Sistemas de água dos EUA enfrentam nova onda de ataques cibernéticos com suspeita de ligação ao Irã
- Cyber Security Brazil
- há 1 dia
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Os ataques cibernéticos contra sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto nos Estados Unidos já atingiram instalações em pelo menos 12 estados, ampliando uma campanha que autoridades e especialistas suspeitam estar relacionada a hackers ligados ao governo do Irã.
Os primeiros incidentes foram divulgados por autoridades de Minnesota na semana passada. Posteriormente, o FBI informou que, desde 27 de julho, concessionárias de água e esgoto em pelo menos sete estados haviam registrado ataques com impacto nas operações. Agora, segundo a ABC News, o número de estados afetados chegou a 12, incluindo diversos casos em Michigan.
Embora as agências federais ainda não tenham atribuído oficialmente a campanha, diversas fontes ligadas às investigações apontam o Irã como principal suspeito. Desde 2023, grupos associados ao país vêm concentrando ataques contra dispositivos de tecnologia operacional (OT), especialmente controladores lógicos programáveis (PLCs) utilizados em sistemas de água e esgoto.
Na Geórgia, a Clayton County Water Authority confirmou que sofreu uma interrupção temporária em parte de seus sistemas operacionais e no fornecimento de água para regiões do norte do condado. Como medida preventiva, a concessionária emitiu um alerta para que a população fervesse a água antes do consumo, recomendação posteriormente suspensa após testes confirmarem a qualidade da água. Outra empresa de abastecimento do estado também informou ter sofrido um incidente cibernético.
Além dos casos registrados em Minnesota, Michigan e Geórgia, uma concessionária de água de Dakota do Sul também confirmou ter sido alvo da campanha.
Diante da escalada dos ataques, a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) publicou alertas orientando operadores de infraestrutura crítica a remover PLCs e outros equipamentos de tecnologia operacional expostos diretamente à internet.
Segundo a agência, os ataques contra PLCs já provocaram avisos para fervura da água e obrigaram algumas instalações a operar manualmente. A CISA afirma que entidades de abastecimento de todos os portes estão sendo alvo dos invasores.
Nick Andersen, diretor interino da CISA, afirmou que a agência observa um aumento significativo nas tentativas de comprometimento de PLCs utilizados por sistemas de abastecimento de água e reforçou a recomendação para que equipamentos de OT não permaneçam acessíveis pela internet.
O FBI informou que trabalha em conjunto com outras agências para auxiliar as concessionárias afetadas. Segundo a investigação, os ataques seguem um padrão semelhante: após obter acesso remoto aos dispositivos, os invasores alteram as senhas administrativas e removem a capacidade de monitoramento e controle dos equipamentos pelas equipes responsáveis.
A agência recomenda que operadores removam PLCs da internet, utilizem firewalls, adotem senhas exclusivas e limitem a comunicação apenas entre dispositivos autorizados.
De acordo com o FBI, alguns dos impactos observados incluem perda de pressão nas redes de abastecimento e episódios de inundação. A redução da pressão pode permitir a infiltração de água subterrânea não tratada nas tubulações, aumentando o risco de contaminação.
Especialistas destacam que sistemas de abastecimento de água são considerados um dos setores mais vulneráveis da infraestrutura crítica norte-americana devido ao baixo nível de investimentos em segurança cibernética, apesar do potencial impacto sobre a população.
Jake Braun, ex-integrante da equipe de cibersegurança do governo Biden e atual coordenador de um projeto que conecta especialistas voluntários a concessionárias de água, afirmou que a campanha representa um sinal de alerta estratégico.
Segundo Braun, além de abastecer milhões de pessoas, diversas concessionárias fornecem água para instalações militares e para data centers — incluindo alguns localizados em Minnesota. Na avaliação do especialista, ataques dessa natureza podem afetar operações militares, comprometer a infraestrutura que sustenta aplicações de inteligência artificial e reduzir a confiança da população na capacidade do governo de proteger serviços essenciais.
Braun também observou a ironia de grupos iranianos concentrarem ataques justamente em PLCs, os mesmos equipamentos que, anos atrás, foram alvo do malware Stuxnet, utilizado para sabotar o programa nuclear iraniano.




