Google corrige 1.442 falhas no Chrome em três versões e acelera resposta a vulnerabilidades impulsionadas por IA
- Cyber Security Brazil
- há 2 dias
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O Google corrigiu 1.442 vulnerabilidades nas três versões mais recentes do Chrome, um volume superior ao total de falhas corrigidas nas 23 versões anteriores do navegador. Segundo a empresa, o aumento reflete o crescimento acelerado na descoberta de vulnerabilidades, impulsionado pelo uso de modelos de inteligência artificial.
As versões Chrome 149 e 150, lançadas em julho, corrigiram 1.072 falhas de segurança. Já a atualização Chrome 151, disponibilizada na quarta-feira, solucionou outras 370 vulnerabilidades, sendo 349 identificadas internamente pelo Google. Sete delas foram classificadas como críticas.
De acordo com a empresa, ferramentas baseadas em grandes modelos de linguagem (LLMs) estão acelerando significativamente a identificação de falhas, fazendo com que novas vulnerabilidades sejam descobertas em um ritmo maior do que o tempo necessário para corrigi-las.
Os números acompanham uma tendência observada em todo o setor. Dados do National Vulnerability Database (NVD) dos Estados Unidos mostram que 46.872 vulnerabilidades já foram registradas em 2026, aproximando-se das 49.920 catalogadas durante todo o ano de 2025.
Um dos casos destacados pelo Google é a CVE-2026-3545, uma vulnerabilidade crítica (CVSS 9,6) no componente de navegação do Chrome que permitia escapar da sandbox do navegador e acessar arquivos locais do sistema. A falha foi corrigida em março.
Segundo o Google, o problema permaneceu oculto no código-fonte por mais de 13 anos e foi descoberto por um sistema automatizado de análise baseado em modelos Gemini.
Para reduzir o tempo entre a descoberta e a distribuição das correções, a empresa está alterando seu ciclo de desenvolvimento. O Chrome passa a adotar grandes lançamentos a cada duas semanas, atualizações semanais de segurança e um projeto piloto para publicar duas atualizações de segurança por semana, em resposta ao aumento de ataques impulsionados por inteligência artificial.
O Google também informou que está automatizando a geração de notas de lançamento e descrições de CVEs diretamente a partir das correções implementadas, reduzindo etapas manuais e acelerando a divulgação pública das vulnerabilidades.
Outra iniciativa em desenvolvimento é a aplicação dinâmica de correções, permitindo atualizar partes do navegador sem exigir o reinício completo da aplicação.
A tecnologia utiliza a arquitetura multiprocessos do Chrome para substituir dinamicamente processos em segundo plano, como os responsáveis pela renderização das páginas e pelo processamento gráfico, carregando versões atualizadas enquanto o navegador continua em execução.
No macOS, por exemplo, o Chrome 150 já passou a reiniciar automaticamente quando detecta uma atualização pendente enquanto permanece aberto em segundo plano, mesmo sem janelas visíveis.
Além de acelerar a distribuição de patches, o Google também trabalha para eliminar categorias inteiras de vulnerabilidades. Entre as iniciativas estão o fortalecimento das proteções contra erros clássicos de memória, como use-after-free e acessos fora dos limites da memória, a adoção crescente da linguagem Rust, conhecida por seus mecanismos de segurança de memória, e a migração da interface principal do navegador para tecnologias web como HTML, CSS e TypeScript, reduzindo a dependência de componentes escritos em C++.

A empresa também está automatizando as atualizações de todas as dependências de terceiros utilizadas pelo Chrome, diminuindo o risco de exposição causado por bibliotecas desatualizadas.
Segundo a equipe de segurança do Chrome, corrigir vulnerabilidades continua sendo fundamental, mas a velocidade com que as atualizações chegam aos usuários tornou-se igualmente importante para impedir que invasores explorem falhas antes da instalação dos patches.




