Malware enviado por arquivos do Excel teria atingido 80 mil freelancers

Um cidadão russo foi formalmente acusado nos Estados Unidos de participar de uma campanha de malware que comprometeu os dispositivos de aproximadamente 80 mil usuários de uma plataforma de trabalho freelancer. Searzhudin Tamirlanovich Aktulaev pode receber pena de até 20 anos de prisão caso seja condenado.
Aktulaev compareceu a um tribunal federal de San Francisco após ser extraditado para os Estados Unidos. Ele havia sido preso no Chipre em maio de 2025 e foi transferido para território norte-americano no fim de agosto de 2026. A acusação original remonta a 2021.
Segundo os promotores, entre junho de 2016 e novembro de 2017, o suspeito utilizou o sistema de mensagens de uma empresa de tecnologia voltada ao mercado freelancer para distribuir uma variante do malware TVRAT, também conhecida como TVSPY ou TeamSpy. A empresa atingida não foi identificada pelo Departamento de Justiça dos EUA.
A campanha teria utilizado 255 contas falsas para abordar usuários da plataforma. As mensagens continham anexos maliciosos do Microsoft Excel que, quando abertos, induziam as vítimas a executar ações que resultavam no download do malware.
O TVRAT permitia explorar uma vulnerabilidade relacionada à ferramenta de acesso remoto TeamViewer para assumir o controle dos computadores comprometidos. Aktulaev também teria utilizado o malware DarkVNC, que empregava abordagem semelhante contra uma vulnerabilidade no software de administração remota VNC Viewer.
Depois da infecção, o acusado continuava acessando os dispositivos por meio de domínios de comando e controle (C2). De acordo com a acusação, esse acesso foi utilizado para roubar informações das vítimas e realizar fraudes.
Investigadores também encontraram um documento mantido por Aktulaev contendo credenciais roubadas de serviços de comércio eletrônico e informações pessoais de centenas de vítimas. Aproximadamente metade das 80 mil pessoas atingidas estava nos Estados Unidos, principalmente na Califórnia.
O russo responde por acusações que incluem conspiração, roubo de identidade agravado e transmissão de programas, informações, códigos ou comandos destinados a causar danos a computadores protegidos. Somadas, as acusações podem resultar em pena máxima de 20 anos de prisão.
Aktulaev permanece sob custódia federal nos Estados Unidos. Sua próxima audiência está prevista para 5 de outubro.




