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Estônia pede autonomia europeia em capacidades cibernéticas ofensivas


O chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira da Estônia (EFIS), Kaupo Rosin, fez um apelo direto a governos e à indústria europeia para que invistam no desenvolvimento de capacidades cibernéticas ofensivas próprias. Durante a Conferência de Segurança de Munique, ele afirmou que a Europa está excessivamente concentrada em defesa digital e dependente de tecnologias não europeias.


Segundo Rosin, operações modernas de inteligência exigem não apenas proteção, mas também capacidade de penetrar, interromper ou manipular sistemas adversários. “Meu chamado à indústria europeia não é apenas para pensar em tecnologia de defesa cibernética, mas também em soluções ofensivas”, declarou.


O executivo destacou que a maioria das ferramentas disponíveis para serviços de inteligência no continente é de origem estrangeira, o que, segundo ele, limita autonomia estratégica. Ele defendeu maior coordenação e cooperação intraeuropeia para pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologias próprias ainda que reconheça o alto custo envolvido.


Debate sensível sobre ferramentas de intrusão


O tema é controverso na Europa. O crescimento do mercado de ferramentas comerciais de intrusão cibernética (conhecidas como CCICs) levanta preocupações sobre possíveis abusos, especialmente contra jornalistas, ativistas de direitos humanos e opositores políticos.


Governos como o do Reino Unido e da França já iniciaram o chamado Processo Pall Mall, voltado à reforma do mercado de spyware e hacking comercial, diante do receio de uso indevido dessas tecnologias.


Mesmo assim, Rosin argumenta que, sem investimento público e privado consistente, a Europa não conseguirá enfrentar ameaças atribuídas a países como Rússia e China. Para ele, é necessário equilibrar postura defensiva com capacidades que permitam acesso estratégico a redes-alvo.


Inteligência em escala e dependência tecnológica


Rosin revelou que mais da metade das informações brutas manipuladas pelo EFIS vêm de acessos a sistemas de energia, servidores, caixas de e-mail e outras infraestruturas digitais. Contudo, auditoria interna apontou que 94% dos dados coletados nunca foram analisados, evidenciando desafios de escala.


Ele defendeu o desenvolvimento de uma “pilha tecnológica” europeia capaz de processar grandes volumes de dados de inteligência, reduzindo a dependência externa. Além disso, mencionou que alguns serviços possuem mandato para ações de sabotagem cibernética em contextos específicos, reforçando a necessidade de ferramentas adequadas.


Cenário geopolítico e espionagem digital


No panorama mais amplo, Rosin afirmou que a Estônia não enxerga sinais concretos de que a Rússia esteja genuinamente buscando paz na Ucrânia. Segundo ele, Moscou pode estar tentando prolongar negociações enquanto reorganiza forças e busca aliviar sanções.


Embora não haja indícios imediatos de um ataque convencional russo contra a OTAN, o chefe de inteligência alertou para a necessidade de investimentos contínuos em segurança.


Ele também destacou que a espionagem cibernética permanece como atividade predominante. Usar acessos obtidos para ataques disruptivos pode comprometer operações de longo prazo. Ainda assim, o volume de sondagens e tentativas de invasão cresceu significativamente desde os ataques cibernéticos que atingiram a Estônia em 2007.


Rosin concluiu que a cooperação entre serviços de inteligência europeus está se tornando mais operacional e orientada a tarefas específicas com pouca tolerância para parceiros que não contribuam com capacidades reais.

 
 
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