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Google enfrenta dificuldades para lucrar com buscas por IA após investir US$ 51 bilhões em infraestrutura

há 2 minutos
3 min de leitura

O Google enfrenta dificuldades para transformar suas buscas com inteligência artificial em uma fonte de receita tão rentável quanto seu mecanismo tradicional. A Alphabet, controladora da empresa, reconheceu que o AI Mode, sistema de pesquisa baseado em modelos de linguagem, ainda gera menos receita publicitária do que as buscas convencionais. A informação contribuiu para uma queda de quase 10% nas ações da companhia na quarta-feira.


A revelação ocorreu durante a apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre, quando a Alphabet informou que o crescimento anual no volume de pesquisas atingiu seu maior ritmo em cinco anos. Parte dessa expansão foi impulsionada pela adoção do AI Mode, que permite realizar consultas utilizando recursos de inteligência artificial generativa.


Apesar do aumento na utilização, a receita do mecanismo de busca cresceu 12% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 63,25 bilhões. O resultado representa uma desaceleração diante dos 14,5% registrados no terceiro trimestre do ano passado.


Durante a apresentação aos investidores, Philipp Schindler, diretor de negócios do Google, atribuiu parte dessa desaceleração à menor monetização das pesquisas realizadas pelo AI Mode.


A situação preocupa porque a empresa está ampliando significativamente seus investimentos em infraestrutura para sustentar a expansão da inteligência artificial.


Somente no terceiro trimestre, a Alphabet destinou US$ 51,4 bilhões a investimentos de capital. Aproximadamente dois terços desse montante foram direcionados à aquisição de servidores e equipamentos de rede, enquanto o restante financiou a construção de data centers.


Os elevados investimentos ocorreram em um trimestre no qual a Alphabet registrou lucro líquido de US$ 26,17 bilhões. No mesmo período do ano anterior, a companhia havia alcançado lucro de US$ 35 bilhões, com receita de US$ 102,35 bilhões.


Mesmo diante dos resultados, Schindler defendeu o potencial comercial das buscas com inteligência artificial. Segundo o executivo, muitas consultas realizadas no AI Mode acontecem nas etapas iniciais da jornada de compra, permitindo identificar novas oportunidades comerciais de alto valor.


Ele também afirmou que a maioria dessas pesquisas representa consultas adicionais, em vez de simplesmente substituir buscas tradicionais, o que poderia ampliar as possibilidades de monetização ao longo do tempo.


Como parte dessa estratégia, o Google começou a disponibilizar anúncios associados às pesquisas do AI Mode em escala global, após realizar testes inicialmente restritos aos Estados Unidos.


Entretanto, o novo formato ainda não apresenta a mesma rentabilidade do mecanismo convencional, responsável por quase metade dos US$ 125,8 bilhões em receita trimestral da Alphabet.


Google Cloud também enfrenta limitações de infraestrutura

O Google Cloud, segunda maior fonte de receita da companhia, registrou faturamento de US$ 24,75 bilhões no trimestre. Apesar do desempenho, a divisão enfrenta dificuldades para atender à crescente demanda por capacidade computacional.


A infraestrutura disponível não é suficiente para processar todas as cargas de trabalho dos clientes, levando o Google a transferir parte dessas operações para fornecedores externos.

A companhia alertou que essa dependência de terceiros poderá reduzir suas margens de lucro nos próximos períodos.


Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, informou que mais de 100 empresas utilizam os processadores TPU (Tensor Processing Unit) desenvolvidos pelo Google para acelerar operações de inteligência artificial.


Segundo o executivo, todo o estoque disponível de sistemas TPU está associado a contratos já firmados, proporcionando maior previsibilidade de receita para compensar parte dos investimentos em infraestrutura.


A empresa também espera começar a reconhecer receitas provenientes da venda desses sistemas a terceiros nos próximos trimestres.


Gemini ultrapassa 1 bilhão de usuários e Google aposta em agentes de IA

Apesar das dificuldades de monetização, Sundar Pichai, CEO da Alphabet, demonstrou confiança no crescimento dos negócios relacionados à inteligência artificial.


O executivo destacou que o aplicativo Gemini alcançou 1 bilhão de usuários mais rapidamente do que qualquer outro produto na história do Google.


Pichai também afirmou que a empresa está acelerando o desenvolvimento de ferramentas de IA agêntica, capazes de executar tarefas e realizar ações com maior autonomia.


Inicialmente, esses recursos serão direcionados ao mercado corporativo, onde os requisitos de segurança, proteção e governança são especialmente rigorosos.


Posteriormente, o Google pretende integrar essas funcionalidades ao mecanismo de busca e disponibilizá-las aos usuários do Gemini.


O executivo, entretanto, não apresentou um cronograma para a chegada dos agentes de IA às pesquisas nem esclareceu como a tecnologia poderá superar os desafios de monetização já identificados no AI Mode.


Mesmo diante dessas questões, a Alphabet manteve sua previsão de investimentos de capital entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões para o ano. A companhia também sinalizou que pretende ampliar significativamente esses gastos em 2027.


A estratégia coloca o Google diante do desafio de equilibrar a expansão acelerada de sua infraestrutura de inteligência artificial com a necessidade de transformar o crescimento da utilização dessas tecnologias em resultados financeiros sustentáveis.

 
 
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