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Apple corrige falha nos Beats Studio Buds que permitia espionagem via Bluetooth


A Apple lançou uma atualização de firmware para corrigir uma vulnerabilidade de alta severidade nos fones de ouvido Beats Studio Buds que poderia permitir que hackers próximos espionassem usuários por meio do microfone do dispositivo. A falha, identificada como CVE-2025-20701 e classificada com pontuação CVSS de 8,8, afetava o SDK de áudio Bluetooth da Airoha e possibilitava o emparelhamento não autorizado dos fones sem o consentimento do usuário.


Segundo a Apple, um invasor dentro do alcance do Bluetooth poderia explorar a vulnerabilidade para ouvir o áudio captado pelo microfone de um dispositivo que ainda não estivesse emparelhado, mas que estivesse em modo de busca por conexões. O problema foi corrigido por meio da atualização de firmware 1B211 para os Beats Studio Buds.


A vulnerabilidade foi inicialmente revelada em junho de 2025 pelos pesquisadores Dennis Heinze e Frieder Steinmetz, da ERNW GmbH, durante a conferência de segurança TROOPERS, realizada na Alemanha. Na ocasião, os especialistas identificaram três falhas em chips Bluetooth da Airoha, incluindo a CVE-2025-20701, além das CVE-2025-20700 e CVE-2025-20702.


De acordo com os pesquisadores, as vulnerabilidades permitiam assumir o controle completo dos fones de ouvido via Bluetooth sem qualquer autenticação ou processo prévio de pareamento. Os ataques podiam ser realizados tanto por Bluetooth Classic (BR/EDR) quanto por Bluetooth Low Energy (BLE), exigindo apenas que o atacante estivesse dentro do alcance do sinal.


A análise apontou que os invasores poderiam acessar e modificar a memória RAM e a memória flash dos dispositivos afetados. Esse nível de acesso também abriria caminho para sequestrar relações de confiança já estabelecidas com outros dispositivos, como smartphones previamente conectados aos fones, ampliando significativamente as possibilidades de ataque.


O caso reforça preocupações relacionadas à segurança de dispositivos Bluetooth, especialmente equipamentos de áudio inteligentes que possuem microfones embutidos e permanecem conectados de forma constante a smartphones e computadores. Embora a exploração exija proximidade física, o impacto potencial inclui espionagem, comprometimento de dados e invasão de dispositivos associados.


Nova falha em chips A12 e A13 pode comprometer a cadeia de confiança dos iPhones


Além da atualização dos Beats Studio Buds, a semana também trouxe novas preocupações para usuários do ecossistema Apple. A empresa europeia de cibersegurança Paradigm Shift revelou uma vulnerabilidade inédita no SecureROM, também conhecido como BootROM, que afeta dispositivos equipados com os chips A12 e A13.


Os pesquisadores divulgaram uma prova de conceito chamada "usbliter8", capaz de explorar uma combinação entre uma falha de hardware presente no controlador USB dos chips e uma configuração inadequada no firmware dos dispositivos.


Como o problema está localizado em código imutável gravado diretamente no hardware, não existe correção por atualização de software. Segundo a Paradigm Shift, a substituição do equipamento por modelos mais recentes é atualmente a mitigação mais eficaz.


A cadeia de ataque explora um defeito no controlador USB utilizado pelos SoCs da Apple. Durante transferências de dados, o controlador armazena pacotes em buffers de memória. Os pesquisadores descobriram que é possível provocar uma condição de buffer underflow ao enviar pacotes menores do que os esperados, criando um cenário que pode resultar na injeção e execução de código malicioso.


A investigação mostrou que os chips A12 e A13 são vulneráveis, enquanto o A11 não apresenta o problema devido a diferenças na forma como o driver USB redefine os endereços DMA após cada transferência. Já os chips A14 e posteriores parecem configurar corretamente o mecanismo de proteção DART durante o processo de inicialização, impedindo a exploração da vulnerabilidade.


Os pesquisadores compararam o usbliter8 ao famoso exploit checkm8, que afetou gerações anteriores de iPhones equipados com chips entre o A5 e o A11. Assim como ocorreu com o checkm8, a nova descoberta demonstra que falhas de hardware em componentes críticos podem comprometer toda a cadeia de confiança do dispositivo.


Embora o Secure Enclave Processor (SEP) não seja diretamente afetado, a Paradigm Shift alerta que a exploração do BootROM amplia significativamente a superfície de ataque e pode facilitar futuras tentativas de comprometimento de componentes considerados altamente seguros dentro da arquitetura dos dispositivos Apple.

 
 
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