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  • Comece cada dia do zero: quatro passos para reduzir riscos com IA agêntica

    Por Claudio Bannwart, country manager Brasil da Netskope Durante anos, o controle de permissões de acesso funcionou porque as empresas operavam de uma forma mais previsível. Os cargos definiam responsabilidades, os sistemas mudavam pouco e os acessos permaneciam praticamente estáveis ao longo do tempo. Então, a IA chegou e começou a desmontar essa lógica. Hoje, agentes de IA executam tarefas, acessam informações e apoiam diferentes fluxos de trabalho de forma dinâmica. Ao mesmo tempo, o uso dessas ferramentas também cresce rapidamente dentro das empresas, muitas vezes sem visibilidade ou controle adequados por parte das áreas de segurança e tecnologia. Em vez de uma identidade vinculada a cada funcionário, as empresas agora lidam com múltiplos agentes operando em nome de uma mesma pessoa. Isso aumenta a complexidade sobre quem pode acessar o quê, em qual momento e sob quais condições. Nesse cenário, as permissões permanentes representam um risco. Cada acesso mantido sem necessidade amplia a exposição da organização, principalmente em um momento em que os atacantes já exploram formas de manipular agentes e automatizar os ataques. Por isso, o modelo mais seguro daqui para frente parte de um princípio simples: ninguém deve começar o dia com permissões permanentes já concedidas. O acesso precisa existir apenas quando houver necessidade real e durar somente o tempo necessário para aquela atividade. Também passa a depender do contexto da solicitação, considerando fatores como comportamento, dispositivo utilizado, nível de risco e atividade executada naquele momento. A diferença aparece principalmente quando algo sai do controle. Em modelos tradicionais, um agente comprometido pode circular por múltiplos sistemas antes que o problema seja identificado. Em um modelo dinâmico, o impacto tende a ser mais limitado porque os acessos são reduzidos e constantemente revisados. Essa abordagem também reduz a complexidade das investigações e acelera respostas em caso de incidente, já que as equipes conseguem identificar exatamente qual acesso estava liberado naquele momento e sob quais condições. Para colocar essa lógica em prática, quatro passos são fundamentais: Visibilidade contínua sobre os agentes de IA em operação e os sistemas aos quais possuem acesso. Decisões de acesso em tempo real, considerando sinais de risco, comportamento e contexto operacional. Políticas dinâmicas capazes de responder rapidamente a solicitações imprevisíveis de humanos e agentes autônomos. Automação para aplicar, revisar e revogar permissões na velocidade exigida pelos ambientes atuais. A IA já transformou a forma como as empresas operam, então, o desafio agora é impedir que modelos de acesso criados para um ambiente muito mais lento se tornem um ponto de fragilidade dentro das organizações. Mais do que uma mudança tecnológica, esse movimento exige uma revisão na forma como as equipes de segurança cibernética concedem, monitoram e revogam os acessos das pessoas em ambientes cada vez mais automatizados.

  • Apple processa OpenAI por suposto roubo de segredos comerciais ligados a hardware

    A Apple entrou com uma ação judicial contra a OpenAI, acusando a empresa de roubo de segredos comerciais, violação contratual e uso indevido de informações confidenciais relacionadas a produtos, processos de engenharia e componentes de hardware ainda não anunciados. O processo foi apresentado nesta sexta-feira, 10 de julho de 2026, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia. A ação representa uma escalada importante na relação entre duas empresas que, até pouco tempo atrás, mantinham uma parceria estratégica em inteligência artificial. Em 2024, a Apple passou a integrar recursos do ChatGPT em seus dispositivos, mas a aproximação passou a conviver com tensões à medida que a OpenAI avançou em planos para desenvolver seus próprios produtos de hardware de consumo. Segundo a Apple, a suposta conduta irregular não teria sido um caso isolado, mas parte de um padrão envolvendo ex-funcionários da companhia contratados pela OpenAI. A fabricante do iPhone afirma que esse comportamento teria sido orientado ou tolerado por lideranças sêniores da OpenAI, incluindo Tang Tan, atual Chief Hardware Officer da empresa de IA e ex-executivo da Apple. Tan trabalhou por 24 anos na Apple e ocupou cargos de destaque na área de design de produto, incluindo funções ligadas ao iPhone e ao Apple Watch. A ação afirma que ele teria usado nomes de código confidenciais de projetos da Apple durante processos de recrutamento da OpenAI, solicitado que candidatos levassem componentes de hardware da Apple para entrevistas, pedido detalhes sobre produtos ainda não anunciados e orientado funcionários em processo de saída sobre como driblar procedimentos internos de segurança. A Apple também cita Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos da empresa, que teria deixado a companhia para trabalhar na OpenAI em 2026. De acordo com a acusação, Liu não teria devolvido um notebook corporativo da Apple após sua saída e teria usado o equipamento para baixar documentos técnicos confidenciais. Entre os materiais citados no processo estariam especificações de engenharia, apresentações internas, dados proprietários de projetos e informações sobre tecnologias, recursos e produtos ainda não divulgados. A denúncia afirma ainda que Liu teria compartilhado informações confidenciais da Apple com outros funcionários que buscavam vagas na OpenAI, inclusive orientando ao menos um candidato sobre quais assuntos estudar antes da entrevista. Para a Apple, esse comportamento indicaria que o processo de recrutamento teria sido usado como meio de coleta de inteligência competitiva sobre projetos internos da companhia. O contexto amplia a gravidade comercial da disputa. A OpenAI é apontada há meses como interessada em lançar seu primeiro dispositivo de hardware, possivelmente um produto de consumo baseado em agentes de IA. Em abril, o analista Ming-Chi Kuo sugeriu que o equipamento poderia funcionar como uma espécie de smartphone centrado em agentes inteligentes, em vez de aplicativos tradicionais. Caso avance nessa direção, o produto poderia disputar espaço diretamente com o iPhone, principal negócio de hardware da Apple. A aquisição da startup io Products pela OpenAI, em um negócio de US$ 6,5 bilhões, também aparece no pano de fundo da ação. A io foi fundada pelo ex-chefe de design da Apple Jony Ive e por outros executivos ligados ao desenvolvimento de produtos. Embora a io tenha sido mencionada no processo e também apareça como parte relevante das ambições de hardware da OpenAI, Ive não foi citado como réu na ação, segundo os relatos publicados sobre o caso. A Apple afirma ter enviado uma carta à OpenAI em fevereiro de 2026 para levantar preocupações sobre o suposto uso indevido de informações confidenciais, mas disse não ter recebido resposta. A empresa sustenta que a investigação interna encontrou indícios de que a OpenAI e parceiros teriam usado informações sigilosas da Apple no desenvolvimento de seu próprio produto de hardware. Um dos exemplos citados envolve uma técnica proprietária de acabamento metálico. Segundo a acusação, a OpenAI teria utilizado esse conhecimento após supostamente induzir um parceiro a acreditar que possuía autorização da Apple para isso. A alegação é relevante porque processos industriais, materiais, fornecedores e métodos de acabamento podem ser protegidos como segredos comerciais quando não são públicos e geram vantagem competitiva. Como ocorre em disputas desse tipo, a Apple diz ter conduzido parte de sua investigação analisando comunicações feitas em dispositivos corporativos, registros de acesso e logs de servidores. Ao levar o caso ao Judiciário, a empresa busca ampliar a apuração por meio da fase de discovery, procedimento no qual as partes podem obter documentos, mensagens, registros internos e outros elementos capazes de esclarecer a extensão da suposta apropriação indevida. A ação pede que o tribunal proíba a OpenAI de usar ou divulgar segredos comerciais da Apple, determine a devolução de qualquer material confidencial em posse da empresa de IA ou de seus funcionários e obrigue a preservação de evidências relacionadas ao caso. A Apple também busca medidas para impedir que informações proprietárias sejam incorporadas a produtos, processos ou parcerias da OpenAI. Em declaração preparada, a Apple afirmou que suas equipes desenvolvem tecnologias para criar produtos e serviços considerados estratégicos e que a proteção desse trabalho e da propriedade intelectual é tratada com seriedade. A empresa disse que surgiram evidências relevantes de que pessoas empregadas pela OpenAI teriam levado indevidamente informações secretas e confidenciais sobre tecnologias, processos e produtos não lançados. A OpenAI foi procurada para comentar as acusações, mas, até o momento das publicações consultadas, ainda não havia apresentado uma resposta pública detalhada. Como se trata de uma ação recém-aberta, as alegações ainda serão avaliadas judicialmente, e a OpenAI terá oportunidade de contestar os pontos apresentados pela Apple. O caso também expõe uma tensão crescente no setor de inteligência artificial: a disputa por talentos técnicos e executivos vindos de grandes empresas de hardware. Em um mercado no qual vantagem competitiva depende de integração entre IA, design industrial, semicondutores, sensores, cadeia de suprimentos e experiência do usuário, a movimentação de funcionários entre concorrentes aumenta o risco de litígios envolvendo segredos comerciais, propriedade intelectual e cláusulas contratuais de confidencialidade. Para empresas de tecnologia, o processo reforça a importância de controles de saída de funcionários, gestão de dispositivos corporativos, monitoramento de downloads atípicos, revisão de permissões, rastreamento de acesso a documentos sensíveis e políticas claras para entrevistas com candidatos vindos de concorrentes. Em setores altamente competitivos, a fronteira entre experiência profissional legítima e uso indevido de informação confidencial pode se tornar um dos principais pontos de disputa judicial.

  • OpenAI lança GPT-5.6 com foco em cibersegurança, codificação e uso corporativo

    A OpenAI apresentou nesta quinta-feira sua nova família de modelos de inteligência artificial, o GPT-5.6, ampliando a disputa em um mercado cada vez mais competitivo entre fornecedores de IA generativa. A nova linha chega em três variantes: Sol, descrito como o modelo principal e mais avançado; Terra, opção intermediária com foco em custo e desempenho; e Luna, versão mais rápida e acessível para uso em escala. Segundo a empresa, o GPT-5.6 foi desenvolvido para ampliar capacidades em áreas como trabalho corporativo, programação, pesquisa científica, uso de ferramentas e cibersegurança. A OpenAI afirma que a nova geração traz ganhos de eficiência em relação a versões anteriores, incluindo menor consumo de tokens em tarefas complexas, o que pode reduzir custos e tempo de execução para empresas e desenvolvedores. O principal destaque técnico está na cibersegurança. A OpenAI classifica o GPT-5.6 como sua família mais forte até agora nessa área, com desempenho avançado em avaliações internas e uso significativamente menor de tokens. No cartão de sistema publicado pela empresa, todos os modelos da família GPT-5.6 superaram o limiar “High” de preparação em tarefas de Capture The Flag internas, com o GPT-5.6 Sol atingindo 96,7% nesse conjunto de avaliação. A empresa, no entanto, também trata a evolução com cautela. O mesmo documento classifica Sol, Terra e Luna como modelos de alta capacidade em cibersegurança, mas abaixo do nível considerado crítico. Isso significa que os modelos demonstram competência relevante em tarefas defensivas e ofensivas simuladas, mas, segundo a avaliação da OpenAI, ainda não ultrapassam o limite de risco mais elevado definido em sua estrutura de preparação. Na prática, o GPT-5.6 foi apresentado como uma ferramenta para apoiar atividades defensivas, incluindo modelagem de ameaças, revisão de código, correção de vulnerabilidades e exercícios de blue team. Esse tipo de uso pode ajudar equipes de segurança a identificar falhas antes que elas sejam exploradas, revisar trechos de código com possíveis problemas e acelerar a análise de ambientes complexos. Ao mesmo tempo, a maior capacidade desses modelos em tarefas de segurança explica parte do escrutínio regulatório em torno do lançamento. A liberação do GPT-5.6 ocorreu após questionamentos do governo dos Estados Unidos sobre riscos de uso indevido. Segundo reportagens publicadas nos últimos dias, a administração Trump havia solicitado inicialmente uma distribuição mais restrita do modelo, citando preocupações de segurança nacional e possíveis usos em ataques cibernéticos. Após testes adicionais e discussões com autoridades, as restrições foram suspensas para permitir uma disponibilização mais ampla. O lançamento também inclui o ChatGPT Work, uma nova ferramenta voltada a equipes corporativas. A proposta é oferecer um assistente de trabalho para desktop, web e dispositivos móveis, capaz de apoiar tarefas como criação de documentos, planilhas, apresentações e outros fluxos administrativos. Segundo a OpenAI, o ChatGPT Work é alimentado pela família GPT-5.6 e pode operar com Sol, Terra ou Luna conforme o contexto de uso. Para empresas, a chegada do GPT-5.6 reforça uma tendência clara: os modelos de IA deixam de ser apenas assistentes de texto e passam a disputar espaço em fluxos operacionais sensíveis, como desenvolvimento de software, análise de segurança, automação de processos e tomada de decisão técnica. Isso aumenta o potencial de produtividade, mas também exige governança, controle de acesso, políticas de uso, monitoramento e validação humana em tarefas críticas. A OpenAI também posiciona o GPT-5.6 como resposta direta à concorrência, especialmente à Anthropic, que tem ganhado espaço no mercado corporativo com foco em clientes empresariais e segurança. A empresa cita benchmarks como o Artificial Analysis Coding Agent Index para sustentar a afirmação de que o GPT-5.6 Sol é seu melhor modelo de programação até agora, superando rivais em determinadas métricas de codificação, custo e eficiência de tokens. Segundo os dados divulgados pela OpenAI, o GPT-5.6 Sol alcançou pontuação 80 no Artificial Analysis Coding Agent Index v1.1, acima dos 77,2 atribuídos ao Claude Fable 5 no mesmo quadro comparativo publicado pela empresa. A OpenAI também afirma que o Terra ficou acima do GPT-5.5 em desempenho competitivo e que o Luna foi projetado como a opção mais rápida e econômica da nova família. A nova família já está sendo disponibilizada em ChatGPT, Codex e na API da OpenAI. A empresa informou que, no ChatGPT, usuários dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise terão acesso ao GPT-5.6 Sol em configurações de esforço médio ou superior, enquanto usuários Pro e Enterprise também poderão selecionar o GPT-5.6 Sol Pro para tarefas mais complexas. No ChatGPT Work e no Codex, a disponibilidade varia por plano, com acesso a diferentes combinações de Sol, Terra e Luna. Na API, os preços por 1 milhão de tokens foram definidos em três faixas. O GPT-5.6 Sol custa US$ 5 por entrada e US$ 30 por saída; o Terra custa US$ 2,50 por entrada e US$ 15 por saída; e o Luna custa US$ 1 por entrada e US$ 6 por saída. A empresa também anunciou mudanças em cache de prompts, incluindo suporte a pontos explícitos de cache e vida mínima de 30 minutos para cache, mecanismo que pode reduzir custos em aplicações com prompts repetitivos. O movimento coloca a OpenAI em uma fase mais agressiva da competição por empresas, desenvolvedores e equipes técnicas. Com modelos mais especializados, integração com ferramentas de trabalho e foco declarado em cibersegurança, a empresa tenta reforçar sua posição em um mercado no qual desempenho bruto já não é o único critério. Custo, eficiência, segurança, governança e capacidade de integração passam a pesar cada vez mais na adoção corporativa de IA.

  • Hackers invadem páginas do Exército dos EUA e exibem mensagens pró-Curdistão

    O Exército dos Estados Unidos corrigiu dois sites que haviam sido desfigurados para exibir mensagens pró-Curdistão e críticas ao presidente Donald Trump, em mais um caso recente de comprometimento envolvendo sistemas ligados ao governo federal norte-americano. O incidente foi inicialmente reportado pela CyberScoop e também confirmado em apuração da TechCrunch. De acordo com o pesquisador Ronald Lovelace, as alterações foram identificadas em páginas de erro de dois sites do Exército: o Open Innovation Lab e o AI Integration Center. Essas estruturas são voltadas a testes, integração de inteligência artificial e adoção de tecnologias emergentes em projetos militares. As mensagens adulteradas apareciam quando alguém tentava acessar páginas inexistentes nos domínios afetados, comportamento compatível com ataques conhecidos como “404 hijacking”, em que páginas de erro são modificadas para exibir conteúdo não autorizado. As páginas de erro foram alteradas para mostrar mensagens políticas, incluindo acusações ofensivas contra Trump e referências ao embaixador dos Estados Unidos na Turquia, Tom Barrack. Os invasores também usaram os espaços comprometidos para defender um “Curdistão livre”, associando o ataque a uma causa política regional. Segundo a CyberScoop, as alterações ainda estavam visíveis na segunda-feira, 6 de julho de 2026, até que a publicação entrou em contato com o Exército, que retirou as páginas do ar pouco depois. Até o momento, o Exército dos EUA não informou como as páginas foram desfiguradas. Os sites aparentavam utilizar WordPress e dependiam de plugins, um vetor comum em ataques contra páginas institucionais quando extensões, temas ou componentes do CMS apresentam falhas de segurança, configurações inadequadas ou credenciais comprometidas. Ainda não há confirmação de que dados tenham sido roubados durante o incidente. A CyberScoop informou que o Exército abriu investigação para apurar o caso. A ausência de detalhes técnicos limita a avaliação sobre o alcance real da intrusão, mas o caso levanta dúvidas sobre a superfície de exposição de sites governamentais e sobre a gestão de plataformas públicas mantidas por órgãos sensíveis. Mesmo quando uma desfiguração parece restrita a páginas de erro, o comprometimento pode indicar acesso indevido a sistemas de publicação, falhas de atualização ou controle insuficiente sobre componentes de terceiros. Ataques de defacement costumam ser usados por hacktivistas para chamar atenção para pautas políticas, ideológicas ou geopolíticas. Embora muitas dessas ações busquem impacto simbólico e visibilidade pública, elas também podem servir como sinal de fragilidade técnica em ambientes oficiais. Em cenários mais graves, o mesmo tipo de acesso pode ser explorado para distribuir malware, redirecionar visitantes, coletar credenciais ou preparar etapas posteriores de intrusão. O episódio se soma a outros incidentes recentes envolvendo órgãos federais norte-americanos. Neste ano, hacktivistas também miraram o Departamento de Segurança Interna dos EUA e divulgaram grande volume de registros relacionados a contratos usados por autoridades de imigração, incluindo o ICE, em operações de deportação. Nesta semana, o próprio Departamento de Segurança Interna confirmou outro incidente, após hackers invadirem uma plataforma de compartilhamento de inteligência usada para troca de informações entre autoridades estaduais, locais e federais. Embora não haja indicação pública de conexão entre esses casos, a recorrência de ataques contra sistemas governamentais mostra como páginas institucionais, portais auxiliares e plataformas de integração podem se tornar alvos de campanhas de exposição política. Para órgãos públicos, a proteção desses ambientes exige inventário contínuo de ativos, atualização rigorosa de CMS e plugins, revisão de permissões administrativas, monitoramento de alterações não autorizadas e resposta rápida para reduzir o tempo de exposição.

  • Desenvolvedor FOSS cria compilador BASIC09 usando LLVM

    Um novo projeto de software livre está trazendo uma linguagem histórica para uma infraestrutura moderna de compilação. O desenvolvedor Boisy Pitre, ex-profissional da Microware, criou um compilador para BASIC09 usando o LLVM como biblioteca, após uma proposta inicial publicada no fórum Discourse da suíte de compiladores. A proposta original, intitulada “Adding BASIC09 frontend tool to LLVM”, sugeria a criação de um front-end capaz de permitir que o LLVM compilasse código BASIC. A ideia evoluiu para um compilador independente chamado basic09c, que não integra diretamente o LLVM como um novo front-end oficial, mas usa sua infraestrutura para gerar código. Nem LLVM nem GCC oferecem suporte direto à linguagem BASIC. Por isso, o projeto chama atenção por aproximar uma linguagem clássica, frequentemente associada aos microcomputadores das décadas de 1970 e 1980, de uma das bases mais importantes da compilação moderna. A iniciativa lembra outro movimento recente no universo de compiladores: a adição de ALGOL-68 ao GCC. O BASIC, apesar da idade, continua longe de estar morto. A linguagem completou 60 anos recentemente e ainda mantém dialetos modernos, projetos de código aberto e comunidades ligadas à computação retrô, educação e preservação de software. No caso de Pitre, porém, o foco não está em qualquer BASIC doméstico tradicional, mas no BASIC09, uma variante associada ao sistema operacional OS-9, da Microware. O BASIC09 era uma linguagem estruturada oferecida pela Microware para seu sistema OS-9, um ambiente multitarefa, multiusuário e semelhante ao Unix. Diferentemente de muitos dialetos populares de BASIC da época, o BASIC09 tinha recursos mais avançados para desenvolvimento estruturado, incluindo procedimentos nomeados, variáveis locais, estruturas IF…THEN…ELSE, tipos definidos pelo usuário e ausência de necessidade de números de linha. Essas características o colocavam em uma posição diferente do BASIC usado em muitos microcomputadores domésticos, que frequentemente dependia de linhas numeradas e de um estilo mais linear de programação. O BASIC09 buscava oferecer uma experiência mais próxima de linguagens estruturadas, tornando o código mais organizado e adequado a aplicações maiores. O OS-9 da Microware também tem uma história própria relevante. Apesar da semelhança no nome, ele não tinha relação com o Mac OS 9 da Apple. No fim dos anos 1990, quando a Apple lançou seu MacOS 9, muitos usuários confundiram os nomes e passaram a procurar comunidades do OS-9 da Microware com perguntas sobre Macs. A confusão chegou ao ponto de a Microware processar a Apple por questões de marca. A Microware continua existindo e ainda oferece suporte ao OS-9, hoje posicionado como um sistema operacional de tempo real, ou RTOS. No passado, o sistema teve presença em microcomputadores como o Dragon 32, do Reino Unido, e também podia ser executado no Tandy Color Computer, conhecido nos Estados Unidos. Ambos usavam o processador Motorola 6809, uma CPU bastante respeitada entre entusiastas de retrocomputação. A escolha do BASIC09 por Boisy Pitre tem também um componente pessoal e histórico. Pitre trabalhou na Microware no início da carreira e há décadas escreve sobre sistemas ligados ao Tandy CoCo e ao ecossistema 6809. Em 2024, ele concluiu seu doutorado, mas sua atuação no setor vem de muito antes, especialmente em projetos ligados à preservação e modernização de tecnologias clássicas. Essa não é a primeira iniciativa de Pitre que chama atenção na retrocomputação. Em 2012, ele criou o Liber809, um projeto ambicioso que propunha substituir o processador original de máquinas Atari de 8 bits por um Motorola 6809, acompanhado de firmware compatível. A ideia era combinar uma das CPUs de 8 bits mais avançadas com um dos computadores de 8 bits mais capazes de sua época. O projeto Liber809 tornaria os Ataris incompatíveis com softwares originais da plataforma, mas permitiria que rodassem NitrOS-9, uma distribuição comunitária derivada da versão original do OS-9 para 6809. Esse tipo de iniciativa mostra como a retrocomputação vai além da nostalgia: ela também envolve engenharia reversa, preservação de software, experimentação arquitetural e reaproveitamento de conceitos técnicos antigos em contextos modernos. O basic09c segue essa mesma linha. Ao usar LLVM como biblioteca, o compilador pode aproveitar uma infraestrutura madura de geração, otimização e emissão de código. Isso permite que uma linguagem histórica como o BASIC09 seja levada a ambientes modernos com menos esforço do que seria necessário para criar todo um backend de compilação do zero. O LLVM é amplamente usado por compiladores, linguagens e ferramentas de desenvolvimento atuais. Ele fornece blocos de construção para análise, otimização e geração de código para diferentes arquiteturas. Ao criar um compilador BASIC09 sobre essa base, Pitre conecta um dialeto clássico a uma cadeia moderna de ferramentas. A iniciativa também reforça o papel dos compiladores como instrumentos de preservação digital. Muitas linguagens e sistemas antigos continuam relevantes para estudo, manutenção de software legado, documentação histórica e execução de programas em ambientes emulados. Quando uma linguagem ganha um compilador moderno, fica mais fácil preservar não apenas seu código, mas também sua semântica e seu modo de desenvolvimento. Embora o BASIC09 não tenha o apelo popular de linguagens modernas, o projeto atende a uma comunidade específica de entusiastas, pesquisadores, usuários de OS-9 e interessados em arquiteturas históricas. Também demonstra que linguagens consideradas antigas ainda podem encontrar espaço quando conectadas a ferramentas contemporâneas. Em um cenário em que software legado continua presente em sistemas industriais, embarcados e especializados, projetos como basic09c têm valor técnico e histórico. Eles ajudam a manter viva a capacidade de compilar, estudar e executar código que poderia se perder com o desaparecimento de ambientes originais. O desenvolvimento do compilador ainda é uma iniciativa de nicho, mas mostra como o ecossistema FOSS pode preencher lacunas que grandes projetos não priorizam. Se LLVM e GCC não têm suporte direto a BASIC, desenvolvedores independentes podem usar suas estruturas para criar pontes entre linguagens antigas e plataformas modernas. No fim, o basic09c é mais do que uma curiosidade para fãs de BASIC. Ele representa a continuidade de uma tradição de engenharia voltada à preservação, à experimentação e à recuperação de tecnologias que ajudaram a formar a computação moderna.

  • Jogo de navegador usa gamificação para ensinar atalhos do editor Vim

    Aprender Vim pode ser uma experiência intimidadora para quem está acostumado a editores de texto tradicionais. Até comandos simples, como mover o cursor para cima, baixo, esquerda e direita, funcionam de maneira diferente. Para tornar esse aprendizado menos árido, o desenvolvedor e designer Marcus Michaels criou o Vim Scoops, um jogo de navegador que ensina os chamados “Vim motions” por meio de entregas de sorvete. O Vim Scoops é um jogo simples, feito em HTML, CSS e JavaScript, no qual o jogador controla um caminhão de sorvete e precisa realizar entregas da forma mais eficiente possível. Em vez de usar mouse ou setas direcionais, os movimentos são feitos com atalhos do Vim, incentivando o usuário a memorizar comandos enquanto resolve pequenos desafios em cada fase. No editor Vim, os movimentos básicos usam as teclas “h”, “j”, “k” e “l” para mover o cursor para esquerda, baixo, cima e direita. Esses atalhos são famosos por parecerem pouco intuitivos para iniciantes, mas fazem parte da lógica do editor: manter as mãos no teclado e reduzir a dependência do mouse. A primeira fase do Vim Scoops apresenta três pessoas no mapa. Uma delas, marcada com a letra “C”, é o cliente que deve receber o sorvete. As outras duas, marcadas com “X”, representam pessoas que não querem sorvete. O objetivo é chegar ao cliente em cinco movimentos usando apenas os comandos básicos de deslocamento. A solução envolve uma sequência simples, como “ljljl”, mas já introduz a lógica do Vim de forma prática. Conforme o jogo avança, os desafios passam a incluir outros comandos de navegação. As fases iniciais testam, por exemplo, a movimentação entre palavras com “w” e o salto para o início da linha com “0”. A partir daí, os níveis se tornam mais complexos e exigem que o jogador combine comandos aprendidos anteriormente para cumprir o número ideal de movimentos. A proposta é transformar uma curva de aprendizado conhecida por ser difícil em uma experiência visual e interativa. Em vez de memorizar atalhos em uma lista ou depender de documentação, o usuário pratica os comandos em um contexto de jogo, com objetivos claros e feedback imediato. Michaels, que vive em Londres, disse usar Vim diariamente ao lado de outros editores, como Neovim e Zed, editor que incorpora recursos de inteligência artificial. Mesmo assim, ele afirma continuar usando comandos do Vim sempre que estão disponíveis, justamente pela eficiência que oferecem em tarefas repetitivas. Segundo o desenvolvedor, a principal vantagem dos Vim motions é permitir que o usuário permaneça no teclado sem precisar recorrer ao mouse. Em um primeiro momento, os comandos podem parecer estranhos, mas, quando dominados, tornam a edição de texto mais rápida e poderosa, especialmente em operações repetidas ou em grandes arquivos. Michaels afirmou que criou o Vim Scoops por gostar de construir projetos e compartilhar conhecimento, mas também porque queria um jogo que o ajudasse a manter a memória dos comandos em dia. O jogo foi desenvolvido como um progressive web app, o que permite continuar jogando mesmo offline. Essa característica foi pensada para situações como deslocamentos diários em regiões com falhas de sinal. O projeto também chamou atenção no Hacker News, onde alguns usuários apontaram indícios de uso de IA no desenvolvimento do jogo. Michaels reconheceu que ferramentas de inteligência artificial ajudaram no processo, mas afirmou que elas não construíram o jogo inteiro. O desenvolvedor disse programar desde antes da popularização das ferramentas modernas de IA, mas considera esses recursos úteis para acelerar tarefas pequenas e bem definidas. Para ele, a IA pode ser valiosa quando usada para ampliar a produtividade de um desenvolvedor, e não para substituir completamente o trabalho humano. Michaels também alertou para o risco de entregar controle demais a ferramentas automatizadas sem compreender o que está sendo gerado. Ele afirmou que tudo o que publica com assistência de IA é algo que entende plenamente e que poderia escrever por conta própria. A IA, nesse contexto, funciona como acelerador, não como substituta da competência técnica. O Vim Scoops chega em um momento em que a discussão sobre automação no desenvolvimento de software está cada vez mais intensa. Enquanto algumas ferramentas prometem gerar aplicações inteiras, o caso do jogo mostra um uso mais moderado: IA como apoio para tarefas específicas, combinada à experiência e à revisão de um desenvolvedor humano. Para quem quer aprender Vim sem depender apenas de tutoriais tradicionais, o jogo oferece uma abordagem prática e gratuita. Além dos movimentos básicos, ele também ensina técnicas mais avançadas, incluindo gravação de ações para reprodução posterior, recurso usado por usuários experientes para automatizar sequências de edição. No fim, o Vim Scoops transforma um tema conhecido por afastar iniciantes em algo mais acessível. Ao colocar um caminhão de sorvete no lugar de um cursor piscando no terminal, o jogo ajuda novos usuários a entenderem por que os atalhos do Vim continuam populares décadas depois: eles são difíceis no começo, mas podem tornar a edição de texto muito mais eficiente.

  • Anthropic destina mais de € 170 milhões para estudar impacto da IA no emprego

    Movimento da desenvolvedora do Claude mostra que a discussão já não gira apenas em torno da tecnologia, mas de seus efeitos sobre carreiras, produtividade e qualificação profissional A Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial do mundo, anunciou um investimento superior a € 170 milhões (US$ 200 milhões) para financiar pesquisas sobre os impactos da IA no mercado de trabalho e na economia. O anúncio indica que o foco das grandes empresas do setor começa a migrar da capacidade de criar modelos para a capacidade de medir seus impactos e orientar sua adoção em larga escala. A iniciativa da criadora do Claude, um modelo de inteligência artificial generativa, mostra que a próxima disputa da IA não será apenas tecnológica, mas também econômica e social: quem ganhará produtividade, quais profissões serão redesenhadas e como as empresas organizarão suas equipes. "A discussão não é mais se a IA vai transformar o trabalho, mas em que velocidade isso acontecerá e como empresas e profissionais conseguirão acompanhar essa mudança. A tecnologia já faz parte da rotina de milhares de pessoas, e o impacto só tende a aumentar", afirma Márcio Monson, especialista em IA e CEO da Selecty, plataforma de recrutamento e seleção digital. Para o executivo, não faz mais sentido tratar a IA como uma tendência futura, mas como um fator que já se tornou uma realidade corporativa e está alterando a lógica de contratação, desempenho e geração de valor dentro das organizações. "A inteligência artificial inaugura uma mudança comparável à revolução industrial ou à internet. Ela não cria apenas uma nova ferramenta; ela redefine a forma como o conhecimento é produzido, distribuído e utilizado. O trabalho intelectual, que durante décadas parecia protegido das grandes revoluções tecnológicas, passou a ser diretamente impactado." Na avaliação do executivo, a transformação altera a relação entre tempo e resultado. "Profissionais conseguem multiplicar sua capacidade de execução sem aumentar a jornada de trabalho. A diferença entre quem utiliza IA de forma estratégica e quem ainda trabalha pelos métodos tradicionais tende a crescer rapidamente. Não estamos falando de pequenos ganhos de eficiência, mas de uma nova escala de produtividade." Essa tendência, segundo Monson, começa a mudar, inclusive, a forma como as empresas avaliam talentos. "Durante muito tempo, contratava-se pelo acúmulo de conhecimento técnico. Agora, ganha espaço quem sabe formular boas perguntas, validar respostas, interpretar cenários e tomar decisões. A IA entrega velocidade; o julgamento continua sendo humano. E é justamente essa combinação que passa a definir os profissionais mais valiosos." Contudo, para Monson, as profissões não desaparecem de uma vez. Elas mudam por dentro, o cargo continua existindo, mas as atividades, as competências exigidas e a produtividade esperada deixam de ser as mesmas. Áreas como marketing, recursos humanos, jurídico, tecnologia, atendimento, vendas e finanças já incorporam ferramentas capazes de automatizar etapas de pesquisa, produção de conteúdo, análise de informações e apoio à tomada de decisão. O efeito, segundo ele, é uma reorganização natural das equipes. "As empresas não buscarão necessariamente ter menos pessoas, mas equipes formadas por profissionais capazes de gerar muito mais valor com o apoio da tecnologia. O critério passa a incluir adaptabilidade, e a velocidade com que alguém aprende pode valer mais do que aquilo que já sabe." Na visão do CEO da Selecty, o maior risco para empresas e profissionais não é a chegada da inteligência artificial, mas a demora em incorporá-la à rotina. "Existe um custo invisível para quem adia essa adaptação. Enquanto algumas organizações discutem se devem adotar IA, outras já estão reduzindo ciclos de projetos, acelerando decisões e aumentando a produtividade. A distância entre esses dois grupos tende a crescer muito mais rápido do que ocorreu em outras revoluções tecnológicas." Para ele, o investimento da Anthropic mostra que até quem lidera o desenvolvimento da tecnologia reconhece que os maiores desafios deixaram de ser apenas técnicos. "Os modelos continuarão evoluindo, isso é inevitável. A grande incógnita agora é a velocidade com que pessoas, empresas e sistemas educacionais conseguirão acompanhar essa transformação. No fim, a vantagem competitiva não será de quem tiver acesso à melhor inteligência artificial, mas de quem aprender mais rápido a trabalhar com ela".

  • ANPD abre processo contra Isac após ataque hacker expor dados de 500 mil pacientes

    A Agência Nacional de Proteção de Dados instaurou um Processo Administrativo Sancionador contra o Instituto Saúde e Cidadania, organização social responsável pela gestão de unidades públicas de saúde em diferentes estados brasileiros, após um incidente de ransomware que teria afetado dados pessoais e dados sensíveis de cerca de 500 mil pacientes. O Isac, que tem sede administrativa em Brasília e atua em estados como Goiás, Rio Grande do Sul, Bahia, Alagoas, Piauí e Tocantins, passou a ser investigado pela ANPD por possíveis falhas na proteção das informações, na comunicação aos titulares afetados e na adoção de medidas técnicas e administrativas exigidas pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. O caso teve origem em um incidente de segurança ocorrido em 2025 e comunicado pelo próprio instituto à Agência. Segundo as informações apresentadas no processo, o ataque envolveu ransomware, tipo de ameaça em que invasores comprometem sistemas, criptografam ou tornam dados inacessíveis e, em muitos casos, exigem pagamento para restauração ou para evitar a divulgação das informações. De acordo com o Isac, aproximadamente 500 mil registros teriam sido afetados. Desse total, cerca de 78.772 seriam referentes a crianças e adolescentes, enquanto outros 47.921 envolveriam idosos. Os registros incluíam dados de identificação, como nome e data de nascimento, além de informações sensíveis de saúde, entre elas histórico de exames, prontuários, prescrições, atendimentos ambulatoriais, internações, diagnósticos e procedimentos realizados. A natureza dos dados torna o caso especialmente relevante do ponto de vista regulatório. Pela LGPD, informações relacionadas à saúde são classificadas como dados pessoais sensíveis, o que exige maior rigor no tratamento, armazenamento, proteção e comunicação em caso de incidente. Quando expostos, esses dados podem gerar riscos à privacidade, à segurança dos pacientes e até à possibilidade de fraudes, discriminação ou uso indevido das informações. A ANPD apura se o Isac descumpriu obrigações previstas na LGPD, incluindo a adoção de medidas de segurança técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais. A investigação também analisa se houve falha na comunicação às pessoas afetadas, ausência de informações sobre o encarregado pelo tratamento de dados pessoais e descumprimento dos princípios da prevenção, da responsabilização e da prestação de contas. Ao ser questionado sobre o impacto real do incidente, o Isac afirmou que não haveria risco ou dano relevante aos titulares. A organização alegou que os invasores teriam acessado apenas informações administrativas e bancos de dados relacionados a contratos já encerrados. No entanto, segundo a ANPD, a entidade não apresentou comprovação técnica suficiente para sustentar essa versão. A Agência também identificou que o instituto não teria comunicado individualmente os titulares afetados, como seria esperado em situações semelhantes envolvendo dados sensíveis e grande volume de pessoas impactadas. Em vez disso, o Isac teria se limitado a publicar um aviso em seu site institucional. Para a ANPD, a comunicação feita pelo instituto foi insuficiente. O aviso não informava a data do incidente, a natureza dos dados afetados, o perfil das pessoas envolvidas nem as medidas adotadas antes e depois do ataque. Esses elementos são exigidos pela LGPD e pela regulamentação específica da Agência sobre Comunicação de Incidentes de Segurança. O auto de infração também aponta que o Isac não apresentou evidências técnicas mesmo após reiterados questionamentos da ANPD. Para a Agência, a ausência de documentação comprometeu a verificação sobre a efetiva adoção de medidas corretivas e dificultou a análise da resposta ao incidente. Outro ponto levantado no processo é a ausência, no portal institucional do Isac, de informações sobre o encarregado pelo tratamento de dados pessoais. A LGPD exige que o controlador indique um encarregado, também conhecido como DPO, e disponibilize informações de contato para que titulares possam exercer seus direitos e obter esclarecimentos sobre o tratamento de seus dados. O Processo Administrativo Sancionador prevê prazo de dez dias úteis, contados a partir da intimação, para que o Isac apresente defesa. Caso seja condenado, o instituto poderá receber sanções administrativas e orientações sobre as medidas necessárias para regularizar sua situação. As sanções previstas no artigo 52 da LGPD incluem advertência, multa de até 2% do faturamento, publicização da infração, bloqueio ou eliminação dos dados pessoais relacionados à irregularidade, além de suspensão ou proibição do exercício de atividades de tratamento de dados pessoais. A eventual penalidade será definida ao final da análise, conforme o Regulamento de Dosimetria e Aplicação de Sanções Administrativas da ANPD. O caso reforça a pressão regulatória sobre organizações que tratam grandes volumes de dados sensíveis, especialmente no setor de saúde. Hospitais, clínicas, operadoras, organizações sociais e prestadores de serviços públicos lidam com informações altamente críticas e precisam demonstrar capacidade de prevenção, resposta a incidentes, comunicação transparente e governança adequada em proteção de dados.

  • Desenvolvedores reclamam que suporte longo do .NET não dura o suficiente

    A política de suporte da Microsoft para o .NET voltou a ser questionada por desenvolvedores que consideram curto demais o ciclo de vida das versões LTS da plataforma. A discussão foi reacendida em uma issue aberta no repositório oficial do .NET no GitHub, na qual um desenvolvedor argumenta que a janela atual de suporte não acompanha o ritmo real de adoção e atualização de ambientes corporativos. O .NET moderno, anteriormente conhecido como .NET Core, segue um modelo de grandes lançamentos anuais. As versões pares são classificadas como LTS, sigla para Long-Term Support, e recebem suporte por três anos. Já as versões ímpares têm suporte por dois anos. Na prática, isso cria um ciclo previsível para a Microsoft, mas pode gerar pressão significativa para empresas que mantêm aplicações críticas em produção. A principal crítica é que, quando uma nova versão LTS é lançada, a versão LTS anterior já consumiu dois dos seus três anos de suporte. Isso deixa, na prática, apenas cerca de um ano para empresas planejarem, testarem e concluírem a migração antes do fim do ciclo de vida. Para fornecedores de software, o problema também afeta a percepção de clientes, que podem hesitar em adotar produtos baseados em uma versão próxima do fim de suporte. Um desenvolvedor comentou na discussão que sua telemetria mostra aproximadamente 50% das versões implantadas de seu software rodando em versões EOL, ou seja, que já chegaram ao fim de vida. Ele também criticou a janela de atualização de apenas um ano entre versões LTS e afirmou tentar usar o .NET Framework sempre que possível, por causa do suporte mais longo atrelado ao ciclo de vida do Windows. O .NET Framework, versão legada e restrita ao Windows, está em modo de manutenção e é tratado como um componente do sistema operacional. Por isso, recebe suporte por períodos muito mais longos. Em contrapartida, é uma plataforma antiga, com menor evolução e suporte cada vez mais limitado no ecossistema moderno. Muitas bibliotecas e frameworks já não oferecem compatibilidade com ele, incluindo o ASP.NET Core da própria Microsoft. Esse contraste coloca empresas em uma posição difícil. O .NET moderno oferece mais recursos, compatibilidade multiplataforma, melhorias de performance e maior alinhamento com o ecossistema atual. Mas seu ciclo de suporte exige atualizações mais frequentes. Já o .NET Framework oferece previsibilidade e suporte prolongado, mas perde relevância técnica e compatibilidade com bibliotecas atuais. A reclamação não é nova. Em uma discussão semelhante aberta em 2023, Richard Lander, gerente de programa da Microsoft, afirmou que a empresa escolheu os prazos de suporte buscando equilibrar tempo estável de implantação para usuários e capacidade da equipe de continuar inovando. Segundo ele, a Microsoft chegou a discutir janelas de suporte mais longas e ofertas pagas de suporte estendido, mas optou por manter apenas o plano gratuito. A comparação com outras plataformas reforça a crítica de parte da comunidade. O suporte gratuito da Microsoft para versões LTS do .NET é menor do que o oferecido por algumas tecnologias concorrentes. O Java, por exemplo, costuma contar com cinco anos de suporte para versões LTS, além de opções de suporte estendido. O Python oferece cinco anos de correções de segurança para todos os lançamentos. Embora a atualização entre versões do .NET possa ser simples em alguns casos, ambientes corporativos raramente dependem apenas do runtime. A migração pode envolver mudanças incompatíveis, atualização de dependências de terceiros, adaptação de bibliotecas, ciclos formais de testes, homologação, janela de implantação, documentação, treinamento e, em alguns casos, contratação de desenvolvedores externos. Um comentário em uma discussão de 2023 resumiu o problema sob a ótica de custo. Segundo o participante, o .NET Framework gera despesas principalmente com modificações funcionais e correções de bugs, enquanto o .NET moderno adiciona a esse cenário o custo recorrente de upgrades de versão em intervalos relativamente curtos. A questão também aparece em decisões sobre bibliotecas mantidas pela Microsoft. Em março, Shay Rojansky, principal software engineer da empresa, pediu feedback sobre a possibilidade de remover suporte ao .NET Framework na biblioteca Microsoft.Data.Sqlite. Um comentário afirmou que, atualmente, .NET Standard 2.0 e .NET Framework 4.8 são os únicos alvos .NET com prazos de suporte considerados razoáveis para empresas. O .NET Standard 2.0 define um conjunto comum de APIs implementado tanto pelo .NET Framework quanto por versões modernas do .NET, incluindo o .NET 10. Apesar de Rojansky ter considerado o comentário fora do tema principal da issue, a observação mostra como o ciclo de suporte ainda influencia decisões técnicas de compatibilidade em bibliotecas, produtos e aplicações empresariais. A proposta de remover suporte ao .NET Framework na Microsoft.Data.Sqlite acabou encerrada como “not planned”. Embora a decisão não tenha sido atribuída diretamente à discussão sobre suporte corporativo, o episódio ilustra por que o .NET Framework continua presente em muitas organizações: não necessariamente por preferência técnica, mas por estabilidade percebida e previsibilidade de ciclo de vida. Para a Microsoft, janelas mais curtas ajudam a concentrar esforço de engenharia em versões recentes, reduzir complexidade de manutenção e acelerar a evolução da plataforma. Para empresas, porém, cada upgrade representa risco operacional, custo e esforço de validação. Esse desalinhamento entre ritmo de inovação e ritmo corporativo de adoção é o centro da reclamação. O debate tende a continuar à medida que o .NET Framework envelhece e o ecossistema moderno avança. Quanto mais bibliotecas abandonarem suporte à plataforma legada, maior será a pressão para migrar. Ao mesmo tempo, se o ciclo LTS do .NET moderno continuar sendo visto como curto, muitas empresas podem permanecer presas a versões antigas ou operar por longos períodos em versões já fora de suporte.

  • Oracle deixará de manter Java para Macs Intel a partir do JDK 27

    A Oracle está se preparando para encerrar a manutenção da versão macOS/x64 do Java Development Kit, o JDK, a partir do JDK 27, previsto para setembro. A mudança afeta Macs com processadores Intel e acompanha o movimento mais amplo do ecossistema de software para reduzir ou encerrar suporte a essa plataforma após a transição da Apple para seus próprios chips Apple Silicon. A decisão aparece na JEP 8386091, uma JDK Enhancement Proposal ainda em estado de rascunho, segundo a qual engenheiros da Oracle deixarão de manter o port macOS/x64 a partir do JDK 27. Poucos dias depois, Mikael Vidstedt, diretor sênior de Java Virtual Machine na Oracle, submeteu uma pull request para implementar a depreciação. Na prática, a mudança significa que a construção do JDK para macOS/x64 passará a exigir a ativação manual de uma flag específica. Mesmo assim, não haverá garantia de que o port será compilado corretamente, muito menos de que funcionará. Ou seja, a plataforma deixa de ser tratada como um alvo mantido ativamente pela Oracle. O impacto recai sobre desenvolvedores e organizações que ainda usam Macs Intel para desenvolvimento Java. Embora esses equipamentos ainda estejam em operação em muitas empresas, a Apple já acelerou o processo de encerramento de suporte. O último Mac baseado em Intel, o Mac Pro de 2019, ainda podia ser comprado até junho de 2023, quando foi descontinuado. Na Worldwide Developers Conference, a WWDC, a Apple confirmou que o macOS 27, chamado “Golden Gate”, não dará suporte a Macs Intel. A empresa também informou que essa será a última versão do sistema a incluir o Rosetta 2, camada de compatibilidade usada para executar aplicativos compilados para Intel em Macs com Apple Silicon. A decisão da Oracle, portanto, não acontece isoladamente. Ela acompanha o fim gradual da relevância do macOS em arquitetura x64 dentro de grandes projetos de linguagem e runtime. À medida que a Apple concentra seus sistemas em chips Arm próprios, manter testes, builds, correções e validações para Intel Macs se torna menos prioritário para fornecedores de plataformas de desenvolvimento. O projeto Rust já havia reduzido o suporte a Macs Intel para Tier 2 a partir do Rust 1.90, lançado em setembro passado. Nesse nível, o compilador e a biblioteca padrão ainda são distribuídos para a plataforma, mas os testes automatizados não têm mais garantia de execução. Isso aumenta o risco de bugs específicos do macOS/x64 passarem despercebidos. O Python também classifica x86_64-apple-darwin como plataforma Tier 2 desde novembro de 2025. No caso do Python, porém, esse nível ainda oferece suporte relativamente forte: falhas podem bloquear lançamentos, e correções precisam ser feitas em até 24 horas. O Node.js seguiu caminho semelhante e rebaixou o macOS x64 para Tier 2 em maio. Pela documentação atual do projeto, a plataforma Intel Mac deve passar a ser considerada experimental a partir do início de 2028. A justificativa é que, a partir desse período, o projeto não terá mais condições de testar mudanças em versões do macOS baseadas em Intel. Ainda assim, o Node.js pretende continuar criando binários universais para versões em suporte, compatíveis tanto com macOS em Apple Silicon quanto com macOS em Intel. A diferença é que, no caso de Intel, esses binários não serão testados, o que reduz a previsibilidade para uso em ambientes críticos. Para desenvolvedores Java, o fim da manutenção ativa no macOS/x64 pode exigir ajustes de planejamento. Uma alternativa é executar Linux em Macs Intel, diretamente ou em uma máquina virtual, e usar versões recentes do JDK nessa plataforma. Outra possibilidade é manter versões anteriores de longo prazo, como o JDK 25 LTS, que devem continuar recebendo atualizações para Intel Macs. O cenário, portanto, não significa que Java deixará de funcionar imediatamente em todos os Macs Intel. O ponto central é que o JDK 27 marca o início do fim do suporte ativo da Oracle para essa combinação específica de sistema operacional e arquitetura. Com isso, novos recursos, correções e garantias de funcionamento passam a se concentrar em plataformas ainda mantidas como prioritárias. Para empresas, a recomendação é mapear estações de desenvolvimento, pipelines de build e ambientes de teste que ainda dependem de macOS/x64. Caso esses ambientes executem Java em produção de software, será importante avaliar migração para Apple Silicon, Linux ou versões LTS compatíveis, evitando que builds futuros fiquem presos a uma plataforma sem garantia de manutenção. A mudança também ilustra o efeito em cadeia da transição da Apple para Arm. O abandono dos Macs Intel não depende apenas da Apple: ele se propaga por linguagens, runtimes, bibliotecas, compiladores, ferramentas de desenvolvimento e plataformas de CI/CD. À medida que esses projetos reduzem testes e manutenção, o custo operacional de permanecer em Intel Mac tende a aumentar

  • Startup mira datacenters com módulo de reator nuclear impresso em 3D

    A startup norte-americana Ampera apresentou o que afirma ser o primeiro módulo de reator nuclear produzido por impressão 3D, em uma aposta voltada a fornecer energia escalável e sem emissões diretas para datacenters, aplicações de defesa e locais fora da rede elétrica convencional. A demonstração ocorreu no centro de inovação da empresa em Palm Beach Gardens, na Flórida, durante um evento com mais de 100 participantes, incluindo autoridades locais, líderes empresariais e funcionários. Na ocasião, o fundador e CEO da Ampera, Brian Matthews, revelou um protótipo de microrreator com núcleo e vaso de pressão fabricados integralmente por impressão 3D em carbeto de silício. Segundo Matthews, o núcleo nuclear de próxima geração e o vaso de pressão apresentados pela empresa estabelecem a base para uma energia nuclear produzida em fábrica e em larga escala. O executivo afirmou que o uso de manufatura aditiva e tecnologia avançada demonstra um caminho comercial para acelerar a chegada de novas soluções nucleares ao mercado. A proposta da Ampera é desenvolver um reator nuclear subcrítico, de estado sólido, baseado em tório e construído em fábrica. O termo subcrítico significa que o combustível não consegue sustentar sozinho uma reação nuclear em cadeia. Na prática, isso reduz o risco de uma escalada descontrolada de potência, já que a operação depende de uma fonte externa de nêutrons. A empresa usa a expressão “estado sólido” para descrever um projeto com combustível sólido, e não líquido. O combustível previsto utiliza partículas TRISO, sigla para tristructural isotropic. Essas partículas consistem em um núcleo de combustível contendo tório, envolvido por múltiplas camadas de cerâmica e carbono, projetadas para reter produtos de fissão e aumentar a resistência térmica e estrutural do material. O tório-232, por si só, não é físsil. Após absorver um nêutron, ele passa por um processo de decaimento envolvendo tório-233 e protactínio-233 até se transformar em urânio-233, que é físsil. Por isso, o conceito da Ampera depende de uma fonte separada de nêutrons para iniciar e sustentar a operação do reator. A empresa afirma que seu projeto inclui um “neutron driver” proprietário, ou acionador de nêutrons, responsável por fornecer uma fonte externa estável para o funcionamento do sistema. A Ampera, porém, ainda não revelou publicamente como esses nêutrons são gerados no módulo, mantendo esse detalhe técnico sob sigilo. Em junho, a companhia anunciou a criação de uma subsidiária na Austrália para garantir o fornecimento de tório. A Ampera também afirmou que pretende produzir seus próprios núcleos de combustível TRISO com tório nos Estados Unidos. Segundo Matthews, a produção doméstica desses kernels permitiria garantir acesso ao combustível necessário durante a expansão da empresa e reduzir riscos de volatilidade de preços. Outro elemento central do projeto é o formato do núcleo do reator. A Ampera descreve o componente como uma estrutura esférica monolítica do tipo gyroid. Um gyroid é uma geometria complexa, conhecida por oferecer grande área de superfície em relação ao volume, característica útil para transferência de calor. Esse tipo de forma é difícil de fabricar por métodos convencionais, o que torna a impressão 3D uma opção atraente para esse projeto. O núcleo é impresso em 3D usando carbeto de silício e, segundo a empresa, foi projetado para operar por até 30 anos sem reabastecimento. A Ampera afirma que seus sistemas planejados poderão entregar 15 ou 30 MWe, dependendo da configuração, potência que a companhia considera suficiente para abastecer um datacenter típico. Configurações maiores também estão nos planos. O interesse por esse tipo de solução cresce em um momento de forte expansão da demanda energética dos datacenters. Cargas de trabalho de inteligência artificial, computação em nuvem e processamento intensivo aumentaram a pressão por fontes de energia contínuas, previsíveis e com menor emissão de carbono. Microrreatores nucleares, caso se provem viáveis e aprovados por reguladores, poderiam oferecer uma alternativa para instalações que precisam operar 24 horas por dia com alta densidade energética. Matthews afirmou que a Ampera espera estar entre as primeiras empresas a industrializar energia nuclear construída em fábrica com prazos de implantação próximos. Ao ser questionada pelo The Register sobre disponibilidade, a empresa informou que espera ter a parte de geração de energia do sistema disponível já em 2027, enquanto o módulo nuclear deve chegar aos clientes por volta de 2030, dependendo de aprovação regulatória. Esse ponto é decisivo. Embora a apresentação do protótipo marque um avanço técnico e de marketing para a empresa, a adoção comercial de qualquer reator nuclear depende de avaliações regulatórias, certificações, validação de segurança, cadeia de suprimentos confiável e demonstrações operacionais em condições reais. O uso em datacenters também exigiria integração com sistemas elétricos, resfriamento, proteção física, planos de emergência e normas locais. Além dos datacenters, clientes de defesa aparecem como um mercado provável caso a Ampera consiga entregar reatores funcionais e confiáveis. No início deste ano, o Departamento da Força Aérea dos Estados Unidos anunciou que estava avaliando microrreatores para três de suas instalações, como parte de um programa voltado a melhorar a resiliência energética durante interrupções na rede elétrica. Para aplicações militares e locais remotos, a promessa de um reator compacto, com longa vida útil e sem necessidade frequente de reabastecimento é especialmente atraente. Bases isoladas, instalações críticas e operações fora da rede poderiam reduzir dependência de combustíveis transportados por longas distâncias, que representam custo logístico e risco operacional. Ainda assim, a tecnologia permanece em fase inicial. A Ampera apresentou um módulo protótipo e descreveu sua arquitetura, mas ainda precisa demonstrar desempenho, segurança, fabricabilidade em escala e aprovação regulatória. Também há questões abertas sobre o funcionamento do acionador de nêutrons, a produção do combustível TRISO com tório, os custos finais e o cronograma real de implantação. O anúncio reforça uma tendência mais ampla: a aproximação entre infraestrutura digital e novas soluções energéticas. Com datacenters consumindo volumes crescentes de eletricidade, empresas de tecnologia e fornecedores de energia buscam alternativas que combinem disponibilidade contínua, baixa emissão de carbono e independência parcial da rede. Nesse cenário, microrreatores nucleares entram no debate como uma possibilidade de longo prazo, ainda dependente de comprovação técnica, aceitação regulatória e viabilidade econômica.

  • Biometria Pós-Quântica e o poder da palma: A nova fronteira da confiança digital

    Por Leonardo Araújo de Assis, CEO da Biostation A privacidade e a segurança interna tornaram-se o maior diferencial competitivo da nova economia, marcando um ponto de inflexão onde o reconhecimento biométrico deixou de ser apenas uma conveniência para substituir senhas e passou a ser uma prioridade estratégica de gestão de risco. Com a iminência da computação quântica, organizações líderes estão migrando para soluções que unem o que há de mais avançado em hardware e criptografia para proteger a identidade dos usuários. Nesse cenário, a biometria palmar (vascular) surge como o padrão-ouro para o setor corporativo e financeiro, oferecendo uma solução definitiva baseada na impossibilidade de falsificação. Diferente da face ou da impressão digital, o mapa vascular está dentro do corpo, permitindo que o sensor leia o padrão das veias sob a pele e torne o sistema imune a fotos de alta resolução ou moldes de silicone. Além da segurança física do dado, a tecnologia atende às demandas de um mundo pós-pandemia ao oferecer uma experiência touchless (sem contato), o que garante higiene e elimina a resistência dos usuários ao uso de sensores públicos. A precisão é outro fator determinante, uma vez que o padrão vascular é único até para gêmeos idênticos e permanece estável ao longo de toda a vida, reduzindo drasticamente as taxas de erro e fraudes de identidade. No entanto, a blindagem definitiva ocorre quando a biometria palmar é combinada com a Criptografia Totalmente Homomórfica (FHE), garantindo que a informação capturada nunca seja roubada. Esta união redefine a proteção de dados através do processamento cego, onde o mapa das veias nunca precisa ser aberto ou descriptografado para ser validado. O sistema confirma a identidade comparando informações em estado cifrado, funcionando de forma análoga à validação de um documento dentro de um envelope lacrado, sem nunca expor a imagem real da biometria. Ao adotar algoritmos resistentes a computadores quânticos, as empresas asseguram imunidade contra ameaças futuras, garantindo que, mesmo em caso de invasão, qualquer dado vazado seja apenas um ruído matemático indecifrável e sem impacto. Para o alto escalão das empresas, como CEOs, CIOs e DPOs, essa transição não é meramente técnica, mas uma estratégia de mitigação de passivos que garante conformidade total com a LGPD e normas globais. Ao utilizar a palma como um dado interno e privado processado por criptografia pós-quântica, a organização elimina riscos de vazamentos catastróficos e constrói uma jornada do cliente fundamentada em inovação. Em um mercado onde a confiança digital é a moeda mais forte, o próximo salto definitivo é garantir que a segurança seja invisível, interna e matematicamente inquebrável.

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