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  • Novo malware SparkCat invade App Store e Google Play para roubar frases de recuperação de carteiras cripto

    Uma nova variante do malware SparkCat foi identificada em aplicativos disponíveis tanto na App Store quanto na Google Play, ampliando os riscos para usuários de dispositivos móveis — especialmente aqueles que utilizam criptomoedas. A ameaça, que já havia sido documentada anteriormente, evoluiu significativamente e agora adota técnicas mais sofisticadas para roubo de informações sensíveis. De acordo com análises conduzidas pela Kaspersky , o malware está sendo distribuído por meio de aplicativos aparentemente legítimos, como mensageiros corporativos e serviços de entrega de comida. Uma vez instalado, o aplicativo solicita acesso à galeria do dispositivo e passa a analisar silenciosamente as imagens armazenadas. O objetivo é específico: identificar frases de recuperação de carteiras de criptomoedas, conhecidas como “seed phrases”. Para isso, o SparkCat utiliza tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres (OCR), capaz de extrair texto de imagens. Caso identifique palavras-chave relevantes, o malware envia automaticamente essas imagens para servidores controlados pelos hackers. A variante para iOS chama atenção por seu alcance mais amplo. Diferentemente da versão Android, que busca termos em idiomas asiáticos como japonês, coreano e chinês, a versão para iPhone foca em frases em inglês — o que amplia significativamente o número de potenciais vítimas em nível global. Já no Android, o malware evoluiu em termos técnicos, incorporando múltiplas camadas de ofuscação, incluindo virtualização de código e uso de linguagens multiplataforma. Essas técnicas dificultam a análise por ferramentas de segurança e tornam a detecção mais complexa. O SparkCat foi inicialmente identificado em fevereiro de 2025 e, desde então, tem demonstrado evolução contínua, indicando que se trata de uma operação ativa e em desenvolvimento. Há indícios de que os hackers por trás da campanha sejam falantes de chinês, embora a atribuição definitiva ainda não tenha sido confirmada. Especialistas alertam que o ataque explora um comportamento comum entre usuários de criptomoedas: armazenar capturas de tela com frases de recuperação diretamente na galeria do celular — uma prática altamente insegura. Com acesso a essas informações, hackers podem restaurar carteiras e transferir fundos sem qualquer possibilidade de reversão. O caso reforça um alerta crítico: mesmo aplicativos disponíveis em lojas oficiais não estão imunes a ameaças. A combinação de engenharia social, permissões excessivas e técnicas avançadas de evasão está tornando o ambiente mobile um dos principais vetores de ataque atualmente.

  • ANPD atualiza sistema SEI e passa a permitir acesso por meio da conta gov.br

    A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) anunciou a atualização do seu Sistema Eletrônico de Informações (SEI), que já voltou a operar em sua nova versão. A mudança traz melhorias na interface e na estabilidade da plataforma, com a proposta de tornar a navegação mais simples, eficiente e confiável para usuários internos e externos que utilizam o sistema para envio, consulta e acompanhamento de processos administrativos. Entre as principais alterações implementadas está a adoção de um novo endereço eletrônico para o acesso de usuários externos. Segundo a ANPD, a entrada no sistema passa a ser feita exclusivamente pelo novo portal, enquanto o endereço antigo deixa de ser válido e não deve mais ser utilizado. A medida busca centralizar o acesso na versão atualizada do sistema e evitar falhas ou confusões durante o uso da plataforma. Outra novidade importante é a ampliação das opções de autenticação. A partir de agora, além do modelo tradicional com login e senha para usuários previamente cadastrados, o sistema também aceita acesso por meio da conta gov.br . A integração com a identidade digital do governo federal tende a facilitar o uso da ferramenta e reforçar a segurança do processo de autenticação, alinhando o sistema a um modelo já amplamente adotado em diversos serviços públicos digitais no país. A atualização do SEI ocorre em um momento em que órgãos públicos buscam modernizar suas plataformas e ampliar a digitalização dos serviços oferecidos à população. No caso da ANPD, a mudança também pode contribuir para melhorar a experiência de cidadãos, empresas, advogados e representantes que precisam interagir com a autoridade em processos ligados à proteção de dados pessoais, pedidos formais, manifestações e demais trâmites administrativos. A agência reforçou ainda que, em caso de dúvidas, dificuldades de acesso ou problemas na utilização da nova versão do sistema, os usuários devem procurar os canais oficiais de atendimento da própria ANPD. A orientação é importante principalmente neste período inicial de adaptação, em que mudanças de endereço, interface e autenticação podem gerar dúvidas entre os usuários habituais da plataforma. Via - Gov.br

  • Hackers usam cookies HTTP para controlar web shells em servidores Linux e manter acesso persistente

    Uma nova técnica adotada por hackers está chamando a atenção da comunidade de segurança: o uso de cookies HTTP como canal de controle para web shells em servidores Linux. A descoberta foi detalhada pela Microsoft Defender Security Research Team , que identificou um padrão crescente de ataques focados em execução remota de código com alto nível de furtividade. Diferente das abordagens tradicionais — que utilizam parâmetros de URL ou corpo de requisições HTTP para executar comandos — essa técnica utiliza valores específicos de cookies para ativar funcionalidades maliciosas. Isso permite que o código permaneça inativo durante operações normais, sendo acionado apenas quando o invasor envia uma requisição cuidadosamente construída. O método explora diretamente a variável global $_COOKIE do PHP , permitindo que os dados enviados pelo invasor sejam processados sem necessidade de parsing adicional. Como os cookies fazem parte do tráfego legítimo de aplicações web, essa abordagem dificulta significativamente a detecção por ferramentas de segurança e sistemas de monitoramento. As implementações observadas variam em complexidade. Em alguns casos, os hackers utilizam loaders altamente ofuscados, que analisam dados estruturados dentro dos cookies para executar cargas maliciosas. Em outros, os scripts fragmentam as informações recebidas para reconstruir funções internas, como manipulação de arquivos e decodificação, executando comandos ou implantando novos artefatos no sistema. Outro ponto crítico identificado é o uso de tarefas agendadas (cron jobs) para garantir persistência. Após obter acesso inicial — seja por credenciais válidas comprometidas ou exploração de vulnerabilidades conhecidas — os hackers configuram rotinas automatizadas que recriam continuamente o web shell no ambiente. Esse mecanismo de “auto-recuperação” garante que, mesmo após tentativas de remoção, o código malicioso volte a ser implantado. Essa separação entre persistência (via cron) e execução (via cookies) reduz significativamente os rastros deixados nos logs, tornando o ataque mais silencioso e difícil de detectar. Na prática, o invasor utiliza apenas mecanismos legítimos do próprio sistema — como processos do servidor web e tarefas agendadas — para manter o controle do ambiente comprometido. Especialistas destacam que esse tipo de ataque não depende de cadeias complexas de exploração, mas sim do abuso de funcionalidades legítimas já existentes na infraestrutura. Isso reforça uma tendência crescente: ataques mais simples em termos técnicos, porém altamente eficazes em evasão e persistência. Para mitigar os riscos, recomenda-se a adoção de autenticação multifator em acessos administrativos e SSH, monitoramento de atividades suspeitas, auditoria contínua de tarefas agendadas e restrição na execução de interpretadores de shell. Também é fundamental inspecionar arquivos suspeitos em diretórios web e limitar permissões em painéis de controle de hospedagem. O cenário evidencia uma mudança estratégica no comportamento dos hackers: ao deslocar o controle da execução para elementos comuns do tráfego web, como cookies, eles conseguem operar praticamente invisíveis dentro de ambientes comprometidos.

  • Hackers usam engenharia social e roubam US$ 285 milhões de plataforma cripto

    A exchange descentralizada Drift, baseada na blockchain Solana, confirmou um dos maiores ataques recentes ao ecossistema cripto, com prejuízo estimado em US$ 285 milhões. O incidente, ocorrido em 1º de abril de 2026, não envolveu falhas diretas em contratos inteligentes, mas sim uma combinação sofisticada de engenharia social e manipulação de mecanismos avançados da rede. Segundo a própria empresa, os hackers conseguiram acesso administrativo ao protocolo após obter aprovações legítimas — porém manipuladas — de múltiplos signatários (multisig). O ataque explorou um recurso conhecido como “durable nonce”, permitindo que transações fossem pré-assinadas e executadas posteriormente, criando uma janela invisível entre autorização e execução. Essa técnica possibilitou que os invasores assumissem rapidamente o controle do chamado “Security Council” da plataforma, removendo limites de saque e introduzindo um ativo malicioso . A partir disso, os fundos foram drenados em questão de segundos — literalmente no tempo necessário para enviar uma mensagem de texto, segundo análises independentes. Investigações conduzidas por empresas de inteligência blockchain indicam que o ataque pode estar ligado a hackers associados à Coreia do Norte. Padrões observados, como uso do mixer Tornado Cash, técnicas de lavagem de ativos e movimentações entre diferentes blockchains, seguem o mesmo comportamento de ataques anteriores atribuídos ao país. O caso reforça uma mudança importante no cenário de ameaças: o ponto fraco não está mais necessariamente no código, mas nas pessoas e nos processos. Neste incidente, os hackers não quebraram a segurança do sistema — eles convenceram usuários autorizados a aprovarem ações que pareciam legítimas, explorando confiança e complexidade operacional. Outro fator crítico foi a ausência de mecanismos de proteção adicionais , como delays obrigatórios (timelocks) em mudanças administrativas sensíveis. Sem essa camada de defesa, a transferência de controle do protocolo ocorreu de forma quase instantânea, eliminando qualquer chance de resposta preventiva. Além disso, os invasores criaram um token fictício, chamado CarbonVote, que foi tratado como ativo legítimo pelos oráculos da plataforma. Com isso, conseguiram inflar artificialmente o valor de garantias e facilitar o esvaziamento dos cofres da exchange. O incidente faz parte de uma campanha mais ampla e contínua. Estimativas indicam que hackers ligados à Coreia do Norte já roubaram mais de US$ 6,5 bilhões em criptoativos nos últimos anos, com um recorde de US$ 2 bilhões apenas em 2025. Especialistas alertam que o uso crescente de inteligência artificial está tornando ataques de engenharia social ainda mais sofisticados, ampliando o alcance dessas operações para além de exchanges, atingindo desenvolvedores, operadores de infraestrutura e qualquer pessoa com acesso privilegiado a ambientes Web3. O caso Drift deixa uma mensagem clara para o mercado: em sistemas descentralizados e altamente automatizados, a segurança não depende apenas da robustez técnica — mas da capacidade de garantir que decisões humanas não sejam manipuladas.

  • Pacotes maliciosos no npm exploram Redis e PostgreSQL para instalar backdoors persistentes

    Uma nova campanha envolvendo a cadeia de suprimentos de software acendeu um alerta na comunidade de desenvolvimento: ao menos 36 pacotes maliciosos foram identificados no repositório do npm, utilizados por hackers para comprometer servidores e instalar mecanismos de persistência em ambientes corporativos. Os pacotes foram projetados para explorar serviços amplamente utilizados, como Redis e PostgreSQL, permitindo que os invasores executassem comandos remotamente e implantassem backdoors diretamente nos sistemas afetados. A técnica evidencia mais um caso de ataque à cadeia de suprimentos, onde a confiança em bibliotecas de terceiros se torna o principal vetor de comprometimento. Uma vez instalados, os pacotes iniciam processos automatizados para identificar credenciais, conexões ativas e configurações sensíveis nos ambientes comprometidos. Em seguida, os hackers utilizam essas informações para estabelecer acesso persistente, muitas vezes criando tarefas automatizadas ou modificando serviços existentes para garantir que o acesso seja mantido mesmo após reinicializações ou tentativas de remoção. Além da persistência, os scripts maliciosos também são capazes de realizar movimentação lateral dentro da infraestrutura, explorando integrações entre aplicações, bancos de dados e serviços internos. Isso amplia significativamente o impacto do ataque, permitindo que os invasores avancem além do ponto inicial de infecção. Outro ponto preocupante é o nível de disfarce adotado pelos pacotes. Muitos deles simulam bibliotecas legítimas ou utilizam nomes semelhantes a projetos populares, dificultando a identificação por desenvolvedores e ferramentas automatizadas. Esse tipo de técnica, conhecido como typosquatting ou impersonação de pacotes, continua sendo amplamente explorado em ataques modernos. Especialistas alertam que ambientes de desenvolvimento e produção estão cada vez mais expostos a esse tipo de ameaça, principalmente devido à dependência crescente de bibliotecas open source. Sem mecanismos robustos de validação e monitoramento, a simples instalação de um pacote pode abrir portas críticas dentro da infraestrutura. O incidente reforça a importância de práticas como verificação de dependências, uso de repositórios confiáveis, monitoramento de comportamento em tempo de execução e aplicação do princípio de menor privilégio em serviços como Redis e PostgreSQL. Mais do que um problema técnico, o caso evidencia um desafio estrutural: a segurança do software moderno depende não apenas do código desenvolvido internamente, mas de todo o ecossistema de componentes que sustentam as aplicações.

  • Hims & Hers confirma vazamento de dados após invasão em tickets de suporte via Zendesk

    A empresa de telemedicina Hims & Hers Health confirmou um incidente de segurança após hackers acessarem indevidamente tickets de suporte armazenados em uma plataforma terceirizada de atendimento ao cliente. O ataque levanta novos alertas sobre riscos associados à cadeia de fornecedores digitais, especialmente em ambientes SaaS amplamente utilizados. De acordo com a notificação enviada às autoridades da Califórnia , a atividade suspeita foi identificada em 5 de fevereiro de 2026, afetando a plataforma de suporte operada pela Zendesk. A investigação apontou que, entre os dias 4 e 7 de fevereiro, invasores conseguiram acessar ou extrair informações contidas em tickets de atendimento sem autorização. Os dados expostos incluem nomes, informações de contato e outros detalhes fornecidos pelos próprios clientes durante interações com o suporte. Embora a empresa tenha afirmado que prontuários médicos e comunicações com médicos não foram comprometidos, o incidente ainda representa um risco significativo, especialmente considerando a natureza sensível dos serviços oferecidos, como tratamentos para saúde mental, disfunção erétil e perda de cabelo. Fontes indicam que o ataque pode estar ligado ao grupo hacker ShinyHunters, conhecido por campanhas de extorsão envolvendo grandes volumes de dados. A operação teria explorado credenciais comprometidas de SSO da Okta para acessar ambientes SaaS e serviços de armazenamento em nuvem, incluindo a instância do Zendesk utilizada pela Hims & Hers. Nesse caso específico, os hackers teriam utilizado o acesso indevido ao SSO para extrair milhões de tickets de suporte, ampliando o impacto potencial do incidente. A técnica reforça uma tendência preocupante: em vez de explorar vulnerabilidades diretas nos sistemas principais, invasores estão cada vez mais mirando integrações e plataformas terceiras, onde controles de segurança podem ser menos rigorosos ou mal configurados. A empresa afirmou que tomou medidas imediatas para conter o incidente, reforçar a segurança da plataforma e iniciar uma investigação detalhada. Como resposta, está oferecendo 12 meses de monitoramento de crédito gratuito para os usuários afetados, além de recomendar atenção redobrada a tentativas de phishing e engenharia social. O caso se soma a outros incidentes recentes envolvendo a mesma plataforma. Empresas como ManoMano e Crunchyroll também sofreram vazamentos de dados após comprometimentos em ambientes Zendesk, indicando um padrão de ataques direcionados a sistemas de atendimento ao cliente — frequentemente negligenciados nas estratégias tradicionais de segurança. O episódio evidencia um ponto crítico para empresas digitais: a segurança não depende apenas da proteção de seus sistemas internos, mas também da robustez de seus parceiros e integrações. Em um cenário cada vez mais interconectado, a superfície de ataque se expande para além do perímetro tradicional, exigindo uma abordagem mais abrangente de gestão de riscos.

  • Hackers exploram falha crítica no Next.js e comprometem 766 servidores para roubo massivo de credenciais

    Uma operação de grande escala conduzida por hackers está explorando uma vulnerabilidade crítica em aplicações baseadas em Next.js para roubo massivo de credenciais e dados sensíveis. A campanha utiliza a falha CVE-2025-55182 — classificada com pontuação máxima (CVSS 10.0) — como vetor inicial de ataque, permitindo execução remota de código nos sistemas comprometidos. A investigação conduzida pela Cisco Talos  identificou que pelo menos 766 servidores foram invadidos em diferentes regiões e provedores de nuvem. O grupo responsável, rastreado como UAT-10608, tem atuado de forma automatizada, explorando aplicações vulneráveis expostas na internet. Após obter acesso inicial, os hackers implantam um conjunto de scripts automatizados projetados para coletar e exfiltrar uma ampla variedade de informações críticas. Entre os dados roubados estão credenciais de banco de dados, chaves privadas SSH, tokens de acesso a plataformas como GitHub e GitLab, chaves de API do Stripe, além de credenciais temporárias associadas a ambientes em nuvem como AWS, Google Cloud e Microsoft Azure. A operação vai além da coleta básica de dados. Os invasores também capturam variáveis de ambiente, histórico de comandos executados no sistema, configurações de containers Docker e tokens de autenticação de serviços Kubernetes. Esse nível de visibilidade permite não apenas acesso direto aos sistemas comprometidos, mas também a compreensão detalhada da arquitetura e das integrações utilizadas pelas vítimas. No centro da operação está uma plataforma chamada NEXUS Listener — uma interface web protegida por senha que organiza e apresenta todas as informações roubadas. A ferramenta oferece recursos de busca e análise, permitindo que os hackers explorem os dados de forma estruturada, identifiquem padrões e priorizem alvos para ataques futuros. A sofisticação da campanha indica o uso de varreduras automatizadas em larga escala, possivelmente utilizando ferramentas como Shodan e Censys, para identificar aplicações vulneráveis expostas publicamente. Esse tipo de abordagem reforça o caráter indiscriminado do ataque, atingindo qualquer ambiente que não tenha aplicado correções de segurança. Outro ponto de preocupação é a evolução contínua do framework utilizado. A versão atual do NEXUS Listener (V3) sugere um ciclo ativo de desenvolvimento por parte dos hackers, indicando que a operação está em expansão e tende a se tornar ainda mais eficiente e perigosa. Especialistas alertam que o impacto vai além do roubo de credenciais individuais. O conjunto de dados coletados funciona como um verdadeiro “mapa da infraestrutura” das organizações comprometidas, revelando serviços utilizados, configurações internas, integrações com terceiros e arquitetura em nuvem. Essas informações podem ser utilizadas para ataques direcionados, campanhas de engenharia social ou até mesmo comercializadas em mercados clandestinos. Diante desse cenário, recomenda-se que organizações adotem medidas imediatas, como revisão de permissões seguindo o princípio do menor privilégio, rotação de credenciais, implementação de mecanismos de detecção de vazamento de segredos, além da atualização urgente de sistemas vulneráveis.

  • WhatsApp alerta 200 usuários após versão falsa do app instalar spyware

    O WhatsApp, plataforma de mensagens pertencente à Meta, alertou cerca de 200 usuários que foram vítimas de uma campanha de espionagem digital envolvendo uma versão falsa do aplicativo para iOS. Segundo informações divulgadas por veículos italianos , a maioria dos alvos está concentrada na Itália , indicando uma operação direcionada. A ação utilizou técnicas de engenharia social para convencer as vítimas a instalar um aplicativo malicioso que imitava o WhatsApp legítimo. Uma vez instalado, o software comprometido permitia a coleta de dados sensíveis diretamente dos dispositivos afetados, caracterizando um caso clássico de espionagem digital baseada em disfarce de aplicativo confiável. Após identificar o incidente, a empresa tomou medidas imediatas, incluindo o logout forçado dos usuários impactados e a recomendação para remoção do aplicativo falso, além da reinstalação da versão oficial do WhatsApp. A companhia não divulgou detalhes sobre o perfil das vítimas, o que levanta questionamentos sobre possíveis alvos de alto valor, como jornalistas, ativistas ou autoridades. Além da resposta técnica, o WhatsApp também iniciou ações contra a empresa italiana Asigint, subsidiária da SIO, apontada como responsável pelo desenvolvimento da versão falsificada do aplicativo. A SIO é conhecida por fornecer soluções de vigilância para órgãos governamentais, forças policiais e agências de inteligência, voltadas ao monitoramento e coleta de informações. Esse não é um caso isolado. Em dezembro de 2025, foi revelado que a SIO também estava por trás de aplicativos Android maliciosos que se passavam por plataformas populares, utilizando o spyware conhecido como Spyrtacus para extrair dados de dispositivos móveis. Há indícios de que essas ferramentas tenham sido utilizadas por clientes governamentais para operações de vigilância na Itália. O episódio reforça a crescente preocupação com o papel da Itália como um polo de desenvolvimento de tecnologias de vigilância — um verdadeiro “hub de spyware” na Europa. Empresas como Cy4Gate, eSurv, GR Sistemi, Negg, Raxir e RCS Lab também atuam nesse segmento, ampliando o debate sobre os limites entre segurança nacional e privacidade individual. Casos recentes mostram que o uso dessas ferramentas está longe de ser controlado. Em 2025, o WhatsApp já havia notificado usuários sobre ataques envolvendo o spyware Graphite, da Paragon Solutions, além de campanhas sofisticadas que exploraram vulnerabilidades zero-day no iOS. O cenário se conecta a escândalos maiores na Europa , como o caso envolvendo o spyware Predator, desenvolvido pelo consórcio Intellexa Consortium. O episódio, conhecido como “ Predatorgate ”, levou à prisão de executivos e abriu investigações no Parlamento Europeu sobre o uso indevido dessas tecnologias para espionagem de políticos, empresários e jornalistas. Apesar das empresas envolvidas alegarem que suas soluções são utilizadas exclusivamente por governos para combate ao crime e proteção nacional, especialistas e organizações como a Amnesty International  alertam para a falta de transparência e os riscos de abuso, especialmente quando não há mecanismos claros de auditoria e responsabilização. O novo incidente evidencia um problema crescente: a linha entre segurança e vigilância está cada vez mais tênue — e, muitas vezes, invisível para o usuário comum.

  • IA agêntica encerra a era dos chatbots e inaugura a autonomia nas empresas

    Por anos, o debate sobre inteligência artificial (IA) nas empresas girou em torno de chatbots e assistentes capazes de responder perguntas ou gerar textos sob demanda. Hoje, esse ciclo está esgotado. O diferencial competitivo não está mais na conversa com a máquina, mas na capacidade de delegar decisões a sistemas autônomos. A IA agêntica simboliza essa transformação. Suas arquiteturas entendem objetivos de negócio, orquestram sistemas, consultam dados, iteram respostas e entregam resultados com alto grau de autonomia, reduzindo a necessidade de intervenção humana em cada etapa. Segundo o Gartner, pelo menos 30% das empresas globais já devem utilizar agentes autônomos em funções críticas, saindo da fase de testes para operações reais. A McKinsey estima que a IA agêntica pode gerar até 400 bilhões de dólares em valor econômico anual ao transformar processos de TI e operações. O impacto não está mais na fluidez da conversa com um modelo de linguagem, mas na automação inteligente de fluxos completos de trabalho, com menos retrabalho, antecipação de falhas e ganho de escala. Andrew Ng, referência na área, defende que o sucesso da IA depende não apenas da potência do modelo isolado, mas do design de fluxos que permitam raciocínio iterativo. Sistemas agênticos revisam suas próprias respostas, validam dados em múltiplas fontes, corrigem inconsistências antes da entrega e aprendem com o ciclo. Na prática, isso se traduz em decisões mais confiáveis e maior consistência operacional. Autonomia também gera discussões sobre risco. De fato, delegar decisões a algoritmos sem governança pode causar distorções, vieses e falhas operacionais. Casos recentes no mercado global mostram que sistemas sem proteção podem agir fora do esperado. A solução não é frear a evolução, mas estruturar guardrails robustos, trilhas de auditoria, monitoramento contínuo e critérios claros de responsabilidade. Autonomia não significa ausência de controle. Significa controle planejado desde o desenho do fluxo, com limites definidos e integração segura aos dados corporativos. Outro argumento comum é que chatbots ainda resolvem boa parte das demandas, tornando a transição prematura. Essa visão ignora a maturidade de dados e infraestrutura do mercado brasileiro. Empresas que modernizaram seus ambientes percebem que o gargalo não está na interface de conversa, mas na orquestração entre sistemas. Quando um agente integra ERP, CRM, bases logísticas e relatórios financeiros para propor e executar ações, a eficiência deixa de ser incremental e se torna estrutural. O salto de produtividade não vem da resposta rápida, mas da execução coordenada. A discussão central deixou de ser quem possui a IA mais avançada e passou a ser quem construiu agentes autônomos, integrados e governados. A fase dos chatbots cumpriu seu papel pedagógico ao popularizar a tecnologia. Agora, o desafio é transformar modelos em infraestrutura decisória. Empresas que entenderem essa transição não adotarão apenas uma nova ferramenta. Redefinirão a forma como operam. A era dos chatbots ensinou a perguntar melhor. A era dos agentes autônomos começa quando aprendemos a delegar melhor. Via - Daniel S.

  • Deepfakes: especialista explica riscos legais e como se proteger após caso de atriz alemã Collien Fernandes

    A atriz e apresentadora alemã Collien Fernandes, de 44 anos, acusou o ex-marido, o ator Christian Ulmen, de criar deepfakes , que consistem em perfis falsos utilizando sua identidade e de disseminar, ao longo de mais de dez anos, imagens de conteúdo pornográfico atribuídas a ela. De acordo com Collien, o ex-cônjuge teria admitido os fatos em 2024, após o caso ser levado às autoridades policiais. O fato, porém, ganhou repercussão nas redes sociais tempos depois, quando a atriz resolveu torna-lo público. Recentemente, uma manifestação em Berlim tomos as ruas da capital alemã e uma petição de solidariedade à Colleen foi assinada por 250 mulheres famosas. “Trata-se de uma realidade incômoda: a tecnologia evoluiu mais rápido do que a nossa capacidade de protegê-la juridicamente”, afirma Alexander Coelho, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Digital, IA e Cibersegurança . Conforme os relatos da vítima, o próprio marido teria utilizado, por mais de uma década, a imagem e até a voz sintetizada da vítima para produzir conteúdo pornográfico falso, inclusive interagindo com terceiros como se fosse ela. “Não estamos diante de uma simples falsificação digital, mas de uma forma sofisticada de violência. O corpo nunca foi tocado, mas a intimidade foi claramente violada”, acrescenta o especialista. O ponto mais sensível desse caso é que ele desmonta uma percepção equivocada ainda muito comum. O risco não vem apenas de criminosos desconhecidos, escondidos atrás de um computador. “Ele pode estar dentro de casa, o que torna a prevenção muito mais complexa e exige uma mudança de mentalidade. Deepfake não é entretenimento nem experimento tecnológico inocente. É uma ferramenta com potencial real de destruição reputacional, emocional e até financeira”, afirma Coelho. Como combater deepfakes: legislação europeia x brasileira Do ponto de vista jurídico, a reação europeia tem sido mais rápida e estruturada. A Alemanha já discute a criminalização específica da produção de pornografia deepfake, ampliando o foco que antes recaía principalmente sobre a distribuição. “No contexto mais amplo da União Europeia, o AI Act já impõe obrigações de transparência sobre conteúdos sintéticos, sinalizando um caminho regulatório mais claro e preventivo. O Brasil, por sua vez, ainda opera com instrumentos fragmentados. A LGPD oferece base para responsabilização civil pelo uso indevido de imagem e dados pessoais, enquanto o Código Penal permite enquadramentos como difamação ou falsa identidade”, explica o advogado. O problema, de acordo com Coelho, é que falta uma tipificação específica, o que gera insegurança jurídica e, muitas vezes, retarda a resposta estatal. Já na prática, a proteção começa antes do problema aparecer. “Reduzir a exposição excessiva de imagens, especialmente em alta qualidade, é uma medida simples, mas ainda subestimada. Monitorar o uso da própria imagem na internet pode antecipar danos. Quando o conteúdo surge, a velocidade de reação passa a ser determinante. Denunciar rapidamente às plataformas, preservar provas e buscar orientação jurídica adequada fazem toda a diferença entre um dano controlado e uma crise irreversível”, conclui o especialista. Via - Alexander Coelho

  • LGPD, vazamentos e perícia digital: por que agir rápido pode evitar multas e danos irreversíveis

    A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) mudou definitivamente o patamar de responsabilidade das organizações brasileiras no tratamento de dados pessoais. Mais do que uma exigência legal, ela reflete a crescente valorização da privacidade como um direito humano fundamental e impõe consequências severas para quem falha em proteger esses dados. No Brasil, a LGPD prevê sanções que vão desde advertências e bloqueio de dados até multas que podem atingir até 2% do faturamento da empresa no ano anterior, limitadas a R$ 50 milhões por infração. Além disso, penalidades como publicização dos incidentes e suspensão temporária das atividades de tratamento de dados podem causar danos reputacionais imediatos e duradouros. Velocidade da resposta faz diferença Em um cenário onde incidentes de segurança crescem a cada ano (o número global de ataques cibernéticos cresceu 44%, conforme aponta o relatório anual The State of Global Cyber Security 2025), a capacidade de reagir rapidamente pode ser a diferença entre uma política de contenção eficaz e uma crise corporativa com impacto milionário. No ambiente atual, onde organizações públicas e privadas enfrentam um aumento exponencial de tentativas de invasão e vazamentos de dados, a perícia digital torna-se um componente essencial de qualquer plano de resposta a incidentes. A perícia digital não é apenas uma investigação forense pós-fato. Trata-se de um conjunto de práticas e ferramentas que permitem identificar o que foi comprometido, como ocorreu a violação e, sobretudo, quando e por quem. Essa investigação rápida e precisa é vital para cumprir prazos de notificação à autoridade nacional e aos titulares de dados pessoais, requisitos que, se descumpridos, podem agravar ainda mais as penalidades da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e gerar litígios adicionais. No meu dia a dia, vejo com frequência organizações que subestimam a complexidade de uma resposta a vazamentos. Uma detecção tardia não apenas amplia o alcance do vazamento, como também dificulta a coleta de evidências fundamentais para a defesa da empresa perante a ANPD e até mesmo para mitigar possíveis ações civis. Em outras palavras: sem perícia digital eficaz, as chances de minimizar o impacto financeiro e legal diminuem drasticamente. Os números reforçam este ponto De acordo com pesquisa da NordVPN, realizada em 2025, o Brasil ocupa o 1º lugar entre 235 países no vazamento de cookies, com mais de 7 bilhões de registros, dos quais 550 milhões ainda estão ativos, o que expõe organizações de todos os setores a riscos elevados, independentemente de tamanho ou segmento. Além das multas e sanções administrativas (segundo a ANPD, até agosto de 2024 foram aplicadas 18 sanções administrativas, sendo apenas duas multas), há ainda um custo duro e imediato que muitas vezes não é contabilizado nos orçamentos de segurança: a perda de confiança de clientes, parceiros e investidores. Na era digital, essa confiança pode valer mais do que qualquer cifra em reais e é justamente o que a LGPD busca resguardar. Portanto, minha visão é clara: incorporar práticas de perícia digital e resposta a incidentes ao DNA da organização é estratégica. Isso não só demonstra compromisso com a proteção de dados, como reduz significativamente as chances de multas pesadas e danos irreversíveis à reputação corporativa. Afinal, quando se trata de segurança da informação, agir rápido é uma obrigação de mercado. Via - Jefferson Macedo

  • Fraudes financeiras disparam e lideram ações na Justiça contra empresas

    Golpes digitais, cobranças indevidas e falhas de segurança impulsionam judicialização e reforçam dever de proteção ao consumidor  Levantamento inédito realizado pela Jus Brasil aponta que o principal motivo litígios entre consumidores e empresas no Brasil é a fraude financeira. O estudo, que se baseou na análise de mais 91 mil decisões judiciais, proferidas entre 2020 e 2025, mostra a tríade problemas de crédito, registros irregulares de inadimplências e cobranças indevidas como o centro da judicialização consumerista no país.  Segundo o apontamento, mais de 11% (11,07%) dos processos são sobre empréstimos consignados e fraudes financeiras; logo atrás, mais de 10% (10,14%) abordam inscrições irregulares em cadastros de inadimplentes. Cobranças indevidas envolvem quase 5% das decisões judiciais (4,76%). O dado confirma uma tendência já percebida nos tribunais: o crescimento expressivo de conflitos envolvendo falhas de segurança em serviços financeiros, especialmente em operações digitais. “Os dados evidenciam que não se trata de episódios isolados, mas de uma falha estrutural na prestação de serviços, sobretudo no ambiente digital, em que a segurança deveria ser reforçada e não flexibilizada” ,  esclarece Stefano Ribeiro Ferri, especialista em Direito do Consumidor.  O perfil das vítimas também se destaca. Em mais de 50% dos casos de fraudes em consignado, os consumidores eram pessoas em situação de vulnerabilidade, como idosos, aposentados, pensionistas e até pessoas com deficiência ou analfabetos. O levantamento aponta o perfil das vítimas: no setor, mais de 50% dos casos de fraude em consignado envolvem consumidores em situação de vulnerabilidade agravada, como idosos, aposentados, pensionistas, pessoas com deficiência ou analfabetos. “É fundamental reconhecer que esses consumidores possuem proteção reforçada pela legislação, o que impõe às instituições financeiras um dever ainda maior de cautela, transparência e validação das operações realizadas”,  enfatiza o advogado, que destaca a necessidade de políticas eficazes de prevenção e atendimento especializado.  A expansão de golpes — como fraudes em transações bancárias, uso indevido de dados e contratações não autorizadas — demonstra não apenas a sofisticação dos criminosos, mas também a fragilidade dos mecanismos de proteção adotados por instituições financeiras e plataformas digitais. Em meio à onda crescente de fraudes financeiras e problemas na Justiça, a responsabilidade das empresas tem se consolidado como ponto-chave das decisões favoráveis ao consumidor. Especialmente quando há indícios de falha sistêmica ou ausência de mecanismos eficazes de prevenção. Stefano Ribeiro Ferri explica que  “a responsabilidade objetiva das empresas, prevista no Código de Defesa do Consumidor, impõe o dever de indenizar independentemente de culpa” e “a ausência de mecanismos eficazes de segurança configura falha na prestação do serviço, especialmente quando o consumidor não contribuiu para o dano”. O avanço de tecnologias como o Pix e o crescimento das fintechs contribuíram para a inclusão financeira, mas também abriram espaço para novas modalidades de fraude, cada vez mais sofisticadas e difíceis de detectar. ““Não basta oferecer tecnologia avançada; é imprescindível que as empresas invistam continuamente em sistemas antifraude e em educação do consumidor, sob pena de responderem judicialmente pelos prejuízos causados”,  reforça o especialista em direito do Consumidor . Principais causas de ações no Direito do Consumidor Fraudes bancárias e golpes digitais Cobranças indevidas Negativação irregular do nome Contratações não autorizadas Falhas em serviços financeiros O que diz a lei Responsabilidade objetiva do fornecedor (independe de culpa) Inversão do ônus da prova em favor do consumidor Direito à reparação por danos materiais e morais Dever de segurança na prestação do serviço Orientações ao consumidor Nunca compartilhar senhas ou códigos de verificação Desconfiar de contatos que se passam por bancos Monitorar movimentações financeiras com frequência Registrar imediatamente ocorrências junto à instituição Procurar orientação jurídica em caso de prejuízo

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