Startups querem reinventar usinas nucleares com reatores menores
- Cyber Security Brazil
- 14 de jan.
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A indústria nuclear vive um novo momento de renascimento. Usinas antigas estão sendo modernizadas, enquanto investidores voltam a apostar pesado em startups do setor. Apenas nas últimas semanas de 2025, empresas nucleares emergentes levantaram US$ 1,1 bilhão, impulsionadas pelo otimismo de que os pequenos reatores nucleares modulares (SMRs) podem ter sucesso onde o modelo tradicional falhou.
Os reatores nucleares convencionais são projetos gigantescos. Nos Estados Unidos, os exemplos mais recentes Vogtle 3 e 4, no estado da Geórgia envolvem dezenas de milhares de toneladas de concreto, utilizam conjuntos de combustível com mais de quatro metros de altura e geram mais de 1 gigawatt de energia cada. O problema é que essas obras atrasaram cerca de oito anos e ultrapassaram o orçamento em mais de US$ 20 bilhões, reforçando a percepção de que o modelo atual é caro, lento e pouco flexível.
É justamente esse cenário que as startups nucleares querem mudar. A aposta está na miniaturização dos reatores, permitindo que novas unidades sejam adicionadas conforme a demanda por energia cresce. A promessa é usar técnicas de produção em massa e modularidade, reduzindo custos à medida que mais unidades são fabricadas uma lógica já conhecida em outros setores industriais, embora ainda pouco comprovada na área nuclear.
No entanto, transformar essa visão em realidade não será simples. Especialistas alertam que a manufatura em larga escala é um desafio significativo, mesmo para setores mais maduros. O exemplo da Tesla, que enfrentou enormes dificuldades para produzir o Model 3 em volume e com margem de lucro, é frequentemente citado como alerta e isso em um setor no qual os Estados Unidos ainda mantêm forte expertise industrial.
Segundo Milo Werner, sócia da gestora DCVC, o problema vai além do dinheiro. Apesar de o setor nuclear estar “nadando em capital”, faltam cadeias de suprimentos e profissionais qualificados. Muitos materiais críticos simplesmente não são mais fabricados nos EUA, obrigando startups a depender de fornecedores estrangeiros. Além disso, décadas de desindustrialização fizeram o país perder o chamado “know-how” de construir e operar fábricas complexas.
Esse déficit de capital humano afeta todos os níveis da indústria, desde operadores de máquinas até executivos financeiros e conselhos administrativos. Para Werner, é como tentar correr uma maratona depois de anos sem treinar: possível, mas extremamente arriscado. Ainda assim, há sinais positivos. Muitas startups estão aproximando seus times de engenharia das operações de fabricação, acelerando ciclos de aprendizado e melhoria contínua.
A modularidade surge como peça-chave dessa estratégia. Ao começar com volumes menores, as empresas conseguem coletar dados, ajustar processos e demonstrar ganhos reais de eficiência ao longo do tempo. O desafio é que esses benefícios não aparecem rapidamente. Na prática, a redução de custos prometida pela manufatura em escala pode levar anos ou até uma década para se concretizar, exigindo paciência dos investidores e resiliência das startups.






