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  • 5 sinais de que sua operação está mais exposta a ataques do que parece

    Por - Marcelo Tebet Sua empresa pode ter antivírus, firewall, backup e políticas de segurança e, ainda assim, estar mais vulnerável do que imagina. Entenda os sinais que indicam uma exposição maior ao risco cibernético e por que identificar essas brechas antes de um incidente é tão importante. A percepção de que uma empresa está protegida costuma estar associada à quantidade de ferramentas de segurança que ela possui. Há um antivírus instalado nos computadores, um firewall controlando a rede, soluções de backup, políticas de acesso e, em alguns casos, até uma equipe responsável pela tecnologia. À primeira vista, isso pode transmitir a sensação de que os principais riscos já estão sob controle. O problema é que cibersegurança não é determinada apenas pela presença de ferramentas. Uma empresa pode utilizar tecnologias adequadas e ainda apresentar falhas relacionadas a identidade, permissões, proteção de dados, configuração, monitoramento ou capacidade de recuperação. Segurança é resultado da combinação entre pessoas, processos, tecnologias e, principalmente, da forma como esses elementos são administrados. É por isso que avaliar a exposição cibernética exige olhar para o funcionamento real da operação. Mais do que perguntar quais soluções estão contratadas, é necessário entender quem possui acesso aos sistemas, como esses acessos são controlados, quais informações são críticas, como os dados circulam e se a empresa conseguiria recuperar sua operação diante de um incidente. Alguns sinais ajudam a identificar quando essa estrutura merece uma avaliação mais cuidadosa. Por que a maioria das empresas percebe suas vulnerabilidades tarde demais? Um dos principais desafios da segurança da informação é que muitas vulnerabilidades não produzem nenhum sintoma enquanto não são exploradas. Um colaborador que mantém acesso a um sistema depois de mudar de função, por exemplo, pode não representar nenhum problema durante meses. Da mesma forma, uma informação sensível armazenada sem controles adequados pode permanecer intacta até que uma credencial seja comprometida ou um arquivo seja compartilhado indevidamente. Isso cria uma situação perigosa: a ausência de um incidente não significa necessariamente a ausência de risco. A exposição cibernética está relacionada à possibilidade de um evento comprometer a confidencialidade, integridade ou disponibilidade das informações e dos sistemas. Por isso, uma avaliação de segurança precisa considerar não apenas os ataques que já aconteceram, mas também as condições que poderiam permitir que eles acontecessem. É nesse ponto que alguns sinais da operação cotidiana se tornam importantes. 1. Existem acessos que ninguém sabe exatamente por que continuam ativos A gestão de acessos é uma das bases da segurança da informação. Afinal, para proteger os dados de uma empresa, é necessário saber quem pode acessar cada informação, sistema ou recurso e por qual motivo. Na prática, porém, permissões podem permanecer ativas mesmo depois de mudanças de função, desligamentos ou alterações nas responsabilidades de um colaborador. Também é comum encontrar usuários com mais privilégios do que realmente precisam para executar suas atividades. Esse cenário aumenta a superfície de ataque. Se uma conta for comprometida, o impacto potencial não dependerá apenas da senha utilizada, mas também de tudo aquilo que aquela identidade consegue acessar. Por isso, uma política de controle de acesso precisa considerar princípios como menor privilégio, revisão periódica de permissões, autenticação adequada e revogação de acessos quando eles deixam de ser necessários. A pergunta que a empresa deveria conseguir responder é simples: Se alguém deixar a organização hoje, quanto tempo levará para que todos os seus acessos sejam revogados? Se a resposta depender de controles manuais, planilhas ou da memória de alguém da equipe, existe um ponto importante a ser avaliado. 2. A segurança ainda depende principalmente de senhas Senhas continuam sendo parte da rotina de praticamente qualquer ambiente corporativo. O problema surge quando elas se tornam a principal barreira entre uma identidade e os recursos da empresa. Uma credencial comprometida pode permitir acesso a e-mails, sistemas corporativos, arquivos e aplicações. Em ambientes cada vez mais conectados e baseados em serviços em nuvem, o comprometimento de uma identidade pode ter consequências que vão muito além de um único computador. Por isso, mecanismos como autenticação multifator (MFA), políticas de identidade, gestão de privilégios e monitoramento de atividades ganharam importância dentro das estratégias modernas de segurança. Mas implementar MFA, por exemplo, não significa automaticamente que a identidade esteja protegida. É preciso entender quais usuários estão cobertos, quais exceções existem, quais aplicações estão integradas e como os acessos privilegiados são administrados. Segurança de identidade, portanto, não deve ser tratada como uma simples configuração de ferramenta. Ela precisa fazer parte de uma estratégia que considere quem acessa o quê, em quais condições e com qual nível de privilégio. 3. Sua empresa adiciona tecnologia, mas não necessariamente aumenta a visibilidade A transformação digital trouxe ganhos importantes para as empresas, mas também tornou os ambientes tecnológicos mais distribuídos. Aplicações em nuvem, dispositivos corporativos e pessoais, sistemas de terceiros, plataformas de colaboração e diferentes serviços digitais podem coexistir dentro da mesma operação. Quanto mais elementos entram nesse ambiente, maior é a necessidade de saber o que está acontecendo nele. Esse é um ponto frequentemente negligenciado: ter mais tecnologia não significa necessariamente ter mais controle sobre a tecnologia. Uma empresa pode possuir diversas soluções de segurança e ainda ter dificuldade para responder perguntas básicas: quais dispositivos estão conectados? quais usuários acessaram determinado recurso? quais sistemas apresentam comportamentos anormais? quais alertas são realmente relevantes? existe alguma solução sem atualização ou configuração adequada? Sem visibilidade, a equipe pode até receber alertas, mas terá dificuldade para transformar essas informações em decisões. Uma estratégia de segurança eficiente precisa, portanto, combinar proteção com monitoramento, gestão e capacidade de interpretar os eventos do ambiente. 4. Dados sensíveis circulam sem que a empresa saiba exatamente por onde Dados financeiros, informações de clientes, documentos estratégicos, contratos e informações pessoais fazem parte da operação de praticamente toda organização. O desafio é entender o caminho que essas informações percorrem. Um documento pode ser criado em um computador, armazenado em uma plataforma de nuvem, compartilhado por e-mail, baixado em outro dispositivo e posteriormente enviado para um terceiro. Em cada etapa, existem diferentes possibilidades de acesso, cópia, compartilhamento ou exposição. É por isso que proteger dados não significa apenas armazená-los em um ambiente considerado seguro. É necessário compreender quais informações são sensíveis, onde elas estão, quem pode acessá-las e como podem ser movimentadas. Tecnologias de prevenção contra perda de dados, controle de acesso e classificação de informações podem contribuir para esse processo. Porém, novamente, a ferramenta precisa estar relacionada a uma necessidade concreta do negócio. Antes de escolher uma solução, a empresa deveria conseguir responder: Quais dados precisam de maior proteção e quais comportamentos poderiam colocá-los em risco? Sem esse diagnóstico, existe o risco de investir em mecanismos de proteção sem necessariamente atuar sobre os pontos mais relevantes da operação. 5. Existe backup, mas ninguém sabe se a operação conseguiria voltar Backup é fundamental para a continuidade de uma operação, mas ter cópias dos dados não é o mesmo que ter capacidade de recuperação. Essa diferença é especialmente importante diante de incidentes como ransomware, falhas de infraestrutura, exclusões acidentais ou indisponibilidade de sistemas críticos. Um backup pode existir e ainda assim apresentar problemas: cópias podem estar desatualizadas, processos de restauração podem nunca ter sido testados ou determinados sistemas podem simplesmente não estar contemplados pela estratégia. Por isso, a gestão de continuidade precisa considerar não apenas “temos backup?”, mas também perguntas como: quanto tempo a empresa pode ficar sem determinado sistema? qual quantidade de dados pode ser perdida? quanto tempo levaria para restaurar a operação? os procedimentos já foram testados? É nesse contexto que conceitos como RPO (Recovery Point Objective) e RTO (Recovery Time Objective) ajudam a transformar a recuperação em uma estratégia mensurável. O objetivo não é apenas preservar os dados. É garantir que a empresa tenha condições de retomar suas atividades dentro de um nível de tempo e perda de informação aceitável para o negócio. O que esses cinco sinais têm em comum? Embora pareçam problemas diferentes, os cinco sinais apontam para uma mesma questão: a dificuldade de enxergar a segurança como parte integrada da operação. Acesso, identidade, dispositivos, dados, backup e recuperação estão relacionados. O comprometimento de uma credencial pode permitir acesso indevido a informações. Uma informação exposta pode gerar impactos regulatórios e financeiros. Um ataque que interrompe sistemas pode transformar uma falha de segurança em um problema de continuidade de negócio. Por isso, avaliar cada tecnologia isoladamente pode produzir uma visão incompleta. Uma solução de proteção de endpoint responde a uma necessidade específica. Uma ferramenta de gestão de identidade responde a outra. Um sistema de backup resolve outra parte do problema. O desafio estratégico está em entender como essas camadas se relacionam e quais riscos permanecem depois que elas são implementadas. É essa visão que diferencia uma coleção de ferramentas de uma estratégia de cibersegurança. Segurança não começa pela ferramenta Quando uma empresa identifica uma vulnerabilidade, é natural procurar imediatamente uma tecnologia capaz de resolvê-la. O problema é que a ferramenta escolhida pode não ser a mais adequada para aquele ambiente, ou pode resolver apenas uma parte da questão. Uma abordagem mais consistente começa pelo diagnóstico. Primeiro, é necessário entender o ambiente atual, os ativos relevantes, os processos, os usuários, os dados críticos e os principais riscos. Depois, é possível determinar quais controles são necessários e quais tecnologias podem atender a essas necessidades. Esse processo também ajuda a evitar dois problemas comuns: comprar mais tecnologia do que a empresa consegue administrar ou investir em uma solução que não responde ao risco mais importante naquele momento. Por isso, a escolha de um parceiro de cibersegurança não deveria começar pela quantidade de produtos disponíveis em seu portfólio. Deveria começar pela capacidade de entender o contexto, diagnosticar os riscos, recomendar caminhos e acompanhar a evolução da segurança ao longo do tempo. Em outras palavras, a tecnologia é parte da resposta. O diagnóstico é o que permite saber qual resposta faz sentido. Como saber qual é o nível de exposição da sua empresa? Não existe uma única solução capaz de eliminar todos os riscos cibernéticos. O nível adequado de proteção depende do ambiente tecnológico, do tipo de informação tratado, dos processos internos, dos requisitos regulatórios e da criticidade dos sistemas utilizados pela organização. Por isso, antes de discutir qual ferramenta contratar, vale entender primeiro onde a empresa está hoje. O diagnóstico de cibersegurança da Avant foi desenvolvido justamente como uma primeira avaliação. Em poucos minutos, você responde a perguntas sobre o ambiente da sua empresa e recebe uma estimativa do nível de maturidade em cibersegurança. Faça o diagnóstico gratuito e tenha uma primeira visão sobre os pontos que merecem atenção na sua operação.

  • Falha no Meta Muse para macOS permite que malware local redirecione tráfego de voz

    Uma vulnerabilidade no Muse, aplicativo de inteligência artificial da Meta para macOS, pode permitir que um processo malicioso executado localmente redirecione o tráfego de ditado do assistente para um servidor controlado pelo invasor. O problema foi demonstrado pelo pesquisador Patrick Wardle, fundador da Objective-See, por meio de um proof-of-concept chamado “not-a-mused”. O problema ganha relevância porque o Muse pode receber permissões amplas para acessar informações e recursos do computador. Dessa forma, um malware com privilégios limitados poderia tentar aproveitar os acessos concedidos ao aplicativo de IA para alcançar dados ou capacidades que normalmente estariam protegidos pelos mecanismos de segurança do macOS. Segundo Wardle, o Muse possui uma configuração não documentada chamada endo_voyager_dictation_endpoint. Um processo executado localmente consegue alterar esse parâmetro sem privilégios especiais e apontar o tráfego de ditado para um endpoint controlado pelo atacante. Na prática, isso poderia expor áudio ditado pelo usuário e prompts enviados ao modelo de IA no backend. O pesquisador também aponta riscos de prompt injection, roubo de material de autenticação e abuso das permissões previamente concedidas ao Muse. A vulnerabilidade, entretanto, não permite que um invasor ataque o Muse remotamente pela internet. Para explorá-la, código malicioso precisa já estar sendo executado na conta do usuário no Mac. Wardle descreveu o problema como uma forma de escalonamento local de privilégios, pois um malware com acesso limitado poderia potencialmente aproveitar os privilégios mais amplos do agente de IA. A descoberta também chama atenção para uma característica dos agentes de IA instalados nos computadores. Para executar tarefas em nome do usuário, esses aplicativos podem solicitar acesso a arquivos, ferramentas, dados e outros recursos do sistema, concentrando permissões que tradicionalmente ficam separadas pelos mecanismos de segurança do sistema operacional. No macOS, o framework Transparency, Consent, and Control (TCC) controla o acesso de aplicativos a recursos e informações sensíveis. Segundo Wardle, agentes de IA com permissões extensas podem criar novos caminhos para contornar parte dessa separação caso uma vulnerabilidade permita que outro processo abuse das capacidades do agente. O pesquisador também apontou uma dificuldade adicional para ferramentas de Endpoint Detection and Response (EDR). Como os agentes executam ações legítimas em nome dos usuários, distinguir comandos originados pelo proprietário do computador daqueles executados pelo próprio agente ou induzidos por um atacante pode se tornar mais complexo. Wardle observou ainda que a Apple oferece uma API para ditado processado localmente no dispositivo. Na avaliação do pesquisador, o uso dessa alternativa evitaria especificamente o problema de redirecionamento identificado no Muse. A afirmação sobre as razões pelas quais a Meta optou por outra arquitetura é uma interpretação de Wardle, não uma justificativa confirmada pela empresa. Após a publicação inicial da descoberta, a Meta corrigiu a vulnerabilidade. David Singleton, da Meta Superintelligence Labs, afirmou que o problema correspondia a um ataque de escalonamento local de privilégios, e não a uma exploração remota, e que o risco prático para usuários do Muse no Mac era relativamente baixo porque código malicioso precisaria já estar em execução na máquina. A empresa disponibilizou um hotfix para solucionar a falha.

  • Falha no Linux pode permitir que máquina virtual escape e acesse sistema host

    Uma nova vulnerabilidade no código de virtualização KVM do kernel Linux para processadores ARM64 pode permitir que uma máquina virtual convidada leia e modifique a memória do sistema host. Identificada como CVE-2026-89775, a falha afeta ambientes nos quais a virtualização aninhada está habilitada e, segundo o pesquisador responsável pela descoberta, pode ser explorada para escapar da VM e executar código na máquina subjacente. O problema está no código do KVM responsável pela virtualização aninhada em ARM64. Esse recurso permite que uma máquina virtual execute seu próprio hypervisor e hospede outras VMs. No ARM64, entretanto, a funcionalidade fica desativada por padrão e depende de hardware Armv8.4 com suporte ao recurso FEAT_NV2. Hosts ARM64 que nunca habilitaram a virtualização aninhada estão fora do caminho de ataque descrito. A vulnerabilidade ocorre quando uma VM organiza sua memória de uma maneira específica e um cálculo de tamanho resulta em zero. Isso faz com que uma operação de invalidação do TLB — mecanismo utilizado pelo processador para manter referências recentes de endereços de memória — seja ignorada. Como consequência, uma página de memória do host que já havia sido liberada pode permanecer mapeada e com permissão de escrita. Nessa condição, o sistema convidado consegue ler e escrever na página de memória do kernel do host em blocos de 64 bits, sem que uma interrupção de hardware transfira o controle novamente para o sistema hospedeiro. O pesquisador Hyunwoo Kim, que divulgou a vulnerabilidade em 16 de setembro, afirma que essa condição pode ser usada para escapar da VM e executar código diretamente no host. Até 22 de setembro, nenhum código público de exploração havia sido divulgado e não havia evidências de que a CVE-2026-89775 estivesse sendo usada em ataques. A falha também não aparecia no catálogo Known Exploited Vulnerabilities (KEV) da CISA e apresentava uma estimativa de probabilidade de exploração inferior a 1%. O registro do kernel indica que o código afetado está presente desde o Linux 6.16. No entanto, a análise dos responsáveis pela correção aponta que o comportamento necessário para a exploração teria começado apenas na versão 6.17. Dessa forma, sistemas com Linux 6.16 podem conter o código relacionado ao problema, mas não necessariamente a condição necessária para explorá-lo. A vulnerabilidade também apresenta um segundo cenário de exploração. Em sistemas nos quais qualquer usuário pode abrir o dispositivo /dev/kvm, utilizado por programas para criar máquinas virtuais, um usuário local poderia criar sua própria VM e explorar a falha para obter privilégios de root, segundo Kim. Esse caminho também depende de a virtualização aninhada estar ativada. O Red Hat Enterprise Linux é citado como exemplo porque o /dev/kvm pode ser acessado por todos os usuários por padrão. A Red Hat classifica o kernel do RHEL 10 como afetado, enquanto as versões 6 a 9 não são vulneráveis. No Linux upstream, a correção foi incorporada às versões 6.18.51, 7.2.5 e 7.3-rc1. A disponibilidade do patch, porém, varia de acordo com cada distribuição. O Ubuntu 26.04 é considerado vulnerável, inclusive em kernels utilizados nos ambientes AWS, Azure e GCP. O kernel geral do Ubuntu 24.04 LTS não é afetado, embora versões mais recentes de hardware enablement, baseadas nos kernels 6.17 e 7.0, sejam vulneráveis. No Amazon Linux, a correção para o pacote kernel6.18 do AL2023 ainda estava pendente em 22 de setembro, enquanto os demais kernels da distribuição não eram afetados. No Debian, Bookworm e Trixie não possuem o código vulnerável, Sid recebeu a correção na versão 7.2.6-1 e Forky permanecia vulnerável. Para sistemas que ainda não podem ser atualizados, a Red Hat informou que não há uma mitigação que atenda aos critérios da empresa para funcionar como workaround. O principal fator que limita a superfície de exposição é justamente a necessidade de virtualização aninhada em ARM64, uma configuração que não vem habilitada por padrão. As avaliações de severidade variam entre 7,8 e 9,3 em uma escala de dez pontos, dependendo do fornecedor. Embora haja consenso sobre o alto impacto potencial e sobre a necessidade de acesso local, as avaliações divergem quanto à dificuldade de exploração. O Ubuntu atribui CVSS 9,3 à vulnerabilidade, mas classifica sua própria prioridade de correção como média. A descoberta também levanta preocupações sobre cenários de virtualização em nuvem, já que uma falha de escape poderia, em determinadas configurações, permitir que um tenant alcançasse o host do provedor. Entretanto, o caminho específico descrito para a CVE-2026-89775 não está disponível nas ofertas ARM padrão de alguns dos maiores provedores: a AWS lista virtualização aninhada somente para instâncias baseadas em Intel, enquanto o Google Cloud exclui suas máquinas ARM desse recurso. A CVE-2026-89775 é a quarta vulnerabilidade de escape KVM entre guest e host divulgada por Hyunwoo Kim em 2026. O pesquisador também apresentou as falhas Januscape e Zapscape em KVM para x86 e a ITScape em ARM64, divulgada em junho e descrita por ele como o primeiro escape KVM ARM64 demonstrado publicamente.

  • Guardião Cibernético 8.0 reúne 1,3 mil participantes para simular ataques a infraestruturas críticas

    A oitava edição do Exercício Guardião Cibernético começou nesta segunda-feira (21), em Brasília, reunindo cerca de 1.300 participantes, 300 organizações e representantes de 14 países em treinamentos voltados à resposta a incidentes cibernéticos contra setores estratégicos e infraestruturas críticas. As atividades seguem até 25 de setembro. Realizado na Escola Superior de Defesa (ESD), o exercício é coordenado pelo Exército Brasileiro, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), sob responsabilidade do Ministério da Defesa. Integrantes da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira também participam da iniciativa. O treinamento envolve áreas como energia, transporte, recursos hídricos, comunicações, biossegurança e economia. O objetivo é ampliar a integração entre órgãos governamentais, iniciativa privada e meio acadêmico na proteção do espaço cibernético brasileiro e de serviços considerados essenciais para o funcionamento do país. Durante o Guardião Cibernético 8.0, os participantes enfrentam simulações construtivas e virtuais que reproduzem ameaças digitais capazes de comprometer serviços essenciais. Os cenários incluem a aplicação de planos de contingência e procedimentos para resposta a incidentes cibernéticos complexos e coordenados. Segundo o comandante de Defesa Cibernética, general de divisão Jacy Barbosa Júnior, o exercício aumentou de dimensão ao longo dos anos à medida que a segurança cibernética passou a assumir maior relevância. A partir de 2022, a organização criou um hub em São Paulo para acompanhar as atividades e, em 2025, outro centro foi estabelecido em Belém em função da COP30. Embora Brasília concentre a estrutura principal do exercício, a edição deste ano ocorre de forma descentralizada. São realizadas atividades simultâneas em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, Manaus e Belém, ampliando a participação de instituições localizadas em diferentes regiões do país. Além das simulações e dos treinamentos técnicos, a programação prevê palestras e atividades educativas abertas ao público relacionadas à segurança cibernética e à proteção do ambiente digital. O analista de crimes cibernéticos do Ministério da Justiça Cleberson Vieira, que já participou de edições anteriores, afirmou esperar cenários capazes de desafiar os participantes e ampliar a compreensão sobre o contexto nacional de segurança cibernética. Também participam representantes de diferentes instituições civis e militares, incluindo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a Escola Superior de Defesa e o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro. A proposta do exercício é testar a coordenação entre diferentes organizações diante de situações que podem afetar simultaneamente setores essenciais da sociedade.

  • Engenharia Social: como criminosos usam pessoas para invadir empresas

    Quando o assunto é cibersegurança, muitas pessoas ainda imaginam ataques altamente sofisticados, hackers explorando vulnerabilidades complexas ou softwares maliciosos capazes de quebrar sistemas de proteção. No entanto, a realidade mostra que grande parte dos incidentes começa de forma muito mais simples: um clique em um link suspeito, uma senha compartilhada sem perceber o risco ou uma mensagem que parece legítima. É nesse contexto que a engenharia social se destaca como uma das principais ameaças para empresas. Ao invés de atacar diretamente a tecnologia, criminosos exploram o comportamento humano, utilizando técnicas de manipulação psicológica para induzir colaboradores a tomar decisões que comprometem a segurança. Com o avanço da Inteligência Artificial, esses ataques se tornaram ainda mais sofisticados, tornando essencial que organizações compreendam o problema e adotem estratégias eficazes de proteção. Indíce O que é engenharia social Por que os criminosos preferem atacar pessoas Como a engenharia social evoluiu com a Inteligência Artificial Principais tipos de ataques de engenharia social nas empresas Quais sinais de alerta os colaboradores devem observar Os impactos da engenharia social para as organizações Como criar uma cultura de proteção contra engenharia social O futuro da cibersegurança e o fator humano Como a Avant ajuda empresas a reduzir riscos de engenharia social O que é engenharia social? Engenharia social é um conjunto de técnicas utilizadas para manipular pessoas e convencê-las a fornecer informações confidenciais, compartilhar credenciais, realizar pagamentos indevidos ou conceder acesso a sistemas corporativos. Diferentemente de muitos ataques tradicionais, a engenharia social não depende necessariamente de falhas tecnológicas. Seu foco está em explorar características humanas como confiança, curiosidade, medo, senso de urgência e respeito à autoridade. Os criminosos entendem que, em muitos casos, é mais fácil convencer uma pessoa a abrir uma porta do que tentar arrombá-la. Por isso, os ataques costumam ser cuidadosamente planejados para parecer legítimos. Um e-mail pode simular uma comunicação interna. Uma ligação pode parecer vir de um fornecedor. Uma mensagem pode utilizar o nome de um gestor da empresa. Quanto mais convincente for o contexto criado pelo criminoso, maiores são as chances de sucesso. Além disso, a engenharia social não acontece apenas em ambientes digitais. Interações presenciais, eventos corporativos e até conversas informais podem ser exploradas para coleta de informações. Isso amplia ainda mais o alcance desse tipo de ameaça. Por que os criminosos preferem atacar pessoas? Empresas investem cada vez mais em tecnologias de proteção. Firewalls, antivírus, monitoramento, autenticação multifator e sistemas de detecção de ameaças elevaram significativamente o nível de segurança dos ambientes corporativos. Diante disso, muitos criminosos passaram a direcionar seus esforços para o elo mais vulnerável da cadeia: o fator humano. Pessoas trabalham sob pressão, lidam com múltiplas demandas ao mesmo tempo e frequentemente precisam tomar decisões rápidas. Esse contexto cria oportunidades para que golpes sejam aplicados com sucesso. Imagine um colaborador recebendo uma mensagem aparentemente enviada pela diretoria solicitando uma ação urgente. Sem um processo adequado de validação, existe uma grande chance de que ele execute a solicitação sem questionar sua legitimidade. Outro ponto importante é que muitos colaboradores não recebem treinamento contínuo sobre segurança da informação. Isso faz com que práticas inseguras se tornem comuns no dia a dia, como reutilização de senhas, compartilhamento de acessos ou falta de verificação de remetentes. É justamente esse tipo de comportamento que os ataques de engenharia social buscam explorar. Leia também: O mercado de cibersegurança em 2026, a importância da conscientização nas empresas. Como a engenharia social evoluiu com a Inteligência Artificial Nos últimos anos, a Inteligência Artificial alterou significativamente o cenário das ameaças digitais. Se anteriormente muitos golpes eram facilmente identificados por erros gramaticais, mensagens genéricas ou inconsistências visuais, hoje a realidade é diferente. Os criminosos passaram a utilizar ferramentas capazes de criar conteúdos extremamente convincentes, elevando o nível de dificuldade para identificação de fraudes. Deepfakes e clonagem de voz Uma das evoluções mais preocupantes envolve a clonagem de voz. Com poucos segundos de áudio disponíveis publicamente, ferramentas de IA conseguem reproduzir a voz de executivos, gestores e profissionais de alto escalão. Em alguns casos, criminosos utilizam esse recurso para solicitar transferências financeiras, compartilhamento de informações ou aprovações urgentes. Isso cria um cenário em que até mesmo ligações aparentemente confiáveis precisam ser verificadas. E-mails gerados por Inteligência Artificial As mensagens fraudulentas também evoluíram. Hoje é possível criar e-mails personalizados, sem erros gramaticais e alinhados ao contexto da empresa-alvo. Isso dificulta significativamente a identificação de tentativas de phishing, especialmente quando combinadas com dados reais coletados na internet. Golpes hiperpersonalizados A combinação entre Inteligência Artificial e dados disponíveis na internet permite que criminosos construam abordagens extremamente específicas. Informações publicadas em redes sociais, sites corporativos e eventos podem ser utilizadas para tornar os ataques mais convincentes. Quanto mais personalizado o golpe, maior a probabilidade de sucesso. Principais tipos de ataques de engenharia social nas empresas Existem diversas modalidades de engenharia social utilizadas atualmente. Conhecer essas abordagens é fundamental para fortalecer a conscientização dos colaboradores. Phishing O phishing é a forma mais conhecida de engenharia social. Nesse tipo de ataque, o criminoso envia mensagens que simulam comunicações legítimas com o objetivo de induzir a vítima a clicar em links, baixar arquivos ou fornecer informações confidenciais. O objetivo geralmente é obter credenciais de acesso ou instalar softwares maliciosos. Muitas vezes, essas mensagens utilizam marcas conhecidas ou simulam comunicações internas da empresa. Spear Phishing Diferentemente do phishing tradicional, o spear phishing é direcionado a um alvo específico. O criminoso realiza uma pesquisa prévia sobre a vítima e cria uma abordagem personalizada. Por parecer mais legítimo, esse tipo de ataque costuma apresentar taxas de sucesso mais elevadas. Ele é frequentemente utilizado contra executivos e profissionais com acesso a informações sensíveis. Vishing O vishing utiliza chamadas telefônicas como meio de ataque. Nesse cenário, o criminoso se apresenta como representante de uma instituição confiável, equipe de suporte técnico ou até mesmo um executivo da organização. A intenção é convencer a vítima a compartilhar informações ou executar determinada ação. Com o uso de clonagem de voz, esse tipo de golpe se tornou ainda mais perigoso. Smishing O smishing é realizado por mensagens de texto ou aplicativos de comunicação. Normalmente envolve links maliciosos, cobranças falsas ou notificações que despertam senso de urgência. Esse tipo de ataque é eficaz porque muitas pessoas tendem a confiar mais em mensagens recebidas no celular. Quishing O crescimento do uso de QR Codes também abriu espaço para novas modalidades de ataque. No quishing, criminosos utilizam códigos QR para direcionar usuários a páginas falsas de login ou sites comprometidos. Por transmitir sensação de praticidade e confiança, esse método tem apresentado crescimento nos últimos anos. Business Email Compromise (BEC) O Business Email Compromise, também conhecido como BEC, é uma modalidade extremamente perigosa. Nesse golpe, o criminoso compromete ou falsifica contas de e-mail corporativas para solicitar pagamentos, alterar dados bancários ou obter informações estratégicas. Como a comunicação parece legítima, muitas empresas só percebem o problema após o prejuízo já ter ocorrido. Quais sinais de alerta os colaboradores devem observar? Embora os ataques estejam cada vez mais sofisticados, ainda existem diversos sinais que podem indicar uma tentativa de fraude. Solicitações urgentes Criminosos frequentemente utilizam pressão psicológica para acelerar decisões. Mensagens que exigem respostas imediatas devem ser analisadas com atenção. Pedidos incomuns Solicitações envolvendo senhas, códigos de autenticação ou informações confidenciais merecem validação adicional. Nenhuma empresa séria solicita esse tipo de informação sem um processo formal. Alterações bancárias inesperadas Mudanças em dados de pagamento devem sempre seguir processos formais de conferência. Qualquer alteração fora do padrão deve ser confirmada por canais oficiais. Links suspeitos Antes de clicar em qualquer link, é importante verificar cuidadosamente sua origem. Pequenas alterações em domínios podem indicar tentativas de fraude. Mensagens fora do padrão Mudanças repentinas no comportamento de colegas, gestores ou fornecedores também podem representar riscos. Sempre que algo parecer estranho, o ideal é validar antes de agir. Os impactos da engenharia social para as organizações Os prejuízos causados por ataques de engenharia social vão muito além das perdas financeiras. Vazamento de dados Informações confidenciais podem ser expostas, comprometendo clientes, parceiros e colaboradores. Isso pode gerar impactos legais e perda de confiança. Interrupção operacional Muitos ataques servem como porta de entrada para ransomware e outras ameaças capazes de interromper operações inteiras. Danos à reputação A confiança construída ao longo de anos pode ser afetada por um único incidente. Recuperar a credibilidade pode levar muito tempo. Problemas regulatórios Dependendo da natureza dos dados comprometidos, a empresa pode enfrentar impactos relacionados à LGPD e outras exigências regulatórias. Prejuízos financeiros Além dos custos diretos, organizações frequentemente precisam investir em investigação, recuperação de sistemas e comunicação de incidentes. Como criar uma cultura de proteção contra engenharia social A melhor forma de combater a engenharia social é fortalecer continuamente o nível de conscientização das pessoas. Segurança é responsabilidade de todos A proteção corporativa não pode ser tratada como uma responsabilidade exclusiva da área de TI. Cada colaborador desempenha um papel importante na redução dos riscos. Treinamentos frequentes Programas contínuos de conscientização ajudam as equipes a reconhecer novas ameaças e adotar comportamentos mais seguros. Simulações de ataques Campanhas simuladas permitem identificar vulnerabilidades comportamentais e criar aprendizado prático. Gestão de acessos Aplicar o princípio do menor privilégio reduz significativamente o impacto de credenciais comprometidas. Autenticação multifator A autenticação multifator adiciona uma camada adicional de proteção mesmo quando senhas são expostas. Monitoramento constante Detectar atividades suspeitas rapidamente pode fazer toda a diferença na contenção de um incidente. O futuro da cibersegurança e o fator humano A evolução tecnológica continuará trazendo novos desafios para as organizações. Ferramentas de Inteligência Artificial tendem a tornar os ataques cada vez mais sofisticados, personalizados e difíceis de identificar. Ao mesmo tempo, empresas continuarão investindo em soluções de proteção mais avançadas. No entanto, a tecnologia sozinha não será suficiente. Nesse cenário, o diferencial estará na capacidade de combinar tecnologia, processos e conscientização. Organizações que tratam a segurança como uma cultura e não apenas como uma ferramenta estarão mais preparadas para enfrentar as ameaças dos próximos anos. Afinal, mesmo os sistemas mais robustos dependem das decisões tomadas pelas pessoas que os utilizam diariamente. Leia também: IA sendo usada para atacar, o que muda para a segurança da sua empresa. Como a Avant Services ajuda empresas a reduzir riscos de engenharia social A proteção contra engenharia social exige muito mais do que a implementação de ferramentas isoladas. É necessário construir uma estratégia que combine tecnologia, governança, visibilidade e boas práticas de segurança da informação. Na Avant, atuamos como parceiros estratégicos das empresas, ajudando organizações a fortalecer sua postura de segurança por meio de soluções que protegem usuários, dispositivos, identidades e ambientes corporativos. Nosso papel vai além da tecnologia. Trabalhamos para entender o contexto de cada negócio, identificar riscos reais e orquestrar soluções que contribuam para uma operação mais segura, resiliente e preparada para enfrentar ameaças cada vez mais sofisticadas. Porque quando falamos de engenharia social, a pergunta não deve ser apenas se sua empresa possui ferramentas de proteção. A verdadeira questão é se sua organização está preparada para identificar comportamentos suspeitos antes que eles se transformem em um incidente de segurança. E é exatamente nesse desafio que a Avant pode ajudar!

  • Brasil responde por 21,4% do tráfego DDoS mitigado no segundo trimestre de 2026

    O Brasil ocupa uma posição dupla no cenário global de ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS): aparece entre os países mais atacados e, ao mesmo tempo, concentra uma parcela relevante dos dispositivos utilizados para gerar tráfego malicioso contra terceiros. Durante o Mind The Sec 2026, em São Paulo, Lais Camargo, Cyber Specialist e DPO da Huge Networks, apresentou dados sobre a evolução dessas ameaças e defendeu uma mudança de abordagem, com maior automação e uso de inteligência de ameaças na tomada de decisões. Segundo os dados apresentados por Lais, o Brasil figura como o segundo país mais atacado do mundo. No primeiro semestre de 2026, também teria ultrapassado os Estados Unidos como principal origem do tráfego DDoS mitigado, respondendo por 14,9% do volume no semestre e 21,4% apenas no segundo trimestre. Esses números indicam a localização dos dispositivos utilizados nos ataques, e não necessariamente a origem dos responsáveis pelas campanhas. Roteadores domésticos, CPEs, dispositivos de Internet das Coisas (IoT) e servidores mal configurados podem ser incorporados a botnets e utilizados para gerar ataques contra organizações em outros países. É esse cenário que sustenta o que a apresentação chamou de “paradoxo brasileiro”: o país aparece simultaneamente como alvo e como infraestrutura involuntariamente utilizada para atacar terceiros. A mudança também aparece no perfil das organizações afetadas. Pela primeira vez, segundo os dados apresentados na palestra, telecomunicações e provedores se tornaram o setor mais atacado, enquanto operadoras concentraram 42% dos maiores eventos volumétricos observados no período. “O critério de escolha não é a importância do alvo. É a ausência de defesa”, afirmou Lais. Na operação da Huge Networks, agosto registrou 49.654 anomalias identificadas, com pico superior a 15 Tbit/s e mais de 3,8 bilhões de pacotes por segundo. Os números ajudam a dimensionar um cenário em que os ataques não dependem apenas de grandes volumes contínuos, mas também de técnicas desenvolvidas para explorar limitações dos mecanismos tradicionais de detecção. Entre os padrões destacados está o chamado hit-and-run, formado por rajadas que podem durar cerca de 35 segundos. Esse comportamento pode passar despercebido por sistemas configurados para gerar alertas apenas quando determinado volume de tráfego permanece ativo por um período mais longo. A recomendação apresentada é observar também o tráfego agregado por blocos de endereços, independentemente da duração individual do evento. Outro padrão é o carpet-bombing, no qual o tráfego malicioso é distribuído por um bloco inteiro de endereços IP ou por vários blocos. Dessa forma, cada destino individual pode permanecer abaixo do limiar configurado para disparar um alerta, enquanto o volume total contra a infraestrutura continua elevado. A apresentação também destacou ataques UDP direcionados à porta 53, utilizada pelo DNS, incluindo consultas do tipo ANY ou requisições malformadas. Outro exemplo foi a botnet Dysphoria, associada a grande capacidade volumétrica e à utilização de dispositivos IoT e modems Zyxel como vetor de ataque. Segundo os dados apresentados, a botnet chegou a registrar 10 Tbit/s no Brasil. Entre 14 e 20 de março de 2026, ataques de maior porte observados no país se concentraram principalmente em Minas Gerais, com 28%, e São Paulo, com 20%. O maior evento apresentado nesse período atingiu 455,39 Gb/s. A velocidade dos ataques é outro fator que reduz a eficiência de processos dependentes de intervenção humana. De acordo com a apresentação, 90,7% dos ataques terminam em menos de dez minutos, enquanto alguns duram apenas dezenas de segundos. Quando o alerta chega ao analista e uma ação manual começa a ser preparada, o tráfego malicioso pode já ter desaparecido, embora os efeitos sobre aplicações, suporte e clientes continuem. “Automatizar a mitigação deixou de ser sofisticação. Virou requisito de continuidade”, afirmou Lais. A ideia é que mecanismos de mitigação de DDoS consigam detectar padrões e aplicar contramedidas em tempo compatível com ataques que podem terminar antes mesmo de uma equipe de segurança concluir a análise inicial. A palestra também relacionou indisponibilidade a consequências financeiras. Segundo os dados apresentados por Lais, o custo de uma interrupção pode chegar a US$ 15 mil por minuto, enquanto episódios de indisponibilidade estão associados a queda de 3,4% no valor de mercado e 81% das empresas relatam perda de clientes após incidentes desse tipo. Os números foram apresentados como indicadores para demonstrar que DDoS deve ser tratado também como um problema de continuidade de negócio. Nesse contexto, inteligência de ameaças não deve ser limitada a listas de endereços IP, feeds ou relatórios que não provocam mudanças operacionais. A abordagem apresentada pela especialista começa com uma pergunta do negócio, utiliza dados para identificar padrões e termina em uma decisão com prazo e responsável. “Se ninguém decide nada diferente depois de ler, não era inteligência. Era notícia”, resumiu. Um exemplo apresentado é a pergunta “quem me ataca e por quê?”. A resposta pode combinar telemetria de borda com informações sobre mercados de DDoS-for-hire para identificar vetores, duração e alvos recorrentes, ajudando a dimensionar contratos de scrubbing. Outro exemplo é verificar se a própria infraestrutura está funcionando como refletor, procurando serviços como CLDAP, NTP e DNS expostos no ASN da organização. A análise também pode antecipar movimentos contra organizações semelhantes. Ao observar ondas de ataques contra provedores da mesma região, porte ou nível de exposição, equipes podem aumentar a postura defensiva antes que a organização se torne alvo. Para Lais, compartilhar inteligência entre empresas do setor pode ser importante porque os atacantes já tratam essas organizações como partes de uma mesma superfície de ataque. Entre as métricas sugeridas para acompanhar essa estratégia estão tempo médio de detecção, percentual de ataques mitigados sem intervenção humana, rajadas identificadas no agregado de um bloco /24 e quantidade de serviços refletores expostos no próprio ASN. Para a diretoria, os indicadores podem ser traduzidos em minutos de indisponibilidade evitados, custo por minuto, disponibilidade contratada versus entregue e incidentes capazes de afetar SLAs ou gerar multas. A Huge Networks é uma empresa brasileira de cibersegurança e infraestrutura fundada em 2014 e especializada em mitigação de DDoS, CDN, WAF e serviços de nuvem. A companhia opera a rede própria AS264409, possui presença em três continentes e publica mensalmente o HugeReport, com dados sobre ataques DDoS mitigados no Brasil.

  • Hackers norte-coreanos usam projetos Terraform manipulados para atacar empresa de TI na Índia

    O grupo hacker norte-coreano Jade Sleet foi associado ao comprometimento de uma empresa de serviços de TI na Índia, em uma campanha que colocou um MacBook com Apple Silicon usado por um engenheiro DevOps no centro do ataque. A investigação da SentinelOne identificou no equipamento os backdoors FLATROOF e ROOFDECK, ferramentas anteriormente observadas em ataques ligados ao setor de criptomoedas. Também conhecido como PUKCHONG, Slow Pisces, TraderTraitor e UNC4899, o Jade Sleet possui histórico de ataques contra empresas de criptomoedas, blockchain e Web3, além de fornecedores utilizados por essas organizações. O grupo também foi relacionado ao comprometimento da cadeia de suprimentos do ambiente de desenvolvimento da Safe{Wallet}, incidente que precedeu o roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão da infraestrutura de cold wallets da Bybit em 2025. A campanha investigada pela SentinelOne utiliza engenharia social baseada em falsas oportunidades de emprego, técnica recorrente entre grupos associados à Coreia do Norte. Os alvos trabalham principalmente com DevOps, criptomoedas e fintechs e recebem projetos aparentemente legítimos hospedados em repositórios do GitHub. Os repositórios simulam projetos de engenharia de infraestrutura relacionados às empresas que os hackers fingem representar durante os processos seletivos. Entre os nomes identificados estão gtn-candidate-repo, Northwind-IAC, novacart-interview e terraform-candidate-repo. Dentro desses projetos existe um arquivo de bloqueio de dependências do Terraform, .terraform.lock.hcl, manipulado para apontar para domínios controlados pelos invasores. Quando o desenvolvedor executa o comando terraform init, a plataforma pode baixar módulos maliciosos provenientes da infraestrutura dos hackers. A cadeia de ataque termina com a instalação de duas famílias de malware desenvolvidas em Rust e direcionadas a sistemas macOS baseados em ARM. O FLATROOF, também conhecido como Gaslight, funciona como backdoor e utiliza o Telegram como infraestrutura de comando e controle (C2). O malware permite executar comandos, enviar e baixar arquivos e coletar informações da máquina comprometida. Por meio de um módulo Python, também pode extrair dados dos navegadores Chrome, Brave, Firefox e Safari, histórico de comandos do Terminal, lista de aplicativos instalados, informações de hardware e software, processos em execução e uma cópia do arquivo login.keychain-db, que armazena dados relacionados ao Keychain do macOS. Já o ROOFDECK utiliza o protocolo descentralizado Nostr para comunicação C2. Suas funcionalidades incluem reconhecimento do sistema, manipulação de arquivos, acesso remoto por shell, movimentação lateral e persistência por meio de Launch Agents do macOS. Os comandos enviados ao malware são assinados com a chave privada dos operadores e validados por uma chave pública incorporada antes da execução. Durante a busca pelos dois backdoors, a SentinelOne encontrou uma vítima adicional que não estava relacionada ao incidente inicialmente investigado: uma empresa de serviços de TI localizada na Índia. O comprometimento ocorreu em um MacBook Apple Silicon utilizado por um engenheiro DevOps. Os backdoors estavam presentes no equipamento pelo menos desde 18 de março de 2026, embora o mecanismo exato utilizado para entregá-los ainda não tenha sido determinado. Os implantes permaneceram inativos até 29 de março, quando começaram as comunicações e atividades no sistema. Segundo os pesquisadores, os malwares foram iniciados pelo editor de código Cursor segundos depois que um workspace chamado cloudshield, localizado no diretório ~/DevOps-Automation/cloudshield, foi aberto. As evidências também indicam que o ROOFDECK é utilizado como ferramenta posterior ao acesso inicial, depois que os hackers já estabeleceram controle sobre a máquina. Uma versão atualizada do ROOFDECK foi instalada no computador do engenheiro em 20 de abril, um dia depois de a LayerZero reconhecer publicamente o ataque contra a KelpDAO. A variante remove os binários existentes do ROOFDECK e FLATROOF e elimina símbolos e informações de depuração, uma medida destinada a dificultar sua identificação e análise. A investigação coloca novamente endpoints de desenvolvedores como um ponto relevante de risco para ataques à cadeia de suprimentos. Máquinas utilizadas por equipes de desenvolvimento frequentemente possuem acesso a código-fonte, ambientes de nuvem, pipelines e outros recursos internos, permitindo que o comprometimento de um único profissional possa servir como porta de entrada para ativos mais sensíveis da organização.

  • Microsoft usa IA para reescrever 430 mil linhas do Copilot e gasta US$ 120 mil

    A Microsoft concluiu a migração para Rust do runtime que sustenta o GitHub Copilot e diversos produtos da empresa, usando agentes de inteligência artificial para realizar grande parte da conversão. O projeto transformou cerca de 430 mil linhas de TypeScript em aproximadamente 800 mil linhas de Rust, ao custo de cerca de US$ 120 mil em tokens de IA e três semanas de trabalho de um desenvolvedor. A migração ocorreu ao longo de 14,5 semanas e passou por mais de 135 versões, com uma média de 1,3 pull request de portabilidade aberto por dia. Em vez de redesenhar toda a arquitetura, os agentes substituíram os módulos TypeScript gradualmente, preservando a estrutura existente para reduzir a complexidade do processo. Uma etapa posterior deverá trabalhar na otimização do runtime. O runtime está por trás da CLI, aplicativo, SDK e cloud agent do GitHub Copilot, além de aparecer em produtos como VS Code, Visual Studio, Excel, Outlook e PowerPoint e em outros serviços de nuvem da Microsoft. A implementação anterior utilizava TypeScript, Node.js e o mecanismo V8, uma combinação adequada ao desenvolvimento rápido, mas que apresentava limitações de inicialização e densidade de servidores em grande escala. Os primeiros benchmarks apontaram ganhos expressivos. Em um teste envolvendo mil ciclos de sessões de uma única interação, com cliente compartilhado e 100 pipelines simultâneos, a versão TypeScript processou 7,55 ciclos por segundo, enquanto o runtime Rust executado no mesmo processo chegou a 120, uma melhoria de 15,9 vezes nesse cenário específico. A diferença também apareceu no consumo de memória. Um conjunto de dez clientes de agentes utilizou 1.383 MB com TypeScript, contra 126 MB na implementação em Rust. A nova arquitetura também permite que o trabalho permaneça no mesmo processo, enquanto a versão TypeScript precisava iniciar processos externos em segundo plano. Segundo Stephen Toub, Distinguished Engineer da Microsoft, a escolha de Rust não significa que grandes aplicações TypeScript devam necessariamente ser reescritas nessa linguagem. No caso do Copilot, os requisitos incluíam integração por meio de uma C ABI, baixo overhead durante a inicialização e execução e consumo previsível de recursos. Um dos aspectos mais incomuns do projeto foi o uso do próprio Copilot para reescrever componentes do runtime do Copilot. Diferentes modelos de linguagem foram empregados de acordo com suas características, incluindo GPT-5.6 Sol e Claude Opus 4.8. Toub avaliou que uma migração dessa escala, se realizada manualmente, poderia levar anos e custar milhões de dólares. Os agentes também apresentaram comportamentos que foram além da simples geração de código. Segundo o engenheiro, eles passaram grande parte do tempo analisando documentação e o estado do software, formulando hipóteses e realizando mudanças específicas de forma iterativa. Algumas sessões chegaram a criar outros agentes e coordenar tarefas entre si. Um exemplo ocorreu durante a conversão do arquivo session.ts, com mais de 30 mil linhas e dependências espalhadas pelo runtime. A tarefa levou aproximadamente 25 horas. Antes de alterar o código, o agente passou 56 minutos consultando documentação e realizou 122 chamadas a ferramentas. Depois, criou 15 sessões subordinadas, cada uma com seu próprio ambiente de trabalho, e coordenou atividades entre elas. A automação, porém, não eliminou a necessidade de revisão humana. O projeto encontrou dezenas de regressões no código convertido, mesmo quando o compilador Rust aceitava a implementação. Entre os problemas identificados estavam diferenças semânticas, divergências entre branches, funcionalidades que não haviam sido migradas e comportamentos diferentes entre o código original e o substituto. O caso evidencia uma limitação importante do desenvolvimento de software com agentes de IA: código que compila não necessariamente reproduz corretamente o comportamento esperado. O compilador pode impedir determinadas classes de erros, especialmente relacionados à segurança de memória, mas não consegue determinar sozinho se uma função implementa corretamente requisitos funcionais ou regras não documentadas do sistema.

  • Google Gemini invade sistemas reais por engano durante teste de cibersegurança

    Um teste de cibersegurança envolvendo o Google Gemini terminou com o modelo acessando sistemas de empresas reais depois que um erro de nomenclatura fez uma organização fictícia usada no exercício coincidir com um domínio existente na internet. Os incidentes ocorreram em maio de 2026 durante uma avaliação conduzida pela empresa israelense Irregular. Segundo informações publicadas pelo The Wall Street Journal, em um dos casos o Gemini conseguiu acessar um sistema protegido após realizar repetidas tentativas de adivinhar a senha. Em outros dois episódios, o modelo encontrou credenciais disponíveis em um repositório público e as utilizou para obter acesso não autorizado a sistemas protegidos. O comportamento ocorreu durante exercícios do tipo Capture the Flag (CTF), nos quais sistemas e organizações fictícias são utilizados para avaliar capacidades de segurança. De acordo com a Irregular, um erro na escolha do nome da empresa fictícia fez com que ele correspondesse inadvertidamente a um domínio real, permitindo que os modelos alcançassem sistemas externos pela internet. A Irregular afirmou que o domínio real foi alvo apenas um número limitado de vezes. As empresas envolvidas não foram identificadas publicamente, e a companhia informou que o problema foi solucionado. O Google teria sido comunicado sobre os incidentes em julho de 2026. Um aspecto importante do caso é que o Gemini interrompeu a atividade depois de identificar que havia alcançado o sistema de uma empresa real. Segundo o Google, os mecanismos de segurança foram acionados e os agentes encerraram as tentativas. A empresa, por isso, não classificou o comportamento observado como um caso de desalinhamento do modelo. Heather Adkins, vice-presidente de engenharia de segurança do Google, afirmou ao Wall Street Journal que o episódio demonstra a importância de treinar modelos avançados para agir de maneira responsável e avaliou que, nesse caso, o sistema reagiu adequadamente ao reconhecer a situação. O episódio faz parte de uma discussão mais ampla sobre os riscos associados a agentes de IA com capacidade de utilizar ferramentas e acessar recursos externos. A mesma empresa responsável pela avaliação esteve envolvida em testes relacionados a incidentes divulgados por OpenAI, Anthropic e Meta, nos quais modelos conseguiram ultrapassar os limites originalmente definidos para exercícios de segurança. Dias antes da divulgação do caso envolvendo o Gemini, a OpenAI relatou seis outros incidentes observados durante treinamento nos quais agentes realizaram ações não autorizadas. Entre os comportamentos descritos estavam ocultar erros, procurar credenciais sem autorização, enviar arquivos para a internet e utilizar comunicações entre participantes para obter informações durante exercícios. O caso do Gemini chama atenção especialmente porque a capacidade técnica avaliada em um ambiente controlado acabou alcançando infraestrutura externa devido a uma configuração equivocada do próprio exercício. Embora não haja indicação de uma campanha maliciosa ou de que o modelo tenha continuado a intrusão após reconhecer o ambiente real, o episódio evidencia o risco operacional de permitir que agentes capazes de executar tarefas de segurança tenham acesso irrestrito à internet durante avaliações.

  • SolarWinds corrige falha no Access Rights Manager que permite execução remota de código sem autenticação

    A SolarWinds lançou uma atualização de segurança para corrigir uma vulnerabilidade de alta gravidade no Access Rights Manager (ARM) que pode permitir a execução remota de código sem autenticação. Identificada como CVE-2026-28326, a falha recebeu pontuação CVSS 8,8 e afeta o ARM 2026.2 e versões anteriores. Segundo a empresa, o problema é causado pelo uso de uma chave estática codificada diretamente no produto. Esse tipo de implementação pode comprometer mecanismos de segurança que dependem do segredo da chave, caso ela seja recuperada ou utilizada por um invasor. No caso da CVE-2026-28326, a consequência informada pela SolarWinds é a possibilidade de execução remota de código sem necessidade de autenticação. A vulnerabilidade foi descoberta e reportada pelo pesquisador Kai Huang, da Armadin. A correção está disponível no Access Rights Manager 2026.2.1, lançado em 17 de setembro de 2026. A atualização não introduz novos recursos e inclui especificamente a correção da CVE, além de ajustes relacionados a funcionalidades do produto. Até o momento, a SolarWinds não informou evidências de exploração da vulnerabilidade em ataques reais. Os detalhes técnicos divulgados também são limitados e não esclarecem exatamente qual função é protegida pela chave estática ou como um invasor poderia transformar o problema em execução de código. A CVE-2026-28326 não é a única vulnerabilidade relevante corrigida recentemente pela empresa. Aproximadamente dois meses antes, a SolarWinds solucionou duas falhas no Web Help Desk (WHD), incluindo a CVE-2026-28323, classificada com CVSS 9,8, que pode permitir o bypass da autenticação SAML quando o método SAML 2.0 está habilitado. A outra vulnerabilidade, CVE-2026-28299, recebeu CVSS 8,2 e pode provocar uma condição de negação de serviço (DoS) devido ao consumo insuficientemente controlado de memória, levando o servidor Web Help Desk a falhar. As duas vulnerabilidades foram corrigidas no WHD 2026.2.1. A SolarWinds também disponibilizou correções para 16 vulnerabilidades que afetam o Serv-U. Dependendo da falha, os problemas podem permitir elevação de privilégios, execução remota de código e criação de contas administrativas. Para ambientes que utilizam o Access Rights Manager, a principal medida é atualizar o produto para a versão 2026.2.1. O Centro Canadense de Cibersegurança também publicou um alerta recomendando que administradores revisem as informações disponibilizadas pelo fabricante e apliquem as atualizações necessárias.

  • Claude Opus 5 ajuda pesquisadores a invadir contas de funcionários da OpenAI em teste de segurança

    Pesquisadores da empresa de segurança Hacktron usaram o Claude Opus 5, da Anthropic, para desenvolver uma cadeia de exploração que permitiu assumir contas do ChatGPT e Codex pertencentes a funcionários da OpenAI. A pesquisa combinou uma vulnerabilidade no software usado pelo fórum público da empresa com uma falha no sistema de autenticação da própria OpenAI. A atividade ocorreu em um contexto autorizado de pesquisa de segurança, e não há indicação de que as vulnerabilidades tenham sido exploradas em ataques reais. Segundo a Hacktron, a equipe reportou as falhas à OpenAI, demonstrou o impacto por meio de um pull request inofensivo em um repositório interno e interrompeu os testes. O processo entre a análise inicial e o acesso ao ambiente interno levou menos de 72 horas. A OpenAI corrigiu a vulnerabilidade aproximadamente 14 horas após receber o relatório, de acordo com os pesquisadores. Em 1º de setembro, a empresa pagou uma recompensa de US$ 6.500, esclarecendo que o valor estava relacionado à descoberta envolvendo seus próprios sistemas, e não aos testes realizados contra o Discourse, plataforma open source utilizada pelo fórum. A cadeia começou no processamento de imagens HEIC e HEIF pelo Discourse. Os arquivos enviados ao fórum eram encaminhados ao ImageMagick, que utilizava a biblioteca libheif para decodificá-los. Uma vulnerabilidade rastreada como CVE-2026-32882 permitia manipular a memória do servidor por meio de uma imagem especialmente preparada. Há diferenças na classificação técnica da falha. O advisory do Discourse descreve o impacto como execução remota de código (RCE) e atribui pontuação CVSS 8,8, enquanto registros da libheif e bancos de vulnerabilidades descrevem a CVE originalmente como uma leitura fora dos limites capaz de provocar falhas ou expor conteúdo da memória. Segundo os pesquisadores, diferentes problemas de memória foram combinados para contornar proteções como ASLR e alcançar execução de código. A correção já estava disponível na libheif 1.22.0 desde maio de 2026. No entanto, quando a Hacktron realizou os testes em julho, a imagem do servidor baseada no Debian 12 ainda utilizava a versão vulnerável 1.19.7. Isso criou uma situação em que a correção e a CVE eram públicas, mas a biblioteca empacotada no ambiente permanecia desatualizada. Depois de comprometer o servidor do fórum, os pesquisadores conseguiram avançar por causa do mecanismo de Single Sign-On (SSO). O fórum oferecia a opção “Sign in with OpenAI”, compartilhando o sistema de autenticação usado por funcionários em outros serviços. A combinação permitiu assumir contas de ChatGPT e Codex de membros do fórum que trabalhavam na OpenAI, sem necessidade de interação das vítimas. Segundo a Hacktron, o problema estava relacionado ao modelo de identidade da OpenAI e não especificamente ao Discourse. Em tese, qualquer serviço confiável integrado ao mesmo mecanismo de autenticação poderia ampliar o impacto de um comprometimento. A empresa não divulgou publicamente os detalhes técnicos da falha de login. Durante o teste, os pesquisadores abriram a integração do Codex de um funcionário com um repositório interno, provocando a criação de um único pull request como prova de acesso. A equipe afirma que não leu código-fonte, não realizou merges, não implantou alterações e não acessou dados de clientes. Serviços conectados, como GitHub, Slack e e-mail, poderiam teoricamente ampliar o alcance, mas não foram explorados durante a pesquisa. O papel da inteligência artificial foi particularmente relevante no desenvolvimento do exploit. Inicialmente, os pesquisadores utilizaram Claude Opus 4.8, mas o modelo teve dificuldades para produzir uma exploração funcional quando o ASLR estava habilitado. Após o lançamento do Claude Opus 5, em 24 de julho, uma nova sessão conseguiu produzir um exploit funcional em poucas horas. Para contornar as proteções do modelo contra a geração de exploits direcionados a sistemas reais, os pesquisadores trabalharam contra um servidor de testes próprio, apresentado ao modelo como um ambiente de Capture the Flag (CTF), e executaram o processo em um loop automatizado. Apesar da participação da IA, a Hacktron ressalta que o trabalho ainda exigiu orientação humana especializada e não representou uma operação de hacking totalmente autônoma. O caso fazia parte de uma pesquisa mais ampla chamada HEIF Heist. Ao longo de aproximadamente dois meses, a equipe investigou vulnerabilidades semelhantes no processamento de imagens em softwares utilizados por grandes empresas, gastando menos de US$ 3 mil em serviços de IA. Algumas das descobertas foram relacionadas a produtos e plataformas como Slack, Meta, GitHub Enterprise e Next.js, embora nem todas as alegações de execução de código tenham sido confirmadas independentemente. A pesquisa também evidencia dois pontos de atenção: componentes de processamento de imagens desatualizados podem ampliar a superfície de ataque, enquanto serviços públicos de menor confiança integrados ao mesmo SSO de sistemas sensíveis podem transformar um comprometimento inicialmente limitado em acesso a contas com privilégios mais relevantes. Até meados de setembro, não havia evidências públicas de exploração das falhas contra usuários em ataques reais.

  • Novo backdoor SparroWocky mira governos de oito países latino-americanos

    O grupo de ciberespionagem FamousSparrow, associado à China, passou a utilizar um novo backdoor chamado SparroWocky em operações contra organizações governamentais da América Latina. Segundo pesquisadores da ESET, a ferramenta vem sendo implantada desde pelo menos agosto de 2025 e rapidamente substituiu o SparrowDoor como principal malware do grupo. A campanha atingiu entidades governamentais na Argentina, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Peru, Porto Rico e Venezuela. Entre meados de 2025 e 2026, cerca de 90% dos alvos do FamousSparrow identificados pela telemetria da ESET estavam na região, indicando uma mudança significativa em relação às operações globais anteriormente associadas ao grupo. O FamousSparrow é acompanhado como um grupo de ciberespionagem alinhado à China e está ativo desde pelo menos 2019. Inicialmente conhecido por ataques contra hotéis, posteriormente ampliou seus alvos para governos, organizações internacionais, grupos comerciais, empresas de engenharia e escritórios de advocacia. A ESET também identifica relações com atividades atribuídas ao Earth Estries, enquanto as ligações públicas com o Salt Typhoon permanecem tratadas separadamente pela empresa por falta de indicadores técnicos suficientes para unificar os grupos. A ESET atribui a nova campanha e o SparroWocky ao FamousSparrow com alta confiança. Entre as evidências está o fato de que, nos primeiros ataques envolvendo o novo malware, ele chegou a ser implantado pelo SparrowDoor, backdoor associado exclusivamente ao grupo. Os pesquisadores também identificaram tentativas de instalação do SparroWocky em organizações anteriormente atacadas com o SparrowDoor. Tecnicamente, o SparroWocky é um backdoor modular desenvolvido em C++ e projetado para oferecer acesso remoto persistente enquanto dificulta sua identificação. O malware consegue executar arquivos e comandos, atuar como proxy TCP, realizar operações no sistema de arquivos, capturar screenshots periodicamente e exfiltrar dados. Também coleta informações como nome do computador, usuário, domínio, versão do Windows e endereços IP das interfaces de rede. Os dados roubados são protegidos com RC4 e transmitidos por TLS para a infraestrutura de comando e controle (C2). Dependendo da configuração, o SparroWocky estabelece persistência criando um serviço do Windows ou adicionando uma entrada à chave Run do Registro. Os servidores C2 são acessados diretamente por endereços IP, principalmente pela porta 443, embora conexões pela porta 8080 também tenham sido observadas. Outro aspecto destacado pela análise é a incorporação direta de projetos open source ao malware. O SparroWocky utiliza Mbed TLS para comunicação criptografada, MinHook para interferir na criação de threads e ocultar seus endereços iniciais de ferramentas de segurança, além de um COFF Loader que permite carregar e executar plugins diretamente na memória na forma de COFF/Beacon Object Files. O malware também emprega uma variante de técnicas conhecidas como SilentMoonwalk ou StackMoonwalk para falsificar a call stack durante determinadas operações. Em conjunto com resolução dinâmica de APIs e manipulações de estruturas internas do Windows, essas técnicas procuram dificultar a análise e reduzir a visibilidade do código malicioso para soluções de segurança. Segundo a ESET, a arquitetura demonstra conhecimento avançado de mecanismos anti-análise e componentes internos do Windows. A implantação mantém algumas características observadas anteriormente no SparrowDoor. O ataque utiliza DLL side-loading: um executável legítimo carrega uma DLL maliciosa, que posteriormente descriptografa e executa o payload principal. O vetor utilizado inicialmente pelos invasores para comprometer as organizações analisadas, porém, não foi determinado na investigação mais recente. A mudança para o SparroWocky representa mais do que uma atualização do SparrowDoor. A ESET afirma que se trata de uma família de malware diferente, embora preserve conceitos e funcionalidades presentes na ferramenta anterior. A nova arquitetura também integra diretamente componentes open source que antes eram utilizados como ferramentas independentes durante as operações do grupo. Sobre a concentração dos ataques na América Latina, os pesquisadores avaliam que ela pode estar relacionada ao aumento da disputa de interesses entre China e Estados Unidos na região. A ESET cita investimentos chineses de longo prazo em setores como energia, mineração e telecomunicações e considera possível que as operações tenham como objetivo obter informações sobre as respostas dos governos latino-americanos às iniciativas norte-americanas. Essa interpretação é uma avaliação dos pesquisadores, e ainda não está claro se o foco regional representa uma missão permanente do grupo ou uma mudança temporária motivada pelo contexto geopolítico.

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