Diante do aumento de ameaças, OTAN realiza o maior exercício de ciberdefesa de sua história
- Cyber Security Brazil
- 8 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Em meio à crescente preocupação com ataques digitais que miram desde infraestrutura crítica até satélites comerciais, a OTAN realizou nesta semana o maior exercício de ciberdefesa já promovido pela aliança. Cerca de 1.300 participantes, provenientes de 29 países membros e sete nações parceiras, foram desafiados a responder a ataques simulados contra usinas de energia, depósitos de combustível, redes militares e sistemas espaciais. O treinamento, batizado de Cyber Coalition, ocorreu no cyber range nacional da Estônia, o CR14 uma instalação desenvolvida pelo Ministério da Defesa estoniano.
O objetivo do exercício vai além da proteção de redes tradicionais: ele simula cenários complexos semelhantes aos observados em conflitos recentes, nos quais ataques digitais coexistem com campanhas de desinformação, tentativas de provocar instabilidade social e ações coordenadas que visam enfraquecer a capacidade militar dos países. Segundo o diretor do exercício, o comandante da Marinha dos EUA Brian Caplan, a proposta não é competir, mas criar sinergia entre as nações. “Aqui, o mais forte ajuda o mais fraco. O único objetivo é garantir que todos estejam mais preparados”, afirmou.
A maior parte dos participantes mais de 1.000 atuou de forma remota, em bases militares e centros de operações ao redor do mundo. Isso permitiu reproduzir com maior fidelidade situações reais, nas quais incidentes cibernéticos afetam simultaneamente múltiplos setores e países. O exercício ocorre em um momento em que o Conselho do Atlântico Norte alerta para ameaças híbridas provenientes da Rússia, que têm impactado aliados e parceiros da OTAN.
Os cenários apresentados no exercício incluíam a identificação de malware desconhecido, análises de anomalias em fluxos de dados de satélites, falhas inexplicáveis na distribuição de combustível e alertas inesperados em redes elétricas. Para avançar em cada etapa, os participantes precisavam compartilhar inteligência entre si, distinguindo se um incidente era um acidente, um ataque conduzido por hackers com fins criminosos ou uma campanha silenciosa de um Estado-nação.
Segundo Caplan, essa abordagem ressalta a interdependência entre países e setores. “No ciberespaço, não há fronteiras. Um incidente em uma nação pode gerar efeitos imediatos em outras. Por isso, confiança e colaboração são fundamentais.” Os organizadores reforçam que nenhum país conseguiria “vencer” os cenários sozinho apenas o intercâmbio constante de informações permitia compreender o ataque e responder adequadamente.
Pela primeira vez, o exercício incluiu também um cenário espacial, inspirado no ataque à rede de satélites da Viasat no início da invasão russa à Ucrânia. Segundo o vice-diretor do exercício, Ezio Cerrato, “um incidente no espaço não fica só no espaço ele afeta imediatamente sistemas aéreos, marítimos e civis”.
Além dos analistas técnicos, equipes jurídicas, especialistas em logística e planejadores militares participaram das simulações. Eles tinham de responder simultaneamente aos desafios técnicos e às questões legais, como o momento adequado de acionar autoridades civis ou compartilhar inteligência militar com órgãos de aplicação da lei.
Um oficial britânico, que falou sob anonimato, destacou a dificuldade de lidar com cenários híbridos. “Os primeiros impactos não parecem militares: atingem energia, mídia, opinião pública. Mas tudo isso pode afetar o apoio nacional em situações de tensão ou ameaça de invasão.”
Para Caplan, o caráter anual do Cyber Coalition é essencial para acompanhar o ritmo de evolução tecnológica e tática. “A cada ano, tecnologia, políticas e ameaças mudam. Este exercício permite que a OTAN e seus parceiros se adaptem juntos antes que uma crise real os obrigue a fazê-lo.”
Via - RFN






