INTERPOL derruba 45 mil IPs maliciosos e prende 94 suspeitos em operação global contra o cibercrime
- Cyber Security Brazil
- há 15 minutos
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A INTERPOL anunciou uma grande operação internacional que resultou na derrubada de mais de 45 mil endereços IP e servidores maliciosos usados em campanhas de phishing, malware e ransomware. A ação faz parte de um esforço global para desmantelar redes de cibercrime, interromper atividades criminosas emergentes e proteger vítimas de golpes digitais.
A operação contou com a participação de 72 países e territórios, culminando na prisão de 94 suspeitos, enquanto outras 110 pessoas continuam sob investigação. Durante as ações policiais, autoridades apreenderam 212 dispositivos eletrônicos e servidores utilizados em atividades criminosas.
A ofensiva integra a terceira fase da Operação Synergia, conduzida entre 18 de julho de 2025 e 31 de janeiro de 2026. As duas fases anteriores, realizadas em 2023 e 2024, já haviam identificado milhares de servidores maliciosos e levado à prisão de diversos integrantes de redes de fraude digital.
Prisões e operações em diferentes países
Em Bangladesh, uma das operações resultou na prisão de 40 suspeitos e na apreensão de 134 dispositivos eletrônicos. Os investigados estariam envolvidos em diversos tipos de fraude online, incluindo golpes de empréstimo, falsas ofertas de emprego, roubo de identidade e fraude com cartões de crédito.
Já em Togo, autoridades prenderam 10 suspeitos acusados de operar um esquema de fraude a partir de uma residência. Parte do grupo invadia contas de redes sociais, enquanto outros membros executavam campanhas de engenharia social, incluindo golpes românticos e sextorsão.
Nesse tipo de fraude, os criminosos assumiam o controle da conta de uma vítima e passavam a interagir com seus contatos, fingindo ser o verdadeiro proprietário da conta. A partir daí, criavam relacionamentos falsos ou situações de emergência para convencer amigos e familiares a realizar transferências de dinheiro.
Em Macau, autoridades identificaram mais de 33 mil sites de phishing e páginas fraudulentas, muitos deles ligados a cassinos falsos ou que imitavam serviços críticos como bancos, órgãos governamentais e plataformas de pagamento. Essas páginas eram usadas para enganar vítimas e induzi-las a inserir dados pessoais ou realizar depósitos.
Fraudes financeiras internacionais também entram no radar
Paralelamente, autoridades da Índia também conduziram uma investigação de grande escala relacionada a um esquema internacional de fraude online.
O Central Bureau of Investigation (CBI) realizou buscas coordenadas em 15 locais nos estados de Delhi, Rajasthan, Uttar Pradesh e Punjab. A investigação envolve um esquema de investimento fraudulento e ofertas falsas de trabalho online que teriam lesado milhares de cidadãos indianos.
De acordo com as autoridades, os criminosos utilizavam redes sociais, aplicativos móveis e plataformas de mensagens criptografadas para atrair vítimas com promessas de altos retornos em investimentos ou oportunidades de trabalho remoto.
O golpe geralmente começava convencendo as vítimas a depositar pequenas quantias, enquanto os criminosos exibiam lucros fictícios em plataformas falsas. Posteriormente, as vítimas eram incentivadas a investir valores cada vez maiores.
Assim que o dinheiro era transferido, os recursos eram rapidamente movimentados através de contas bancárias de laranjas, dificultando o rastreamento. Parte dos valores também era retirada em ATMs no exterior, convertida em criptomoedas ou transferida para plataformas financeiras internacionais.
Segundo as investigações, parte do dinheiro roubado foi convertida em USDT (Tether) por meio de corretoras de ativos digitais na Índia e transferida para carteiras controladas pelo grupo.
As autoridades identificaram Ashok Kumar Sharma como um dos principais integrantes do esquema, que já foi preso. Além disso, diversas contas bancárias utilizadas pelo grupo foram bloqueadas e documentos e evidências digitais foram apreendidos durante as operações.
A ação reforça o esforço global de cooperação entre agências de segurança para combater redes de fraude digital que atuam de forma transnacional e utilizam tecnologias cada vez mais sofisticadas para enganar vítimas em diferentes países.


