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Falhas no Unitree G1 EDU permitem que hackers assumam controle do sistema do robô humanoide



Duas vulnerabilidades independentes descobertas no robô humanoide Unitree G1 EDU podem permitir a execução remota de código (RCE) com privilégios de root. Uma das cadeias pode começar por uma conexão Bluetooth Low Energy (BLE) próxima ao equipamento, segundo pesquisa divulgada pelo pesquisador de segurança Olivier Laflamme.


As falhas são identificadas como CVE-2026-76639 e CVE-2026-76640. Ambas podem terminar com o comprometimento do Locomotion PC, computador responsável por funções do robô, embora utilizem caminhos de ataque diferentes.


A CVE-2026-76639 explora uma vulnerabilidade de path traversal no componente chat_go para alcançar o bashrunner. A cadeia permite executar comandos com privilégios de root no Locomotion PC, dando ao invasor um nível elevado de controle sobre o sistema afetado.



Já a CVE-2026-76640 chama atenção pelo vetor inicial via Bluetooth. Segundo Laflamme, a interação inicial de bootstrap por BLE pode ser aceita sem que os dispositivos tenham realizado previamente o processo convencional de pareamento Bluetooth.

Isso, porém, não significa que todo o ataque possa ser realizado diretamente por uma conexão BLE não autenticada. O material de bootstrap permanece protegido, enquanto as operações posteriores de provisionamento Wi-Fi exigem um estado BLE autenticado pelo aplicativo.


Durante a pesquisa, Laflamme identificou uma segunda peça importante nessa cadeia. O serviço de nuvem da Unitree aceitava uma conta válida para solicitações de recuperação de chaves, mas não verificava se aquela conta realmente era proprietária do robô informado na requisição.


Essa falha de autorização permitia recuperar material criptográfico associado a outro G1 EDU. Com a chave obtida, seria possível estabelecer o estado BLE autenticado necessário para acessar as operações de provisionamento Wi-Fi.


A cadeia então alcançava o código responsável pela configuração da rede sem fio, onde o pesquisador encontrou um buffer overflow. A exploração dessa vulnerabilidade também resultava na execução de código como root no Locomotion PC.


Laflamme limitou os testes de propagação a dois robôs G1 instalados na mesma sala. Portanto, a pesquisa não demonstra uma propagação em larga escala entre robôs Unitree nem confirma comportamento semelhante a um worm em ambientes reais.


A Unitree corrigiu em julho de 2026 a falha de autorização na nuvem que permitia recuperar as chaves de um robô utilizando uma conta que não fosse sua proprietária. Com essa mudança, o fluxo exato utilizado na prova de conceito da cadeia CVE-2026-76640 deixou de funcionar.


Na situação descrita na divulgação de 27 de agosto, a rota que depende da nuvem exige uma conta vinculada ao G1 EDU alvo ou que o invasor já possua o material criptográfico necessário.


A situação das correções locais, entretanto, ainda não está totalmente esclarecida. Até a publicação da pesquisa, não havia uma versão específica de firmware confirmada em orientações acessíveis da Unitree como responsável por corrigir as duas vulnerabilidades.


O pesquisador atualizou o equipamento utilizado nos testes para a versão V1.5.2 durante a investigação, mas essa sequência não é suficiente para determinar quais versões anteriores são vulneráveis ou quais releases corrigem definitivamente os problemas.


Também não está confirmado se as falhas afetam outros robôs da fabricante. A Unitree diferencia oficialmente o G1 e o G1 EDU como modelos distintos, e a pesquisa divulgada trata especificamente do G1 EDU. A aplicabilidade das vulnerabilidades a outros equipamentos da empresa permanece desconhecida.


As descobertas destacam um aspecto particular da segurança de robôs humanoides conectados: vulnerabilidades tradicionais de software, como path traversal, buffer overflow e falhas de autorização, passam a existir em sistemas capazes de interagir fisicamente com o ambiente. Nesse cenário, a proteção envolve não apenas aplicações, nuvem e conectividade sem fio, mas também os computadores responsáveis pelas funções operacionais do equipamento.

 
 
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