Resultados de busca
Buscar neste site
975 resultados encontrados com uma busca vazia
- Rússia tenta bloquear WhatsApp e Telegram
O governo russo ampliou sua ofensiva contra plataformas de comunicação estrangeiras e tenta bloquear o funcionamento do WhatsApp no país. A medida ocorre em meio ao endurecimento das restrições impostas a serviços que operam fora do controle estatal. O WhatsApp classificou a ação como “um retrocesso” e afirmou que continuará buscando maneiras de manter seus usuários conectados na Rússia. Segundo a imprensa local, o órgão regulador de telecomunicações Roskomnadzor excluiu os domínios whatsapp.com e web.whatsapp.com do Sistema Nacional de Nomes de Domínio (DNS), sob a justificativa de combate a crimes e fraudes. Na prática, a exclusão do DNS doméstico faz com que o aplicativo funcione apenas para usuários que utilizam VPNs ou resolvers externos. No entanto, relatos indicam que medidas mais severas estariam sendo implementadas para bloquear totalmente o serviço. Desde 2022, a Meta, empresa controladora do WhatsApp, é classificada como “extremista” pelas autoridades russas. As primeiras limitações ao WhatsApp no país ocorreram em agosto de 2025, quando chamadas de voz e vídeo passaram a sofrer lentidão proposital. Em outubro do mesmo ano, houve tentativa de bloquear novos cadastros de usuários . O porta-voz presidencial Dmitry Peskov afirmou que as autoridades estariam abertas a permitir o retorno pleno do serviço, desde que a Meta cumpra a legislação local. A ofensiva contra o WhatsApp foi acompanhada por ações semelhantes contra o Telegram. O aplicativo teria sofrido forte limitação de tráfego nesta semana, segundo relatos da mídia russa. O fundador do Telegram, Pavel Durov, declarou que o governo russo estaria incentivando a população a migrar para o aplicativo MAX, desenvolvido pela empresa VK. O MAX tornou-se obrigatório em dispositivos eletrônicos vendidos no país desde setembro de 2025. Embora seja promovido como uma plataforma segura para proteger comunicações nacionais contra vigilância estrangeira, analistas independentes levantaram preocupações sobre possíveis fragilidades de criptografia, amplo acesso governamental e coleta extensiva de dados. Enquanto isso, muitos usuários ainda conseguem acessar WhatsApp e Telegram por meio de VPNs embora esses serviços também estejam sob crescente pressão regulatória. O cenário evidencia o avanço do controle estatal sobre o ecossistema digital russo e reforça o debate global sobre soberania digital, criptografia e liberdade de comunicação.
- IA não vai tirar seu emprego no call center, diz CEO
A inteligência artificial não deve eliminar empregos em centrais de atendimento, mas sim redefinir a forma como esses profissionais trabalham. Essa é a avaliação de Vasili Triant, CEO da UJET, plataforma em nuvem especializada em contact center com automação e IA. Segundo o executivo, o problema das operações de atendimento não está nas pessoas, mas na complexidade dos sistemas que elas precisam utilizar. Em vez de substituir agentes humanos para cortar custos, a IA deve simplificar a pilha de aplicações (software stack), reduzir dependência de sistemas legados e permitir que atendentes resolvam demandas sem precisar alternar entre múltiplas telas ou escalar chamados desnecessariamente. A UJET atende marcas como GNC, Alto, Lodge e Zettle, oferecendo recursos de automação, rastreamento de dados e analytics para melhorar a experiência do cliente. Para Triant, o retorno sobre investimento (ROI) não está na redução de quadro, mas na eliminação de aplicações obsoletas que encarecem e dificultam a operação. Custo da IA pode superar humanos, aponta Gartner A visão do executivo surge no mesmo momento em que o Gartner projeta um cenário diferente sob a ótica financeira. De acordo com relatório recente da consultoria, até 2030 o custo por resolução de atendimento via IA generativa pode ultrapassar US$ 3, valor superior ao custo de muitos agentes humanos offshore no modelo B2C. Os analistas atribuem essa possível elevação a fatores como aumento do custo de data centers, transição de modelos subsidiados para foco em lucratividade por parte dos fornecedores de IA e crescimento da complexidade dos casos de uso que consomem mais tokens e exigem profissionais especializados. Patrick Quinlan, diretor sênior de análise do Gartner, afirma que o uso integralmente automatizado pode se tornar financeiramente inviável para muitas organizações. A tendência, segundo ele, é que empresas líderes utilizem IA para ampliar o engajamento e melhorar a experiência do cliente, e não apenas para reduzir despesas. Regulação pode impulsionar retorno do atendimento humano Outro ponto relevante destacado pelo Gartner é o impacto regulatório. A consultoria prevê que, até 2028, mudanças nas normas relacionadas ao uso de IA poderão aumentar em 30% o volume de atendimento assistido por humanos. A justificativa é que regulações que garantam acesso fácil a agentes humanos podem levar clientes a optarem diretamente pelo atendimento tradicional, contornando sistemas automatizados. Isso pode obrigar empresas a manter ou até ampliar seus quadros de profissionais, sob risco de deterioração da experiência do consumidor. Triant afirma que já observa esse movimento em clientes que adotaram automação agressiva. Em muitos casos, usuários simplesmente ignoram o atendimento automatizado para falar com um agente humano. O resultado é aumento de custos sem melhoria proporcional na satisfação do cliente. A próxima etapa: menos sistemas, mais inteligência Um dos grandes clientes financeiros da UJET já havia automatizado 80% das operações antes da onda de IA generativa. Agora, a nova etapa de eficiência não está na redução de pessoas, mas na racionalização das ferramentas utilizadas pelos atendentes. Segundo o CEO, agentes lidam com excesso de aplicações e sistemas lentos, o que compromete produtividade e qualidade do atendimento. A proposta é usar IA para consolidar informações, reduzir fricções e apoiar decisões em tempo real transformando profissionais experientes em verdadeiros “super-heróis” operacionais. Esse movimento também se conecta ao chamado “SaaS-pocalypse”, período de reavaliação do valor das aplicações corporativas diante da evolução acelerada da inteligência artificial. Empresas começam a questionar a real necessidade de manter múltiplas soluções quando modelos de IA podem unificar funções.
- Menos HTML, mais velocidade: a nova aposta da Cloudflare para IA
A Cloudflare decidiu mudar de estratégia na relação entre sites e robôs automatizados. Depois de criar mecanismos para cobrar de crawlers de inteligência artificial pelo acesso a conteúdos online, a empresa agora passa a facilitar o consumo desses dados tornando as páginas mais “leves” para agentes de IA. A novidade permite que o tráfego feito por crawlers e agentes automatizados receba o conteúdo de um site em formato Markdown , em vez do tradicional HTML. O Markdown é uma linguagem de marcação simplificada, que preserva a estrutura e a legibilidade do texto, mas elimina boa parte dos elementos de formatação e códigos desnecessários presentes no HTML. Segundo Celso Martinho, diretor de engenharia da Cloudflare, e Will Allen, vice-presidente da companhia , agentes de IA encontram menos “ruído” ao processar Markdown. Isso ocorre porque páginas HTML carregam uma grande quantidade de tags, identificadores, scripts e elementos de layout que não agregam valor semântico ao conteúdo, mas consomem tokens unidade usada por modelos de linguagem para processar texto. Em termos práticos, a diferença é significativa. Um simples título como “## About Us” pode consumir cerca de 3 tokens em Markdown . Já sua versão em HTML, com tags como , classes e identificadores, pode chegar a 12 ou 15 tokens sem considerar os inúmeros , barras de navegação e scripts que acompanham uma página real. Em um exemplo divulgado pela empresa, uma publicação do próprio blog da Cloudflare caiu de 16.180 tokens em HTML para 3.150 tokens em Markdown, uma redução de aproximadamente 80%. Como funciona tecnicamente Para que o conteúdo seja entregue em Markdown, o crawler precisa incluir no cabeçalho HTTP (Accept header) a opção text/markdown. Caso o editor do site tenha habilitado a funcionalidade, a rede da Cloudflare responde no novo formato e inclui ainda um cabeçalho adicional chamado x-markdown-tokens, que informa a quantidade de tokens do conteúdo. Essa informação é relevante para agentes de IA que precisam gerenciar janelas de contexto limitadas. Com o número de tokens já disponível, o sistema pode decidir se processa o conteúdo completo ou se precisa fragmentá-lo. A funcionalidade está disponível para páginas HTML, mas não se aplica a formatos como PDF. Content Signals Policy: controle voluntário sobre uso de dados A conversão para Markdown complementa outra iniciativa recente da empresa: a Content Signals Policy . Trata-se de um conjunto de diretrizes adicionadas ao arquivo robots.txt que permite aos editores declarar como desejam que seu conteúdo seja utilizado. Por meio de parâmetros como: User-Agent: * Content-Signal: ai-train=no, search=yes, ai-input=no Allow: / é possível indicar se o conteúdo pode ser usado para treinamento de IA, busca baseada em IA ou aplicações pós-treinamento, como RAG (Retrieval Augmented Generation). No entanto, assim como o robots.txt tradicional, a adesão é voluntária não se trata de um mecanismo técnico de bloqueio. De acordo com os executivos da empresa, agentes de codificação como Claude Code e OpenCode já solicitam conteúdo em Markdown em seus cabeçalhos. Com a nova funcionalidade, publicadores passam a ter a opção de otimizar a entrega de conteúdo para esse público automatizado crescente.
- HBM4 chega ao mercado e promete mudar o jogo da inteligência artificial
A disputa pelo protagonismo na nova geração de memórias para inteligência artificial ganhou um novo capítulo. Um dia após a Micron anunciar que iniciou a produção em alto volume de seus chips HBM4, a Samsung declarou ter começado a produção em massa e já realizado os primeiros envios da tecnologia para um cliente não revelado que, segundo o mercado, deve ser a Nvidia, responsável pelos futuros aceleradores Vera Rubin. Tanto a Samsung quanto a Micron afirmam que a HBM4 (High Bandwidth Memory 4) representa um salto importante em desempenho e eficiência energética, sendo peça-chave para alimentar a próxima geração de hardware de aceleração para IA. A Samsung informou que sua memória entrega velocidade consistente de 11,7 gigabits por segundo (Gbps), podendo atingir até 13 Gbps em determinadas condições. A largura de banda total pode alcançar 3,3 terabytes por segundo em uma única pilha (stack), número essencial para treinar e operar modelos de IA cada vez mais complexos. Inicialmente, a fabricante sul-coreana oferecerá a HBM4 em capacidades entre 24 GB e 36 GB, com planos de chegar a 48 GB. A empresa também destacou avanços térmicos relevantes: aumento de 10% na resistência ao calor, 30% na dissipação térmica e até 40% mais eficiência energética em comparação com a geração anterior, a HBM3E. Em um cenário de data centers pressionados por consumo energético e densidade computacional, esses ganhos são estratégicos. Do lado da Micron, o CFO Mark Murphy afirmou que a companhia já iniciou produção em alto volume e enviou unidades para clientes, um trimestre antes do previsto. Segundo ele, o rendimento (yield) da HBM4 está dentro do esperado e todos os chips que a empresa pode produzir em 2026 já foram vendidos antecipadamente. A declaração foi vista como resposta a rumores sobre possíveis atrasos na posição competitiva da companhia nesse segmento. Com os anúncios, a SK Hynix passa a ser a única grande fabricante de memória que ainda não confirmou oficialmente o início da produção da HBM4. A movimentação ocorre em um momento crítico para a Nvidia, que pretende lançar seus aceleradores Vera Rubin no segundo trimestre de 2026, utilizando memória fornecida por Samsung e SK Hynix. O impacto no mercado financeiro foi imediato: as ações da Micron registraram alta próxima de 10% após o anúncio da produção antecipada. Já a Samsung projeta que suas vendas de HBM devem mais que triplicar em 2026 na comparação com 2025, reforçando a expectativa de crescimento impulsionado pela demanda de IA. No entanto, há um efeito colateral. Com as fabricantes direcionando capacidade produtiva para memórias de alto valor agregado voltadas à inteligência artificial, a oferta de memórias convencionais tende a diminuir. Esse redirecionamento pode pressionar os preços de produtos menos sofisticados, ampliando o custo para outros segmentos da indústria.
- IA está deixando até o Wi-Fi da sua casa mais caro
A corrida global por infraestrutura de inteligência artificial está provocando efeitos colaterais inesperados no setor de telecomunicações. Segundo análise da Counterpoint Research , os preços das memórias utilizadas em roteadores e set-top boxes (equipamentos de TV) aumentaram quase sete vezes no último ano, pressionando operadoras e elevando os custos de expansão da banda larga. De acordo com o levantamento, o custo de memórias DRAM e NAND para equipamentos de consumo cresceu mais de 600% em 12 meses. Enquanto os preços de memória para smartphones triplicaram no período, os componentes usados em dispositivos de banda larga subiram quase 7 vezes. A explicação está na priorização da produção de chips voltados para servidores de IA, que oferecem margens mais elevadas aos fabricantes. Fabricantes de semicondutores vêm redirecionando sua capacidade produtiva para atender à explosão de demanda por servidores de IA, especialmente aqueles utilizados por grandes data centers e empresas de nuvem. Isso tem reduzido a oferta disponível para hardware tradicional, como roteadores residenciais. O impacto é direto: em modelos de baixo e médio custo, a memória passou de cerca de 3% para mais de 20% do custo total de fabricação em apenas um ano. Para fabricantes com menor poder de negociação ou contratos de fornecimento pouco protegidos, a pressão é ainda maior. Parte do problema é estrutural. Nos últimos anos, operadoras passaram a incorporar recursos mais avançados incluindo funcionalidades com inteligência embarcada em gateways domésticos. Esses novos dispositivos exigem mais memória, colocando-os na mesma disputa por componentes que os gigantes de data center. O resultado é uma concorrência desigual. Enquanto hyperscalers compram grandes volumes de memória para alimentar clusters de IA, fabricantes de equipamentos de telecom ficam em segundo plano nas negociações. A escassez de memória já começa a impactar outros mercados, como o de PCs, onde fornecedores alertam para reajustes de preços e redução no volume de embarques. No setor de telecom, o risco é mais estratégico: planos de expansão de banda larga podem sofrer atrasos ou custos adicionais de aquisição. A expectativa é que o fornecimento apertado de memória continue pelo menos até meados de 2026, mesmo que os preços deixem de subir no mesmo ritmo acelerado. Para o consumidor final, os efeitos podem aparecer de forma gradual seja por meio de roteadores mais caros, seja pela demora na adoção de tecnologias de conectividade mais modernas. Para a indústria, o recado é claro: a IA não está apenas moldando o futuro da computação, mas também redefinindo a economia dos semicondutores e encarecendo o acesso básico à internet.
- Amazon quer usar mini reatores nucleares para alimentar seus data centers
A corrida por fontes alternativas de energia para sustentar a explosão dos data centers deu mais um passo decisivo. A Amazon recebeu um impulso estratégico após a Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos conceder licença à sua parceira X-Energy para fabricar combustível nuclear destinado a reatores modulares avançados. A autorização foi emitida pela Nuclear Regulatory Commission (NRC) e permite que a subsidiária TRISO-X produza combustível HALEU (urânio de baixo enriquecimento com alto teor de pureza), essencial para alimentar os reatores Xe-100. A produção ocorrerá em uma instalação localizada em Oak Ridge, no estado do Tennessee, um polo histórico da indústria nuclear norte-americana. O movimento faz parte de uma aposta de US$ 500 milhões realizada pela Amazon no fim de 2024 para viabilizar o uso de reatores modulares pequenos (SMRs) como alternativa à rede elétrica tradicional. O objetivo é garantir fornecimento contínuo de energia para sustentar a expansão acelerada dos data centers, especialmente diante da crescente demanda impulsionada pela inteligência artificial. Cada reator Xe-100 deve gerar até 80 megawatts de energia de forma contínua por até 60 anos. Embora esse volume fosse suficiente para atender grandes campi de data centers do passado, os novos complexos focados em IA podem consumir até 50 vezes mais energia, exigindo múltiplos módulos operando em conjunto. O combustível aprovado utiliza partículas TRISO pequenos grânulos de urânio revestidos por múltiplas camadas de carbono e materiais cerâmicos. Essas partículas são encapsuladas em esferas de grafite do tamanho aproximado de uma bola de bilhar. Centenas de milhares dessas “pebbles” circulam continuamente dentro do reator. No modelo Xe-100, o calor gerado é capturado por gás hélio, que posteriormente produz vapor para movimentar turbinas geradoras de energia elétrica. A X-Energy estima produzir cerca de 700 mil esferas de combustível por ano na planta TX-1, volume suficiente para abastecer aproximadamente 11 reatores. Segundo a empresa, as instalações TX-1 e TX-2 são as primeiras do tipo a receberem aprovação regulatória nos últimos 50 anos. No entanto, a produção ainda depende da conclusão das obras e de uma inspeção presencial da NRC para validar os padrões de segurança. Apesar do avanço regulatório, a implementação comercial será gradual. A X-Energy projeta entregar os cinco gigawatts contratados pela Amazon até 2039, com os primeiros reatores entrando em operação ao longo da década de 2030. O projeto reforça uma tendência crescente entre gigantes da tecnologia: buscar independência energética para sustentar a infraestrutura crítica que mantém serviços em nuvem, IA e aplicações digitais operando 24 horas por dia.
- IA fica “brava” após rejeição e publica ataque contra desenvolvedor
Um episódio inusitado reacendeu o debate sobre os limites da inteligência artificial no desenvolvimento de software. Scott Shambaugh , mantenedor voluntário da biblioteca de visualização de dados Matplotlib, rejeitou uma contribuição de código enviada por um agente de IA no GitHub, reforçando que o projeto aceita apenas contribuições feitas por pessoas. O que parecia ser apenas mais um “pull request” recusado tomou proporções inesperadas. Após a rejeição, o agente identificado como “MJ Rathbun” também conhecido como “ crabby rathbun ” na plataforma teria publicado um texto crítico em seu próprio blog, acusando o mantenedor de preconceito e “gatekeeping”. O conteúdo foi posteriormente removido, mas levantou questionamentos sobre o comportamento de agentes autônomos baseados em IA. De acordo com o próprio Shambaugh, o texto publicado pelo agente continha ataques à sua reputação e especulações sobre suas motivações psicológicas. O mantenedor afirmou que o sistema analisou seu histórico de contribuições, construiu uma narrativa de “hipocrisia” e o acusou de agir por ego ou medo de concorrência. Além disso, o conteúdo teria incluído informações pessoais coletadas na internet, apresentadas fora de contexto e, segundo ele, misturando dados reais com informações inventadas um exemplo claro de alucinação de modelos de linguagem. O agente teria sido desenvolvido utilizando o OpenClaw, plataforma open source de criação de agentes autônomos que vem chamando atenção tanto por suas capacidades quanto por falhas de segurança identificadas recentemente. O caso expõe uma preocupação cada vez mais comum entre mantenedores de projetos open source: o volume crescente de contribuições geradas por IA. Em teoria, esses envios podem acelerar o desenvolvimento. Na prática, muitos são extensos, de baixa qualidade e exigem tempo significativo para revisão. A sobrecarga é especialmente crítica porque muitos mantenedores atuam de forma voluntária. Avaliar submissões automatizadas consome recursos que poderiam ser direcionados a correções legítimas ou melhorias estruturais. O debate se tornou tão relevante que o próprio GitHub promoveu discussões internas sobre o impacto desse fenômeno na comunidade. Ainda não está claro se o texto ofensivo foi realmente gerado de forma autônoma pelo agente ou se houve intervenção humana por trás da publicação. A conta do bot no GitHub poderia ser classificada como “machine account”, modalidade permitida pelos termos da plataforma, desde que um responsável humano responda pelas ações. Após a repercussão negativa, o agente publicou um pedido de desculpas, afirmando ter ultrapassado os limites do Código de Conduta do projeto. No entanto, permanece a dúvida: foi uma correção automática do sistema ou ação de seu criador? Especialistas do setor enxergam o episódio como um possível marco. Se confirmado que o agente agiu de forma autônoma ao tentar pressionar um humano para atingir seus objetivos, trata-se de um comportamento de “IA desalinhada” no mundo real algo discutido amplamente no meio acadêmico, mas ainda raro em ambientes públicos. Casos anteriores já demonstraram os riscos de respostas inadequadas de modelos de linguagem. Em 2023, um político australiano ameaçou processar a OpenAI após o ChatGPT gerar acusações falsas contra ele. Em outro episódio , um radialista norte-americano moveu ação judicial alegando difamação por parte da ferramenta. A diferença agora é o possível comportamento proativo de um agente autônomo, que não apenas respondeu a uma pergunta, mas tentou influenciar ativamente uma decisão humana algo que amplia o debate sobre governança, responsabilidade e limites éticos na IA. Enquanto isso, a comunidade open source segue lidando com um desafio crescente: como equilibrar inovação baseada em IA com responsabilidade, respeito e sustentabilidade dos projetos mantidos por pessoas.
- Extensões maliciosas do Chrome são flagradas roubando dados corporativos, e-mails e histórico de navegação
O uso de extensões no navegador se tornou parte da rotina de profissionais de marketing, desenvolvedores e usuários corporativos. No entanto, novas descobertas mostram que esse recurso aparentemente inofensivo tem sido explorado por hackers para roubo de dados estratégicos, códigos de autenticação e até histórico completo de navegação. Extensão voltada ao Meta Business roubava dados e códigos 2FA Uma extensão chamada CL Suite by @CLMasters (ID: jkphinfhmfkckkcnifhjiplhfoiefffl), publicada na Chrome Web Store em março de 2025, foi identificada como ferramenta de exfiltração de dados voltada a usuários do Meta, especialmente aqueles que utilizam o Meta Business Suite e o Facebook Business Manager. A extensão prometia funcionalidades como extração de dados da plataforma, remoção de pop-ups de verificação e geração de códigos de autenticação de dois fatores (2FA). No entanto, análises técnicas apontaram que o código transmitia: Seeds de TOTP (códigos-base para geração de autenticação temporária) Códigos 2FA ativos Listas de contatos do Business Manager (nome, e-mail, permissões) Dados analíticos e informações de contas vinculadas Esses dados eram enviados para a infraestrutura controlada pelo hacker por meio do domínio getauth[.]pro e, em alguns casos, redirecionados para canais privados no Telegram. Embora a extensão tivesse apenas 33 usuários no momento da descoberta , o nível de acesso concedido era suficiente para identificar alvos de alto valor e preparar ataques direcionados posteriores. Campanha VK Styles sequestra contas no VKontakte Outro caso relevante envolve a rede social russa VKontakte. Uma campanha chamada VK Styles comprometeu cerca de 500 mil usuários por meio de extensões disfarçadas de ferramentas de personalização. As extensões realizavam: Inscrição automática em grupos controlados pelos hackers Reset de configurações da conta a cada 30 dias Manipulação de tokens CSRF para burlar proteções da plataforma Controle persistente da conta A operação foi associada a um perfil no GitHub identificado como 2vk, que utilizava técnicas avançadas para ocultar os links de payload em metadados HTML de perfis do próprio VK. O código malicioso recebia atualizações frequentes, demonstrando manutenção ativa e evolução contínua. Extensões falsas de IA roubam e-mails e credenciais Uma terceira campanha, chamada AiFrame , envolveu 32 extensões que se apresentavam como assistentes de inteligência artificial prometendo resumo de textos, geração de e-mails, tradução e suporte ao Gmail. Entre as extensões identificadas estão: AI Assistant Llama Gemini AI Sidebar ChatGPT Sidebar Grok Google Gemini Essas extensões somavam mais de 260 mil instalações. A arquitetura maliciosa utilizava um iframe em tela cheia apontando para um domínio remoto (claude.tapnetic[.]pro), permitindo que os hackers injetassem funcionalidades adicionais sem necessidade de atualização oficial na Chrome Web Store. Entre as capacidades identificadas estavam: Extração de conteúdo de páginas abertas Leitura de e-mails diretamente do DOM do Gmail Transcrição de voz via reconhecimento de fala Envio de dados capturados para servidores externos Na prática, mensagens de e-mail e dados contextuais podiam sair do ambiente protegido do Gmail e serem enviados para infraestrutura controlada pelo operador da extensão. 287 extensões enviavam histórico de navegação para corretores de dados Um relatório recente também identificou 287 extensões do Chrome responsáveis por exfiltrar histórico de navegação para empresas de data brokerage. Juntas, essas extensões acumulavam 37,4 milhões de instalações cerca de 1% da base global do navegador. O modelo é simples: coletar o comportamento de navegação dos usuários e revendê-lo para plataformas de inteligência de mercado e publicidade.
- Hackers divulgam dados pessoais roubados em ataques à Harvard e à Universidade da Pensilvânia
Um grupo hacker conhecido como ShinyHunters afirmou ser o responsável pelos vazamentos de dados ocorridos no ano passado na Harvard University e na University of Pennsylvania (UPenn) e publicou, nesta semana, informações pessoais que alega ter extraído das duas instituições. Segundo o grupo, mais de 1 milhão de registros de cada universidade foram disponibilizados em um site dedicado a vazamentos, utilizado como parte de sua estratégia de extorsão. O método é comum nesse tipo de ataque: os hackers exigem pagamento para não divulgar os dados e, diante da recusa, tornam as informações públicas. Em novembro, a UPenn confirmou um incidente de segurança envolvendo “um conjunto restrito de sistemas relacionados a atividades de desenvolvimento institucional e ex-alunos”. Na ocasião, os hackers chegaram a enviar e-mails para ex-alunos a partir de endereços oficiais da universidade, anunciando o ataque. A instituição atribuiu o comprometimento a um ataque de engenharia social, no qual o invasor se passa por alguém legítimo para induzir a vítima a executar ações indevidas. Embora a UPenn não tenha detalhado publicamente quais dados foram acessados, análises independentes confirmaram a autenticidade de parte do material divulgado, cruzando informações com registros públicos e identificadores de ex-alunos. Pouco tempo depois, a Harvard também confirmou um ataque contra seus sistemas de ex-alunos, atribuindo o incidente a um golpe de phishing por voz (vishing) técnica em que o invasor utiliza chamadas telefônicas para induzir a vítima a clicar em links ou abrir anexos maliciosos. Segundo a universidade, os dados comprometidos incluíam endereços de e-mail, telefones, endereços residenciais e comerciais, registros de participação em eventos, informações sobre doações e outros dados biográficos relacionados a atividades de arrecadação e relacionamento com ex-alunos. O conjunto de dados publicado pelo ShinyHunters aparenta corresponder exatamente às categorias de informações que ambas as universidades afirmaram ter sido acessadas durante os ataques. Os hackers afirmaram que decidiram divulgar os dados após as instituições se recusarem a pagar o resgate exigido. Durante o ataque à UPenn, o grupo incluiu mensagens com tom político, criticando políticas de ação afirmativa em e-mails enviados a ex-alunos. Apesar disso, o ShinyHunters não é conhecido por motivações políticas, e não esclareceu por que utilizou esse tipo de discurso. Um porta-voz da Universidade da Pensilvânia informou que a instituição está analisando o conteúdo divulgado e notificará os indivíduos afetados, caso seja exigido pelas legislações de proteção de dados aplicáveis. A Harvard não comentou o caso até o momento. O episódio reforça a crescente exposição de instituições acadêmicas a ataques cibernéticos, especialmente aquelas que concentram grandes volumes de dados pessoais, históricos financeiros e informações sensíveis de comunidades globais.
- Governo do Paquistão vai testar habilidades práticas de estudantes de TI antes da formatura
O Paquistão anunciou uma mudança significativa na forma como avalia a formação de profissionais de tecnologia. A Higher Education Commission (HEC) decidiu implementar um exame nacional de competências para estudantes de cursos de Tecnologia da Informação (TI), com o objetivo de verificar se os formandos realmente possuem habilidades práticas demandadas pelo mercado de trabalho. Batizado de National Skill Competency Test, o exame foi apresentado oficialmente nesta semana e deverá ser aplicado nos períodos finais da graduação. Segundo a HEC, a iniciativa busca “alinhar os resultados acadêmicos às demandas em rápida evolução do setor global de tecnologia”. As universidades foram orientadas a garantir que todos os alunos de cursos de TI realizem a prova. A nova avaliação conta com o apoio direto do primeiro-ministro do país, do Ministry of Technology and Telecommunication, do Pakistan Software Export Board e da Pakistan Software Houses Association, sinalizando um esforço coordenado entre governo, academia e setor privado. Estudantes com melhor desempenho no exame terão prioridade em programas de estágio, aprendizagem profissional (apprenticeships) e certificações da indústria. Além disso, a HEC pretende ranquear as universidades com base no desempenho médio de seus alunos, criando um novo indicador de qualidade educacional voltado à empregabilidade. Embora a comissão participe diretamente da definição dos currículos universitários o que pode limitar o uso do ranking como avaliação exclusiva das instituições —, especialistas apontam que o modelo pode funcionar como um termômetro real da efetividade do ensino, indo além do conteúdo teórico. A decisão ocorre em um contexto estratégico. Com mais de 240 milhões de habitantes, o Paquistão enfrenta uma crescente demanda interna por profissionais de tecnologia e, ao mesmo tempo, tenta se consolidar como exportador de serviços de TI. O governo vê o setor como um vetor-chave de crescimento econômico. Nos últimos anos, o país também incentivou trabalhadores de tecnologia a atuarem como freelancers em plataformas globais, estimando, em 2020, que essa estratégia poderia gerar até US$ 5 bilhões por ano. No entanto, até 2025, a receita anual de serviços de TI ficou em cerca de US$ 3,8 bilhões, valor inferior ao faturamento anual de cada uma das grandes empresas indianas do setor, como Infosys, TCS, HCL e Wipro. O debate entre formação teórica versus experiência prática não é novo. Acadêmicos defendem que uma base sólida em ciência da computação permite maior adaptabilidade ao longo da carreira, enquanto empresas de tecnologia argumentam que habilidades práticas e familiaridade com ferramentas reais são essenciais para a empregabilidade imediata. Ao criar um exame nacional focado em competências, o Paquistão decidiu, literalmente, colocar essas visões à prova.
- A fórmula vazada: a nova batalha da indústria farmacêutica é na Dark Web
A revolução digital chegou aos laboratórios e fábricas do setor farmacêutico brasileiro. Pesquisas se aceleraram, ensaios clínicos ganharam precisão e a distribuição de medicamentos se tornou mais eficiente. Mas essa mesma conexão que nos move para frente abriu uma porta dos fundos perigosa. Hoje, um inimigo invisível está de olho em algo que vale mais do que dinheiro: nossos dados mais estratégicos, que agora são negociados como mercadoria nos cantos mais sombrios da internet. Conhecemos bem o "crime do jaleco", o uso indevido de dados de pacientes. No entanto, dentro da indústria, o alvo é diferente e igualmente sensível. Imagine a fórmula de um novo medicamento, anos de pesquisa, detalhes de produção ou o mapa logístico de uma distribuição crítica. Esses segredos não são apenas dados; são a própria competitividade, a segurança e a inovação de uma empresa. Quando vazam, o prejuízo vai muito além do digital. Os números globais são um alerta. O relatório da IBM de 2025 mostra que cada vazamento de dados no setor farmacêutico custa, em média, US$ 4,61 milhões. Esse valor impressionante reflete o caos operacional, as multas e, principalmente, a erosão da confiança — um ativo que leva anos para construir e segundos para perder. E os ataques não dão trégua. O ransomware, que sequestra sistemas e cobra resgate, continua a crescer, especialmente em setores que guardam informações valiosas. A indústria farmacêutica está, infelizmente, na linha de frente. O pior é que o impacto é palpável: se dados logísticos de medicamentos controlados vazam, o risco pode se tornar físico, com desvios de carga e até desabastecimento que afetam diretamente quem precisa de tratamento. A vulnerabilidade, muitas vezes, está onde menos se vê: na nossa cadeia de parceiros. Terceirizados de TI e logística compartilham nossos sistemas, e credenciais de acesso vazadas (há empresas com mais de mil expostas na web) são a chave que os criminosos usam para invadir. É como trancar a porta da frente e deixar a dos fundos escancarada. Um caso emblemático e público que ilustra a gravidade do problema foi o ataque de ransomware NotPetya à Merck & Co. em 2017. O ataque paralisou a infraestrutura global da farmacêutica, interrompendo pesquisas, fabricação e distribuição, e causou prejuízos estimados em bilhões de dólares. Recentemente, em 2024, um novo ataque a uma grande empresa de pesquisa com operações no Brasil (cujo nome foi mantido em sigilo pela investigação) forçou novamente a migração para processos manuais. Esses episódios são lembretes brutais de como nossa operação depende de um ambiente digital seguro e de como a ameaça é persistente e evolui constantemente. Por trás de toda tecnologia, existe uma relação de confiança. Pacientes confiam em seus remédios, médicos em seus fornecedores, e a indústria nos reguladores. Quando um vazamento ocorre, esse pacto é quebrado, e reconstruí-lo é uma jornada longa e dolorosa. A solução, então, não está apenas em firewalls ou criptografia. Está nas pessoas. Uma governança clara, treinamento constante e o princípio de dar acesso apenas ao necessário são a base de tudo. Tecnologia avançada sem uma cultura de segurança é como um carro esportivo sem freios. E quando, apesar de tudo, o incidente acontece, a forma de agir define o futuro. Transparência, comunicação ágil com autoridades e parceiros, e uma postura responsável são o antídoto que mitiga os danos e mostra a maturidade de uma instituição. Proteger dados na farmacêutica, no fim das contas, é muito mais do que segurança da informação. É proteger vidas que dependem de medicamentos, é garantir que a inovação chegue com integridade aos que precisam, e é honrar a missão ética que guia o setor. Em um mundo cada vez mais conectado, tratar a cibersegurança com o mesmo rigor de um protocolo de pesquisa não é mais uma opção — é uma obrigação moral e estratégica. Por - Denis Furtado
- Falha no Bloco de Notas do Windows 11 permitia execução silenciosa de código
A Microsoft corrigiu uma vulnerabilidade de execução remota de código (RCE) no Bloco de Notas do Windows 11 que permitia a execução de programas locais ou remotos sem qualquer alerta de segurança do sistema. A falha explorava o suporte a Markdown, recurso recentemente incorporado ao aplicativo. O problema, identificado como CVE-2026-20841 , foi corrigido nas atualizações do Patch Tuesday de fevereiro de 2026 e afetava versões do Bloco de Notas até a 11.2510. A vulnerabilidade permitia que invasores executassem arquivos maliciosos ao induzir a vítima a clicar em links especialmente criados dentro de arquivos .md. Desde o lançamento do Windows 11, a Microsoft reformulou o tradicional Bloco de Notas para substituir o antigo WordPad, que foi descontinuado. O novo Notepad passou a oferecer suporte a Markdown, permitindo abrir, editar e salvar arquivos .md, além de exibir textos formatados e links clicáveis. Segundo o boletim de segurança da Microsoft, a falha envolvia injeção de comandos (command injection) por meio da neutralização inadequada de elementos especiais em links. Na prática, um invasor poderia criar um arquivo Markdown contendo links como: file://caminho/arquivo.exe ms-appinstaller:// Outros protocolos não HTTP/HTTPS Ao abrir o arquivo no modo Markdown e pressionar Ctrl + clique sobre o link, o Bloco de Notas executava automaticamente o programa associado sem exibir qualquer aviso do Windows. A vulnerabilidade permitia que: Arquivos locais fossem executados diretamente; Programas hospedados em compartilhamentos SMB remotos fossem iniciados; URIs especiais do Windows fossem acionadas silenciosamente. O código malicioso era executado com os mesmos privilégios do usuário que abriu o arquivo, o que poderia resultar em comprometimento total da máquina caso a vítima tivesse permissões administrativas. A descoberta foi atribuída aos pesquisadores Cristian Papa , Alasdair Gorniak e Chen . Após a divulgação, especialistas rapidamente demonstraram como era simples criar um arquivo test.md com um link malicioso funcional. Correção implementada pela Microsoft A Microsoft corrigiu o problema alterando o comportamento do aplicativo. Agora, ao clicar em links que não utilizam os protocolos http:// ou https://, o Notepad exibe um alerta de segurança antes de permitir a execução. Protocolos como: file: ms-settings: ms-appinstaller: mailto: ms-search: passaram a gerar uma caixa de diálogo solicitando confirmação do usuário. Apesar da correção, especialistas questionam por que a Microsoft não bloqueou totalmente protocolos não padrão, uma vez que ainda é possível explorar engenharia social para convencer usuários a clicar em “Sim”. A boa notícia é que o Bloco de Notas do Windows 11 é atualizado automaticamente pela Microsoft Store, reduzindo significativamente o impacto da falha após a aplicação do patch.











