Samsung e Mousterian avançam com data center flutuante de 50 MW no Texas
- Cyber Security Brazil
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A Samsung Heavy Industries e a norte-americana Mousterian Corporation assinaram um contrato de engenharia para desenvolver o primeiro data center flutuante da empresa no Texas. O acordo leva o projeto além da fase inicial de parceria e estabelece as bases técnicas para a construção da instalação.
Com sede em Dallas, a Mousterian se apresenta como uma desenvolvedora de infraestrutura de data centers próxima a ambientes aquáticos. O projeto prevê uma instalação atracada com capacidade crítica de TI de 50 MW, voltada principalmente para cargas de inteligência artificial e operações em escala de hyperscale.
Pelo contrato, Samsung e Mousterian trabalharão conjuntamente no projeto básico, na engenharia detalhada e no desenho de produção das estruturas flutuantes. Essa etapa deverá preparar o caminho para um contrato definitivo de Engenharia, Suprimentos e Construção, conhecido pela sigla EPC.
A expectativa é que as instalações sejam classificadas pelo American Bureau of Shipping (ABS), organização responsável por estabelecer padrões técnicos e de segurança para embarcações e estruturas marítimas.
Além do primeiro projeto, as empresas planejam desenvolver outros data centers flutuantes personalizados para o mercado dos Estados Unidos, também com capacidade crítica de TI de 50 MW por instalação.
Entre as vantagens apontadas para esse modelo estão a redução da disputa por terrenos adequados à construção de grandes data centers, a possibilidade de movimentar as estruturas quando necessário e o uso da água ao redor para auxiliar no resfriamento dos equipamentos.
Segundo a Mousterian, o sistema utilizará refrigeração não evaporativa, sem consumo de água potável e sem descarte de fluidos no ambiente aquático. A eliminação de chillers e ventiladores tradicionais refrigerados a ar também deverá reduzir a poluição sonora.
A Samsung Heavy Industries começou a ampliar sua atuação em data centers flutuantes no início deste ano, aproveitando sua experiência em construção naval e engenharia offshore para atender à crescente demanda por infraestrutura computacional.
Em julho, a companhia sul-coreana assinou um acordo com a fabricante de servidores Supermicro para verificar o funcionamento de sistemas de servidores de inteligência artificial instalados em rios e áreas offshore. A Samsung avalia colocar sua primeira unidade desse tipo em operação em 2028.
O projeto-piloto com a Mousterian pretende demonstrar que data centers flutuantes atracados próximos a usinas elétricas existentes podem disponibilizar capacidade para IA e hyperscale mais rapidamente do que instalações convencionais.
A unidade deverá ser instalada ao lado de uma usina de geração de energia por turbina a gás de ciclo combinado, conhecida como CCGT, na região de Houston. Nesse tipo de planta, o calor gerado pela turbina a gás é reutilizado para produzir eletricidade adicional, aumentando a eficiência energética.
Min Suh, CEO da Mousterian, afirmou que a assinatura do contrato transforma a parceria com a Samsung Heavy Industries em um projeto em execução e cria um caminho para ampliar a fabricação de infraestrutura crítica de TI destinada a sistemas de IA.
De acordo com o executivo, a construção em um estaleiro permite que a fabricação da estrutura avance simultaneamente às obras realizadas no local de instalação, reduzindo prazos em comparação com métodos tradicionais de construção de data centers.
Sung-an Choi, CEO da Samsung Heavy Industries, declarou que os data centers flutuantes representam uma extensão natural das capacidades desenvolvidas pela empresa ao longo de cinco décadas de atuação em projetos marítimos e offshore.
Apesar do avanço, o projeto pode enfrentar obstáculos para obter acesso à rede elétrica do Texas. O governador Greg Abbott suspendeu temporariamente as aprovações de novos data centers que solicitaram conexão ao sistema administrado pelo Electric Reliability Council of Texas (ERCOT).
A medida permanecerá em vigor enquanto os órgãos reguladores estaduais auditam os pedidos de conexão. Segundo Abbott, o ERCOT analisa solicitações que somam mais de 474 GW, volume superior a cinco vezes o pico de demanda elétrica do estado.
Os data centers representam aproximadamente 90% da capacidade solicitada. Sob orientação do governador, a Public Utility Commission of Texas (PUCT) e o ERCOT estão exigindo informações adicionais dos projetos, incluindo se as instalações terão geração própria ou dependerão da rede e qual será o consumo estimado de água.
Projetos que não atenderem às exigências estabelecidas pelos reguladores poderão ter seus pedidos de conexão à rede elétrica rejeitados.

