Al-Sakran, esse padrão nos logs da aplicação ou da infraestrutura de entrada indica alta probabilidade de comprometimento. Entre as organizações afetadas está a fabricante de computadores Framework, que informou que o incidente expôs nomes de clientes, endereços IP utilizados para login, endereços físicos, telefones e e-mails. A empresa afirmou que dados de pedidos e informações de pagamento não foram acessados. Esta não é a primeira vulnerabilidade crítica enfrentada pela plataforma. Há três anos, a Metabase corrigiu a CVE-2023-38646 (CVSS 9.8), uma falha que permitia execução remota de código sem autenticação em instalações vulneráveis.

  • Sistemas de água dos EUA enfrentam nova onda de ataques cibernéticos com suspeita de ligação ao Irã

    Os ataques cibernéticos contra sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto nos Estados Unidos já atingiram instalações em pelo menos 12 estados, ampliando uma campanha que autoridades e especialistas suspeitam estar relacionada a hackers ligados ao governo do Irã. Os primeiros incidentes foram divulgados por autoridades de Minnesota na semana passada. Posteriormente, o FBI informou que, desde 27 de julho, concessionárias de água e esgoto em pelo menos sete estados haviam registrado ataques com impacto nas operações. Agora, segundo a ABC News, o número de estados afetados chegou a 12, incluindo diversos casos em Michigan. Embora as agências federais ainda não tenham atribuído oficialmente a campanha, diversas fontes ligadas às investigações apontam o Irã como principal suspeito. Desde 2023, grupos associados ao país vêm concentrando ataques contra dispositivos de tecnologia operacional (OT), especialmente controladores lógicos programáveis (PLCs) utilizados em sistemas de água e esgoto. Na Geórgia, a Clayton County Water Authority confirmou que sofreu uma interrupção temporária em parte de seus sistemas operacionais e no fornecimento de água para regiões do norte do condado. Como medida preventiva, a concessionária emitiu um alerta para que a população fervesse a água antes do consumo, recomendação posteriormente suspensa após testes confirmarem a qualidade da água. Outra empresa de abastecimento do estado também informou ter sofrido um incidente cibernético. Além dos casos registrados em Minnesota, Michigan e Geórgia, uma concessionária de água de Dakota do Sul também confirmou ter sido alvo da campanha. Diante da escalada dos ataques, a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) publicou alertas orientando operadores de infraestrutura crítica a remover PLCs e outros equipamentos de tecnologia operacional expostos diretamente à internet. Segundo a agência, os ataques contra PLCs já provocaram avisos para fervura da água e obrigaram algumas instalações a operar manualmente. A CISA afirma que entidades de abastecimento de todos os portes estão sendo alvo dos invasores. Nick Andersen, diretor interino da CISA, afirmou que a agência observa um aumento significativo nas tentativas de comprometimento de PLCs utilizados por sistemas de abastecimento de água e reforçou a recomendação para que equipamentos de OT não permaneçam acessíveis pela internet. O FBI informou que trabalha em conjunto com outras agências para auxiliar as concessionárias afetadas. Segundo a investigação, os ataques seguem um padrão semelhante: após obter acesso remoto aos dispositivos, os invasores alteram as senhas administrativas e removem a capacidade de monitoramento e controle dos equipamentos pelas equipes responsáveis. A agência recomenda que operadores removam PLCs da internet, utilizem firewalls, adotem senhas exclusivas e limitem a comunicação apenas entre dispositivos autorizados. De acordo com o FBI, alguns dos impactos observados incluem perda de pressão nas redes de abastecimento e episódios de inundação. A redução da pressão pode permitir a infiltração de água subterrânea não tratada nas tubulações, aumentando o risco de contaminação. Especialistas destacam que sistemas de abastecimento de água são considerados um dos setores mais vulneráveis da infraestrutura crítica norte-americana devido ao baixo nível de investimentos em segurança cibernética, apesar do potencial impacto sobre a população. Jake Braun, ex-integrante da equipe de cibersegurança do governo Biden e atual coordenador de um projeto que conecta especialistas voluntários a concessionárias de água, afirmou que a campanha representa um sinal de alerta estratégico. Segundo Braun, além de abastecer milhões de pessoas, diversas concessionárias fornecem água para instalações militares e para data centers — incluindo alguns localizados em Minnesota. Na avaliação do especialista, ataques dessa natureza podem afetar operações militares, comprometer a infraestrutura que sustenta aplicações de inteligência artificial e reduzir a confiança da população na capacidade do governo de proteger serviços essenciais. Braun também observou a ironia de grupos iranianos concentrarem ataques justamente em PLCs, os mesmos equipamentos que, anos atrás, foram alvo do malware Stuxnet, utilizado para sabotar o programa nuclear iraniano.

  • Agência de TI da Suíça confirma invasão a servidores SharePoint e comprometimento de 200 contas

    O Escritório Federal de Tecnologia da Informação e Telecomunicações da Suíça (BIT) informou que aproximadamente 200 contas foram comprometidas após um ataque cibernético contra seus servidores locais do Microsoft SharePoint. A suspeita é que os invasores tenham explorado vulnerabilidades corrigidas pela Microsoft nas atualizações de segurança de julho. O incidente foi divulgado uma semana após especialistas em segurança identificarem atividades anômalas nos servidores SharePoint utilizados pela agência. Embora a investigação ainda esteja em andamento, o BIT afirmou que o ataque foi realizado por agentes até então desconhecidos e, presumivelmente, explorou as falhas recentemente corrigidas no software. As vulnerabilidades utilizadas na campanha foram adicionadas ao catálogo Known Exploited Vulnerabilities (KEV), da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA), indicando que já foram exploradas em ataques reais. Até o momento, porém, nem a Microsoft nem a CISA atribuíram oficialmente a exploração a um grupo específico. Segundo a agência suíça, as análises iniciais indicam que apenas as credenciais das contas comprometidas foram acessadas. Até o momento, não há evidências de que outros dados tenham sido obtidos pelos invasores, embora a investigação continue. O BIT destacou ainda que sua plataforma SharePoint não armazena informações confidenciais nem dados pessoais altamente sensíveis, reduzindo o potencial impacto do incidente. Entre as contas comprometidas estão usuários comuns e contas técnicas utilizadas pela infraestrutura da organização. Assim que o acesso não autorizado foi identificado, a agência bloqueou o acesso externo aos servidores SharePoint e aplicou as atualizações de segurança disponibilizadas pela Microsoft. O SharePoint tem sido um dos principais alvos de grupos de cibercrime e de operações de espionagem cibernética. Além de armazenar documentos corporativos, a plataforma possui integração com os mecanismos de autenticação da Microsoft, permitindo que invasores utilizem um comprometimento inicial para ampliar o acesso ao restante da rede. Diversos órgãos de segurança emitiram alertas após a divulgação das vulnerabilidades de julho. O CERT-EU recomendou que organizações reconsiderem a exposição direta de servidores Microsoft SharePoint à internet, devido à sequência de falhas críticas recentemente descobertas. A CISA informou que invasores vêm explorando essas vulnerabilidades para extrair as machine keys do Internet Information Services (IIS), servidor web utilizado pelo SharePoint. Essas chaves criptográficas são responsáveis por assinar tokens de autenticação e validar sessões de usuários. Com essas chaves em mãos, um invasor pode forjar requisições legítimas e manter acesso ao ambiente mesmo após a instalação das atualizações de segurança, já que servidores totalmente corrigidos continuam aceitando tokens assinados com as chaves comprometidas. Por esse motivo, a CISA, o CERT-EU e outros centros nacionais de resposta a incidentes recomendam que as organizações não se limitem à aplicação dos patches. As orientações incluem a rotação das machine keys, a reinicialização do IIS e outras medidas para eliminar mecanismos de persistência deixados pelos invasores. Como medida preventiva, o BIT informou que está reinstalando completamente os servidores SharePoint afetados.

  • Falha de 18 anos no Linux permite escalada para root e pode viabilizar escape de contêineres

    Uma vulnerabilidade presente há 18 anos no código de rede SCTP do Linux pode permitir que um usuário local obtenha privilégios de root e, em determinadas condições, escape de contêineres para comprometer o sistema hospedeiro. Identificada como CVE-2026-64564 e apelidada de SCTPhantom, a falha foi descoberta por pesquisadores do Tencent Zhuque Lab e já foi corrigida nas versões estáveis 7.1.6, 6.18.42, 6.12.101 e 6.6.148 do kernel, lançadas em 3 de agosto. A vulnerabilidade é causada por um erro do tipo use-after-free no subsistema SCTP (Stream Control Transmission Protocol), protocolo de transporte que permite o uso simultâneo de múltiplos caminhos de rede em uma mesma conexão. Segundo os pesquisadores, o problema existe desde o Linux 2.6.25, lançado em 2008. A falha foi registrada como CVE-2026-64564 em 4 de agosto e divulgada publicamente em 6 de agosto. Até 7 de agosto, não havia código de exploração público nem registro da vulnerabilidade no catálogo Known Exploited Vulnerabilities (KEV) da CISA. Diferentemente de falhas exploráveis remotamente, a SCTPhantom exige que o invasor possua acesso local ao sistema e que o protocolo SCTP esteja acessível no ambiente alvo, reduzindo significativamente a superfície de ataque. Segundo o Tencent Zhuque Lab, os testes permitiram obter privilégios de root em distribuições como Debian 13, Ubuntu 24.04, Rocky Linux 9, RHEL 9 e OpenCloudOS quando essas condições estavam presentes. A vulnerabilidade ocorre devido a uma inconsistência na validação de endereços durante operações de reconfiguração dinâmica do SCTP. O kernel verifica uma solicitação de remoção utilizando o endereço de origem do pacote, mas executa a operação sobre outro endereço presente na própria mensagem. Essa sequência pode liberar uma estrutura de memória e reutilizar posteriormente um ponteiro já invalidado, permitindo a exploração do erro. A correção impede que uma solicitação de remoção atue sobre o mesmo caminho de rede atualmente processado, eliminando a condição de uso do ponteiro após a liberação da memória. Os pesquisadores também afirmam ter desenvolvido uma técnica para escapar de contêineres utilizando a vulnerabilidade. Segundo o laboratório, uma versão inicial do exploit dependia da ativação de parâmetros específicos do SCTP e da capacidade CAP_NET_ADMIN, mas uma abordagem posterior dispensou essas exigências ao habilitar os recursos diretamente por socket. Nos testes realizados, o ambiente manteve o perfil padrão do seccomp e não concedia as capacidades CAP_NET_ADMIN nem CAP_SYS_ADMIN aos contêineres. Ainda assim, o laboratório afirma ter obtido acesso root ao host em seis de oito tentativas. Até o momento, esses resultados não foram reproduzidos por pesquisadores independentes. O relatório também não informa qual runtime de contêiner foi utilizado nos experimentos, e os próprios autores destacam que fatores como políticas de namespaces de usuários, perfis de seccomp e permissões de acesso a sockets podem alterar significativamente a exposição ao problema. Outra divergência envolve a gravidade da falha. O Tencent atribuiu pontuação 8,5 segundo o CVSS v4.0, enquanto o National Vulnerability Database (NVD) ainda não havia publicado classificação oficial nem a categoria CWE correspondente até 7 de agosto. Especialistas recomendam que administradores consultem os boletins de segurança de suas distribuições, já que muitos fornecedores aplicam correções por backport sem alterar a versão principal do kernel. Além disso, uma segunda vulnerabilidade de use-after-free no mesmo componente SCTP foi corrigida apenas em 6 de agosto e não está incluída nas atualizações estáveis lançadas três dias antes. Para ambientes que não utilizam SCTP, desabilitar o módulo elimina essa superfície de ataque. Os pesquisadores creditam a descoberta ao Corvus AI, uma plataforma multiagente desenvolvida para análise de segurança do kernel Linux. A SCTPhantom é a mais recente de uma série de vulnerabilidades antigas identificadas com auxílio de inteligência artificial, seguindo a divulgação da falha GhostLock em julho.

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