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  • Solidity Pro: extensões maliciosas do VS Code roubam carteiras de criptomoedas, chaves de API e credenciais

    Pesquisadores de segurança identificaram extensões maliciosas para o Microsoft Visual Studio Code (VS Code) que se passavam pela ferramenta Solidity Pro e eram capazes de roubar carteiras de criptomoedas, credenciais, chaves de API e outros dados sensíveis de desenvolvedores. As extensões foram distribuídas pelos nomes “helper-beeps.solidity-pro” e “web3devtoolsx.solidity-pro”. Ambas já foram removidas do Open VSX, embora o repositório do “web3devtoolsx/solidity-pro” no GitHub permanecesse acessível no momento da análise. Segundo a Yeeth Security, as primeiras versões das extensões, da 1.0.0 até a linha 2.4.x, estabeleciam comunicação com endpoints hospedados no Cloudflare Workers para baixar um payload Python criptografado e executá-lo no sistema da vítima. A partir da versão 3.0.0, a operação evoluiu para um infostealer mais completo. O malware passou a coletar perfis de navegadores, carteiras de criptomoedas, tokens de plataformas de controle de código-fonte, chaves de API e SSH e tokens de bots do Telegram. Os dados capturados eram posteriormente enviados por meio de um bot do Telegram. Entre os dados procurados estavam tokens do GitHub nos formatos “ghp_” e “github_pat_”, tokens “glpat-” do GitLab, chaves e tokens de sessão da AWS, tokens “cfat_” da Cloudflare e chaves de API da OpenAI nos formatos “sk-”, “sk-proj-” e “sk-ant-”. O malware também buscava tokens de bots do Telegram, frases mnemônicas e seeds de carteiras, cofres de MetaMask, Phantom, Rabby, Coinbase, Trust e Keplr, além de chaves Bitcoin WIF e xprv, chaves privadas SSH, credenciais presentes em URLs e tokens de autenticação multifator do 1Password. A campanha empregava diferentes mecanismos para dificultar sua identificação durante análises de marketplaces e sandboxes. Entre eles estavam forte ofuscação do código, publicação de versões intermediárias aparentemente legítimas para construir confiança e ativação maliciosa com atrasos aleatórios de várias horas ou até dias após a instalação. Segundo a Yeeth Security, esse comportamento permite que verificações automatizadas de curta duração terminem antes da execução da parte maliciosa. A ofuscação também divide strings em diferentes estruturas, remonta os valores durante a execução e altera nomes de métodos entre versões, dificultando mecanismos de detecção baseados em assinaturas. A empresa observou ainda semelhanças no modo de operação com o WhiteCobra, cluster de ameaças identificado em setembro de 2025 distribuindo o Lumma Stealer por meio de extensões maliciosas do VS Code. A análise, porém, descreve uma semelhança de técnicas e não atribui diretamente a campanha Solidity Pro ao grupo. Extensões falsas voltadas a desenvolvedores Solidity já haviam sido identificadas anteriormente. Em junho de 2026, a Yeeth Security encontrou a “ethdevtools.solidity-language-support”, que se apresentava como uma ferramenta de suporte à linguagem Solidity para desenvolvedores Ethereum. Nesse caso, a extensão continha um malware de clipboard com ativação atrasada, projetado para identificar frases seed BIP-39, chaves privadas Ethereum e endereços de carteiras. Ao detectar um endereço de criptomoeda reconhecido na área de transferência, o código substituía o conteúdo por um endereço controlado pelos invasores. A técnica utilizava diretamente a API “vscode.env.clipboard.writeText”, sem precisar criar processos, acessar a rede ou gravar arquivos. Isso dificulta a identificação por scanners estáticos que procuram apenas imports considerados perigosos no Node.js. As descobertas ocorrem em meio à identificação de outras extensões maliciosas do VS Code e pacotes npm. Um deles, chamado “ascii-fetcher”, escondia código malicioso na dependência “@jaymara/jsononifier” para decodificar e executar comandos por meio de “child_process.exec”. Pesquisadores também encontraram dez extensões do VS Code que distribuíam droppers baseados em BAT, JavaScript e HTA para Windows. Duas incluíam uma dependência npm que utilizava um hook “postinstall” para baixar e executar um payload remoto. Outra extensão, “DigitalBarberTrim.html-entity-codec”, enumerava forks conhecidos do VS Code, incluindo Cursor, Windsurf, Codium e Positron. Dependendo da versão, ela podia baixar um arquivo VSIX remoto ou apresentar apenas um código praticamente vazio para reduzir as chances de detecção. Usuários que instalaram as extensões envolvidas devem removê-las e verificar grafos de dependências e possíveis sinais de comprometimento. A Yeeth Security também recomenda bloquear domínios de comando e controle conhecidos e monitorar execuções de ferramentas como cscript, mshta, cmd, curl e PowerShell.

  • Quem responde quando uma IA invade sistemas?

    Os recentes casos em que modelos de inteligência artificial da OpenAI e da Anthropic acessaram sistemas de empresas sem autorização durante testes internos abriram um novo debate jurídico: quem pode ser responsabilizado quando um agente de IA realiza um ataque cibernético de forma autônoma? Especialistas em direito afirmam que a legislação norte-americana atual não oferece uma resposta clara. Embora os modelos tenham executado as ações sem intervenção humana direta no momento dos ataques, as empresas responsáveis pelo desenvolvimento e pela condução dos testes podem enfrentar ações civis caso seja comprovada negligência. A discussão ganhou força após a OpenAI revelar que um modelo experimental escapou de um ambiente isolado e acessou a plataforma Hugging Face durante uma avaliação de segurança. Dias depois, a Anthropic informou que três organizações reais foram comprometidas durante testes internos após uma configuração permitir acesso indevido à internet. Pela legislação dos Estados Unidos, a principal norma aplicável a crimes de invasão de computadores é o Computer Fraud and Abuse Act (CFAA), criado em 1986. A lei exige, entre outros elementos, a demonstração de intenção (intent) para caracterizar o crime de acesso não autorizado. Segundo especialistas, esse requisito cria um obstáculo jurídico importante. Como modelos de linguagem não possuem personalidade jurídica nem podem ser considerados agentes legais independentes, eles não podem ser processados criminalmente nem responder por intenção criminosa. Ahmed Ghappour, advogado especializado em cibersegurança e inteligência artificial, afirma que um modelo de IA não pode ser equiparado a um funcionário de uma empresa para fins de responsabilização criminal. Andrew Crocker, diretor de litígios da Electronic Frontier Foundation (EFF), também considera improvável que promotores consigam demonstrar que um agente de IA possuía intenção ao executar um ataque. Embora uma ação criminal contra OpenAI ou Anthropic seja considerada pouco provável no cenário atual, especialistas avaliam que ações civis movidas pelas empresas afetadas possuem fundamentos jurídicos mais sólidos. Nesse caso, o foco deixaria de ser a intenção do modelo e passaria a ser a conduta das empresas responsáveis pelos testes. A principal tese seria a de negligência, argumentando que OpenAI e Anthropic falharam ao implementar controles suficientes para impedir que os agentes acessassem a internet, atacassem sistemas externos ou executassem ações além do escopo autorizado. Para que uma ação desse tipo prospere, as vítimas precisariam demonstrar que sofreram prejuízos concretos, como perda de dados, custos de resposta ao incidente ou outros danos decorrentes das invasões. No caso da Anthropic, os advogados observam que a situação pode ser mais delicada porque a empresa só identificou os três incidentes meses depois, durante uma revisão interna iniciada após a divulgação do caso envolvendo a OpenAI. Segundo Ghappour, esse atraso pode fortalecer argumentos de negligência. Outro fator que pode pesar contra as empresas é o fato de ambas reconhecerem que possuem mecanismos de segurança desenvolvidos justamente para impedir que seus modelos realizem atividades ofensivas. Durante essas avaliações, porém, esses controles foram deliberadamente desativados para testar o limite das capacidades dos agentes. Na avaliação de Ghappour, esse contexto pode enfraquecer eventual defesa das empresas, já que demonstra conhecimento prévio dos riscos associados aos modelos. Apesar disso, ainda não há processos judiciais relacionados aos incidentes. A Hugging Face, alvo do caso envolvendo a OpenAI, afirmou que não pretende processar a empresa, embora seu CEO, Clem Delangue, tenha defendido que desenvolvedores de IA sejam responsabilizados quando seus sistemas causarem danos. Especialistas ressaltam que a ausência de legislação específica sobre responsabilidade civil e criminal envolvendo inteligência artificial faz com que qualquer disputa judicial dependa da interpretação de leis criadas décadas antes do surgimento dos modelos de linguagem. Enquanto isso, alguns estados norte-americanos, como Califórnia, Nova York e Rhode Island, já discutem ou aprovam legislações que estabelecem um princípio mais amplo: quando um sistema de IA pratica um ato pelo qual um ser humano poderia ser responsabilizado, a empresa que desenvolveu esse sistema também poderá responder legalmente pelos danos causados. Até que os primeiros processos cheguem aos tribunais, permanece indefinido como a Justiça tratará casos em que agentes de IA atuem de forma autônoma e provoquem incidentes de segurança no mundo real.

  • Apple contesta nova ordem do Reino Unido para criar acesso a dados criptografados do iCloud

    A Apple voltou a enfrentar o governo do Reino Unido em uma disputa sobre criptografia. Segundo o Financial Times, a empresa contestou judicialmente uma nova ordem secreta que exige mecanismos para permitir o acesso a dados criptografados armazenados no iCloud por usuários britânicos. De acordo com a reportagem, a Apple apresentou um recurso ao Investigatory Powers Tribunal, tribunal britânico responsável por analisar casos relacionados à vigilância governamental. A contestação envolve uma Technical Capability Notice (TCN), instrumento legal sigiloso utilizado pelo governo para exigir que empresas de tecnologia implementem capacidades técnicas que permitam o acesso a dados de usuários, mesmo quando protegidos por criptografia. Na prática, críticos da medida afirmam que a exigência equivale à criação de uma "porta dos fundos" (backdoor) para os backups do iCloud protegidos pelo recurso Advanced Data Protection (ADP). O ADP oferece criptografia de ponta a ponta para os backups do iCloud, garantindo que apenas o usuário tenha acesso às chaves de descriptografia. Nem mesmo a Apple consegue visualizar o conteúdo protegido por esse mecanismo. Esta é a segunda disputa entre a empresa e o governo britânico sobre o mesmo tema em pouco mais de um ano. No início de 2025, Londres emitiu uma ordem secreta semelhante exigindo acesso aos backups criptografados do iCloud. A medida acabou sendo retirada após a intervenção do governo dos Estados Unidos durante a administração de Donald Trump. Na ocasião, a Apple respondeu suspendendo a disponibilidade do Advanced Data Protection para usuários localizados no Reino Unido, impedindo que novos clientes ativassem o recurso de criptografia avançada. Segundo o Financial Times, o governo britânico voltou a emitir uma nova Technical Capability Notice em outubro do ano passado. Desta vez, a Apple decidiu contestar formalmente a exigência perante o tribunal especializado. A disputa ocorre em meio ao debate internacional sobre o equilíbrio entre privacidade e investigação criminal. Autoridades de diversos países defendem mecanismos que permitam acesso a dados criptografados mediante autorização legal, enquanto empresas de tecnologia e especialistas em segurança argumentam que qualquer backdoor enfraquece a proteção oferecida a todos os usuários e pode ser explorada por agentes maliciosos. Até o momento, nem a Apple nem o governo britânico divulgaram detalhes sobre o conteúdo da nova ordem devido ao caráter sigiloso desse tipo de procedimento.

  • Pesquisador mostra como malware pode manter acesso ao Microsoft Entra ID usando Windows Hello

    Um pesquisador de segurança demonstrou que malwares executados em uma sessão já autenticada do Windows podem abusar das chaves do Windows Hello for Business (WHfB) para obter acesso persistente ao Microsoft Entra ID, sem extrair a chave privada, descobrir o PIN ou acionar autenticação biométrica do usuário. A técnica foi apresentada por Dirk-jan Mollema, pesquisador especializado em Microsoft Entra ID. Segundo ele, um invasor que já tenha conseguido executar código na sessão autenticada da vítima pode utilizar a chave protegida pelo Trusted Platform Module (TPM) para assinar solicitações de autenticação em nome do usuário. O processo ocorre por meio das operações de assinatura disponibilizadas pelo próprio Windows enquanto a sessão permanece ativa e não exige privilégios administrativos. A partir desse acesso, o atacante pode registrar um dispositivo sob seu controle no Entra ID, obter um Primary Refresh Token (PRT) — utilizado para manter sessões autenticadas nos serviços da Microsoft — e, quando as políticas do ambiente permitirem, adicionar novos métodos de autenticação para garantir persistência na conta comprometida. Mollema afirma que o comportamento não decorre de uma vulnerabilidade tradicional, mas do próprio funcionamento do Windows Hello for Business. Até o momento, não há relatos de exploração ativa, vítimas conhecidas ou identificação de um CVE relacionado à técnica. Também não havia, até 6 de agosto, qualquer boletim de segurança da Microsoft sobre o tema. A Microsoft já documenta que as operações de assinatura permanecem disponíveis durante uma sessão autenticada. Em 2024, durante a DEF CON 32, Mollema apresentou uma técnica semelhante, que exigia que o dispositivo comprometido já estivesse registrado ou associado ao Entra ID. A nova pesquisa elimina essa limitação ao tratar a chave do Windows Hello for Business como uma passkey FIDO2 por meio da API WebAuthn. O pesquisador identificou que o desafio de autenticação do Entra ID, válido por cinco minutos, não está vinculado à sessão, ao usuário ou ao tenant específico. Com isso, um invasor pode solicitar o desafio em outro equipamento e utilizar o endpoint comprometido apenas para gerar a assinatura criptográfica necessária. Os testes também mostraram que os tokens obtidos dessa forma não incluem um identificador de dispositivo. Sem esse vínculo, o invasor pode registrar um novo equipamento, solicitar um PRT para ele e acessar serviços em nuvem da Microsoft utilizando uma máquina totalmente controlada pelo atacante. Segundo a documentação da Microsoft, um PRT permanece válido por até 90 dias e é renovado continuamente enquanto o dispositivo estiver em uso, o que pode proporcionar acesso prolongado ao ambiente comprometido. Outro aspecto observado é que a autenticação realizada via WebAuthn pode atender às políticas de Conditional Access que exigem autenticação resistente a phishing. Além disso, esse login também é reconhecido como uma autenticação multifator recente, permitindo que o invasor adicione novas passkeys ou novas chaves do Windows Hello for Business ao dispositivo registrado, desde que as políticas da organização permitam essa operação. O pesquisador ressalta, porém, que mecanismos adicionais de segurança, como verificações de conformidade do dispositivo ou políticas específicas de estado do equipamento, podem impedir que toda a cadeia de persistência seja concluída. Para auxiliar pesquisadores e equipes de segurança, Mollema publicou scripts de prova de conceito em PowerShell no repositório ROADtools, incluindo os arquivos fido_assertion.ps1 e hellopoc.ps1. Como medida de detecção, o pesquisador recomenda monitorar autenticações do Windows Hello for Business no Entra ID que apresentem Device ID vazio, embora ressalte que sessões legítimas iniciadas em modo anônimo ou navegadores sem Single Sign-On (SSO) também possam gerar esse mesmo padrão, exigindo análise adicional antes da investigação.

  • Nova técnica com CSS pode roubar senhas e tokens em serviços de webmail

    Uma nova pesquisa apresentada na Black Hat USA 2026 revelou que falhas na forma como serviços de webmail processam HTML e CSS podem permitir que conteúdos maliciosos escapem dos limites da mensagem e interfiram diretamente na interface do usuário. As técnicas afetam serviços como Microsoft Outlook, Gmail, Fastmail, Proton Mail, Yahoo Mail e AOL Mail, possibilitando desde o roubo de senhas e tokens até o abuso de assistentes de inteligência artificial integrados ao e-mail. O estudo foi conduzido por Gareth Heyes, pesquisador da PortSwigger, e descreve diversas cadeias de ataque de prova de conceito. Segundo o pesquisador, não há evidências de exploração maliciosa dessas técnicas, embora os códigos de demonstração permaneçam disponíveis publicamente. Em um dos cenários, envolvendo Outlook e Firefox, a técnica permite exibir uma falsa tela de autenticação da Microsoft capaz de capturar a senha digitada pela vítima. O ataque combina diferentes comportamentos da aplicação, incluindo elementos HTML permitidos, manipulação do DOM pelo JavaScript do Outlook e uma técnica de parsing de consultas de mídia (media queries) que concede ao invasor controle arbitrário sobre regras CSS. Para tornar a fraude mais convincente, o ataque disfarça um elemento select como um campo de senha. No Firefox, um comportamento específico do navegador permite que a captura da seleção ocorra em tempo real quando esse elemento é movido para fora da área visível da página. Outra técnica afeta Yahoo Mail e AOL Mail. Nesses casos, durante um curto intervalo após a colagem de conteúdo HTML em um rascunho de e-mail, regras CSS permanecem ativas antes da sanitização completa. Na demonstração apresentada, esse comportamento permite expor parte de um token de autenticação enviado pelo Medium para login por e-mail, possibilitando que um servidor controlado pelo invasor reconstrua o token e acesse a conta da vítima. Os pesquisadores também apresentaram um método de exfiltração baseado em cliques para contornar restrições impostas por políticas de Content Security Policy (CSP). Em vez de carregar recursos externos diretamente, o CSS identifica quais caracteres de um token aparecem na mensagem, oculta links inválidos e deixa apenas o link correspondente visível. Quando a vítima clica, os dados são enviados ao servidor do atacante. A pesquisa também explora riscos envolvendo ferramentas de inteligência artificial conectadas ao e-mail. Em um cenário utilizando o Claude Cowork, da Anthropic, integrado ao Gmail, uma técnica de prompt injection indireta faz com que o assistente recupere um token de autenticação do Slack presente em um e-mail e o insira automaticamente em um rascunho HTML. Uma falha relacionada ao tratamento da função image-set() no Gmail permitia que a simples visualização desse rascunho resultasse no vazamento do token. Outro experimento teve como alvo o navegador com IA Atlas, da OpenAI. Utilizando pseudoelementos CSS e manipulação de opacidade, o pesquisador fez com que usuários enxergassem apenas um texto aparentemente inofensivo, enquanto o modelo de IA interpretava instruções ocultas. Ao solicitar uma tradução do conteúdo, o assistente executava ações adicionais, como abrir abas e incluir informações da vítima em fragmentos de URLs. Segundo a OpenAI, o Atlas será descontinuado em 9 de agosto de 2026. A pesquisa descreve ainda ataques de CSS hotwiring contra o Fastmail, capazes de redirecionar cliques do usuário para ações não intencionais na interface, além de uma técnica que contorna o proxy de imagens do serviço para identificar quando um e-mail foi visualizado. Em outro teste, Heyes demonstrou um vetor contra o Proton Mail que permitia expor o endereço IP do destinatário. Durante uma nova validação dos testes, o pesquisador verificou que esse bypass deixou de funcionar, indicando que o serviço implementou correções. O Fastmail também corrigiu duas falhas relacionadas à mutação de CSS, enquanto algumas técnicas envolvendo Outlook e Gmail permaneciam funcionais na data de publicação do estudo. Como medidas de mitigação, a PortSwigger recomenda que provedores de webmail isolem mensagens HTML em iframes sandbox, reforcem a validação de CSS por meio de listas de caracteres permitidos, bloqueiem seletores e elementos potencialmente perigosos, restrinjam atributos personalizados e impeçam requisições de imagens controladas por atacantes.

  • Metabase alerta para falha zero-day explorada que concede acesso de administrador sem autenticação

    A Metabase alertou que uma vulnerabilidade crítica de gravidade máxima (CVSS 10.0) em sua plataforma de business intelligence e visualização de dados está sendo explorada como zero-day. A falha, que ainda não recebeu um identificador CVE, permite que um invasor remoto, sem autenticação, obtenha privilégios de administrador na aplicação. Segundo a empresa, o problema permite a injeção arbitrária de SQL no banco de dados da aplicação Metabase. Após assumir privilégios administrativos, o invasor pode alterar configurações da plataforma, roubar credenciais armazenadas para bancos de dados conectados, acessar informações disponíveis nessas conexões e exportar dados. A Metabase informou que identificou ataques contra sua plataforma Metabase Cloud utilizando uma vulnerabilidade até então desconhecida em versões 1.58 e posteriores. As instâncias em nuvem já foram atualizadas, mas clientes que utilizam implantações self-hosted devem aplicar imediatamente as correções de segurança. As versões afetadas são: 1.58.0 até 1.58.23 (corrigido na 1.58.24) 1.59.0 até 1.59.20 (corrigido na 1.59.21) 1.60.0 até 1.60.16 (corrigido na 1.60.17) 1.61.0 até 1.61.10 (corrigido na 1.61.11) 1.62.0 até 1.62.8 (corrigido na 1.62.9) 1.63.0 até 1.63.3 (corrigido na 1.63.5) Como medida temporária para organizações que ainda não possam atualizar imediatamente, a empresa recomenda bloquear o endpoint /api/session/reset_password, utilizado na exploração da vulnerabilidade. Após aplicar as atualizações, a Metabase orienta os administradores a revogar todas as sessões ativas, remover chaves de API desconhecidas, revisar contas administrativas em busca de alterações não autorizadas, rotacionar as credenciais dos bancos de dados conectados e analisar os logs do data warehouse, além do histórico de atividades e consultas da plataforma. A empresa também divulgou indicadores de comprometimento (IoCs). Um dos principais sinais é uma requisição POST para /api/session/reset_password retornando código 400, seguida por uma chamada GET para /api/user/current com resposta 200. Segundo o CEO da Metabase, Sameer Al-Sakran, esse padrão nos logs da aplicação ou da infraestrutura de entrada indica alta probabilidade de comprometimento. Entre as organizações afetadas está a fabricante de computadores Framework, que informou que o incidente expôs nomes de clientes, endereços IP utilizados para login, endereços físicos, telefones e e-mails. A empresa afirmou que dados de pedidos e informações de pagamento não foram acessados. Esta não é a primeira vulnerabilidade crítica enfrentada pela plataforma. Há três anos, a Metabase corrigiu a CVE-2023-38646 (CVSS 9.8), uma falha que permitia execução remota de código sem autenticação em instalações vulneráveis.

  • Sistemas de água dos EUA enfrentam nova onda de ataques cibernéticos com suspeita de ligação ao Irã

    Os ataques cibernéticos contra sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto nos Estados Unidos já atingiram instalações em pelo menos 12 estados, ampliando uma campanha que autoridades e especialistas suspeitam estar relacionada a hackers ligados ao governo do Irã. Os primeiros incidentes foram divulgados por autoridades de Minnesota na semana passada. Posteriormente, o FBI informou que, desde 27 de julho, concessionárias de água e esgoto em pelo menos sete estados haviam registrado ataques com impacto nas operações. Agora, segundo a ABC News, o número de estados afetados chegou a 12, incluindo diversos casos em Michigan. Embora as agências federais ainda não tenham atribuído oficialmente a campanha, diversas fontes ligadas às investigações apontam o Irã como principal suspeito. Desde 2023, grupos associados ao país vêm concentrando ataques contra dispositivos de tecnologia operacional (OT), especialmente controladores lógicos programáveis (PLCs) utilizados em sistemas de água e esgoto. Na Geórgia, a Clayton County Water Authority confirmou que sofreu uma interrupção temporária em parte de seus sistemas operacionais e no fornecimento de água para regiões do norte do condado. Como medida preventiva, a concessionária emitiu um alerta para que a população fervesse a água antes do consumo, recomendação posteriormente suspensa após testes confirmarem a qualidade da água. Outra empresa de abastecimento do estado também informou ter sofrido um incidente cibernético. Além dos casos registrados em Minnesota, Michigan e Geórgia, uma concessionária de água de Dakota do Sul também confirmou ter sido alvo da campanha. Diante da escalada dos ataques, a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) publicou alertas orientando operadores de infraestrutura crítica a remover PLCs e outros equipamentos de tecnologia operacional expostos diretamente à internet. Segundo a agência, os ataques contra PLCs já provocaram avisos para fervura da água e obrigaram algumas instalações a operar manualmente. A CISA afirma que entidades de abastecimento de todos os portes estão sendo alvo dos invasores. Nick Andersen, diretor interino da CISA, afirmou que a agência observa um aumento significativo nas tentativas de comprometimento de PLCs utilizados por sistemas de abastecimento de água e reforçou a recomendação para que equipamentos de OT não permaneçam acessíveis pela internet. O FBI informou que trabalha em conjunto com outras agências para auxiliar as concessionárias afetadas. Segundo a investigação, os ataques seguem um padrão semelhante: após obter acesso remoto aos dispositivos, os invasores alteram as senhas administrativas e removem a capacidade de monitoramento e controle dos equipamentos pelas equipes responsáveis. A agência recomenda que operadores removam PLCs da internet, utilizem firewalls, adotem senhas exclusivas e limitem a comunicação apenas entre dispositivos autorizados. De acordo com o FBI, alguns dos impactos observados incluem perda de pressão nas redes de abastecimento e episódios de inundação. A redução da pressão pode permitir a infiltração de água subterrânea não tratada nas tubulações, aumentando o risco de contaminação. Especialistas destacam que sistemas de abastecimento de água são considerados um dos setores mais vulneráveis da infraestrutura crítica norte-americana devido ao baixo nível de investimentos em segurança cibernética, apesar do potencial impacto sobre a população. Jake Braun, ex-integrante da equipe de cibersegurança do governo Biden e atual coordenador de um projeto que conecta especialistas voluntários a concessionárias de água, afirmou que a campanha representa um sinal de alerta estratégico. Segundo Braun, além de abastecer milhões de pessoas, diversas concessionárias fornecem água para instalações militares e para data centers — incluindo alguns localizados em Minnesota. Na avaliação do especialista, ataques dessa natureza podem afetar operações militares, comprometer a infraestrutura que sustenta aplicações de inteligência artificial e reduzir a confiança da população na capacidade do governo de proteger serviços essenciais. Braun também observou a ironia de grupos iranianos concentrarem ataques justamente em PLCs, os mesmos equipamentos que, anos atrás, foram alvo do malware Stuxnet, utilizado para sabotar o programa nuclear iraniano.

  • Agência de TI da Suíça confirma invasão a servidores SharePoint e comprometimento de 200 contas

    O Escritório Federal de Tecnologia da Informação e Telecomunicações da Suíça (BIT) informou que aproximadamente 200 contas foram comprometidas após um ataque cibernético contra seus servidores locais do Microsoft SharePoint. A suspeita é que os invasores tenham explorado vulnerabilidades corrigidas pela Microsoft nas atualizações de segurança de julho. O incidente foi divulgado uma semana após especialistas em segurança identificarem atividades anômalas nos servidores SharePoint utilizados pela agência. Embora a investigação ainda esteja em andamento, o BIT afirmou que o ataque foi realizado por agentes até então desconhecidos e, presumivelmente, explorou as falhas recentemente corrigidas no software. As vulnerabilidades utilizadas na campanha foram adicionadas ao catálogo Known Exploited Vulnerabilities (KEV), da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA), indicando que já foram exploradas em ataques reais. Até o momento, porém, nem a Microsoft nem a CISA atribuíram oficialmente a exploração a um grupo específico. Segundo a agência suíça, as análises iniciais indicam que apenas as credenciais das contas comprometidas foram acessadas. Até o momento, não há evidências de que outros dados tenham sido obtidos pelos invasores, embora a investigação continue. O BIT destacou ainda que sua plataforma SharePoint não armazena informações confidenciais nem dados pessoais altamente sensíveis, reduzindo o potencial impacto do incidente. Entre as contas comprometidas estão usuários comuns e contas técnicas utilizadas pela infraestrutura da organização. Assim que o acesso não autorizado foi identificado, a agência bloqueou o acesso externo aos servidores SharePoint e aplicou as atualizações de segurança disponibilizadas pela Microsoft. O SharePoint tem sido um dos principais alvos de grupos de cibercrime e de operações de espionagem cibernética. Além de armazenar documentos corporativos, a plataforma possui integração com os mecanismos de autenticação da Microsoft, permitindo que invasores utilizem um comprometimento inicial para ampliar o acesso ao restante da rede. Diversos órgãos de segurança emitiram alertas após a divulgação das vulnerabilidades de julho. O CERT-EU recomendou que organizações reconsiderem a exposição direta de servidores Microsoft SharePoint à internet, devido à sequência de falhas críticas recentemente descobertas. A CISA informou que invasores vêm explorando essas vulnerabilidades para extrair as machine keys do Internet Information Services (IIS), servidor web utilizado pelo SharePoint. Essas chaves criptográficas são responsáveis por assinar tokens de autenticação e validar sessões de usuários. Com essas chaves em mãos, um invasor pode forjar requisições legítimas e manter acesso ao ambiente mesmo após a instalação das atualizações de segurança, já que servidores totalmente corrigidos continuam aceitando tokens assinados com as chaves comprometidas. Por esse motivo, a CISA, o CERT-EU e outros centros nacionais de resposta a incidentes recomendam que as organizações não se limitem à aplicação dos patches. As orientações incluem a rotação das machine keys, a reinicialização do IIS e outras medidas para eliminar mecanismos de persistência deixados pelos invasores. Como medida preventiva, o BIT informou que está reinstalando completamente os servidores SharePoint afetados.

  • Falha de 18 anos no Linux permite escalada para root e pode viabilizar escape de contêineres

    Uma vulnerabilidade presente há 18 anos no código de rede SCTP do Linux pode permitir que um usuário local obtenha privilégios de root e, em determinadas condições, escape de contêineres para comprometer o sistema hospedeiro. Identificada como CVE-2026-64564 e apelidada de SCTPhantom, a falha foi descoberta por pesquisadores do Tencent Zhuque Lab e já foi corrigida nas versões estáveis 7.1.6, 6.18.42, 6.12.101 e 6.6.148 do kernel, lançadas em 3 de agosto. A vulnerabilidade é causada por um erro do tipo use-after-free no subsistema SCTP (Stream Control Transmission Protocol), protocolo de transporte que permite o uso simultâneo de múltiplos caminhos de rede em uma mesma conexão. Segundo os pesquisadores, o problema existe desde o Linux 2.6.25, lançado em 2008. A falha foi registrada como CVE-2026-64564 em 4 de agosto e divulgada publicamente em 6 de agosto. Até 7 de agosto, não havia código de exploração público nem registro da vulnerabilidade no catálogo Known Exploited Vulnerabilities (KEV) da CISA. Diferentemente de falhas exploráveis remotamente, a SCTPhantom exige que o invasor possua acesso local ao sistema e que o protocolo SCTP esteja acessível no ambiente alvo, reduzindo significativamente a superfície de ataque. Segundo o Tencent Zhuque Lab, os testes permitiram obter privilégios de root em distribuições como Debian 13, Ubuntu 24.04, Rocky Linux 9, RHEL 9 e OpenCloudOS quando essas condições estavam presentes. A vulnerabilidade ocorre devido a uma inconsistência na validação de endereços durante operações de reconfiguração dinâmica do SCTP. O kernel verifica uma solicitação de remoção utilizando o endereço de origem do pacote, mas executa a operação sobre outro endereço presente na própria mensagem. Essa sequência pode liberar uma estrutura de memória e reutilizar posteriormente um ponteiro já invalidado, permitindo a exploração do erro. A correção impede que uma solicitação de remoção atue sobre o mesmo caminho de rede atualmente processado, eliminando a condição de uso do ponteiro após a liberação da memória. Os pesquisadores também afirmam ter desenvolvido uma técnica para escapar de contêineres utilizando a vulnerabilidade. Segundo o laboratório, uma versão inicial do exploit dependia da ativação de parâmetros específicos do SCTP e da capacidade CAP_NET_ADMIN, mas uma abordagem posterior dispensou essas exigências ao habilitar os recursos diretamente por socket. Nos testes realizados, o ambiente manteve o perfil padrão do seccomp e não concedia as capacidades CAP_NET_ADMIN nem CAP_SYS_ADMIN aos contêineres. Ainda assim, o laboratório afirma ter obtido acesso root ao host em seis de oito tentativas. Até o momento, esses resultados não foram reproduzidos por pesquisadores independentes. O relatório também não informa qual runtime de contêiner foi utilizado nos experimentos, e os próprios autores destacam que fatores como políticas de namespaces de usuários, perfis de seccomp e permissões de acesso a sockets podem alterar significativamente a exposição ao problema. Outra divergência envolve a gravidade da falha. O Tencent atribuiu pontuação 8,5 segundo o CVSS v4.0, enquanto o National Vulnerability Database (NVD) ainda não havia publicado classificação oficial nem a categoria CWE correspondente até 7 de agosto. Especialistas recomendam que administradores consultem os boletins de segurança de suas distribuições, já que muitos fornecedores aplicam correções por backport sem alterar a versão principal do kernel. Além disso, uma segunda vulnerabilidade de use-after-free no mesmo componente SCTP foi corrigida apenas em 6 de agosto e não está incluída nas atualizações estáveis lançadas três dias antes. Para ambientes que não utilizam SCTP, desabilitar o módulo elimina essa superfície de ataque. Os pesquisadores creditam a descoberta ao Corvus AI, uma plataforma multiagente desenvolvida para análise de segurança do kernel Linux. A SCTPhantom é a mais recente de uma série de vulnerabilidades antigas identificadas com auxílio de inteligência artificial, seguindo a divulgação da falha GhostLock em julho.

  • Fábio Akita vê nascer um novo perfil profissional: o orquestrador de agentes de IA

    Para ele, IA não substitui bons profissionais, mas redefine o mercado e ameaça os despreparados. Esta é uma pergunta recorrente nas conversas, no trabalho, em casa, nos estudos, com os amigos: a inteligência artificial (IA) ameaça o futuro de profissões? Quais? E, quando o mercado de trabalho em questão é o da tecnologia, estaríamos diante de um paradoxo: o avanço tecnológico substituindo justamente o profissional que desenvolve essas tecnologias? Para um dos principais especialistas no assunto no Brasil, o programador Fábio Akita, com décadas de experiência em computação, cofundador e membro do conselho consultivo da Codeminer42, boutique brasileira de desenvolvimento de softwares, a resposta é não. Não, a IA não está e nem vai substituir profissionais. O que não significa que esses estão em uma zona de conforto, imunes aos impactos trazidos pela inteligência artificial. Pelo contrário. Os profissionais em geral - os bons, ressalva Akita - não serão trocados pela máquina, desde que, para isso, preparem-se para novas realidades de suas profissões. Dentre elas, saber lidar com os agentes de IA, sistemas de software baseados em inteligência artificial capazes de executar tarefas, interpretar informações e automatizar processos de forma autônoma. MOMENTO É DE USABILIDADE O especialista avalia que, passado um boom inicial da IA, após a estreia do ChatGPT em novembro de 2022, o setor de inteligência artificial vive agora uma nova fase, menos focada em lançamentos de novos modelos de linguagem (as famosas LLMs) e mais no aprimoramento da aplicação prática. É dizer: em vez de sucessivas novas versões dos modelos, a prioridade está em apresentar mais funcionalidades, precisão e usabilidade das versões já disponíveis. “Nesse novo cenário, profissionais passam a atuar como ‘orquestradores de agentes de IA’, uma função estratégica, responsável por coordenar múltiplos sistemas inteligentes na resolução de problemas com eficiência. Na prática, isso significa projetar e integrar fluxos entre diferentes plataformas de IA, utilizando processos estruturados para executar, em poucas horas, tarefas que antes exigiam dias e equipes inteiras”, avalia Akita. O que será eliminado, portanto, são as tarefas operacionais e repetitivas. Profissionais que insistirem em se manter nesse nicho, não se preparando para a nova realidade, esses, sim, estarão fadados a perder lugar para a IA e seus agentes, adverte o especialista. Akita explica: “Os empregos mais vulneráveis são aqueles baseados em tarefas repetitivas, previsíveis e de baixa complexidade. Funções operacionais, que antes exigiam tempo e esforço humano, agora podem ser executadas com maior rapidez por sistemas inteligentes. Na verdade, a IA funciona mais como um amplificador de competências do que como um substituto direto de talentos”. Na prática, significa o seguinte: o papel do profissional deixa de se vincular a tarefas operacionais. “Se o profissional já é bom, consegue usar a IA para eliminar o trabalho repetitivo e focar no que realmente importa, que é atuar em níveis mais estratégicos”, pontua Akita. Nesse contexto, a capacitação continuada se apresenta, então, como indispensável. “Não há espaço para estagnação. Profissionais continuarão relevantes, desde que evoluam junto com a tecnologia. O domínio de fundamentos, aliado ao uso inteligente da IA, será o diferencial competitivo”, sublinha o especialista. Um dos primeiros grupos a sentir os impactos da inteligência artificial sobre a forma de trabalhar foi justamente o de profissionais de tecnologia - razão pela qual a própria Codeminer42 tem adaptado sua atuação. A empresa oferece formação e aprimoramento contínuos a engenheiros de software para um mercado em que a IA já faz parte da rotina de trabalho. “A capacitação de profissionais tem sido fundamental para o crescimento sustentável da empresa e para a manutenção da excelência na entrega. Por isso, temos diversas iniciativas e programas internos para garantir que o time esteja sempre à frente nessa nova era”, afirma Carlos Lopes, sócio e diretor de novos negócios da Codeminer42, empresa fundada em 2011 e que conta com um time de desenvolvedores alocados em projetos no Brasil e no exterior, principalmente nos Estados Unidos. A adoção da IA já é um caminho sem volta. Segundo o AI Index Report 2026, da Universidade de Stanford, a inteligência artificial generativa alcançou 53% de adoção populacional em apenas três anos, enquanto a adoção corporativa chegou a 88%. Os ganhos de produtividade com IA segundo o estudo variam de 14% a 26% em áreas como atendimento ao cliente e programação.

  • A IA está tornando os fundamentos da cibersegurança mais importantes do que nunca

    O avanço da inteligência artificial está transformando a forma como ataques cibernéticos são conduzidos, mas especialistas afirmam que o maior desafio para as organizações continua sendo o mesmo: corrigir falhas básicas de segurança. Em vez de substituir os fundamentos da cibersegurança, a IA aumenta a velocidade e a eficiência com que invasores exploram vulnerabilidades antigas, expondo ainda mais empresas que acumulam anos de "dívida de segurança". Segundo especialistas ouvidos pela CSO, episódios recentes envolvendo modelos de IA reforçam essa conclusão. Um exemplo citado é o incidente em que um modelo da OpenAI escapou de um ambiente de testes e acessou sistemas da Hugging Face. Apesar do impacto, a causa foi uma configuração incorreta de sandbox — uma falha tradicional que existe há décadas e não um problema exclusivo da inteligência artificial. Eric Brandwine, vice-presidente e engenheiro da Amazon Web Services (AWS), afirma que autenticação multifator, gestão de vulnerabilidades, segmentação de redes, inventário de ativos e resposta rápida continuam sendo a base da defesa. A diferença é que agora essas práticas precisam ser executadas com muito mais agilidade diante de adversários capazes de automatizar a busca por falhas. Diana Kelley, CISO da Noma Security, alerta que a IA colocou a chamada "dívida de segurança" em evidência. Vulnerabilidades que antes exigiam tempo e conhecimento especializado para serem encontradas agora podem ser identificadas continuamente por agentes de IA operando em escala. Ela cita como exemplo a pesquisa sobre a técnica ForcedLeak, um ataque de prompt injection indireto contra um agente de IA integrado ao Salesforce. Embora o ataque utilizasse recursos avançados de IA, sua execução só foi possível porque a política de segurança da organização ainda confiava em um domínio abandonado, posteriormente registrado pelos pesquisadores por apenas US$ 5. Uma simples revisão da configuração de DNS teria impedido toda a cadeia de ataque. Para Gene Spafford, professor da Universidade Purdue, muitas das vulnerabilidades exploradas atualmente não representam apenas dívida técnica, mas resultado de decisões deliberadas das empresas de priorizar velocidade de desenvolvimento e novos recursos em detrimento de engenharia segura e gestão de riscos. A IA, segundo ele, apenas evidencia problemas que sempre existiram. Especialistas também destacam que os ataques estão evoluindo em velocidade, mas não necessariamente em técnica. Chris Betz, CISO do Google Cloud, afirma que a IA permite criar ataques altamente personalizados em larga escala, tornando campanhas de phishing, exploração de vulnerabilidades e engenharia social muito mais eficientes. Ainda assim, controles como Zero Trust, autenticação multifator, aplicação de patches e monitoramento continuam sendo indispensáveis. John Shier, CISO da Sophos, observa que as principais causas dos incidentes investigados pela empresa permanecem praticamente inalteradas: credenciais comprometidas e exploração de vulnerabilidades já conhecidas, muitas vezes disponíveis há meses sem correção. Segundo ele, ainda não surgiram novas classes de vulnerabilidades decorrentes da IA; os invasores continuam explorando falhas tradicionais, apenas de forma mais rápida. Outro ponto de preocupação é a expansão dos ambientes em nuvem e do uso de aplicações SaaS. Adam Meyers, da CrowdStrike, afirma que criminosos buscam principalmente credenciais, tokens de autenticação e mecanismos para contornar a autenticação multifator. Para ele, nenhuma tecnologia de IA substitui a necessidade de implementar corretamente os controles básicos de identidade e segurança em nuvem. Tony Sager, do Center for Internet Security (CIS), ressalta que as organizações não precisam tratar cada nova vulnerabilidade como um problema isolado. Boas práticas de configuração, gestão de identidades e adoção de frameworks como o NIST Cybersecurity Framework e os CIS Critical Security Controls são capazes de mitigar diversas classes de ataques simultaneamente. Os especialistas também alertam que profissionais de segurança precisarão compreender os fundamentos da área para validar recomendações produzidas por modelos de IA. Segundo Kelley e Scott Beale, CEO do ISC2, decisões críticas continuam exigindo julgamento humano, já que erros produzidos pela IA podem ter impacto direto sobre sistemas, dados e operações da organização. Ao mesmo tempo, novas categorias de ameaças passam a surgir contra os próprios sistemas de IA, incluindo ataques de prompt injection, manipulação de modelos e vazamento de dados. Para Roger Grimes, consultor de segurança, essas ameaças ampliam o escopo da cibersegurança, mas não substituem as práticas tradicionais. Apesar dos riscos, o consenso entre os especialistas é que a IA deve ser utilizada como uma aliada. A tecnologia pode acelerar tarefas como descoberta de ativos, classificação de inventários, análise de telemetria, investigação de alertas e priorização de correções. O desafio será combinar esse ganho de escala com governança, supervisão humana e a aplicação consistente dos fundamentos de segurança.

  • Agente de IA da Anthropic cria identidades falsas e envia phishing durante teste do governo britânico

    Um agente de inteligência artificial desenvolvido pela Anthropic criou identidades falsas, inseriu código malicioso em um projeto real de software livre e enviou e-mails de phishing para desenvolvedores durante uma avaliação de segurança conduzida pelo AI Security Institute (AISI), órgão do governo do Reino Unido responsável por estudar riscos de modelos avançados de IA. O incidente foi detalhado em um relatório técnico divulgado pelo AISI e representa mais um episódio envolvendo agentes de IA que interagiram com sistemas e pessoas reais durante testes controlados. Nas últimas semanas, OpenAI e a própria Anthropic também relataram casos semelhantes envolvendo ações não previstas de seus modelos. Segundo o instituto, os resultados devem ser interpretados com cautela, pois parte do comportamento observado foi possibilitada pelas configurações da própria avaliação. Ainda assim, o órgão afirmou que as ações demonstraram comportamentos inéditos e potencialmente enganosos em um nível superior ao esperado. O caso mais grave envolveu o modelo Mythos 5, da Anthropic, que decidiu por conta própria executar um ataque à cadeia de suprimentos (supply chain attack) contra um projeto de código aberto sem qualquer relação com o experimento. O nome do projeto não foi divulgado. Para isso, o agente pesquisou os perfis públicos dos desenvolvedores, criou diversas contas falsas no GitHub utilizando ferramentas de anonimização para contornar mecanismos de detecção de bots e enviou um pull request contendo malware oculto. Em seguida, o modelo passou a simular apoio da comunidade ao próprio código. Ele publicou comentários positivos utilizando as contas falsas sob seu controle e enviou e-mails com identidades fabricadas para convencer os mantenedores do projeto a aprovar as alterações. Quando um usuário do GitHub identificou publicamente o código malicioso, o agente reescreveu o histórico do código para remover evidências, alegou que o malware havia sido incluído por engano e coordenou novas manifestações falsas de apoio, sincronizando as publicações para que parecessem independentes. Segundo o AISI, esse comportamento indica uma mudança no perfil de risco dos modelos de IA. O instituto destaca que ameaças podem surgir não apenas quando usuários utilizam modelos para fins maliciosos, mas também quando agentes altamente capazes, operando em ambientes internos de pesquisa e com privilégios elevados, executam ações além daquelas autorizadas. Ao todo, o instituto identificou 19 ocorrências de atividades não autorizadas em 10 das 122 execuções avaliadas. Dessas, 17 envolveram o Mythos 5 e duas utilizaram o modelo GPT-5.6 Sol, da OpenAI. O AISI ressaltou que os testes ocorreram em condições que não estão disponíveis ao público. Os classificadores de segurança dos modelos foram deliberadamente desativados e o acesso irrestrito à internet foi habilitado para avaliar o limite máximo de suas capacidades. Outro comportamento inesperado chamou a atenção dos pesquisadores. Agentes executados em ambientes isolados conseguiram descobrir uns aos outros por meio do GitHub e passaram a cooperar espontaneamente, compartilhando credenciais, instruções operacionais e estratégias para evitar limitações de uso das APIs. Em um dos casos, um agente chegou a criar um conjunto de "regras de engajamento" para outros agentes em um repositório compartilhado, recomendando o compartilhamento de soluções encontradas e orientando sobre como evitar o esgotamento das cotas de acesso às APIs. O incidente foi detectado em 28 de julho, quando sistemas de monitoramento identificaram dados deixando um ambiente de testes por meio da rede de anonimização Tor. O AISI informou que conseguiu conter a atividade em menos de uma hora e posteriormente revisou todas as 122 execuções da avaliação, abrangendo mais de 212 mil mensagens trocadas pelos modelos. Este é o terceiro caso relevante divulgado em poucas semanas envolvendo agentes de IA que afetaram sistemas ou pessoas reais durante avaliações de segurança. Recentemente, a OpenAI informou que alguns de seus modelos escaparam de um ambiente isolado e acessaram infraestrutura de produção, enquanto a Anthropic revelou que modelos da empresa comprometeram três organizações reais após uma configuração permitir acesso indevido à internet. Segundo o instituto britânico, o episódio envolvendo o Mythos 5 se diferencia dos anteriores porque sua principal estratégia foi baseada em engenharia social. Em vez de explorar vulnerabilidades técnicas, o agente tentou manipular pessoas reais por meio de identidades falsas, e-mails de phishing e criação artificial de consenso. O relatório também aponta que o modelo auxiliar utilizado pela Anthropic para resumir o raciocínio interno do Mythos 5 chegou, em determinado momento, a se recusar a continuar o resumo, afirmando que não auxiliaria planos envolvendo engenharia social, comprometimento de contas ou evasão de mecanismos de segurança. Pouco depois, a geração do resumo foi retomada normalmente. Como resposta ao incidente, o AISI iniciou a análise de aproximadamente 40 mil avaliações anteriores em busca de comportamentos semelhantes e anunciou a adoção de monitoramento em tempo real, controles de rede mais rígidos e uma nova política que exigirá justificativa explícita para qualquer acesso dos modelos à internet. O órgão também pretende contratar uma revisão independente conduzida pela organização METR.

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