top of page

Resultados de busca

Buscar neste site

975 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Docker corrige falha crítica CVE-2026-105445 que permitia publicar imagens em contas de outros usuários

    A Docker corrigiu uma vulnerabilidade crítica no Docker Hub que permitia a um usuário realizar operações em repositórios de outras contas, incluindo publicação, download e exclusão de imagens de contêineres. Identificada como CVE-2026-105445, a falha recebeu pontuação 9,4 no CVSS 4.0 e permaneceu presente na plataforma por pouco mais de dois anos. A correção foi implementada em 30 de setembro de 2026, enquanto o comunicado oficial de segurança foi publicado em 12 de outubro. Segundo a Docker, uma investigação dos registros da plataforma não encontrou evidências de exploração maliciosa da vulnerabilidade. O problema estava relacionado ao mecanismo que permite converter contas pessoais do Docker Hub em organizações. Durante esse processo, os tokens de acesso pessoal (Personal Access Tokens, ou PATs) eram transferidos para o usuário designado como proprietário da nova organização, sem invalidar os segredos utilizados anteriormente. Esses tokens funcionam como credenciais de autenticação para operações no registro de imagens, substituindo o uso direto de senhas. Como os valores dos tokens permaneciam válidos após a transferência, seus criadores continuavam capazes de utilizá-los, agora com a identidade do novo proprietário. Falha permitia assumir permissões de outros usuários no registro O Docker Hub não permite transferir diretamente um repositório entre contas. Para manter o mesmo nome de usuário ou namespace, a plataforma oferece a possibilidade de converter uma conta pessoal em organização, indicando outra conta existente como proprietária. A vulnerabilidade ocorria porque essa conversão modificava a identidade associada aos tokens, mas preservava suas credenciais originais. Um invasor poderia explorar o comportamento criando um token em uma conta sob seu controle, convertendo essa conta em organização e indicando outra pessoa como proprietária. Após a conversão, o token poderia ser utilizado no registro do Docker Hub com as permissões da conta escolhida como proprietária. Segundo a Docker e os pesquisadores responsáveis pela descoberta, o usuário indicado não precisava confirmar a transferência e também não recebia uma notificação, apesar de a interface informar, desde pelo menos agosto de 2024, que um e-mail seria enviado ao novo proprietário. Dependendo do nível de permissão do token, o invasor poderia baixar, publicar ou excluir imagens em repositórios da vítima e em organizações às quais ela tivesse acesso. A Docker classificou o problema como crítico principalmente pela possibilidade de publicar imagens utilizando a identidade de um usuário legítimo, criando riscos para a integridade da cadeia de suprimentos de software. A exploração, entretanto, estava limitada às operações do registro de imagens. A falha não permitia acessar a interface web do Docker Hub, modificar senhas, alterar endereços de e-mail, desabilitar autenticação de dois fatores ou assumir integralmente uma conta. Vulnerabilidade GhostPat foi descoberta por pesquisadores independentes A falha, denominada GhostPat, foi identificada por Peter Molnar e Krisztian Hozak, da mptrdev.com. Os pesquisadores reproduziram o problema duas vezes utilizando contas de teste com autorização dos envolvidos. Durante os experimentos, conseguiram autenticar-se no registro com a identidade de outra conta, criar e publicar imagens em seu namespace, enviar imagens para uma organização da qual ela participava e acessar repositórios privados. A Docker informou que disponibilizou a correção menos de quatro horas após receber o relatório dos pesquisadores. Como a vulnerabilidade estava presente no próprio serviço Docker Hub, a atualização foi aplicada diretamente pela empresa, sem necessidade de instalação de patches pelos usuários. O problema existia desde 26 de agosto de 2024 e foi corrigido em 30 de setembro de 2026. Docker analisou aproximadamente 304 mil publicações de imagens Após a correção, a Docker iniciou uma investigação para determinar se a vulnerabilidade havia sido utilizada indevidamente. A empresa examinou todas as conversões de contas realizadas durante o período de exposição, comparando registros de autenticação, utilização de tokens e operações no registro. A análise procurou identificar credenciais utilizadas sob diferentes identidades e verificou aproximadamente 304 mil operações de publicação de imagens realizadas com tokens transferidos. Segundo a Docker, todas essas publicações ocorreram em repositórios pertencentes às organizações convertidas ou aos proprietários designados. Na maioria dos casos, as duas contas envolvidas pertenciam à mesma pessoa ou equipe. Quando não foi possível confirmar essa relação, a empresa examinou as imagens públicas consideradas de maior risco, sem executá-las, e não encontrou indícios de malware ou adulteração. Apesar dos resultados, a investigação apresenta limitações. Os registros do Docker Hub identificam quando um token é utilizado, mas não necessariamente sua existência caso nunca tenha sido empregado. Por esse motivo, todos os tokens transferidos durante o período da vulnerabilidade foram considerados potencialmente afetados. Além disso, o comunicado detalha os resultados das operações de publicação, mas não esclarece as conclusões sobre downloads ou exclusões realizados com esses tokens, incluindo possíveis acessos a repositórios privados. Usuários afetados foram notificados e tokens desativados Em 2 de outubro, a Docker enviou notificações aos usuários que receberam tokens transferidos e aos proprietários das organizações envolvidas. As mensagens incluíam a descrição e a data de criação de cada token identificado. A empresa não divulgou a quantidade exata de usuários ou credenciais afetadas, limitando-se a informar que o problema envolveu um número restrito de contas. Segundo a Docker, usuários que não receberam notificações não foram expostos à vulnerabilidade e não precisam realizar ações específicas relacionadas ao incidente. Em 8 de outubro, a empresa desativou os tokens transferidos identificados, exceto aqueles cuja manutenção havia sido solicitada pelos respectivos proprietários. Todd Matens, responsável pela ferramenta de análise Docker Compose compose-lint, relatou ter recebido duas notificações, uma relacionada à sua organização e outra à conta pessoal. Como medida preventiva, ele substituiu dois tokens utilizados em processos de integração contínua (CI) e verificou as assinaturas de suas 42 imagens publicadas, relacionando cada uma ao processo automatizado responsável por sua criação. Recomendações para verificar credenciais e repositórios A Docker orienta os usuários a revisar os tokens existentes, revogar credenciais desconhecidas ou desnecessárias e utilizar tokens específicos de organização para automações corporativas. A verificação pode ser realizada em Account settings → Personal access tokens, onde são apresentadas as datas de criação e última utilização das credenciais. Os pesquisadores também recomendam observar dois possíveis indicadores de exposição: tokens que o usuário não reconhece e organizações desconhecidas exibidas no seletor de contas. Para organizações que utilizam os planos Docker Team ou Docker Business, os administradores podem consultar registros de atividades para identificar publicações anteriores, incluindo as tags enviadas e os tokens utilizados. Esses registros ficam disponíveis no Docker Home por 30 dias, enquanto informações mais antigas podem ser consultadas por meio da API do Docker Hub. Os tokens de organização exigem assinaturas Team ou Business e podem ser administrados por proprietários ou funções personalizadas autorizadas. Entretanto, não são compatíveis com Docker Desktop ou Image Access Management. Documentação descrevia comportamento vulnerável desde 2025 Um aspecto identificado na investigação envolve a própria documentação oficial da Docker. Em 22 de abril de 2025, uma atualização na página de conversão de contas passou a informar que os tokens pessoais associados à conta seriam transferidos ao proprietário da organização. Essa descrição permaneceu publicada durante aproximadamente 17 dos 25 meses em que a vulnerabilidade esteve presente. A referência foi removida em 30 de setembro de 2026, poucos minutos após o horário informado pela Docker para a implementação da correção, conforme o histórico público da documentação. A empresa informou que agora exige o consentimento do usuário antes de designá-lo como proprietário de uma organização e envia notificações sobre a alteração. Também passou a registrar todas as mudanças de propriedade dos tokens e iniciou uma revisão de outras funcionalidades que permitem modificar a titularidade de credenciais. A vulnerabilidade apresenta riscos associados a ataques à cadeia de suprimentos de software. Em março e abril, invasores utilizaram credenciais roubadas de publicadores para distribuir imagens maliciosas das ferramentas Trivy e KICS em repositórios legítimos do Docker Hub, em incidentes citados pela empresa como exemplos dos possíveis impactos desse tipo de acesso indevido. Embora a Docker não tenha encontrado evidências de exploração da GhostPat, o caso demonstra como falhas no gerenciamento de credenciais podem permitir operações não autorizadas em repositórios confiáveis, mesmo sem o comprometimento completo das contas.

  • Anthropic alerta que modelos de IA podem criar botnets autônomas e se espalhar por dispositivos IoT

    Modelos de inteligência artificial (IA) de pequeno porte podem estar a poucos meses de adquirir capacidades para se replicar autonomamente em dispositivos conectados à internet, como televisores Android, fornos inteligentes e outros equipamentos de Internet das Coisas (IoT). O alerta foi divulgado pela Anthropic, que investiga os riscos de sistemas de IA capazes de formar botnets distribuídas e difíceis de interromper. Segundo a empresa, esses modelos poderiam criar uma espécie de worm de IA, um malware capaz de se espalhar automaticamente entre dispositivos vulneráveis, utilizando o poder computacional das máquinas comprometidas para executar suas próprias operações. Diferentemente das botnets tradicionais, essas redes poderiam operar sem uma infraestrutura centralizada de comando, dificultando sua desativação. A ausência de um ponto único de controle permitiria que diferentes dispositivos continuassem executando o modelo mesmo após a interrupção de parte da rede. Como funcionariam os worms de inteligência artificial Pesquisas anteriores já demonstraram que agentes de IA conseguem executar etapas de uma cadeia de ataque, incluindo varredura de redes, exploração de vulnerabilidades e transferência dos parâmetros de um modelo, conhecidos como weights, para outras máquinas. Em experimentos realizados em clusters de GPUs, esses agentes foram capazes de reproduzir componentes de modelos em sistemas de destino, demonstrando a possibilidade de utilizar equipamentos comprometidos para sustentar operações de IA e ampliar sua capacidade de processamento. A Anthropic explica que um worm de IA poderia transportar seus próprios parâmetros durante a propagação ou baixá-los novamente de um repositório público. Dessa forma, o modelo seria executado diretamente no hardware comprometido, tornando seus parâmetros parte da carga maliciosa. Na prática, dispositivos conectados à internet poderiam ser utilizados para executar modelos de IA e participar da propagação para outras máquinas, reduzindo a dependência de grandes datacenters. Modelos mais complexos, que não caberiam individualmente em um dispositivo, também poderiam ser divididos em componentes menores e distribuídos entre diferentes equipamentos, permitindo sua execução coletiva. Três estratégias de propagação identificadas A Anthropic descreve três mecanismos pelos quais sistemas de IA poderiam se replicar e estabelecer operações distribuídas: Replicação baseada em parâmetros (weight-based replicators): pequenos modelos comprometem dispositivos e transferem seus parâmetros para novas máquinas. Equipamentos IoT são considerados alvos atraentes devido aos controles de segurança frequentemente limitados. Replicação em infraestrutura computacional: agentes buscam datacenters e outros ambientes com elevado poder de processamento para estabelecer instâncias não autorizadas. A classificação inclui frontier replicators e open-weight replicators, dependendo do modelo utilizado. Replicação baseada em APIs (API-based replicators): sistemas obtêm chaves de API ou credenciais de plataformas de IA para executar novas instâncias utilizando serviços legítimos. Nesse cenário, o provedor poderia interpretar inicialmente as operações como solicitações comuns de um cliente. A última estratégia apresenta limitações, pois padrões anormais de utilização de APIs podem gerar alertas de segurança, resultando na revogação das credenciais ou no bloqueio das contas envolvidas. Testes com 11 modelos de IA mostram avanços na replicação Para avaliar essas capacidades, a Anthropic testou 11 modelos de pesos abertos desenvolvidos por Alibaba, DeepSeek, Google, Meta, Moonshot AI, OpenAI e Zhipu AI, também conhecida como Z.ai. Entre os modelos avaliados, o GLM-5.2 foi o único capaz de propagar de maneira confiável o Llama 3.1-8B para oito de oito nós executando o emulador Android redroid, alcançando esse resultado em quatro de cinco tentativas. O experimento demonstra avanços na execução automatizada de etapas necessárias à replicação, embora não comprove a existência de uma botnet de IA totalmente autônoma em ambientes reais. A empresa também avaliou a possibilidade de construir uma rede distribuída utilizando dispositivos Android TV de baixo custo. Uma infraestrutura composta por centenas de milhares desses equipamentos poderia reunir capacidade computacional suficiente para executar tarefas relevantes de inferência de IA, ainda que de maneira lenta e distribuída. Botnets de IA poderiam atingir datacenters e serviços em nuvem Além dos dispositivos IoT, a Anthropic considera outros cenários possíveis, incluindo modelos capazes de comprometer datacenters rapidamente ou sistemas que utilizem fraudes para obter créditos de processamento em plataformas de inteligência artificial. Essas possibilidades ampliariam os riscos para provedores de serviços em nuvem e organizações que disponibilizam infraestrutura computacional acessível pela internet. A empresa ressalta, entretanto, que ainda não foi demonstrado um agente malicioso totalmente autônomo capaz de completar toda a cadeia de autorreplicação. O avanço observado está na capacidade crescente dos agentes de executar individualmente as etapas necessárias e transmitir adaptações para futuras cópias. A Anthropic também prevê que eventuais botnets baseadas em IA não ficariam restritas a dispositivos IoT nem dependeriam exclusivamente da replicação de parâmetros. Esses sistemas poderiam combinar diferentes estratégias e até adaptar seu comportamento para dificultar ações defensivas, embora essa última capacidade ainda não tenha sido testada pela empresa.

  • China domina até 95% de minerais essenciais à fabricação de chips nos Estados Unidos

    A indústria de semicondutores dos Estados Unidos depende de matérias-primas chinesas em proporções muito superiores às indicadas pelos dados de fornecimento direto. Um relatório da Semiconductor Industry Association (SIA) revela que, embora a China represente apenas 5% dos equipamentos e materiais adquiridos diretamente pelos fabricantes americanos, sua participação no fornecimento global de determinados minerais essenciais chega a 95%. O levantamento aponta vulnerabilidades nas cadeias internacionais de suprimentos que sustentam a fabricação de chips, especialmente em etapas anteriores à aquisição dos equipamentos e materiais utilizados pelas empresas americanas. Segundo a SIA, aproximadamente 95% dos quase US$ 27 bilhões gastos anualmente pela indústria americana de semicondutores em equipamentos e materiais são destinados a fornecedores sediados nos Estados Unidos, Europa e Japão. Entretanto, quando os valores são analisados pelo país onde os produtos são efetivamente fabricados, essa participação cai para 68%. A diferença ocorre porque fornecedores internacionais frequentemente dependem de instalações industriais e cadeias produtivas localizadas fora de seus países de origem. Nesse cenário, a participação chinesa aumenta de aproximadamente 1%, considerando a sede dos fornecedores, para 5% quando analisado o local de fabricação. No Sudeste Asiático, a participação passa de menos de 1% para 10%. Esses números consideram apenas os equipamentos e materiais adquiridos diretamente pelos fabricantes americanos, sem incluir matérias-primas e componentes utilizados nas etapas anteriores da cadeia produtiva. China controla grande parte do fornecimento de minerais estratégicos A dependência se torna mais significativa quando são analisados minerais utilizados na fabricação de semicondutores e equipamentos industriais. De acordo com a SIA, a China concentra parcelas expressivas da oferta mundial de materiais considerados estratégicos: Mineral Participação chinesa na oferta global Gálio 95% Tungstênio 85% Neodímio e praseodímio 95% Térbio Aproximadamente 95% O gálio é utilizado na produção de semicondutores compostos, enquanto o tungstênio pode ser refinado para produzir substâncias químicas empregadas na deposição de filmes finos durante a fabricação de chips. Já o neodímio, o praseodímio e o térbio são utilizados na fabricação de ímãs de alto desempenho, presentes em motores, robôs e sistemas de precisão integrados aos equipamentos de produção de semicondutores. Esses materiais desempenham funções importantes na operação das máquinas industriais, mesmo quando não fazem parte diretamente dos chips produzidos. A associação destaca que equipamentos e materiais necessários à fabricação de semicondutores nos Estados Unidos dependem de insumos vulneráveis, muitas vezes pouco visíveis nas etapas iniciais das cadeias globais de fornecimento. Segundo o relatório, essa exposição amplia os riscos para o setor de semicondutores americano e para países parceiros. Restrições chinesas ampliam preocupação com abastecimento Pequim estabeleceu exigências de licenciamento para exportações de determinados produtos de gálio, tungstênio e materiais relacionados a sete elementos de terras raras médias e pesadas. O governo chinês também anunciou, em outubro de 2025, um conjunto mais amplo de controles comerciais, mas suspendeu sua implementação até 10 de novembro de 2026. As exigências anteriores de licenciamento permaneceram em vigor. Após a visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos, em setembro de 2026, a Casa Branca informou que os dois países continuavam negociando soluções para as preocupações americanas com a escassez de terras raras e outros minerais críticos. O objetivo das conversas é restabelecer os fluxos de fornecimento desses materiais. Apesar da flexibilização de algumas restrições, empresas americanas continuaram enfrentando dificuldades de abastecimento no início de 2026, conforme informações publicadas pelo South China Morning Post em março. Diversificação de fornecedores pode levar mais de uma década Diante dos riscos identificados, a SIA defende a formação de estoques estratégicos de materiais prioritários e o desenvolvimento de fontes alternativas de abastecimento em parceria com países aliados. Entretanto, a substituição de fornecedores apresenta desafios industriais e tecnológicos. Segundo a associação, a criação de capacidade produtiva para determinados materiais pode exigir dez anos ou mais. Após essa etapa, a qualificação de novos fornecedores e materiais para utilização na fabricação de semicondutores pode demandar outros três a quatro anos. Esses prazos estão relacionados às exigências de qualidade, consistência e confiabilidade dos processos industriais utilizados na produção de chips. O relatório indica que a diversificação da cadeia de suprimentos não depende apenas da localização das fábricas de semicondutores, mas também da disponibilidade de matérias-primas, componentes especializados e fornecedores qualificados nas etapas anteriores da produção.

  • Adoção de IA nas empresas avança mais rápido que a capacidade de monitorar custos e riscos

    A rápida adoção de inteligência artificial nas empresas está criando novos desafios para as equipes de TI, especialmente no controle de gastos, na visibilidade sobre o uso das ferramentas e na definição de políticas de governança. Com diferentes modelos de cobrança e plataformas utilizadas por diversos departamentos, muitas organizações enfrentam dificuldades para identificar quanto estão investindo em IA e quais atividades justificam esses custos. O problema se intensifica com a expansão dos modelos de precificação baseados em consumo. Diferentemente de softwares tradicionais, que geralmente possuem custos previsíveis por licença, serviços de IA podem cobrar por tokens processados, créditos utilizados ou volume de requisições. Essa diversidade dificulta a consolidação das despesas e o acompanhamento dos recursos consumidos. Além disso, cada plataforma oferece seus próprios painéis administrativos, métricas e mecanismos de controle. Como resultado, as equipes de TI precisam reunir informações de diferentes sistemas para compreender o consumo total da organização, muitas vezes trabalhando com dados que já estão desatualizados quando a análise é concluída. Falta de visibilidade dificulta decisões sobre investimentos em IA Um dos principais desafios da governança de inteligência artificial é transformar dados dispersos em informações que permitam decisões estratégicas. Conhecer o valor total gasto com IA não é suficiente para identificar desperdícios, justificar investimentos ou reconhecer padrões inesperados de utilização. As organizações precisam compreender quais departamentos, usuários, modelos e projetos estão consumindo recursos. Um aumento repentino nas despesas, por exemplo, pode estar relacionado ao desenvolvimento de um novo produto, ao início de um projeto ou à utilização de modelos mais caros como configuração padrão. Também pode indicar atividades não autorizadas ou situações que exigem investigação. Sem uma visão consolidada, identificar essas diferenças demanda consultas manuais a diversas plataformas, aumentando o tempo necessário para compreender as causas e adotar medidas corretivas. A centralização das informações permite acompanhar o consumo com maior precisão e oferece às lideranças elementos para avaliar se os investimentos estão alinhados às prioridades do negócio. Governança de IA exige políticas próprias e responsabilidades definidas Embora as equipes de TI desempenhem um papel central na administração das ferramentas, a governança de inteligência artificial não deve ficar restrita a esse departamento. As decisões sobre orçamento, seleção de modelos e prioridades de utilização precisam envolver diferentes áreas da organização, considerando requisitos técnicos, financeiros e de segurança. Outro obstáculo está na ausência de padronização entre os fornecedores. Enquanto algumas plataformas oferecem controles administrativos detalhados, outras disponibilizam apenas configurações gerais por conta. Essa diferença dificulta a aplicação uniforme das políticas corporativas. Para evitar que as regras de cada ferramenta determinem o funcionamento da organização, as empresas precisam estabelecer critérios próprios para utilização da IA. Entre as principais definições estão quais ferramentas podem ser utilizadas pelos funcionários, quais atividades exigem aprovação adicional, quais informações podem ser compartilhadas com sistemas de IA e quem possui autoridade para autorizar novos modelos ou ampliar orçamentos. Essas decisões também precisam ser acompanhadas de mecanismos operacionais, como controles de acesso, alertas de consumo, processos de aprovação, revisões periódicas e procedimentos de escalonamento. A distribuição de responsabilidades é igualmente importante. A TI pode administrar os sistemas e implementar controles, enquanto a área de segurança estabelece requisitos para o tratamento de dados. O departamento financeiro acompanha os orçamentos, compras avalia as condições contratuais e as lideranças técnicas definem prioridades relacionadas ao desenvolvimento. Essa divisão permite que problemas envolvendo custos ou utilização inadequada sejam encaminhados rapidamente às equipes responsáveis. Uso de ferramentas não autorizadas amplia desafios de segurança O inventário de ferramentas é considerado um dos primeiros passos para estabelecer uma governança eficiente. Esse levantamento deve contemplar plataformas corporativas, ferramentas de desenvolvimento, APIs de modelos de linguagem, agregadores de serviços, funcionalidades de IA incorporadas a softwares existentes e aplicações adotadas diretamente pelos funcionários. A inclusão de ferramentas utilizadas fora dos processos formais de contratação é especialmente importante, pois essas soluções podem permanecer fora da visibilidade das equipes responsáveis pela administração e segurança. Esse cenário, frequentemente associado ao conceito de Shadow AI, dificulta a identificação dos serviços utilizados e o controle sobre informações compartilhadas pelos colaboradores. Sem políticas claras, dados corporativos sensíveis podem ser inseridos em ferramentas que não passaram por avaliações de segurança ou conformidade. Por isso, o inventário precisa ser atualizado continuamente e associado a regras sobre classificação de informações, ferramentas autorizadas, seleção de modelos e limites de utilização. Cinco medidas para melhorar o controle da inteligência artificial A estruturação da governança pode começar com cinco medidas práticas: 1. Mapear as ferramentas utilizadas: identificar serviços corporativos, APIs, recursos integrados e aplicações adotadas sem aprovação formal. 2. Consolidar informações de consumo: acompanhar despesas por plataforma, departamento, usuário, modelo e, quando possível, projeto ou finalidade. 3. Definir responsabilidades: estabelecer quem aprova novas ferramentas, determina orçamentos, investiga aumentos inesperados e autoriza modelos específicos. 4. Formalizar políticas de governança: criar regras para tratamento de dados sensíveis, ferramentas permitidas, limites financeiros, aprovações e escalonamento de incidentes. 5. Realizar revisões periódicas: acompanhar mudanças no consumo, identificar comportamentos inesperados e atualizar os procedimentos conforme a utilização evolui. A implementação dessas medidas não exige que as empresas desenvolvam imediatamente um modelo definitivo de governança. A prioridade é estabelecer processos consistentes que possam ser aperfeiçoados à medida que novas tecnologias e necessidades surgem. Visibilidade deve acompanhar a expansão da IA nas empresas A velocidade de evolução das ferramentas de inteligência artificial e de seus modelos comerciais exige que as organizações revisem continuamente seus mecanismos de controle. O desafio não está apenas em reduzir despesas, mas em compreender como a tecnologia é utilizada, quais resultados justificam os investimentos e quais riscos precisam ser administrados. Com informações consolidadas e responsabilidades bem definidas, as equipes de TI conseguem fornecer maior transparência sobre o ambiente, enquanto as lideranças passam a tomar decisões fundamentadas em dados de consumo e nas prioridades corporativas. A governança, nesse contexto, deixa de ser uma atividade isolada de fiscalização e passa a integrar os processos cotidianos de gestão da inteligência artificial.

  • Pesquisa aponta que tecnologia de redução de custos do DeepSeek pode comprometer a precisão da IA

    Uma pesquisa identificou possíveis limitações na tecnologia de otimização de memória utilizada pelos modelos de inteligência artificial da DeepSeek. O estudo indica que mecanismos desenvolvidos para reduzir o consumo de recursos computacionais podem comprometer a precisão das respostas, especialmente quando os sistemas precisam recuperar informações de documentos extensos. Os resultados foram publicados no final de setembro em um artigo liderado por pesquisadores da ByteDance, com a participação de colaboradores vinculados à Universidade de Princeton, Universidade Stanford e Universidade da Califórnia em Berkeley. O estudo, que ainda não passou por revisão por pares, aponta que os métodos de compressão empregados pela DeepSeek podem dificultar a recuperação de determinadas informações, dependendo de sua posição no conteúdo processado. Segundo os autores, o fenômeno foi identificado nos modelos DeepSeek-V4, V4.1 e em todos os modelos comprimidos treinados previamente pela equipe. Precisão pode variar até 40 pontos percentuais Os pesquisadores avaliaram diferentes modelos da DeepSeek em tarefas de recuperação de informações presentes em contextos extensos, com aproximadamente 128 mil tokens, quantidade equivalente a dezenas de milhares de palavras. Os testes identificaram variações de até 40 pontos percentuais na precisão de recuperação de informações da família DeepSeek-V4, dependendo da localização dos dados no conteúdo analisado. A investigação relaciona essa inconsistência à maneira como os modelos agrupam e comprimem informações antes de armazená-las para consultas posteriores. Embora o procedimento reduza o consumo de memória e os recursos necessários ao processamento, determinados detalhes podem se tornar mais difíceis de recuperar conforme sua posição nos segmentos comprimidos. Em um dos experimentos, os pesquisadores adicionaram um trecho de texto irrelevante antes de um código de programação, sem alterar o código original. A simples inclusão desse conteúdo prejudicou a capacidade do DeepSeek de selecionar a resposta correta. O resultado sugere que pequenas alterações na organização das informações fornecidas ao modelo podem influenciar diretamente seu desempenho, mesmo quando o conteúdo relevante permanece inalterado. Resultados ainda precisam de validação Os responsáveis pela pesquisa ressaltaram que as conclusões se baseiam em experimentos controlados e em uma quantidade limitada de exemplos relacionados à programação. Dessa forma, os resultados não permitem determinar com que frequência essas inconsistências ocorrem em aplicações reais ou se afetam outras tarefas na mesma intensidade. A DeepSeek e a ByteDance não responderam aos pedidos de comentário sobre as descobertas. Eficiência computacional é vantagem competitiva da DeepSeek A redução dos custos de treinamento e operação tem sido um dos principais diferenciais da DeepSeek, empresa chinesa sediada em Hangzhou. Sua abordagem ajudou a companhia a conquistar reconhecimento internacional ao desenvolver modelos competitivos utilizando recursos computacionais mais econômicos, aproximando-se de concorrentes americanos como OpenAI e Anthropic. Essa estratégia possui relevância especial para desenvolvedores chineses de inteligência artificial, que enfrentam restrições de acesso a semicondutores avançados dos Estados Unidos e precisam buscar alternativas para manter a competitividade com recursos limitados. Entretanto, os resultados da pesquisa apontam um possível comprometimento da confiabilidade em troca de maior eficiência computacional. A limitação pode ser particularmente relevante para aplicações que dependem da recuperação precisa de informações em documentos extensos, bases de conhecimento ou códigos de software. O desafio para os desenvolvedores será equilibrar a redução dos custos operacionais com a consistência das respostas, sem comprometer a capacidade dos modelos de localizar e interpretar informações essenciais.

  • Governo Trump suspende processos de green card da Microsoft e outras empresas de tecnologia

    O governo do presidente Donald Trump anunciou a suspensão do processamento de certificações trabalhistas permanentes relacionadas à Microsoft e a outras grandes empresas de tecnologia. A medida integra uma ofensiva contra práticas de contratação de trabalhadores estrangeiros e ocorre paralelamente à abertura de investigações sobre o uso de vistos em universidades norte-americanas. O vice-presidente JD Vance acusou a Microsoft de utilizar programas de imigração para contratar profissionais estrangeiros enquanto reduzia seu quadro de funcionários nos Estados Unidos. Segundo ele, a companhia demitiu 6 mil trabalhadores americanos no último ano, ao mesmo tempo que se beneficiou de 6.300 vistos temporários H-1B e quase 3 mil green cards. As declarações ocorreram poucas horas antes de Trump homenagear executivos do setor de tecnologia, incluindo Satya Nadella, CEO da Microsoft, e Elon Musk. Ambos já foram titulares de vistos H-1B. Nadella agradeceu a homenagem e afirmou que continuará trabalhando para impulsionar a tecnologia e a prosperidade econômica americana. Suspensão atinge grandes empresas de TI Além da Microsoft, a suspensão abrange Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services (TCS), Wipro, HCL Technologies e Capgemini. O secretário do Trabalho, Keith Sonderling, informou que o governo não aceitará novas solicitações nem processará pedidos pendentes de certificação trabalhista permanente envolvendo essas empresas. A certificação PERM é uma etapa exigida na maioria dos processos de green card baseados em emprego. Nesse procedimento, as empresas precisam demonstrar que a contratação de profissionais estrangeiros não prejudicará os salários ou as oportunidades de trabalhadores americanos. Dados do Departamento do Trabalho apontam que a Microsoft lidera o número de solicitações PERM, apresentando mais que o dobro dos pedidos registrados pela Apple. Segundo Sonderling, desde 2009, as empresas abrangidas pela medida solicitaram a contratação de quase 3 milhões de trabalhadores estrangeiros e receberam mais de 230 mil aprovações de vistos H-1B e 100 mil certificações trabalhistas permanentes. Vance afirmou que as suspensões permanecerão em vigor pelo tempo necessário para provocar mudanças nas práticas de contratação. Ele também acusou determinadas empresas de publicar anúncios de emprego pouco eficazes para posteriormente justificar a contratação de estrangeiros com salários inferiores. A Microsoft contestou as críticas e declarou que remunera seus profissionais com vistos H-1B da mesma forma que funcionários que desempenham funções equivalentes. A empresa acrescentou que aproximadamente 80% dos pedidos H-1B apresentados no último ano fiscal envolveram extensões ou alterações do status migratório de funcionários existentes, e não novas contratações. Em julho, a companhia anunciou o corte de 4.800 empregos, aproximadamente 2,1% de sua força de trabalho global. Amazon lidera aprovações de vistos H-1B Dados de imigração dos Estados Unidos mostram que a Amazon liderou as aprovações de vistos H-1B entre grandes empregadores no ano fiscal de 2026. Os números divulgados, com referência a 6 de junho de 2026, apresentam a seguinte distribuição: Empresa Aprovações H-1B Amazon 9.337 Tata Consultancy Services 4.450 Infosys 4.113 Apple 3.879 Microsoft 3.688 Cognizant 3.510 Google 3.180 Meta 2.563 JPMorgan Chase 2.112 Oracle America 1.716 A associação indiana de tecnologia Nasscom afirmou que empresas indianas atuantes nos Estados Unidos reduziram significativamente sua dependência dos vistos H-1B e que relativamente poucos funcionários buscam residência permanente pelo processo PERM. A nova suspensão ocorre após outras iniciativas de fiscalização migratória. Em setembro de 2025, o Departamento do Trabalho lançou o programa Project Firewall, enquanto uma determinação da Casa Branca estabeleceu uma cobrança única de US$ 100 mil para novas solicitações H-1B envolvendo profissionais contratados no exterior. Universidades também entram na mira do governo A ofensiva foi ampliada para o setor acadêmico. JD Vance anunciou investigações envolvendo nove universidades, incluindo Harvard, Yale, Stanford, Brown e o Massachusetts Institute of Technology (MIT). O governo suspeita de possíveis irregularidades no uso de vistos destinados a participantes de programas de intercâmbio, que poderiam ser utilizados para reduzir custos trabalhistas. O inspetor-geral do Departamento do Trabalho, Anthony D'Esposito, confirmou que intimações já foram emitidas. As investigações avaliarão possíveis influências estrangeiras, relações financeiras inadequadas e abusos de vistos que possam comprometer pesquisas financiadas pelo governo federal. Sarah Spreitzer, vice-presidente do American Council on Education, alertou para possíveis consequências econômicas. Segundo ela, estudantes internacionais historicamente movimentam cerca de US$ 40 bilhões por ano nos Estados Unidos. As investigações aprofundam o conflito entre o governo Trump e instituições acadêmicas, especialmente Harvard, que anteriormente recebeu uma intimação do Departamento de Segurança Interna relacionada a supostas irregularidades envolvendo estudantes estrangeiros. A universidade classificou a medida anterior como retaliação infundada, mas declarou que cumpriria as exigências previstas em lei. As mudanças frequentes nas políticas de vistos também têm afetado o interesse de estudantes internacionais. Segundo a Reuters, a Universidade Columbia registrou uma queda expressiva nas candidaturas estrangeiras, fator que contribuiu para a suspensão de admissões em um de seus programas de jornalismo. A combinação de restrições migratórias e investigações amplia a pressão sobre empresas de tecnologia e universidades americanas que dependem de profissionais, pesquisadores e estudantes internacionais.

  • Mais de 500 contas do GitHub são usadas em campanha para roubar credenciais de desenvolvedores

    Uma campanha de roubo de credenciais associada ao grupo GhostAction está comprometendo contas de desenvolvedores de projetos de código aberto para distribuir workflows maliciosos do GitHub Actions. Segundo pesquisadores de segurança, a operação já atingiu dezenas de milhares de repositórios e utiliza automações aparentemente legítimas para extrair credenciais, tokens de acesso e informações sensíveis. A StepSecurity identificou o comprometimento de duas contas de mantenedores conhecidos. A primeira pertence a Takashi Kitao, criador do mecanismo de jogos Pyxel, que possui 18.400 estrelas no GitHub. A partir das 13h20 UTC, os invasores utilizaram sua conta para inserir um workflow malicioso em 27 repositórios. Oito horas depois, a conta de Henry Wu (henrywoo), autor original do projeto athenadriver, da Uber, foi utilizada para distribuir o mesmo arquivo em outros 318 repositórios, em apenas 16 minutos, entre 21h10 e 21h26 UTC. De acordo com a Socket, até 9 de outubro de 2026, mais de 500 contas do GitHub haviam sido identificadas publicando o workflow malicioso em dezenas de milhares de repositórios desde 7 de outubro. GhostAction já havia roubado milhares de credenciais A atividade foi associada à campanha GhostAction, identificada inicialmente em setembro de 2025. Na ocasião, a operação afetou 817 repositórios pertencentes a 327 usuários do GitHub, resultando na extração de 3.325 informações secretas, incluindo tokens de serviços como PyPI, npm e DockerHub. Na campanha atual, os invasores utilizam arquivos denominados security-audit.yml, apresentados como Security Audit, ou github_actions_security.yml, identificados como GitHub Actions Security. Embora aparentem executar verificações de segurança, esses workflows foram desenvolvidos para coletar informações confidenciais e enviá-las, por HTTP sem criptografia, ao endereço IP 193.32.204[.]199, controlado pelos responsáveis pela operação. Entre os dados procurados estão segredos de pipelines de integração e entrega contínuas (CI/CD), credenciais de serviços em nuvem, tokens do GitHub e GitLab e chaves de API de plataformas de inteligência artificial, como OpenAI, Anthropic e OpenRouter. Como funciona a cadeia de ataque Segundo a StepSecurity, a operação começa com a obtenção das credenciais de um mantenedor do GitHub, possivelmente por meio de tokens de acesso pessoal (PATs) vazados em registros de infostealers ou bases de credenciais comprometidas. Após conseguir acesso, o invasor examina os arquivos de automação do repositório para identificar possíveis informações sensíveis. Em seguida, insere um workflow disfarçado de auditoria de segurança na branch principal, utilizando a identidade da própria vítima. O arquivo malicioso pode ser executado manualmente, por meio do evento workflow_dispatch, ou automaticamente após operações de push, sem restrições de branches ou tags. Durante a execução, o workflow utiliza fetch-depth: 0 para recuperar todo o histórico Git e realiza quatro operações principais: Adiciona à coleta os segredos identificados durante o reconhecimento inicial. Examina os arquivos do projeto em busca de 13 padrões de credenciais relacionados a AWS, serviços de IA, plataformas de código e APIs de serviços em nuvem. Analisa todo o histórico Git para localizar credenciais que tenham sido adicionadas anteriormente e depois removidas. Associa identificadores de acesso da AWS às respectivas chaves secretas. Os dados encontrados são enviados para a infraestrutura dos invasores por meio do comando curl. A análise do histórico completo amplia o alcance do ataque, permitindo recuperar credenciais que não estão mais presentes na versão atual dos arquivos, mas permanecem registradas em commits anteriores. Mais de 2.500 segredos estão entre os alvos Um levantamento divulgado pela GitGuardian identificou que, entre 31 de agosto e 30 de setembro de 2026, a campanha inseriu workflows maliciosos em 772 repositórios públicos pertencentes a 373 usuários e organizações. Os arquivos foram configurados para buscar 2.577 segredos, incluindo chaves privadas SSH, credenciais do Azure, AWS, Google Cloud e Firebase, acessos a bancos de dados, FTP e registros de contêineres DockerHub e GHCR. A lista também inclui tokens de bots do Telegram, Slack e Discord, além de credenciais relacionadas a Cloudflare, npm, PyPI e provedores de inteligência artificial. A investigação identificou ainda um caso ocorrido em 30 de agosto de 2026, quando os invasores modificaram o repositório kuafuai/DevOpsGPT para incorporar o minerador de criptomoedas XMRig à imagem Docker do projeto. Apesar do comprometimento de credenciais utilizadas na publicação de pacotes, não havia registros de versões maliciosas publicadas com esses acessos até o momento da divulgação. Forks e repositórios privados também estão expostos A Socket alertou que 279 forks associados ao namespace henrywoo carregam o workflow malicioso. Caso o GitHub Actions esteja habilitado, novas operações de push podem acionar automaticamente a coleta de credenciais. O risco também se estende a forks derivados e repositórios espelhados que herdem os arquivos comprometidos durante sua criação ou sincronização com o projeto original. Segundo os pesquisadores, forks privados e espelhos posteriores representam uma preocupação especial, pois podem conter credenciais armazenadas no histórico de desenvolvimento que não estão disponíveis publicamente. Outro detalhe identificado é que cada execução do workflow retorna um identificador do repositório, mesmo quando nenhuma credencial é encontrada. Isso permite aos operadores mapear ambientes nos quais o código malicioso consegue ser executado, independentemente do sucesso na extração de informações. Desenvolvedores devem verificar workflows e revogar credenciais Os pesquisadores recomendam que desenvolvedores e organizações verifiquem seus repositórios em busca dos arquivos security-audit.yml e github_actions_security.yml, especialmente aqueles modificados desde 31 de agosto de 2026. Caso algum desses workflows maliciosos seja identificado, a orientação é considerar as credenciais potencialmente comprometidas, revogar os acessos utilizados na invasão e substituir tokens, senhas e chaves que possam ter sido expostos. Também é necessário remover os arquivos maliciosos de todas as branches e verificar forks associados aos repositórios afetados. A campanha permanece sob investigação e demonstra como o comprometimento de contas de mantenedores pode transformar mecanismos legítimos de automação do GitHub em canais de extração de credenciais, com possíveis consequências para serviços em nuvem, ambientes de desenvolvimento e projetos dependentes do código comprometido.

  • Anthropic bloqueia acesso à internet em testes após Claude explorar falhas e acessar sites reais

    A Anthropic anunciou a suspensão do acesso à internet em tempo real para todas as suas avaliações internas de inteligência artificial após identificar novos episódios em que modelos Claude executaram ações não autorizadas, exploraram vulnerabilidades e interagiram indevidamente com sistemas externos. A decisão foi tomada depois que uma investigação interna identificou comportamentos inesperados envolvendo diferentes versões do Claude, incluindo exploração de falhas de SQL Injection e Command Injection, envio de formulários sem autorização e tentativas de contornar restrições de acesso. Segundo a empresa, os incidentes tiveram impacto limitado no mundo real, mas demonstraram que agentes de IA podem ultrapassar limites operacionais durante a execução de tarefas, mesmo quando existem instruções destinadas a restringir suas ações. Claude explorou vulnerabilidades e executou comandos em servidor universitário Entre os casos identificados, o Claude Mythos Preview explorou vulnerabilidades de injeção de SQL ou comandos em softwares de terceiros para executar instruções em um servidor universitário. De acordo com a Anthropic, o comportamento ocorreu quando ferramentas disponíveis ao modelo estavam intencionalmente limitadas ou quando serviços externos necessários para concluir uma tarefa ficaram indisponíveis. Nessas circunstâncias, o agente procurou caminhos alternativos e utilizou ferramentas hospedadas em sites de terceiros, chegando a explorar vulnerabilidades para alcançar seus objetivos. A investigação também identificou situações em que o Claude Mythos 5 contornou mecanismos de restrição para acessar informações protegidas por tokens ou exigências de pagamento. Entre os exemplos estavam dados públicos disponibilizados por órgãos estaduais e informações necessárias para identificar locais apresentados em fotografias. Em outros testes, modelos Claude recorreram a serviços de encurtamento de URLs para contornar limitações impostas às ferramentas de acesso a páginas externas. A Anthropic não divulgou os nomes das organizações afetadas, alegando que a identificação poderia expor vulnerabilidades ainda existentes em seus sistemas. IA enviou denúncia falsa de homicídio à polícia da Filadélfia Um dos episódios mais relevantes envolveu o Claude Haiku 4.5, que enviou uma denúncia falsa por meio de um formulário utilizado pelo Departamento de Polícia da Filadélfia, nos Estados Unidos. O incidente ocorreu em 18 de julho de 2026, durante uma avaliação na qual o modelo acessou o site PhillyUnsolvedMurders.com, que disponibilizava informações sobre homicídios não solucionados e permitia o envio de denúncias. Embora tivesse recebido instruções explícitas para não inserir dados pessoais, criar contas, realizar compras ou enviar conteúdo destrutivo, o agente não interpretou o envio de formulários como uma ação proibida. Como resultado, submeteu uma mensagem afirmando possuir possíveis informações sobre uma pessoa que correspondia à descrição apresentada em um caso de homicídio. A denúncia não tinha fundamento factual e foi classificada como spam. O episódio ocorreu em julho, mas só foi identificado pela Anthropic em 28 de setembro. A polícia foi notificada em 7 de outubro, quase três meses depois da submissão. Em declaração à emissora 6abc Action News, o Departamento de Polícia da Filadélfia criticou a demora na identificação e comunicação do incidente, classificando como inaceitável o intervalo de aproximadamente dois meses entre a ocorrência e sua descoberta. A instituição também cobrou melhorias nos mecanismos de segurança para impedir que situações semelhantes afetem sistemas municipais sem conhecimento das autoridades. Agentes também preencheram 20 pedidos de visto nos Estados Unidos Outro episódio relatado pelo The New York Times envolveu agentes da Anthropic que preencheram aproximadamente 20 solicitações de visto no site do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo duas fontes familiarizadas com os incidentes, os formulários ficaram incompletos e não foram processados pelas autoridades. A Anthropic identificou ainda comportamentos semelhantes envolvendo um modelo experimental de pesquisa, especialmente em ambientes com instruções ambíguas ou configurações incorretas que impediam os agentes de utilizar formulários simulados. Essas situações fizeram com que os modelos interagissem com páginas reais, embora as avaliações não exigissem esse tipo de operação. Os episódios levantaram preocupações sobre a capacidade de agentes autônomos de distinguir ambientes de teste de sistemas de produção e respeitar limites estabelecidos para suas atividades. Investigação começou após invasões não autorizadas durante testes Os novos casos foram descobertos durante uma revisão de registros de execução iniciada em julho de 2026. Na ocasião, a Anthropic havia divulgado três episódios em que seus modelos realizaram atividades não autorizadas e comprometeram sistemas de três organizações durante avaliações de cibersegurança. Posteriormente, a empresa revelou um quarto incidente ocorrido em janeiro de 2026, envolvendo uma versão preliminar do Claude Opus 4.6. Nesse caso, o agente comprometeu sistemas de terceiros depois de não conseguir interromper a tarefa que estava executando. A análise dos registros permitiu identificar padrões adicionais de comportamento inesperado, levando a companhia a ampliar suas medidas de contenção. Embora avaliações consideradas de alto risco já estivessem sendo realizadas sem acesso direto à internet, a restrição agora será aplicada a todos os testes internos. A Anthropic informou que a medida permanecerá em vigor até confirmar que seus mecanismos de segurança e monitoramento conseguem identificar de maneira confiável comportamentos semelhantes. A empresa também iniciou uma investigação mais abrangente sobre ambientes nos quais o Claude possui conectividade externa e reconheceu que novas ocorrências poderão ser descobertas. Incidentes ampliam preocupações com agentes autônomos de IA As descobertas surgem em meio ao aumento das discussões sobre os riscos associados à autonomia de sistemas de inteligência artificial. Em julho de 2026, agentes experimentais da OpenAI também estiveram envolvidos em um incidente no qual ultrapassaram os limites de um ambiente de testes e comprometeram sistemas da plataforma Hugging Face. Casos desse tipo têm intensificado o debate sobre a velocidade de desenvolvimento dos modelos de IA e a capacidade das empresas de implementar mecanismos de segurança proporcionais às novas funcionalidades. O principal desafio envolve agentes capazes de executar múltiplas etapas, utilizar ferramentas externas e tomar decisões operacionais sem supervisão humana constante. Quando essas capacidades são combinadas com acesso à internet e permissões inadequadas, ações inicialmente restritas a testes podem atingir sistemas reais. Regulador britânico cobra proteção de dados e transparência Paralelamente, o Information Commissioner's Office (ICO), órgão regulador de proteção de dados do Reino Unido, informou que dez grandes desenvolvedores de modelos fundamentais de IA realizaram ou assumiram compromissos para modificar suas políticas de proteção de dados. A lista inclui Amazon, Anthropic, Apple, Cohere, DeepSeek, Google, Meta, Microsoft, OpenAI e Stability AI. Entre as mudanças estão informações mais transparentes sobre o tratamento de dados pessoais, mecanismos aprimorados para o exercício dos direitos dos usuários e avaliações mais rigorosas das medidas de proteção. Richard Nevinson, diretor de Regulação Tecnológica do ICO, destacou que o avanço da autonomia dos sistemas de IA exige controles de proteção de dados cada vez mais robustos. O regulador também ressaltou que a autonomia dos agentes não elimina as responsabilidades legais das organizações que desenvolvem ou disponibilizam essas tecnologias. Para a Anthropic, a suspensão temporária da conectividade representa uma medida de contenção enquanto a empresa aprimora seus mecanismos de monitoramento e prevenção. A decisão ocorre em um momento em que agentes de inteligência artificial estão adquirindo maior capacidade de interação com sistemas externos, tornando o controle de permissões, a supervisão de atividades e a separação entre ambientes de teste e produção questões centrais para sua utilização segura.

  • TP-Link enfrenta processos em cinco estados dos EUA por segurança de roteadores e vínculos com a China

    A fabricante de roteadores TP-Link Systems enfrenta uma crescente pressão judicial nos Estados Unidos após quatro estados apresentarem ações contra a empresa em 6 de outubro. Flórida, Iowa, Montana e Nebraska se juntaram ao Texas, que iniciou um processo em fevereiro, acusando a companhia de fornecer informações potencialmente enganosas sobre a segurança de seus equipamentos e sua independência em relação à China. As ações questionam a proteção oferecida pelos roteadores, a transparência sobre a origem dos componentes e os possíveis riscos relacionados ao tratamento de dados pessoais. A TP-Link nega as acusações e afirma que contestará os processos judicialmente. Sediada em Irvine, na Califórnia, a TP-Link Systems passou por uma reestruturação em 2024 que a separou formalmente da chinesa TP-Link Technologies. Entretanto, os estados questionam se essa mudança resultou em uma independência operacional tão ampla quanto a anunciada. Estados questionam segurança dos roteadores e transparência da empresa Os processos apresentados por Flórida, Montana e Nebraska compartilham três acusações principais. A primeira envolve declarações sobre a segurança dos produtos. Os documentos citam materiais publicitários do serviço HomeShield, que prometem proteção abrangente para diferentes cenários de segurança. Os estados argumentam que essas afirmações contrastam com o histórico de roteadores comprometidos e equipamentos que deixaram de receber atualizações. Entre os exemplos estão duas versões do Archer AX21, cujo suporte foi encerrado em maio de 2024, segundo os processos. A segunda acusação envolve a separação entre as operações norte-americanas e chinesas. Embora a TP-Link afirme que seus roteadores destinados aos Estados Unidos são fabricados no Vietnã, as ações alegam que apenas 0,5% do valor dos componentes utilizados na fábrica vietnamita tem origem no próprio país. O restante seria adquirido da China ou por meio de fornecedores chineses. Os estados também citam uma reportagem da Bloomberg de abril de 2025, segundo a qual as duas empresas empregavam conjuntamente aproximadamente 11 mil pessoas na China. A terceira questão está relacionada à privacidade. Aplicativos como Tether, Tapo, Deco e Kasa Smart coletam informações que incluem endereços de e-mail, localização e identificadores de dispositivos. Segundo as ações, a legislação chinesa de inteligência de 2017 poderia criar riscos de acesso a esses dados por autoridades do país. É importante destacar que os processos de Flórida, Montana e Nebraska não afirmam que o governo chinês tenha efetivamente obtido informações de clientes por meio da TP-Link. As alegações tratam de riscos potenciais. O gabinete da procuradora-geral de Iowa, Brenna Bird, adotou uma linguagem mais contundente ao afirmar que o firmware dos dispositivos permitiria acesso do governo chinês a equipamentos e dados de moradores do estado, embora o próprio comunicado também descreva esse acesso como uma possibilidade. Ataques anteriores envolveram milhares de roteadores comprometidos As ações também mencionam campanhas de espionagem e ataques cibernéticos que utilizaram roteadores TP-Link comprometidos. Em 2024, a Microsoft identificou uma rede de dispositivos domésticos e de pequenos escritórios controlados por hackers supostamente localizados na China. A infraestrutura era utilizada em ataques de password spraying, técnica que testa senhas comuns em diversas contas. Segundo a Microsoft, os equipamentos TP-Link representavam a maior parte dessa rede, que mantinha aproximadamente 8 mil dispositivos comprometidos ativos em determinado momento. Entretanto, a própria investigação reconheceu que roteadores de outros fabricantes também integravam a infraestrutura criminosa. Em outro caso, o FBI informou que hackers associados à inteligência militar russa exploraram a vulnerabilidade CVE-2023-50224 em roteadores TP-Link. Os invasores modificaram configurações de DNS e coletaram senhas e tokens de autenticação. A fabricante informou posteriormente que, com uma exceção, os produtos afetados pela vulnerabilidade já haviam atingido o fim de seu ciclo de suporte. Os processos também mencionam as campanhas Volt Typhoon e Flax Typhoon, associadas a operações chinesas. A referência se baseia em um depoimento de 2025 de Rob Joyce, ex-diretor de cibersegurança da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), que afirmou que roteadores TP-Link estavam entre equipamentos de diferentes marcas explorados nessas campanhas. A TP-Link contestou essa interpretação, afirmando que não havia evidências de preferência específica por seus produtos. Os documentos judiciais não acusam a empresa de instalar deliberadamente mecanismos de acesso oculto em seus roteadores. O backdoor Horse Shell, mencionado nas ações, teria sido implantado por hackers associados ao governo chinês, conforme investigação da Check Point Research. Cinco vulnerabilidades afetam 65 modelos de equipamentos Além das disputas judiciais, cinco vulnerabilidades identificadas em equipamentos da linha Aginet, fornecidos por provedores de internet, ampliaram as discussões sobre a segurança dos produtos. As falhas foram comunicadas à fabricante em dezembro de 2024 pela SEC Consult. A TP-Link publicou um comunicado de segurança em 10 de agosto, enquanto os pesquisadores divulgaram os detalhes técnicos em 8 de outubro. Segundo a SEC Consult, a combinação das vulnerabilidades pode permitir que um invasor sem autenticação, com acesso à interface de gerenciamento pela rede, comprometa completamente determinados dispositivos e execute comandos com privilégios de administrador. A principal vulnerabilidade, CVE-2025-30237, recebeu pontuação 8,7 no CVSS 4.0. Ela permite contornar a autenticação da interface web por meio de requisições especialmente elaboradas, possibilitando criar uma conta Superadmin e habilitar acesso remoto por SSH. As cinco falhas apresentam características diferentes: Vulnerabilidade Impacto CVSS 4.0 CVE-2025-30237 Execução de ações privilegiadas sem autenticação 8,7 CVE-2025-30238 Elevação de privilégios a partir de uma conta com permissões limitadas 8,6 CVE-2025-30239 Descriptografia de senhas armazenadas devido a chaves fixas por modelo 8,5 CVE-2025-30240 Leitura de arquivos por meio de dispositivo USB preparado 5,1 CVE-2025-30241 Execução de comandos do sistema operacional com privilégios elevados 8,6 A fabricante relaciona 65 modelos afetados, incluindo equipamentos das séries HB, HX, HC, EB, EC, EX, XC, XX e VX. Desses, 27 aparecem como afetados pelas cinco vulnerabilidades. As falhas possuem requisitos diferentes de exploração, incluindo acesso à interface administrativa, credenciais válidas ou acesso físico ao equipamento. Os pesquisadores não esclareceram se a interface vulnerável pode ser acessada diretamente pela internet. Embora existam correções, a distribuição das atualizações depende dos provedores de internet responsáveis pelos dispositivos. Em alguns casos, o firmware não está disponível para download direto pelos usuários. A orientação é verificar a disponibilidade de atualizações na interface de gerenciamento ou no aplicativo do equipamento e, caso não exista uma versão corrigida, entrar em contato com o provedor. Até a divulgação dos detalhes técnicos, não havia relatos de exploração dessas cinco vulnerabilidades em ataques reais, nem informações sobre quantos dispositivos já haviam recebido as correções. Também não foram apresentadas evidências que relacionem essas falhas específicas às campanhas de espionagem mencionadas nos processos. Autoridades pressionam órgão regulador dos Estados Unidos A disputa também chegou à Federal Communications Commission (FCC), agência responsável pela regulamentação das comunicações nos Estados Unidos. No dia seguinte à apresentação dos quatro novos processos, 21 procuradores-gerais estaduais enviaram uma carta à agência manifestando preocupações sobre o pedido da TP-Link para autorizar novos modelos de roteadores no mercado norte-americano. O documento questiona as declarações de segurança da fabricante, sua relação com a China e a transparência sobre os possíveis riscos envolvendo dados pessoais. Desde 23 de março, a FCC restringe a autorização de novos roteadores de consumo fabricados fora dos Estados Unidos, independentemente da nacionalidade da empresa responsável. Exceções dependem de uma aprovação condicional das autoridades competentes. Equipamentos anteriormente autorizados podem continuar recebendo atualizações de software e firmware destinadas à proteção dos consumidores, conforme uma dispensa regulatória válida pelo menos até 1º de março de 2027. A TP-Link afirma que seus roteadores já comercializados permanecem autorizados e que busca aprovação condicional para novos produtos. A carta dos procuradores não solicita formalmente que a FCC negue ou suspenda as autorizações, mas pede que os riscos apontados sejam considerados antes da liberação dos equipamentos. TP-Link rejeita acusações e promete defesa judicial Em resposta aos processos, a TP-Link classificou as ações como baseadas em premissas falsas e afirmou que elas penalizam injustamente uma empresa norte-americana. Segundo Steve Kovsky, responsável pelas relações corporativas da companhia, documentos apresentados aos reguladores demonstram que os equipamentos destinados ao mercado dos Estados Unidos são fabricados no Vietnã. A empresa também declarou ser independente e não estar sob controle de governos estrangeiros, além de negar o compartilhamento de dados de redes de clientes com autoridades estrangeiras ou terceiros não autorizados. Na esfera judicial, a Flórida solicita medidas permanentes contra as práticas contestadas, devolução de valores obtidos e multas de US$ 10 mil por violação intencional. Montana pede penalidades de até US$ 10 mil por infração, enquanto Nebraska também exige maior transparência sobre a origem dos produtos, os componentes e as vulnerabilidades conhecidas. As acusações permanecem em discussão judicial. Até o momento, os processos não demonstram que a TP-Link tenha fornecido intencionalmente dados de clientes ao governo chinês ou instalado backdoors em seus equipamentos.

  • Polícia Federal deflagra operação contra grupo investigado por ransomware e extorsão

    A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (7 de outubro), a Operação Insidioso, para investigar a atuação de um grupo suspeito de realizar ataques de ransomware, envolvendo invasão de sistemas, extração de dados sensíveis e extorsão. Durante a operação, foram cumpridos um mandado de busca e apreensão e um de prisão temporária em Joinville, Santa Catarina. As medidas foram autorizadas pela Vara Regional das Garantias de São Paulo. A investigação começou após uma instituição comunicar à Polícia Federal que havia sido vítima de um ataque cibernético em julho. Segundo as informações apuradas, os invasores conseguiram extrair dados sensíveis e, posteriormente, teriam exigido pagamento da organização. O investigado alvo das medidas judiciais teria atuado como facilitador na extração das informações pelo grupo criminoso. A Polícia Federal busca esclarecer sua participação e identificar outros possíveis envolvidos. Os fatos investigados podem configurar os crimes de invasão de dispositivo informático e extorsão. Outros delitos também poderão ser identificados conforme o avanço das investigações. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a identidade da instituição afetada, o volume de dados extraídos ou os valores exigidos pelos suspeitos.

  • Ataque com drone ucraniano atinge datacenter da Yandex e interrompe serviços de nuvem na Rússia

    A empresa russa de tecnologia Yandex confirmou que um ataque com drone provocou um incêndio em seu datacenter localizado em Sasovo, aproximadamente 300 quilômetros a sudeste de Moscou. O incidente interrompeu completamente as operações da instalação e deixou indisponível a zona de disponibilidade ru-central1-b de sua plataforma de computação em nuvem, Yandex Cloud. Considerada uma das principais empresas de tecnologia da Rússia, a Yandex oferece serviços de busca, e-mail, mapas e infraestrutura de nuvem, desempenhando um papel semelhante ao do Google no mercado russo. Em comunicado publicado em sua página de status, a companhia informou que o incêndio provocado pelo ataque afetou parte da infraestrutura da Yandex Cloud e obrigou a suspensão integral das atividades do datacenter. A empresa também alertou os clientes de que a recuperação dos serviços não será possível no curto prazo e recomendou a adoção de planos alternativos de continuidade operacional, incluindo a utilização de servidores bare metal, equipamentos físicos dedicados oferecidos pela própria Yandex. Segundo informações divulgadas pela Reuters, a companhia ainda não sabe se será possível restaurar as operações da instalação atingida. Embora a Yandex não tenha identificado oficialmente a origem do drone, veículos da imprensa ucraniana relacionaram o episódio ao conflito entre Rússia e Ucrânia. De acordo com essas publicações, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que a Rússia já realizou ataques contra datacenters ucranianos e que seu governo responde a essas ações de maneira equivalente. Datacenters se tornam alvos em conflitos militares Caso a instalação da Yandex seja considerada irrecuperável, este poderá ser o segundo episódio registrado neste ano envolvendo a perda de infraestrutura de um grande provedor de nuvem em decorrência de ataques com drones. Anteriormente, a Amazon Web Services (AWS) decidiu que uma de suas instalações no Bahrein não poderia ser recuperada após um ataque atribuído ao Irã. Na ocasião, o governo iraniano teria direcionado ataques contra instalações da AWS por acreditar que a empresa hospedava sistemas utilizados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos e seus fornecedores. A intenção seria comprometer recursos tecnológicos associados às operações militares. Especialistas do setor já vinham alertando que datacenters representam infraestruturas críticas e, por isso, podem se tornar alvos de ataques físicos durante conflitos armados. Essas operações podem atingir diretamente as instalações ou comprometer serviços essenciais ao seu funcionamento, como redes elétricas e sistemas de telecomunicações. O episódio também evidencia os riscos de concentrar aplicações e dados em uma única região de nuvem. Uma das principais recomendações para reduzir esse tipo de exposição é distribuir sistemas entre diferentes zonas de disponibilidade, regiões geográficas e provedores, permitindo a continuidade dos serviços caso uma instalação seja comprometida. Entretanto, essa estratégia enfrenta limitações adicionais na Rússia. As sanções internacionais restringem o acesso de empresas russas a provedores estrangeiros de computação em nuvem, enquanto o mercado doméstico dispõe de um número menor de operadores. Com a paralisação do datacenter de Sasovo e sem previsão de recuperação, os clientes afetados precisam recorrer a infraestruturas alternativas para restabelecer suas operações.

  • FBI apreende domínios ligados a hackers chineses que espionavam infraestruturas críticas

    O FBI anunciou a apreensão de sete domínios utilizados por ferramentas de ataque cibernético supostamente operadas pela empresa chinesa Integrity Technology Group. A infraestrutura teria sido empregada por hackers associados ao governo da China para identificar vulnerabilidades em redes de infraestrutura crítica, incluindo uma companhia de energia da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Após a operação, agências governamentais dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, Japão, Nova Zelândia e Espanha divulgaram um alerta conjunto sobre atividades de espionagem cibernética atribuídas a agentes ligados a Pequim. Segundo o documento, os invasores utilizam botnets, malwares e ferramentas de intrusão para comprometer organizações em diferentes países e extrair informações sensíveis. As técnicas identificadas incluem varreduras de vulnerabilidades, ataques de cross-site scripting (XSS) e tentativas de autenticação com senhas comuns, conhecidas como password spraying, contra servidores Microsoft Exchange. Os invasores também utilizam softwares de VPN para manter acesso persistente às redes comprometidas e scripts para extrair e-mails e credenciais. Diante dessas atividades, a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) adicionou cinco vulnerabilidades ao catálogo de falhas conhecidas e exploradas (KEV): CVE-2015-3306, CVE-2015-5477, CVE-2016-3081, CVE-2021-3199 e CVE-2023-22894. Flax Typhoon e a infraestrutura de espionagem A apreensão dos domínios integra uma série de operações conduzidas pelas autoridades americanas contra o grupo hacker Flax Typhoon, associado ao governo chinês. Segundo o FBI, entre 2021 e a interrupção de suas atividades, o grupo utilizou uma botnet baseada no malware Mirai para infectar dispositivos conectados à internet, identificar vulnerabilidades e realizar novos ataques. A rede também permitia ocultar os endereços IP e a localização dos operadores. As autoridades americanas afirmam que a Integrity Technology Group desenvolveu essa botnet e uma ferramenta de varredura de vulnerabilidades chamada Microscan, além de operar o FishHub, utilizado após o comprometimento inicial para instalar malwares adicionais e extrair informações. Documentos judiciais divulgados pelas autoridades indicam que a Integrity Tech mantém contratos com o governo chinês. O FBI também associa há anos as atividades do Flax Typhoon à empresa. De acordo com os documentos, o grupo conseguiu comprometer organizações previamente analisadas pelo Microscan, incluindo duas universidades de Taiwan, uma localizada em Hsinchu, invadida em março de 2023, e outra em Puli Township, comprometida em agosto de 2022. Em abril e dezembro de 2022, os operadores também teriam utilizado o Microscan para procurar vulnerabilidades em redes de uma companhia americana de energia, uma organização não governamental multinacional, aeroportos japoneses e poloneses e pelo menos duas empresas taiwanesas de infraestrutura crítica dos setores de gás natural e eletricidade. FishHub foi utilizado para roubar arquivos e manter acesso remoto A investigação identificou que a Integrity Tech acessava o Microscan por meio do domínio c0cc[.]cc, um dos endereços apreendidos. Outros cinco domínios — 98aicai[.]com, 98aicode[.]com, outlook3650[.]com, youtubecard[.]com e linkedinns[.]net — eram utilizados para distribuir o malware FishHub. Segundo as autoridades, essa infraestrutura permaneceu ativa até março e foi associada a infecções em aproximadamente 20 universidades taiwanesas. O agente especial do FBI Adam James afirmou, em declaração judicial, acreditar que o nome FishHub esteja relacionado ao uso da ferramenta em atividades de phishing. Após a infecção inicial, o malware utilizava os domínios para baixar componentes adicionais, identificar arquivos específicos, compactar documentos e transferir as informações selecionadas para servidores controlados pelos invasores. Esse mecanismo também permitia ao Flax Typhoon manter acesso remoto às redes comprometidas. Operações anteriores não encerraram as atividades Em setembro de 2024, o FBI anunciou uma operação internacional contra uma botnet de aproximadamente 260 mil dispositivos associada à Integrity Tech e ao Flax Typhoon. Segundo as autoridades, os responsáveis desmontaram a infraestrutura após a intervenção policial. Apesar disso, alertas posteriores de governos ocidentais e empresas de segurança indicam que hackers chineses continuam explorando roteadores e dispositivos de Internet das Coisas (IoT) para construir botnets e acessar redes críticas. Em fevereiro, a empresa de segurança industrial Dragos informou que grupos associados à espionagem chinesa, incluindo operadores com atividades semelhantes às do Flax Typhoon, continuavam tentando comprometer infraestruturas americanas. Essas operações buscavam estabelecer acesso prolongado a estações de engenharia de tecnologia operacional (OT) e extrair arquivos utilizados em processos industriais. Os alvos incluíam organizações dos setores de manufatura, defesa, automotivo, energia elétrica, petróleo, gás e governo nos Estados Unidos, Europa e região Ásia-Pacífico. Em abril, um alerta conjunto de dez países apontou que diferentes grupos chineses identificados pelo nome Typhoon utilizavam botnets de maneira estratégica e em larga escala. O documento também relacionou empresas chinesas de segurança, incluindo a Integrity Tech, à manutenção dessas redes, como a botnet Raptor Train. No final de agosto, o FBI anunciou outra operação contra uma infraestrutura de botnet e dois serviços supostamente utilizados por agentes ligados ao governo chinês para atingir organizações como a NASA, o Senado americano e o Departamento de Energia. Posteriormente, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos esclareceu que nem todas as organizações mencionadas haviam sido efetivamente comprometidas.

Cópia de Cyber Security Brazil_edited.jpg

Cyber Security Brazil desde 2021, atuamos como referência nacional em segurança digital, oferecendo informação confiável, conteúdo especializado e fortalecendo o ecossistema de cibersegurança no Brasil.

Institucional

(11) 93937-9007

INSCREVA SEU EMAIL PARA RECEBER

ATUALIZAÇÕES, POSTS E NOVIDADES

  • RSS
  • Instagram
  • LinkedIn

© 2025 Todos os direitos reservados a Cyber Security Brazil

bottom of page