Funcionário encarregado de detectar vazamentos na inteligência militar dos EUA admite tentativa de vazar segredos
- Cyber Security Brazil
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Um ex-especialista de TI da Defense Intelligence Agency (DIA), agência de inteligência militar dos Estados Unidos, declarou-se culpado de tentar transmitir informações secretas e ultrassecretas a representantes que acreditava serem agentes de um governo estrangeiro. Nathan Vilas Laatsch, de 29 anos, foi preso em maio de 2025 durante uma operação conduzida pelo FBI.
O caso chama atenção pela função exercida por Laatsch dentro da própria DIA. Funcionário civil da agência desde 2019 e detentor de autorização de acesso a informações ultrassecretas, ele foi designado, no primeiro semestre de 2025, para a Insider Threat Division, unidade responsável justamente por identificar funcionários que poderiam vazar ou já estivessem vazando informações classificadas para governos estrangeiros.
Entre suas atribuições estavam habilitar mecanismos de monitoramento da atividade de usuários com acesso aos sistemas da DIA, inclusive pessoas sob investigação, e auxiliar parceiros externos, como autoridades policiais, na utilização de ferramentas destinadas à identificação de ameaças internas.
Segundo documentos judiciais, em março de 2025 Laatsch criou uma conta de e-mail e entrou em contato por iniciativa própria com representantes de um governo estrangeiro. A identidade do país não foi divulgada publicamente, sendo descrito nos documentos do processo apenas como um “governo estrangeiro amigo”.
Na mensagem, ele se identificou como funcionário da DIA e afirmou estar disposto a fornecer produtos de inteligência concluídos, informações ainda não processadas e outros documentos classificados aos quais possuía acesso. Laatsch também enviou uma fotografia de sua identificação governamental e forneceu um nome de usuário de uma plataforma de mensagens criptografadas para dar continuidade às conversas.
O FBI tomou conhecimento da tentativa de contato e iniciou uma operação disfarçada. Agentes passaram a se comunicar com Laatsch fingindo representar o governo estrangeiro, permitindo que a investigação acompanhasse suas ações enquanto ele acreditava estar negociando diretamente com um agente de inteligência.
Em 28 de abril de 2025, após conversas sobre o tipo de material que poderia fornecer, Laatsch entrou em seu local de trabalho e começou a consultar informações classificadas. Promotores afirmam que ele passou grande parte do expediente transcrevendo informações à mão enquanto consultava seu computador.
As anotações eram feitas em um bloco físico e escondidas quando colegas se aproximavam. Ao final do expediente, Laatsch retirou as páginas, dobrou os papéis e os escondeu dentro das meias para conseguir retirá-los das instalações. O comportamento se repetiu nos dias seguintes, com parte das anotações posteriormente escondida também no fundo de sua lancheira.
As informações foram então transferidas para um dispositivo USB. Seguindo instruções dos agentes do FBI que acreditava serem representantes estrangeiros, Laatsch deixou o dispositivo em um parque de Arlington, na Virgínia, utilizando uma técnica de dead drop — método no qual informações ou objetos são deixados em determinado local para serem posteriormente recolhidos sem encontro direto entre as partes.
O dispositivo foi recuperado pelo FBI e continha nove documentos digitados. Oito deles possuíam informações classificadas como ultrassecretas e incluíam Sensitive Compartmented Information (SCI), categoria utilizada pelos Estados Unidos para dados de inteligência altamente restritos.
Entre os materiais estavam informações sobre métodos sensíveis de coleta de inteligência, exercícios militares estrangeiros e análises sobre os impactos dessas operações. Segundo os documentos judiciais, o próprio Laatsch escolheu o material com base no que imaginava ser de interesse do governo estrangeiro.
No dispositivo também havia uma mensagem na qual ele indicava que aquele primeiro conjunto de documentos deveria servir como demonstração das informações às quais possuía acesso. Laatsch manifestou ainda interesse em obter cidadania no país estrangeiro e afirmou que não se opunha a receber outras formas de compensação, embora dissesse não precisar de dinheiro ou benefícios materiais.
Durante as conversas, ele também forneceu detalhes sobre como investigações internas eram conduzidas dentro da DIA e comentou erros normalmente cometidos por funcionários investigados, afirmando acreditar que seria capaz de evitá-los.
Uma segunda entrega foi organizada para 29 de maio de 2025. Desta vez, Laatsch recebeu instruções para ir até uma mesa de piquenique no mesmo parque de Arlington e transmitir eletronicamente os arquivos a partir de seu computador pessoal.
Ele realizou a transferência para um endereço controlado pelo FBI e foi preso no local. Posteriormente, abriu mão do direito a um advogado durante o interrogatório e admitiu as condutas aos agentes federais.
O acordo de confissão recomenda uma pena entre 11 e 18 anos de prisão, considerando o período já cumprido. A Justiça, no entanto, pode aplicar uma sentença superior, chegando à prisão perpétua e multa de até US$ 250 mil.



