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- T-Mobile quer sair da VMware, mas ainda depende de suporte da Broadcom
A T-Mobile parece estar em processo de saída do ecossistema VMware, ao mesmo tempo em que trava uma disputa judicial com a Broadcom pelo direito de manter suporte a um ambiente de virtualização considerado crítico para suas operações internas. Segundo documentos judiciais, o caso envolve uma infraestrutura de grande escala, com software VMware executado em mais de 303 mil núcleos de CPU e usado como base para parte relevante da rede interna da operadora. A disputa tem origem em um acordo firmado entre a T-Mobile e a VMware em agosto de 2023. Na ocasião, a operadora adquiriu licenças perpétuas e dois anos de suporte para determinados softwares, além de uma opção contratual para estender esse suporte por mais um ano. Pouco depois, a Broadcom concluiu a aquisição da VMware e mudou de forma significativa o modelo comercial da empresa. Após assumir o controle da VMware, a Broadcom deixou de vender licenças perpétuas e contratos de suporte independentes para clientes que já possuíam esse tipo de licença. A companhia também reduziu o portfólio da VMware, que tinha mais de 150 produtos, para dois pacotes principais baseados em assinatura. Hoje, a estratégia comercial da Broadcom está concentrada principalmente no VMware Cloud Foundation, conhecido como VCF, uma suíte voltada para nuvens privadas corporativas. A mudança gerou atrito com grandes clientes que afirmam ter direito contratual à extensão de suporte. AT&T e Tesco já tentaram exercer opções semelhantes. A AT&T chegou a um acordo confidencial, enquanto a Tesco continua discutindo o caso nos tribunais. A T-Mobile agora aparece em uma disputa parecida, mas com um agravante operacional importante: o ambiente VMware da empresa sustenta uma parte expressiva de sua infraestrutura interna. Em uma das audiências, a defesa da T-Mobile descreveu a implementação VMware da operadora como a base de toda a rede interna e o local onde residem cerca de mil aplicações. Em outra petição, apresentada pela Broadcom, consta que a T-Mobile executa softwares VMware em mais de 303 mil núcleos de CPU, dimensão que ajuda a explicar a complexidade de qualquer migração. De acordo com os documentos, a Broadcom teria informado em 2024 que não renovaria o suporte após o fim do contrato inicial de dois anos, previsto para 2025. As duas empresas continuaram discutindo possíveis novos acordos, enquanto a T-Mobile também buscava uma liminar para obrigar a Broadcom a fornecer o suporte estendido. A Broadcom contestou a liminar e argumentou que a T-Mobile esperou tempo demais para pedir a medida judicial. A empresa sustenta, em linhas gerais, que não poderia oferecer suporte nos termos originais porque os produtos cobertos pelo contrato deixaram de existir em sua forma anterior. Também afirma que seus contratos permitem negar suporte para produtos descontinuados e que o modelo de assinatura se tornou o padrão do setor. Em determinado momento da negociação, a T-Mobile sugeriu um acordo de US$ 20 milhões para obter mais dois anos de suporte. Uma declaração apresentada na semana passada por Kevin Luu, vice-presidente de tecnologia da T-Mobile, afirma que a operadora buscava esse arranjo para conseguir concluir a transição para fora da VMware em um ritmo mais controlado. A Justiça acabou concedendo uma liminar que obrigou a Broadcom a oferecer suporte além de agosto de 2025. Como condição, a T-Mobile teve de pagar US$ 5,28 milhões e apresentar uma garantia de US$ 500 mil. A Broadcom continuou prestando suporte, mas também passou a buscar indenização, alegando que a liminar teria impedido a conclusão de um novo acordo comercial com a operadora. A T-Mobile rejeita esse argumento. Para a empresa, não faria sentido afirmar que a Broadcom perdeu um contrato definitivo se as duas partes ainda estavam discutindo possíveis termos comerciais. A operadora também questiona o valor proposto pela Broadcom para a continuidade do suporte. Segundo os documentos, a Broadcom propôs cobrar US$ 24 milhões pelo suporte estendido de seis produtos. A justificativa apresentada foi que seriam necessários mais de 20 profissionais para atender à T-Mobile. A operadora rebateu esse ponto ao afirmar que fez apenas duas chamadas de suporte em 2026, o que, segundo sua visão, não sustentaria a necessidade de uma equipe tão grande nem de um custo tão elevado. O caso ganhou urgência porque a liminar atual expira em 3 de agosto de 2026. Caso não haja nova decisão ou acordo, a T-Mobile pode ficar sem suporte para um ambiente VMware de grande porte enquanto tenta concluir sua migração. Um detalhe relevante é que a juíza responsável pelo caso, Jennifer G. Schecter, também presidiu a disputa entre VMware e AT&T. Naquele processo, as partes chegaram a um acordo confidencial. Em uma audiência realizada em outubro de 2025, Schecter indicou que considerava o caso da T-Mobile ainda mais forte que o da AT&T. A defesa da VMware argumentou que os casos seriam diferentes porque a AT&T teria agido rapidamente, enquanto a T-Mobile teria esperado muitos meses antes de buscar o suporte estendido e a liminar. A empresa também afirmou que milhares de clientes já migraram para assinaturas, tratando T-Mobile e AT&T como exceções em um universo de cerca de 10 mil clientes. A juíza, porém, demonstrou ceticismo diante desse argumento. Para ela, o fato de outros clientes terem aceitado a migração para assinatura não significa necessariamente concordância plena com a estratégia da Broadcom. Alguns clientes podem não querer enfrentar uma disputa judicial, podem considerar a briga inviável financeiramente ou podem ter ambientes menores e mais fáceis de migrar. A Broadcom, por sua vez, defende que os clientes que migram para assinaturas VCF passam a operar uma infraestrutura mais eficiente, capaz de melhorar o desempenho geral dos negócios. A empresa também aponta o crescimento de receita da VMware como evidência de que sua estratégia comercial está funcionando. Na semana passada, a VMware citou a Nationwide Building Society, do Reino Unido, como uma das organizações que aderiram ao VCF. Para grandes empresas que dependem de plataformas legadas de virtualização, o embate mostra como mudanças de licenciamento podem se transformar em risco operacional. Mesmo quando há uma estratégia de migração definida, ambientes com centenas de milhares de núcleos, milhares de aplicações e dependências internas profundas não costumam ser substituídos rapidamente. No caso da T-Mobile, a disputa não envolve apenas preço ou modelo de assinatura, mas a continuidade do suporte a uma base tecnológica considerada central para suas operações. A decisão final poderá ter impacto além da própria operadora. Caso a Justiça reconheça de forma ampla o direito de clientes a extensões de suporte previstas em contratos anteriores, outros grandes usuários de licenças perpétuas podem ganhar força em disputas semelhantes. Se a Broadcom prevalecer, a pressão para migração a modelos de assinatura tende a aumentar, especialmente entre organizações que ainda mantêm ambientes VMware extensos e difíceis de substituir no curto prazo.
- Falha de 29 anos no Squid podia vazar dados sensíveis de usuários
Uma vulnerabilidade de vazamento de memória no Squid, popular servidor proxy de cache open source, permaneceu sem detecção por 29 anos e poderia expor requisições HTTP em texto claro, incluindo credenciais, tokens de sessão e outros dados sensíveis. A falha foi apelidada de Squidbleed e comparada ao Heartbleed por permitir a leitura indevida de dados da memória. O problema foi identificado por pesquisadores de segurança com apoio do Mythos Preview, da Anthropic, e reportado aos mantenedores do projeto Squid, que corrigiram o código no início de junho. A vulnerabilidade é rastreada como CVE-2026-47729 e foi corrigida no Squid v7.6, lançado em 8 de junho. O Squid é amplamente usado por grandes empresas, escolas, provedores de internet e outras organizações para armazenar em cache, filtrar e monitorar tráfego de rede. O pesquisador Lam Jun Rong, da Calif.io, afirmou ter se deparado com o proxy open source enquanto tentava se conectar à internet durante um voo. Segundo ele, a versão do Squid usada naquele avião tinha quase dez anos e estava vulnerável ao problema que viria a ser documentado. Rong relatou a falha aos mantenedores do Squid em abril. Após a publicação inicial do artigo original, também foi informado que outro pesquisador havia encontrado o bug antes: Pavel Kohout, da Aisle, identificou e reportou a vulnerabilidade em 4 de março, antes do relatório inicial da Calif.io. A Calif.io já havia chamado atenção anteriormente por pesquisas como a HTTP/2 Bomb, descoberta com apoio do agente Codex da OpenAI. A empresa também colaborou com a OpenAI na iniciativa Patch the Planet, anunciada recentemente, voltada à identificação e correção de vulnerabilidades em larga escala. De acordo com Rong, a Squidbleed pode vazar memória interna de todas as versões do Squid em configuração padrão, desde que duas condições estejam presentes. A primeira é que o Squid consiga ler e inspecionar o tráfego de rede, o que significa que ele precisa estar processando HTTP em texto claro ou operando em cenários nos quais termina conexões TLS. A segunda condição é que o proxy tenha permissão para alcançar um servidor FTP controlado por um atacante pela porta TCP 21. O FTP, ou File Transfer Protocol, é um protocolo antigo para transferência de arquivos entre sistemas. Embora tenha perdido espaço e seja considerado inadequado para muitos usos modernos, o Squid ainda oferece suporte a esse tipo de tráfego, e é justamente nesse ponto que a vulnerabilidade aparece. O bug está no parser de listagem de diretórios FTP do Squid. A falha foi introduzida no código open source em um commit de 1997, identificado como bb97dd37a, criado para oferecer suporte a servidores NetWare antigos. O NetWare foi um sistema operacional de rede popular nas décadas de 1980 e 1990, usado principalmente para serviços de arquivos e impressão em redes locais antes da ampla dominância de servidores Windows e Linux. Servidores FTP baseados em NetWare adicionavam espaços extras entre o timestamp de modificação e o nome do arquivo, diferentemente da maioria dos servidores FTP, que usavam apenas um espaço. O commit de 1997 tentou resolver essa diferença instruindo o código a ignorar os espaços adicionais. Para isso, usava um loop baseado em strchr para avançar o ponteiro enquanto encontrasse caracteres de espaço. O problema surge quando um servidor FTP controlado pelo atacante não fornece um nome de arquivo após o timestamp de modificação. Nesse cenário, o ponteiro copyFrom passa a apontar para o caractere NUL que marca o fim da string. Como a função strchr também trata esse terminador como parte da string pesquisada, ela retorna um ponteiro em vez de NULL. O loop, então, não para no momento correto e avança além do fim do buffer. Como consequência, a função xstrdup copia o conteúdo que aparece depois daquela região de memória e o devolve ao atacante como se fosse um nome de arquivo. O resultado é um heap overread, uma leitura indevida de memória heap, que pode revelar dados processados pelo proxy. O impacto é relevante porque o Squid pode estar manipulando requisições HTTP em texto claro. Essas requisições frequentemente incluem informações sensíveis, como senhas, chaves de API, tokens de sessão, cookies e outros dados enviados por aplicações ou usuários. Rong demonstrou a exploração em uma prova de conceito. A correção, segundo o pesquisador, é simples: verificar a presença do terminador nulo antes de chamar strchr. Apesar da simplicidade do patch, a falha permaneceu escondida desde a década de 1990, em uma área de compatibilidade com tecnologias legadas que ainda podia afetar implantações modernas. O caso mostra como trechos antigos de código, mantidos por compatibilidade com sistemas praticamente abandonados, podem permanecer ativos em softwares amplamente usados. Mesmo recursos pouco utilizados, como suporte a FTP em proxies modernos, podem manter superfícies de ataque relevantes quando expostos a tráfego controlado por invasores. A recomendação principal para administradores é atualizar o Squid para a versão v7.6 ou posterior, que inclui a correção para a CVE-2026-47729. Organizações que usam versões antigas devem revisar seus pacotes e confirmar se o patch foi aplicado pela distribuição ou pelo fornecedor responsável. Além da atualização, Rong recomenda desabilitar o suporte a FTP no Squid, exceto quando houver uma necessidade específica e incomum. Navegadores baseados em Chromium deixaram de oferecer suporte a FTP há anos, e, para a maioria das organizações, o volume de tráfego FTP legítimo tende a ser próximo de zero. Desativar esse recurso remove uma superfície de ataque inteira sem grande impacto operacional na maior parte dos ambientes. Em redes corporativas, escolares e de provedores, a medida também ajuda a reduzir o risco associado a protocolos antigos que continuam habilitados por padrão ou por herança de configuração. A Squidbleed reforça uma lição recorrente em segurança: vulnerabilidades críticas nem sempre estão em funcionalidades novas ou complexas. Às vezes, elas permanecem em caminhos de código criados décadas atrás, ligados a tecnologias legadas, protocolos obsoletos e comportamentos de compatibilidade que raramente recebem atenção.
- Cloudflare, Google, Microsoft e Mozilla trabalham em tokens para diferenciar tráfego legítimo de acessos abusivos
A Cloudflare anunciou uma colaboração com os principais fabricantes de navegadores comerciais para desenvolver um protocolo voltado a ajudar sites a distinguir tráfego desejado de requisições consideradas abusivas, automatizadas ou inadequadas. A iniciativa envolve Google Chrome, Microsoft Edge e Mozilla Firefox, e tem como base os chamados Private Access Control Tokens, ou PACTs. Segundo a Cloudflare, os PACTs foram projetados como um mecanismo de preservação de privacidade para que sites consigam emitir tokens digitais capazes de indicar que determinada sessão de navegação pertence a um usuário humano ou a um bot com intenção legítima. A proposta é reduzir a necessidade de verificações repetidas de identidade, como CAPTCHAs, bloqueios agressivos e checagens invasivas, especialmente em um cenário de aumento do tráfego automatizado e de agentes baseados em inteligência artificial. Na prática, os PACTs funcionariam como uma espécie de resultado compartilhável e anônimo de uma verificação de confiança. Em vez de tentar apenas responder se o visitante é humano ou bot, a lógica se concentra em avaliar se aquele tráfego é desejável ou indesejável para o site. Essa distinção tem se tornado mais complexa à medida que bots legítimos, agentes autônomos e automações autorizadas passam a conviver com crawlers abusivos, scraping agressivo, fraude publicitária, ataques automatizados e tráfego malicioso. A ideia é permitir que sites com forte conhecimento sobre a “personhood” de um visitante emitam tokens anônimos que possam ser apresentados em outros sites. O termo, no entanto, ainda não está totalmente claro no contexto técnico da proposta. A noção de “personhood” parece incluir não apenas pessoas reais, mas também softwares autorizados a agir em nome de uma pessoa legítima para uma finalidade aprovada. Esse ponto é importante porque o protocolo pode acabar influenciando quem recebe ou não permissão para acessar determinados serviços sem atrito adicional. Ainda não está definido, por exemplo, quais critérios serão usados para determinar se uma sessão, navegador, comportamento ou sinal de rede é suficientemente confiável para receber um token. Discussões técnicas anteriores envolvendo desenvolvedores do Google e da Mozilla indicam que excluir determinados hardwares, plataformas ou user-agents não é o objetivo declarado. Dane Knecht, CTO da Cloudflare, afirmou que a forma como as pessoas interagem com a web está mudando e tende a envolver cada vez mais agentes autônomos. Para ele, com a disseminação do tráfego impulsionado por IA, as ferramentas atuais para lidar com esse uso são genéricas e pouco granulares. A colaboração, segundo Knecht, permitiria reduzir o atrito causado por protocolos de segurança para visitantes humanos e agentes, sem abrir mão da privacidade. A promessa de privacidade, porém, exige cautela. Os tokens PACT, ao que indica a proposta, não carregariam dados pessoais diretamente. Ainda assim, eles não resolvem outros problemas estruturais de rastreamento na web, como fingerprinting de navegadores, correlação de sessões, identificação por comportamento e uso combinado de sinais técnicos. Se implementados de forma inadequada, também podem introduzir novos riscos de privacidade, exclusão ou controle de acesso. O ponto central é que os PACTs criam uma camada adicional para classificar tráfego da internet como bem-vindo ou indesejado. Esse tipo de separação já ocorre amplamente por meio de firewalls, sistemas antibot, reputação de IP, WAFs e mecanismos de mitigação de abuso. A diferença é que, neste caso, a proposta busca padronizar parte dessa avaliação dentro do ecossistema de navegadores e sites, em um modelo que pode afetar a experiência de acesso em larga escala. A Mozilla, por meio de Bobby Holley, CTO do Firefox, afirmou que segue comprometida com a abertura e a privacidade dos usuários na web. Segundo ele, uma avalanche de tráfego automatizado tem levado sites a adotarem defesas mais bruscas, como paywalls, verificações de identidade, CAPTCHAs e rastreamento invasivo, apenas para tentar determinar se uma requisição vem de uma pessoa. Para operadores de sites, o apelo é evidente. Muitas empresas enfrentam custos crescentes para lidar com crawlers agressivos, scraping não autorizado, fraudes, automações abusivas e tráfego que consome infraestrutura sem gerar valor. Os PACTs podem oferecer uma forma menos intrusiva de identificar visitantes considerados genuínos e priorizar recursos para acessos mais relevantes. Ao mesmo tempo, a proposta levanta preocupações sobre o futuro da web aberta. Caso esses tokens se tornem uma espécie de credencial de acesso confiável, sites, navegadores e intermediários podem ganhar poder adicional para decidir quais visitantes, softwares ou agentes merecem tratamento preferencial. Isso pode criar barreiras para usuários com configurações menos comuns, navegadores alternativos, ferramentas de privacidade, automações legítimas ou projetos menores que não tenham capacidade de negociar reconhecimento com grandes plataformas. A Cloudflare apresenta a iniciativa como uma alternativa mais privada e menos incômoda aos modelos atuais de detecção de bots e verificação de usuários. Ainda assim, o equilíbrio entre combate a abusos, privacidade, interoperabilidade e abertura da web dependerá dos detalhes técnicos finais, dos critérios de emissão dos tokens e da forma como navegadores e sites implementarão o protocolo. O avanço dos PACTs também reflete uma mudança maior no tráfego da internet. Com agentes de IA, bots de indexação, automações corporativas e ferramentas de coleta de dados disputando espaço com usuários humanos, os mecanismos tradicionais de distinção entre pessoa e máquina se tornaram insuficientes. A nova disputa não é apenas identificar bots, mas determinar quais automações são aceitáveis, em quais condições e sob controle de quem.
- Microsoft Access finalmente se livra de um limite criado na era dos monitores de tubo
O Microsoft Access, sistema de gerenciamento de banco de dados relacional lançado originalmente em 1992, receberá uma atualização que remove uma limitação herdada da era dos monitores CRT. Após mais de três décadas, a Microsoft começou a corrigir a restrição que impedia formulários do Access de ultrapassarem 22 polegadas de tamanho. A mudança está atualmente em fase beta e deve chegar ao Current Channel Preview até 21 de julho de 2026. A alteração atende a uma antiga demanda da comunidade de usuários do Access, especialmente de desenvolvedores e empresas que ainda dependem da ferramenta para criar aplicações internas, interfaces de entrada de dados e sistemas de apoio a processos corporativos. A limitação fazia sentido em um período em que os formulários precisavam funcionar em resoluções muito menores, como o padrão VGA de 640 x 480 pixels. Na época dos primeiros ambientes Windows, telas pequenas e monitores de tubo exigiam interfaces mais compactas. Com a evolução para monitores widescreen e telas de alta resolução, porém, o limite de 22 polegadas passou a restringir o desenho de formulários mais amplos e confortáveis. Embora o Access tenha perdido espaço para plataformas de banco de dados mais modernas e soluções corporativas de desenvolvimento, a ferramenta ainda é bastante encontrada em pequenas empresas e em ambientes internos de grandes organizações. Em muitos casos, ela funciona como uma camada de integração entre sistemas, automatizando rotinas, armazenando dados operacionais ou sustentando aplicações criadas há anos e mantidas por necessidade de continuidade. Na prática, a remoção do limite permite que desenvolvedores criem formulários maiores, com mais espaço para campos, controles, textos e áreas de visualização. Segundo a Microsoft, designs mais amplos oferecem maior flexibilidade na apresentação de informações, permitem aumentar o espaçamento entre elementos, exibir textos maiores e reduzir a poluição visual nas telas. A mudança também responde a uma dor recorrente de usuários que precisavam acomodar requisitos de negócio cada vez mais complexos dentro de interfaces limitadas. À medida que telas maiores se tornaram comuns, a área disponível para entrada e exibição de dados no Access passou a parecer cada vez mais apertada, especialmente em formulários usados por equipes administrativas, financeiras, comerciais e operacionais. Ainda assim, a atualização não significa necessariamente que todos os ambientes corporativos migrarão rapidamente para novos layouts. Em muitas empresas, aplicações feitas em Access seguem uma lógica conservadora de manutenção: se o sistema continua funcionando, raramente há incentivo para modificá-lo. Isso é especialmente comum em soluções internas antigas, criadas para tarefas específicas e mantidas com poucos ajustes ao longo dos anos. De acordo com a Microsoft, a remoção do limite de tamanho dos formulários era uma das melhorias mais solicitadas pela comunidade do Access e uma das demandas mais votadas no fórum de feedback da ferramenta. Entre outros pedidos frequentes aparecem uma versão nativa para Mac e controles mais modernos, embora a criação de uma edição para macOS pareça pouco provável. A atualização também chama atenção pelo momento. O Microsoft Publisher foi removido do pacote Office, com o suporte à versão perpétua previsto para terminar em 1º de outubro de 2026. Diante disso, usuários de ferramentas tradicionais da Microsoft tendem a observar com atenção o futuro do Access, que até agora segue recebendo melhorias pontuais e ainda não passou pela mesma integração ostensiva com recursos de Copilot vista em outros produtos da empresa. Mesmo sem ocupar o centro da estratégia moderna de dados e aplicações da Microsoft, o Access permanece relevante em nichos corporativos onde simplicidade, legado e familiaridade pesam mais do que a adoção de novas plataformas. A remoção do limite de 22 polegadas não transforma a ferramenta em uma solução moderna por si só, mas reduz uma barreira antiga para quem ainda depende dela no dia a dia.
- SegInfo em números: o que cinco anos de pesquisa revelam sobre a maturidade do mercado brasileiro
Série histórica da BugHunt sobre o mercado brasileiro de cibersegurança acompanhou a evolução de 240 companhias entre 2021 e 2026; no período, o número de empresas que investem em segurança da informação avançou de 74% para 96% As empresas brasileiras alcançaram um novo patamar de maturidade em segurança da informação, mas seguem enfrentando desafios persistentes. Entre 2021 e 2026, a parcela de organizações com mais de cinco anos de investimentos contínuos na área saltou de 14% para 67%, enquanto os ataques de phishing mais que dobraram no período, passando de 28% para 58% das companhias. Além disso, 96% das empresas brasileiras atualmente investem em segurança da informação, ante 72% registrados em 2021. Os dados fazem parte do Brazilian CyberSecurity Index, primeiro relatório que conta com uma série histórica sobre o mercado brasileiro de cibersegurança. Realizada pela BugHunt, o projeto consolidou cinco anos de acompanhamento contínuo de 240 companhias para mapear a evolução da maturidade, dos investimentos e das principais ameaças enfrentadas por elas no país. Segundo Caio Telles, CEO da BugHunt, o que mais chama atenção nesse cruzamento de dados é que o mercado amadureceu muito rápido impulsionado pela insistência dos ataques, e não necessariamente por sua maior sofisticação. “Hoje temos mais empresas investindo e com operações estruturadas. Ainda assim, o phishing continua como o principal vetor de ataque às organizações brasileiras. Isso mostra que segurança não é apenas uma questão de tecnologia, mas também de implementação de processos, treinamento de usuários e validação contínua para reduzir sua exposição a ameaças”, afirma. O levantamento revela também uma mudança importante no perfil das ameaças enfrentadas pelas organizações ao longo dos últimos cinco anos. O phishing foi o único vetor de ataque a manter crescimento consistente durante toda a série histórica, passando de 28% das empresas sendo atingidas em 2021 para 58% em 2026. Ao mesmo tempo, o cenário de riscos tornou-se mais complexo. Se nos primeiros anos da série as principais preocupações estavam concentradas em ataques já conhecidos, como malware, ransomware e vazamentos de dados, a edição de 2026 evidencia o avanço de ameaças ligadas à identidade e à exposição de ambientes digitais. Falhas de autenticação atingiram 31% das companhias, seguidas por exploração de vulnerabilidades (23%) e indisponibilidade de sistemas (19%). Em sentido oposto, vetores que chegaram a liderar as ocorrências em anos anteriores perderam relevância relativa. O malware, que afetava 24% das empresas em 2021 e 25% em 2022, recuou para 15% em 2026. Já o ransomware caiu de 25% em 2022 para 12% na edição mais recente do levantamento. “Ao longo dos últimos cinco anos, vimos uma mudança importante no perfil das ameaças. O mercado saiu de uma preocupação concentrada em malware e ransomware para um cenário em que phishing, identidade digital e exploração de vulnerabilidades passaram a ocupar um espaço cada vez maior na agenda das companhias. Isso reflete a expansão dos ambientes digitais e a necessidade de controles mais contínuos e abrangentes após novas superfícies de ataque terem sido criadas pela transformação digital”, afirma Telles. Pressão por resultados cresce com orçamento estável Outro dado que chama atenção é a desaceleração prevista para os investimentos em segurança nos próximos anos. De acordo com o estudo, 39% das empresas não pretendem ampliar seus orçamentos de segurança em 2026. Outras 37% estimam aumentos de até 10%, percentual próximo da inflação. Apenas 24% planejam crescimento real dos recursos destinados à área. Nesse cenário, a principal prioridade das organizações passa a ser a melhoria contínua dos processos de segurança. O tema foi apontado por 61% dos entrevistados como foco principal para os próximos anos, à frente de iniciativas de prevenção, recuperação e continuidade operacional. “O mercado entrou em uma fase em que simplesmente adicionar novas ferramentas já não é suficiente. A cobrança por resultados aumentou e os orçamentos tendem a crescer em ritmo menor. Isso faz com que eficiência operacional, integração entre áreas e validação contínua ganhem ainda mais relevância”, afirma Telles. Inteligência artificial lidera próximos investimentos Em busca de maior eficiência operacional diante de orçamentos mais restritos, as empresas apontam a inteligência artificial como a principal aposta tecnológica para o futuro. A tecnologia foi citada por 63% dos entrevistados como prioridade de adoção nos próximos dois anos. Na sequência aparecem automação e orquestração (51%), arquiteturas Zero Trust (49%), segurança em ambientes de nuvem (40%) e proteção de aplicações (34%). Segundo Telles, o movimento reflete a necessidade de ampliar a capacidade operacional das equipes sem necessariamente expandir estruturas e equipes na mesma velocidade. Bug Bounty ganha espaço entre empresas mais maduras A evolução da maturidade do mercado também se reflete na adoção de modelos de validação contínua. Quando a BugHunt lançou a primeira edição do estudo, em 2021, o Bug Bounty ainda era percebido por muitas organizações como uma prática reservada a empresas globais de tecnologia ou operações de segurança altamente sofisticadas. Na época, apenas 24% das entrevistadas pensavam em adotar. Cinco anos depois, a série histórica mostra uma mudança significativa de percepção. Atualmente, 48% já utilizam ou pretendem implementar programas de Bug Bounty nos próximos dois anos. O indicador que melhor traduz essa evolução é o de promotores da prática. Segundo o Brazilian CyberSecurity Index, 56% das organizações que conhecem o modelo se declaram promotoras do Bug Bounty - ou seja, já utilizaram, usariam novamente e recomendariam sua adoção para outras empresas. “À medida que a tecnologia avança, também aumenta a velocidade com que novas vulnerabilidades, superfícies de ataque e técnicas de exploração surgem. Nenhuma empresa consegue acompanhar essa dinâmica atuando sozinha. O crescimento do Bug Bounty reflete justamente essa mudança de maturidade do mercado. As organizações passaram a entender que se aproximar da comunidade de hackers éticos e pesquisadores de segurança é uma forma de ampliar sua capacidade de identificar riscos, acompanhar a evolução das ameaças e se manter à frente da criatividade do cibercrime”, afirma Telles. Nova fase da BugHunt acompanha transformação do mercado Lançada em 2020 para introduzir e popularizar o modelo de Bug Bounty no Brasil, a companhia anuncia agora uma evolução de posicionamento para acompanhar um mercado que passou a enxergar a segurança como uma operação contínua, baseada em tecnologia, mas também na colaboração com especialistas, pesquisadores e ecossistemas capazes de ampliar a capacidade de defesa das organizações. “Os resultados do estudo mostram que as organizações estão buscando operações de segurança cada vez mais contínuas e orientadas à eficiência. Nossa evolução acompanha exatamente essa transformação. Hoje, a conversa já não é apenas sobre encontrar vulnerabilidades, mas sobre ajudá-las a construir operações de segurança mais maduras, sustentáveis e preparadas para os desafios dos próximos anos”, conclui Telles. Sobre a BugHunt A BugHunt é uma empresa brasileira de segurança da informação pioneira em programas colaborativos de Bug Bounty na América Latina. Fundada em 2020, nasceu com a missão de aproximar empresas e hackers éticos para fortalecer a segurança digital em um mercado que ainda dava os primeiros passos na adoção de práticas modernas de cibersegurança. Ao longo dos últimos anos, a companhia ajudou a consolidar o modelo de Bug Bounty no Brasil, desenvolvendo uma comunidade diversificada de pesquisadores de segurança e oferecendo às organizações uma forma colaborativa, contínua e escalável de identificar vulnerabilidades antes que sejam exploradas por agentes maliciosos. Hoje, a BugHunt apoia empresas na evolução de suas operações de segurança, conectando tecnologia, inteligência especializada e o ecossistema de pesquisadores para reduzir riscos, ampliar a visibilidade sobre ambientes digitais e fortalecer a gestão contínua de vulnerabilidades.
- BIS alerta que bolha de investimentos em IA pode ameaçar a economia global
O Banco de Compensações Internacionais, conhecido pela sigla BIS e frequentemente descrito como o “banco central dos bancos centrais”, alertou para os riscos macroeconômicos associados ao volume crescente de investimentos em inteligência artificial. Em seu relatório anual de 2026, a instituição comparou o atual ciclo de gastos com IA a episódios históricos de euforia tecnológica que terminaram em reversões bruscas de investimento e recessões. A análise do BIS menciona paralelos com a “mania” dos canais e ferrovias britânicas no século XIX, o entusiasmo em torno da eletrificação nos anos 1920 e a bolha das empresas pontocom nos anos 1990. Em todos esses casos, havia uma inovação tecnológica real, capaz de transformar setores inteiros, mas também uma entrada de capital acima do que os retornos comerciais posteriormente conseguiram justificar. Segundo o relatório, esses episódios compartilharam uma característica comum: avanços tecnológicos genuínos atraíram investimentos excessivos em relação aos ganhos econômicos efetivamente entregues. Quando as expectativas deixaram de se sustentar, houve reversão dos investimentos, com impactos amplos sobre a economia. A preocupação agora se concentra na velocidade e na escala do ciclo de investimentos em infraestrutura para IA, especialmente entre grandes provedores de nuvem e hyperscalers. O BIS afirma que o boom atual, impulsionado por expectativas de ganhos expressivos de produtividade, apresenta semelhanças com ciclos anteriores de euforia tecnológica e pode gerar riscos relevantes no curto prazo caso os retornos não se materializem. O The Register já havia reportado projeções de gastos de capital para 2026 em níveis extremamente elevados entre as maiores empresas de tecnologia. A Amazon prevê capex de US$ 200 bilhões, a Microsoft projeta US$ 190 bilhões, o Google cerca de US$ 180 bilhões e a Meta até US$ 140 bilhões. A Oracle também vem ampliando suas apostas em IA. Pelas estimativas do BIS, os cinco maiores hyperscalers devem gastar mais de US$ 1 trilhão em capex relacionado à inteligência artificial em 2026. Diante da pressão inflacionária sobre componentes como memória, da competição por chips e da disputa entre rivais para ampliar capacidade, a instituição considera esse patamar plausível. O relatório aponta que esses compromissos estão crescendo mais rapidamente do que os lucros e o fluxo de caixa livre dessas empresas. Como consequência, algumas companhias passaram a emitir dívida para financiar parte da expansão. Essa corrida de investimentos, segundo o BIS, pode estar sendo alimentada pela percepção de que apenas um pequeno grupo de empresas com tecnologia superior conseguirá dominar o mercado no longo prazo. A competição intensa cria o risco de grandes empresas de tecnologia comprometerem recursos excessivos em projetos cujos retornos ainda são incertos. À medida que a pressão competitiva eleva os gastos, o excedente econômico líquido para o setor de tecnologia pode diminuir e, em cenários adversos, até se tornar negativo. O BIS alerta que uma frustração nos retornos esperados poderia provocar uma retirada repentina de financiamento e transformar o atual boom de capex em uma queda prolongada de investimentos. Esse movimento teria potencial para afetar as condições financeiras de forma mais ampla, especialmente se investidores passarem a reavaliar o valor das empresas expostas à IA. Outro ponto de preocupação é o que o relatório chama de possível “obstáculo do lado da oferta”. A construção de data centers de IA depende de fatores como disponibilidade de eletricidade, acesso a chips, capacidade de conexão à rede elétrica e infraestrutura física adequada. Esses gargalos já pressionam custos de energia e insumos, com possíveis efeitos secundários sobre a inflação. Data centers voltados para IA consomem grandes volumes de energia e exigem infraestrutura de alta densidade computacional. Em regiões onde a capacidade elétrica é limitada ou onde a conexão à rede demora a ser aprovada, projetos podem enfrentar atrasos, aumento de custos e competição direta por recursos escassos. O BIS observa que essas restrições temporárias também podem ampliar o excesso de investimento, já que empresas tentam garantir capacidade futura por meio de contratos de longo prazo. Esse tipo de contrato pode deixar as empresas ainda mais expostas caso a demanda por IA não acompanhe o ritmo dos investimentos. Se a procura real por serviços, modelos e aplicações de IA ficar abaixo das expectativas, companhias podem ficar presas a obrigações de longo prazo, infraestrutura subutilizada e custos fixos elevados. O relatório também discute o risco de efeitos macroeconômicos mais amplos caso a inflação aumente ou o investimento liderado por IA entre em colapso. O BIS afirma que as consequências poderiam ser amplificadas por vulnerabilidades financeiras já existentes. Em um cenário de inflação persistente, bancos centrais poderiam elevar ou manter juros em patamares restritivos, pressionando ativos de risco após um período prolongado de otimismo. Esse ajuste poderia gerar uma queda acentuada nos preços de ativos, desencadeando ciclos de retroalimentação entre mercado financeiro e economia real. A preocupação é que uma reversão no sentimento em relação à IA não ficaria limitada ao setor de tecnologia, já que grandes empresas do segmento têm presença crescente nos mercados de crédito e vêm aumentando sua alavancagem. O BIS também chama atenção para o ecossistema de fornecedores que sustenta essa expansão. Empresas de engenharia, compras, construção e infraestrutura envolvidas em projetos de data centers podem ter balanços mais frágeis do que os grandes hyperscalers. Uma redução abrupta de capex por parte das big techs poderia atingir diretamente esses fornecedores, criando pressão financeira em cadeia. A opacidade do financiamento no setor de IA é outro fator que aumenta os riscos. Segundo o relatório, empresas vêm formando uma rede de acordos privados, incluindo estruturas de financiamento circular. Além disso, os termos de contratos de locação de data centers nem sempre são totalmente divulgados, dificultando a avaliação clara da exposição financeira real. Esse tipo de arranjo pode mascarar dependências entre empresas, fornecedores, investidores e clientes. Em um ambiente de otimismo, essas conexões podem parecer sustentáveis. Em um cenário de queda de demanda ou redução de financiamento, porém, a falta de transparência pode dificultar a identificação rápida de riscos e ampliar a instabilidade. O pano de fundo é que, embora empresas que testam ferramentas de IA relatem ganhos de eficiência em nível individual de funcionários, poucas indicam ganhos de produtividade claramente mensuráveis em projetos colocados em produção em larga escala. Essa diferença entre expectativas de transformação econômica e resultados efetivos é central para a preocupação do BIS. A discussão não significa que a IA seja irrelevante ou que seus avanços não sejam reais. O alerta se concentra na possibilidade de que o mercado esteja precificando retornos muito superiores ao que a tecnologia conseguirá entregar no horizonte esperado. Quando investimentos em infraestrutura, dívida, contratos de longo prazo e avaliações de mercado se acumulam sobre expectativas agressivas, a reversão pode ter impacto sistêmico. Para o setor de tecnologia, o relatório sugere que o principal risco está na combinação entre competição extrema, custos crescentes e incerteza sobre monetização. Para o sistema financeiro, a preocupação é que a IA deixe de ser apenas uma tese de crescimento e passe a representar uma concentração relevante de crédito, capex e exposição indireta em fornecedores e ativos associados. O BIS, portanto, coloca a euforia em torno da inteligência artificial dentro de uma perspectiva histórica mais cautelosa. Grandes ciclos tecnológicos costumam gerar infraestrutura útil no longo prazo, mas também podem produzir excesso de capacidade, endividamento e perdas quando o capital investido supera os retornos comerciais possíveis. No caso da IA, a escala global dos hyperscalers e a interconexão com energia, semicondutores, crédito e data centers aumentam o potencial de repercussões além do próprio setor de tecnologia.
- Rússia usou ferramenta da Cellebrite para acessar iPhone de ativista preso
Autoridades russas usaram ferramentas forenses da Cellebrite para invadir o iPhone do ativista de oposição Andrey Pivovarov em junho de 2021, três meses depois de a empresa afirmar que deixaria de vender seus produtos e serviços para Rússia e Belarus. A descoberta foi publicada em 25 de junho pelo Citizen Lab e se apoia em dois elementos raramente disponíveis em conjunto: vestígios técnicos encontrados no próprio telefone e um relatório oficial do governo russo que cita nominalmente a ferramenta utilizada. Segundo a investigação, os dados extraídos do aparelho foram usados para procurar contatos políticos, figuras da oposição e nomes de organizações ativistas. O caso não envolve spyware remoto, mas sim o uso de uma ferramenta forense em um dispositivo apreendido sob custódia, dentro de um processo de persecução política. Pivovarov comandava a Open Russia, grupo de oposição que havia sido classificado pelo Kremlin como “indesejável”. Na prática, essa designação tornou a continuidade de envolvimento com a organização uma infração criminal. O ativista foi retirado de um voo no aeroporto de São Petersburgo em 31 de maio de 2021. Na ocasião, seu iPhone 12 e seu MacBook foram confiscados. Ele não consentiu com a busca nos dispositivos e não entregou suas senhas. Os equipamentos permaneceram sob custódia até 2023. Em julho de 2022, Pivovarov foi condenado a quatro anos de prisão e acabou libertado em agosto de 2024, em uma troca de prisioneiros. No segundo semestre de 2025, Pivovarov entregou o iPhone a pesquisadores do Citizen Lab. Os vestígios encontrados no aparelho remontavam a 2021, período em que o dispositivo estava sob controle das autoridades russas. Registros do MobileLockdown, que rastreiam os pareamentos USB confiáveis de um iPhone, indicaram uma conexão em 17 de junho de 2021 com um host ID compatível com uma impressão digital da Cellebrite já identificada pelos pesquisadores em um caso anterior na Jordânia. O Citizen Lab classificou o achado como evidência de alta confiança de que o UFED da Cellebrite foi utilizado. A própria documentação russa reforça a leitura forense. Durante o processo, Pivovarov recebeu um documento chamado “Forensic Expert Report No. 1269-17”, preparado para o Comitê Investigativo da Rússia pelo centro forense do Ministério do Interior. Ele entregou uma cópia desse relatório ao Citizen Lab. O documento cita explicitamente os produtos UFED Physical Analyzer e UFED 4PC, ambos da Cellebrite. Também registra a extração de dados de aplicativos como WhatsApp, Telegram e Viber, além de mostrar que os investigadores realizaram buscas por “Open Russia Civic Movement” e por nomes de figuras da oposição, incluindo Mikhail Khodorkovsky, a advogada Anastasiya Burakova e Tatiana Usmanova, parceira de Pivovarov. O MacBook, por outro lado, não foi acessado com sucesso. O relatório do Ministério do Interior russo descreve uma tentativa fracassada de extração, bloqueada por criptografia. O Citizen Lab também encontrou tentativas de login malsucedidas na mesma data, indicando que as autoridades não tinham a senha de Pivovarov. O ponto central do caso está no momento em que a extração ocorreu. A Cellebrite anunciou em março de 2021 que deixaria de vender para Rússia e Belarus, decisão que interrompeu atualizações e suporte, mas não necessariamente impediu o uso de equipamentos já instalados. Segundo o Citizen Lab, boa parte das ferramentas UFED continua funcionando offline por muito tempo depois do fim do suporte. Esse é o vazio operacional do corte comercial: o risco não estava apenas em vendas futuras, mas também na base instalada já presente em departamentos policiais e órgãos de inteligência. O caso se alinha a reportagens anteriores que indicavam a continuidade do uso de ferramentas da Cellebrite pela Rússia em celulares de pessoas detidas após o anúncio da empresa. Questionada em 22 de junho pelo Citizen Lab e pela Access Now, a Cellebrite afirmou que qualquer uso de hardware legado na Rússia depois de março de 2021 é “inteiramente não autorizado”. A empresa disse que esse hardware opera sem seu suporte ou consentimento e que, atualmente, seria incompatível com dispositivos modernos. A Cellebrite também afirmou que a Rússia permanece de forma permanente em sua lista de clientes restritos e que está migrando para licenças por assinatura, que deixam de funcionar quando expiram. A distinção, porém, é mais relevante do ponto de vista jurídico do que operacional: em 2021, quando investigadores russos tinham o telefone em mãos, a ferramenta ainda funcionava. Outro ponto de atenção é a sobreposição entre os nomes pesquisados no telefone de Pivovarov e alvos posteriores da COLDRIVER, operação de phishing associada ao FSB, o serviço de segurança russo. Pessoas cujos nomes apareceram nas buscas do aparelho depois surgiram como alvos da campanha. Burakova, por exemplo, foi alvo, mas não caiu no ataque. O Citizen Lab não afirma haver uma ligação direta entre a extração feita no iPhone e as campanhas posteriores de phishing. Ainda assim, o mecanismo é evidente: ao extrair a rede de contatos de um ativista, investigadores ou operadores maliciosos podem construir uma lista de alvos para ações futuras. A recomendação do Citizen Lab para pessoas sob risco de apreensão de dispositivos é direta, embora nenhuma medida seja totalmente infalível contra ferramentas forenses. Entre as práticas sugeridas estão o uso de senha alfanumérica forte, atualização constante do sistema operacional, ativação do Lockdown Mode em iPhones ou do Advanced Protection em dispositivos Android 16 ou superior, criptografia de disco em computadores e desligamento completo do aparelho antes de entrar em situações de alto risco. Caso um dispositivo apreendido seja devolvido, a orientação é trocar todas as senhas de contas associadas e submetê-lo a uma análise técnica antes de apagá-lo ou reutilizá-lo normalmente. A preocupação é que o acesso físico ao aparelho, combinado com ferramentas forenses, pode expor dados sensíveis, redes de relacionamento e informações usadas em investigações ou campanhas futuras. Com esse caso, a Rússia se junta a Sérvia, Quênia e Jordânia em uma lista crescente de episódios de abuso de ferramentas da Cellebrite sustentados por evidências forenses. A conclusão mais relevante é específica: um corte de vendas que permite que ferramentas antigas e capazes de operar offline continuem funcionando tem efeito limitado quando o dispositivo já está em uma sala de custódia.
- Fórum B2B reúne líderes de Nokia, Claro, Vivo e Schneider Electric para discutir crescimento e inovação
Evento promovido pela Live University | Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado (Ibramerc) acontece nos dias 6 e 7 de julho, em São Paulo, reunindo executivos para discutir IA e novas estratégias de geração de receita Recurso mais cobiçado da atualidade, a Inteligência Artificial tem sido a responsável pelas principais tendências de inovação nas empresas. Com exigências mais complexas de venda e avanço tecnológico, organizações B2B enfrentam um desafio comum: tornar a necessidade de crescimento sustentável a médio e longo prazo. Para discutir possíveis caminhos, a Live University | Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado (Ibramerc) promove, nos próximos dias 6 e 7 de julho no Grand Mercure Hotel Vila Olímpia, em São Paulo, o Fórum B2B, encontro que reunirá executivos de todo o país para compartilhar experiências, cases e estratégias voltados à geração de receita e expansão empresarial. Segundo Henrique Gasperoni, CEO da Live, o crescimento deixou de ser responsabilidade exclusiva das áreas de Vendas, Marketing e Customer Success, tornando-se um plano global das companhias. “Hoje, áreas que antes atuavam de forma independente precisam atuar integradas, apoiadas por dados e tecnologia. Nosso objetivo é promover conexões e impulsionar trocas inteligentes entre grandes referências profissionais especialmente no B2B”, afirma Gasperoni. Durante os dois dias de programação, os participantes terão acesso a palestras e mesas com temas como definição de ICP, construção de pipeline previsível, posicionamento e geração de demanda, qualificação e gestão de oportunidades, retenção e expansão de clientes. Também serão debatidos playbooks e modelos operacionais, enquanto a integração entre CRM, automação e BI, além do uso de IA na priorização de decisões. Entre os destaques estão o Vice-Presidente de Marketing e Sustentabilidade da Schneider Electric, Arthur Wong; o Head de Marketing Brasil & Latam da Nokia, Felipe Garcia; o Head de Data Analytics da Claro, João Del Nero; além de executivos de organizações como Vivo, Cielo, Panasonic, Decolar, iFood, Fogo de Chão, Banco BS2, CostaFoods, Instituto Ayrton Senna e Cemig SIM. Também será divulgado um estudo inédito conduzido pela Live University | Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado (Ibramerc) sobre maturidade tecnológica e crescimento B2B no Brasil. O levantamento reúne percepções de profissionais de níveis operacional, gerencial e executivo de médias e grandes empresas, avaliando soluções de marketing, automação de processos, uso de IA e práticas de governança tecnológica. A pesquisa também investiga os principais desafios enfrentados pelas organizações, como relação Marketing-Vendas, qualidade dos dados, dimensão de resultados e prioridades de investimento em tecnologia, resultando na criação dos Índices de Maturidade Tecnológica tanto para Marketing, quanto para Vendas, indicador que mensura a evolução digital dos participantes. Para Gasperoni, a complexidade da atual jornada de compra exige uma abordagem cada vez mais integrada entre estratégia, tecnologia e desenvolvimento humano. “A Live University atua justamente conectando líderes das maiores organizações do país por meio de formação executiva, treinamentos corporativos e um ecossistema de parceiros que estimula networking e troca de conhecimento de alto nível. O Fórum B2B é uma extensão desse propósito: reunir executivos para compartilhar experiências, criar conexões estratégicas e impulsionar a evolução dos negócios”, finaliza. Serviço: Fórum B2B 2026 Data: 6 e 7 de julho de 2026 Local: hall de eventos do Grand Mercure Hotel Endereço: R. Olimpíadas, 205, Vila Olímpia, São Paulo Informações e inscrições: https://ibramerc.liveuniversity.com/forumb2b Contato para a imprensa: isabel@mondonipress.com.br Sobre a Live University Uma das principais instituições brasileiras de educação corporativa, a Live University se dedica ao desenvolvimento de profissionais e empresas por meio de MBAs, pós-graduações, treinamentos e eventos de capacitação. Fundada em 2002, por Richard Lowenthal, Henrique Gasperoni e Ricardo Barato, surgiu como uma associação para troca de conhecimento sobre e-Business. Em 2007, a Live University entrou no mercado de educação e, quase duas décadas depois, soma mais de 25 mil alunos em escolas de negócios especializadas nas áreas de Compras, Supply Chain, Logística, Customer Success, Marketing, Vendas, Inteligência de Mercado, Tecnologia, RH, Fiscal, Tributário e e-Commerce. A instituição possui acreditação internacional ASIC (Accreditation Service for International Schools, Colleges and Universities) com status Premier e atua também por meio de programas corporativos customizados, plataformas de aprendizagem e grandes eventos. Mais informações: https://liveuniversity.com/ Fórum B2B 2025 - divulgação Live University.
- Ferramenta para bloquear anúncios no YouTube pode expor dados no navegador
Uma análise de uma popular extensão do Google Chrome usada para bloquear anúncios no YouTube revelou a presença de uma capacidade que poderia permitir a execução arbitrária de código JavaScript em páginas acessadas pelo usuário. Segundo a Island, a extensão, chamada Adblock for YouTube, identificada pelo ID cmedhionkhpnakcndndgjdbohmhepckk, soma mais de 10 milhões de instalações e exibe o selo Featured na Chrome Web Store. O caso chama atenção não apenas pelo alcance da extensão, mas também pelo tipo de permissão normalmente concedida a bloqueadores de anúncios, que precisam inspecionar requisições, alterar páginas, ocultar elementos e adaptar seu comportamento conforme os sistemas de publicidade mudam. A descrição da extensão afirma que ela permite impedir a exibição de elementos de páginas, como anúncios, incluindo propagandas preroll, na plataforma de vídeos e em sites externos que carregam conteúdo do YouTube. A funcionalidade prometida é entregue, mas a análise identificou que o complemento também possui componentes capazes de executar JavaScript arbitrário. De acordo com os pesquisadores Oleg Zaytsev e Shachar Gritzman, da Island, a extensão contém os elementos arquiteturais necessários para execução arbitrária de JavaScript em qualquer site, bastando uma mudança de configuração no lado do servidor. Essa ativação poderia ocorrer sem atualização da extensão, sem uma nova revisão da loja e sem qualquer sinal visível para o usuário. Na prática, esse tipo de capacidade poderia permitir a leitura de páginas, coleta de dados e execução de ações em nome do usuário dentro de contas pessoais, aplicações corporativas, painéis administrativos e outras sessões sensíveis abertas no navegador. A Island ressalta, porém, que não há evidência de que uma carga maliciosa tenha sido distribuída aos usuários por esse mecanismo. O alerta está na presença da capacidade em si, especialmente quando combinada a vínculos com outras extensões de bloqueio de anúncios que foram removidas da Chrome Web Store por malware. Entre as extensões relacionadas retiradas da loja estão Adblock for Chrome, identificada pelo ID onomjaelhagjjojbkcafidnepbfkpnee; Adblock for You, com o ID ogcaehilgakehloljjmajoempaflmdci; e AdBlock Suite, identificada pelo ID gekoepiplklhniacchbbgbhilidiojmb. A Adblock for YouTube está disponível na Chrome Web Store desde 2014. Inicialmente, funcionava como um bloqueador básico de anúncios para o YouTube, mas passou por mudança de propriedade quatro anos depois. Versões anteriores da extensão foram encontradas com um kit de desenvolvimento de software de injeção de anúncios chamado Unistream SDK, removido em junho de 2024. O elemento que permaneceu constante, segundo a análise, foi a presença de caminhos de injeção de scripts controlados remotamente desde fevereiro de 2025. A extensão inclui uma biblioteca de scriptlets, pequenas funções JavaScript usadas em bloqueadores de anúncios para manipular elementos de páginas. Nesse modelo, o servidor seleciona quais scriptlets serão executados e com quais argumentos. Um desses scriptlets, chamado trusted-create-element, cria um elemento HTML na página. Caso o servidor envie “script” como tipo de elemento e forneça JavaScript como conteúdo, esse elemento pode ser executado no contexto da página e acessar informações sensíveis. A correção publicada no artigo esclarece que o trusted-create-element não foi criado pelo autor da extensão, mas faz parte da biblioteca open source de scriptlets da AdGuard, usada também por outros bloqueadores de anúncios. O risco apontado pela Island não está, portanto, apenas no scriptlet isolado, mas no caminho controlado pelo servidor que poderia alcançá-lo após a instalação da extensão, sem exigir atualização e sem passar por nova revisão da Chrome Web Store. Segundo os pesquisadores, no momento da análise, o trusted-create-element não estava ativo na resposta do servidor. A capacidade estava dormente, não ausente. Esse detalhe é importante porque extensões de navegador operam dentro de um modelo de confiança amplo. Um bloqueador de anúncios costuma solicitar acesso extenso a páginas e tráfego do navegador para cumprir sua função. Quando esse acesso é combinado com uma rota de configuração remota capaz de acionar injeção de scripts, o impacto potencial deixa de ser limitado ao YouTube e passa a envolver qualquer sessão web acessada pelo usuário. A análise também identificou que, apesar do nome da extensão sugerir foco no YouTube, ela é executada em todos os sites visitados pelo usuário no Chrome. Há uma verificação que tenta ativar o comportamento apenas quando a URL atual contém “youtube.com”. No entanto, essa validação não confirma o hostname, a origem do frame nem o contexto de um player incorporado. Na prática, a checagem apenas verifica se a sequência “youtube.com” aparece em qualquer parte da URL. Isso abre margem para contornos simples, como inserir o termo em parâmetros de consulta ou caminhos de outros sites. Exemplos desse padrão incluem páginas com URLs contendo parâmetros como ref=youtube.com, buscas com q=youtube.com ou redirecionamentos internos com from=youtube.com. Para a Island, a preocupação não está em uma única linha suspeita de código, mas na combinação de fatores: uma extensão com grande volume de instalações, acesso a todos os sites, caminho de injeção controlado remotamente, histórico de infraestrutura de injeção de anúncios, mudança relevante de propriedade e base de código, além de extensões relacionadas removidas da Chrome Web Store por malware. O caso também surge em um momento de maior atenção sobre extensões de navegador. A Unit 42, da Palo Alto Networks, informou ter detectado 18 extensões que imitavam marcas de consumo com o objetivo de monetização por marketing de afiliados. Após a instalação, essas extensões abriam um domínio .shop em uma nova aba, que redirecionava para outro site. A página alegava que uma ação adicional era necessária, citava problemas de incompatibilidade e induzia os usuários a instalar um navegador voltado para jogos. Após a publicação do relatório, Mathias Rochus, fundador da AdBlock Ltd, informou que a extensão nunca usou essa capacidade e nunca a usará. Ele citou a avaliação de 4,4 estrelas da extensão, baseada em centenas de milhares de análises, e afirmou que a empresa prepara uma atualização para a Chrome Web Store com duas mudanças. A primeira alteração prevista é validar o hostname do YouTube, em vez de simplesmente procurar a string “youtube.com” em qualquer parte da URL. A segunda é impedir que a configuração enviada pelo servidor consiga criar ou injetar um script executável na página. A atualização ainda precisa passar pela revisão do Google antes de chegar aos usuários. Rochus também afirmou que os scriptlets citados no relatório, incluindo o trusted-create-element, não foram escritos pela empresa. Segundo ele, esses componentes pertencem à biblioteca open source da AdGuard, usada por bloqueadores de anúncios amplamente adotados. A extensão, nesse modelo, envia configurações que selecionam qual scriptlet incorporado será executado. Essa explicação está alinhada ao modelo técnico descrito pela Island, mas não elimina o ponto central da pesquisa: a configuração remota da extensão poderia alcançar um scriptlet capaz de criar scripts executáveis, e é exatamente essa possibilidade que a atualização planejada pretende fechar. Para usuários e empresas, o caso reforça a necessidade de tratar extensões de navegador como componentes de risco. Mesmo ferramentas populares, bem avaliadas e listadas em lojas oficiais podem representar exposição significativa quando recebem permissões amplas e executam lógica definida remotamente. Em ambientes corporativos, a recomendação é manter inventário de extensões instaladas, aplicar listas de permissão, restringir complementos não essenciais e revisar permissões com atenção especial a extensões capazes de ler e modificar dados em todos os sites.
- Nova falha DirtyClone no kernel Linux permite elevação local de privilégio para root por meio de pacotes clonados
Uma nova vulnerabilidade de escalonamento de privilégios no kernel Linux permite que um usuário local corrompa memória associada a arquivos e obtenha acesso root em sistemas afetados. A falha, chamada DirtyClone, faz parte da família DirtyFrag e foi detalhada pela JFrog Security Research, que publicou em 25 de junho uma demonstração funcional de exploração, a primeira apresentação pública dessa variante. Rastreada como CVE-2026-43503, com pontuação CVSS 8.8, a vulnerabilidade permite que um usuário local manipule memória baseada em arquivo por meio de um pacote de rede clonado. A correção foi incorporada ao kernel principal em 21 de maio. Sistemas que ainda executam versões sem o patch devem ser atualizados o quanto antes. O problema está em uma falha de preservação de metadados durante operações internas do kernel com pacotes de rede. Quando o kernel copia um pacote internamente, duas funções auxiliares deixam de manter uma flag de segurança que indica que aquela região de memória é compartilhada com um arquivo no disco. A ausência dessa marcação é o ponto central da vulnerabilidade. Na cadeia de ataque descrita, o invasor carrega um binário privilegiado, como /usr/bin/su, na memória. Em seguida, vincula essas páginas de memória a um pacote de rede e força o kernel a cloná-lo. O pacote clonado passa por um túnel IPsec controlado pelo atacante, e a etapa de descriptografia sobrescreve verificações de login do binário com bytes escolhidos pelo invasor. Quando o comando su é executado novamente, o processo pode entregar acesso root. O arquivo original no disco não é alterado. A modificação ocorre apenas na cópia em memória mantida pelo kernel. Isso torna a detecção mais difícil, já que ferramentas de integridade de arquivos podem indicar que o binário permanece intacto, enquanto a versão em cache já foi manipulada. Um reboot restaura o arquivo ao estado original na memória, mas, nesse ponto, o atacante já pode ter obtido privilégios elevados. A exploração exige a capacidade CAP_NET_ADMIN para configurar um túnel IPsec de loopback. Em distribuições como Debian e Fedora, namespaces de usuário não privilegiados são habilitados por padrão, o que permite que um usuário local obtenha essa capacidade dentro de um novo namespace. Esse detalhe amplia o risco em ambientes multiusuário e em infraestruturas que permitem criação de namespaces por usuários ou processos não confiáveis. No Ubuntu 24.04 e versões posteriores, a criação de namespaces é restringida por meio do AppArmor, bloqueando o caminho padrão de exploração. Ainda assim, a questão é relevante porque o page cache é compartilhado no nível do host. Isso significa que alterações feitas dentro de um namespace podem afetar todos os processos na máquina, e não apenas o ambiente isolado em que a operação foi iniciada. Os sistemas mais expostos incluem servidores multi-tenant, runners de CI, hosts de contêineres e clusters Kubernetes nos quais usuários ou workloads não confiáveis podem criar namespaces. A JFrog confirmou a exploração em sistemas Debian, Ubuntu e Fedora com configurações padrão de namespace. A DirtyClone é a quarta vulnerabilidade recente de escalonamento de privilégios associada ao mesmo tipo de falha: memória baseada em arquivo é tratada como dados de pacote, e uma operação de rede feita “in-place” escreve onde deveria copiar. Essa classe de problema transforma uma otimização de desempenho do kernel em uma primitiva de escrita capaz de modificar conteúdo sensível em memória. A primeira falha dessa sequência foi a Copy Fail, rastreada como CVE-2026-31431, divulgada no fim de abril. Ela explorava o módulo algif_aead para realizar uma escrita de quatro bytes no page cache. Em 7 de maio, vieram as falhas DirtyFrag, CVE-2026-43284 e CVE-2026-43500, que encadeavam caminhos do IPsec ESP e do RxRPC para obter uma primitiva de escrita mais ampla. Poucos dias depois, em 13 de maio, surgiu a Fragnesia, CVE-2026-46300, que contornava a correção da DirtyFrag por meio de uma falha em skb_try_coalesce(), função que também deixava de preservar corretamente a flag necessária. Cada correção fechou um caminho específico, mas deixou outras rotas vulneráveis no subsistema de fragmentos de pacotes. No caso da DirtyClone, a exploração demonstrada se concentra em __pskb_copy_fclone(), com skb_shift() também afetada. A correção mais ampla associada à CVE-2026-43503 cobre outros auxiliares de transferência de fragmentos nos quais a mesma flag poderia ser perdida. O problema de fundo não é apenas uma função específica com defeito. Trata-se de uma falha de contrato entre caminhos do kernel: qualquer código que mova fragmentos de skb precisa preservar corretamente o bit que indica compartilhamento com memória baseada em arquivo. Se essa informação se perde em algum ponto da cadeia, dados originalmente tratados como somente leitura ou compartilhados podem acabar sendo sobrescritos por operações de rede. O mecanismo de rede zero-copy do kernel permite que memória associada a arquivos seja usada como dados de pacote para reduzir cópias e melhorar desempenho. No entanto, quando uma flag de segurança é descartada, essa otimização pode se transformar em uma capacidade de escrita indevida. Cada variante recente explorou um caminho diferente em que esse contrato não foi respeitado. Segundo as informações divulgadas, o pesquisador Hyunwoo Kim, responsável pela descoberta original da DirtyFrag, havia enviado em 16 de maio uma correção mais abrangente cobrindo vários auxiliares de transferência de fragmentos ainda vulneráveis. A correção combinada foi integrada em 21 de maio no commit 48f6a5356a33, recebeu a identificação CVE-2026-43503 em 23 de maio e foi incluída no Linux v7.1-rc5 em 24 de maio. A recomendação principal é instalar a atualização de kernel disponibilizada pela distribuição utilizada. A correção já chegou ao upstream no Linux v7.1-rc5 e foi retroportada para branches estáveis e LTS. Ubuntu, Debian e SUSE publicaram advisories sobre o tema, enquanto a Red Hat mantém um registro de acompanhamento no Bugzilla. Para organizações que não conseguem aplicar o patch imediatamente, há medidas temporárias para reduzir a superfície de ataque. Uma delas é restringir namespaces de usuário não privilegiados. Em Debian e Ubuntu, isso pode ser feito desabilitando kernel.unprivileged_userns_clone; outras distribuições podem usar mecanismos diferentes para aplicar restrições semelhantes. Outra mitigação possível é bloquear os módulos esp4, esp6 e rxrpc, embora essa medida possa impactar IPsec e AFS. Além disso, ela só funciona quando esses recursos estão disponíveis como módulos carregáveis, e não quando foram compilados diretamente no kernel. As duas abordagens devem ser tratadas como controles provisórios, não como substitutos da correção definitiva. A classe DirtyFrag provavelmente ainda exigirá novas auditorias. Qualquer função que mova descritores de fragmentos sem propagar corretamente a flag de compartilhamento pode representar uma nova vulnerabilidade. A revisão deve cobrir todos os caminhos que manipulam skb_shinfo()->flags durante transferências de fragmentos, especialmente em ambientes que dependem de namespaces, contêineres e processamento intensivo de rede.
- Microsoft alerta sobre phishing que engana funcionários de hotéis com falsas reclamações
Uma campanha ativa de phishing tem mirado hotéis e outras organizações do setor de hospitalidade na Europa e na Ásia desde abril de 2026, usando arquivos ZIP com tema de fotos para instalar um implante baseado em Node.js em máquinas de recepção e front desk, segundo a Microsoft. A empresa ainda não atribuiu a atividade a um grupo hacker conhecido, e o objetivo final dos operadores permanece indefinido. Até o momento, não há confirmação pública de roubo de dados, implantação de ransomware ou identificação de vítimas específicas. A campanha explora rotinas comuns do setor hoteleiro. Os e-mails fraudulentos usam o nome de exibição “Booking Manager (via Calendly)” e fazem referência a reclamações de hóspedes, infestações de percevejos, consultas sobre quartos, inspeções sanitárias e avaliações de estadia. A abordagem busca pressionar equipes de atendimento com temas sensíveis para hotéis, como reputação, reclamações públicas, avisos finais e supostas fiscalizações. As mensagens foram observadas em japonês, dinamarquês e holandês, com maior predominância do japonês. Segundo a análise, os assuntos dos e-mails não mencionam diretamente o destinatário nem a propriedade hoteleira, o que sugere uma operação de envio em larga escala baseada em listas, e não uma campanha de spear phishing altamente personalizada. Um dos pontos centrais da operação está na forma de entrega. Os invasores roteiam as mensagens pelo sistema de notificações por e-mail do Calendly e pelo serviço de redirecionamento de URLs do Google. A Microsoft descreve essa técnica como “authentication laundering”, ou lavagem de autenticação. Na prática, os e-mails enviados pelo fluxo direto do Calendly conseguem passar por verificações como SPF, DKIM e DMARC, porque de fato são enviados a partir de uma infraestrutura autorizada. Essas validações confirmam que o remetente tem permissão para enviar a mensagem, mas não indicam se o conteúdo é legítimo ou malicioso. Após o clique, a vítima é conduzida por uma cadeia de redirecionamentos que passa por um link do Calendly, pelo domínio share.google e por um redirecionamento do Google até chegar a um domínio .cfd recém-registrado, protegido pelo Cloudflare. Esse domínio também usa um desafio Turnstile, que funciona como uma barreira adicional contra análises automatizadas e ambientes de investigação. Ao prosseguir, o alvo baixa um arquivo com o nome no formato photo-.zip. Dentro do arquivo compactado há um atalho do Windows disfarçado de imagem. Na primeira onda da campanha, o arquivo aparecia como IMG-.png.lnk; na segunda, como PHOTO-.png.lnk. Quando o usuário abre o suposto arquivo de imagem, o atalho executa PowerShell. O script usa operações aritméticas com BigInt para decodificar uma URL oculta de download, baixa um arquivo .ps1 para o diretório %TEMP% e instala, no espaço do usuário, uma versão legítima do runtime Node.js v24.13.0 a partir do domínio oficial nodejs.org. Em seguida, esse runtime executa o implante JavaScript, sem necessidade de instalação global do Node.js no sistema. O implante foi rastreado como TonRAT. De acordo com a SOC Prime, ele resolve seus domínios de comando e controle por meio da API da blockchain TON e, depois disso, abre um canal WebSocket criptografado. Essa técnica permite que os domínios sejam obtidos dinamicamente, reduzindo a eficácia de listas de bloqueio estáticas. Após a infecção, o TonRAT realizou comunicação com IPs fixos usando portas não padronizadas, incluindo 8443, 8445, 8453, 5555 e o intervalo de 56001 a 56003. Em alguns hosts, também foram observados sinais de automação de navegador em modo headless, com parâmetros como --headless e --no-sandbox, além de uma verificação de geolocalização via ip-api.com e um comando de desligamento forçado do sistema por meio de cmd /c shutdown -s -t 0. A Microsoft não informou, até agora, se a campanha resultou em exfiltração confirmada de dados, implantação de ransomware ou comprometimento de organizações nomeadas. Ainda assim, a presença de um implante com comunicação criptografada e persistência em ambiente de usuário indica uma ameaça que pode manter acesso prolongado a máquinas usadas em operações sensíveis do setor hoteleiro. A remediação exige atenção a dois caminhos de persistência. Segundo as informações divulgadas, é necessário remover tanto a entrada RunOnce que aponta para ProgramData quanto a chave Run associada ao Node.js, além dos arquivos do runtime e dos scripts .js armazenados em AppData\Local\Nodejs. A remoção de apenas um dos mecanismos pode deixar parte da infecção ativa. Ambientes de recepção, reservas e front office devem ser priorizados nas verificações, já que são os sistemas mais expostos a esse tipo de isca. Esses setores costumam receber comunicações externas de hóspedes, plataformas de reserva, fornecedores e canais de atendimento, o que aumenta a probabilidade de interação com mensagens aparentemente legítimas. A campanha não é totalmente nova. A SOC Prime e a ITOCHU já haviam documentado, cerca de duas semanas antes, a mesma atividade de phishing contra hotéis e a cadeia de ataque baseada em arquivo LNK, PowerShell e Node.js. A Microsoft afirmou que suas descobertas estão alinhadas com esses relatórios anteriores. Phishing com tema de reservas e plataformas de hotelaria também já apareceu em outras campanhas contra funcionários de hotéis, incluindo operações do tipo ClickFix que distribuíram o PureRAT para roubar credenciais do Booking.com. Esse padrão mostra como o setor de hospitalidade segue sendo explorado por invasores que abusam de fluxos operacionais legítimos, pressão reputacional e ferramentas confiáveis para aumentar a taxa de sucesso dos ataques. O ponto ainda em aberto é a motivação final dos operadores. Os relatórios disponíveis não confirmam se o objetivo é roubo de credenciais, espionagem, fraude financeira, preparação para ransomware ou venda de acesso inicial. Mesmo assim, a combinação de entrega por infraestrutura legítima, uso de redirecionamentos, abuso de Node.js e persistência dupla torna a campanha mais complexa do que um phishing tradicional com tema de reservas.
- China assume topo do TOP500 com máquina de 2,198 exaflops sem chips da Nvidia, Intel ou AMD
Um supercomputador instalado na China assumiu a liderança da lista TOP500, ranking que reúne as máquinas de computação de alto desempenho mais poderosas do mundo. O sistema LineShine, hospedado no National Supercomputer Center (NSrodrigoC), em Shenzhen, alcançou 2,198 Exaflop/s de desempenho sustentado e chegou ao topo sem utilizar hardware da Nvidia, Intel ou AMD. Apesar do avanço, o LineShine não representa uma ruptura completa da China com tecnologias internacionais. Segundo um artigo em pré-publicação sobre o sistema, os processadores LX2 usados na máquina são desenvolvidos localmente, mas se baseiam em designs Armv9. O supercomputador também executa o KylinOS, uma distribuição Linux, ecossistema que recebe contribuições de desenvolvedores e organizações de diferentes países. A arquitetura do LineShine é composta por 20.480 nós de computação. Cada processador LX2 integra dois dies de processamento, somando 304 núcleos, além de oito pilhas de memória HBM no mesmo pacote, com 32 GB e largura de banda agregada de 4 TB/s. De acordo com o documento técnico, cada die reúne 152 núcleos e 128 GB de memória DDR externa ao pacote, organizados em quatro domínios NUMA. O sistema também utiliza um mecanismo dedicado de SDMA para movimentação de dados entre a memória DDR e a HBM. Os processadores LX2 oferecem suporte a operações FP64, FP32, FP16 e INT8 por meio de unidades SME e SVE, alcançando até 60,3 TFLOPS em FP64 e 120,6 TFLOPS em FP32. Os nós são interconectados pela rede de alta velocidade LingQi, com topologia fat-tree multi-rail de dois planos e largura de banda de 1,6 Tb/s por nó. A rede LingQi também é uma tecnologia chinesa, desenvolvida pela Hangzhou LingQi Technology Co. Com essa combinação de processadores locais, interconexão própria e sistema operacional baseado em Linux, o LineShine se tornou o primeiro supercomputador da lista TOP500 a ultrapassar dois exaflops de desempenho sustentado em dupla precisão usando apenas CPUs. Os responsáveis pelo ranking avaliam que o sistema ainda pode entregar resultados superiores em futuras medições. Nos testes realizados para esta edição da lista, o LineShine atingiu cerca de 80% de seu pico teórico de 2,736 Exaflop/s, o que indica margem para otimizações adicionais de desempenho. A liderança do LineShine ocorre em um momento em que o governo chinês amplia sua pressão para que organizações locais priorizem tecnologias produzidas no país. Pequim busca reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, computação de alto desempenho e aplicações militares. Essa política ganhou ainda mais importância diante das restrições impostas pelos Estados Unidos à venda de GPUs avançadas para a China. Para o governo chinês, controlar cadeias de suprimento tecnológicas passou a ser uma questão central para sustentar seus planos de crescimento econômico, avanço científico e fortalecimento militar. O resultado no TOP500 oferece a Pequim um argumento concreto em favor dessa estratégia: a China agora abriga o supercomputador individual mais poderoso do planeta, mesmo sem recorrer aos principais fornecedores norte-americanos de CPUs e GPUs. Ainda assim, o avanço não significa domínio global imediato. Empresas dos Estados Unidos, como Nvidia, AMD e Intel, continuam amplamente presentes no restante da lista TOP500 e mantêm forte influência no ecossistema global de supercomputação. Além disso, a indústria chinesa de GPUs ainda está em fase inicial e seus produtos, segundo a análise, permanecem alguns anos atrás das soluções mais avançadas de Nvidia e AMD. O LineShine, portanto, simboliza um avanço relevante da China em computação de alto desempenho, mas também evidencia os limites da autonomia tecnológica do país. A máquina mostra capacidade local crescente em processadores, redes de interconexão e integração de sistemas, ao mesmo tempo em que ainda depende de arquiteturas e software com raízes globais.












