G7 alerta empresas para iniciar transição à criptografia pós-quântica antes que seja tarde

Governos e empresas devem começar a preparar seus sistemas para uma realidade em que computadores quânticos suficientemente avançados possam quebrar métodos de criptografia amplamente utilizados atualmente. O alerta foi feito pelo Grupo de Trabalho de Segurança Cibernética do G7 em conjunto com a agência de segurança cibernética dos Estados Unidos, a CISA.
Em um comunicado conjunto, as organizações defendem que a migração para a criptografia pós-quântica, conhecida como Post-Quantum Cryptography (PQC), comece agora, sem esperar pelo desenvolvimento de computadores quânticos capazes de representar uma ameaça prática aos algoritmos atuais.
Embora ainda não exista uma previsão exata de quando máquinas com essa capacidade estarão disponíveis, avanços recentes indicam que organizações precisam antecipar sua preparação. A criptografia pós-quântica utiliza algoritmos desenvolvidos para proteger informações contra ataques realizados tanto por computadores convencionais quanto por futuros sistemas quânticos.
Uma das principais preocupações é a estratégia conhecida como “harvest now, decrypt later” — ou “coletar agora, descriptografar depois”. Nesse cenário, invasores roubam informações criptografadas atualmente e armazenam os dados para tentar descriptografá-los no futuro, quando computadores quânticos mais poderosos estiverem disponíveis.
O risco é especialmente relevante para informações que precisam permanecer confidenciais por muitos anos, como documentos governamentais, dados pessoais sensíveis e segredos comerciais. Isso significa que, embora a capacidade de quebrar determinadas formas de criptografia ainda seja uma ameaça futura, a coleta dos dados pode estar acontecendo hoje.
Segundo o alerta, agentes com acesso a tecnologia quântica suficientemente avançada também poderiam explorar a quebra de mecanismos criptográficos para se passar por entidades confiáveis, falsificar dados, comprometer equipamentos ou acessar informações confidenciais.
O G7 e a CISA recomendam que governos e empresas comecem identificando os sistemas que armazenam seus dados mais sensíveis e ativos críticos. Esses ambientes devem receber prioridade durante o planejamento da migração para tecnologias resistentes a ataques quânticos.
A orientação é incorporar gradualmente essas tecnologias aos ciclos normais de atualização, em vez de substituir toda a infraestrutura de uma única vez. Começar antecipadamente pode reduzir custos, complexidade e impactos operacionais durante a transição.
Adiar a migração também pode trazer consequências comerciais. Segundo o comunicado, empresas que não adotarem tecnologias resistentes à computação quântica podem perder competitividade e, futuramente, deixar de atender requisitos necessários para determinados contratos, incluindo processos de contratação governamental.
O movimento faz parte de uma preparação que já ocorre em diferentes países. Em 2025, autoridades britânicas de cibersegurança publicaram um roteiro para que organizações concluam a transição para criptografia resistente à computação quântica até 2035, com setores como bancos, finanças e telecomunicações entre os primeiros a realizar a migração.




