Microsoft pede que engenheiros usem IA com mais eficiência e menos desperdício
- Cyber Security Brazil
- há 23 minutos
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A Microsoft está orientando seus engenheiros a utilizarem ferramentas de inteligência artificial de forma mais eficiente, evitando o consumo excessivo de tokens sem retorno prático para os negócios. A recomendação faz parte de uma iniciativa para controlar custos e garantir que o uso de IA gere resultados concretos para clientes e para a empresa.
Segundo uma reportagem do 404 Media, um e-mail enviado por Jay Parikh, vice-presidente executivo da Microsoft, informa que as divisões da companhia passarão a receber metas relacionadas ao uso de IA e poderão enfrentar restrições caso o consumo seja considerado inadequado.
Na mensagem, o executivo afirma que a empresa não está buscando maximizar o consumo de tokens. "Tokenmaxxing não é o que estamos tentando otimizar. Quero que todos estejamos focados em maximizar resultados que façam diferença para nossos clientes e para nossos negócios", escreveu.
O termo tokenmaxxing descreve a prática de consumir o maior número possível de tokens a unidade utilizada para processar e cobrar solicitações feitas a modelos de IA como forma de demonstrar produtividade ou adoção das ferramentas. Na prática, um volume elevado de tokens não significa necessariamente maior eficiência ou melhores resultados.
A Microsoft não comentou o conteúdo do e-mail. Procurada pelo The Register, a empresa afirmou apenas que "não tem nada a acrescentar".
Apesar dos investimentos bilionários da companhia em infraestrutura e produtos de inteligência artificial, a orientação reflete uma preocupação crescente com os custos operacionais dessas tecnologias. Em vez de reduzir o uso de IA, a empresa busca aumentar o retorno obtido por cada token consumido.
O e-mail também destaca a necessidade de atenção ao uso do GitHub Copilot. Desde junho, a plataforma passou a adotar um modelo de cobrança baseado no consumo. Embora o serviço utilize créditos de IA (AI Credits) em vez da contagem direta de tokens, a mudança tornou mais evidente o impacto financeiro do uso intensivo da ferramenta.
Segundo um funcionário da Microsoft ouvido pelo 404 Media sob condição de anonimato, a orientação pode transmitir uma mensagem contraditória ao mercado. Para ele, a situação pode ser interpretada como um sinal de que até mesmo a própria Microsoft enfrenta dificuldades para sustentar financeiramente o uso de suas soluções de IA, levantando dúvidas sobre a viabilidade para clientes corporativos.
No entanto, a própria comunicação interna indica outro objetivo: incentivar um uso mais racional da inteligência artificial, no qual métricas de produtividade e impacto nos negócios tenham mais peso do que o simples volume de tokens consumidos.
A iniciativa acompanha um movimento observado em outras empresas, que vêm revisando a forma como avaliam a adoção de IA. Em vez de utilizar o consumo de tokens como indicador de sucesso, organizações têm buscado medir o retorno obtido com essas ferramentas em termos de eficiência, qualidade das entregas e resultados de negócio.

