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  • Hackers invadem empresas brasileiras e fazem centenas de transações fraudulentas via Pix

    O grupo de cibercrime Breeze Comet, anteriormente identificado como UNC5669, vem atacando organizações brasileiras dos setores financeiro, varejista e de comércio eletrônico desde 2024, com foco em comprometer sistemas de pagamento e softwares bancários para realizar transferências fraudulentas. A atividade já resultou em pelo menos um roubo avaliado em dezenas de milhares de dólares. Segundo o Google Threat Intelligence Group (GTIG) e a Mandiant, o grupo se especializou em manipular a infraestrutura financeira utilizada por organizações brasileiras. A atividade apresenta sobreposição com grupos rastreados pela CrowdStrike e Trend Micro como Plump Spider e SHADOW-AETHER-064. A CrowdStrike avalia que os operadores atuam a partir do Brasil e estão ativos desde setembro de 2023. O acesso inicial pode ocorrer por meio de password spraying, técnica que testa senhas comuns contra várias contas, ou por engenharia social. Em algumas campanhas, os invasores telefonam para funcionários se passando por equipes de suporte de TI e tentam convencê-los a instalar ferramentas de Remote Monitoring and Management (RMM), como o AnyDesk. Em um caso analisado pela Axur em 2025, os responsáveis pela campanha utilizaram uma conversa pelo WhatsApp para se passar pelo suporte técnico e orientar a vítima a executar um script de reconhecimento em PowerShell, apresentado como parte de uma atualização de aplicativo corporativo. O grupo também explorou servidores JBoss AS vulneráveis para instalar web shells e posteriormente distribuir ferramentas como Chisel e outros proxies. Os principais alvos são organizações autorizadas a realizar operações por meio de softwares bancários, APIs e sistemas de pagamento, incluindo Pix, Sistema de Transferência de Reservas (STR) e boleto. Bancos, processadores de pagamento, fintechs, varejistas, exchanges e fornecedores de software bancário aparecem entre os possíveis alvos. Para realizar as fraudes mais avançadas, o Breeze Comet precisa obter acesso à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) por meio de uma organização conectada à infraestrutura, além de comprometer credenciais mTLS utilizadas para autenticar ordens transacionais destinadas ao Pix ou STR. O grupo também busca contas em ambientes Active Directory e cloud e precisa compreender os processos internos de transferência, controles de rede, integrações com fintechs e mecanismos antifraude da vítima. A investigação também identificou o uso de sites brasileiros legítimos comprometidos, incluindo páginas de pequenos órgãos públicos, para hospedar ferramentas RMM, infostealers disfarçados de documentos fiscais e backdoors como XWorm. Esses domínios também são empregados como infraestrutura de comando e controle para tentar contornar mecanismos de reputação. Técnicas semelhantes foram observadas na Nigéria, Paraguai, Gana e Venezuela. Em outros incidentes, dispositivos físicos maliciosos foram conectados diretamente às redes de lojas para estabelecer um ponto de entrada. A partir daí, os invasores realizaram movimentação lateral e utilizaram ferramentas como Netcat, Impacket, ADRecon e ADVipscan, além do REALBREEZE, um utilitário personalizado para ataques de força bruta contra LDAP. Entre as ferramentas desenvolvidas pelo grupo está o COBALTSPIN, malware escrito em Rust utilizado como túnel de rede. O software cria um proxy SOCKS5 reverso sobre WebSocket, permitindo encaminhar tráfego entre a infraestrutura de comando e controle e sistemas internos comprometidos, inclusive através de firewalls de perímetro. Os mecanismos de persistência também evoluíram. Em 2024, o grupo utilizava principalmente ferramentas RMM comerciais. Posteriormente, passou a implantar pods Kubernetes maliciosos, roubar secrets de ambientes cloud e exfiltrá-los para serviços públicos de anotações. A campanha também empregou diferentes backdoors, entre eles LIGHTPAINT, MILDFROST, KICKPLATE e BOATBEAM. O LIGHTPAINT é um backdoor baseado em Java utilizado para instalar e configurar a VPN SoftEther, enquanto o MILDFROST estabelece túneis DNS encobertos. Já o KICKPLATE, desenvolvido em Nim, se disfarça como Windows Update Health Tools e pode entregar payloads adicionais e controlar túneis SOCKS5. O BOATBEAM, escrito em Golang, cria um falso servidor HTTPS do IIS na porta 443. Para dificultar a detecção, os invasores também executam comandos PowerShell destinados a desativar o monitoramento em tempo real do Windows Defender. Na etapa final da invasão, contas privilegiadas comprometidas e o COBALTSPIN são usados para acessar aplicações financeiras centrais e executar centenas de transações fraudulentas. Depois das operações, o grupo apaga logs de eventos e diretórios utilizados durante o ataque para reduzir evidências forenses e esconder interações realizadas com APIs e sistemas de pagamento. Os pesquisadores também encontraram indícios de que grandes modelos de linguagem podem estar sendo utilizados para acelerar o desenvolvimento das ferramentas do Breeze Comet. Scripts analisados apresentavam comentários explicativos detalhados, cabeçalhos padronizados e descrições de processos de raciocínio e tomada de decisão autônoma. Para o Google, as operações representam uma mudança importante no cenário de cibercrime latino-americano: em vez de fraudes bancárias de grande volume contra usuários finais, os invasores estão buscando acesso direto à infraestrutura central responsável por transferências e pagamentos instantâneos. A possibilidade de expansão da infraestrutura do grupo para outros países da América Latina e da África também está sendo acompanhada.

  • Bug misterioso do Word 97 desaparecia sempre que engenheiros tentavam investigá-lo

    Um dos bugs encontrados durante a fase final de desenvolvimento do Microsoft Word 97 colocou os engenheiros diante de um problema particularmente difícil: o software apresentava falhas nos testes, mas o erro simplesmente desaparecia quando alguém tentava investigá-lo usando um debugger. Décadas depois, o veterano da Microsoft Raymond Chen relembrou como a equipe descobriu que a causa estava relacionada a um problema específico de CPU. O defeito surgiu próximo ao fim do ciclo de desenvolvimento do Word 97. Nos laboratórios da Microsoft, um script conseguia provocar o crash com relativa frequência. No entanto, assim que os desenvolvedores tentavam reproduzir a situação sob um debugger, o problema deixava de acontecer. A situação preocupava a equipe porque uma falha que aparecia ocasionalmente nos testes poderia se tornar frequente quando o Word fosse instalado em milhões de computadores com diferentes configurações de hardware. Sem conseguir reproduzir o comportamento durante a depuração convencional, os engenheiros chegaram a considerar o uso de um In-Circuit Emulator (ICE). Esse equipamento poderia assumir o papel do processador e permitir a inserção de breakpoints diretamente na CPU emulada, oferecendo uma maneira de acompanhar a execução sem alterar as condições que aparentemente faziam o bug desaparecer. A investigação acabou apontando para computadores equipados com processadores de um fabricante específico. A partir daí, a Microsoft conseguiu relacionar o crash a um erratum da CPU — um defeito conhecido no comportamento do processador que poderia ser acionado por uma determinada sequência de instruções. O compilador utilizado pela empresa já havia recebido uma atualização capaz de evitar a geração da sequência problemática. Trocar o compilador naquele estágio do projeto, entretanto, não era uma opção considerada segura. O conjunto de ferramentas utilizado para compilar o Word 97 já estava congelado para o lançamento. Introduzir uma nova versão do compilador poderia alterar outras partes do programa e gerar bugs desconhecidos justamente quando o desenvolvimento estava chegando ao fim. A equipe escolheu então uma solução muito mais cirúrgica: procurar diretamente nos arquivos binários do Word pelas sequências de código capazes de acionar o problema do processador. A busca encontrou uma ocorrência. Em vez de recompilar todo o aplicativo, os engenheiros aplicaram um patch diretamente no binário e inseriram uma instrução NOP — abreviação de "no operation", uma instrução que não realiza uma operação efetiva — no trecho problemático. A pequena alteração foi suficiente para impedir que a CPU encontrasse a sequência responsável pelo crash. A estratégia minimizava o risco de efeitos colaterais porque modificava somente o ponto necessário, sem introduzir as mudanças potencialmente geradas por uma nova versão do compilador. O Word 97 acabou chegando ao mercado com novidades muito mais conhecidas, incluindo o assistente Clippy e o suporte ao Visual Basic for Applications (VBA). Nos bastidores, porém, uma única instrução adicionada diretamente ao binário ajudou a evitar que determinados computadores enfrentassem uma falha difícil até mesmo de observar durante a depuração.

  • Microsoft adia recurso de IA do Teams que detecta perguntas e responde durante reuniões

    A Microsoft adiou novamente o lançamento de uma nova capacidade do Facilitator, assistente de inteligência artificial integrado ao Teams que acompanha reuniões e poderá identificar perguntas ou lacunas de conhecimento para oferecer respostas automaticamente. A disponibilidade geral, inicialmente prevista para junho, agora deve ocorrer mundialmente em meados de dezembro. O Facilitator já funciona como um assistente de IA que participa das reuniões, acompanha a agenda e, quando habilitado, produz anotações. A próxima evolução pretende tornar sua participação mais ativa, permitindo que o sistema acompanhe a conversa em tempo real e identifique situações em que os participantes precisam de alguma informação. Na prática, se alguém fizer uma pergunta e nenhum participante responder, o Facilitator poderá apresentar uma opção para procurar a informação. A ideia é transformar o assistente em uma espécie de participante virtual capaz de intervir quando detectar uma lacuna de conhecimento. O recurso, entretanto, vem acumulando adiamentos. Quando apareceu no roadmap da Microsoft em abril, a previsão era disponibilizá-lo em junho. O cronograma posteriormente mudou para julho, agosto e setembro. Agora, o lançamento direcionado está previsto para novembro, seguido pela disponibilidade geral mundial em meados de dezembro. A Microsoft não explicou publicamente a razão para os sucessivos atrasos. Uma das dificuldades potenciais está em determinar corretamente quando uma pausa na conversa representa uma pergunta que exige resposta ou apenas uma dinâmica normal da reunião. Outro desafio seria garantir que as informações encontradas pela IA façam sentido dentro do contexto específico da discussão. O The Register procurou a empresa para esclarecer o motivo, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem. A funcionalidade também envolve questões relacionadas à privacidade e ao processamento de informações das reuniões. Segundo a Microsoft, o recurso processa as conversas em tempo real para detectar lacunas de conhecimento e gerar respostas contextualizadas. O Facilitator precisa ser explicitamente incluído na reunião para realizar esse processamento. Caso o assistente seja removido, o comportamento é interrompido. Além disso, a nova funcionalidade exige a versão premium do Microsoft 365 Copilot. A capacidade de responder também depende das configurações do ambiente. Se a pesquisa na web estiver desabilitada para o Copilot, o Facilitator não conseguirá fornecer as respostas previstas pelo novo recurso. Com o novo cronograma, a Microsoft ganha mais alguns meses para aperfeiçoar uma funcionalidade que precisa distinguir corretamente quando deve participar de uma conversa. O desafio não está apenas em gerar uma resposta, mas em compreender o contexto da reunião e decidir quando uma intervenção da IA é realmente necessária.

  • Mais de 100 gigantes da tecnologia alertam para aumento de ataques cibernéticos com IA

    Mais de 100 empresas de tecnologia, inteligência artificial, cibersegurança, computação em nuvem e outros setores assinaram uma carta aberta alertando que ataques cibernéticos apoiados por IA devem se tornar muito mais disseminados e sofisticados nos próximos meses. Entre as signatárias estão OpenAI, Anthropic, Google e Microsoft, além de grandes fornecedores de segurança e infraestrutura. O documento afirma que existe uma janela limitada para fortalecer as defesas antes que modelos mais avançados ampliem a capacidade dos invasores. Hospitais, sistemas de tratamento de água e infraestrutura de internet aparecem entre os ambientes considerados particularmente expostos. O alerta também chama atenção porque parte das empresas envolvidas está diretamente ligada ao desenvolvimento dos sistemas de IA que podem ampliar essas ameaças, enquanto outras fornecem serviços de nuvem, softwares corporativos e produtos de segurança utilizados para proteger organizações contra ataques. Apesar desse contraste, os problemas apontados são anteriores à atual expansão da inteligência artificial. Vulnerabilidades antigas, sistemas sem patches, configurações incorretas e mecanismos fracos de autenticação continuam acumulados em diferentes ambientes, especialmente em infraestruturas críticas nas quais equipes de segurança enfrentam limitações de orçamento e pessoal. A proposta das empresas é utilizar a própria IA para reduzir essa desvantagem. A carta defende ampliar o acesso dos profissionais de segurança a modelos com capacidades cibernéticas, utilizando sistemas mais baratos para atividades defensivas em escala e reservando modelos de fronteira, mais avançados, para problemas complexos. Fornecedores de cibersegurança também são incentivados a testar continuamente seus produtos contra as capacidades dos modelos de IA mais avançados, compartilhar Threat Intelligence e ajudar operadores de infraestrutura crítica a implantar mecanismos defensivos baseados em inteligência artificial. A iniciativa pede ainda que governos financiem programas de cibersegurança para serviços essenciais, ampliem programas de acesso confiável a tecnologias avançadas e facilitem o uso de ferramentas defensivas de IA por hospitais, empresas de saneamento e administrações locais. Para as empresas responsáveis pelos modelos de fronteira, a carta recomenda acesso responsável à tecnologia, financiamento significativo, treinamento e suporte direto, principalmente para operadores de infraestrutura crítica com poucos recursos. Também são mencionados investimentos em testes de segurança, divulgação de vulnerabilidades e mecanismos que permitam rastrear as ações realizadas por agentes de IA. O documento, entretanto, não determina quanto representaria esse "financiamento significativo", nem estabelece prazos ou compromissos financeiros específicos para as empresas signatárias. A recomendação é que o setor utilize seus recursos, tecnologias e conhecimento para enfrentar o problema. A preocupação ocorre enquanto sistemas autônomos de IA já demonstram capacidade para encontrar e explorar vulnerabilidades. Códigos de exploração gerados com auxílio de inteligência artificial também começaram a aparecer em ataques contra infraestrutura crítica, segundo o relatório. A expectativa é que modelos mais avançados tornem essas capacidades mais baratas e acessíveis a um número maior de invasores. A estratégia defendida pelas empresas é aproveitar essa "janela dos defensores": utilizar IA para fortalecer as proteções antes que sua aplicação ofensiva se torne mais eficiente e amplamente disponível. A carta reconhece, portanto, que as práticas atuais de segurança não serão suficientes para acompanhar a evolução das ameaças, embora ainda permaneça indefinido como os investimentos necessários serão financiados.

  • China reduz exportações de terras raras e pode afetar expansão de datacenters

    As restrições impostas pela China à exportação de terras raras começam a representar um risco direto para a cadeia de suprimentos de datacenters. O IEEE alerta que as remessas de alguns materiais essenciais para componentes de infraestrutura de TI caíram significativamente, enquanto Pequim se prepara para revisar, em novembro, controles de exportação mais rigorosos atualmente suspensos. A análise destaca principalmente o ítrio e o érbio, duas terras raras utilizadas em diferentes componentes tecnológicos. As exportações chinesas de ítrio caíram aproximadamente 75% neste ano em comparação com 2025. O elemento foi incluído entre as sete terras raras médias e pesadas submetidas pela China a licenciamento obrigatório na primeira rodada de restrições adotada em 2025. O ítrio possui aplicações em LEDs brancos, displays, filtros de micro-ondas, lasers de estado sólido e capacitores cerâmicos presentes em uma ampla variedade de equipamentos eletrônicos. Já o érbio desempenha um papel particularmente importante na infraestrutura de redes, sendo utilizado em circuitos amplificadores responsáveis por reforçar sinais ópticos transmitidos por fibras. Essa dependência ganha relevância para datacenters porque a expansão de infraestrutura para cloud computing e inteligência artificial exige grandes volumes de servidores, equipamentos de rede, sistemas ópticos e componentes eletrônicos que dependem direta ou indiretamente desses materiais. A China implementou restrições à venda internacional de terras raras em abril de 2025, em meio às disputas comerciais com os Estados Unidos. Posteriormente, o governo chinês anunciou medidas mais abrangentes, incluindo regras que obrigariam empresas a solicitar licenças antes de exportar produtos contendo determinados materiais de origem chinesa. Essa segunda rodada incluiria controles adicionais sobre cinco elementos, entre eles o érbio. As medidas, entretanto, foram suspensas por 12 meses em novembro de 2025 após negociações comerciais entre Estados Unidos e China. O prazo termina em novembro de 2026. Pequim terá então de decidir se abandona as restrições adicionais, mantém a suspensão ou volta a aplicá-las. Existe ainda a possibilidade de os controles serem ampliados para uma parcela maior das terras raras sobre as quais a China exerce domínio na cadeia global de fornecimento. Dados da International Energy Agency (IEA) ajudam a dimensionar essa concentração. Em 2024, a China respondeu por cerca de 60% da mineração mundial das terras raras utilizadas em ímãs, mas sua participação chegou a aproximadamente 91% nas etapas de separação e refino. Para ítrio e érbio utilizados em equipamentos de TI, a dependência seria ainda maior. Segundo o IEEE Spectrum, a China extrai aproximadamente 90% do ítrio mundial e processa todo o minério produzido globalmente para transformá-lo em formas industrialmente utilizáveis, como óxido de ítrio. O país também seria responsável por todo o fornecimento mundial de óxido de érbio. Os Estados Unidos estão tentando reduzir essa dependência por meio de investimentos e acordos internacionais. Uma das iniciativas envolve US$ 750 milhões anunciados pelo Departamento de Defesa para garantir o fornecimento de terras raras utilizadas em ímãs a partir de uma instalação de produção localizada no Brasil. O Departamento de Energia também anunciou US$ 500 milhões destinados a sete projetos voltados à expansão do processamento de minerais críticos, fabricação de baterias e reciclagem. Em fevereiro, Washington assinou acordos com representantes de 54 países durante o Critical Minerals Ministerial de 2026 para desenvolver cadeias de suprimentos mais resilientes. Outra iniciativa é o Project Vault, lançado pelo governo dos Estados Unidos para estabelecer uma reserva estratégica de minerais críticos. O projeto prevê até US$ 10 bilhões em financiamento do Export-Import Bank dos EUA. O problema é que novas minas, instalações de processamento e cadeias alternativas de fornecimento levam tempo para entrar em operação. Com a revisão chinesa prevista para novembro e as relações comerciais entre Washington e Pequim ainda tensas, uma retomada ou ampliação dos controles poderá pressionar justamente uma indústria que precisa aumentar rapidamente sua capacidade para acompanhar a demanda por infraestrutura de IA e computação em nuvem.

  • Justiça dos EUA considera ilegal bloqueio da Anthropic pelo Pentágono e rejeita alegações sobre Claude

    Uma juíza federal dos Estados Unidos concluiu que o Pentágono agiu ilegalmente ao classificar a Anthropic como um risco à segurança nacional e à cadeia de suprimentos, afirmando que parte da justificativa se baseava em capacidades que o Claude não possuía. A decisão também considerou que o governo retaliou contra a empresa e violou seu direito ao devido processo. A disputa começou em fevereiro, depois que a Anthropic se recusou a remover salvaguardas que impediam o Claude de ser utilizado em determinadas aplicações militares, incluindo armas totalmente autônomas e vigilância doméstica em massa. Durante uma reunião com a empresa, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, teria descrito as capacidades do Claude como "exquisite" e considerado compreensíveis algumas das preocupações apresentadas pela Anthropic. Ainda assim, deu à companhia três dias para concordar com o uso da tecnologia para "todos os usos legais" ou enfrentar uma classificação como risco à cadeia de suprimentos. Hegseth chegou a considerar o uso do Defense Production Act para declarar a Anthropic essencial à segurança nacional e obrigá-la a fornecer acesso ao Claude. Posteriormente, anunciou que a companhia seria considerada um risco à cadeia de suprimentos, enquanto o presidente Donald Trump determinou que agências federais deixassem de utilizar sua tecnologia. Segundo a decisão de 59 páginas da juíza distrital Rita Lin, porém, havia um problema fundamental: quando a decisão contra a Anthropic foi anunciada, o Pentágono ainda não havia produzido formalmente a avaliação que explicaria por que a empresa representava uma ameaça. Quando a análise foi elaborada, uma das justificativas apresentadas era que a Anthropic poderia interferir no Claude durante operações militares, alterando ou desativando modelos, permitindo que seu comportamento sofresse alterações ou introduzindo vieses ocultos e backdoors. A Justiça concluiu que essas possibilidades não se aplicavam aos modelos Claude já implantados nos sistemas do Pentágono. Essas versões eram estáticas e a Anthropic não tinha capacidade de acessá-las remotamente para modificar, atualizar ou desativar os modelos. Segundo a decisão, o próprio governo não contestou essa evidência. Lin classificou a alegação de risco como "inteiramente infundada". A juíza também destacou que anos de registros governamentais não indicavam preocupações anteriores sobre a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos. Para Lin, a cronologia dos acontecimentos indicava que o Pentágono construiu sua justificativa posteriormente para sustentar uma conclusão que já havia sido tomada. Outro ponto considerado pela Justiça foi o próprio comportamento do governo após a classificação. Mesmo depois da decisão contra a Anthropic, o subsecretário de Defesa Emil Michael continuou negociando termos contratuais com a companhia. Além disso, órgãos governamentais continuaram trabalhando com tecnologias da Anthropic relacionadas ao Project Glasswing e ao modelo de cibersegurança Mythos. De acordo com a decisão, NSA e NASA começaram a implantar o Mythos, enquanto autoridades da Casa Branca mantiveram conversas que a Anthropic classificou como produtivas e construtivas com seu CEO, Dario Amodei. Lin concluiu que havia evidências substanciais de que a Anthropic havia sido punida por discordar publicamente da administração. A decisão cita declarações de Trump contra a companhia, comentários de Hegseth sobre a "ideologia do Vale do Silício" da empresa e um memorando interno do Pentágono que reclamava da postura da Anthropic perante a imprensa. Segundo a juíza, anunciar a punição antes mesmo do início do processo formal de classificação aparentava ter como objetivo transformar a Anthropic em um exemplo por criticar publicamente o governo. Lin também rejeitou o argumento de que um fornecedor considerado difícil de negociar poderia, por essa razão, ser tratado como ameaça à segurança nacional. As consequências comerciais poderiam ir muito além da perda de contratos com o Pentágono. A determinação buscava impedir fornecedores e contratados do Departamento de Defesa de manter negócios com a Anthropic, inclusive em atividades sem relação com defesa. Mais de 100 clientes corporativos procuraram a Anthropic preocupados com a continuidade de seus contratos, e a empresa estimou que as medidas poderiam reduzir sua receita de 2026 em vários bilhões de dólares. A decisão não impede o Pentágono de deixar de contratar tecnologias da Anthropic. Segundo Lin, o governo continua livre para interromper aquisições por meio dos procedimentos legais de contratação pública, mas não pode utilizar uma disputa contratual como instrumento de retaliação contra uma empresa por suas críticas ao governo.

  • Engenheiro transforma AWS Route 53 em filesystem para satirizar tendência da computação em nuvem

    O engenheiro Colin Percival, criador do serviço de backup Tarsnap, desenvolveu o Route 53 Files, um projeto que transforma o serviço de DNS Route 53 da Amazon Web Services (AWS) em um sistema de arquivos funcional. A iniciativa nasceu como uma sátira às escolhas de arquitetura da indústria de cloud, mas o resultado não ficou apenas na brincadeira: o software realmente funciona. O projeto parte de uma provocação antiga de Corey Quinn, economista-chefe de cloud da Duckbill, que há anos descreve o Route 53 como um banco de dados. Tecnicamente, a comparação faz algum sentido porque registros DNS são armazenados como pares de chave e valor, embora essa não seja a finalidade para a qual o serviço foi projetado. Percival levou a ideia adiante e criou o Route 53 Files como um sistema de arquivos capaz de conectar recursos computacionais da AWS utilizando o Route 53 como camada de armazenamento. O desenvolvedor descreveu ironicamente o serviço como uma forma de conectar qualquer recurso de computação da AWS ao "banco de dados de maior disponibilidade da Amazon". O principal alvo da sátira, porém, não é a confiabilidade dos bancos de dados da AWS. Percival afirmou que sua inspiração surgiu após o lançamento do Amazon S3 Files, apresentado em abril como uma forma de conectar recursos computacionais da AWS ao armazenamento Amazon S3 por meio de uma interface de sistema de arquivos. A crítica está relacionada ao que o desenvolvedor considera um "erro de categoria": utilizar uma abstração de sistema de arquivos sobre serviços que possuem características e comportamentos diferentes daqueles tradicionalmente esperados de um filesystem. Percival decidiu então levar a lógica ao extremo e demonstrar que, seguindo esse raciocínio, até mesmo o DNS poderia receber uma interface semelhante. A própria publicação de lançamento do Route 53 Files foi escrita deliberadamente no estilo utilizado pela AWS para apresentar o S3 Files. Em um dos exemplos, Percival brinca que sua criação seria adequada para cargas compartilhadas que modificam DNS autoritativo, incluindo agentes de IA colaborando por meio de ferramentas baseadas em arquivos e engenheiros de plantão desfazendo as alterações uns dos outros com o comando sed. A frase imita a descrição da AWS para o S3 Files, que apresenta o produto como adequado a workloads interativos e compartilhados que modificam dados, incluindo agentes de IA trabalhando por meio de ferramentas baseadas em arquivos e pipelines de Machine Learning processando datasets. Apesar do tom humorístico, Percival também levantou questões técnicas sobre o S3 Files. Uma delas envolve o mecanismo que sincroniza alterações de volta ao S3 após 60 segundos de inatividade. Na avaliação do desenvolvedor, arquivos atualizados continuamente poderiam produzir situações inesperadas em que alterações aguardadas não fossem sincronizadas como o usuário esperava. Outra preocupação envolve a integração com o AWS Identity and Access Management (IAM). Percival argumenta que determinadas características da integração podem oferecer menos separação de privilégios do que administradores normalmente esperariam de um sistema de arquivos, citando também implicações relacionadas ao Instance Metadata Service (IMDS). Corey Quinn aprovou a experiência. Segundo ele, chamar o Route 53 de banco de dados durante quase uma década era principalmente uma maneira de provocar profissionais que conhecem bancos de dados. Percival, entretanto, levou a brincadeira a outro nível ao construir uma interface funcional sobre o serviço. O resultado é um projeto que mistura humor com uma discussão legítima sobre abstrações em cloud computing. O Route 53 Files não pretende transformar DNS em uma alternativa convencional de armazenamento, mas demonstra como interfaces familiares podem ser aplicadas a serviços para os quais originalmente não foram concebidas — e como essas abstrações podem introduzir comportamentos inesperados.

  • Brasil sedia primeiro exercício de defesa cibernética entre Exércitos da América do Sul

    O Brasil sediou, em Brasília, o primeiro Exercício de Defesa Cibernética da Rede de Cooperação entre Exércitos Sul-Americanos (RECESA), iniciativa voltada ao intercâmbio de conhecimentos e à comparação de procedimentos adotados pelos países diante de incidentes envolvendo sistemas, redes e infraestruturas críticas. Realizada até 21 de agosto, a atividade foi coordenada pelo Estado-Maior do Exército e executada pelo Comando de Defesa Cibernética. Os participantes receberam problemas cibernéticos simulados (PCS), construídos para reproduzir situações que podem exigir respostas coordenadas em diferentes níveis da Defesa. A abertura ocorreu no Auditório Marcelo Rufino, no Quartel-General do Exército, com a presença do Comandante de Defesa Cibernética, General de Divisão Jacy Barbosa Júnior, além de outras autoridades militares. Durante a cerimônia, foram apresentadas as atribuições do setor cibernético na estrutura de Defesa e a dinâmica das atividades conduzidas no Forte Rondon. Um dos principais objetivos do exercício foi permitir que representantes dos Exércitos participantes analisassem os mesmos cenários e apresentassem suas próprias formas de resposta. A dinâmica possibilita comparar procedimentos técnicos, identificar diferenças entre as rotinas nacionais e compartilhar experiências relacionadas à atuação diante de incidentes cibernéticos. Entre as situações simuladas estavam ações de espionagem, utilização de inteligência artificial e tentativas de comprometimento de serviços essenciais. Os cenários também foram utilizados para avaliar como um incidente cibernético pode produzir consequências nos níveis político, estratégico e operacional. Ao final das atividades, as delegações ficaram responsáveis por registrar as rotinas e os procedimentos técnicos observados durante o exercício. O objetivo é transformar as experiências compartilhadas em referências que possam apoiar a cooperação entre os países participantes. Criada em 2023, a RECESA funciona como um espaço de diálogo entre Exércitos da América do Sul. O exercício realizado no Brasil representa a primeira atividade da rede especificamente dedicada à defesa cibernética e busca aproximar países que enfrentam desafios tecnológicos e riscos digitais semelhantes. Segundo o General Barbosa, a cooperação regional contribui para que os participantes conheçam melhor as demandas de outros países, compartilhem informações e aprimorem suas capacidades de resposta a incidentes. Representantes da Colômbia e do Uruguai também acompanharam as atividades. A Coronel Milena Realpe, do Exército colombiano, e o Coronel Rahi, do Exército uruguaio, destacaram a importância do intercâmbio técnico e da existência de canais de contato entre as instituições militares. A iniciativa ocorre em um momento em que o espaço cibernético assume importância crescente no planejamento militar. No Exército Brasileiro, a defesa cibernética integra as ações de modernização da Força Terrestre previstas na Força 40 e está associada ao conceito de operações multidomínio, no qual o ambiente digital passa a ser considerado um domínio operacional ao lado dos ambientes tradicionais. Nesse contexto, as capacidades de defesa cibernética envolvem proteção de sistemas de comando e controle, segurança de infraestruturas críticas, acompanhamento de ameaças digitais e monitoramento de desinformação. O exercício também amplia a discussão sobre cooperação regional em um cenário no qual um incidente contra infraestrutura crítica pode ultrapassar fronteiras nacionais. Redes de telecomunicações, energia, serviços públicos e outros sistemas essenciais possuem diferentes níveis de interdependência, tornando canais de comunicação e procedimentos de resposta relevantes para a resiliência regional. Ao reunir militares sul-americanos para enfrentar cenários envolvendo espionagem, IA e ataques simulados contra serviços essenciais, a RECESA busca desenvolver justamente essa capacidade de coordenação. A iniciativa não representa uma operação cibernética real, mas um ambiente controlado para comparar doutrinas, identificar diferenças operacionais e fortalecer canais de cooperação antes da ocorrência de incidentes concretos.

  • Partido Verde britânico propõe suspender novos datacenters até resolver impactos sobre água e energia

    O Partido Verde da Inglaterra e do País de Gales defende uma moratória temporária na construção de novos datacenters no Reino Unido até que o governo estabeleça regras mais claras para controlar o consumo de água e energia dessas instalações. A proposta surge em meio à rápida expansão da infraestrutura necessária para serviços de cloud e inteligência artificial. A posição foi apresentada por Zack Polanski, líder do partido, que afirmou que novos projetos deveriam ser interrompidos enquanto não houver garantias de que sua operação não prejudicará o fornecimento de água e eletricidade para comunidades locais. Segundo Polanski, o partido não é contrário à tecnologia ou à construção de datacenters, mas considera necessário avaliar se o crescimento dessas instalações está ocorrendo de maneira compatível com a capacidade da infraestrutura britânica. A preocupação envolve principalmente grandes projetos destinados a suportar cargas de trabalho de inteligência artificial. O debate ganhou força depois que o governo britânico classificou datacenters como Critical National Infrastructure (CNI) e passou a incentivar novos investimentos no setor. O Reino Unido busca ampliar sua capacidade computacional para sustentar serviços digitais e fortalecer sua posição na corrida global pela IA. O problema é que datacenters de grande escala podem exigir quantidades significativas de eletricidade para alimentar servidores, aceleradores de IA, equipamentos de rede e sistemas auxiliares. Dependendo da tecnologia de refrigeração utilizada, também podem consumir grandes volumes de água. Essa demanda começa a competir com outras necessidades de infraestrutura. Um dos casos mencionados envolve o desenvolvimento de novos projetos habitacionais, que podem enfrentar limitações quando redes elétricas ou sistemas de abastecimento não possuem capacidade suficiente para atender simultaneamente residências e grandes instalações computacionais. A pressão energética tende a aumentar com a IA generativa. Sistemas baseados em GPUs e outros aceleradores concentram grande capacidade computacional e podem exigir muito mais energia e refrigeração do que cargas tradicionais de TI. O Partido Verde também questiona os benefícios econômicos oferecidos pelos datacenters em relação aos recursos consumidos. Embora essas instalações representem investimentos de bilhões e sejam importantes para a economia digital, sua operação normalmente exige menos trabalhadores do que outras instalações industriais de tamanho comparável. A proposta de moratória, entretanto, enfrenta resistência. O setor argumenta que interromper novos projetos poderia prejudicar investimentos, limitar a expansão da infraestrutura digital britânica e reduzir a competitividade do país justamente durante uma corrida internacional por capacidade computacional para IA. A discussão também envolve onde os novos datacenters devem ser construídos. Londres e seus arredores concentram grande parte da infraestrutura existente, mas limitações da rede elétrica têm incentivado projetos em outras regiões do Reino Unido. O governo britânico vem tentando acelerar esse movimento por meio das chamadas AI Growth Zones, áreas destinadas a facilitar a construção da infraestrutura necessária para inteligência artificial, incluindo acesso a grandes volumes de energia. A proposta dos Verdes coloca, portanto, duas prioridades em confronto: ampliar rapidamente a capacidade computacional necessária para cloud e IA ou desacelerar novos projetos até que redes elétricas, abastecimento de água e regras ambientais consigam acompanhar essa expansão.

  • Falhas no Unitree G1 EDU permitem que hackers assumam controle do sistema do robô humanoide

    Duas vulnerabilidades independentes descobertas no robô humanoide Unitree G1 EDU podem permitir a execução remota de código (RCE) com privilégios de root. Uma das cadeias pode começar por uma conexão Bluetooth Low Energy (BLE) próxima ao equipamento, segundo pesquisa divulgada pelo pesquisador de segurança Olivier Laflamme. As falhas são identificadas como CVE-2026-76639 e CVE-2026-76640. Ambas podem terminar com o comprometimento do Locomotion PC, computador responsável por funções do robô, embora utilizem caminhos de ataque diferentes. A CVE-2026-76639 explora uma vulnerabilidade de path traversal no componente chat_go para alcançar o bashrunner. A cadeia permite executar comandos com privilégios de root no Locomotion PC, dando ao invasor um nível elevado de controle sobre o sistema afetado. Já a CVE-2026-76640 chama atenção pelo vetor inicial via Bluetooth. Segundo Laflamme, a interação inicial de bootstrap por BLE pode ser aceita sem que os dispositivos tenham realizado previamente o processo convencional de pareamento Bluetooth. Isso, porém, não significa que todo o ataque possa ser realizado diretamente por uma conexão BLE não autenticada. O material de bootstrap permanece protegido, enquanto as operações posteriores de provisionamento Wi-Fi exigem um estado BLE autenticado pelo aplicativo. Durante a pesquisa, Laflamme identificou uma segunda peça importante nessa cadeia. O serviço de nuvem da Unitree aceitava uma conta válida para solicitações de recuperação de chaves, mas não verificava se aquela conta realmente era proprietária do robô informado na requisição. Essa falha de autorização permitia recuperar material criptográfico associado a outro G1 EDU. Com a chave obtida, seria possível estabelecer o estado BLE autenticado necessário para acessar as operações de provisionamento Wi-Fi. A cadeia então alcançava o código responsável pela configuração da rede sem fio, onde o pesquisador encontrou um buffer overflow. A exploração dessa vulnerabilidade também resultava na execução de código como root no Locomotion PC. Laflamme limitou os testes de propagação a dois robôs G1 instalados na mesma sala. Portanto, a pesquisa não demonstra uma propagação em larga escala entre robôs Unitree nem confirma comportamento semelhante a um worm em ambientes reais. A Unitree corrigiu em julho de 2026 a falha de autorização na nuvem que permitia recuperar as chaves de um robô utilizando uma conta que não fosse sua proprietária. Com essa mudança, o fluxo exato utilizado na prova de conceito da cadeia CVE-2026-76640 deixou de funcionar. Na situação descrita na divulgação de 27 de agosto, a rota que depende da nuvem exige uma conta vinculada ao G1 EDU alvo ou que o invasor já possua o material criptográfico necessário. A situação das correções locais, entretanto, ainda não está totalmente esclarecida. Até a publicação da pesquisa, não havia uma versão específica de firmware confirmada em orientações acessíveis da Unitree como responsável por corrigir as duas vulnerabilidades. O pesquisador atualizou o equipamento utilizado nos testes para a versão V1.5.2 durante a investigação, mas essa sequência não é suficiente para determinar quais versões anteriores são vulneráveis ou quais releases corrigem definitivamente os problemas. Também não está confirmado se as falhas afetam outros robôs da fabricante. A Unitree diferencia oficialmente o G1 e o G1 EDU como modelos distintos, e a pesquisa divulgada trata especificamente do G1 EDU. A aplicabilidade das vulnerabilidades a outros equipamentos da empresa permanece desconhecida. As descobertas destacam um aspecto particular da segurança de robôs humanoides conectados: vulnerabilidades tradicionais de software, como path traversal, buffer overflow e falhas de autorização, passam a existir em sistemas capazes de interagir fisicamente com o ambiente. Nesse cenário, a proteção envolve não apenas aplicações, nuvem e conectividade sem fio, mas também os computadores responsáveis pelas funções operacionais do equipamento.

  • Nova tecnologia promete resfriar chips e datacenters sem consumir eletricidade

    Pesquisadores da Alemanha e do Japão desenvolveram uma tecnologia de resfriamento em estado sólido capaz de reduzir temperaturas sem consumir eletricidade. O sistema utiliza o próprio calor residual produzido pelos equipamentos para gerar o efeito de refrigeração e, no futuro, poderá ajudar a reduzir o consumo energético de datacenters. O projeto é resultado de uma colaboração entre o Karlsruhe Institute of Technology (KIT), na Alemanha, e a University of Tsukuba, no Japão. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Energy e demonstram, em laboratório, que o conceito consegue efetivamente produzir resfriamento sem alimentação elétrica externa. A abordagem é baseada no chamado resfriamento elastocalórico, que utiliza ligas com memória de forma. Esses materiais alteram sua temperatura quando submetidos a cargas e descargas mecânicas durante uma transição de fase. Diferentemente dos sistemas convencionais de refrigeração por compressão, que utilizam eletricidade e fluidos refrigerantes, sistemas elastocalóricos podem explorar mudanças físicas do próprio material para produzir o efeito térmico. O problema é que implementações desse tipo tradicionalmente ainda dependem de eletricidade para acionar os mecanismos responsáveis por deformar as ligas. A equipe do KIT e da University of Tsukuba buscou eliminar justamente essa dependência. Para isso, os pesquisadores desenvolveram um sistema miniaturizado capaz de aproveitar o calor residual produzido pelo próprio equipamento que precisa ser refrigerado — como um processador de computador. O protótipo utiliza duas folhas extremamente finas de níquel-titânio, cada uma com uma função diferente. A primeira se contrai quando é aquecida, convertendo o calor recebido em movimento e, consequentemente, em energia mecânica. Na prática, essa folha funciona como o próprio atuador do sistema. A energia mecânica gerada é então transferida para a segunda folha de níquel-titânio. Ela é submetida a ciclos de carga e descarga, provocando uma transição de fase no material responsável por produzir o efeito de resfriamento. Com isso, o calor que normalmente seria apenas um problema para o equipamento passa a fazer parte do próprio mecanismo utilizado para resfriá-lo. Nos experimentos de laboratório, o protótipo atingiu uma diferença de temperatura de 12,9 K no nível do filme refrigerante e de 4 K no dispositivo quando acionado por aquecimento Joule a 86 °C. Quando submetido a uma fonte externa de calor de 130 °C, o sistema ainda manteve uma diferença de temperatura de 2,2 K no nível do dispositivo. Os números ainda são modestos para aplicações práticas em grande escala, mas demonstram que o princípio funciona. Segundo Yi-Ting Hsiau, doutorando do KIT e principal autor do estudo, o momento decisivo da pesquisa ocorreu quando a equipe conseguiu observar pela primeira vez um resfriamento mensurável produzido pelo sistema acionado por calor. Com o conceito demonstrado, os pesquisadores pretendem construir unidades experimentais maiores e trabalhar na otimização da capacidade de refrigeração. A expectativa é avaliar se a tecnologia poderá evoluir para sistemas compactos capazes de aproveitar fontes abundantes de calor residual. Uma eventual aplicação em datacenters é particularmente relevante diante da expansão da infraestrutura necessária para computação em nuvem e inteligência artificial. Além da eletricidade utilizada diretamente pelos servidores, essas instalações precisam gastar energia e, dependendo da arquitetura, grandes volumes de água para controlar a temperatura dos equipamentos. A tecnologia ainda está em estágio inicial e não há indicação de que esteja pronta para substituir os sistemas de refrigeração utilizados atualmente em datacenters. Se puder ser ampliada de forma eficiente, porém, poderá contribuir para reduzir parte do consumo de energia e água associado ao resfriamento da infraestrutura computacional.

  • Funcionário encarregado de detectar vazamentos na inteligência militar dos EUA admite tentativa de vazar segredos

    Um ex-especialista de TI da Defense Intelligence Agency (DIA), agência de inteligência militar dos Estados Unidos, declarou-se culpado de tentar transmitir informações secretas e ultrassecretas a representantes que acreditava serem agentes de um governo estrangeiro. Nathan Vilas Laatsch, de 29 anos, foi preso em maio de 2025 durante uma operação conduzida pelo FBI. O caso chama atenção pela função exercida por Laatsch dentro da própria DIA. Funcionário civil da agência desde 2019 e detentor de autorização de acesso a informações ultrassecretas, ele foi designado, no primeiro semestre de 2025, para a Insider Threat Division, unidade responsável justamente por identificar funcionários que poderiam vazar ou já estivessem vazando informações classificadas para governos estrangeiros. Entre suas atribuições estavam habilitar mecanismos de monitoramento da atividade de usuários com acesso aos sistemas da DIA, inclusive pessoas sob investigação, e auxiliar parceiros externos, como autoridades policiais, na utilização de ferramentas destinadas à identificação de ameaças internas. Segundo documentos judiciais, em março de 2025 Laatsch criou uma conta de e-mail e entrou em contato por iniciativa própria com representantes de um governo estrangeiro. A identidade do país não foi divulgada publicamente, sendo descrito nos documentos do processo apenas como um “governo estrangeiro amigo”. Na mensagem, ele se identificou como funcionário da DIA e afirmou estar disposto a fornecer produtos de inteligência concluídos, informações ainda não processadas e outros documentos classificados aos quais possuía acesso. Laatsch também enviou uma fotografia de sua identificação governamental e forneceu um nome de usuário de uma plataforma de mensagens criptografadas para dar continuidade às conversas. O FBI tomou conhecimento da tentativa de contato e iniciou uma operação disfarçada. Agentes passaram a se comunicar com Laatsch fingindo representar o governo estrangeiro, permitindo que a investigação acompanhasse suas ações enquanto ele acreditava estar negociando diretamente com um agente de inteligência. Em 28 de abril de 2025, após conversas sobre o tipo de material que poderia fornecer, Laatsch entrou em seu local de trabalho e começou a consultar informações classificadas. Promotores afirmam que ele passou grande parte do expediente transcrevendo informações à mão enquanto consultava seu computador. As anotações eram feitas em um bloco físico e escondidas quando colegas se aproximavam. Ao final do expediente, Laatsch retirou as páginas, dobrou os papéis e os escondeu dentro das meias para conseguir retirá-los das instalações. O comportamento se repetiu nos dias seguintes, com parte das anotações posteriormente escondida também no fundo de sua lancheira. As informações foram então transferidas para um dispositivo USB. Seguindo instruções dos agentes do FBI que acreditava serem representantes estrangeiros, Laatsch deixou o dispositivo em um parque de Arlington, na Virgínia, utilizando uma técnica de dead drop — método no qual informações ou objetos são deixados em determinado local para serem posteriormente recolhidos sem encontro direto entre as partes. O dispositivo foi recuperado pelo FBI e continha nove documentos digitados. Oito deles possuíam informações classificadas como ultrassecretas e incluíam Sensitive Compartmented Information (SCI), categoria utilizada pelos Estados Unidos para dados de inteligência altamente restritos. Entre os materiais estavam informações sobre métodos sensíveis de coleta de inteligência, exercícios militares estrangeiros e análises sobre os impactos dessas operações. Segundo os documentos judiciais, o próprio Laatsch escolheu o material com base no que imaginava ser de interesse do governo estrangeiro. No dispositivo também havia uma mensagem na qual ele indicava que aquele primeiro conjunto de documentos deveria servir como demonstração das informações às quais possuía acesso. Laatsch manifestou ainda interesse em obter cidadania no país estrangeiro e afirmou que não se opunha a receber outras formas de compensação, embora dissesse não precisar de dinheiro ou benefícios materiais. Durante as conversas, ele também forneceu detalhes sobre como investigações internas eram conduzidas dentro da DIA e comentou erros normalmente cometidos por funcionários investigados, afirmando acreditar que seria capaz de evitá-los. Uma segunda entrega foi organizada para 29 de maio de 2025. Desta vez, Laatsch recebeu instruções para ir até uma mesa de piquenique no mesmo parque de Arlington e transmitir eletronicamente os arquivos a partir de seu computador pessoal. Ele realizou a transferência para um endereço controlado pelo FBI e foi preso no local. Posteriormente, abriu mão do direito a um advogado durante o interrogatório e admitiu as condutas aos agentes federais. O acordo de confissão recomenda uma pena entre 11 e 18 anos de prisão, considerando o período já cumprido. A Justiça, no entanto, pode aplicar uma sentença superior, chegando à prisão perpétua e multa de até US$ 250 mil.

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