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- Seu mod favorito pode estar entregando acesso remoto a hackers
Hackers estão atraindo usuários com utilitários de jogos adulterados para distribuir um trojan de acesso remoto (RAT) baseado em Java. As ferramentas maliciosas estão sendo disseminadas por meio de navegadores e plataformas de chat, explorando o interesse de gamers por mods e softwares auxiliares. De acordo com a equipe de inteligência da Microsoft , o ataque começa com um downloader malicioso que instala um ambiente portátil de execução Java e executa um arquivo JAR chamado “jd-gui.jar”. Para dificultar a detecção, o invasor utiliza PowerShell e técnicas conhecidas como “living-off-the-land”, explorando binários legítimos do Windows — como o cmstp.exe — para executar o código de forma furtiva. A cadeia de ataque também apaga o downloader inicial para reduzir rastros e adiciona exclusões no Microsoft Defender, impedindo que os componentes do RAT sejam identificados como ameaça. A persistência é garantida por meio da criação de tarefa agendada e de um script de inicialização do Windows chamado “world.vbs”. Uma vez ativo, o malware se conecta a um servidor externo (79.110.49[.]15) para comunicação de comando e controle (C2). A partir daí, o invasor pode exfiltrar dados sensíveis e implantar cargas adicionais. Segundo a Microsoft, trata-se de um malware multifuncional que atua como loader, downloader e RAT, ampliando o impacto do comprometimento. Como medidas de defesa, especialistas recomendam auditar exclusões configuradas no Microsoft Defender, revisar tarefas agendadas suspeitas, remover scripts maliciosos, isolar endpoints afetados e redefinir credenciais de usuários que acessaram máquinas comprometidas. A divulgação ocorre ao mesmo tempo em que a empresa BlackFog detalhou uma nova família de malware chamada Steaelite, promovida em fóruns clandestinos desde novembro de 2025 como um “Windows RAT totalmente indetectável”. Compatível com Windows 10 e 11, a ameaça se destaca por integrar roubo de dados e ransomware em um único painel web de controle. Diferentemente de outros RATs vendidos no submundo digital, o Steaelite reúne espionagem, execução remota de código, keylogging, chat entre invasor e vítima, busca de arquivos, propagação via USB, bypass de UAC e funcionalidades de clipper (roubo de dados copiados para a área de transferência). O painel ainda permite desativar o Microsoft Defender, remover malwares concorrentes e manter persistência no sistema. Entre as capacidades mais críticas estão acesso remoto à webcam e microfone, transmissão ao vivo da tela, roubo de senhas, monitoramento da área de transferência, enumeração de programas instalados, rastreamento de localização e execução arbitrária de arquivos. Além disso, o operador pode implantar ransomware diretamente pelo mesmo painel, viabilizando ataques de dupla extorsão — combinando vazamento de dados e criptografia de arquivos. Outras duas famílias recentes, chamadas DesckVB RAT e KazakRAT , também foram identificadas por pesquisadores. O KazakRAT, segundo análises da Ctrl Alt Intel, pode estar ligado a um cluster com possível apoio estatal, mirando entidades do Cazaquistão e do Afeganistão em uma campanha ativa desde pelo menos agosto de 2022. O cenário reforça uma tendência preocupante: ferramentas de acesso remoto estão cada vez mais completas, fáceis de operar e disponíveis como serviço, permitindo que um único hacker conduza espionagem, roubo de credenciais e ataques de ransomware a partir de um único painel.
- Pentágono classifica Anthropic como risco estratégico após impasse sobre uso militar de IA
A startup de inteligência artificial Anthropic reagiu publicamente após o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, determinar que o Pentágono classificasse a empresa como “risco à cadeia de suprimentos” para a segurança nacional. A medida ocorre após meses de negociações entre a companhia e o Departamento de Defesa (DoD) sobre o uso do modelo de IA Claude em aplicações militares. Segundo a Anthropic, o impasse foi motivado por duas exceções solicitadas pela empresa nos contratos com o governo norte-americano: a proibição do uso da tecnologia para vigilância doméstica em massa de cidadãos americanos e o desenvolvimento de armas totalmente autônomas. A companhia afirmou que não aceitará flexibilizações que permitam tais aplicações, mesmo sob pressão institucional. Em publicação na rede Truth Social, o presidente Donald Trump anunciou que todas as agências federais deverão eliminar o uso da tecnologia da Anthropic no prazo de seis meses. Já Hegseth determinou que contratados, fornecedores e parceiros que mantêm negócios com as Forças Armadas dos EUA cessem imediatamente qualquer atividade comercial com a empresa. A classificação como risco à cadeia de suprimentos foi fundamentada na seção 10 USC 3252 da legislação norte-americana, que permite restringir fornecedores considerados ameaça à segurança nacional. A Anthropic, no entanto, sustenta que a designação seria juridicamente frágil e que, mesmo se mantida, só poderia limitar o uso do Claude em contratos ligados ao Departamento de Defesa — sem afetar clientes privados ou outras áreas do governo. Em comunicado recente, a empresa defendeu que apoia o uso de IA em missões legais de inteligência e contrainteligência no exterior. Contudo, destacou que a vigilância doméstica em larga escala baseada em IA representaria riscos inéditos às liberdades civis e valores democráticos. A tensão também envolve divergências sobre as chamadas “restrições de uso” incorporadas aos modelos. Um memorando do Pentágono indica que o Departamento busca modelos livres de limitações que possam restringir aplicações militares consideradas legais. O documento também afirma que as Forças Armadas não devem empregar modelos com “ajustes ideológicos” que interfiram na entrega de respostas consideradas objetivamente verdadeiras. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que o Departamento não tem interesse em conduzir vigilância doméstica em massa nem em empregar armas autônomas sem supervisão humana, classificando essa narrativa como falsa. Segundo ele, o pedido feito à Anthropic seria apenas para permitir o uso do modelo para “todas as finalidades legais”. O embate também polarizou o setor de tecnologia. Centenas de funcionários do Google e da OpenAI assinaram uma carta aberta pedindo que suas empresas apoiem a Anthropic na defesa de limites éticos para o uso militar da IA. Já Elon Musk, CEO da xAI, manifestou apoio à administração Trump, criticando a postura da Anthropic. Enquanto isso, o CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que a empresa firmou um acordo com o Departamento de Defesa para disponibilizar seus modelos em redes classificadas do governo, mantendo princípios como a proibição de vigilância doméstica em massa e a responsabilidade humana no uso da força — inclusive em sistemas autônomos. O caso evidencia um momento crítico na relação entre grandes empresas de IA e governos, especialmente no que diz respeito ao equilíbrio entre segurança nacional, ética tecnológica e direitos civis. A disputa pode estabelecer precedentes importantes para contratos futuros envolvendo inteligência artificial em ambientes militares.
- Google aponta uso do Gemini por hackers para planejar ataques
A Google revelou que grupos patrocinados por Estados-nação estão utilizando seu modelo de inteligência artificial Gemini para apoiar fases estratégicas do ciclo de ataque cibernético. Segundo o relatório do Google Threat Intelligence Group ( GTIG ), o grupo norte-coreano Lazarus Group rastreado como UNC2970 empregou a IA para realizar reconhecimento (recon), sintetizar OSINT e mapear alvos de alto valor nos setores de defesa e cibersegurança. De acordo com o relatório , o grupo utilizou o Gemini para levantar informações sobre empresas estratégicas, cargos técnicos específicos e até faixas salariais, permitindo a criação de campanhas altamente personalizadas de phishing sob o disfarce de recrutadores corporativos uma evolução da conhecida Operation Dream Job. O uso da IA por atores estatais não se limita ao reconhecimento. O Google identificou diferentes grupos explorando o Gemini para: Automatizar análise de vulnerabilidades Gerar planos de exploração direcionados Desenvolver web shells e scanners Criar personas convincentes para engenharia social Depurar código malicioso Construir kits de phishing gerados por IA Entre os grupos mencionados estão APT31, APT41, Mustang Panda e APT42 (Irã), evidenciando que o uso de IA ofensiva está se tornando prática comum entre diferentes nações. Um dos casos mais preocupantes envolve o malware HONESTCUE, que utiliza a API do Gemini para gerar dinamicamente código C# para estágios secundários do ataque. O payload é compilado e executado diretamente em memória via .NET, sem deixar artefatos em disco técnica que dificulta detecção por ferramentas tradicionais de EDR. Outro exemplo é o kit de phishing COINBAIT, criado com suporte de IA generativa, que simula plataformas de criptomoedas para roubo de credenciais. O Google também relatou tentativas de model extraction , nas quais atacantes enviaram mais de 100 mil prompts para tentar replicar o comportamento do Gemini e construir um modelo substituto. Esse tipo de ataque explora a premissa de que o comportamento exposto via API pode servir como base para treinar uma réplica funcional. Especialistas alertam : manter apenas os pesos do modelo privados não é suficiente o comportamento exposto nas respostas pode ser explorado sistematicamente. O relatório reforça uma tendência clara: adversários estão usando IA para aumentar velocidade, escala e sofisticação dos ataques. Isso inclui: Phishing altamente contextualizado Reconhecimento automatizado Geração de código malicioso sob demanda Uso de IA para burlar proteções baseadas em persona Segundo o próprio Google, a resposta está na adoção de capacidades defensivas baseadas em IA que operem na mesma velocidade de máquina. Estamos entrando em uma fase em que a IA não é apenas uma ferramenta auxiliar, mas parte integrada da infraestrutura ofensiva. O diferencial competitivo não estará apenas em quem possui mais dados ou melhores modelos, mas em quem consegue integrar IA de forma estratégica na defesa.
- Meta processa anunciantes do Brasil, China e Vietnã por golpes com uso de imagem de celebridades
A Meta anunciou que está movendo ações judiciais contra anunciantes considerados enganosos sediados no Brasil, China e Vietnã, acusados de utilizar suas plataformas para aplicar golpes digitais — especialmente esquemas conhecidos como celeb-bait scams , que exploram imagens e vozes de figuras públicas para atrair vítimas. Como parte das medidas imediatas, a empresa suspendeu métodos de pagamento utilizados pelos envolvidos, desativou contas relacionadas às campanhas fraudulentas e bloqueou domínios usados para redirecionar usuários a sites maliciosos. Além das ações judiciais, a companhia também enviou notificações extrajudiciais a oito consultores de marketing que promoviam serviços para driblar os sistemas de moderação da plataforma. Entre as ofertas estavam supostos serviços de “desbanimento” de contas e aluguel de perfis confiáveis para contornar os controles internos de anúncios. Brasileiros estão entre os alvos das ações Pelo menos três anunciantes — dois do Brasil e um da China — foram identificados como responsáveis por golpes com uso indevido de imagem de celebridades . No Brasil, Vitor Lourenço de Souza e Milena Luciani Sanchez são acusados de utilizar imagens e áudios alterados de figuras públicas para promover produtos de saúde fraudulentos. Também foram citadas as empresas B&B Suplementos e Cosméticos Ltda. (Brites Corp), Brites Academia de Treinamento Ltda., além de Daniel de Brites Macieira Cordeiro e José Victor de Brites Chaves de Araújo, apontados como parte de uma operação que usava imagens sintéticas de um médico conhecido para vender produtos sem aprovação regulatória e até cursos ensinando a replicar a mesma tática. Na China, a Shenzhen Yunzheng Technology Co., Ltd teria utilizado anúncios com celebridades para atrair vítimas em diversos países, incluindo Estados Unidos e Japão, direcionando-as a grupos de investimento fraudulentos. Segundo a Meta, mais de 500 mil celebridades e figuras públicas já estão protegidas por um programa específico criado para evitar o uso indevido de suas imagens em golpes desse tipo. Vietnã e técnicas avançadas de ocultação Outra ação foi movida contra o anunciante vietnamita Lý Văn Lâm, acusado de utilizar técnicas de cloaking — método que apresenta uma versão “limpa” de um site durante a análise da plataforma e outra versão maliciosa aos usuários reais. Nesse caso, os anúncios prometiam produtos com grandes descontos de marcas conhecidas em troca do preenchimento de pesquisas. As vítimas eram direcionadas a sites falsos, onde inseriam dados de cartão de crédito para comprar produtos que nunca eram entregues. Em muitos casos, também eram cobradas taxas recorrentes não autorizadas, prática conhecida como fraude por assinatura. Escala industrial dos golpes A ofensiva judicial ocorre poucos meses após investigação da Reuters revelar que 19% dos US$ 18 bilhões em receita publicitária da Meta na China em 2024 vieram de anúncios ligados a golpes, jogos ilegais, pornografia e outros conteúdos proibidos. A repercussão levou a empresa a revisar seu programa Badged Partners. Análise conduzida pela Gen Digital identificou que, em um universo de 14,5 milhões de anúncios veiculados na União Europeia e no Reino Unido em apenas 23 dias, quase 31% continham links para golpes, phishing ou malware. Mais de 300 milhões de impressões foram geradas por esse tipo de conteúdo em menos de um mês. O estudo também apontou forte concentração: apenas 10 anunciantes foram responsáveis por mais de 56% dos anúncios fraudulentos identificados, muitos com infraestrutura e métodos de pagamento conectados à China e Hong Kong — o que indica operações organizadas em escala industrial. Ecossistema criminoso e novas táticas Investigações recentes revelaram ainda um ecossistema sofisticado de fraudes digitais, incluindo: Combinação de malvertising com o modelo de “pig butchering”, no qual vítimas são convencidas , por meio de anúncios de investimentos e supostos especialistas (muitas vezes chatbots com IA), a aplicar valores crescentes até serem solicitadas a pagar taxas para liberar lucros inexistentes. Mais de 23 mil domínios já foram identificados nesse ecossistema. Comprometimento de roteadores para alteração de configurações de DNS e redirecionamento seletivo de tráfego ligado a serviços como Okta e Shopify para páginas fraudulentas. Redes de notificações push maliciosas direcionadas a usuários do Android Chrome, com alertas falsos de infecção por malware. Mais de 150 sites clonados que se passavam por escritórios de advocacia dos EUA e Reino Unido, oferecendo falsos serviços de recuperação de valores perdidos em golpes anteriores. Pressão regulatória e reação internacional A proliferação de golpes , impulsionada por um mercado crescente de “pig butchering-as-a-service” (PBaaS), também tem mobilizado autoridades internacionais. No início do mês, o governo do Camboja anunciou novas ações para desmontar redes de fraudes digitais em seu território. Segundo autoridades locais, 48 operações foram realizadas nos primeiros nove meses de 2025, resultando em 168 prisões e na deportação de 2.722 pessoas. O governo afirma que a atividade fraudulenta caiu pela metade desde o início do ano. A Meta, por sua vez, busca demonstrar aos reguladores que está adotando medidas mais agressivas para conter o uso abusivo de sua infraestrutura publicitária, em um momento em que a pressão sobre grandes plataformas digitais cresce globalmente.
- Discord adia política de verificação de idade diante de pressão regulatória e reação negativa dos usuários
A plataforma de comunicação amplamente utilizada por gamers e comunidades online, o Discord, anunciou que decidiu adiar e reformular sua nova política global de verificação de idade após semanas de forte reação negativa por parte dos usuários. A medida, originalmente apresentada no início de fevereiro, previa mecanismos mais rígidos de comprovação etária. De acordo com publicação oficial assinada pelo CTO e cofundador Stanislav Vishnevskiy, o lançamento da política foi postergado para o segundo semestre de 2026. Além do adiamento, a empresa informou que está promovendo ajustes significativos no modelo inicialmente proposto. Entre as mudanças previstas está a ampliação das opções de verificação. Além do envio de documento oficial com foto ou selfie em vídeo — pontos que geraram maior preocupação entre usuários — a plataforma pretende incluir alternativas como verificação por cartão de crédito. A empresa também afirmou que irá adotar maior transparência sobre os fornecedores responsáveis pelos processos de verificação, publicando em seu site detalhes sobre cada parceiro e suas práticas de tratamento de dados. Antes da implementação definitiva, o Discord planeja divulgar um post técnico explicando como funcionam seus sistemas de “determinação de idade”, com o objetivo de esclarecer dúvidas e reduzir desinformação. Reação da comunidade e falhas de comunicação No comunicado, Vishnevskiy reconheceu que a empresa falhou ao comunicar claramente o impacto real da política. Segundo ele, mais de 90% dos usuários não seriam afetados pelas exigências formais de envio de documento ou biometria facial. A empresa afirma já utilizar sistemas internos de segurança capazes de estimar a idade de usuários adultos com base em múltiplos fatores comportamentais e técnicos, sem necessidade de coleta de identidade oficial na maioria dos casos. “O modo como isso foi comunicado levou muitos a acreditarem que estaríamos exigindo escaneamento facial e envio de documentos de todos apenas para usar o Discord. Isso não é o que está acontecendo. Mas o fato de tantos terem entendido assim mostra que falhamos em explicar com clareza”, destacou a publicação. Pressão regulatória global acelera mudanças O adiamento não significa abandono da política. Pelo contrário: a empresa deixou claro que precisa se antecipar a um cenário regulatório cada vez mais rigoroso. Em dezembro, a Austrália proibiu o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. No Reino Unido e em diversos países da Europa, autoridades vêm discutindo ou preparando restrições semelhantes. Segundo o comunicado, o Brasil também deve avançar rapidamente nessa agenda, enquanto vários estados dos Estados Unidos estudam legislações similares. A empresa argumenta que, ao desenvolver internamente seus próprios mecanismos de verificação, poderá demonstrar aos reguladores que é possível garantir a verificação etária sem necessariamente coletar dados de identidade sensíveis de todos os usuários — um ponto crítico em debates sobre privacidade e proteção de dados.
- Google aponta China, Irã, Rússia e Coreia do Norte em ofensiva coordenada contra setor de defesa
O Google revelou que grupos ligados a China, Irã, Rússia e Coreia do Norte intensificaram operações coordenadas contra a Base Industrial de Defesa (DIB, na sigla em inglês). Segundo o Google Threat Intelligence Group ( GTIG ), o setor enfrenta uma ofensiva constante envolvendo espionagem, sabotagem, engenharia social e exploração de cadeias de suprimento. De acordo com o relatório, os ataques giram em torno de quatro frentes principais: Alvos ligados a tecnologias empregadas na guerra Rússia-Ucrânia; Abordagem direta a funcionários e exploração de processos de recrutamento; Uso de dispositivos de borda e equipamentos de rede como vetores iniciais; Riscos na cadeia de suprimentos após violações no setor de manufatura. A análise indica que veículos autônomos, drones e sistemas avançados de defesa estão entre os principais focos dos grupos patrocinados por Estados. Espionagem, infiltração e uso de apps de mensagens Diversos grupos foram identificados atuando nesse ecossistema: APT44 (Sandworm) tentou extrair dados de aplicativos criptografados como Signal e Telegram, inclusive utilizando scripts para descriptografar mensagens após acesso físico a dispositivos. UNC5125 (FlyingYeti) realizou campanhas direcionadas a operadores de drones na linha de frente, distribuindo malware por meio de formulários do Google Forms e aplicativos de mensagens. UNC5792 e UNC4221 exploraram funcionalidades de vinculação de dispositivos do Signal para sequestrar contas. UNC6096 distribuiu arquivos LNK maliciosos via WhatsApp, enquanto campanhas móveis implantaram malware como GALLGRAB e CraxsRAT em dispositivos Android militares. Além disso, campanhas como “Operation Dream Job”, atribuídas a grupos ligados à Coreia do Norte, continuam explorando falsas ofertas de emprego para infiltrar empresas aeroespaciais e de defesa. O relatório destaca que atores chineses têm explorado dispositivos de borda, vulnerabilidades em portais públicos e redes de Operational Relay Boxes (ORB) para mascarar origem e dificultar atribuição. Essas redes permitem que o tráfego malicioso se misture ao tráfego legítimo de redes domésticas e comerciais, contornando geofencing e ampliando resiliência contra bloqueios. Outro ponto de atenção é a exploração de sistemas como REDCap para implantar malwares persistentes, como o INFINITERED, capazes de manter acesso remoto e roubar credenciais. Segundo o Google, a Base Industrial de Defesa vive um cenário de pressão contínua e multifacetada. Além de operações patrocinadas por Estados, grupos com motivação financeira também exploram o setor por meio de extorsão e ransomware. O uso crescente de inteligência artificial para reconhecimento e criação de iscas de phishing demonstra evolução tática significativa. A tendência de evitar detecção por ferramentas EDR, focando em endpoints individuais e engenharia social altamente segmentada, também é destacada. A conclusão do relatório é direta: o setor de defesa está sob um estado permanente de assédio digital, exigindo vigilância constante e cooperação internacional reforçada.
- Falhas no Claude Code permitem execução remota de código e roubo de chaves de API
Foram identificadas múltiplas vulnerabilidades no Claude Code , assistente de programação baseado em inteligência artificial da Anthropic , que podem permitir execução remota de código (RCE) e exfiltração de chaves de API. As falhas foram detalhadas pela Check Point , que apontou problemas em mecanismos de configuração como Hooks, servidores MCP (Model Context Protocol) e variáveis de ambiente. O cenário é preocupante: basta que o desenvolvedor clone e abra um repositório malicioso para que comandos arbitrários sejam executados e credenciais da API da Anthropic sejam expostas. Abrir o projeto já pode ser suficiente para o ataque Uma das vulnerabilidades (sem CVE, CVSS 8.7) permitia injeção de código por meio de um bypass no fluxo de consentimento do usuário ao iniciar o Claude Code em um diretório não confiável. O problema estava relacionado a hooks definidos no arquivo .claude/settings.json e foi corrigido na versão 1.0.87 (setembro de 2025). Já a CVE-2025-59536 (CVSS 8.7) possibilitava a execução automática de comandos shell durante a inicialização da ferramenta, caso o usuário abrisse o projeto em um diretório controlado por invasores. A falha foi corrigida na versão 1.0.111 (outubro de 2025). Na prática, isso significa que: O código malicioso pode rodar sem interação adicional além da abertura do projeto; Configurações como .mcp.json e .claude/settings.json poderiam sobrescrever aprovações explícitas do usuário; A opção " enableAllProjectMcpServers ": true permitia ativar integrações externas automaticamente. Roubo de chave de API: risco direto à infraestrutura de IA A terceira vulnerabilidade, CVE-2026-21852 (CVSS 5.3), envolvia divulgação indevida de informações no fluxo de carregamento do projeto. Segundo comunicado da Anthropic, se um repositório malicioso definisse a variável ANTHROPIC_BASE_URL apontando para um endpoint controlado pelo hacker, o Claude Code poderia realizar requisições autenticadas antes de exibir o aviso de confiança, expondo a chave de API do desenvolvedor. Isso permitiria: Redirecionar tráfego autenticado para infraestrutura externa; Capturar credenciais ativas; Acessar arquivos compartilhados de projetos; Modificar ou excluir dados armazenados em nuvem; Gerar custos inesperados com uso indevido de API. A falha foi corrigida na versão 2.0.65 (janeiro de 2026). Mudança no modelo de ameaça para ambientes com IA O caso revela uma transformação importante no modelo de risco. Em ambientes tradicionais, o perigo está em executar código não confiável. Em ecossistemas baseados em IA, o risco começa antes: ao simplesmente abrir um projeto. Arquivos de configuração passaram a fazer parte da camada de execução. Eles não apenas definem contexto operacional, mas influenciam diretamente o comportamento do sistema, incluindo execução de comandos, comunicação externa e integrações automáticas. Isso amplia o risco de ataques na cadeia de suprimentos de software, especialmente em ambientes de desenvolvimento que utilizam assistentes de IA com permissões ampliadas.
- Google desmantela campanha global do grupo UNC2814 após 53 invasões em 42 países
O Google anunciou nesta quarta-feira que, em parceria com empresas do setor, desmantelou a infraestrutura de um grupo de ciberespionagem com suposta ligação com a China, identificado como UNC2814 , responsável por comprometer ao menos 53 organizações em 42 países. Segundo relatório publicado pelo Google Threat Intelligence Group (GTIG) e pela Mandiant , o grupo tem histórico de ataques contra governos e operadoras de telecomunicações na África, Ásia e Américas. Há indícios de que outras 20 nações também tenham sido impactadas. A campanha foi classificada como uma das mais amplas e impactantes já observadas nos últimos anos. Backdoor GRIDTIDE: espionagem via Google Sheets No centro da operação está um backdoor inédito chamado GRIDTIDE , desenvolvido em linguagem C. O malware utiliza a API do Google Sheets como canal de comunicação para comando e controle (C2), disfarçando o tráfego malicioso como se fosse atividade legítima em aplicações SaaS. O mecanismo funciona por meio de uma planilha estruturada com células específicas: A1 : recebe comandos do invasor e devolve status de execução A2 até An : transferência de dados e saída de comandos V1 : armazenamento de informações do sistema comprometido Essa técnica permite comunicação bidirecional entre o dispositivo infectado e o operador do ataque, facilitando execução de comandos remotos, upload e download de arquivos. Embora nem todos os incidentes confirmem o uso do GRIDTIDE, há indícios de que muitas organizações permaneceram comprometidas por anos sem detecção. Técnicas de movimentação lateral e persistência Ainda não está claro como o acesso inicial foi obtido, mas o grupo possui histórico de exploração de servidores web e dispositivos de borda de rede — alvos frequentes por normalmente não possuírem ferramentas robustas de detecção de malware. Entre as técnicas observadas: Uso de contas de serviço para movimentação lateral via SSH Abuso de ferramentas legítimas do sistema (Living-off-the-Land - LotL) para reconhecimento e escalonamento de privilégios Criação de serviço persistente em /etc/systemd/system/xapt.service Execução do malware a partir de /usr/sbin/xapt Implantação do SoftEther VPN Bridge para comunicação criptografada externa O uso do SoftEther VPN já foi associado anteriormente a outros grupos chineses de espionagem digital. Há evidências de que o malware foi implantado em sistemas contendo dados pessoais sensíveis (PII), reforçando o caráter de espionagem direcionada. Apesar disso, o Google afirmou não ter identificado exfiltração de dados durante o período monitorado. Resposta do Google e impacto global Como parte da operação de contenção, o Google: Encerrrou todos os projetos Google Cloud controlados pelo grupo Desativou a infraestrutura identificada Bloqueou contas utilizadas pelo invasor Interrompeu chamadas à API do Google Sheets usadas como C2 Notificou formalmente todas as vítimas De acordo com o Google, a escala global da campanha com operações confirmadas ou suspeitas em mais de 70 países demonstra o alto grau de sofisticação e planejamento do grupo. A expectativa é que o UNC2814 tente reconstruir sua presença global, embora campanhas dessa magnitude exijam anos de preparação e não sejam facilmente restabelecidas.
- Falha crítica na Cisco SD-WAN é explorada desde 2023 e garante acesso administrativo a invasores
Uma vulnerabilidade de gravidade máxima (CVSS 10.0) foi identificada nos sistemas Cisco Catalyst SD-WAN Controller e Cisco Catalyst SD-WAN Manager , permitindo que invasores remotos, sem autenticação, obtenham privilégios administrativos completos nos ambientes afetados. A falha, catalogada como CVE-2026-20127 , já vinha sendo explorada ativamente desde 2023, segundo autoridades australianas e a própria fabricante. O problema permite o envio de uma requisição especialmente manipulada ao sistema vulnerável, possibilitando o bypass do mecanismo de autenticação e a obtenção de privilégios elevados como usuário interno de alto nível (não-root). Apesar de não conceder acesso root imediato, o nível de acesso obtido já é suficiente para comprometer toda a malha SD-WAN da organização. Como a falha funciona De acordo com comunicado oficial da Cisco, a vulnerabilidade existe porque o mecanismo de autenticação de peering não funciona corretamente. Com isso, um hacker pode: Criar um “peer” malicioso na camada de gerenciamento (management plane) ou controle (control plane); Manipular configurações de rede via NETCONF (porta 830); Executar ações consideradas confiáveis dentro da infraestrutura SD-WAN. O Australian Cyber Security Centre (ASD-ACSC) confirmou que o grupo identificado como UAT-8616 , classificado como altamente sofisticado, tem explorado a falha para comprometer ambientes corporativos desde 2023. Segundo o órgão, o invasor cria um dispositivo SD-WAN malicioso temporário que passa a integrar o ambiente como um componente legítimo da rede, permitindo movimentação lateral e execução de comandos privilegiados. Escalonamento para root e técnicas de persistência Após comprometer sistemas expostos à internet, os hackers utilizavam o mecanismo interno de atualização da própria plataforma para forçar um downgrade da versão do software e explorar outra vulnerabilidade conhecida: CVE-2022-20775 (CVSS 7.8), falha de escalonamento de privilégios na CLI do Cisco SD-WAN. O fluxo identificado inclui: Downgrade da versão do sistema; Exploração da CVE-2022-20775 para obter acesso root; Restauração da versão original para evitar suspeitas. Entre as ações pós-comprometimento observadas estão: Criação de contas locais que imitavam usuários legítimos; Inclusão de chave SSH autorizada para acesso root; Modificação de scripts de inicialização do SD-WAN; Conexões internas via SSH e NETCONF; Limpeza de logs em /var/log, histórico de comandos e registros de conexão. A atividade reforça uma tendência crescente: o direcionamento de dispositivos de borda de rede como porta de entrada para infraestruturas críticas e ambientes corporativos de alto valor. Ambientes afetados A falha impacta múltiplos modelos de implantação: On-Premises Cisco Hosted SD-WAN Cloud Cisco Hosted SD-WAN Cloud – Cisco Managed Cisco Hosted SD-WAN Cloud – FedRAMP Sistemas expostos diretamente à internet estão em risco elevado. Correções e resposta governamental A Cisco já disponibilizou versões corrigidas para os principais releases afetados e recomenda migração imediata. A empresa também orienta auditoria do arquivo: /var/log/auth.log Buscando entradas como: Accepted publickey for vmanage-admin Oriundas de IPs desconhecidos. Além disso, recomenda-se cruzar os IPs encontrados com os System IPs configurados no WebUI do SD-WAN Manager. Nos Estados Unidos, a Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA) incluiu ambas as vulnerabilidades no catálogo de Vulnerabilidades Conhecidamente Exploradas (KEV), determinando que agências federais apliquem as correções em até 24 horas. A diretiva emergencial 26-03 exige: Inventário completo dos dispositivos SD-WAN; Aplicação imediata de patches; Avaliação de possível comprometimento; Envio de relatórios detalhados até março de 2026. Impacto estratégico A exploração contínua desde 2023 indica que o problema não é apenas técnico, mas estratégico. Dispositivos SD-WAN operam na camada de controle da conectividade corporativa. Um comprometimento nesse nível permite: Interceptação e redirecionamento de tráfego; Manipulação de políticas de roteamento; Persistência invisível na infraestrutura. Para setores de Infraestrutura Crítica, o risco é ainda mais elevado.
- Google atribui ataques com malware CANFAIL a grupo ligado à inteligência russa
O Google revelou que um grupo hacker até então não documentado está por trás de ataques contra organizações ucranianas utilizando o malware CANFAIL. De acordo com o Google Threat Intelligence Group ( GTIG ), há indícios de que o ator esteja ligado a serviços de inteligência da Rússia. Os alvos incluem entidades de defesa, forças militares, órgãos governamentais e empresas do setor de energia em níveis regional e nacional na Ucrânia. Além disso, o grupo demonstrou interesse crescente em organizações do setor aeroespacial, fabricantes ligados à indústria militar e de drones, instituições de pesquisa nuclear e química, além de entidades internacionais envolvidas em monitoramento de conflitos e ajuda humanitária. Segundo a análise divulgada, embora o grupo seja menos sofisticado do que outros atores russos conhecidos, recentemente passou a utilizar modelos de linguagem (LLMs) para superar limitações técnicas. O grupo estaria empregando inteligência artificial para realizar reconhecimento, elaborar iscas de engenharia social e obter respostas técnicas sobre atividades pós-comprometimento e infraestrutura de comando e controle (C2). Campanhas recentes envolveram a personificação de empresas legítimas do setor de energia na Ucrânia para obter acesso não autorizado a contas de e-mail corporativas e pessoais. Em alguns casos, os hackers se passaram por uma empresa romena de energia com atuação na Ucrânia, além de conduzirem reconhecimento contra organizações na Moldávia. Para aumentar a eficácia das campanhas, os invasores geram listas de e-mails segmentadas por região e setor econômico com base em pesquisas prévias. Como funciona o malware CANFAIL As cadeias de ataque geralmente incluem iscas geradas por LLMs e links do Google Drive que levam a um arquivo RAR contendo o malware. O CANFAIL é um malware em JavaScript ofuscado, frequentemente disfarçado com dupla extensão para simular um arquivo PDF (*.pdf.js). Após a execução, ele: Dispara um script PowerShell. Baixa um dropper PowerShell executado apenas em memória. Exibe uma falsa mensagem de erro para enganar a vítima. Esse método dificulta a detecção por soluções tradicionais de segurança, especialmente por utilizar execução em memória. O Google também relacionou o grupo à campanha PhantomCaptcha, previamente divulgada por pesquisadores da SentinelLABS. Essa operação utilizava e-mails de phishing direcionando vítimas a páginas falsas com instruções no estilo ClickFix para ativar a sequência de infecção. O objetivo final era implantar um trojan baseado em WebSocket, voltado para controle remoto e espionagem. Os ataques reforçam a intensificação da guerra cibernética associada ao conflito na Ucrânia. O uso de IA para criar campanhas mais convincentes indica uma evolução tática, mesmo por grupos considerados menos estruturados. A combinação de phishing segmentado, execução em memória e uso de serviços legítimos como Google Drive demonstra como campanhas modernas exploram tanto engenharia social quanto técnicas de evasão.
- Microsoft revela ataque ClickFix que usa DNS e nslookup para preparar malware
Microsoft divulgou detalhes de uma nova variante da técnica de engenharia social conhecida como ClickFix, que agora utiliza consultas DNS via comando nslookup para preparar e entregar workloads maliciosas . O ataque engana usuários para que executem manualmente comandos no Windows, normalmente por meio da caixa “Executar” (Win+R). Ao rodar o comando, o sistema realiza uma consulta DNS contra um servidor externo controlado pelo invasor. O resultado dessa consulta especificamente o campo Name: retornado é tratado como a próxima etapa da execução maliciosa. Segundo a equipe de inteligência de ameaças da Microsoft, essa variação usa o DNS como um canal leve de staging, reduzindo dependência de requisições HTTP tradicionais e permitindo que a atividade maliciosa se misture ao tráfego legítimo da rede. O ClickFix se popularizou nos últimos dois anos por explorar confiança processual e não vulnerabilidades técnicas. Ele costuma aparecer em páginas falsas de CAPTCHA, alertas inexistentes de erro ou instruções para “corrigir” problemas fictícios no computador. A técnica já gerou múltiplas variantes, como FileFix, CrashFix, ConsentFix e GlitchFix. O ponto central é sempre o mesmo: convencer a vítima a executar o código por conta própria, contornando controles de segurança tradicionais. No novo cenário baseado em DNS, o ataque segue esta cadeia: Execução manual de comando via cmd.exe. Consulta DNS contra servidor externo. Extração da resposta DNS como carga secundária. Download de um arquivo ZIP hospedado externamente. Execução de script Python malicioso. Implantação do trojan de acesso remoto ModeloRAT. Criação de persistência via arquivo LNK na pasta de inicialização do Windows. Lumma Stealer e CastleLoader ganham força Paralelamente, a Bitdefender alertou para aumento nas campanhas do Lumma Stealer, frequentemente distribuído por meio de páginas falsas de CAPTCHA no estilo ClickFix. Um dos principais vetores é o CastleLoader, associado ao grupo hacker GrayBravo. O loader inclui verificações contra ambientes virtualizados e soluções de segurança antes de descriptografar e executar o malware em memória. Mesmo após ações de repressão policial em 2025, o Lumma Stealer continua ativo, migrando rapidamente entre provedores de hospedagem e adotando novos loaders, como o RenEngine Loader e o Hijack Loader. A maioria das infecções recentes foi registrada na Índia, França, Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Brasil. macOS também na mira O uso de técnicas ClickFix não se limita ao Windows. Diversas campanhas recentes miraram usuários de macOS, explorando: Falsos artigos técnicos em plataformas como Medium. Anúncios patrocinados em motores de busca. Links compartilhados via serviços legítimos como Claude ou Evernote. Scripts AppleScript que abusam de permissões do sistema (TCC). Stealers como Odyssey Stealer (derivado do Atomic macOS Stealer) e outras variantes priorizam o roubo de criptomoedas, atacando mais de 200 extensões de carteiras em navegadores. Segundo pesquisadores, a falsa percepção de que “Mac não pega vírus” continua sendo um fator crítico de risco. Tendência preocupante Especialistas destacam que a eficácia do ClickFix está no abuso da confiança do usuário. As instruções parecem legítimas semelhantes a passos de suporte técnico levando vítimas a executar código arbitrário sem perceber. A recomendação é reforçar treinamento contra engenharia social, monitorar atividades incomuns no terminal e no PowerShell, e implementar detecção específica para TTPs voltadas a macOS e Windows.
- Ring cancela parceria com Flock Safety após críticas sobre vigilância e uso policial
A Ring, empresa de segurança residencial da Amazon, anunciou que não seguirá com a parceria firmada em outubro com a Flock Safety companhia que opera uma rede de câmeras com inteligência artificial amplamente utilizada por forças policiais e agências federais nos Estados Unidos. O acordo permitiria que usuários de campainhas inteligentes da Ring compartilhassem imagens com a rede da Flock para apoiar investigações e coleta de evidências. Segundo comunicado oficial, a decisão foi tomada em conjunto porque a integração exigiria “mais tempo e recursos do que o previsto”. A Flock mantém dezenas de milhares de câmeras com recursos de busca por linguagem natural, permitindo que autoridades filtrem imagens com base em descrições específicas. A tecnologia já foi utilizada por órgãos como ICE, Secret Service e Marinha dos EUA, embora a empresa afirme não trabalhar explicitamente com o ICE. A decisão ocorre dias após um comercial da Ring no Super Bowl divulgar o recurso “Search Party”, que utiliza IA para localizar animais perdidos a partir de uma rede de câmeras do bairro. A campanha gerou críticas sobre o potencial uso da tecnologia para monitoramento de pessoas. Embora a Ring tenha declarado que seu sistema não processa biometria humana, a empresa lançou recentemente o recurso “Familiar Faces”, que permite identificar rostos previamente cadastrados pelos usuários funcionalidade semelhante a sistemas de reconhecimento facial. A Ring já enfrentou questionamentos relacionados à privacidade. Em 2023, a FTC determinou o pagamento de US$ 5,8 milhões após acusações de que funcionários e terceiros tinham acesso indevido a vídeos de clientes. Mesmo com o cancelamento da parceria com a Flock, a Ring ainda permite que usuários compartilhem voluntariamente imagens com autoridades por meio de outros acordos, como a parceria com a Axon.












