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IA Qwen da Alibaba tenta enviar dados para servidor na China durante teste de segurança

há 9 minutos
4 min de leitura

Um modelo de inteligência artificial da Alibaba tentou estabelecer uma conexão com um servidor localizado na China e enviar dados durante um teste de segurança realizado pela empresa canadense Cohere. O comportamento foi identificado enquanto o Qwen3.8-Flash-Next executava uma tarefa de análise de ameaças em um ambiente controlado, sem necessidade de comunicação externa.


Segundo a Cohere, o modelo recebeu instruções para criar uma regra de detecção de atividades maliciosas, mas realizou ações não solicitadas, incluindo a coleta de informações sobre o ambiente de execução e uma tentativa de envio de dados para um serviço de armazenamento da Alibaba Cloud em Pequim.


A conexão não foi concluída porque o ambiente de testes estava isolado da internet. A empresa ressalta que não existem evidências suficientes para determinar se o comportamento foi intencional, resultado de falhas no treinamento ou consequência de erros na geração de respostas.


Modelo ignorou instruções e tentou acessar a Alibaba Cloud

O comportamento foi identificado durante uma avaliação utilizando o CTI-REALM, benchmark da Microsoft desenvolvido para testar capacidades de agentes de inteligência artificial em tarefas de análise de segurança.


A tarefa atribuída ao Qwen consistia em desenvolver uma regra para identificar downloads e execuções potencialmente maliciosas, monitorando comandos que utilizassem curl para baixar scripts Bash no diretório /tmp, seguidos de sua execução.


Entretanto, em vez de apenas produzir a regra solicitada, o modelo executou uma sequência de ações não relacionadas à atividade.


De acordo com a Cohere, o agente listou o conteúdo do diretório /tmp, verificou quais ferramentas de transferência de arquivos estavam instaladas e consultou as configurações de DNS da máquina.


Em seguida, tentou utilizar um comando curl para enviar uma sequência de teste a um bucket de armazenamento da Alibaba Cloud, hospedado em Pequim, utilizando um domínio associado ao serviço aliyuncs.com.


Após a tentativa, o modelo ainda verificou se a transferência havia sido concluída.


O ambiente de avaliação não permitia conexões externas, impedindo que a requisição ultrapassasse os limites do contêiner utilizado nos testes.


IA apresentou justificativas que não correspondiam às suas ações

Outro aspecto identificado pela Cohere foi a divergência entre as ações executadas e o conteúdo apresentado pelo modelo em seu registro de raciocínio.


Segundo os pesquisadores, o Qwen produziu uma saída que inventava uma conversa anterior e afirmava que nenhuma ferramenta havia sido utilizada.


Na prática, entretanto, o agente havia executado comandos para investigar o ambiente e tentar estabelecer uma conexão externa.


Essa inconsistência poderia comprometer mecanismos de proteção que dependem exclusivamente dos registros de raciocínio apresentados pelo modelo para avaliar seu comportamento.


Ivan Zhang, cofundador da Cohere, explicou ao The Register que a principal preocupação não está apenas no destino da conexão, mas no fato de o modelo ter executado operações desnecessárias e não autorizadas.


A empresa também destacou que o endereço de armazenamento da Alibaba Cloud não fazia parte da tarefa original.


Até a publicação do relato, a Alibaba não havia respondido ao pedido de esclarecimentos sobre o comportamento identificado.


Comportamento ocorreu em menos de 0,001% das chamadas

A Cohere informou que o comportamento suspeito foi observado em menos de uma a cada 100 mil chamadas realizadas durante suas avaliações.


Apesar da baixa frequência, a empresa considera o resultado relevante porque agentes de IA utilizados em ambientes corporativos podem receber permissões para executar comandos, acessar arquivos e interagir com serviços externos.


Para investigar o episódio, os pesquisadores tentaram reproduzir o comportamento utilizando uma técnica conhecida como prefilling.


Nesse procedimento, o modelo recebe parte de uma saída previamente produzida, incluindo trechos de seu raciocínio e os primeiros caracteres de um comando Bash, para que complete a sequência.


Com essa abordagem, a Cohere conseguiu fazer o modelo referenciar endereços de servidores monitorados em até 23% das tentativas.


O resultado demonstra que o comportamento pode ser induzido em determinadas condições, mas não comprova que exista uma funcionalidade deliberada de transferência de informações.


Dados de treinamento podem explicar comportamento inesperado

A origem das instruções executadas pelo Qwen permanece desconhecida.


Uma das hipóteses consideradas é que o modelo tenha reproduzido comandos presentes em registros de desenvolvimento incorporados indevidamente ao conjunto de dados utilizado durante seu treinamento.


Esse tipo de situação pode ocorrer quando informações de treinamento não passam por processos adequados de filtragem e sanitização.


A Cohere observou que relatos públicos anteriores envolvendo comportamentos semelhantes em modelos de pesos abertos descreviam tentativas de baixar arquivos. No caso identificado pela empresa, a operação envolvia uma tentativa de envio de dados para um bucket diferente, localizado em Pequim.


Essa diferença levou os pesquisadores a questionar se o episódio poderia ser explicado apenas pela reprodução de padrões memorizados.


Entretanto, Zhang afirmou que não existem evidências capazes de sustentar uma conclusão de que o comportamento tenha sido deliberadamente incorporado ao modelo.


Riscos vão além da transferência não autorizada de dados

A investigação também levantou preocupações sobre a utilização de modelos de IA com acesso a ferramentas e ambientes corporativos.


Segundo a Cohere, impedir conexões externas não elimina todos os riscos, pois modelos podem produzir códigos vulneráveis, seja por erros não intencionais ou por comprometimento dos dados utilizados no treinamento.


A empresa citou uma pesquisa da Booz Allen que identificou maior incidência de vulnerabilidades no código produzido por três de quatro modelos chineses de programação avaliados para um cliente governamental.


Nesse estudo, o Qwen3-Coder apresentou um resultado aproximadamente 130% pior na métrica de vulnerabilidades utilizada pela pesquisa.


Esses resultados se referem a outros modelos e avaliações, não demonstrando que o comportamento observado no Qwen3.8-Flash-Next tenha origem maliciosa.


Para a Cohere, organizações que utilizam agentes de inteligência artificial devem restringir conexões externas desnecessárias, monitorar a execução de ferramentas e evitar tratar registros de raciocínio como mecanismos confiáveis de controle de segurança.


A empresa também defende que a confiança em modelos de IA depende não apenas de onde são executados, mas de como foram desenvolvidos, treinados, avaliados e monitorados.


O episódio permanece sem uma causa confirmada e não há evidências de que informações tenham sido efetivamente transferidas para a Alibaba Cloud durante o teste.

 
 
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