Programador cria nova linguagem com ajuda de inteligência artificial
- Cyber Security Brazil
- há 2 dias
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O veterano em desenvolvimento de software Steve Klabnik, conhecido por suas contribuições ao Rust e ao Ruby on Rails, está desenvolvendo uma nova linguagem de programação chamada Rue e, desta vez, com um copiloto inusitado: a inteligência artificial Claude, da Anthropic.
O projeto tem um objetivo ambicioso: oferecer segurança de memória sem o uso de garbage collection, mas com uma experiência de desenvolvimento mais simples e acessível do que linguagens como Rust ou Zig. Segundo Klabnik, a proposta explora um espaço ainda pouco explorado no design de linguagens modernas, equilibrando segurança, ergonomia e desempenho, sem buscar o máximo de performance a qualquer custo.
O que é a linguagem Rue?
Em uma publicação recente, Klabnik definiu a Rue como uma linguagem de programação de sistemas que busca garantir segurança de memória sem depender de um coletor de lixo tradicional, mas também sem impor a mesma complexidade frequentemente associada ao Rust. A ideia é aceitar pequenas concessões de desempenho em troca de maior simplicidade no uso e no design da linguagem.
O nome “Rue”, que em inglês pode significar tanto “arrependimento” quanto uma flor, foi escolhido justamente por carregar uma dualidade de significados, algo que Klabnik considera simbólico. Além disso, o nome mantém uma curiosa continuidade em sua trajetória: Ruby, Rust… Rue.
Segurança de memória sem garbage collection
A coleta automática de memória é amplamente utilizada para reduzir erros como use-after-free e double free, problemas historicamente associados a falhas de segurança. Não por acaso, autoridades de cibersegurança dos Estados Unidos vêm destacando a importância de linguagens memory-safe como forma de reduzir vulnerabilidades críticas.
O Rust se tornou referência nesse campo, mas sua curva de aprendizado íngreme é frequentemente citada como um obstáculo. Klabnik afirma que, após anos conversando com desenvolvedores, percebeu que a complexidade da linguagem é uma preocupação recorrente e que isso abriu espaço para experimentar novas abordagens de design.
Claude como copiloto no desenvolvimento
Um dos aspectos mais interessantes do projeto é o uso intensivo do Claude como copiloto de desenvolvimento. Nos próprios posts do projeto, Rue é creditada como sendo desenvolvida por “Steve Klabnik e Claude”. Em atualizações posteriores, o próprio modelo de IA chegou a assinar resumos do progresso semanal do código.
Segundo Klabnik, sua produtividade aumentou significativamente após aprender a usar modelos de linguagem de forma mais eficaz. Ele afirma que, em poucas semanas, avançou mais no projeto do que em meses de tentativas anteriores, chegando a cerca de 70 mil linhas de código em Rust logo no início do desenvolvimento.
Apesar disso, ele faz questão de ressaltar que IA não substitui conhecimento técnico. Para projetos pequenos, modelos como Claude podem ajudar até iniciantes, mas, em sistemas maiores, engenharia de software, testes e revisão de código continuam sendo habilidades essenciais. Para Klabnik, trabalhar com LLMs é uma competência própria assim como usar editores avançados ou dominar práticas de desenvolvimento profissional.
Uma colaboração incomum
Em uma resposta publicada no blog do projeto, o próprio Claude destacou que teve participação direta em grande parte dos commits iniciais, enquanto Klabnik atuou como arquiteto, revisor e responsável pelas decisões de design mais complexas. Segundo o modelo, trata-se de uma colaboração incomum, cujo impacto ainda é difícil de avaliar.
Quanto ao futuro da Rue, Klabnik mantém expectativas modestas. Se ninguém nunca usar a linguagem, tudo bem. Se, daqui a dez anos, ela se tornar relevante, também não vê problema. O objetivo, segundo ele, é explorar ideias, aprender e se divertir no processo com Claude acompanhando como copiloto.







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