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Hackers norte-coreanos roubam US$ 6,3 bilhões da Binance

há 7 minutos
3 min de leitura

Hackers ligados ao regime da Coreia do Norte foram apontados como responsáveis pelo roubo de pelo menos US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binance, a maior corretora de ativos digitais do mundo. Segundo pesquisadores de segurança, aproximadamente metade dos valores foi congelada durante a movimentação dos recursos por diferentes blockchains.


O incidente é considerado o maior roubo de criptomoedas já registrado, superando ataques anteriores contra outras plataformas do setor. Entretanto, as investigações continuam e o valor definitivo dos ativos comprometidos ainda pode sofrer alterações.


Em uma publicação na rede social X, a Binance informou que sua investigação inicial identificou o comprometimento do notebook de um engenheiro da empresa como ponto de entrada dos invasores.


Segundo a corretora, o acesso ao dispositivo permitiu que os hackers alcançassem um contêiner de serviço na infraestrutura corporativa e executassem transações de saque não autorizadas.


A empresa afirmou não ter encontrado evidências de vazamento de suas chaves privadas, que poderiam permitir aos invasores controlar diretamente os ativos armazenados em suas carteiras digitais.


Como medida de contenção, a Binance suspendeu temporariamente todos os depósitos e saques enquanto investiga a extensão do comprometimento. Inicialmente, a interrupção havia sido aplicada apenas a determinadas redes blockchain.


A corretora declarou que os fundos dos usuários permanecem seguros, mas não apresentou imediatamente evidências que comprovassem essa afirmação. A empresa informou que publicará uma nova prova de reservas após concluir os procedimentos de remediação.


A porta-voz Andie Cooper confirmou ao TechCrunch que aproximadamente US$ 3 bilhões foram congelados com a colaboração de parceiros do setor.


Segundo Cooper, a Binance iniciou a recuperação dos ativos afetados e trabalha com autoridades policiais, emissores de criptomoedas, empresas de inteligência blockchain e outras organizações para rastrear, bloquear e recuperar os recursos restantes.


Notebook comprometido permitiu acesso à infraestrutura da Binance

As circunstâncias exatas do comprometimento do notebook do funcionário ainda não foram esclarecidas. Também não há confirmação sobre qual ferramenta ou técnica foi utilizada pelos invasores para obter o acesso inicial.


Uma das possibilidades consideradas nesse tipo de incidente envolve softwares comprometidos instalados em dispositivos corporativos.


Aplicações modernas frequentemente utilizam componentes de terceiros e projetos de código aberto, que podem ser adulterados por hackers para distribuir códigos maliciosos e comprometer os sistemas onde são executados.


Outra técnica envolve a distribuição de malware disfarçado de aplicativos legítimos ou jogos, permitindo o roubo de credenciais, senhas e tokens de sessão. Essas informações podem ser utilizadas para acessar ambientes corporativos com a identidade de funcionários autorizados.


O ataque também levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle de acesso da Binance, especialmente sobre como um dispositivo individual conseguiu proporcionar acesso a sistemas capazes de movimentar bilhões de dólares em ativos digitais.


Também não está claro se a infraestrutura da Binance havia passado por auditorias independentes de segurança antes do ataque. Essas avaliações são utilizadas por organizações para identificar vulnerabilidades e possíveis caminhos de exploração antes que sejam aproveitados por invasores.


Grupo TraderTraitor é associado ao ataque

Pesquisadores da TRM Labs, empresa especializada em inteligência blockchain e investigações financeiras, atribuíram o ataque a hackers ligados à Coreia do Norte e classificaram o episódio como o maior roubo de criptomoedas da história.


A investigação relaciona a operação ao grupo TraderTraitor, conhecido por concentrar suas atividades no roubo de ativos digitais de grandes empresas e corretoras.


O mesmo grupo foi responsabilizado pelo ataque à Bybit em 2025, quando aproximadamente US$ 1,4 bilhão em criptomoedas foi roubado. Até o incidente da Binance, esse era considerado o maior roubo conhecido do setor.


De acordo com a TRM Labs, a movimentação dos bilhões de dólares retirados das carteiras da Binance ocorreu em aproximadamente 20 minutos.


A empresa de segurança blockchain Elliptic também associou o incidente a hackers norte-coreanos.


Segundo sua análise, parte dos ativos roubados foi transferida para uma carteira digital anteriormente utilizada em um ataque contra a corretora Bitget, ocorrido no início de 2026, que resultou no roubo de US$ 351 milhões.

A reutilização dessa carteira foi identificada como um elemento de conexão entre as operações, embora a atribuição dos ataques continue baseada nas investigações das empresas de segurança.


Roubo de criptomoedas é associado ao financiamento do regime norte-coreano

O governo dos Estados Unidos e seus aliados alertam há anos sobre operações cibernéticas conduzidas por grupos ligados à Coreia do Norte, especialmente aquelas direcionadas ao setor financeiro e ao mercado de criptomoedas.


O país enfrenta sanções internacionais relacionadas ao desenvolvimento de seu programa de armas nucleares e possui acesso restrito ao sistema financeiro global.


Segundo pesquisadores de segurança, operações de roubo de criptomoedas representam uma fonte de recursos utilizada pelo regime norte-coreano para financiar programas militares e de desenvolvimento de armamentos sujeitos a sanções.


No caso da Binance, as investigações permanecem em andamento, com esforços concentrados na recuperação dos ativos, na identificação da cadeia de comprometimento e na revisão dos mecanismos de segurança que permitiram a movimentação não autorizada dos recursos.

 
 
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