Falha de 18 anos no Linux permite escalada para root e pode viabilizar escape de contêineres
- Cyber Security Brazil
- há 1 dia
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Uma vulnerabilidade presente há 18 anos no código de rede SCTP do Linux pode permitir que um usuário local obtenha privilégios de root e, em determinadas condições, escape de contêineres para comprometer o sistema hospedeiro. Identificada como CVE-2026-64564 e apelidada de SCTPhantom, a falha foi descoberta por pesquisadores do Tencent Zhuque Lab e já foi corrigida nas versões estáveis 7.1.6, 6.18.42, 6.12.101 e 6.6.148 do kernel, lançadas em 3 de agosto.
A vulnerabilidade é causada por um erro do tipo use-after-free no subsistema SCTP (Stream Control Transmission Protocol), protocolo de transporte que permite o uso simultâneo de múltiplos caminhos de rede em uma mesma conexão. Segundo os pesquisadores, o problema existe desde o Linux 2.6.25, lançado em 2008.
A falha foi registrada como CVE-2026-64564 em 4 de agosto e divulgada publicamente em 6 de agosto. Até 7 de agosto, não havia código de exploração público nem registro da vulnerabilidade no catálogo Known Exploited Vulnerabilities (KEV) da CISA.
Diferentemente de falhas exploráveis remotamente, a SCTPhantom exige que o invasor possua acesso local ao sistema e que o protocolo SCTP esteja acessível no ambiente alvo, reduzindo significativamente a superfície de ataque.
Segundo o Tencent Zhuque Lab, os testes permitiram obter privilégios de root em distribuições como Debian 13, Ubuntu 24.04, Rocky Linux 9, RHEL 9 e OpenCloudOS quando essas condições estavam presentes.
A vulnerabilidade ocorre devido a uma inconsistência na validação de endereços durante operações de reconfiguração dinâmica do SCTP. O kernel verifica uma solicitação de remoção utilizando o endereço de origem do pacote, mas executa a operação sobre outro endereço presente na própria mensagem. Essa sequência pode liberar uma estrutura de memória e reutilizar posteriormente um ponteiro já invalidado, permitindo a exploração do erro.
A correção impede que uma solicitação de remoção atue sobre o mesmo caminho de rede atualmente processado, eliminando a condição de uso do ponteiro após a liberação da memória.
Os pesquisadores também afirmam ter desenvolvido uma técnica para escapar de contêineres utilizando a vulnerabilidade. Segundo o laboratório, uma versão inicial do exploit dependia da ativação de parâmetros específicos do SCTP e da capacidade CAP_NET_ADMIN, mas uma abordagem posterior dispensou essas exigências ao habilitar os recursos diretamente por socket.
Nos testes realizados, o ambiente manteve o perfil padrão do seccomp e não concedia as capacidades CAP_NET_ADMIN nem CAP_SYS_ADMIN aos contêineres. Ainda assim, o laboratório afirma ter obtido acesso root ao host em seis de oito tentativas.
Até o momento, esses resultados não foram reproduzidos por pesquisadores independentes. O relatório também não informa qual runtime de contêiner foi utilizado nos experimentos, e os próprios autores destacam que fatores como políticas de namespaces de usuários, perfis de seccomp e permissões de acesso a sockets podem alterar significativamente a exposição ao problema.
Outra divergência envolve a gravidade da falha. O Tencent atribuiu pontuação 8,5 segundo o CVSS v4.0, enquanto o National Vulnerability Database (NVD) ainda não havia publicado classificação oficial nem a categoria CWE correspondente até 7 de agosto.
Especialistas recomendam que administradores consultem os boletins de segurança de suas distribuições, já que muitos fornecedores aplicam correções por backport sem alterar a versão principal do kernel. Além disso, uma segunda vulnerabilidade de use-after-free no mesmo componente SCTP foi corrigida apenas em 6 de agosto e não está incluída nas atualizações estáveis lançadas três dias antes. Para ambientes que não utilizam SCTP, desabilitar o módulo elimina essa superfície de ataque.
Os pesquisadores creditam a descoberta ao Corvus AI, uma plataforma multiagente desenvolvida para análise de segurança do kernel Linux. A SCTPhantom é a mais recente de uma série de vulnerabilidades antigas identificadas com auxílio de inteligência artificial, seguindo a divulgação da falha GhostLock em julho.



