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Discord adia política de verificação de idade diante de pressão regulatória e reação negativa dos usuários


A plataforma de comunicação amplamente utilizada por gamers e comunidades online, o Discord, anunciou que decidiu adiar e reformular sua nova política global de verificação de idade após semanas de forte reação negativa por parte dos usuários.


A medida, originalmente apresentada no início de fevereiro, previa mecanismos mais rígidos de comprovação etária.


De acordo com publicação oficial assinada pelo CTO e cofundador Stanislav Vishnevskiy, o lançamento da política foi postergado para o segundo semestre de 2026. Além do adiamento, a empresa informou que está promovendo ajustes significativos no modelo inicialmente proposto.


Entre as mudanças previstas está a ampliação das opções de verificação. Além do envio de documento oficial com foto ou selfie em vídeo — pontos que geraram maior preocupação entre usuários — a plataforma pretende incluir alternativas como verificação por cartão de crédito.


A empresa também afirmou que irá adotar maior transparência sobre os fornecedores responsáveis pelos processos de verificação, publicando em seu site detalhes sobre cada parceiro e suas práticas de tratamento de dados.


Antes da implementação definitiva, o Discord planeja divulgar um post técnico explicando como funcionam seus sistemas de “determinação de idade”, com o objetivo de esclarecer dúvidas e reduzir desinformação.


Reação da comunidade e falhas de comunicação

No comunicado, Vishnevskiy reconheceu que a empresa falhou ao comunicar claramente o impacto real da política. Segundo ele, mais de 90% dos usuários não seriam afetados pelas exigências formais de envio de documento ou biometria facial.


A empresa afirma já utilizar sistemas internos de segurança capazes de estimar a idade de usuários adultos com base em múltiplos fatores comportamentais e técnicos, sem necessidade de coleta de identidade oficial na maioria dos casos.


“O modo como isso foi comunicado levou muitos a acreditarem que estaríamos exigindo escaneamento facial e envio de documentos de todos apenas para usar o Discord. Isso não é o que está acontecendo. Mas o fato de tantos terem entendido assim mostra que falhamos em explicar com clareza”, destacou a publicação.


Pressão regulatória global acelera mudanças

O adiamento não significa abandono da política. Pelo contrário: a empresa deixou claro que precisa se antecipar a um cenário regulatório cada vez mais rigoroso.


Em dezembro, a Austrália proibiu o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. No Reino Unido e em diversos países da Europa, autoridades vêm discutindo ou preparando restrições semelhantes. Segundo o comunicado, o Brasil também deve avançar rapidamente nessa agenda, enquanto vários estados dos Estados Unidos estudam legislações similares.


A empresa argumenta que, ao desenvolver internamente seus próprios mecanismos de verificação, poderá demonstrar aos reguladores que é possível garantir a verificação etária sem necessariamente coletar dados de identidade sensíveis de todos os usuários — um ponto crítico em debates sobre privacidade e proteção de dados.

 
 
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