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Supply Chain Expo da China terá, pela primeira vez, uma área dedicada à inteligência artificial em 2026


Pequim se prepara para sediar, no fim de junho, sua feira anual da cadeia de suprimentos — um evento com o qual a China busca projetar a imagem de uma economia mais aberta e ampliar as conexões entre empresas nacionais e estrangeiras. A grande novidade desta edição é a estreia de um espaço inteiramente dedicado à inteligência artificial (IA), o primeiro do tipo no evento.


A quarta edição da China International Supply Chain Expo (CISCE) acontecerá entre os dias 22 e 26 de junho, no Centro Internacional de Exposições da China, no distrito de Shunyi, em Pequim. O tema escolhido é "Conectando o Mundo para um Futuro Compartilhado". Segundo representantes do Conselho da China para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT), que detalharam a programação em coletiva de imprensa na sexta-feira, a Austrália será o país de honra desta edição — sua primeira participação oficial em nível nacional.


A feira contará ainda com regiões convidadas do exterior, entre elas Auvergne-Ródano-Alpes (França) e a Ligúria (Itália), além das províncias-convidadas domésticas de Anhui e Hainan.


Uma zona inteira voltada à IA

O destaque desta edição é, sem dúvida, a nova zona de inteligência artificial. Segundo os organizadores, o espaço pretende apresentar todo o espectro do desenvolvimento da tecnologia — da coleta de dados e da infraestrutura de computação até as aplicações práticas no mundo real —, mostrando como a IA está transformando as cadeias de suprimentos em diferentes setores.


A escolha não é aleatória. A integração de inteligência artificial à logística é hoje uma das tendências mais fortes do setor globalmente: algoritmos de previsão de demanda, otimização de rotas, automação de armazéns e manutenção preditiva vêm redesenhando a forma como mercadorias circulam pelo planeta. Ao dedicar uma área inteira ao tema, a feira sinaliza que a próxima fronteira de competitividade nas cadeias de suprimentos passa cada vez menos por estradas e contêineres e cada vez mais por dados e capacidade de processamento.


O modelo das "quatro cadeias" e a aposta na inovação

A inovação segue como eixo central do evento, que adota o chamado modelo de "integração das quatro cadeias". Na prática, a proposta é unir em uma única plataforma as cadeias de inovação, industrial, de capital e de talentos, estimulando a colaboração entre pesquisadores, empresas, investidores e profissionais qualificados.


Os participantes podem esperar mais de 160 lançamentos de produtos, todos alinhados ao conceito de "novas forças produtivas de qualidade" — termo da política econômica chinesa que designa o crescimento impulsionado por tecnologia avançada, inovação e ganhos de produtividade, em contraposição ao modelo tradicional baseado em mão de obra barata e indústria intensiva. É, em essência, a forma como Pequim tem nomeado sua aposta em setores de maior valor agregado.


Cooperação global — e um detalhe geopolítico que chama atenção

O evento atraiu interesse internacional expressivo. Organismos como a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a Comissão das Nações Unidas para o Direito Comercial Internacional (UNCITRAL) e a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) terão estandes na feira.


Mais de 670 empresas confirmaram presença, sendo que mais de um terço delas vêm do exterior — incluindo gigantes de tecnologia como Nvidia, Intel e Qualcomm. Aqui há um ponto que merece leitura atenta: a presença dessas fabricantes de chips americanas ocorre em meio às tensões comerciais e tecnológicas entre Estados Unidos e China, marcadas por controles de exportação que restringem a venda de semicondutores avançados ao mercado chinês.


A participação dessas empresas, portanto, é tão simbólica quanto comercial — e ajuda a sustentar a reputação crescente da feira como plataforma global de cooperação em cadeias de suprimentos.


Um evento em ano estratégico

O timing reforça a importância da edição: 2026 marca o "Ano da China" na Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC). O Fórum de Líderes Empresariais da APEC na China será realizado pouco antes da abertura da feira, acrescentando uma camada de diálogo de alto nível sobre integração econômica regional.


Em um cenário de volatilidade estrutural e recuperação econômica ainda lenta, a feira funciona como vitrine do discurso chinês de compromisso com a estabilização das cadeias de suprimentos globais e com a cooperação internacional.


Mais do que um evento comercial, a CISCE tornou-se um instrumento de posicionamento estratégico — uma forma de a China afirmar seu papel como articuladora de inovação, sustentabilidade e fluxo de mercadorias em escala global, justamente no momento em que essas cadeias se tornam terreno de disputa econômica e geopolítica.


 
 
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