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China reduz exportações de terras raras e pode afetar expansão de datacenters


As restrições impostas pela China à exportação de terras raras começam a representar um risco direto para a cadeia de suprimentos de datacenters. O IEEE alerta que as remessas de alguns materiais essenciais para componentes de infraestrutura de TI caíram significativamente, enquanto Pequim se prepara para revisar, em novembro, controles de exportação mais rigorosos atualmente suspensos.


A análise destaca principalmente o ítrio e o érbio, duas terras raras utilizadas em diferentes componentes tecnológicos. As exportações chinesas de ítrio caíram aproximadamente 75% neste ano em comparação com 2025. O elemento foi incluído entre as sete terras raras médias e pesadas submetidas pela China a licenciamento obrigatório na primeira rodada de restrições adotada em 2025.


O ítrio possui aplicações em LEDs brancos, displays, filtros de micro-ondas, lasers de estado sólido e capacitores cerâmicos presentes em uma ampla variedade de equipamentos eletrônicos. Já o érbio desempenha um papel particularmente importante na infraestrutura de redes, sendo utilizado em circuitos amplificadores responsáveis por reforçar sinais ópticos transmitidos por fibras.


Essa dependência ganha relevância para datacenters porque a expansão de infraestrutura para cloud computing e inteligência artificial exige grandes volumes de servidores, equipamentos de rede, sistemas ópticos e componentes eletrônicos que dependem direta ou indiretamente desses materiais.


A China implementou restrições à venda internacional de terras raras em abril de 2025, em meio às disputas comerciais com os Estados Unidos. Posteriormente, o governo chinês anunciou medidas mais abrangentes, incluindo regras que obrigariam empresas a solicitar licenças antes de exportar produtos contendo determinados materiais de origem chinesa.


Essa segunda rodada incluiria controles adicionais sobre cinco elementos, entre eles o érbio. As medidas, entretanto, foram suspensas por 12 meses em novembro de 2025 após negociações comerciais entre Estados Unidos e China.


O prazo termina em novembro de 2026. Pequim terá então de decidir se abandona as restrições adicionais, mantém a suspensão ou volta a aplicá-las. Existe ainda a possibilidade de os controles serem ampliados para uma parcela maior das terras raras sobre as quais a China exerce domínio na cadeia global de fornecimento.


Dados da International Energy Agency (IEA) ajudam a dimensionar essa concentração. Em 2024, a China respondeu por cerca de 60% da mineração mundial das terras raras utilizadas em ímãs, mas sua participação chegou a aproximadamente 91% nas etapas de separação e refino.


Para ítrio e érbio utilizados em equipamentos de TI, a dependência seria ainda maior. Segundo o IEEE Spectrum, a China extrai aproximadamente 90% do ítrio mundial e processa todo o minério produzido globalmente para transformá-lo em formas industrialmente utilizáveis, como óxido de ítrio. O país também seria responsável por todo o fornecimento mundial de óxido de érbio.


Os Estados Unidos estão tentando reduzir essa dependência por meio de investimentos e acordos internacionais. Uma das iniciativas envolve US$ 750 milhões anunciados pelo Departamento de Defesa para garantir o fornecimento de terras raras utilizadas em ímãs a partir de uma instalação de produção localizada no Brasil.


O Departamento de Energia também anunciou US$ 500 milhões destinados a sete projetos voltados à expansão do processamento de minerais críticos, fabricação de baterias e reciclagem. Em fevereiro, Washington assinou acordos com representantes de 54 países durante o Critical Minerals Ministerial de 2026 para desenvolver cadeias de suprimentos mais resilientes.


Outra iniciativa é o Project Vault, lançado pelo governo dos Estados Unidos para estabelecer uma reserva estratégica de minerais críticos. O projeto prevê até US$ 10 bilhões em financiamento do Export-Import Bank dos EUA.


O problema é que novas minas, instalações de processamento e cadeias alternativas de fornecimento levam tempo para entrar em operação. Com a revisão chinesa prevista para novembro e as relações comerciais entre Washington e Pequim ainda tensas, uma retomada ou ampliação dos controles poderá pressionar justamente uma indústria que precisa aumentar rapidamente sua capacidade para acompanhar a demanda por infraestrutura de IA e computação em nuvem.

 
 
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