Maior reorganização da NSA em uma década cria estruturas específicas para IA e cibersegurança

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) está passando por uma ampla reestruturação que substituirá diretorias existentes por cinco “centros de missão”, incluindo unidades específicas para cibersegurança e inteligência artificial. O objetivo é acelerar o envio das informações de inteligência coletadas pela agência para operações militares no mundo real.
Os cinco centros serão dedicados à China, cibersegurança, inteligência artificial, apoio ao combate e inteligência global. A mudança representa uma das maiores reorganizações da NSA em aproximadamente uma década.
O general Joshua Rudd, que comanda simultaneamente a NSA e o U.S. Cyber Command, comunicou as mudanças aos funcionários no início de setembro e estabeleceu um prazo de 30 dias para sua implementação. Cada centro terá seu próprio chefe, e alguns responsáveis, incluindo a liderança da área de IA, já teriam sido escolhidos.
A expectativa é que as cinco estruturas atinjam capacidade operacional plena até janeiro de 2027. Apesar do cronograma acelerado, alguns pontos importantes ainda não foram definidos, incluindo o destino de determinadas organizações existentes dentro da NSA e os efeitos da mudança sobre a relação da agência com o Cyber Command.
Entre as unidades afetadas está a Tailored Access Operations (TAO), grupo de elite especializado em operações cibernéticas ofensivas. Criada originalmente na década de 1990 e recentemente reativada, a estrutura deverá ficar subordinada ao novo centro de inteligência global.
Ainda não está claro, porém, como organizações criadas nos últimos anos, como o Cybersecurity Collaboration Center, serão incorporadas ao novo modelo. Também existem dúvidas sobre como a reorganização afetará o compartilhamento de recursos entre NSA e Cyber Command, que operam conjuntamente em Fort Meade, Maryland.
A velocidade da transformação poderá causar problemas internos. Um funcionário atual e um ex-integrante da agência disseram que Rudd e o vice-diretor da NSA, Tim Kosiba, reconhecem que a reorganização poderá provocar rupturas na burocracia da instituição e que ajustes deverão ser realizados durante o processo.
A NSA já realizou uma transformação de escala semelhante há cerca de dez anos. O programa, chamado “NSA21”, tentou integrar melhor as estruturas ofensivas e defensivas da agência, mas ainda é criticado por funcionários e ex-integrantes, que avaliam que a iniciativa aumentou a confusão burocrática.
Uma reorganização posterior, denominada “EVO25”, começou aproximadamente no início do segundo governo de Donald Trump e previa a consolidação de escritórios. O plano acabou abandonado após ser interpretado internamente como uma tentativa de evitar que uma estrutura fosse imposta à NSA pelo U.S. DOGE Service.
A prioridade da nova liderança é aumentar a velocidade das operações. Durante sua segunda audiência de confirmação no Senado, em janeiro, Rudd colocou velocidade em primeiro lugar, seguida por escala, inovação e integração. O general foi posteriormente confirmado, em março, para comandar simultaneamente NSA e Cyber Command.
A reorganização coloca cibersegurança e inteligência artificial entre cinco áreas estratégicas da maior agência de inteligência eletrônica dos Estados Unidos. A NSA não respondeu ao pedido de comentários sobre as mudanças.




