Hackers exploram falha no MLflow para tentar roubar credenciais de ambientes em nuvem
- Cyber Security Brazil
- há 1 dia
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Hackers começaram a explorar uma vulnerabilidade crítica no MLflow, plataforma open source utilizada em projetos de inteligência artificial e machine learning, para acessar serviços internos de ambientes em nuvem e tentar roubar credenciais e outros segredos. Uma segunda falha crítica, no software industrial FUXA, também está sendo alvo de varreduras maliciosas.
Relatórios independentes da watchTowr e da VulnCheck apontam atividade envolvendo as vulnerabilidades CVE-2026-64849, no MLflow, e CVE-2026-25895, no FUXA. Ambas podem ser exploradas remotamente e sem autenticação.
A CVE-2026-64849 possui pontuação CVSS 9,3 e consiste em uma vulnerabilidade Server-Side Request Forgery (SSRF) que afeta versões do MLflow anteriores à 3.15.0.
Por meio da falha, um invasor capaz de alcançar o MLflow Tracking Server pode fazer com que o próprio servidor envie requisições HTTP para destinos arbitrários. Isso permite alcançar serviços internos que normalmente não estariam diretamente acessíveis pela internet, incluindo endpoints de metadados utilizados por provedores de nuvem.
Segundo a watchTowr, invasores já estão explorando essa capacidade para acessar serviços de metadados e retirar credenciais e segredos de ambientes cloud.
A empresa afirma ter detectado varreduras indiscriminadas em busca de instâncias MLflow expostas na internet poucas horas depois de a CVE ser atribuída, em 17 de agosto de 2026.
O problema está relacionado aos webhooks do model registry do MLflow. De acordo com Yordan Ganchev, especialista principal de inteligência de ameaças da watchTowr, a vulnerabilidade permite utilizar o sistema afetado como intermediário para enviar requisições e interagir com serviços internos.
A falha também consegue contornar correções anteriores devido à maneira como o MLflow processa redirecionamentos web. Dados dos honeypots globais da watchTowr indicam que os invasores estão tentando atingir sistemas MLflow hospedados na nuvem e acessar endereços IP e serviços internos conhecidos em busca de informações sensíveis.
Organizações que utilizam MLflow devem priorizar a atualização de sistemas vulneráveis, principalmente quando o Tracking Server estiver acessível pela internet. Também é recomendado revisar logs em busca de indícios de comprometimento e verificar se credenciais ou outros segredos podem ter sido expostos.
FUXA também é alvo de varreduras maliciosas
A segunda vulnerabilidade, CVE-2026-25895, afeta o FUXA, uma plataforma SCADA/HMI open source baseada na web e utilizada em ambientes de tecnologia operacional (OT) e automação industrial.
A falha recebeu pontuação CVSS 9,5 e combina ausência de autenticação em uma função crítica com uma vulnerabilidade de path traversal. O problema afeta as versões do FUXA até a 1.2.9.
Um invasor remoto e sem autenticação pode explorar a vulnerabilidade para gravar arquivos arbitrários no sistema de arquivos do servidor, condição que pode levar à execução remota de código (RCE).
A VulnCheck começou a observar varreduras maliciosas direcionadas à CVE-2026-25895 em 18 de agosto. Segundo a empresa, um único endereço IP foi detectado realizando buscas em larga escala na internet por instalações vulneráveis do FUXA.
Aproximadamente 60 instalações da plataforma estariam diretamente expostas à internet.
Caitlin Condon, vice-presidente de pesquisa da VulnCheck, informou que as requisições observadas tentavam explorar o path traversal para sobrescrever o arquivo "main.js" com dados sem utilidade. Até o momento da análise, a empresa não havia observado a implantação de payloads para execução remota de código.
O FUXA já foi alvo de exploração de outras vulnerabilidades. No último ano, atividades maliciosas também foram associadas às CVE-2026-25939 e CVE-2023-33831. No caso da CVE-2023-33831, a VulnCheck afirma ter observado exploração desde novembro de 2025, incluindo atividade recente.



