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Falhas em software da NASA permitem enviar comandos a sistemas de espaçonaves sem autenticação


Pesquisadores de segurança da Cycode identificaram uma cadeia de vulnerabilidades no AIT-GUI, console web utilizado pelo AMMOS Instrument Toolkit (AIT), projeto de código aberto da NASA/JPL para construção de sistemas terrestres de suporte a instrumentos e espaçonaves. As falhas podem permitir que um atacante com acesso ao serviço envie comandos arbitrários sem autenticação.


A cadeia foi registrada como GHSA-p9r8-2q67-fp86, recebeu pontuação 9,4 no CVSS v3.1 e, segundo o alerta publicado em 13 de agosto de 2026, afeta o AIT-GUI 2.5.1 e versões anteriores. A versão 2.5.2 foi apresentada como correção, embora análises posteriores tenham identificado limitações nessa mitigação.


O AMMOS Instrument Toolkit fornece componentes para sistemas terrestres responsáveis por enviar comandos a instrumentos e espaçonaves e processar a telemetria recebida. O AIT-GUI funciona como console de operação, com endpoints capazes de encaminhar instruções diretamente ao barramento de comandos.


Segundo a Cycode, o servidor web do AIT-GUI ignorava o endereço de host configurado e, por padrão, escutava em 0.0.0.0 na porta 8080, ficando acessível por todas as interfaces de rede. Ao mesmo tempo, rotas capazes de alterar o estado do sistema eram expostas sem autenticação, autorização ou proteção contra Cross-Site Request Forgery (CSRF).


Duas dessas rotas também construíam caminhos no sistema de arquivos a partir de entradas sem validação adequada. Os problemas foram classificados como CWE-306, referente à ausência de autenticação para uma função crítica; CWE-352, relacionada a CSRF; e CWE-22, associada a path traversal.


De acordo com o alerta, um atacante não autenticado capaz de alcançar a porta poderia enviar comandos para instrumentos e espaçonaves por meio de POST /cmd, executar scripts no servidor através de POST /script/run e iniciar sequências de comandos usando POST /seq. Em determinadas versões, o path traversal também permitiria referenciar arquivos fora dos diretórios previstos.


O risco não se limita necessariamente a consoles diretamente expostos à internet. Como as rotas aceitam requisições application/x-www-form-urlencoded, consideradas solicitações simples pelos navegadores, uma página controlada por um atacante poderia enviar uma requisição cross-origin sem a verificação preliminar CORS conhecida como preflight.


Na prática, isso significa que mesmo uma implantação restrita à rede local ou protegida por firewall poderia ser atacada caso um operador com acesso ao console visitasse uma página maliciosa. A Cycode afirma ter confirmado em tráfego real de navegador que as requisições POST eram entregues e processadas sem uma solicitação OPTIONS anterior.


O AIT-GUI 2.5.2 foi lançado em 12 de agosto com mudanças destinadas a reduzir a superfície de ataque. A versão passou a respeitar o host configurado, usando localhost como padrão, adicionou verificações de mesma origem para requisições POST, PUT, DELETE e PATCH e restringiu os caminhos utilizados pelas funções /script/run e /seq aos diretórios configurados.


No entanto, uma análise do código da versão 2.5.2 feita pelo The Hacker News encontrou uma limitação importante: a atualização não adiciona autenticação propriamente dita aos endpoints de comandos, scripts e sequências. A rota principal ainda chama Sessions.create() e fornece um cookie de sessão sem verificar credenciais, enquanto a rota de comandos aceita requisições que apresentem esse cookie.


Assim, a versão 2.5.2 restringe onde o console fica disponível e bloqueia ataques cross-origin originados de navegadores, mas não implementa uma camada de autenticação para essas funções críticas.


Também há divergências sobre quais versões estão corrigidas. Uma vulnerabilidade relacionada ao mesmo problema de ausência de autenticação já havia sido registrada como CVE-2026-60112, com pontuação 9,3 no CVSS v4. O registro afirma que versões anteriores à 2.5.1 são vulneráveis e aponta uma correção específica, enquanto a análise da Cycode inclui a própria 2.5.1 entre as versões afetadas e considera a 2.5.2 como corrigida.


A inspeção do repositório indica, porém, que a criação de sessões sem autenticação permanece presente tanto na 2.5.1 quanto na 2.5.2. Também existem diferenças relacionadas ao path traversal: embora o alerta da Cycode indique que a versão 2.5.1 foi usada para validar as descobertas, o código dessa versão já contém uma verificação para restringir caminhos utilizados por /script/run; o problema sem essa restrição permanece em /seq.


Outro ponto de atenção envolve a distribuição pelo PyPI. Em 20 de agosto, a versão mais recente do pacote ait-gui disponível na plataforma ainda era a 2.4.1, publicada em julho de 2023. As versões 2.5.0, 2.5.1 e 2.5.2 não apareciam no histórico de releases. O código da 2.4.1 contém tanto o bind em 0.0.0.0 quanto a construção de caminhos sem as restrições posteriores.


A correção associada à pesquisa foi criada em julho pelo pesquisador Yuval Elbar e adicionou 18 testes de regressão. O commit também registra o uso do Claude Opus 4.8, da Anthropic, como coautor, e a Cycode afirma que a descoberta resultou de uma investigação humana apoiada por análise de código com inteligência artificial.


Apesar da gravidade potencial, não há evidências apresentadas de exploração das vulnerabilidades em ataques reais. Os registros também não identificam nenhuma missão espacial específica utilizando uma implantação vulnerável do software.


O AIT possui ainda outros registros de segurança. Entre eles está a CVE-2024-35058, vulnerabilidade crítica de execução remota de código na função API wait do NASA AIT-Core, publicada em 2024 e indicada como afetando versões até a 2.5.2, sem uma versão corrigida registrada atualmente no GitHub Advisory Database.

 
 
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