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Ucraniano é condenado a quase 6 anos de prisão por ataques cibernéticos a hospitais e empresas

há 2 horas
4 min de leitura

O cidadão ucraniano Artem Stryzhak, de 36 anos, foi condenado a 70 meses de prisão nos Estados Unidos por participar de operações de ransomware que atingiram hospitais, órgãos governamentais, escritórios de advocacia e empresas em diversos países. Segundo o Departamento de Justiça americano (DOJ), os grupos envolvidos nos ataques provocaram prejuízos superiores a US$ 100 milhões.


A condenação encerra uma investigação internacional que se estendeu por vários anos e envolveu autoridades dos Estados Unidos e da Espanha. Stryzhak participou de operações associadas aos grupos de ransomware Nefilim e Hive, responsáveis por ataques que comprometeram sistemas corporativos, interromperam serviços essenciais e afetaram instituições de saúde durante a pandemia de COVID-19.


De acordo com Brett Leatherman, diretor de operações da divisão cibernética do FBI, os grupos com os quais Stryzhak colaborou prejudicaram o atendimento de pacientes e causaram perdas financeiras significativas às organizações afetadas.


Participação no Nefilim e divisão dos resgates

Documentos judiciais indicam que Stryzhak, que anteriormente residia em Barcelona, na Espanha, passou a integrar a operação do ransomware Nefilim aproximadamente em junho de 2021, atuando como afiliado.


Nesse modelo, os operadores responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção do ransomware disponibilizavam a ferramenta para parceiros encarregados de executar ataques e extorquir as vítimas.


Stryzhak estabeleceu um acordo com Volodymyr Tymoshchuk, um dos administradores do Nefilim, para repassar 20% dos valores obtidos com pagamentos de resgate aos administradores do grupo, incluindo Tymoshchuk, em troca do acesso ao ransomware.


Entre os ataques atribuídos ao ucraniano está uma invasão realizada em junho de 2021 contra uma empresa do setor de transporte de petróleo e gás. Durante a operação, Stryzhak roubou informações da organização e, aproximadamente uma semana depois, criou endereços de e-mail que foram incorporados à mensagem de extorsão enviada à vítima.


Segundo as autoridades, sua colaboração com os operadores do Nefilim continuou pelo menos até outubro de 2021.


O esquema utilizava a criptografia dos arquivos das vítimas para exigir pagamentos. Quando o resgate era realizado, os criminosos forneciam uma chave de descriptografia que permitia recuperar os dados bloqueados.


Hive atacou aproximadamente 1.500 vítimas em todo o mundo

Além da participação no Nefilim, Stryzhak integrou o grupo Hive como um de seus primeiros afiliados.


Entre junho de 2021 e janeiro de 2023, os operadores do Hive atacaram aproximadamente 1.500 vítimas em diferentes países, incluindo hospitais, instituições governamentais e empresas privadas.


As operações provocaram interrupções significativas nas atividades das organizações comprometidas e chegaram a afetar a prestação de serviços médicos durante a pandemia de COVID-19.


Em um dos casos apresentados pelas autoridades americanas, um hospital atingido pelo Hive precisou abandonar temporariamente o uso de tecnologias digitais para continuar atendendo pacientes internados. A instituição também ficou impossibilitada de receber novos pacientes imediatamente após o ataque.


Como afiliado do Hive, Stryzhak participou, juntamente com outros integrantes da operação, de ataques contra sete vítimas, incluindo escritórios de advocacia, um consultório odontológico e um prestador de serviços de saúde durante a pandemia.


Os ataques utilizaram o ransomware Hive para criptografar informações, impedindo que as organizações acessassem seus próprios dados.


Durante uma operação de desarticulação do Hive, conduzida ao longo de vários meses, o FBI conseguiu fornecer uma chave de descriptografia a uma das vítimas atacadas por Stryzhak. A medida permitiu recuperar os arquivos criptografados sem a necessidade de pagar o resgate exigido pelos criminosos.


Prisão na Espanha e extradição para os Estados Unidos

Stryzhak foi preso na Espanha em junho de 2024, após uma investigação que contou com a colaboração de autoridades policiais americanas e espanholas.


Em abril de 2025, ele foi extraditado para os Estados Unidos, onde respondeu criminalmente por sua participação nas operações de ransomware.


Em dezembro de 2025, o ucraniano declarou-se culpado de duas acusações de conspiração envolvendo fraude informática, extorsão e outras atividades criminosas relacionadas a computadores.


A sentença estabeleceu uma pena de 70 meses de prisão, equivalente a cinco anos e dez meses.


As investigações foram conduzidas por diferentes unidades do FBI. O escritório de Springfield ficou responsável pelo caso Nefilim, enquanto a unidade de Tampa investigou os ataques relacionados ao Hive.


O escritório do FBI em Nova York, a Divisão Criminal do Departamento de Justiça americano e autoridades espanholas também participaram dos esforços para localizar, prender e extraditar o acusado.


Estados Unidos oferecem recompensa de US$ 11 milhões por outro envolvido

Apesar da condenação de Stryzhak, as autoridades americanas continuam procurando Volodymyr Viktorovych Tymoshchuk, apontado como desenvolvedor recorrente de ransomware e participante da conspiração.


O Departamento de Estado dos Estados Unidos oferece uma recompensa de até US$ 11 milhões por informações que contribuam para sua localização, prisão ou condenação.


A recompensa faz parte do Transnational Organized Crime Rewards Program, iniciativa americana voltada ao combate ao crime organizado transnacional.


Informações sobre o paradeiro de Tymoshchuk podem ser encaminhadas ao FBI pelo telefone +1-917-242-1407 ou pelo endereço eletrônico TymoTips@fbi.gov. Pessoas fora dos Estados Unidos também podem procurar a embaixada americana mais próxima.


O Departamento de Justiça destacou que a investigação integra os esforços de combate a grupos internacionais de ransomware. Desde 2020, a seção de Crimes Informáticos e Propriedade Intelectual (CCIPS) obteve condenações de mais de 180 criminosos envolvidos em delitos cibernéticos e contra a propriedade intelectual, além de decisões judiciais determinando a devolução de mais de US$ 350 milhões às vítimas.

 
 
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