Resultados de busca
Search this site
798 resultados encontrados com uma busca vazia
- Novo exploit do Linux consegue obter root sem modificar arquivos no disco
Uma vulnerabilidade no subsistema de controle de tráfego do kernel Linux pode permitir que um usuário local sem privilégios obtenha acesso root em sistemas afetados. A falha, rastreada como CVE-2026-46331 e apelidada de “pedit COW”, envolve uma escrita fora dos limites na ação de edição de pacotes act_pedit, capaz de corromper memória compartilhada do page cache. A vulnerabilidade recebeu atenção imediata porque um exploit funcional e público surgiu cerca de um dia após a atribuição do CVE, em 16 de junho. A Red Hat classifica o problema como importante e descreve o impacto como uma escalada local de privilégios no subsistema de traffic control do kernel Linux. O ponto mais sensível da exploração está no fato de que o ataque não precisa alterar diretamente o arquivo no disco. Em vez disso, o exploit corrompe a cópia em cache de um binário setuid root, como /bin/su, na memória. A partir dessa alteração temporária no page cache, o invasor consegue executar uma imagem modificada com privilégios elevados e abrir um shell root. Esse comportamento dificulta a detecção por ferramentas tradicionais de verificação de integridade de arquivos. Como o binário persistente no disco não é modificado, checagens baseadas apenas em hash ou comparação de arquivos podem indicar que tudo está normal, mesmo que a cópia carregada em memória tenha sido manipulada durante a exploração. A cadeia de ataque depende de duas condições principais. A primeira é que o módulo act_pedit esteja disponível ou possa ser carregado no sistema. A segunda é que namespaces de usuário sem privilégios estejam habilitados, permitindo que o atacante obtenha uma capacidade de rede local ao namespace, como CAP_NET_ADMIN, necessária para acionar o bug. Nos testes relatados pelo autor da prova de conceito, essas condições estavam presentes em sistemas RHEL e Debian. Isso torna a falha especialmente relevante para ambientes em que “usuário local” não significa necessariamente “usuário confiável”, como servidores multi-tenant, runners de CI/CD, nós Kubernetes, máquinas de build, ambientes de pesquisa compartilhados e laboratórios. O problema está relacionado ao funcionamento da ferramenta tc, usada no Linux para controle de tráfego de rede. Um de seus recursos, o pedit, permite reescrever cabeçalhos de pacotes em trânsito. No kernel, a função tcf_pedit_act() deveria criar uma cópia privada da área de dados antes de modificá-la, seguindo o padrão conhecido como copy-on-write, ou COW. A falha ocorre porque a validação da faixa gravável é feita uma vez, antes que todos os offsets finais sejam conhecidos. Algumas chaves de edição resolvem seus offsets apenas em tempo de execução. Quando isso acontece, a escrita pode atingir uma região fora da área copiada de forma privada, levando o kernel a modificar uma página compartilhada do page cache em vez de uma cópia isolada. Se essa página compartilhada pertencer à imagem em cache de um arquivo, o conteúdo em memória desse arquivo pode ser corrompido. No caso explorado publicamente, o alvo é um binário setuid root, o que permite converter uma corrupção de memória em uma escalada de privilégios para root. O padrão técnico lembra vulnerabilidades anteriores de corrupção do page cache, como Dirty Pipe, Copy Fail, DirtyClone e Dirty Frag. Em todos esses casos, um caminho rápido do kernel acaba escrevendo em uma página que não possui de forma exclusiva, afetando dados mantidos no cache. A diferença no pedit COW está no ponto de entrada: a combinação entre traffic control, act_pedit e namespaces de usuário permite que um usuário sem privilégios alcance a capacidade necessária para acionar a falha. Em relação aos sistemas afetados, o autor da prova de conceito relatou exploração de usuário sem privilégios para root no RHEL 10 e no Debian 13, também conhecido como trixie, onde namespaces de usuário sem privilégios estão abertos por padrão. No Ubuntu 24.04, a exploração exigiu roteamento por perfis AppArmor que ainda permitem namespaces de usuário. Já o Ubuntu 26.04 bloqueia esse caminho por padrão porque seus perfis AppArmor restringem namespaces de usuário sem privilégios, embora o kernel subjacente continue vulnerável. A situação dos patches varia conforme o fornecedor. O Debian corrigiu o trixie por meio de seu canal de segurança, enquanto Debian 11 e 12 ainda aparecem como vulneráveis no material original. O Ubuntu lista versões suportadas de 18.04 a 26.04 como vulneráveis em 25 de junho. A Red Hat informa que RHEL 8, 9 e 10 são afetados; o RHEL 7 não aparece listado no boletim citado. A principal recomendação é instalar o kernel corrigido e reiniciar os sistemas afetados. A reinicialização é necessária porque a correção do kernel precisa estar em execução para eliminar o risco. A prioridade deve ser dada a ambientes compartilhados, servidores com usuários locais não totalmente confiáveis, hosts que executam cargas de trabalho de terceiros e plataformas de automação que rodam código de múltiplas origens. Quando a aplicação imediata do patch não for possível, há duas mitigações que reduzem a cadeia de exploração. A primeira é impedir o carregamento do módulo act_pedit em sistemas que não utilizam regras tc pedit. Administradores podem verificar se o módulo está em uso e, se não houver dependência operacional, bloqueá-lo por configuração do sistema. A segunda mitigação é desabilitar namespaces de usuário sem privilégios. Em distribuições baseadas em RHEL, isso pode envolver o ajuste de user.max_user_namespaces=0. Em Debian e Ubuntu, a configuração frequentemente citada é kernel.unprivileged_userns_clone=0. Essa medida remove a capacidade local ao namespace necessária para o exploit, mas pode afetar containers rootless, sandboxes de CI, navegadores com isolamento baseado em namespace e outras aplicações modernas. Por isso, precisa ser testada antes de adoção ampla. Como o ataque manipula memória em cache, verificações de integridade de arquivos podem não detectar a exploração. Limpar o page cache pode remover a cópia corrompida em memória, mas não desfaz ações já executadas pelo invasor nem encerra um shell root obtido anteriormente. Em casos de suspeita de exploração, o host deve ser tratado como comprometido e passar por resposta a incidente. Outro aspecto relevante é o tempo entre a correção técnica e a exposição pública do risco. A correção entrou na lista de discussão netdev no fim de maio, inicialmente tratada como um patch rotineiro de corrupção de dados. O detalhe explorável permaneceu publicamente visível por semanas antes da atribuição formal do CVE em 16 de junho. Pouco depois, uma prova de conceito funcional foi publicada. O caso mostra por que falhas de corrupção no page cache do kernel exigem resposta rápida. Quando um problema desse tipo deixa de ser apenas uma correção de estabilidade e passa a permitir escalada local de privilégios, esperar por regras de scanner ou ciclos longos de validação pode ser insuficiente. Para equipes de infraestrutura e segurança, a prioridade deve ser identificar sistemas expostos, aplicar correções de kernel, revisar o uso de namespaces de usuário e reduzir a superfície de ataque associada ao act_pedit.
- EUA estabelecem prazo até 2030 para migração federal à criptografia pós-quântica
O governo dos Estados Unidos definiu novos prazos obrigatórios para acelerar a migração de sistemas federais sensíveis para criptografia pós-quântica, tecnologia projetada para resistir a ataques futuros realizados com computadores quânticos. A ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em 22 de junho estabelece que ativos de alto valor e sistemas de alto impacto do governo federal deverão adotar algoritmos pós-quânticos para estabelecimento de chaves até 31 de dezembro de 2030. Para assinaturas digitais, o prazo será 31 de dezembro de 2031. A medida, publicada sob o título “Securing the Nation Against Advanced Cryptographic Attacks”, deixa os sistemas de segurança nacional em uma trilha separada, mas impõe uma agenda mais rígida para agências civis federais, fornecedores e parte do ecossistema de tecnologia que atende o governo norte-americano. A decisão antecipa em quatro a cinco anos a meta federal anterior, definida pelo National Security Memorandum 10, de 2022, que previa uma transição ampla até 2035. A mudança reflete a preocupação crescente com uma ameaça que não depende da existência imediata de um computador quântico operacional em larga escala: o risco conhecido como “harvest now, decrypt later”, ou “coletar agora, descriptografar depois”. Nesse tipo de ameaça, governos, grupos patrocinados por Estados ou outros invasores armazenam hoje grandes volumes de dados criptografados, com o objetivo de descriptografá-los no futuro, quando computadores quânticos forem capazes de quebrar algoritmos tradicionais de criptografia assimétrica. Informações governamentais, dados estratégicos, comunicações sensíveis e registros de longo prazo são especialmente relevantes nesse cenário, porque podem manter valor mesmo anos depois de sua coleta. A ordem executiva alinha os prazos federais aos padrões finalizados pelo NIST, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, em agosto de 2024. Para estabelecimento de chaves, o padrão de referência é o FIPS 203, baseado no algoritmo ML-KEM, anteriormente conhecido como CRYSTALS-Kyber. Essa categoria é usada para proteger a troca de chaves criptográficas, etapa essencial para estabelecer comunicações seguras. Já as assinaturas digitais deverão seguir os padrões FIPS 204 e FIPS 205, baseados nos algoritmos ML-DSA e SLH-DSA. Essas tecnologias são usadas para garantir autenticidade, integridade e não repúdio em documentos, softwares, certificados, transações e comunicações digitais. Na prática, a ordem transforma padrões técnicos já publicados em um cronograma formal, com impacto direto sobre planejamento, compras públicas e conformidade. O primeiro prazo operacional começa imediatamente. Em até 30 dias, cada chefe de agência federal deverá nomear um responsável pela migração para criptografia pós-quântica. Esse líder deverá se reportar ao CIO da agência e assumir a responsabilidade pelo inventário criptográfico e pelo plano de transição. Em até 90 dias, o Escritório de Gestão e Orçamento dos Estados Unidos, o OMB, deverá publicar orientações para que as agências revisem seus inventários de ativos de alto valor e sistemas de alto impacto, planejem a migração e submetam seus respectivos planos. Essa etapa é considerada crítica porque muitas organizações ainda não têm visibilidade completa sobre onde algoritmos criptográficos são usados em aplicações, appliances, bibliotecas, certificados, integrações, APIs, sistemas legados e cadeias de fornecedores. O NIST também terá uma função prática no processo. A instituição deverá conduzir uma migração piloto em um subconjunto de seus próprios sistemas, com conclusão prevista até 31 de dezembro de 2027. A iniciativa deve servir como referência técnica e operacional para outras agências, especialmente em temas como compatibilidade, desempenho, interoperabilidade e substituição de componentes criptográficos em ambientes reais. A ordem vai além das redes federais. O Federal Acquisition Regulatory Council terá 180 dias para propor uma regra que obrigue “covered contractors”, ou contratados cobertos pela medida, a cumprir os padrões FIPS do NIST, incluindo os algoritmos pós-quânticos, até 31 de dezembro de 2030. Isso significa que fornecedores que vendem hardware, software, serviços gerenciados, soluções cloud ou sistemas críticos ao governo federal devem se preparar para demonstrar aderência aos novos requisitos. Uma segunda regra proposta, prevista em até 270 dias, deverá incorporar falhas criptográficas aos programas de divulgação de vulnerabilidades de contratados. Isso inclui testes para identificar ausência de criptografia, uso de algoritmos que não atendam aos padrões FIPS e possíveis lacunas em implementações criptográficas. A medida tende a aproximar a governança de criptografia das práticas já usadas em gestão de vulnerabilidades, segurança de aplicações e resposta a incidentes. Agências setoriais de gestão de risco e a CISA, agência norte-americana de segurança cibernética e infraestrutura, também foram orientadas a apoiar operadores de infraestrutura crítica na construção de seus próprios planos de migração. Nesse caso, o texto aponta uma função de assistência e coordenação, não uma imposição direta. Ainda assim, o movimento deve influenciar setores como energia, telecomunicações, finanças, saúde, transporte e defesa, que dependem de criptografia para proteger comunicações, identidades, transações e sistemas industriais. Outro ponto central da ordem é o inventário criptográfico. Em até 270 dias, CISA e NIST deverão publicar os elementos mínimos de um CBOM, sigla para Cryptographic Bill of Materials. O CBOM funciona como uma lista legível por máquina dos ativos criptográficos presentes em um software, equipamento ou sistema. A proposta segue a lógica do SBOM, usado para mapear componentes de software, mas com foco específico em algoritmos, bibliotecas, protocolos, certificados, chaves e mecanismos criptográficos. Esse inventário é a base para a chamada criptoagilidade, capacidade de uma organização substituir algoritmos, protocolos ou implementações criptográficas de forma controlada e rápida quando eles se tornam inseguros, obsoletos ou incompatíveis com novos padrões. Sem saber onde a criptografia está aplicada, a troca de algoritmos passa a depender de levantamentos manuais, fornecedores, análise de código, revisão de configurações e testes extensos, o que aumenta custos e atrasos. Para equipes federais e fornecedores, a leitura prática é direta: o trabalho começa pelo mapeamento. Será necessário identificar todos os pontos em que ocorrem troca de chaves, uso de certificados, assinatura de código, autenticação, assinatura de documentos, VPNs, TLS, APIs, sistemas de identidade, integrações entre aplicações e armazenamento de dados sensíveis. Em seguida, esses pontos precisarão ser classificados conforme criticidade, dependência tecnológica, exposição e complexidade de migração. Contratados federais devem se preparar para uma cláusula FAR com exigência de conformidade até 2030, assim que a regra for formalizada. Na prática, isso pode transformar a criptografia pós-quântica em requisito de contratação pública, afetando roadmaps de produtos, processos de auditoria, documentação técnica, certificações, contratos e programas de gestão de vulnerabilidades. A ordem executiva foi assinada no mesmo dia de uma medida complementar, “Ushering in the Next Frontier of Quantum Innovation”, voltada ao avanço da computação quântica nos Estados Unidos. Enquanto uma frente busca acelerar o desenvolvimento de computadores quânticos, sensores e redes quânticas, a outra tenta reduzir o risco de que essa evolução comprometa sistemas criptográficos usados hoje. O ponto decisivo ainda estará nas próximas normas. As orientações do OMB, esperadas em até 90 dias, e as regras do Federal Acquisition Regulatory Council definirão se os prazos de 2030 e 2031 se tornarão pressão real de conformidade e aquisição ou se seguirão o padrão de outros grandes programas federais de modernização, sujeitos a atrasos quando a complexidade técnica se torna evidente.
- Hackers russos tentam obter chave de backup para acessar conversas no Signal
O FBI e a CISA atualizaram um alerta publicado em março sobre campanhas de phishing conduzidas por hackers ligados aos serviços de inteligência da Rússia contra contas de aplicativos de mensagens, incluindo Signal e WhatsApp. A nova versão do comunicado descreve uma evolução na tática dos invasores: além de tentar obter códigos de verificação, PINs ou vincular dispositivos não autorizados às contas das vítimas, os operadores agora buscam convencer alvos a entregar a Backup Recovery Key do Signal. A chave de recuperação de backup é um componente sensível do Signal usado para restaurar o histórico de mensagens a partir de backups. Segundo o alerta, caso a vítima forneça essa chave uma única vez, o invasor pode restaurar o backup da conta, acessar o histórico de mensagens privadas e de grupos e assumir o controle da conta. O risco é ampliado porque a chave pode continuar funcional mesmo se a vítima criar uma nova conta usando o mesmo número de telefone. A recomendação das autoridades é direta: usuários que suspeitam ter compartilhado a chave devem gerar imediatamente uma nova Backup Recovery Key nas configurações do Signal. Essa ação invalida a chave anterior para futuros downloads de backup, mas não recupera o controle sobre informações que já possam ter sido acessadas pelos invasores. O alerta atualizado, identificado como PSA I-062626-PSA, adiciona dois nomes públicos de rastreamento que não apareciam na comunicação de março: UNC5792 e UNC4221. O FBI associa a atividade a múltiplos grupos vinculados aos Russian Intelligence Services, incluindo oficiais do FSB incorporados à Guarda de Fronteira do FSB e outros operadores atuando em nome dos serviços militares russos. A campanha mira indivíduos considerados de alto valor para inteligência, como atuais e ex-funcionários de governos dos Estados Unidos e de outros países, militares, figuras políticas, jornalistas e autoridades na Ucrânia. No aviso anterior, publicado em março, as agências já afirmavam que a operação mais ampla havia comprometido milhares de contas em diferentes países. A abordagem se baseia em engenharia social. As mensagens de phishing se passam por comunicações de suporte do Signal e tentam criar senso de urgência ou legitimidade. Em ondas anteriores, os invasores solicitavam códigos de verificação por SMS e PINs da conta, ou usavam links adulterados de “convite para grupo” que, na prática, permitiam vincular silenciosamente um dispositivo controlado pelo atacante à conta da vítima. Na versão atual da campanha, os criminosos orientam a vítima a ativar os backups do Signal, abrir a Recovery Key e colar a chave diretamente na conversa. O alerta das autoridades descreve exemplos de mensagens fraudulentas que simulam uma suposta implantação obrigatória de autenticação em dois fatores ou uma correção urgente de “recuperação de dados” para mensagens que estariam em risco de perda. A técnica não representa uma quebra da criptografia do Signal nem uma exploração direta contra o aplicativo. O FBI e a CISA destacam que os invasores comprometem contas individuais por meio de manipulação psicológica e abuso de funcionalidades legítimas. Ou seja, a criptografia permanece funcional, mas a conta é exposta quando o usuário entrega credenciais, códigos, PINs ou chaves sensíveis aos operadores da campanha. Esse ponto é relevante porque aplicativos como Signal, WhatsApp e Telegram são amplamente utilizados por jornalistas, autoridades, diplomatas, militares e profissionais envolvidos em temas sensíveis. A segurança criptográfica dessas plataformas reduz a exposição de comunicações em trânsito, mas não elimina riscos associados à engenharia social, roubo de conta, vinculação indevida de dispositivos e acesso a backups. Além da atualização do alerta, o programa Rewards for Justice, do Departamento de Estado dos Estados Unidos, oferece recompensa de até US$ 10 milhões por informações sobre o UNC5792. A iniciativa reforça o peso atribuído pelo governo norte-americano à campanha e à associação dos operadores com atividades de inteligência estrangeira. A atividade também se sobrepõe a alertas emitidos por órgãos europeus de inteligência e segurança cibernética, incluindo AIVD e MIVD, dos Países Baixos, BfV e BSI, da Alemanha, e ANSSI, da França. O Google Threat Intelligence Group já havia documentado, no início de 2025, o abuso do recurso de dispositivos vinculados do Signal pelo UNC5792, além de observar técnicas semelhantes contra WhatsApp e Telegram. Para usuários potencialmente visados, a orientação principal é tratar qualquer mensagem dentro do aplicativo que alegue ser do suporte do Signal como maliciosa. O suporte legítimo não solicita códigos de verificação, PINs ou chaves de recuperação por meio de conversas no próprio aplicativo. Esses dados nunca devem ser colados em chats, enviados por mensagem ou compartilhados com terceiros. Também é recomendável abrir as configurações do aplicativo, verificar a seção de dispositivos vinculados e remover qualquer dispositivo desconhecido. Caso a Backup Recovery Key tenha sido compartilhada, o usuário deve gerar uma nova chave imediatamente e considerar que backups anteriores podem ter sido acessados. A evolução da campanha mostra uma mudança importante na estratégia dos invasores. Em vez de depender apenas de códigos temporários ou PINs, os operadores passaram a mirar uma chave capaz de abrir todo o histórico armazenado em backup. A criptografia do aplicativo continua protegendo as comunicações, mas o ponto fraco explorado é a conta do usuário — e, principalmente, a confiança da pessoa que está sendo manipulada.
- Tráfico humano começa na internet, não na fronteira! Cibersegurança contribui para desvendar crimes
Estudo da Apura, empresa brasileira de tecnologias e inteligência para segurança digital, revela como redes de aliciamento de pessoas operam na internet, utilizando plataformas digitais e aplicativos de mensagem para recrutar vítimas Um levantamento da Apura Cyber Intelligence, empresa brasileira de tecnologias e inteligência para segurança digital, mostra que o tráfico humano, um dos crimes mais complexos e lucrativos do mundo, não começa no deslocamento das vítimas, mas no momento em que elas são abordadas. Esses processo ocorre de forma estruturada e progressiva, explorando vulnerabilidades emocionais e conduzindo a vítima, passo a passo, até o deslocamento internacional. Denominado “Inteligência de fontes abertas salvando vidas no enfrentamento ao tráfico humano; como identificar redes de aliciamento antes do embarque”, o estudo foi apresentado em 2026 no evento Investigation in Perspective, no Consulado dos Estados Unidos em São Paulo. “O tráfico humano não começa na fronteira. Ele começa no ambiente digital. É ali que essas redes atuam, usando anúncios, mensagens privadas e promessas para atrair vítimas, explorando fragilidades sociais e reduzindo a capacidade de reação", explica a subcoordenadora do Swat Team da Apura, Pollyne Zunino. Para realizar esse monitoramento, a Apura utiliza técnicas de OSINT (Open Source Intelligence), que consistem na análise de informações públicas disponíveis na internet. A partir da coleta e correlação de dados em fóruns, redes sociais e aplicativos de mensagem, é possível identificar padrões de atuação e sinais de recrutamento ainda nas fases iniciais. “Se o recrutamento acontece de forma aberta no ambiente digital, também é possível identificar esses padrões com antecedência e agir antes que o dano aconteça”, defende a profissional. Ao monitorar anúncios de recrutamento em redes sociais, o time da Apura identificou padrões recorrentes, como segmentação bem definida, promessas de ganhos financeiros elevados, facilidade de entrada no país de destino e foco em públicos específicos, como brasileiros. Também foi observada a repetição da mesma estrutura de mensagem em múltiplos grupos, com pequenas variações. “Não se trata de um post isolado, mas de uma estratégia coordenada, replicada para alcançar o maior número possível de vítimas”, afirma Pollyne. Nos contatos privados, surgem outros sinais relevantes. A comunicação passa a adotar linguagem informal e descrições vagas sobre a suposta oportunidade, sem explicar claramente a atividade proposta. Também há repetição no formato das mensagens, indicando um padrão de atuação em rede. “Não é um indivíduo isolado, mas uma operação organizada”, pontua a especialista. A análise também aponta para uma operação em escala, com estratégia de distribuição e segmentação internacional das mensagens. O mesmo grupo atua em diferentes canais e públicos, adaptando a abordagem conforme o perfil das vítimas. “É o mesmo grupo criminoso circulando em diferentes espaços de recrutamento. O discurso muda conforme o público, mas a estrutura permanece", destaca a especialista. Camboja, Laos, Mianmar e Tailândia estão entre os principais países associados atualmente a esse crime e esse tipo de conteúdo. Não é coincidência que uma operação conduzida recentemente pela polícia tailandesa, em março deste ano, identificou um resort utilizado como central de golpes online, baseado em trabalho humano escravo, onde o grupo criminoso chegou a montar uma falsa delegacia da Polícia Federal do Brasil, usada para enganar as vítimas. Após o primeiro contato, os criminosos passam a solicitar dados pessoais, como documentos, vídeos, localização e número de telefone. "Com essas informações, é possível expor a vítima, aplicar coerção, chantagem e até utilizar os dados para fraude e criação de identidades falsas”, alerta a profissional da Apura. O tráfico humano evoluiu com a internet e se tornou mais escalável, acessível e difícil de detectar. Hoje, ele começa com uma simples mensagem, e não com uma travessia de fronteira. Identificar esses padrões é fundamental para agir antes que o dano aconteça. Por trás de anúncios e conversas aparentemente inofensivas, há estruturas criminosas organizadas, que operam com método, repetição e escala. E é justamente essa lógica que permite que essas redes sejam detectadas antes que seja tarde demais.
- Estudantes do Colégio Marista Assunção criam aplicativo que facilita rotina acadêmica de jovens com TDAH
Projeto de iniciação científica desenvolveu ferramenta digital que une organização, foco e bem-estar para reduzir os impactos do transtorno no ambiente escolar Desorganização, dificuldade de concentração, impulsividade e pensamentos acelerados fazem parte da rotina de muitos estudantes com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Em ambientes acadêmicos, esses desafios costumam impactar diretamente o desempenho escolar, a produtividade e até a autoestima dos estudantes. Foi a partir dessa realidade que nasceu o projeto de iniciação científica desenvolvido no Colégio Marista Assunção (Porto Alegre - RS) pelos estudantes Alanys da Rosa, Débora Sophia, João Marques e Pedro Agra. A proposta busca criar soluções práticas e acessíveis para minimizar os efeitos do TDAH na gestão acadêmica e melhorar a experiência dos estudantes no ambiente escolar. Durante a pesquisa, os jovens identificaram que sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade ainda são frequentemente confundidos com preguiça, desinteresse ou falta de comprometimento, o que reforça barreiras e preconceitos enfrentados por quem convive com o transtorno. A partir de estudos e análises, os jovens pesquisadores perceberam que um dos principais fatores relacionados ao baixo desempenho dos estudantes com TDAH está na dificuldade de encontrar métodos de estudo e organização acessíveis, capazes de respeitar o ritmo e as necessidades individuais de cada estudante. Fatores como pensamentos acelerados, dificuldades de concentração e manutenção do interesse em atividades longas ou ou pouco dinâmicas também são desafios que impactam diretamente a aprendizagem e a rotina escolar desses estudantes.. Com base nessas observações, o grupo idealizou o aplicativo FocuSunsa, uma ferramenta digital criada para apoiar estudantes na organização da rotina e no processo de aprendizagem. A plataforma reúne métodos de estudo e de planejamento respaldados por evidências científicas, permitindo que cada usuário escolha as estratégias mais adequadas às suas necessidades. Entre os recursos disponíveis está uma lista de tarefas com lembretes automáticos que auxilia no cumprimento de prazos e de compromissos, recurso que utiliza inteligência artificial para transformar atividades complexas em etapas menores e mais acessíveis. A partir de orientações fornecidas pelos estudantes sobre o trabalho ou a prova, o sistema cria automaticamente um checklist com ações organizadas em sequência, conduzindo o usuário até a finalização do trabalho. O projeto também aposta em uma experiência visual acolhedora e motivadora. Para tanto, o aplicativo reúne funcionalidades inspiradas em plataformas já utilizadas por pessoas com TDAH, mas com foco em personalização e acessibilidade. Entre os recursos previstos estão cores calmantes, técnicas de estudo baseadas em dados reais, relatórios semanais de desempenho, músicas Lo-Fi voltadas à concentração e um sistema de gamificação com XP, moedas virtuais e mascotes evolutivos que acompanham o progresso do usuário. “Percebemos que estudantes com TDAH respondem melhor a métodos práticos, interativos e fáceis de aplicar no dia a dia. A ideia do aplicativo é justamente tornar a organização menos cansativa e mais intuitiva. Sabemos que não existe uma única estratégia eficaz para todos os estudantes; por isso, a plataforma reúne diferentes métodos e permite que cada usuário escolha aqueles que melhor se adaptam à sua rotina e forma de aprendizagem”, destaca a pesquisadora Débora Sophia. Segundo João Pedro, responsável pelo desenvolvimento tecnológico do projeto, a interface foi planejada para ser simples, intuitiva e objetiva. O design prioriza a clareza das informações e busca reduzir distrações, oferecendo uma experiência mais confortável para estudantes com TDAH e outras dificuldades relacionadas à atenção e à organização. O aplicativo foi desenvolvido com a linguagem/framework Flutter compatível com os sistemas Android e iOS, permitindo que estudantes de diferentes dispositivos tenham acesso à plataforma. Algumas funcionalidades, como os métodos Feynman e de micropassos, contam com o suporte de inteligência artificial, que analisa as solicitações dos usuários e fornece orientações personalizadas diretamente no aplicativo. Além do desenvolvimento técnico da plataforma, os estudantes agora buscam apoio junto a organizações e instituições para viabilizar o projeto e transformar a proposta em uma ferramenta acessível a estudantes que convivem com o TDAH. Os responsáveis pelo projeto Débora Sophia é acadêmica de Pedagogia na PUCRS e possui experiência prática no acompanhamento de estudantes que enfrentam dificuldades relacionadas à organização da rotina e aos estudos. Aliando conhecimento teórico e vivência em campo, dedica-se a analisar e aperfeiçoar estratégias que realmente contribuam para o aprendizado e o desenvolvimento acadêmico dos alunos. João Pedro cursa Engenharia de Software na PUCRS e já possui experiência no desenvolvimento de aplicativos. No projeto FocuSunsa, é responsável pela área tecnológica, aplicando e aprimorando suas habilidades para garantir a criação de uma ferramenta funcional, acessível e eficiente para os usuários. Ambos compartilham o objetivo de lançar o FocuSunsa e disponibilizá-lo à comunidade ao final de seus cursos.
- Shield Security investe em novas diretorias estratégicas e tecnologia própria para avançar no país, enquanto prepara a internacionalização
Impulsionada pelos setores financeiro e de saúde, empresa prioriza cyber OT, conformidade, gerenciamento de risco de terceiros e controles de segurança para uso de IA para duplicar presença no mercado nacional ainda neste ano Especializada em serviços, soluções e consultoria em segurança da informação, a Shield Security completa oito anos de operação com dois objetivos: consolidar sua presença no mercado interno com a criação de novas diretorias estratégicas e o desenvolvimento de tecnologias próprias, ao mesmo tempo em que projeta o início de sua internacionalização. Atendendo às principais empresas do segmento financeiro e de saúde, com apoio de uma ampla rede de parceiros que inclui diversas marcas de tecnologias e fabricantes globais, a companhia aposta em ofertas personalizadas de cibersegurança e na capacitação técnica para manter o crescimento registrado ano a ano no país. Com o aumento exponencial do emprego da Inteligência Artificial pelas empresas, a Shield Security expandiu seu arcabouço de soluções com foco em IA para permitir a adoção segura da tecnologia. “No momento, esse é de longe o principal desafio dos CISOs. Com a alta utilização de IA, tanto ao nível corporativo quanto individualmente pelos colaboradores, diversas informações cruciais e confidenciais das organizações podem estar em risco. Por outro lado, são evidentes seus benefícios para otimização de processos e até mesmo para criar um diferencial competitivo, por isso ampliamos nosso portfólio para apoiar nossos clientes nessa jornada”, afirma Vitor Villani, CEO da Shield Security. Para respaldar a estratégia de negócios da empresa, foram criadas duas novas diretorias. A primeira de cyber OT (cibersegurança para tecnologia operacional), voltada prioritariamente para automação industrial e ambientes hospitalares; a segunda, de Governança, Risco e Conformidade (GRC), que busca amadurecer processos, tecnologias e pessoas, por meio de treinamentos e capacitações sobre risco e governança em termos de cibersegurança. A Shield Security trabalha também no desenvolvimento de uma tecnologia própria para gerenciamento de risco de terceiros TPRM (Third-Party Risk Management), a plataforma Shield Risk and Trust. A proposta é ajudar empresas a monitorar constantemente a postura de segurança de fornecedores, identificando exposições, vulnerabilidades, vazamentos, riscos operacionais e impactos potenciais para o negócio. “Hoje em dia, bancos e instituições financeiras, por exemplo, dependem de dezenas, muitas vezes centenas, de terceiros para manter suas operações funcionando. São fornecedores de cloud, APIs de pagamento, plataformas de autenticação, ferramentas de antifraude, parceiros de integração, serviços de analytics e atendimento, entre vários outros. O ponto é que cada empresa conectada ao ecossistema do banco representa um possível risco cibernético”, pontua Villani. “Muitos ataques atuais começam justamente pela cadeia de fornecedores, o que pode resultar em vazamento de dados, indisponibilidade de serviços, exposição de credenciais, fraudes financeiras e danos reputacionais significativos. Por isso, o monitoramento precisa ser contínuo e, em um mercado cada vez mais conectado, o gerenciamento de risco deixou de ser apenas uma recomendação de segurança e passou a ser uma necessidade operacional e estratégica para empresas que dependem fortemente de fornecedores e serviços externos”, completa o executivo. A fim de estreitar laços e reforçar sua posição no mercado, a empresa realizou, entre os dias 26 e 29 de maio, seu primeiro evento internacional, o Shield Experience, em Lisboa, Portugal. O encontro estratégico reuniu clientes, executivos, líderes de cibersegurança e fabricantes parceiros, como a Lumu Technologies, Claroty, Cyera e Tenable, para uma imersão nas principais tendências do setor. Os participantes puderam assistir a sessões temáticas, conhecer casos de uso e abordagens práticas para os desafios atuais do segmento, além de trocar conhecimentos e participar de networking qualificado.
- Grupo NTSec cria holding para acelerar expansão na Europa e América Latina
Movimento ocorre em meio à consolidação do mercado de cibersegurança, após a empresa saltar de R$ 33 milhões para R$ 519 milhões em receita líquida entre 2020 e 2025 O Grupo NTSec, um dos maiores integradores de tecnologia e segurança da informação do Brasil, acaba de concluir uma ampla reorganização corporativa que marca o início de uma nova etapa de crescimento. A companhia transformou-se em Sociedade Anônima de capital fechado, unificando as quatro empresas do grupo — NTSec, InfoSec, ZivaSec e CloudSec — sob uma estrutura de holding. O movimento abre caminho também para a expansão internacional da empresa, com foco inicial em mercados da América Latina e Europa. Entre 2020 e 2025, a receita líquida do Grupo avançou de R$ 33 milhões para R$ 519 milhões, enquanto a carteira de clientes passou de pouco mais de uma centena para mais de 360 organizações. No mesmo período, a companhia registrou crescimento médio anual de 84%, desempenho cerca de sete vezes superior ao observado no setor brasileiro de tecnologia. Paralelamente, manteve indicadores de rentabilidade acima dos observados entre empresas comparáveis de tecnologia e cibersegurança. De acordo com Bruno Nóbrega, CEO e fundador do Grupo, a decisão representa um salto de maturidade jurídica que prepara a holding para capturar oportunidades em um mercado em consolidação acelerada. “Nos últimos cinco anos construímos escala, ampliamos nossa base de clientes e alcançamos um patamar de receita que nos coloca entre os principais grupos independentes de cibersegurança do país. A transformação em holding e a expansão internacional são consequências naturais dessa trajetória”, revela. O executivo informa também que a nova estrutura inclui um programa de participação acionária para colaboradores, alinhando os interesses de quem constrói a empresa ao seu crescimento de longo prazo. Internacionalização como próximo horizonte Como parte da nova fase, a empresa lança o programa NTSec Secure World, iniciativa voltada à expansão internacional. O plano prevê o fortalecimento da atuação em mercados como Portugal, Chile e México, além da ampliação da presença em estados brasileiros com elevado potencial de crescimento. O movimento internacional reflete uma leitura estratégica: enquanto o Brasil ainda enfrenta lacunas entre a prioridade declarada das organizações em relação à segurança e o investimento efetivo, mercados como Portugal e Chile apresentam maior maturidade na contratação de serviços especializados. A empresa chega a esses mercados com um portfólio centrado no Security Center, seu serviço de gestão de segurança vendido de forma agnóstica em relação a fabricantes. CloudSec: nuvem e segurança como proposta unificada Um dos pilares do novo ciclo é o reposicionamento da CloudSec, vertical dedicada à segurança em ambientes de nuvem. O Grupo passa a oferecer ao mercado uma proposta integrada: adotar nuvem com segurança nativa embutida, sem depender de camadas adicionais de terceiros. A estratégia visa aprofundar o relacionamento com clientes que já utilizam as soluções de cibersegurança do grupo. “O Brasil se consolidou como referência regional em maturidade de cibersegurança, mas ainda existe uma lacuna entre a prioridade estratégica que as empresas dão ao tema e o investimento efetivo. Segurança aparece como segunda maior prioridade dos executivos de TI, mas apenas em quarto lugar na alocação real de recursos. Essa lacuna é nossa oportunidade”, avalia Nóbrega. Mercado aquecido e em consolidação O movimento do Grupo NTSec ocorre em contexto favorável para o setor. O Brasil é o único país da América do Sul classificado no primeiro nível do Global Cybersecurity Index da União Internacional de Telecomunicações, ao lado dos Estados Unidos nas Américas. Segundo dados da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a projeção de gastos em segurança da informação deve alcançar R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028, impulsionada pela digitalização acelerada e pelo aumento de ataques cibernéticos. Hoje, o país é alvo de 19% dos ataques cibernéticos na América Latina, concentrando aproximadamente 60 bilhões de tentativas anuais. O aquecimento da indústria de cibersegurança também passa pelo envolvimento de grandes grupos de tecnologia e fundos de private equity. Nos últimos dois anos, o setor registrou aquisições e investimentos protagonizados por empresas como Stefanini, TIM e Positivo, além de fundos como SPX Capital e Patria, refletindo a busca por companhias com capacidade de escala, rentabilidade e geração recorrente de receitas. “Estamos preparados para capturar o momento. A estrutura está pronta, o time está alinhado e o mercado está aquecido”, conclui Nóbrega.
- Com receita de R$ 123 milhões, Oakmont reforça operação de cibersegurança e anuncia novo diretor
Companhia anuncia ampliação no mercado privado, fortalecimento de serviços recorrentes e aceleração de nova fase focada em proteção digital, cloud security e operações gerenciadas de segurança; meta é de crescimento de 100% em 3 anos A Oakmont Group anunciou uma nova fase de expansão e reposicionamento estratégico no mercado de tecnologia. Com faturamento de R$ 123,7 milhões em 2025 e meta de crescimento de 100% nos próximos três anos, a companhia quer ampliar sua atuação em cibersegurança, fortalecer sua presença em grandes contas corporativas e acelerar as ofertas ligadas à proteção digital, governança de dados, cloud security e operações gerenciadas de segurança. Como parte desse movimento estratégico, a companhia também anunciou a chegada de Renato Tenório para liderar a evolução da estrutura comercial e acelerar o crescimento da operação privada da companhia. O executivo acumula mais de 30 anos de experiência em tecnologia, expansão comercial e desenvolvimento de mercado, com atuação em projetos ligados à infraestrutura, transformação digital e operações de cibersegurança de empresas como Microsoft, ISH Tecnologia e Symantec. Com larga atuação em projetos ligados ao setor público, a Oakmont agora pretende ampliar sua participação no mercado privado. A nova estratégia visa acelerar a presença da empresa em contas privadas de maior porte e complexidade, especialmente em segmentos que ampliaram investimentos em segurança digital, proteção de dados e continuidade operacional. “Minha principal missão é transformar a Oakmont em uma empresa de serviços de cibersegurança cada vez mais forte no mercado privado, mantendo o crescimento da atuação no governo e ampliando nossa presença em grandes contas corporativas. O objetivo é equilibrar essa operação e acelerar uma nova fase de expansão da companhia”, afirma Renato Tenório. Segundo o executivo, o avanço acelerado da inteligência artificial, da digitalização das operações e da adoção de ambientes híbridos ampliou a pressão sobre empresas que ainda tratam segurança apenas como uma camada técnica ou custo operacional. “A onda agora é inteligência artificial. No entanto, ao mesmo tempo em que ela abre novas possibilidades de negócios, também aumenta a necessidade de proteção. As empresas passaram a investir muito rápido em IA, mas muitas ainda não estruturaram uma jornada madura de segurança, governança e proteção da informação”, ressalta o novo diretor. Os investimentos da nova fase da Oakmont estão concentrados na expansão comercial, fortalecimento do posicionamento estratégico e evolução das capacidades ligadas à proteção de dados, gestão de vulnerabilidades, cloud security, monitoramento contínuo e operações SOC/NOC. A companhia também vem ampliando alianças estratégicas voltadas a temas como segurança de identidade, risco humano, compliance e proteção aplicada ao uso corporativo de inteligência artificial. O diretor revela ainda que o foco da companhia será a estruturação do time comercial, evolução dos processos de geração de demanda, fortalecimento da atuação consultiva e maior integração entre áreas técnicas, operações e negócios. A estratégia será sustentar o crescimento de forma consistente e ampliar a relevância da companhia em projetos de maior valor agregado. A Oakmont também pretende acelerar a evolução do NeX, plataforma da companhia voltada à gestão contínua de operações de segurança, automação e monitoramento inteligente de ambientes corporativos. A proposta é ampliar gradualmente o portfólio de serviços gerenciados e consolidar um modelo mais integrado entre segurança, infraestrutura, dados e inteligência operacional. “O mercado deixou de enxergar cibersegurança apenas como um tema técnico. Hoje, proteção digital está diretamente ligada à continuidade operacional, reputação, governança e crescimento sustentável das empresas”, acrescenta Tenório. Segundo a companhia, um dos diferenciais competitivos da Oakmont está (e continuará sendo) na flexibilidade para integrar diferentes tecnologias, parceiros e modelos de entrega de acordo com a realidade operacional de cada cliente, conectando temas técnicos a necessidades de negócio, risco, governança e viabilidade operacional.
- Chefe da Infosys afirma que Vibe-Coding não representa uma ameaça, pois escrever software envolve mais do que apenas escrever software
O avanço da inteligência artificial generativa sobre o desenvolvimento de software voltou a colocar em debate o futuro das grandes empresas de serviços de tecnologia. Para Nandan M. Nilekani, presidente da Infosys, a automação da programação não representa uma ameaça existencial ao setor. Ao contrário, ele afirma que a IA deve ampliar a demanda por serviços especializados, justamente porque escrever código é apenas uma parte do processo de criação e modernização de sistemas corporativos. A avaliação foi feita durante o discurso de Nilekani na assembleia geral anual da Infosys, uma das maiores empresas indianas de serviços de TI. O executivo reconheceu que o setor atravessa uma transição tecnológica profunda, marcada por dúvidas sobre relevância, liderança, crescimento e margens de lucro. Segundo ele, essas perguntas se tornaram ainda mais intensas porque a IA generativa é uma mudança mais ampla e disruptiva do que ondas tecnológicas anteriores. Nilekani citou diretamente a questão central que hoje preocupa empresas de serviços: se a codificação pode ser automatizada, por que companhias como a Infosys ainda seriam necessárias? A resposta, segundo ele, está no fato de que desenvolvimento de software corporativo envolve muito mais do que a produção de linhas de código. O presidente da Infosys afirmou que a empresa pretende adotar as melhores ferramentas de codificação com IA para aumentar sua produtividade, mas argumentou que o contexto empresarial continua sendo essencial. Para ele, soluções corporativas precisam complementar investimentos já existentes, passar por testes rigorosos, operar sobre arquiteturas resilientes e incorporar fundamentos sólidos de cibersegurança. Essa visão diferencia a simples geração automatizada de código da entrega de sistemas confiáveis em ambientes empresariais complexos. Em grandes organizações, aplicações costumam depender de sistemas legados, integrações críticas, regras de negócio específicas, requisitos regulatórios, controles de segurança, disponibilidade contínua e processos de governança. Nilekani sustenta que essas camadas ainda exigem conhecimento humano, experiência de implementação e capacidade de adaptação ao contexto de cada cliente. O executivo também afirmou que a IA deve acelerar a modernização de sistemas legados. Segundo ele, a revolução da inteligência artificial tornou esse movimento mais urgente do que nunca, levando clientes a reduzir a dívida técnica acumulada ao longo de décadas. A ideia é que ferramentas de IA podem tornar mais rápido e eficiente o processo de reescrever, migrar ou substituir aplicações antigas, especialmente em ambientes onde sistemas críticos ainda sustentam operações essenciais. Para Nilekani, as empresas que utilizarem IA para modernizar software tenderão a construir substituições personalizadas, em vez de simplesmente comprar pacotes prontos. Essa tendência, na avaliação do presidente da Infosys, cria oportunidades ainda maiores para prestadoras de serviços capazes de integrar inteligência artificial a plataformas corporativas de missão crítica. Ele afirmou que a principal oportunidade está na integração entre sistemas inteligentes de IA, modelos e agentes autônomos com plataformas transacionais tradicionais, que continuam sustentando operações empresariais. Essa convergência, segundo Nilekani, deve abrir a próxima onda de oportunidades para empresas de serviços tecnológicos. A posição do executivo também funciona como uma resposta às preocupações sobre a chamada “deflação da IA”, termo usado para descrever uma possível queda de receita em serviços de tecnologia provocada pela automação de tarefas antes executadas por equipes humanas. A própria Infosys e outras gigantes indianas do setor já indicaram recentemente que ferramentas de codificação baseadas em IA podem reduzir a quantidade de trabalho necessário em determinados projetos. Apesar disso, Nilekani afirmou que a Infosys está mais relevante do que nunca, mais de três anos após a popularização da IA generativa. Para ele, a empresa está posicionada para atuar justamente nas áreas em que a automação isolada não resolve o problema completo: modernização de legados, integração com sistemas críticos, arquitetura resiliente, testes, segurança e adaptação ao ambiente operacional de grandes clientes. O argumento central do presidente da Infosys é que a IA pode escrever código, mas não substitui integralmente a capacidade de transformar esse código em software corporativo seguro, integrado e confiável. Em vez de eliminar a necessidade de empresas de serviços, a tecnologia pode deslocar o foco do trabalho para atividades de maior complexidade, nas quais contexto, governança e execução continuam sendo decisivos.
- Cisco Catalyst SD-WAN foi explorado como zero-day para obter acesso root em provedor de comunicações
Uma falha de alta severidade no Cisco Catalyst SD-WAN foi explorada como zero-day por um invasor ainda não identificado para ampliar privilégios e obter acesso root em um ambiente de provedor de serviços de comunicação. A atividade foi detalhada pela Mandiant, empresa do Google especializada em resposta a incidentes e inteligência de ameaças. A vulnerabilidade, rastreada como CVE-2026-20245, recebeu pontuação CVSS 7.8 e permite que um atacante local autenticado execute comandos arbitrários com privilégios elevados. A exploração ocorre por meio do envio de um arquivo especialmente criado ao sistema afetado, aproveitando uma validação insuficiente de entradas fornecidas pelo usuário. Segundo a Cisco, para explorar a falha com sucesso, o invasor precisa ter privilégios de netadmin no sistema vulnerável. Ainda assim, a Mandiant identificou que a brecha foi usada pelo menos dois meses antes de sua divulgação pública, o que caracteriza a exploração como zero-day. De acordo com os pesquisadores Chester Sng, Pete Boonyakarn e Logeswaran Nadarajan, o invasor adotou técnicas antiforenses durante toda a intrusão para manter a segurança operacional e dificultar a detecção. Entre as ações observadas estavam a exclusão seletiva e a restauração de arquivos de configuração do sistema modificados durante a atividade maliciosa. A investigação aponta que o ataque teve como alvo um provedor de serviços de comunicação não identificado. O objetivo foi elevar o acesso de uma conta administrativa já comprometida para controle completo em nível root, permitindo ao invasor operar com privilégios máximos no dispositivo. A Mandiant identificou dois períodos distintos de atividade não autorizada. O primeiro ocorreu entre o fim de 2025 e janeiro de 2026. O segundo foi registrado em março de 2026. Até o momento, não está claro se os dois eventos estão conectados ou se foram conduzidos pelo mesmo agente. Na primeira onda, a vítima teria sofrido conexões de peering não autorizadas, provavelmente explorando uma de duas falhas de bypass de autenticação em controladores Cisco Catalyst SD-WAN: CVE-2026-20127 ou CVE-2026-20182. As duas vulnerabilidades ainda não haviam sido divulgadas publicamente naquele momento, também sendo tratadas como zero-days durante a atividade. Em março de 2026, uma segunda onda de conexões de peering maliciosas atingiu um dispositivo executando uma versão de software mais recente, já corrigida contra a CVE-2026-20127. A Cisco confirmou posteriormente que essas conexões não exploraram a CVE-2026-20182, o que abriu a possibilidade de o invasor ter usado certificados roubados em uma violação anterior do mesmo dispositivo para obter acesso inicial. Após comprometer o ambiente, o invasor alterou credenciais administrativas padrão antes de explorar a CVE-2026-20245 como zero-day por meio do upload de um arquivo CSV malicioso chamado “evil_tenant.csv”. Esse arquivo permitiu a escalada de privilégios e a criação de uma conta não autorizada chamada “troot”, com controle completo de shell em nível root. A cadeia de ataque descrita pela Mandiant mostra uma operação cuidadosamente conduzida. Primeiro, o invasor obteve ou manteve acesso ao ambiente SD-WAN. Em seguida, modificou credenciais administrativas, extraiu a configuração da malha SD-WAN e explorou a falha de escalada de privilégios. Depois, criou uma conta oculta com acesso root e iniciou uma sequência de limpeza para remover evidências da intrusão. Austin Larsen, principal analista de ameaças do Google Threat Intelligence Group, afirmou que o invasor chegou a alterar a senha administrativa padrão e, após exfiltrar a configuração da malha SD-WAN, restaurou a senha para o valor original. A medida tinha o objetivo de evitar que um administrador percebesse qualquer alteração ao acessar o sistema. Os operadores também apagaram arquivos criados por eles, desfizeram alterações de configuração e executaram scripts para verificar se seus indicadores haviam sido removidos. Essa prática reduziu a capacidade dos defensores de reconstruir integralmente a atividade e avaliar o escopo completo do comprometimento. O caso chama atenção porque dispositivos de borda, como soluções SD-WAN, roteadores, firewalls e controladores de rede, continuam sendo alvos estratégicos para agentes avançados. Esses sistemas geralmente não oferecem o mesmo nível de telemetria disponível em endpoints tradicionais protegidos por EDR, o que dificulta análises forenses profundas. Para os invasores, um ponto de apoio em equipamentos SD-WAN pode ter alto valor operacional. Como esses dispositivos fazem parte da infraestrutura de conectividade entre filiais, datacenters e ambientes distribuídos, o comprometimento pode permitir visibilidade persistente sobre tráfego interno e sobre a própria malha de rede. Charles Carmakal, diretor de tecnologia da Mandiant Consulting, afirmou que adversários avançados seguem priorizando dispositivos de rede e outros sistemas que não oferecem suporte nativo a soluções de EDR. A observação reforça uma tendência já vista em campanhas recentes: a exploração de equipamentos de infraestrutura como caminho para persistência, espionagem, movimentação interna e acesso privilegiado. A Cisco já havia reconhecido a exploração da CVE-2026-20245 e informou que o ataque exige privilégios de netadmin no sistema afetado. Mesmo com essa exigência, o caso demonstra que contas administrativas comprometidas, certificados roubados e falhas em dispositivos críticos podem ser combinados para ampliar o impacto de uma intrusão. Para organizações que dependem de SD-WAN, o incidente reforça a necessidade de revisar versões de software, aplicar correções de segurança, monitorar conexões de peering não autorizadas, auditar contas administrativas e validar alterações em arquivos sensíveis de configuração. Também é importante avaliar a exposição de certificados, credenciais e backups de configuração, especialmente quando há suspeita de comprometimento anterior.
- Passkeys: a autenticação que promete reprimir o phishing
Por Priscila Meyer — CEO da Eskive, especialista em segurança da informação com foco no risco humano Durante décadas, nós nos acostumamos a tratar a senha como parte inevitável — porém indiscutivelmente inconveniente — da vida digital. Criamos combinações, esquecemos algumas delas, repetimos outras, acrescentamos um número no final quando um sistema exige uma atualização e torcemos para que nada aconteça. Esse comportamento se tornou tão natural que raramente paramos para questionar se o problema está realmente no usuário ou no próprio modelo de autenticação. Ora, o próprio criador do conceito de passwords, Fernando Corbató, declarou antes de seu falecimento que o sistema havia se tornado “um pesadelo”. Agora, os números indicam que essa lógica começou a mudar. Em 2024, uma pesquisa encomendada pela FIDO Alliance apontava que 53% dos entrevistados nos Estados Unidos e no Reino Unido já haviam habilitado passkeys em pelo menos uma conta. Em maio de 2026, um levantamento global da entidade, realizado com 11 mil consumidores em dez países, mostrou que 75% já tinham ativado ao menos uma chave de acesso. A FIDO Alliance estima que existam atualmente cerca de 5 bilhões de passkeys em uso no mundo, embora seja impossível estimar quantas delas pertencem a usuários brasileiros. E, mesmo que as pesquisas tenham amostras e abrangências diferentes, a direção do movimento é difícil de ignorar: a autenticação sem senha (passwordless) está deixando de ser uma promessa para se tornar um hábito. A senha está envelhecendo diante de nós Eu não acredito que as senhas desaparecerão de uma hora para outra. Tecnologias amplamente utilizadas não morrem de maneira repentina. Elas permanecem durante anos em sistemas antigos, aplicações menores e ambientes que não conseguem acompanhar a velocidade das grandes plataformas. Mas também não vejo mais sentido em tratar a senha como o centro do futuro da autenticação. O problema não é apenas que algumas pessoas criam senhas fracas. O modelo inteiro depende de um segredo que pode ser memorizado, compartilhado, reutilizado, digitado em uma página falsa, interceptado ou exposto por um vazamento. Quanto mais serviços uma pessoa utiliza, mais difícil se torna manter combinações únicas e complexas para todos eles — mesmo que um gerenciador seja utilizado para tal. Quando sistemas obrigam uma troca, o comportamento humano também tende a seguir o caminho mais simples. Uma pesquisa da Bitwarden mostrou que somente 38% dos usuários alteram completamente uma senha quando recebem essa solicitação. Os demais fazem mudanças pequenas, substituem poucos caracteres ou reutilizam uma credencial existente. As consequências aparecem tanto na segurança quanto na experiência. Segundo outra pesquisa da FIDO Alliance de 2026, 33% dos consumidores tiveram uma conta comprometida ou receberam uma notificação de vazamento no período de um ano. Ao mesmo tempo, 47% disseram que provavelmente abandonariam uma compra ou tentativa de acesso caso não conseguissem lembrar a senha. A chave que ninguém precisa conhecer Uma passkey, também chamada de chave de acesso, substitui a senha por um par de chaves criptográficas. Uma delas é pública e fica armazenada no serviço. A outra é privada e permanece protegida no dispositivo ou em um cofre digital escolhido pelo usuário. Quando alguém tenta entrar em uma conta, o serviço envia um desafio criptográfico. O dispositivo utiliza a chave privada para responder, e o servidor verifica essa resposta com a chave pública. Não há uma senha sendo digitada ou um segredo reutilizável trafegando entre o usuário e o site. Na prática, toda essa engenharia costuma aparecer de maneira muito mais simples: o usuário toca no sensor de impressão digital, olha para a câmera, utiliza o reconhecimento facial ou informa o PIN de desbloqueio do aparelho. A biometria ou o PIN não são a passkey. Eles apenas autorizam o dispositivo a utilizar a chave privada armazenada com segurança. Esse é, para mim, um dos maiores méritos do conceito. A proteção deixa de depender de uma informação que o usuário precisa inventar, memorizar e proteger. A pessoa sequer conhece sua chave privada — e isso é positivo. Não é possível revelar por telefone, enviar por mensagem ou digitar acidentalmente em uma página falsa algo que nunca é apresentado como texto. O phishing perde sua principal matéria-prima Grande parte dos golpes digitais depende de convencer a vítima a entregar voluntariamente uma credencial. O criminoso cria uma página semelhante à de um banco, serviço de e-mail ou rede social e induz o usuário a inserir login, senha e, em alguns casos, um código de autenticação. As passkeys alteram profundamente essa dinâmica porque estão associadas ao domínio legítimo em que foram registradas. Uma página fraudulenta pode copiar logotipos, cores, textos e praticamente toda a aparência de um site verdadeiro. O que ela não consegue fazer é convencer o autenticador a utilizar uma chave criada para outro domínio. Mesmo que o usuário seja direcionado a um endereço falso, não existe uma senha para digitar nem um código reutilizável para entregar ao golpista. O dispositivo verifica a origem da solicitação antes de autorizar a assinatura criptográfica. Por isso, as passkeys são consideradas resistentes a phishing e também reduzem ataques como credential stuffing, nos quais criminosos testam credenciais vazadas em diferentes serviços. Isso não significa que a engenharia social desaparecerá. Criminosos podem mudar de estratégia, explorar processos de recuperação de conta, tentar cadastrar novos dispositivos ou convencer vítimas a aprovar outras ações. Nenhuma tecnologia elimina completamente a fraude, mas retirar a senha do processo significa remover uma das matérias-primas mais valiosas e abundantes do cibercrime. Segurança finalmente deixa de punir o usuário Durante muito tempo, melhorar a segurança significou acrescentar etapas. Senhas maiores, requisitos mais complexos, trocas frequentes, perguntas de segurança, códigos por SMS, aplicativos autenticadores, múltiplas telas de confirmação... Cada camada podia aumentar a proteção, mas também aumentava a fricção. E quanto maior a fricção, maior a possibilidade de o usuário procurar atalhos. As passkeys demonstram que segurança e facilidade não precisam ocupar lados opostos. Para entrar em uma conta, o usuário pode executar a mesma ação que já utiliza dezenas de vezes por dia para desbloquear o celular ou o computador. Não precisa lembrar se usou uma letra maiúscula, um caractere especial ou o nome de um animal seguido pelo ano de nascimento. Essa conveniência ajuda a explicar a adoção. Em 2026, 90% dos consumidores pesquisados pela FIDO Alliance afirmaram conhecer as passkeys, 75% já haviam habilitado ao menos uma e 49% disseram utilizá-las regularmente quando disponíveis. Em 2024, apenas 62% dos participantes de outra pesquisa da entidade declaravam conhecer a tecnologia. Novamente, os levantamentos não são diretamente equivalentes, mas revelam como o tema ganhou espaço em um período relativamente curto. Na minha avaliação, essa é uma transformação importante para a conscientização em segurança: em vez de exigir que bilhões de pessoas se comportem como especialistas em gestão de credenciais, a tecnologia passa a absorver parte da complexidade. As empresas também têm muito a ganhar Para as organizações, a adoção de passkeys não representa apenas uma modernização técnica — ela pode reduzir uma cadeia inteira de problemas operacionais. Senhas esquecidas geram chamados para suporte. Trocas obrigatórias interrompem o trabalho. Códigos enviados por SMS produzem custos. Credenciais comprometidas exigem investigação, redefinição de acesso e, em alguns casos, resposta a incidentes. Sites de comércio eletrônico ainda perdem clientes que abandonam uma compra porque não conseguem acessar a própria conta. A FIDO Alliance mostra que 68% das organizações consultadas já haviam implantado, iniciado projetos-piloto ou começado a implementar passkeys para autenticação de funcionários. Entre as empresas que adotaram a tecnologia, 47% relataram maior confiança na segurança, 45% observaram logins mais rápidos, 43% perceberam melhora na satisfação dos funcionários com a área de tecnologia, 35% registraram menos chamados para redefinição de senha e 32% identificaram redução de incidentes relacionados a phishing. Adotar não é apenas habilitar um botão Apesar dos benefícios, considero perigoso apresentar as passkeys como uma solução automática ou infalível. A implantação exige decisões sobre recuperação de conta, sincronização, dispositivos perdidos, ambientes compartilhados, aplicações legadas e integração com sistemas de identidade. Se uma pessoa perder todos os dispositivos autorizados, como recuperará o acesso? Se um funcionário deixar a empresa, como suas chaves serão revogadas? A organização permitirá sincronização em nuvem ou exigirá passkeys vinculadas a equipamentos corporativos? O que acontecerá com sistemas antigos que ainda dependem de senha? Existe ainda um problema importante durante a transição. Muitos serviços permitem o uso de passkeys, mas continuam mantendo a senha como alternativa. Isso facilita a migração, porém preserva o caminho que os criminosos já conhecem. Uma conta protegida por passkey ainda pode estar exposta caso possua um processo frágil de recuperação ou uma senha secundária reutilizada. Por isso, eu vejo a adoção como um projeto de identidade, produto e segurança, não apenas como a instalação de um recurso. É necessário definir políticas, testar diferentes dispositivos, preparar o suporte, revisar os métodos de recuperação e comunicar com clareza o que muda para o usuário. Compatibilidade com sistemas legados, recuperação de contas e governança da sincronização estão entre os desafios centrais desse processo. O futuro sem senha já começou Durante anos, o fim das senhas foi anunciado como uma possibilidade distante. Faltava compatibilidade, apoio das grandes plataformas e uma experiência suficientemente simples para alcançar o público comum. Agora, esse cenário mudou. Apple, Google, Microsoft, navegadores modernos, gestores de credenciais e grandes serviços digitais passaram a oferecer suporte ao padrão. Bilhões de chaves já estão ativas, e uma parcela crescente dos usuários provavelmente utiliza uma passkey mesmo sem reconhecer o nome da tecnologia. Para o usuário, o primeiro passo é simples: sempre que um serviço confiável oferecer a criação de uma chave de acesso, vale considerar a ativação, especialmente em contas de e-mail, serviços financeiros, redes sociais e plataformas que concentram informações importantes. Para as empresas, o momento é de avaliar aplicações, fornecedores, riscos de recuperação e possibilidades de implantação progressiva. A melhor tecnologia de segurança não é aquela que exige atenção perfeita o tempo inteiro. É aquela que continua protegendo mesmo quando o usuário está com pressa, distraído ou cansado. As passkeys não eliminam o fator humano, mas deixam de depender de uma das tarefas que as pessoas historicamente executam pior: criar, memorizar e proteger dezenas de segredos reutilizáveis. O fim das senhas talvez ainda demore. A substituição delas, entretanto, já começou.
- Golpe no WhatsApp usa documentos falsos para infectar PCs via VBScript
Uma campanha ativa de malware está usando mensagens diretas no WhatsApp para distribuir arquivos Visual Basic Script, ou VBScript, disfarçados de documentos comerciais e financeiros. Segundo a Kaspersky, a operação mira principalmente usuários do WhatsApp Desktop e do WhatsApp Web e tem como objetivo final instalar uma ferramenta legítima de Remote Monitoring and Management, conhecida como RMM, para permitir acesso remoto ao sistema da vítima. A campanha foi observada em vários países, incluindo Malásia, Brasil, Índia, México, Singapura, Reino Unido, Espanha, Taiwan, Austrália, Rússia e Vietnã. A maior concentração de vítimas identificadas até o momento está na Malásia. O uso de nomes de arquivos em diferentes idiomas, incluindo português, francês, alemão e malaio, indica uma operação com alcance internacional e adaptação regional dos arquivos usados como isca. De acordo com Fareed Radzi, pesquisador da Kaspersky, os invasores usam nomes enganosos para convencer os destinatários a baixar e executar os anexos. Os arquivos aparecem como documentos aparentemente legítimos, com nomes como “Financial Reports.vbs” e “Account Statement.vbs”, simulando relatórios financeiros, extratos de conta e outros materiais de interesse comercial. A extensão “.vbs”, no entanto, indica que o arquivo é um script executável do Windows, não um documento comum. A investigação sugere que os responsáveis pela campanha obtiveram acesso indevido a várias contas do WhatsApp e passaram a usá-las como vetor de distribuição. Com isso, as mensagens maliciosas chegam a partir de contatos conhecidos das vítimas, aumentando a probabilidade de confiança e execução do arquivo. A Kaspersky afirma, porém, que ainda não está claro como essas contas foram comprometidas inicialmente. A cadeia de ataque começa quando a vítima recebe o arquivo VBScript pelo WhatsApp. No WhatsApp Web, o usuário precisa baixar o anexo e abri-lo manualmente a partir da pasta de downloads ou do histórico de downloads do navegador, acreditando se tratar de um documento legítimo. Já no WhatsApp Desktop, a execução ocorre dentro do contexto do aplicativo, com a árvore de processos mostrando o “WhatsApp.Root.exe”, processo associado ao cliente desktop, iniciando o “WScript.exe”, componente legítimo do Windows usado para executar scr ipts. Depois de iniciado pelo WScript.exe, o VBScript abre uma cadeia de infecção em múltiplos estágios. O primeiro script baixa e executa componentes adicionais de VBScript a partir de um servidor remoto. Um desses componentes tenta interferir no comportamento do User Account Control, o UAC, mecanismo do Windows que ajuda a controlar elevação de privilégios e execução de ações administrativas. O outro baixa e executa um arquivo ZIP contendo o pacote de instalação do ManageEngine RMM Central. O uso de uma ferramenta RMM legítima é um ponto importante da campanha. Soluções de Remote Monitoring and Management são normalmente usadas por equipes de TI e provedores de serviços gerenciados para administrar máquinas remotamente, aplicar correções, monitorar ativos e executar tarefas de suporte. Quando abusadas por invasores, essas ferramentas podem permitir persistência, controle remoto, movimentação dentro do ambiente e execução de comandos sem a necessidade de malware altamente customizado. Essa técnica é conhecida como abuso de ferramentas legítimas, ou living off trusted tools. Em vez de instalar uma família de malware facilmente reconhecível, os invasores tentam se apoiar em softwares corporativos reais, o que pode dificultar a detecção por soluções de segurança que tratam essas aplicações como confiáveis. Para equipes de SOC e resposta a incidentes, a presença de um RMM inesperado em uma estação de trabalho deve ser tratada como sinal de alerta, principalmente quando não há processo formal de implantação ou inventário que justifique sua instalação. Os scripts usados na campanha são fortemente ofuscados, o que dificulta a análise manual e a identificação rápida do comportamento malicioso. A Kaspersky também observou que as amostras de VBScript contêm comentários extensos e metadados criados para imitar componentes legítimos do Microsoft Windows Update. Muitos desses comentários estão em chinês e fazem referência a módulos do Windows Update, validação de certificados, verificações de integridade do sistema e funcionalidades relacionadas a implantação. Embora a atividade ainda não tenha sido atribuída a um grupo específico, a Kaspersky identificou sobreposição de infraestrutura com campanhas anteriores associadas ao Gh0st RAT e ao ValleyRAT, incluindo o endereço 202.61.160[.]201. O Gh0st RAT é historicamente conhecido como uma ferramenta de acesso remoto usada em diferentes operações maliciosas, enquanto o ValleyRAT também já foi observado em campanhas voltadas a controle remoto e comprometimento de sistemas Windows. O caso também mostra como canais de comunicação amplamente usados em ambientes pessoais e profissionais podem ser explorados como vetor de acesso inicial. O WhatsApp, especialmente em países como o Brasil, é usado não apenas para conversas pessoais, mas também para troca de documentos, atendimento comercial, comunicação entre equipes e relacionamento com clientes. Esse contexto torna anexos recebidos de contatos conhecidos especialmente perigosos quando a verificação do tipo de arquivo não é feita com atenção. Para empresas, a campanha reforça a necessidade de controles sobre execução de scripts em endpoints Windows. Arquivos VBS, VBE, JS, JSE, BAT, CMD, PS1 e EXE recebidos por mensageiros, e-mail ou navegadores devem ser tratados com restrição, principalmente quando chegam de forma inesperada. Medidas como bloqueio de execução de scripts em diretórios de download, controle de aplicações, EDR, políticas de AppLocker ou Windows Defender Application Control e monitoramento de processos como WScript.exe e CScript.exe ajudam a reduzir o risco. Também é importante monitorar a instalação não autorizada de ferramentas RMM. Em ambientes corporativos, qualquer solução de acesso remoto deve ter dono, justificativa, política de uso, inventário e registro de implantação. A presença de agentes RMM não homologados pode indicar comprometimento, uso indevido de credenciais ou tentativa de manter acesso persistente ao ambiente. A recomendação para usuários é não abrir anexos inesperados recebidos pelo WhatsApp, mesmo quando enviados por contatos conhecidos. Antes de executar qualquer arquivo, é necessário confirmar por outro canal se a pessoa realmente enviou o documento e verificar a extensão real do arquivo. Um documento financeiro legítimo normalmente não deveria chegar como “.vbs”, “.exe”, “.bat”, “.cmd”, “.js” ou “.ps1”. A Kaspersky também recomenda cautela especial com arquivos de script e executáveis recebidos por mensagens diretas. A legitimidade de um anexo deve ser verificada de forma independente, já que contas comprometidas podem ser usadas para distribuir malware a partir de contatos aparentemente confiáveis. Em campanhas como essa, a confiança social é parte central da técnica de ataque. A operação envolvendo VBScript e ManageEngine RMM Central combina engenharia social simples com uma cadeia técnica eficaz. Ao explorar contas comprometidas do WhatsApp, arquivos com aparência de documentos e ferramentas legítimas de administração remota, os invasores reduzem a dependência de exploits sofisticados e aumentam a chance de passar despercebidos em ambientes com baixa maturidade de segurança.












