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  • CISA alerta para falha crítica do Cisco SD-WAN explorada ativamente por hackers

    A CISA incluiu a vulnerabilidade crítica CVE-2026-76504, que afeta o Cisco Catalyst SD-WAN Manager, em seu catálogo de falhas conhecidas exploradas (KEV) após a Cisco confirmar ataques utilizando a vulnerabilidade. A falha permite que um invasor remoto e não autenticado contorne os mecanismos de login e acesse a API do sistema com privilégios administrativos. Com pontuação CVSS de 9,8, a vulnerabilidade está relacionada ao tratamento incorreto da codificação de URI em requisições HTTP pelo componente responsável pelas sessões de autenticação do SD-WAN Manager. Um invasor capaz de enviar uma requisição especialmente preparada à API pode contornar a regra de autenticação e obter acesso como usuário admin. O impacto é significativo porque, por padrão, o usuário administrativo possui a função netadmin, que permite executar todas as operações disponíveis no dispositivo. A exploração não exige credenciais: basta que o invasor consiga alcançar a API do Manager, tornando instalações expostas diretamente à internet particularmente vulneráveis. A Cisco informou que seu Product Security Incident Response Team (PSIRT) tomou conhecimento da exploração ativa da CVE-2026-76504 em setembro de 2026. A vulnerabilidade foi identificada enquanto o Technical Assistance Center (TAC) investigava um chamado de suporte. Até o momento, a empresa não informou quando os ataques começaram, quantas organizações foram comprometidas, quem está explorando a vulnerabilidade ou quais ações foram realizadas após a obtenção do acesso administrativo. Após a confirmação dos ataques, a CISA adicionou a CVE-2026-76504 ao Known Exploited Vulnerabilities Catalog. Órgãos civis do Poder Executivo Federal dos Estados Unidos (FCEB) têm até 3 de outubro de 2026 para aplicar as correções exigidas. Não existe workaround para eliminar a vulnerabilidade, e a Cisco recomenda a atualização para versões corrigidas. Para a linha 20.9, a primeira versão corrigida é a 20.9.10.1; para 20.12, a 20.12.8.2; para 20.15, a 20.15.6.1; para 20.18, a 20.18.4.1; para 26.1, a 26.1.2.1; e para 26.2, a 26.2.1. Instalações anteriores à versão 20.9 devem migrar para uma versão suportada e corrigida. Clientes do Cisco SD-WAN Cloud, gerenciado pela própria Cisco, já estão protegidos a partir da versão 20.15.605 e não precisam tomar medidas adicionais relacionadas à atualização. A CVE-2026-76504 é independente de outras vulnerabilidades do Cisco SD-WAN corrigidas anteriormente em 2026, incluindo CVE-2026-20182, CVE-2026-20245 e CVE-2026-20262. As versões que corrigiram essas falhas são anteriores às necessárias para solucionar o novo problema, portanto ambientes atualizados apenas para os patches de maio ou junho ainda precisam receber a nova atualização. Enquanto a correção não puder ser aplicada em ambientes on-premises, a Cisco recomenda impedir o acesso ao Manager a partir de redes não confiáveis, incluindo a internet. Quando a conectividade externa for indispensável, somente hosts conhecidos e autorizados devem receber acesso, e os componentes de controle devem permanecer protegidos por firewall. A documentação de hardening da empresa também recomenda que interfaces administrativas, incluindo as portas 443, 22 e 830, não sejam expostas diretamente à internet. Além da atualização, a Cisco divulgou indicadores que podem ajudar administradores a procurar sinais de exploração. A análise deve incluir o arquivo /var/log/nms/containers/service-proxy/serviceproxy-access.log, buscando acessos relacionados a j_security_check originados de endereços IP desconhecidos ou não autorizados. Também deve ser verificado o arquivo /var/log/nms/vmanage-server.log, principalmente chamadas a j_security_check associadas a usuários cujos nomes começam com viptela-reserved-, prefixo utilizado por contas reservadas de serviços do sistema. A técnica observada envolve a codificação de caracteres do caminho de autenticação. Em um dos exemplos apresentados pela Cisco, /j_security_check aparece como /%6a_security_check, em que %6a representa a letra “j”. Entretanto, qualquer caractere da requisição pode ser codificado, portanto a busca não deve se limitar a esse exemplo. A Cisco alerta que entradas semelhantes também podem surgir durante operações legítimas. Dessa forma, cada ocorrência precisa ser comparada com o comportamento normal do ambiente antes de ser considerada evidência de comprometimento. Clientes que suspeitem de exploração podem abrir um chamado Severity 3 com o Cisco TAC, incluindo CVE-2026-76504 no título. Antes disso, a empresa recomenda executar o comando request admin-tech no Manager para gerar o arquivo que poderá ser analisado pela equipe de suporte. O alerta não esclarece se a simples instalação da atualização é suficiente para remover um invasor que já tenha comprometido o sistema. Por isso, organizações potencialmente afetadas devem combinar a aplicação do patch com a investigação dos indicadores disponibilizados pela Cisco. A CVE-2026-76504 amplia uma sequência de problemas de segurança explorados no Cisco SD-WAN. Até 30 de setembro, oito vulnerabilidades relacionadas à plataforma e divulgadas em 2026 já haviam sido adicionadas ao catálogo KEV da CISA.

  • 101 pacotes maliciosos no npm adicionam desenvolvedores a grupos do WhatsApp sem consentimento

    Pesquisadores de segurança identificaram uma campanha envolvendo 101 pacotes maliciosos publicados no npm que manipulam contas do WhatsApp de desenvolvedores para adicioná-las a grupos e canais sem autorização. Batizada de PhantomSub, a operação já acumula cerca de 490 mil downloads. Segundo pesquisadores da OX Security, os pacotes abusam do Baileys, projeto open source usado para interagir programaticamente com o WhatsApp, para realizar inscrições automaticamente após a vítima conectar sua conta ou sessão autenticada. Dos aproximadamente 490 mil downloads registrados pelos pacotes associados à campanha, 116 mil ocorreram apenas nos últimos 30 dias. Entre os nomes identificados estão ourin-baileys, @nexustechpro/baileys, neuralwhatsapp, cloud-baileys, my-auto-follow, eliteprotech-baileys, chromestaff-baileys e diversas outras variações que fazem referência ao Baileys. Os primeiros sinais desse tipo de atividade apareceram em agosto de 2026, quando a SafeDep identificou forks do Baileys no npm capazes de fazer a conta do WhatsApp usada pelo desenvolvedor seguir silenciosamente canais controlados pelos autores dos pacotes. Algumas versões também inseriam URLs de publicidade do responsável pelo pacote em imagens e vídeos enviados pelo bot. Em setembro, pesquisadores da Xygeni divulgaram outro caso envolvendo o pacote @dappaoffc/baileys-mod. A biblioteca inscrevia automaticamente a sessão autenticada do bot do desenvolvedor em canais de newsletter controlados pelos operadores. A investigação da OX Security encontrou três variantes da campanha PhantomSub. A primeira, presente em 19 pacotes, busca IDs de canais remotamente no GitHub durante a execução. A segunda, identificada em 60 pacotes, mantém esses IDs diretamente no código-fonte em texto claro. Já a terceira, encontrada em 14 pacotes, incorpora os identificadores de maneira codificada e ofuscada. Um dos grupos do WhatsApp analisados pelos pesquisadores aparentemente opera na Indonésia e anuncia contas relacionadas a jogos e aplicativos, incluindo Mobile Legends: Bang Bang e TikTok. As publicações também exibem um número associado a uma conta comercial indonésia do WhatsApp chamada “Dan”. Outros canais identificados incluem Neural, com 798 seguidores; MONTE – BMG, com cerca de mil; CORTANA TECH, com 1,3 mil; e Fyxzpedia.ID – Utama, com aproximadamente 4,8 mil seguidores. O canal Neural, por exemplo, promove a comercialização de recursos para jogos por meio do marketplace JualanRSS. Segundo a OX Security, muitos desses canais estão relacionados à venda de bots, scripts, serviços de desenvolvimento de bots, APKs “premium” e serviços de impulsionamento em redes sociais. Nesse modelo, o número de seguidores funciona como uma espécie de prova social para promover os produtos e serviços oferecidos. A análise também encontrou sinais de infraestrutura compartilhada entre diferentes pacotes. IDs de canais, listas remotas e contas do GitHub se repetem em bibliotecas publicadas sob nomes e responsáveis distintos. Para os pesquisadores, essa sobreposição indica que diferentes pacotes podem alimentar os mesmos canais beneficiários com novos seguidores. O risco é especialmente relevante porque a atividade ocorre dentro da cadeia de suprimentos de software. Um desenvolvedor pode instalar uma biblioteca aparentemente relacionada a um projeto legítimo e, ao autenticar sua conta do WhatsApp, permitir que código malicioso execute ações que não fazem parte da funcionalidade esperada. A recomendação para quem utilizou esses pacotes é verificar se a conta foi adicionada ou inscrita em grupos e canais desconhecidos e bloqueá-los. Organizações também podem criar regras de detecção para impedir o uso dos pacotes maliciosos identificados e evitar bibliotecas que exijam a conexão de contas pessoais do WhatsApp sem uma justificativa clara.

  • Polícia prende líder do ShinyHunters, grupo ligado a US$ 70 milhões em extorsões

    A polícia da Holanda confirmou a prisão de um homem de 24 anos, de Amsterdã, suspeito de envolvimento com o grupo hacker ShinyHunters. Segundo as autoridades, o suspeito deverá comparecer ao Tribunal Distrital de Roterdã em 29 de setembro de 2026. A Politie Landelijke Opsporing en Interventies confirmou inicialmente apenas que a prisão ocorreu no âmbito de uma investigação sobre o ShinyHunters. Posteriormente, a Polícia Nacional da Holanda e o FBI informaram que o homem é suspeito de ser “um dos supostos líderes” do grupo. Embora as autoridades não tenham divulgado oficialmente sua identidade, o jornalista de segurança Brian Krebs e o site DataBreaches.Net identificaram o preso como Pepijn van der Stap, conhecido pelo pseudônimo Umbreon. Segundo o DataBreaches.Net, ele foi detido em 15 de setembro. Van der Stap já havia sido preso em 2023 por envolvimento em uma série de roubos de dados e extorsões. Na época, também chamou atenção o fato de trabalhar na empresa de cibersegurança Hadrian e atuar como voluntário no Dutch Institute for Vulnerability Disclosure (DIVD). Em entrevista concedida ao DataBreaches.Net em junho de 2023, ele afirmou que, apesar de estar realizando mais atividades legítimas e reduzindo sua participação em ações ilegais, vivia sob forte paranoia de ser descoberto pelas autoridades. Mais recentemente, seu perfil no LinkedIn indicava que trabalhava como líder de segurança ofensiva na empresa holandesa Neo Security. Na descrição profissional, van der Stap reconhecia que sua trajetória “não foi uma linha reta” e dizia ter conhecido a segurança “dos dois lados do terminal”, experiência que, segundo ele, teria mostrado que o conhecimento deveria ser usado para construir e proteger, e não para destruir. O ShinyHunters, porém, negou qualquer ligação com van der Stap. Em resposta ao The Hacker News, representantes do grupo afirmaram que o suspeito “não tem associação” com eles e acusaram a polícia holandesa de buscar publicidade após o ataque contra a operadora Odido. As autoridades holandesas também esclareceram que a prisão não está relacionada ao incidente envolvendo a Odido. Separadamente da investigação sobre o ShinyHunters, o suspeito é acusado de tentar incitar dois assassinatos. O FBI afirmou que continua trabalhando com parceiros internacionais para desenvolver novas linhas de investigação a partir da prisão. Segundo Brett Leatherman, diretor assistente da agência, o suspeito e seus supostos comparsas teriam comprometido mais de 140 organizações desde 2025 e obtido pelo menos US$ 70 milhões em pagamentos de extorsão. De acordo com o FBI, os ataques frequentemente envolvem fornecedores terceirizados conectados a plataformas em nuvem. Os invasores roubariam informações confidenciais e posteriormente pressionariam as vítimas com ameaças de publicação dos dados. A prisão ocorre enquanto o ShinyHunters também reivindica um ataque contra o site de candidaturas a empregos do FBI, apply.fbijobs.gov. O grupo afirma ter extraído terabytes de informações confidenciais dos sistemas. Representantes do ShinyHunters disseram à 404 Media que a operação contra o FBI teria sido uma “campanha de marketing” destinada a proteger seus negócios e combater o que classificam como desinformação. O grupo também negou que o ataque tenha sido motivado financeiramente ou tivesse como objetivo extorquir a agência, alegando que os dados não serão publicados, vendidos ou utilizados contra terceiros. Inicialmente, o ShinyHunters afirmou ter explorado uma nova vulnerabilidade zero-day no Oracle PeopleSoft para obter acesso não autorizado aos sistemas. Análises posteriores, porém, indicam que os invasores podem ter utilizado uma técnica de codificação de URL para contornar regras de Web Application Firewall (WAF) implementadas para mitigar a CVE-2026-35273. A investigação permanece em andamento, e o FBI afirma que a prisão poderá gerar novas pistas sobre a estrutura e as operações atribuídas ao ShinyHunters.

  • Você está convidado… para instalar um backdoor no Windows: hackers russos miram mais de 100 organizações nos EUA e Reino Unido

    O grupo hacker russo Star Blizzard está utilizando falsos convites para eventos para induzir vítimas a instalar o backdoor CosmicPulse em computadores Windows. Segundo a Microsoft, mais de 100 organizações foram afetadas pelas campanhas desde janeiro de 2026, principalmente nos Estados Unidos e Reino Unido, com foco em pessoas e entidades ligadas à Ucrânia. A Microsoft identificou pelo menos 13 campanhas de maior escala neste ano, cada uma envolvendo dezenas ou centenas de mensagens, além das operações de phishing direcionado tradicionalmente associadas ao grupo. Pelo menos um computador foi infectado, mas o número total de organizações efetivamente comprometidas não foi divulgado. Agências de segurança dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia afirmaram em dezembro de 2023 que o Star Blizzard atua quase certamente subordinado ao Center 18 do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB). O grupo possui histórico de roubo de credenciais de e-mail por meio de campanhas nas quais se passa por contatos conhecidos das vítimas. Convites falsos para conferências e eventos já eram utilizados pelo Star Blizzard em 2023. Uma característica recorrente da operação é estabelecer uma conversa inicial com a vítima antes de enviar o conteúdo malicioso, reduzindo a aparência de uma tentativa convencional de phishing. Desde março de 2026, os operadores passaram a enviar mensagens por contas hospedadas em sites WordPress e cPanel. A Microsoft avalia com alta confiança que essas contas foram comprometidas especificamente para apoiar as campanhas. Anteriormente, o grupo utilizava principalmente serviços gratuitos de e-mail, incluindo Proton e contas pessoais da Microsoft. Também houve uma mudança importante na cadeia de infecção. Em 2025, o Star Blizzard utilizava páginas CAPTCHA falsas para convencer as próprias vítimas a executar comandos, técnica conhecida como ClickFix. Em 2026, o grupo passou a empregar um método que a Microsoft denominou RedFlick, baseado no abuso de tarefas agendadas do Windows para instalar o CosmicPulse. As mensagens fraudulentas apresentam organizações conhecidas como supostas responsáveis pelos eventos, incluindo Chatham House e Atlantic Council. Muitos e-mails são construídos para parecer que foram enviados por alguém pertencente à própria organização da vítima. Normalmente, a primeira mensagem não contém anexos. Caso a vítima responda, os invasores enviam um arquivo RAR ou ZIP protegido por senha, com a senha apresentada em uma imagem. Dentro do arquivo, a cadeia de ataque utiliza um atalho LNK disfarçado de documento PDF. As primeiras campanhas observadas, em janeiro e fevereiro, se passaram por autoridades ucranianas e enviaram falsos avisos sobre auditorias fiscais e multas para usuários do serviço de e-mail Ukr.net. Posteriormente, os hackers utilizaram temas como interrupção do fornecimento de água para hotéis em Kyiv e notificações de pagamento destinadas a funcionários de uma organização financeira internacional. Uma campanha observada em março adotou uma abordagem diferente. Pessoas que responderam a um falso convite relacionado ao Atlantic Council receberam um link para o DarkSword, um kit de exploração para iPhones, em vez da cadeia destinada a instalar o backdoor no Windows. A Proofpoint também identificou mensagens relacionadas ao Atlantic Council em março e registrou um aumento significativo no volume de e-mails do grupo. A Trellix encontrou quatro dessas mensagens enviadas em 26 de março, embora tenha classificado como média a confiança de que elas levavam ao DarkSword, pois as páginas de exploração já estavam offline e o código do exploit não pôde ser recuperado. No Windows, a Microsoft identificou diferentes versões da cadeia de infecção. Em todas elas, um arquivo LNK apresentado como PDF inicia o ataque, enquanto um pacote Windows Installer (MSI) é responsável pela criação das tarefas agendadas. Ao abrir o atalho, comandos são executados silenciosamente para obter o instalador de um servidor remoto. Na variante observada em janeiro, um script oculto utilizava SSH para realizar o download. Em julho, o LNK passou a baixar um PDF contendo um comando oculto que tentava buscar o instalador. Em uma versão identificada em abril, o MSI criava três tarefas agendadas com nomes escolhidos para se parecerem com componentes legítimos do Windows: Internet Quality Test Connection, Network Configuration Manager e System Health Monitor. A primeira envia o nome do computador e do usuário para a infraestrutura de comando e controle (C2) e pode executar código adicional remotamente. A segunda configura o WebDAV, recurso do Windows que permite acessar um endereço web como se fosse uma pasta. A terceira utiliza o control.exe, processo do Painel de Controle, para executar a próxima etapa hospedada no servidor dos invasores. O estágio seguinte envolve um downloader disfarçado de item do Painel de Controle. Esse componente instala o CosmicPulse, um backdoor desenvolvido em Python. O downloader havia sido identificado em relatórios anteriores pelos nomes NOROBOT e BAITSWITCH. As técnicas apresentam sobreposição com uma campanha de junho documentada pelo Digital Security Lab Ukraine contra organizações da sociedade civil ucraniana. Nessa operação, os atacantes utilizaram falsos convites para a Ukraine Recovery Conference. O laboratório não atribuiu a campanha a um grupo específico e não conseguiu recuperar o payload final. Dois indicadores aparecem tanto na análise da Microsoft quanto no relatório de junho: o endereço IP 103.160.59[.]97 e o domínio secure-dns-hub[.]com. A presença dos mesmos indicadores, entretanto, não é suficiente isoladamente para concluir que ambas as operações foram conduzidas pelos mesmos responsáveis. O domínio secure-dns-hub[.]com ainda estava sendo utilizado quando a Microsoft publicou seu relatório em 29 de setembro. A empresa também disponibilizou indicadores e consultas de threat hunting voltados especialmente para governos, ONGs e think tanks envolvidos com políticas ou iniciativas relacionadas à Ucrânia. Entre os sinais que podem ser procurados estão as três tarefas agendadas utilizadas pelo RedFlick e as detecções do Microsoft Defender Trojan:Script/RedFlick e Backdoor:Python/CosmicPulse. A Microsoft também recomenda verificar cuidadosamente os endereços dos remetentes, pois nas mensagens identificadas o nome da organização legítima costuma aparecer antes do símbolo @, e não no domínio do e-mail. As organizações podem ainda restringir conexões SSH de saída quando elas não forem necessárias, habilitar regras de redução da superfície de ataque contra executáveis raros ou não confiáveis e scripts ofuscados, além de adotar métodos de autenticação resistentes a phishing. O Star Blizzard continua realizando operações de roubo de senhas com o Evilginx, ferramenta capaz de capturar também cookies de sessão e contornar determinadas implementações de autenticação de dois fatores. Para dispositivos Apple potencialmente expostos ao DarkSword, a Trellix recomenda atualizar para o iOS 26.3 ou posterior, versão que corrige as seis vulnerabilidades exploradas pelo kit, além de utilizar o Lockdown Mode quando a atualização ainda não for possível.

  • Novo Spectre-v2 BTR quebra defesas e vaza dados da memória do Linux

    Pesquisadores da VUSec e da Scuola Superiore Sant'Anna divulgaram uma nova variante do Spectre v2 capaz de explorar mecanismos de compilação Just-In-Time (JIT) para contornar proteções existentes e acessar dados sensíveis. Batizada de Branch Target Reuse (BTR), a técnica afeta mecanismos presentes em navegadores, runtimes de linguagens e no kernel de sistemas operacionais, alcançando diferentes fabricantes de processadores. O BTR explora a interação entre código automodificável, conhecido como Self-Modifying Code (SMC), e os mecanismos utilizados pelos processadores para prever o destino de desvios indiretos. Segundo os pesquisadores Sander Wiebing, Yuhui Zhu, Alessandro Biondi e Cristiano Giuffrida, CPUs modernas restauram a coerência arquitetural quando um código é modificado, mas não necessariamente eliminam entradas antigas utilizadas pelo mecanismo de previsão de branches. Na prática, um destino de branch armazenado no Branch Target Buffer (BTB) pode permanecer no processador mesmo depois que o código associado a ele deixa de existir. Se um mecanismo JIT posteriormente reutilizar aquela região de memória para gerar um código diferente, a CPU poderá especulativamente executar o novo conteúdo utilizando uma previsão criada para o código anterior. Os pesquisadores descrevem esse comportamento como uma espécie de "execute-after-free" transitório. O atacante consegue redirecionar temporariamente o fluxo de execução para código recém-gerado em offsets obsoletos, possibilitando contornar mecanismos de proteção contra Spectre ou alcançar sequências de instruções desalinhadas capazes de revelar informações. O BTR foi avaliado contra o SpiderMonkey, mecanismo JIT utilizado pelo Mozilla Firefox, o GraalVM e o JIT cBPF presente no kernel Linux. Todos foram considerados afetados, embora os pesquisadores tenham encontrado diferenças significativas na facilidade de exploração e nas taxas de vazamento de informações. Como prova de conceito, a equipe desenvolveu dois exploits completos contra o kernel Linux. Os ataques conseguiram recuperar, em poucos minutos, o hash da senha do usuário root em um sistema Intel totalmente atualizado e executando as proteções padrão. Spectre é uma classe de vulnerabilidades de CPU revelada originalmente em 2017 que explora a execução especulativa. Esse mecanismo melhora o desempenho ao permitir que o processador antecipe e execute determinadas instruções antes de saber se elas realmente serão necessárias. Embora resultados de previsões incorretas sejam posteriormente descartados, alterações microarquiteturais produzidas durante a execução especulativa podem permanecer observáveis. Ataques Spectre exploram, por exemplo, diferenças no tempo de acesso ao cache para inferir dados que não deveriam estar disponíveis ao invasor. O Spectre v2 concentra-se especificamente na previsão de branches indiretos. Ataques tradicionais procuram manipular o mecanismo de previsão para fazer uma aplicação vítima executar especulativamente um gadget ou trecho de código escolhido pelo atacante, deixando alterações no cache que posteriormente permitem reconstruir informações sensíveis. O BTR introduz uma abordagem diferente. Em vez de depender de uma violação "espacial", na qual a previsão direciona um branch para outro destino, o ataque explora uma alteração "temporal": o branch e o endereço de destino podem permanecer iguais, enquanto o código existente naquele endereço muda. O ataque pressupõe que o invasor consiga executar código sem privilégios em um ambiente com JIT. Primeiro, ele induz o mecanismo a alocar uma região de treinamento e força o branch da vítima a saltar para ela, criando uma entrada correspondente no BTB. Em seguida, o atacante provoca a liberação dessa região e faz com que outro bloco de código seja alocado reutilizando parcialmente o mesmo endereço. Quando o branch indireto é executado novamente, o processador pode utilizar a entrada antiga que permaneceu no BTB e saltar especulativamente para o antigo ponto de entrada, que agora contém código com significado diferente. Para que o ataque funcione, a entrada antiga precisa sobreviver à liberação da região de treinamento e continuar sendo escolhida pelo mecanismo de previsão. Nessas condições, o fluxo especulativo pode ser desviado para um ponto arquiteturalmente inválido, permitindo contornar proteções contra Spectre ou executar instruções desalinhadas para extrair dados. Segundo Cristiano Giuffrida, o BTR representa o primeiro exemplo prático de um ataque Spectre-v2 "in-place", no qual o mesmo branch indireto é utilizado tanto para treinamento quanto para exploração. A descoberta contraria a suposição de que ataques desse tipo exigiriam necessariamente a manipulação de diferentes destinos. A nova variante também consegue comprometer pressupostos de mitigações existentes contra Spectre-v2, incluindo técnicas relacionadas ao Training Solo, associado às vulnerabilidades CVE-2024-28956 e CVE-2025-24495. A principal limitação do BTR é depender de ambientes que executam mecanismos JIT. Esse requisito, porém, não restringe o problema aos navegadores. Kernels modernos também podem executar compiladores JIT, como ocorre com o cBPF no Linux, ampliando a superfície potencial de ataque. Após a divulgação coordenada, mitigações específicas para o BTR foram incorporadas ao kernel Linux e receberam os identificadores CVE-2026-64507 e CVE-2026-64508. No caso do cBPF, a proteção utiliza o IBPB (Indirect Branch Predictor Barrier), mecanismo destinado a impedir que estados anteriores do preditor de branches sejam reutilizados em determinados contextos. O GraalVM reduz a possibilidade de reutilização das mesmas regiões ao randomizar a localização do cache de código JIT. A Mozilla avaliou mitigações baseadas em IBPB, mas, segundo os pesquisadores, está priorizando a conclusão e implantação de isolamento por site no Firefox. A pesquisa também aponta uma questão mais ampla na arquitetura dos processadores modernos. CPUs possuem mecanismos para sincronizar estruturas microarquiteturais, como caches de instruções e dados, quando código é modificado. O BTR demonstra, porém, que o estado relacionado à previsão de branches pode continuar desatualizado depois dessas alterações. Sincronizar todas essas estruturas sempre que um código JIT for reescrito pode impor custos significativos de desempenho, o que dificulta uma solução abrangente no hardware. Para os pesquisadores, essa característica indica que comportamentos semelhantes ao BTR podem surgir em futuras investigações sobre execução especulativa. A divulgação ocorre cerca de dois meses depois de pesquisadores do MIT CSAIL apresentarem o Interrupt Injection, outra técnica de execução especulativa capaz de contornar defesas contra Spectre v2 e vazar conteúdo arbitrário da memória do kernel em sistemas Linux baseados em processadores Intel e AMD.

  • OpenSSL corrige falha grave em DTLS que pode vazar dados da memória sem criptografia

    O OpenSSL corrigiu uma vulnerabilidade de alta severidade que pode expor conteúdo da memória heap sem criptografia durante conexões DTLS ou provocar a interrupção do processo afetado. A falha, identificada como CVE-2026-84782, recebeu pontuação CVSS 8,2 da CISA e foi corrigida em atualizações divulgadas em 29 de setembro. O problema afeta implementações que utilizam o OpenSSL para DTLS (Datagram Transport Layer Security), variante do TLS destinada a proteger comunicações baseadas em UDP. Entre seus usos estão a proteção de canais de dados WebRTC e o estabelecimento de chaves de criptografia para chamadas realizadas pela internet. A vulnerabilidade está relacionada ao mecanismo de retransmissão do handshake DTLS. Quando uma resposta não chega antes do término de um temporizador, o protocolo pode reenviar uma mensagem anterior. O problema ocorre quando essa retransmissão é iniciada enquanto uma mensagem de handshake maior permanece parcialmente enviada. Mensagens grandes de handshake DTLS são divididas em fragmentos para que cada parte caiba em um datagrama UDP. Caso a conexão não consiga aceitar mais dados temporariamente, a transmissão pode ser interrompida no meio da mensagem e retomada posteriormente. Durante essa pausa, porém, o temporizador de retransmissão continua ativo. Antes da correção, quando esse temporizador era acionado, o OpenSSL podia utilizar a posição no buffer da mensagem interrompida em vez de retornar ao início da mensagem que deveria ser retransmitida. Como consequência, a nova mensagem era enviada com identificação incorreta e podia conter bytes residuais da mensagem maior. Segundo o OpenSSL, esses dados podem incluir conteúdo da memória heap enviado para a outra extremidade da conexão como parte não criptografada do handshake. Se a operação de leitura ultrapassar o buffer e atingir uma região de memória não mapeada, o processo também pode ser encerrado, provocando uma condição de negação de serviço. A falha não está restrita a clientes ou servidores DTLS. A correção foi testada pelo projeto nos dois cenários. Apesar da possibilidade de exposição de memória, não há até o momento confirmação de exploração da CVE-2026-84782. O OpenSSL também não informou se um atacante consegue provocar deliberadamente a condição necessária para que uma retransmissão aconteça enquanto outra mensagem permanece parcialmente enviada. A vulnerabilidade foi reportada em 17 de agosto por Laurent Gaffie, da Secorizon, e a correção foi desenvolvida por Ryan Hooper. O OpenSSL classificou o problema como de severidade alta, uma categoria abaixo de crítica em sua escala, e recomenda que correções desse nível sejam instaladas assim que possível. A CISA atribuiu CVSS 8,2 à falha em 29 de setembro, considerando baixo o impacto sobre confidencialidade e alto sobre disponibilidade. Na ocasião, o registro da agência indicava ausência de exploração conhecida. O OpenSSL não utiliza CVSS para determinar suas próprias classificações de severidade. As versões públicas corrigidas são OpenSSL 4.0.3, 3.6.5, 3.5.9 e 3.4.8. As ramificações mais antigas 3.0, 1.1.1 e 1.0.2 também receberam correções, mas elas estão disponíveis diretamente pelo projeto apenas para clientes do serviço de suporte premium. No caso da linha 3.0, o problema ganha relevância porque o suporte público para atualizações de segurança terminou em 7 de setembro de 2026. A versão corrigida é a 3.0.23, enquanto a última versão disponibilizada publicamente pelo OpenSSL foi a 3.0.22, lançada em 25 de agosto. Para as versões antigas, as correções são OpenSSL 3.0.23, 1.1.1zj e 1.0.2zs. Já as linhas 3.1, 3.2 e 3.3 estão fora do suporte público, e o projeto informou que não verificou se elas são afetadas pela vulnerabilidade. O OpenSSL não publicou uma solução alternativa para ambientes que não possam atualizar imediatamente. A recomendação para usuários da versão 3.0 que dependem diretamente dos pacotes fornecidos pelo projeto é migrar para uma linha mais recente, como OpenSSL 4.0 ou 3.5, esta última uma versão LTS com suporte previsto até abril de 2030. Outra possibilidade é utilizar o suporte comercial para continuar recebendo correções de versões fora do ciclo público. Distribuições Linux, entretanto, já começaram a disponibilizar suas próprias correções. O Ubuntu publicou pacotes atualizados em 29 de setembro para as versões 26.04 LTS, 24.04 LTS e 22.04 LTS. Os pacotes corrigidos são, respectivamente, libssl3t64 3.5.5-1ubuntu3.6, libssl3t64 3.0.13-0ubuntu3.16 e libssl3 3.0.2-0ubuntu1.30. O Ubuntu orienta reiniciar o sistema após a instalação para garantir que todas as alterações entrem em vigor. O Debian também corrigiu a CVE-2026-84782 no Debian 13 por meio do pacote openssl 3.5.7-1~deb13u3, distribuído no boletim DSA-6531-1. Às 07h36 UTC de 30 de setembro, o rastreador de segurança do projeto ainda indicava o Debian 12 como vulnerável. A atualização de 29 de setembro também solucionou outras 13 vulnerabilidades no OpenSSL. A mais relevante entre elas é a CVE-2026-84783, classificada como moderada e limitada ao OpenSSL 4.0. Um agente remoto não autenticado pode explorar determinadas condições para provocar falhas em clientes TLS multithread ou servidores multithread configurados para solicitar certificados dos clientes. Outra vulnerabilidade em DTLS, a CVE-2026-75806, recebeu classificação baixa. Ela afeta conexões DTLS 1.2 estabelecidas que utilizam cifras AEAD e permite que alguém capaz de enviar um datagrama para a conexão consiga encerrá-la com um único pacote excessivamente curto, sem precisar conhecer as chaves criptográficas. As outras 11 vulnerabilidades corrigidas foram classificadas como de baixa severidade e incluem cinco problemas no código QUIC do OpenSSL e três canais laterais de temporização relacionados às implementações ECDSA e SM2.

  • Citrix NetScaler: falha crítica CVE-2026-88772 é explorada para obter acesso root e instalar backdoors

    Uma vulnerabilidade crítica no Citrix NetScaler ADC e NetScaler Gateway está sendo explorada ativamente por hackers para obter acesso root aos dispositivos e implantar ferramentas de pós-exploração capazes de abrir caminho para redes internas. A falha, identificada como CVE-2026-88772 e classificada com pontuação CVSS 9,5, afeta o processamento do protocolo Datagram Transport Layer Security (DTLS) no componente NetScaler Packet Processing Engine (NSPPE). A exploração foi observada em setembro de 2026 pela Mandiant Consulting e pelo Google Threat Intelligence Group (GTIG), com ataques contra organizações dos setores governamental, financeiro, tecnologia, educação, jurídico e serviços profissionais na América do Norte e Europa. Segundo as análises, a CVE-2026-88772 pode ser explorada antes da autenticação. Pacotes DTLS especialmente manipulados provocam corrupção de memória no NSPPE e podem desviar o fluxo de execução para shellcode arbitrário com privilégios root no sistema FreeBSD subjacente ao appliance. A vulnerabilidade está relacionada a uma inconsistência no processo de remontagem de mensagens fragmentadas do DTLS. De acordo com pesquisadores da watchTowr Labs, o NetScaler confia no tamanho declarado no campo fragment_length do cabeçalho, mesmo quando o tamanho completo da mensagem, informado pelo campo length, é muito maior. Um invasor pode, por exemplo, apresentar uma mensagem de handshake de 120 bytes dividida em 120 fragmentos, fazendo cada fragmento declarar apenas um byte de conteúdo. Embora o mecanismo considere a mensagem completa depois de receber todas as posições, praticamente todo o conteúdo dos registros permanece armazenado nos NetScaler Buffers (NSBs). Cada pacote recebido, de aproximadamente 1.459 bytes, pode ser mantido nesses buffers antes da remontagem em um scratch buffer de apenas 35.840 bytes. Como a versão vulnerável não verifica adequadamente se os próximos dados cabem nesse espaço, uma sequência maliciosa pode resultar em cerca de 174 KB sendo associados à mensagem, provocando gravação além dos limites do buffer. A watchTowr demonstrou que o problema pode ir além de uma simples negação de serviço. A corrupção de memória pode ser utilizada para redirecionar o fluxo de execução para shellcode controlado pelo atacante. A técnica descrita pelos pesquisadores utiliza a chamada de sistema mprotect() para contornar proteções NX (no-execute) e alcançar execução de código com privilégios root. A CISA descreveu a CVE-2026-88772 como uma vulnerabilidade de restrição inadequada de operações dentro dos limites de um buffer de memória, capaz de permitir execução remota de código ou negação de serviço. A falha também vem sendo utilizada em conjunto com a CVE-2026-88771, outra vulnerabilidade recentemente corrigida no NetScaler. A watchTowr publicou uma prova de conceito para essa segunda falha, que também foi identificada em ataques reais. Após explorar a CVE-2026-88772, os invasores observados pelo Google modificaram arquivos httpd.conf do NetScaler para fazer com que arquivos com extensão .deb, normalmente associada a pacotes Debian, fossem processados como scripts PHP. A alteração permite instalar web shells com extensões aparentemente legítimas no diretório /netscaler/gui/vpn/scripts/linux. Em outra técnica identificada, os hackers configuraram um mecanismo para esconder a execução dos web shells atrás de requisições aparentemente direcionadas a imagens. Arquivos .sig eram registrados como scripts PHP executáveis e requisições terminadas em .ico, dentro de /vpn/media/, eram redirecionadas para arquivos .sig correspondentes armazenados no diretório de scripts. Assim, uma solicitação para um endereço como /vpn/media/e6ee7c85.ico poderia acionar o web shell e6ee7c85.sig. Em pelo menos um ambiente, logs analisados pelo Google registraram respostas HTTP 404 acompanhadas de tempos de processamento elevados e respostas de vários kilobytes, comportamento compatível com essa técnica de ocultação. A cadeia de ataque também inclui alterações nas permissões de /bin/sh, seguidas pela reinicialização completa do appliance, com o objetivo de estabelecer execução persistente com privilégios root. Entre as ferramentas identificadas está o WHIPSHOT, um web shell PHP até então não documentado que recebe comandos e payloads codificados em Base64 por meio de cabeçalhos HTTP. O malware executa as instruções recebidas e devolve os resultados ao operador, permitindo controle remoto do dispositivo comprometido. Os atacantes também utilizam o SLAPSHOT, uma ferramenta de tunelamento TCP escrita em Python. Ela funciona como uma ponte entre o NetScaler comprometido e sistemas da rede interna, recebendo instruções do WHIPSHOT e encaminhando fluxos TCP para outros hosts. Em pelo menos um incidente investigado pelo Google, o túnel foi utilizado manualmente para reconhecimento da infraestrutura interna e roubo de credenciais. A funcionalidade também pode facilitar movimentação lateral depois que o dispositivo de borda é comprometido. O SLAPSHOT inclui ainda mecanismos destinados a reduzir rastros forenses. Caso não receba sessões ou comandos durante dez minutos, a ferramenta remove arquivos relacionados à porta e ao bloqueio da execução antes de encerrar o próprio processo. A campanha evidencia o interesse dos invasores por dispositivos de borda, como Application Delivery Controllers, gateways VPN e firewalls. Esses equipamentos ficam diretamente expostos à internet, frequentemente estão fora da visibilidade de ferramentas tradicionais de Endpoint Detection and Response (EDR) e podem processar ou armazenar credenciais úteis para avançar pela rede. A atividade relacionada às vulnerabilidades ganhou escala no final de setembro. A GreyNoise informou ter detectado novas ações maliciosas associadas às CVE-2026-88771 e CVE-2026-88772 a partir de 28 de setembro, inicialmente caracterizadas por reconhecimento em massa. Horas depois, a empresa identificou um aumento significativo da atividade. Segundo a GreyNoise, o cenário evoluiu para exploração em larga escala conduzida por diferentes atores e campanhas, incluindo implantação de web shells e malware com objetivos relacionados ao recrutamento de dispositivos para botnets e à obtenção de acessos que podem posteriormente ser comercializados.

  • Jev surge como alternativa mais rápida e barata aos LLMs para decisões empresariais

    Um novo modelo de inteligência artificial está atraindo a atenção de desenvolvedores por adotar uma abordagem diferente dos grandes modelos de linguagem, como os usados em chatbots. Criado pela TypeSafe AI, o Jev foi desenvolvido para tomar decisões estruturadas de forma rápida e barata, em vez de produzir longas respostas em linguagem natural. A proposta é especialmente voltada a aplicações nas quais empresas precisam de respostas previsíveis e integráveis a sistemas automatizados. O Jev é descrito pela TypeSafe como um modelo “System One” e funciona, na prática, como uma espécie de função inteligente: recebe informações, analisa o contexto e devolve resultados dentro de formatos previamente definidos pelo desenvolvedor. Em vez de pedir que a IA escreva uma resposta aberta, os desenvolvedores definem antecipadamente quais resultados são possíveis. O serviço trabalha principalmente com três tipos de consultas: Choice, para selecionar entre alternativas; Score, para atribuir pontuações; e Noul, que representa uma avaliação probabilística entre verdadeiro e falso. Choice e Score também podem retornar níveis de confiança. Essa arquitetura restringe deliberadamente o que o modelo pode responder. Em uma aplicação empresarial, por exemplo, o Jev poderia analisar uma mensagem e determinar a probabilidade de ela pertencer ao suporte técnico, vendas ou outro departamento, permitindo que um sistema encaminhe automaticamente a solicitação. A diferença é relevante porque LLMs tradicionais geram texto token por token e podem produzir respostas que precisam ser posteriormente interpretadas pelo software. O Jev concentra-se em decisões estruturadas e processa seus resultados de maneira paralela, o que favorece aplicações sensíveis à latência. Segundo documentação, o modelo pode responder em até 150 milissegundos. A TypeSafe cobra US$ 0,042 por milhão de tokens de entrada e não cobra pelos tokens de saída, uma vez que as respostas são muito mais restritas do que as produzidas por um chatbot convencional. A combinação de velocidade e baixo custo rapidamente despertou o interesse de desenvolvedores. Pouco depois do lançamento, surgiram experimentos utilizando Jev para classificar a urgência de linhas em planilhas, selecionar roupas para usuários, controlar ações em jogos e até experimentar a emulação de uma CPU. O potencial empresarial, entretanto, está em tarefas mais previsíveis. Entre os exemplos estão triagem de candidatos, verificação de artigos científicos, roteamento de ferramentas e chamadas MCP e automação de processos que tradicionalmente exigiriam intervenção humana. Sistemas financeiros também ilustram a diferença de abordagem: em processos como aprovação de uma fatura, uma empresa pode preferir um conjunto limitado de decisões com probabilidades associadas em vez de uma resposta textual aberta. A arquitetura também reduz um problema associado à IA generativa: respostas inventadas fora do formato esperado. Isso, porém, não significa que o Jev seja incapaz de errar. O modelo pode selecionar uma opção incorreta; a diferença é que sua resposta permanece limitada às alternativas definidas pelo desenvolvedor, acompanhadas de probabilidades, em vez de gerar livremente uma explicação potencialmente inadequada. Outra diferença está na preparação das aplicações. Como o Jev não produz texto livre, os desenvolvedores precisam definir previamente o esquema e as alternativas disponíveis. A própria TypeSafe recomenda formular perguntas específicas, como determinar se uma mensagem transmite urgência, em vez de solicitar genericamente que a IA analise uma mensagem e decida o que fazer. Apesar do interesse inicial, ainda existem dúvidas sobre a capacidade do modelo. Testes independentes e benchmarks abrangentes sobre sua precisão continuam limitados. Desenvolvedores que experimentaram a tecnologia destacam velocidade e custo, mas ainda questionam em quais tarefas sua inteligência é suficiente para substituir ou complementar modelos maiores. Nesse sentido, Jev não necessariamente representa um substituto direto para os LLMs. A tecnologia aponta para uma arquitetura em que diferentes modelos podem desempenhar funções específicas: modelos generativos permanecem adequados para criação e interpretação de conteúdo aberto, enquanto sistemas como Jev podem assumir classificações e decisões repetitivas que exigem baixa latência, custos reduzidos e saídas rigidamente estruturadas.

  • Holanda adota NixOS em projeto de desktop soberano para reduzir dependência tecnológica

    O governo da Holanda está apoiando o desenvolvimento de um ambiente de trabalho digital baseado em software livre e de código aberto para a administração pública. A iniciativa, chamada DAWO, inclui um sistema operacional desktop baseado no NixOS e ferramentas abertas para nuvem, comunicação e colaboração. DAWO é a sigla para “Digitaal Autonome Werkomgeving Overheid”, ou Ambiente de Trabalho Digital Autônomo do Governo. Em vez de ser um único produto, o projeto propõe uma arquitetura composta por componentes substituíveis para sistema operacional, infraestrutura de nuvem, inteligência artificial, comunicações e trabalho colaborativo. O desenvolvimento ainda está em estágio inicial, mas projetos-piloto de pequena escala já estão sendo conduzidos em órgãos públicos holandeses. A iniciativa ganhou status oficial em julho, quando o ICBR, comitê interdepartamental responsável por operações governamentais, encarregou três provedores públicos de TI de desenvolver um ambiente de trabalho digital padronizado e com maior soberania tecnológica: DICTU, SSC-ICT e a divisão de TI da DUO, agência responsável pela execução de políticas educacionais. A arquitetura mais ampla é conduzida pelo Ministério do Interior e Relações do Reino, o BZK. Entre seus componentes está o MijnBureau, uma suíte de produtividade hospedada pelo próprio governo e construída a partir de projetos como Nextcloud, Collabora, Element e OpenProject. Os desenvolvedores do MijnBureau também trabalham em colaboração com o projeto francês La Suite e buscam alinhar a iniciativa ao openDesk, plataforma de produtividade de código aberto desenvolvida na Alemanha. O openDesk vem ganhando espaço em iniciativas europeias de soberania digital. A plataforma está sendo adotada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) após sanções impostas pelos Estados Unidos contra altos funcionários da instituição. O tribunal está sediado em Haia, na Holanda, e, segundo o Tweakers, essas sanções estão entre os fatores que estimularam os esforços holandeses por maior autonomia tecnológica. A iniciativa também acompanha movimentos semelhantes em outras partes da Europa. O openDesk integra projetos no estado alemão de Mecklenburg-Vorpommern e iniciativas relacionadas à adoção de tecnologias abertas na Suíça. Em abril, a Associação de Municípios Holandeses (VNG) informou que quatro municípios participavam dos testes do novo ambiente. Segundo o Tweakers, esse número posteriormente dobrou para oito, ainda uma parcela pequena diante das centenas de municípios existentes no país. O código desenvolvido pelo projeto é publicado por meio de uma instância governamental do Forgejo mantida pelo BZK. Os repositórios também estão disponíveis no Codeberg, permitindo contribuições de desenvolvedores externos. Para o sistema operacional utilizado nas estações de trabalho, o projeto experimentou inicialmente o openSUSE e depois o Fedora antes de escolher o NixOS. Um dos fatores que tornam o NixOS interessante para esse cenário é seu modelo declarativo de configuração e a possibilidade de criar implantações reproduzíveis. Essas características facilitam a administração padronizada e a auditoria de grandes quantidades de computadores, além de o projeto não estar sob controle de um fornecedor comercial específico. O NixOS também possui uma ligação histórica com a Holanda. O sistema de gerenciamento de pacotes Nix foi criado pelo holandês Eelco Dolstra, enquanto a primeira versão da distribuição NixOS construída sobre ele foi desenvolvida por Armijn Hemel. A NixOS Foundation também está sediada no país. A comunidade Nix, entretanto, passou por disputas internas nos últimos anos. Em 2023, organizadores de uma conferência retiraram o patrocínio da empresa norte-americana de sistemas autônomos de defesa Anduril após objeções de colaboradores. O episódio integrou uma discussão mais ampla sobre a governança do projeto, que posteriormente contribuiu para o surgimento do fork Auxolotl. Por sua própria natureza, projetos de código aberto possuem controle limitado sobre quem utiliza seu software. Ao mesmo tempo, o interesse crescente de governos europeus vem direcionando investimentos e colaboração para alternativas abertas, especialmente em áreas como produtividade, nuvem e infraestrutura digital. No caso holandês, o DAWO ainda está distante de representar uma migração completa da administração pública. Os pilotos atuais mostram, porém, que o governo está avaliando uma arquitetura em que sistema operacional, colaboração, comunicação e serviços de nuvem possam ser operados com menor dependência de fornecedores comerciais específicos.

  • AMD compra World Labs por US$ 8,2 bilhões e aposta em IA capaz de compreender ambientes 3D

    A AMD anunciou um acordo para adquirir a World Labs, empresa de inteligência artificial fundada pela pesquisadora Fei-Fei Li, em uma operação avaliada em aproximadamente US$ 8,2 bilhões. A aquisição amplia a estratégia da fabricante de chips para além do hardware e coloca a companhia diretamente no desenvolvimento de novos modelos de IA. A transação será realizada integralmente em ações e deve ser concluída até o fim do ano, dependendo das aprovações regulatórias. Segundo a AMD, a tecnologia da World Labs deverá contribuir para o desenvolvimento das próximas gerações de hardware, software e sistemas de inteligência artificial. “Construir as plataformas computacionais para a próxima geração de IA exige uma compreensão profunda de como os modelos estão evoluindo”, afirmou Lisa Su, CEO da AMD. Fundada no início de 2024 e sediada em São Francisco, a World Labs concentra suas pesquisas em modelos de inteligência espacial, também conhecidos como “world models”. A tecnologia busca permitir que sistemas de IA compreendam, reconstruam e simulem ambientes tridimensionais, com aplicações que incluem áreas como robótica. A abordagem é diferente daquela utilizada pelos grandes modelos de linguagem, ou LLMs. Enquanto sistemas como os atuais chatbots trabalham principalmente prevendo sequências de palavras e outros tokens, os modelos desenvolvidos pela World Labs podem gerar, reconstruir e simular ambientes 3D a partir de entradas de texto, imagens e vídeos. Na prática, a proposta é permitir que a inteligência artificial raciocine sobre ambientes, objetos e suas relações no mundo físico, em vez de depender predominantemente da linguagem. Esse tipo de arquitetura ganhou espaço nos últimos anos e tem entre seus defensores Yann LeCun, ex-cientista-chefe de IA da Meta. Com a aquisição, a World Labs continuará trabalhando no desenvolvimento de modelos avançados de inteligência artificial. Fei-Fei Li passará a integrar a AMD como vice-presidente executiva e cientista-chefe, respondendo diretamente à CEO Lisa Su. “Entrar para a AMD dará à nossa equipe os recursos e a profundidade de engenharia necessários para acelerar nossas pesquisas e ajudar a definir a infraestrutura necessária para a próxima era da IA”, afirmou Li. O negócio acontece poucas semanas depois de a AMD anunciar um acordo para comprar a Taalas, empresa que desenvolve chips de alto desempenho para IA capazes de processar 17 mil tokens por segundo ou mais por meio de uma arquitetura que incorpora os pesos dos modelos diretamente ao silício. Enquanto a aquisição da Taalas está concentrada principalmente em hardware, a compra da World Labs pode ampliar a capacidade da AMD de desenvolver conjuntamente modelos, software e infraestrutura computacional. A estratégia também aproxima a companhia de um modelo adotado pela Nvidia, que combina GPUs de alto desempenho com um amplo ecossistema de software, ferramentas e frameworks voltados à inteligência artificial. Para clientes corporativos, essa integração facilita a implantação de aplicações baseadas nos aceleradores da empresa. Ao incorporar a equipe da World Labs, a AMD passa a contar com um grupo próprio dedicado à pesquisa avançada em IA, que poderá contribuir tanto para o desenvolvimento de software quanto para orientar a arquitetura das futuras gerações de hardware. A aquisição também representa uma aposta de que os LLMs não serão a única arquitetura dominante na evolução da inteligência artificial. Fei-Fei Li argumenta que sistemas capazes de compreender o mundo físico serão necessários para resolver problemas que vão além da linguagem. Segundo a pesquisadora, a World Labs foi criada com a premissa de que “a linguagem sozinha não é suficiente” para o desenvolvimento de modelos. Áreas como ciência, entretenimento e robótica exigiriam sistemas capazes de raciocinar sobre a estrutura e o comportamento do mundo físico. Caso os modelos espaciais ganhem escala, a combinação entre a pesquisa da World Labs e a experiência da AMD em processadores e aceleradores poderá ajudar a empresa a desenvolver a infraestrutura computacional necessária para executar essa nova classe de sistemas de IA.

  • Ex-soldado dos EUA é condenado a quase seis anos por hackear e extorquir operadoras

    Um ex-soldado do Exército dos Estados Unidos foi condenado a 70 meses de prisão federal após admitir participação em uma campanha de ataques contra empresas de telecomunicações, com roubo de registros sensíveis, extorsão e comercialização de dados. Cameron John Wagenius, de 22 anos, também foi condenado a pagar quase US$ 295 mil em restituição. Os crimes ocorreram entre abril de 2023 e 18 de dezembro de 2024, período em que ele estava na ativa e serviu na Coreia do Sul e em Fort Cavazos, no Texas. Segundo documentos judiciais, Wagenius trabalhou com outros hackers para invadir organizações e obter milhares de registros confidenciais de chamadas. Inicialmente, ele se declarou culpado em acusações relacionadas à publicação e ao compartilhamento de registros telefônicos sigilosos. Posteriormente, em um tribunal federal de Seattle, também admitiu fraude eletrônica, extorsão e roubo de identidade agravado. Após obter credenciais de acesso e comprometer sistemas de empresas de telecomunicações dos Estados Unidos, Wagenius e outros envolvidos tentaram extorquir as vítimas. O grupo buscou receber pelo menos US$ 1 milhão em resgates pelos dados roubados. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, Wagenius chegou a tentar comercializar as informações roubadas com um serviço de inteligência estrangeiro. Em novembro de 2024, ele entrou em contato com um endereço de e-mail que acreditava pertencer à inteligência militar de um país não identificado para tentar vender os dados. O procurador-geral assistente A. Tysen Duva afirmou que Wagenius passou mais de um ano e meio conduzindo a campanha de cibercrime enquanto servia no Exército e destacou a tentativa de negociar informações roubadas com um serviço de inteligência estrangeiro. No mesmo mês, Wagenius publicou duas mensagens online afirmando possuir registros confidenciais de detalhes de chamadas, sem o conteúdo das comunicações, pertencentes a uma autoridade do governo e a familiares de outro ex-funcionário público. Segundo o Departamento de Justiça, ele ameaçou divulgar informações adicionais caso não recebesse um resgate. O caso também foi relacionado à série de ataques que atingiu mais de 100 clientes da plataforma de armazenamento de dados Snowflake em 2024, incluindo a AT&T. Especialistas em segurança citados anteriormente pelo Departamento de Justiça afirmaram que Wagenius teria vazado registros de chamadas da AT&T associados ao presidente Donald Trump. No incidente envolvendo a AT&T, os invasores obtiveram, por meio do ambiente Snowflake, metadados correspondentes a praticamente todos os registros de chamadas e mensagens de texto dos clientes da operadora durante um período de seis meses em 2022. Os dados não incluíam o conteúdo das comunicações. Utilizando o nome “kiberphant0m”, Wagenius colaborou com outros hackers no comprometimento de pelo menos dez organizações. Para os ataques, ele utilizava uma ferramenta desenvolvida por ele e denominada “SSH Brute”. Segundo os promotores, o grupo obteve acesso ilegal a centenas de milhares de registros empresariais e de clientes, incluindo históricos de chamadas e mensagens, informações de identificação relacionadas a telecomunicações e outros dados pessoais identificáveis. Depois da exfiltração, os invasores pressionavam as organizações publicamente e de forma privada para obter pagamentos. Wagenius também utilizou fóruns de cibercrime, incluindo BreachForums e XSS.is, para anunciar os dados roubados. Documentos judiciais indicam que pelo menos parte das informações foi efetivamente vendida. Dados obtidos nos ataques também foram utilizados em outras fraudes, incluindo SIM swapping, técnica em que criminosos assumem o controle do número de telefone da vítima ao transferi-lo para outro chip ou dispositivo. Promotores também obtiveram registros de pesquisas feitas por Wagenius no Google relacionadas às possíveis consequências de seus atos, deserção das Forças Armadas dos EUA, Rússia, obtenção rápida de passaporte e países que poderiam não extraditá-lo. Os documentos judiciais mencionam três co-conspiradores não identificados, incluindo um localizado no estado de Washington e outro no Canadá. O processo também faz referência a um caso relacionado envolvendo Connor Riley Moucka e John Erin Binns, hackers associados ao roubo de dados de clientes da Snowflake e a ataques anteriores contra empresas de telecomunicações como AT&T e T-Mobile. Moucka concordou em ser extraditado do Canadá para os Estados Unidos e se declarou culpado. Binns, por sua vez, foi detido pelas autoridades turcas em maio de 2024 após ser indiciado por sua participação em um ataque anterior contra a T-Mobile.

  • Botnet Carbonato invade servidores Docker e Kubernetes para minerar criptomoedas

    Pesquisadores de segurança identificaram uma nova botnet chamada Carbonato que está comprometendo ambientes Docker e Kubernetes expostos para instalar mineradores de criptomoedas e ampliar sua infraestrutura. A campanha explora principalmente configurações inseguras e serviços acessíveis pela internet, transformando servidores em recursos para geração clandestina de Monero (XMR). A atividade mostra como os operadores procuram interfaces Docker API expostas e ambientes Kubernetes vulneráveis para obter acesso a servidores baseados em Linux. Depois de localizar uma Docker API acessível sem autenticação adequada, os invasores podem criar containers maliciosos e executar comandos no host. A técnica permite aproveitar funcionalidades legítimas da plataforma de containers em vez de depender exclusivamente da exploração de uma vulnerabilidade específica. A cadeia de ataque utiliza scripts para preparar o sistema comprometido e instalar os componentes necessários à operação. Entre os principais objetivos está a implantação de um minerador de Monero, utilizando recursos de CPU das máquinas infectadas para gerar criptomoedas em benefício dos operadores. O Carbonato também apresenta mecanismos voltados à expansão da botnet. Sistemas comprometidos podem ser utilizados para procurar outros servidores Docker e Kubernetes expostos, permitindo que a campanha se propague pela internet e incorpore novos equipamentos à infraestrutura controlada pelos invasores. Nos ambientes Kubernetes, a campanha procura configurações que possibilitem acesso indevido aos clusters e seus recursos. Uma vez obtidas permissões suficientes, os responsáveis podem executar workloads maliciosos e utilizar a capacidade computacional disponível para mineração. Além da mineração, os operadores empregam técnicas para manter o acesso aos sistemas e dificultar a interrupção da atividade. Isso inclui manipulação de processos e componentes do ambiente Linux, além da tentativa de preservar os workloads maliciosos implantados nos servidores comprometidos. O abuso de Docker e Kubernetes é particularmente relevante porque essas tecnologias frequentemente sustentam aplicações e serviços corporativos em ambientes de nuvem. Uma configuração que exponha interfaces administrativas ou conceda permissões excessivas pode permitir que um invasor transforme rapidamente recursos legítimos de infraestrutura em parte de uma botnet. A campanha também demonstra que o impacto de configurações inseguras em containers vai além do consumo de capacidade computacional provocado pela mineração. O acesso obtido aos hosts ou clusters pode expor aplicações, credenciais, segredos e outros recursos disponíveis no ambiente comprometido. Para reduzir a superfície de ataque, administradores devem evitar a exposição pública de Docker APIs e interfaces administrativas do Kubernetes, restringir acessos por rede, exigir autenticação e aplicar o princípio do menor privilégio. Monitorar a criação inesperada de containers, processos de mineração e consumo anormal de CPU também pode ajudar na identificação de sistemas comprometidos.

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