Hackers usam DeepSeek via Telegram para automatizar ataques contra mais de 460 alvos
- Cyber Security Brazil
- há 33 minutos
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Pesquisadores da Unit 42, divisão de inteligência da Palo Alto Networks, identificaram um agente de ameaças de língua chinesa utilizando o modelo de IA DeepSeek integrado ao framework de código aberto Hermes Agent para conduzir ataques cibernéticos de forma autônoma. Segundo a empresa, após receber uma única instrução via Telegram, o sistema foi capaz de localizar alvos expostos na internet, selecionar exploits públicos e executar tentativas de invasão sem novas intervenções do operador.
O invasor, rastreado pelos apelidos knaithe e KnYuan, realizou tentativas de exploração contra mais de 460 sistemas utilizando tanto fluxos totalmente autônomos quanto operações manuais. Durante a investigação, a Unit 42 encontrou evidências de sete cadeias de exploração envolvendo oito vulnerabilidades (CVEs).

Em uma sessão recuperada de maio de 2026, o DeepSeek baixou automaticamente um exploit público para a vulnerabilidade CVE-2026-33017, do Langflow, plataforma para criação de agentes e fluxos de trabalho de inteligência artificial. Em seguida, utilizou o mecanismo de busca FOFA para localizar 84 instâncias do serviço e identificou um alvo executando uma versão vulnerável. A exploração, porém, falhou porque o ambiente não atendia aos requisitos necessários para o ataque.
Posteriormente, o agente analisou dez famílias de produtos, pesquisou provas de conceito recentes no GitHub e escolheu atacar a plataforma de automação n8n. Para isso, utilizou uma cadeia que combinava as vulnerabilidades CVE-2026-21858 e CVE-2025-68613. Durante a operação, o FOFA identificou mais de 25 mil instâncias do n8n na China. O agente avaliou cerca de 100 delas, sondou aproximadamente 40 e encontrou três versões vulneráveis, mas nenhuma pôde ser comprometida porque os endpoints exigiam autenticação ou não possuíam formulários públicos acessíveis.
Além das ações automatizadas, a Unit 42 identificou operações manuais envolvendo a vulnerabilidade CVE-2026-3055, que afeta appliances Citrix NetScaler ADC e Gateway configurados como provedores de identidade SAML, e a CVE-2026-39987, no ambiente Marimo.
O relatório menciona extração de dados de três organizações e execução remota de comandos em 11 instâncias do Marimo, mas posteriormente informa que apenas três alvos tiveram exploração confirmada em toda a campanha. A Palo Alto afirmou que essa inconsistência ainda precisa ser esclarecida.
Durante as tentativas de ataque, o agente de IA demonstrou capacidade para verificar versões de software, baixar exploits públicos, abandonar estratégias sem sucesso e escolher automaticamente novas vulnerabilidades com base na gravidade, na quantidade de sistemas expostos e na probabilidade de exploração.
A investigação também revelou um erro operacional do invasor. O Hermes Agent iniciou inadvertidamente um servidor HTTP utilizando o comando python3 -m http.server 8888 no diretório /home/worker, tornando públicos arquivos contendo configurações do modelo de IA, chaves de API, scripts de exploração, listas de alvos, histórico de comandos e registros completos das sessões autônomas.
Segundo a Unit 42, o DeepSeek foi o principal modelo de raciocínio utilizado no Hermes Agent, responsável por executar comandos no terminal e automatizar toda a operação. Os pesquisadores também encontraram uso limitado do Claude Code e do Qwen Code, além de indícios da utilização do Codex em diretórios de desenvolvimento de exploits, embora não tenham conseguido confirmar seu uso efetivo por falta dos registros das conversas.
A documentação do Hermes Agent confirma que a ferramenta pode ser controlada pelo Telegram, executar comandos remotamente e agendar tarefas sem supervisão humana, características que facilitaram a automação da campanha.
Como medida de proteção, os pesquisadores recomendam atualizar imediatamente sistemas Langflow, n8n, Marimo e appliances Citrix NetScaler vulneráveis, além de remover o acesso público desnecessário a interfaces de automação, notebooks e outros componentes de tecnologia expostos à internet.
A Unit 42 avalia que o operador esteja baseado em Zhuhai, na China. Essa conclusão é sustentada por informações públicas encontradas em perfis do GitHub e em um blog antigo associado ao pseudônimo KnYuan, mas os pesquisadores ressaltam que esses dados não confirmam a identidade real do invasor nem qualquer vínculo com o governo chinês.

