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- Falha crítica no Splunk Enterprise permite execução remota de código sem autenticação
A Splunk lançou atualizações de segurança para corrigir uma vulnerabilidade crítica no Splunk Enterprise que pode permitir operações não autenticadas em arquivos e, em determinados cenários, execução remota de código em sistemas vulneráveis. A falha, identificada como CVE-2026-20253, recebeu pontuação 9.8 no sistema CVSS, classificação considerada crítica. Segundo o alerta publicado pela Splunk, versões do Splunk Enterprise anteriores à 10.2.4 e à 10.0.7 permitem que um usuário não autenticado crie ou trunque arquivos arbitrários por meio de um endpoint do serviço PostgreSQL sidecar. De acordo com a empresa, o problema existe porque o endpoint do serviço PostgreSQL sidecar não possui controles de autenticação. Isso permite que qualquer usuário com acesso de rede ao serviço consiga acionar operações de arquivo sem precisar de credenciais. A correção foi disponibilizada para as versões afetadas. O Splunk Enterprise 10.0.0 até 10.0.6 foi corrigido na versão 10.0.7. Já o Splunk Enterprise 10.2.0 até 10.2.3 foi corrigido na versão 10.2.4. A versão Splunk Enterprise 10.4 não é afetada. A Splunk, que faz parte da Cisco, informou ainda que o Splunk Cloud não é impactado pela vulnerabilidade, já que o produto não utiliza sidecars PostgreSQL. Detalhes técnicos divulgados pela watchTowr Labs indicam que a CVE-2026-20253 pode ser explorada para alcançar execução remota de código antes da autenticação em sistemas suscetíveis. A exploração envolve os endpoints “/v1/postgres/recovery/backup” e “/v1/postgres/recovery/restore”, usados no fluxo de backup e restauração relacionado ao PostgreSQL. A cadeia de ataque descrita pelos pesquisadores começa com a conexão a um banco de dados controlado pelo invasor. Em seguida, o conteúdo desse banco é despejado em um arquivo arbitrário por meio do endpoint “/backup”. Depois, o invasor usa o endpoint “/restore” para carregar esse dump no PostgreSQL local, incluindo um argumento “passfile” que aponta para o arquivo “.pgpass” localizado em: “/opt/splunk/var/packages/data/postgres/.pgpass”. Esse arquivo contém a senha do usuário “postgres_admin”. Com isso, consultas SQL definidas no dump do banco de dados controlado pelo invasor são executadas pela instância PostgreSQL usada pelo Splunk. Na prática, essa sequência permite ao atacante interagir com o banco local e avançar para escrita controlada de arquivos no sistema. Segundo os pesquisadores Piotr Bazydlo e Yordan Ganchev, a possibilidade de restaurar SQL controlado pelo atacante na instância PostgreSQL local permitiu a criação de um modelo de dump capaz de realizar escrita controlada de arquivos. Uma das formas de abuso envolve a criação de uma função que utiliza “lo_export”, recurso usado para extrair um BLOB do banco de dados e salvá-lo como arquivo no sistema. Com essa técnica, o invasor pode gravar conteúdo controlado em um arquivo e acionar a execução da função durante o processo de restauração. A partir de uma primitiva de escrita arbitrária no sistema de arquivos do Splunk, o atacante pode escalar o impacto para execução remota de código. Para isso, poderia sobrescrever um script Python executado com frequência pelo Splunk, como “/opt/splunk/etc/apps/splunk_secure_gateway/bin/ssg_enable_modular_input.py”, inserindo uma carga maliciosa. A sequência completa descrita pela watchTowr envolve a criação de um banco de dados configurado para permitir autenticação sem senha e com permissões suficientes para invocar funções como “lo_export”. Em seguida, o invasor usa o endpoint “/backup” para gravar o dump do banco remoto no sistema de arquivos do Splunk. Por fim, o endpoint “/restore” carrega o dump malicioso, executa a função durante a restauração e grava um script Python controlado pelo atacante no ambiente do Splunk. Até o momento, não há evidências de exploração ativa da falha em ataques reais. No entanto, a divulgação dos detalhes técnicos aumenta o risco de tentativas oportunistas por parte de invasores, especialmente contra instâncias expostas ou acessíveis pela rede. Organizações que utilizam Splunk Enterprise devem priorizar a aplicação das atualizações de segurança, principalmente em ambientes que executam versões anteriores à 10.2.4 e à 10.0.7. Também é recomendável revisar a exposição de serviços internos, restringir o acesso de rede aos endpoints administrativos e monitorar sinais de alteração indevida em arquivos do ambiente Splunk.
- INTERPOL derruba plataforma Sniper Dz de phishing-as-a-service e prende administrador
Uma operação liderada pela INTERPOL resultou na interrupção da Sniper Dz, uma plataforma de phishing-as-a-service, ou PhaaS, ativa há cerca de uma década e usada por criminosos para lançar campanhas de roubo de credenciais em escala. A ação foi detalhada pela Group-IB na quinta-feira e marcou um dos principais golpes recentes contra infraestruturas criminosas voltadas à oferta de kits prontos de phishing. Batizada de Operation Ramz, a operação ocorreu entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 e contou com autoridades de 13 países da região do Oriente Médio e Norte da África, conhecida pela sigla MENA. Ao todo, foram realizadas 201 prisões. Entre os presos está Guedz, apontado como o principal desenvolvedor e administrador da Sniper Dz. Segundo as informações divulgadas, a prisão foi conduzida pela Polícia Nacional da Argélia. A plataforma, que ao longo dos anos também passou pelos nomes Joker Dz, Storm Dz e Spam Dz, teria coletado mais de 45 mil registros de vítimas. Como parte da Operation Ramz, o site usado para oferecer recursos de phishing-as-a-service a outros cibercriminosos foi retirado do ar. As autoridades também apreenderam equipamentos contendo softwares e scripts de phishing, componentes usados para criar e operar páginas fraudulentas. De acordo com a Group-IB, empresa de cibersegurança sediada em Singapura, a Sniper Dz estava ativa pelo menos desde 2015 e evoluiu para uma plataforma criminosa sofisticada. O serviço oferecia kits de phishing prontos para uso, infraestrutura de hospedagem e suporte operacional para criminosos interessados em criar campanhas fraudulentas sem precisar desenvolver suas próprias ferramentas. Desde então, mais de 20 mil domínios únicos associados ao serviço PhaaS foram identificados. O kit tinha como principais alvos 30 grandes organizações globais, incluindo PayPal, Facebook, Instagram, Yahoo, Netflix e Steam. Para isso, utilizava 80 modelos de phishing em cinco idiomas: árabe, inglês, francês, espanhol e hebraico. As campanhas baseadas na Sniper Dz tinham como alvo usuários de plataformas de tecnologia, redes sociais e serviços de streaming em diferentes regiões. Os criminosos imitavam marcas populares e entidades governamentais por meio de sites falsos, criados para parecer legítimos e induzir as vítimas a fornecer credenciais, informações pessoais e outros dados sensíveis. Além do roubo tradicional de credenciais, a plataforma também explorava técnicas de engenharia social ligadas à popularidade e à credibilidade de figuras públicas no Oriente Médio e no Norte da África. Segundo a Group-IB, invasores criavam contas falsas em redes sociais se passando por personalidades políticas conhecidas e usavam esses perfis para divulgar links de phishing disfarçados de ofertas promocionais ou acesso gratuito à internet. A Sniper Dz já havia sido analisada em detalhes pela Unit 42, equipe de inteligência de ameaças da Palo Alto Networks, em outubro de 2024. Na ocasião, os pesquisadores descreveram o uso de um canal no Telegram com mais de 7,3 mil inscritos, usado para compartilhar vídeos tutoriais e orientar criminosos sobre o uso da plataforma. O serviço também oferecia a possibilidade de hospedar páginas de phishing em sua própria infraestrutura, protegida por um servidor proxy. Um dos fatores que diferenciavam a Sniper Dz de outros serviços no mercado de PhaaS era o modelo de acesso gratuito à infraestrutura. Essa característica reduzia ainda mais a barreira de entrada para criminosos iniciantes, permitindo que campanhas de phishing fossem executadas em grande escala mesmo por operadores com pouco conhecimento técnico. A monetização, segundo a Group-IB, não dependia diretamente da venda da infraestrutura. O modelo explorava o roubo de credenciais e o tráfego das vítimas. Dados coletados em campanhas de phishing podiam ser usados diretamente pelos criminosos, enquanto usuários que não forneciam credenciais ainda podiam ser redirecionados para outros esquemas fraudulentos. Entre esses esquemas estavam fraudes de cobrança via operadora, assinaturas de SMS premium, abuso de notificações de navegador e campanhas de golpes baseadas em programas de afiliados. Na prática, mesmo quando a vítima não entregava login e senha, o ecossistema da Sniper Dz ainda podia gerar retorno financeiro por meio de redirecionamentos e monetização de tráfego. A derrubada da plataforma mostra como serviços de phishing-as-a-service continuam sendo uma ameaça relevante para usuários e organizações. Ao combinar modelos prontos, hospedagem, tutoriais, suporte operacional e distribuição por canais como Telegram, essas plataformas transformam o phishing em um serviço acessível, escalável e difícil de conter apenas com medidas tradicionais de bloqueio. A Operation Ramz representa um esforço coordenado para atingir não apenas usuários individuais da plataforma, mas também os responsáveis pelo desenvolvimento e pela manutenção da infraestrutura criminosa. A prisão do administrador e a apreensão de equipamentos podem ajudar investigadores a mapear clientes, campanhas associadas e outros operadores ligados ao ecossistema Sniper Dz.
- Google processa rede chinesa de smishing acusada de usar Gemini em ataques de phishing
O Google informou na sexta-feira que abriu uma ação judicial contra uma rede chinesa de cibercrime acusada de usar o Gemini, seu agente de inteligência artificial, para apoiar campanhas de phishing por mensagens de texto contra usuários nos Estados Unidos. Segundo a empresa, o grupo é responsável pelo desenvolvimento e pela administração de um kit de phishing-as-a-service, ou PhaaS, chamado Outsider. Esse tipo de serviço funciona como uma plataforma pronta para uso, permitindo que criminosos com pouco conhecimento técnico lancem campanhas de phishing em escala, criem sites falsos e roubem dados pessoais e financeiros das vítimas. De acordo com o Google, a operação teria usado o Gemini para auxiliar na criação de páginas fraudulentas e na condução de ataques massivos de SMS phishing, prática também conhecida como smishing. As mensagens se passavam por marcas legítimas e alertavam os destinatários sobre supostos “problemas em contas de corretoras” ou informavam que eles teriam direito a “recompensas por meio de sua operadora de telefonia móvel”. As mensagens induziam os usuários a clicar em links que levavam a sites falsos, desenhados para imitar instituições confiáveis. Nessas páginas, as vítimas eram levadas a informar dados pessoais, credenciais bancárias, números de cartões de crédito e outras informações sensíveis. O Google afirma que a ação judicial tem como objetivo desmantelar a infraestrutura da rede. A empresa também informou que está trabalhando com AT&T, T-Mobile e Verizon para impedir que mensagens desse tipo cheguem aos clientes das operadoras. As operações do Outsider, segundo a companhia, eram coordenadas pelo Telegram. Por meio da plataforma, o grupo distribuía kits de phishing que permitiam a outros invasores enviar mensagens falsas em nome de marcas conhecidas. Estima-se que os golpes tenham feito mais de 100 mil vítimas, causando prejuízos de milhões de dólares. Entre 14 de novembro de 2025 e 14 de abril de 2026, foram identificados 9 mil sites falsos e mais de 1,59 milhão de URLs fraudulentas associadas ao serviço de phishing. Em um período de duas semanas, entre 18 de maio e 1º de junho de 2026, o Outsider foi responsável por 55 mil mensagens de spam sinalizadas por usuários Android. No mesmo intervalo, a rede enviou 2,5 milhões de mensagens a usuários Android contendo links para sites gerados pelo Outsider. O kit era vendido por valores a partir de US$ 88 por semana ou US$ 200 por mês, permitindo que criminosos criassem páginas fraudulentas, lançassem campanhas de phishing e roubassem números de cartões de crédito, credenciais bancárias e dados pessoais. A licença podia ser adquirida por meio de um bot de autoatendimento no Telegram, identificado como @OutsiderCodeBot. O serviço também oferecia mais de 290 modelos prontos para imitar sites legítimos de instituições confiáveis, além de captura de teclas em tempo real e um painel de desempenho para acompanhar a efetividade das campanhas. Na denúncia apresentada ao tribunal federal de Manhattan, o Google afirmou que a simplicidade “plug-and-play” do Outsider já era preocupante, mas que o grupo tornou a ferramenta ainda mais poderosa ao fornecer instruções passo a passo sobre como usar código gerado por inteligência artificial em conjunto com o kit. Segundo a empresa, os membros da rede podiam usar ferramentas de IA para gerar código de programação para um site básico e, em seguida, copiar e colar esse código no Outsider para transformar a página em um site fraudulento capaz de roubar informações pessoais ou financeiras das vítimas. O Google também informou que os prompts usados no Gemini e em outras plataformas de IA eram formulados como pedidos aparentemente inofensivos de ajuda com programação. As solicitações pediam, por exemplo, a geração de código HTML para criar uma página de “resgate de presente”, com funcionalidades específicas, orientando o modelo a evitar JavaScript e a usar CSS inline. Depois que o site falso era publicado, sua URL era enviada às possíveis vítimas por mensagem de texto. A estrutura do chamado Outsider Enterprise seria composta por vários grupos interconectados, cada um com funções específicas na cadeia de ataque. O Developer Group fornecia o software de phishing e os modelos de páginas falsas. O Data Broker Group disponibilizava listas selecionadas de pessoas a serem atacadas. O Spammer Group oferecia as ferramentas para envio massivo de mensagens fraudulentas. O Theft Group ajudava a monetizar as informações roubadas, incluindo cartões de crédito e credenciais, além de lavar recursos obtidos com cartões comprometidos. Já o Telegram Group facilitava a colaboração entre os membros e o recrutamento de novos participantes. Serviços como o Outsider reduzem drasticamente a barreira de entrada para fraudadores iniciantes, repetindo uma tendência já observada em plataformas como a Sniper Dz, recentemente desmantelada. Com kits prontos, modelos pré-configurados e suporte operacional, criminosos sem conhecimento avançado de programação conseguem lançar ataques convincentes com pouco esforço e em grande escala. Brett Leatherman, diretor assistente da Divisão Cibernética do FBI, afirmou que os criminosos por trás do Outsider Enterprise construíram um negócio baseado na falsificação de marcas confiáveis para fraudar centenas de milhares de vítimas. Segundo ele, o uso de IA por criminosos tem tornado esse tipo de fraude mais convincente e mais difícil de detectar. O FBI informou que a plataforma PhaaS foi responsável por ao menos 3,87 milhões de cartões de crédito roubados e por perdas estimadas em US$ 1,9 bilhão desde julho de 2023. Como parte de uma operação conjunta chamada Operation Ghost Hook, diversos domínios foram apreendidos, incluindo uma loja virtual na Shopify e uma conta usada para testar o serviço de phishing. As autoridades também confiscaram aproximadamente US$ 100 mil em USDT de carteiras de pagamento ligadas ao Outsider. Além disso, milhares de domínios de phishing hospedados por provedores dos Estados Unidos foram interrompidos e redirecionados para uma página do FBI. A agência também afirmou ter usado um bot do Outsider no Telegram para obter informações sobre clientes da rede criminosa. A Operation Ghost Hook faz parte da Operation Riptide, descrita pelo FBI como uma campanha em andamento contra agentes criminosos, infraestrutura e redes financeiras envolvidas em cibercrime, crimes habilitados por meios digitais e fraudes contra cidadãos norte-americanos. O caso ocorre exatamente sete meses após o Google apresentar outra ação judicial nos Estados Unidos contra hackers baseados na China responsáveis pela plataforma de phishing-as-a-service Lighthouse, que atingiu mais de 1 milhão de usuários em 120 países. Em atualização posterior, foi informado que o bot do Telegram usado para comprar licenças do Outsider, @OutsiderCodeBot, não estava mais acessível.
- Governo dos EUA determina suspensão do acesso aos modelos Fable 5 e Mythos 5 da Anthropic para estrangeiros
A Anthropic anunciou que foi obrigada pelo governo dos Estados Unidos a suspender imediatamente o acesso aos seus modelos mais avançados de inteligência artificial, Claude Fable 5 e Mythos 5, para cidadãos estrangeiros em qualquer lugar do mundo. A medida foi determinada sob alegações de segurança nacional e ocorre poucos dias após o lançamento das novas plataformas de IA da empresa. Segundo a Anthropic, a ordem foi recebida às 17h21 (horário da costa leste dos EUA) e exige o bloqueio completo do acesso aos modelos para todos os usuários que não sejam cidadãos norte-americanos. A empresa afirmou acreditar que houve um “mal-entendido” por parte das autoridades e informou que trabalha para reverter a decisão o mais rápido possível. Outros modelos da companhia não foram afetados pela diretiva de controle de exportação. De acordo com a empresa, o governo acredita ter identificado um método capaz de contornar os mecanismos de proteção do Fable 5, técnica conhecida como jailbreak. A Anthropic afirmou ter analisado a demonstração apresentada e concluiu que ela permitia apenas identificar algumas vulnerabilidades previamente conhecidas e de baixo impacto. A companhia argumenta que essas falhas são relativamente simples e que outros modelos de IA disponíveis publicamente também conseguem encontrá-las sem necessidade de qualquer técnica de bypass. Para a empresa, a evidência apresentada não justificaria a retirada de um produto já amplamente disponibilizado no mercado. A decisão ganha relevância por envolver justamente os modelos mais poderosos da Anthropic. O Mythos 5, por exemplo, utiliza a mesma arquitetura do Fable 5, mas possui restrições reduzidas em áreas específicas, especialmente cibersegurança. A plataforma permanece disponível apenas para um grupo restrito e previamente validado de defensores cibernéticos e operadores de infraestruturas críticas. A Anthropic descreve o Mythos 5 como o modelo com as capacidades de cibersegurança mais avançadas já desenvolvidas. Para evitar abusos, a empresa afirma ter implementado múltiplas camadas de proteção, incluindo classificadores especializados que identificam tentativas de uso indevido, ataques de jailbreak e solicitações relacionadas ao desenvolvimento de exploits, planejamento de ataques cibernéticos ou técnicas de evasão de defesa. Esses mecanismos foram criados porque os modelos da classe Mythos demonstraram elevada capacidade para localizar vulnerabilidades em softwares e transformá-las rapidamente em códigos de exploração funcionais. Na semana passada, a empresa revelou que o sistema é capaz de converter vulnerabilidades recém-divulgadas em exploits operacionais em questão de horas — ou até minutos em alguns casos — reduzindo drasticamente o tempo tradicional entre a divulgação de uma falha e sua exploração prática. A equipe de Red Team da Anthropic alertou que a evolução dos modelos de IA pode alterar profundamente os processos de gerenciamento de vulnerabilidades utilizados atualmente pela indústria. Segundo os pesquisadores, um único operador pode transformar rapidamente dezenas de correções de software em exploits funcionais utilizando apenas alguns milhares de dólares em recursos computacionais, sem necessidade de conhecimentos avançados. Esse cenário pode pressionar empresas e desenvolvedores a acelerarem ciclos de atualização, uma vez que práticas tradicionais, como liberações mensais de patches, implantações graduais e longos períodos entre versões de teste e produção, podem deixar de ser suficientes diante da velocidade proporcionada pela inteligência artificial. Apesar da restrição, a Anthropic afirmou que usuários que realizarem consultas relacionadas à cibersegurança por meio do Fable 5 continuarão recebendo respostas geradas pelo Claude Opus 4.8, modelo considerado menos sensível do ponto de vista regulatório. A empresa também contestou a justificativa do governo norte-americano ao afirmar que não existe atualmente qualquer método universal capaz de contornar as proteções dos novos modelos. Segundo a companhia, tanto testes internos quanto avaliações independentes demonstraram que os mecanismos de segurança implementados são significativamente mais eficazes do que os observados em gerações anteriores de sistemas de IA. Em sua defesa, a Anthropic ressaltou que a resistência absoluta a jailbreaks é tecnicamente impossível para qualquer fornecedor de inteligência artificial. A empresa argumenta que todos os sistemas do setor podem ser contornados em contextos específicos e limitados, exigindo adaptações e esforços adicionais para cada situação. A companhia revelou ainda que as evidências apresentadas pelo governo consistiriam em um método restrito que basicamente solicita ao modelo analisar um código-fonte específico e corrigir vulnerabilidades encontradas. Segundo a Anthropic, capacidades semelhantes estão amplamente disponíveis em outras plataformas do mercado, incluindo o GPT-5.5 da OpenAI, e são utilizadas diariamente por equipes legítimas de defesa cibernética. O episódio amplia o debate sobre exportação de tecnologias avançadas de IA, segurança nacional e o equilíbrio entre inovação e controle governamental. A tensão entre a Anthropic e autoridades dos Estados Unidos não é recente. No início deste ano, o Departamento de Defesa classificou a empresa como um potencial risco para a cadeia de suprimentos após divergências relacionadas ao uso militar de suas tecnologias. Desde então, a companhia ingressou com ações judiciais para contestar a classificação.
- Trabalho remoto continua crescendo e já é preferência da maioria dos profissionais
O trabalho remoto deixou de ser uma medida emergencial da pandemia para se consolidar como uma das principais transformações do mercado de trabalho. O modelo segue em expansão, impulsionado pela busca dos profissionais por flexibilidade, autonomia e melhor equilíbrio entre vida pessoal e carreira. Atualmente, cerca de um em cada cinco trabalhadores atua remotamente. Projeções da Upwork indicam que 32,6 milhões de americanos devem trabalhar de forma remota até 2025, o equivalente a aproximadamente 22% da força de trabalho dos Estados Unidos. O interesse pelo modelo também permanece alto: 98% dos trabalhadores afirmam querer atuar remotamente pelo menos parte do tempo, enquanto cerca de 16% das empresas já operam de forma totalmente remota. O setor de tecnologia da informação lidera a adoção do trabalho remoto, mas outras áreas também avançaram nesse modelo, incluindo contabilidade, finanças, marketing, saúde, gestão de projetos, atendimento ao cliente, vendas, recursos humanos e operações. Entre as vagas remotas mais comuns estão cargos como contador, assistente executivo, analista financeiro, gerente de projetos, representante de atendimento ao cliente, engenheiro de software, designer de produtos e redator. A maior concentração de trabalhadores remotos está na faixa de 24 a 35 anos. Nesse grupo, 39% atuam integralmente em home office e 25% trabalham remotamente parte da semana. O nível de escolaridade também influencia a adesão: profissionais com pós-graduação representam 38% da força de trabalho remota, seguidos por trabalhadores com diploma de graduação, que correspondem a 35%. Entre os principais benefícios apontados, 71% dos profissionais remotos afirmam que o modelo ajuda a equilibrar vida pessoal e trabalho. A flexibilidade de horários, a redução de custos com deslocamento, a autonomia e a melhoria da qualidade de vida estão entre os fatores mais valorizados. Apesar das vantagens, o trabalho remoto também impõe desafios. Cerca de 69% dos profissionais relatam aumento de burnout associado ao uso intensivo de ferramentas digitais, enquanto mais da metade afirma ter mais dificuldade para se conectar com colegas de trabalho. A segurança cibernética também se tornou uma preocupação central: 73% dos executivos acreditam que trabalhadores remotos representam maior risco para as empresas. Os riscos estão ligados ao uso de redes domésticas, dispositivos pessoais, exposição de credenciais, ataques de phishing e acessos remotos inseguros. Por isso, organizações têm reforçado investimentos em autenticação multifator, Zero Trust, proteção de endpoints, monitoramento contínuo, treinamento de conscientização e políticas de acesso seguro. À medida que o modelo remoto amadurece, empresas precisam equilibrar produtividade, bem-estar dos colaboradores e proteção dos ativos digitais em uma realidade que deve permanecer como parte estrutural do mercado de trabalho. O avanço do trabalho remoto também aumentou a demanda por soluções que simplifiquem o recebimento de pagamentos internacionais. Com mais brasileiros prestando serviços para empresas estrangeiras, desafios como taxas elevadas, burocracia e demora nas transferências continuam sendo comuns. Nesse contexto, plataformas como a USPIX oferecem uma alternativa para converter USDT em reais via PIX de forma rápida e online. Voltada para freelancers, consultores, desenvolvedores, criadores de conteúdo e empresas, a solução permite receber valores utilizando as redes Tron (TRC-20) e Polygon, com liquidação disponível 24 horas por dia. As operações podem ser realizadas sem cadastro prévio, reduzindo a burocracia normalmente associada às transferências internacionais. A proposta é proporcionar mais agilidade, menores custos e maior flexibilidade para profissionais que recebem pagamentos do exterior.
- Trump avalia executivo da Palantir para chefiar agência de cibersegurança dos EUA
A administração do presidente Donald Trump avalia indicar Shyam Sankar, diretor de tecnologia da Palantir Technologies, para assumir a liderança da Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA), segundo fontes familiarizadas com o processo de seleção. Sankar, de 44 anos, desponta como um dos principais candidatos para ocupar o cargo de diretor da CISA, posição que permanece sem um titular confirmado pelo Senado desde a saída de Jen Easterly em janeiro de 2025. A agência está atualmente sob comando interino de Nick Andersen. Após a divulgação das informações, um representante da Casa Branca contestou a possível nomeação, afirmando que a informação “não é precisa neste momento”. Já o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) informou que não possui anúncios de pessoal a fazer neste momento. A possível escolha de Sankar ocorre em um momento particularmente estratégico para a CISA. A agência é responsável pela coordenação da defesa cibernética civil do governo federal norte-americano e vem enfrentando cortes de orçamento e redução de pessoal desde o início do segundo mandato de Trump. Veterano da Palantir, Sankar trabalha na companhia há mais de duas décadas. Antes de assumir o cargo de CTO em 2023, atuou por cerca de 17 anos como diretor de operações da empresa. A Palantir se consolidou nos últimos anos como uma das principais fornecedoras de soluções de análise de dados, inteligência artificial e tecnologia para defesa e segurança nacional dos Estados Unidos. A aproximação entre a Palantir e a atual administração também ocorre em meio ao crescente interesse do governo americano por inteligência artificial aplicada à segurança nacional e à cibersegurança. Recentemente, a Casa Branca publicou uma nova ordem executiva voltada para IA, reduzindo de 90 para 30 dias o período de revisão governamental de modelos avançados de inteligência artificial. O tema ganhou ainda mais relevância após demonstrações de plataformas capazes de identificar vulnerabilidades críticas sem intervenção humana. Ferramentas de IA vêm despertando atenção tanto pelo potencial de acelerar a descoberta de falhas quanto pelos riscos associados ao uso da tecnologia por agentes maliciosos. Durante audiência no Congresso nesta semana, o secretário do DHS, Markwayne Mullin, afirmou que a administração está próxima de anunciar oficialmente o novo diretor da CISA. Segundo Mullin, a futura liderança da agência terá a missão de fortalecer a capacidade de recrutamento e ampliar a atuação da CISA como principal referência federal em cibersegurança. A agência também recebeu papel de destaque na implementação da nova estratégia de inteligência artificial da administração Trump e deverá publicar nos próximos dias uma diretiva operacional obrigatória orientando outras agências federais sobre as medidas necessárias para colocar as novas políticas em prática. Antes de surgir como possível candidato à CISA, Sankar também chegou a ser considerado para liderar áreas de pesquisa e engenharia no Pentágono. Em um artigo publicado em fevereiro, ele defendeu uma abordagem menos burocrática para a adoção de inteligência artificial, argumentando que a tecnologia deve aumentar a produtividade e acelerar processos, em vez de criar novas camadas regulatórias. A eventual nomeação de um executivo com forte histórico em inteligência artificial e análise de dados para comandar a CISA pode sinalizar uma mudança importante na forma como o governo dos Estados Unidos pretende enfrentar os desafios de segurança cibernética e IA nos próximos anos.
- Hackers fingem ser mulheres para espionar soldados russos pelo Telegram
Uma campanha de espionagem cibernética até então desconhecida tem como alvo militares russos por meio de perfis falsos de mulheres interessadas em relacionamentos amorosos. A operação, identificada pela empresa russa de segurança F6 e atribuída a um grupo batizado de SiribClone, utiliza engenharia social, sites falsos e malwares inéditos para comprometer smartphones, computadores e contas do Telegram de integrantes das Forças Armadas da Rússia. Segundo os pesquisadores, a atividade está em andamento desde pelo menos o verão de 2025 e concentra seus esforços em soldados posicionados em regiões de fronteira e zonas de combate. O objetivo aparente é coletar inteligência militar diretamente do campo de batalha, obtendo acesso a documentos, comunicações, localização geográfica e outras informações sensíveis relacionadas às operações militares russas. A campanha começa com abordagens realizadas por meio do Telegram e de outros aplicativos de mensagens. Os operadores se apresentam como mulheres em busca de relacionamentos ou como voluntárias oferecendo ajuda humanitária aos militares. Após estabelecer contato com as vítimas, os invasores tentam convencê-las a instalar aplicativos maliciosos ou inserir credenciais do Telegram em páginas fraudulentas. Os pesquisadores identificaram diferentes estratégias de convencimento. Em alguns casos, os criminosos afirmavam ter desenvolvido um novo aplicativo e solicitavam testes por parte dos militares. Em outros, propunham a troca de fotografias íntimas utilizando uma suposta plataforma segura de compartilhamento de imagens. Na prática, o aplicativo instalado continha um spyware para Android até então desconhecido, denominado SafeLoveStealer. De acordo com a análise, o malware é capaz de roubar fotografias, vídeos, documentos, dados de localização e outras informações armazenadas nos dispositivos comprometidos. Além disso, ele permite que os operadores ativem remotamente o microfone do aparelho para capturar conversas e sons do ambiente. Além do spyware móvel, o grupo também mantém uma infraestrutura de phishing composta por páginas falsas que imitam telas de login do Telegram, convites para comunidades da plataforma, portais de exames médicos e outros serviços online. As vítimas são induzidas a informar número de telefone, código de verificação do Telegram e senha de autenticação em dois fatores, permitindo que os invasores assumam o controle das contas e monitorem as comunicações em tempo real. A investigação também revelou a existência de um malware voltado para computadores desktop, chamado SiribGrabber. Diferentemente do SafeLoveStealer, sua principal função é o roubo de arquivos armazenados nos sistemas infectados. Os pesquisadores observaram uma campanha ativa entre janeiro e fevereiro deste ano, quando arquivos ZIP disfarçados de documentos militares foram distribuídos às vítimas. Após alguns meses sem atividade aparente, o grupo voltou a operar em maio utilizando uma nova infraestrutura baseada em um site temático relacionado às comemorações do Dia da Vitória da Rússia. Outro elemento relevante descoberto durante a investigação foi uma plataforma interna de gerenciamento utilizada pelos operadores da campanha, chamada Kontur. O sistema armazena sessões roubadas do Telegram e permite que os invasores consultem mensagens interceptadas. Anotações encontradas na plataforma faziam referência a patentes militares, unidades das forças armadas, localizações geográficas e status operacionais, reforçando a hipótese de que a campanha possui objetivos voltados principalmente para espionagem militar. De acordo com a F6, as operações do SiribClone possuem dois focos principais: coletar informações técnicas, geográficas e pessoais dos dispositivos comprometidos e manter acesso persistente às contas de Telegram das vítimas para monitorar comunicações estratégicas por longos períodos. Embora a campanha apresente características típicas de operações de inteligência cibernética, os pesquisadores afirmam que ainda não foi possível atribuir a atividade a nenhum país específico ou a grupos de ameaça já conhecidos.
- WhatsApp acusa NSO Group de usar ataques de spearphishing contra usuários apesar de ordem judicial
O WhatsApp acusou a fabricante de spyware NSO Group de realizar novos ataques de spearphishing contra usuários da plataforma, em suposta violação de uma ordem judicial emitida em outubro que proíbe a empresa de usar o aplicativo de mensagens como vetor de ataque. A denúncia foi divulgada na segunda-feira em uma publicação da Meta, controladora do WhatsApp. Segundo a empresa, a atividade foi detectada após usuários relatarem comportamentos suspeitos. Com base nessas evidências, o WhatsApp informou que está entrando com um pedido de desacato em um tribunal federal contra a NSO, alegando descumprimento de uma liminar permanente que impede a companhia de conduzir esse tipo de operação por meio do aplicativo. A NSO Group é conhecida pelo desenvolvimento de ferramentas de spyware, incluindo tecnologias associadas a operações de vigilância contra ativistas de direitos humanos, jornalistas e outros alvos em diferentes países. O novo episódio ocorre após o WhatsApp vencer uma ação judicial contra a empresa relacionada a ataques de 2019, quando cerca de 1.400 usuários do aplicativo foram alvo de explorações do tipo zero-click, modalidade em que a vítima não precisa clicar em links ou abrir arquivos para que o comprometimento ocorra. Em maio, um júri concedeu ao WhatsApp uma indenização de US$ 167 milhões. Posteriormente, o valor foi reduzido para US$ 4,4 milhões pelo juiz federal responsável pelo caso. Em outubro, o mesmo tribunal emitiu uma liminar permanente proibindo a NSO de atacar o WhatsApp e seus usuários novamente. A decisão judicial foi contestada pela NSO. Em petições anteriores, a empresa afirmou que a liminar poderia “colocar toda a operação da NSO em risco” e até “forçar a NSO a sair do mercado”. A companhia também argumentou que sofreria danos “irreparáveis, potencialmente existenciais” caso fosse impedida de conduzir ataques por meio do WhatsApp. O pedido de suspensão da ordem foi negado pelo juiz. A NSO sustenta ainda que a liminar permanente prejudica o interesse público ao afetar operações de aplicação da lei, inteligência e contraterrorismo. Em novembro, a empresa entrou com recurso para tentar reverter a decisão, processo que ainda está em andamento. De acordo com o WhatsApp, os ataques mais recentes recorreram a técnicas de engenharia social para induzir usuários a clicar em links maliciosos. Esses links direcionariam as vítimas para sites externos ao WhatsApp, em uma abordagem semelhante a campanhas de phishing de “um clique” anteriormente associadas à NSO. A empresa também afirmou que a NSO criou contas e grupos de teste dentro do aplicativo, que foram removidos pelo WhatsApp. Até o momento, um porta-voz da NSO não havia respondido ao pedido de comentário mencionado no texto original. Na publicação, o WhatsApp afirmou que, no ano passado, obteve um veredito considerado histórico e uma liminar permanente contra a NSO Group, descrita pela empresa como uma fabricante de spyware incluída em lista restritiva por ações contrárias à segurança nacional dos Estados Unidos. Segundo a Meta, o tribunal foi claro ao concluir que a NSO violou leis federais e estaduais contra hacking. “Hoje, estamos pedindo ao tribunal que a considere em desacato a essa ordem”, afirmou o WhatsApp na publicação. A empresa também compartilhou indicadores de ameaça que, segundo ela, foram usados pela NSO nos ataques. O objetivo é permitir que o público verifique se foi alvo de métodos de engenharia social associados à fabricante de spyware em diferentes plataformas, incluindo mensagens de texto e e-mails. O caso amplia a disputa jurídica e técnica entre plataformas de comunicação criptografada e fornecedores de spyware comercial. A controvérsia também ocorre em um momento em que um grupo de investidores norte-americanos comprou a NSO no ano passado e declarou interesse em entrar no mercado dos Estados Unidos.
- Microsoft corrige recorde de 206 falhas de segurança no Windows incluindo três zero-days
A Microsoft publicou sua atualização mensal de segurança com correções para 206 vulnerabilidades em seu portfólio de software, o maior volume já registrado pela empresa em um único Patch Tuesday. O pacote inclui três falhas já divulgadas publicamente no momento da liberação das correções, além de vulnerabilidades críticas que podem permitir execução remota de código, elevação de privilégios, vazamento de informações e bypass de recursos de segurança. Do total de falhas corrigidas, 39 foram classificadas como críticas e 167 como importantes. A lista inclui 63 vulnerabilidades de elevação de privilégio, 56 de execução remota de código, 30 de divulgação de informações, 27 de spoofing, 20 de bypass de recursos de segurança, sete de negação de serviço e três de adulteração. O pacote também contempla dois CVEs que não são originalmente da Microsoft, mas impactam componentes usados no ecossistema Windows. Um deles é uma falha de elevação de privilégio no Windows Kernel, rastreada como CVE-2025-10263, e o outro é uma vulnerabilidade de bypass no UEFI Secure Boot, identificada como CVE-2026-8863. As correções chegam em paralelo a mais de 350 falhas de segurança corrigidas pelo Google no Chromium, base utilizada pelo navegador Microsoft Edge. Entre as falhas mais graves está a CVE-2026-45657, com pontuação CVSS 9.8. Trata-se de uma vulnerabilidade do tipo use-after-free no Windows Kernel que pode resultar em execução remota de código. Segundo a Microsoft, um invasor poderia explorar a falha enviando tráfego de rede especialmente criado para um sistema Windows vulnerável. Se a exploração fosse bem-sucedida, pacotes maliciosos poderiam acionar um erro na forma como o kernel do Windows processa determinados dados TCP/IP, permitindo a execução de código com privilégios de sistema sem necessidade de login ou interação do usuário. Outra vulnerabilidade crítica é a CVE-2026-47291, também com CVSS 9.8, causada por uma falha de integer overflow ou wraparound no Windows HTTP.sys. A brecha permite que um invasor não autenticado execute código remotamente pela rede. O HTTP.sys é um componente do Windows usado para processamento de tráfego HTTP em serviços e aplicações, o que torna falhas nesse recurso especialmente relevantes para servidores expostos ou ambientes corporativos com serviços dependentes dessa camada. A Microsoft também corrigiu a CVE-2026-44815, com CVSS 9.8, uma vulnerabilidade de buffer overflow baseado em pilha no Windows DHCP Client. A falha permite execução remota de código por um invasor não autenticado por meio da rede. Alex Vovk, CEO e cofundador da Action1, destacou que a vulnerabilidade não exige credenciais nem ação do usuário e pode transformar tráfego de rede em comprometimento completo do sistema. Segundo ele, um invasor poderia enviar tráfego especialmente criado para um sistema configurado para serviços DHCP. Vovk afirmou ainda que a exploração bem-sucedida poderia permitir execução de código não autorizado pela rede, com alto impacto sobre confidencialidade, integridade e disponibilidade. Como o DHCP é uma função essencial em redes corporativas, a vulnerabilidade representa risco elevado para servidores e ambientes que processam esse tipo de tráfego. Entre os possíveis impactos estão comprometimento de servidores, implantação de malware, roubo de dados, interrupção de serviços e movimentação lateral dentro da rede. Sistemas que lidam com tráfego DHCP devem ser tratados como prioridade no processo de correção. O pacote também resolve a CVE-2026-45585, com CVSS 6.8, uma falha de bypass de recurso de segurança no Windows BitLocker. A vulnerabilidade ganhou relevância porque um exploit de prova de conceito chamado YellowKey foi divulgado no mês passado pelo pesquisador Chaotic Eclipse, também conhecido como Nightmare-Eclipse. A CVE-2026-45585 faz parte de um conjunto de falhas de bypass relacionadas ao BitLocker corrigidas neste mês pela Microsoft. A lista inclui ainda as vulnerabilidades CVE-2026-45655, com CVSS 5.3, CVE-2026-45658, com CVSS 7.8, e CVE-2026-50507, com CVSS 6.8. Nos alertas, a Microsoft informou que um invasor bem-sucedido poderia contornar o recurso BitLocker Device Encryption no dispositivo de armazenamento do sistema. Para exploração, seria necessário acesso físico ao alvo, permitindo acesso a dados criptografados. De acordo com o pesquisador Will Dormann, a CVE-2026-50507 parece corrigir um bypass do BitLocker conhecido como bitskrieg, capaz de conceder acesso completo a dados criptografados. A falha está entre as três vulnerabilidades listadas como zero-days divulgadas publicamente neste ciclo, ao lado da CVE-2026-49160 e da CVE-2026-45586. A CVE-2026-45586, com CVSS 7.8, afeta o Windows Collaborative Translation Framework, associado ao processo CTFMON, e permite elevação de privilégios. A falha é suspeita de corrigir um exploit zero-day divulgado por Chaotic Eclipse sob o nome GreenPlasma, que possibilitaria aumento de privilégios no sistema. Já a CVE-2026-49160, com CVSS 7.5, é uma vulnerabilidade de negação de serviço no HTTP.sys. Ela está relacionada à técnica de ataque HTTP2/Bomb, capaz de tirar servidores web do ar em poucos segundos. Em testes conduzidos pela Calif, um servidor IIS esgotou 64 GB de memória RAM em cerca de 45 segundos. Para mitigar esse tipo de ataque, a Microsoft introduziu uma nova configuração de registro chamada MaxHeadersCount, que limita o número de cabeçalhos em requisições HTTP/2 e HTTP/3. Segundo a Microsoft, limitar cabeçalhos HTTP pode ajudar a proteger sistemas e servidores contra uso excessivo de memória, alto consumo de CPU e ataques de negação de serviço. Como HTTP/2 e HTTP/3 utilizam compressão de cabeçalhos, respectivamente por HPACK e QPACK, além de processamento de protocolo mais complexo, a imposição de limites por meio do MaxHeadersCount pode ajudar a manter desempenho e confiabilidade. A atualização de junho de 2026 também corrige uma vulnerabilidade conhecida como MiniPlasma, divulgada por Chaotic Eclipse como uma correção incompleta para a CVE-2020-17103, originalmente tratada pela Microsoft em dezembro de 2020. Em atualização ao seu aviso, a empresa recomendou a instalação dos patches de junho de 2026 para resolver de forma abrangente a vulnerabilidade associada à CVE-2020-17103 e recentemente chamada publicamente de MiniPlasma. O volume recorde de correções reacende o debate sobre o impacto da inteligência artificial na descoberta de vulnerabilidades. Especialistas atribuem o crescimento no número de falhas identificadas ao uso cada vez maior de abordagens assistidas por IA em pesquisa de segurança, tendência que, segundo a própria Microsoft, deve continuar no futuro próximo. Satnam Narang, engenheiro sênior de pesquisa da Tenable, afirmou que a “caixa de Pandora” foi aberta e que, à medida que modelos de IA mais avançados se tornam disponíveis, a tendência é de aumento contínuo no volume de vulnerabilidades reportadas, não apenas no Patch Tuesday. Dustin Childs, chefe de conscientização de ameaças da TrendAI Zero Day Initiative, descreveu o conjunto massivo de vulnerabilidades da Microsoft como um sinal de como a IA está acelerando a descoberta de falhas em uma escala difícil de controlar. Segundo ele, o número atual de CVEs publicados pela Microsoft neste ano já supera o total de CVEs enviados em todo o ano de 2018. Childs também observou que, embora seja extraordinário a Microsoft produzir tantas correções em um único mês, muitos profissionais de teste podem estar se perguntando quais problemas de qualidade podem existir em um pacote desse tamanho. As correções chegam no mesmo momento em que Chaotic Eclipse divulgou uma prova de conceito para outro zero-day no Microsoft Defender, chamado RoguePlanet. Segundo a descrição do pesquisador, trata-se de uma condição de corrida que poderia ser usada para abrir um prompt de comando do Windows com privilégios SYSTEM.
- Ataque cibernético paralisa usinas de açúcar na Austrália e interrompe colheita em importante região produtora
Um ataque cibernético interrompeu a produção de açúcar em uma das principais regiões produtoras de cana-de-açúcar da Austrália, forçando a paralisação de duas grandes usinas e suspendendo temporariamente as atividades de colheita. O incidente afetou a Mackay Sugar, segunda maior produtora de açúcar do país, que confirmou estar respondendo a um evento de segurança cibernética que atingiu parte de suas operações. A empresa informou que acionou especialistas em cibersegurança e autoridades locais para investigar o ataque e restaurar seus sistemas de forma segura. Como medida de contenção, as usinas Farleigh e Racecourse, localizadas na região de Mackay, no estado de Queensland, tiveram suas operações interrompidas. A paralisação impactou diretamente toda a cadeia produtiva da região. Segundo relatos da imprensa local, produtores receberam orientação para suspender imediatamente a colheita da cana-de-açúcar até novo aviso, uma vez que a interrupção das usinas inviabiliza o processamento da matéria-prima. A entidade Canegrowers Mackay, que representa os agricultores locais, confirmou que a Mackay Sugar determinou a interrupção das atividades ainda nas primeiras horas da quarta-feira. Em comunicado, a organização informou que todos os trabalhos de colheita deveriam ser interrompidos imediatamente e só poderiam ser retomados após novas orientações oficiais da empresa. Além da moagem, as operações de transporte da cana até as unidades industriais também foram suspensas. O impacto é particularmente relevante porque as usinas Farleigh e Racecourse haviam iniciado recentemente a temporada anual de processamento da safra, período crítico para a indústria açucareira australiana. Apenas os produtores do distrito de Marian não foram afetados diretamente. Isso porque a terceira unidade da companhia ainda não iniciou suas operações e tem previsão de começar a moagem apenas na próxima semana. Empresa não divulgou detalhes sobre o ataque Até o momento, a Mackay Sugar não revelou a natureza do incidente, tampouco informou se houve comprometimento de dados corporativos ou se o ataque envolve ransomware, roubo de informações ou outra atividade maliciosa. A companhia afirmou ter implementado medidas temporárias para manter funções consideradas essenciais e reduzir os impactos operacionais enquanto trabalha na recuperação dos sistemas afetados. A empresa também informou que está mantendo comunicação constante com funcionários, produtores rurais, parceiros de negócios e demais partes envolvidas, prometendo divulgar novas informações à medida que a investigação avançar. Infraestrutura crítica e agronegócio cada vez mais visados Embora os detalhes técnicos do incidente ainda não sejam conhecidos, o caso reforça uma tendência observada globalmente nos últimos anos: o aumento dos ataques contra organizações ligadas à infraestrutura crítica, cadeias de suprimentos e setores essenciais da economia. A interrupção de operações industriais por ataques cibernéticos pode gerar consequências que vão muito além dos sistemas de TI. Em ambientes de manufatura e produção agrícola, indisponibilidades podem interromper linhas de processamento, comprometer cronogramas de entrega, gerar perdas financeiras e impactar diretamente produtores, distribuidores e mercados consumidores. O agronegócio tem se tornado um alvo cada vez mais atrativo para grupos de cibercrime devido à crescente digitalização de processos industriais, sistemas de logística, automação operacional e integração de cadeias produtivas. Ataques bem-sucedidos podem provocar efeitos em cascata, afetando desde a produção até a exportação de commodities. A Mackay Sugar opera três usinas e registra receita anual superior a US$ 420 milhões. A empresa fornece açúcar bruto tanto para o mercado doméstico quanto para diversos mercados internacionais, incluindo Coreia do Sul, Indonésia, Japão e Malásia. A paralisação das operações ocorre justamente em um período estratégico para a safra australiana, aumentando a pressão para que os sistemas sejam restaurados rapidamente e as atividades possam ser retomadas sem comprometer a produção da temporada.
- IA avançada da Anthropic será limitada para evitar criação de exploits por qualquer usuário
A Anthropic lançou, em 9 de junho, o Claude Fable 5, descrito pela empresa como o modelo mais capaz já desenvolvido por ela. A novidade veio acompanhada de uma decisão incomum: o mesmo modelo-base foi lançado em duas versões comerciais, separadas não por diferença de capacidade técnica, mas por uma camada de classificadores de segurança voltados a impedir usos considerados perigosos. O Claude Fable 5 será disponibilizado ao público em geral. Já o Claude Mythos 5, seu equivalente com as salvaguardas cibernéticas removidas, ficará restrito a um grupo previamente validado de defensores, profissionais de segurança e operadores de infraestrutura crítica. A Anthropic classifica o Mythos 5 como o modelo de cibersegurança mais forte do mundo. Na prática, a diferença entre os dois está na forma como cada um lida com solicitações sensíveis. O Fable 5 encaminha pedidos sinalizados nas áreas de cibersegurança, biologia, química e destilação de modelos para o Claude Opus 4.8, um modelo mais fraco. Já o Mythos 5 mantém suas capacidades cibernéticas completas disponíveis para usuários aprovados. Ambos custam US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de tokens de saída, valor inferior à metade do preço cobrado anteriormente pelo Mythos Preview. O Fable 5 já está disponível pela API do Claude e também será incluído, sem custo adicional até 22 de junho, nos planos Pro, Max, Team e Enterprise baseados em assentos. Após essa data, o acesso passará a consumir créditos de uso. Como funcionam os classificadores cibernéticos do Fable 5 A divisão entre Fable 5 e Mythos 5 existe porque, segundo a própria Anthropic, modelos da classe Mythos já são capazes de identificar e explorar vulnerabilidades de software em um nível que poderia elevar de forma significativa a capacidade de invasores caso fossem liberados ao público sem controles. O mecanismo de proteção é baseado em classificadores, ou seja, sistemas de IA separados que monitoram tentativas de mau uso e jailbreaks. Quando uma solicitação aciona um desses filtros, o Fable 5 não simplesmente recusa a resposta. Em vez disso, transfere o pedido para o Opus 4.8 e informa ao usuário que houve esse redirecionamento. Entre as categorias monitoradas, a destilação de modelos é uma das menos óbvias para o público geral. O termo se refere à tentativa de extrair capacidades de um modelo avançado para treinar outro sistema concorrente. A Anthropic bloqueia esse tipo de uso para evitar que habilidades próximas ao estado da arte sejam copiadas sem as salvaguardas associadas. O classificador de cibersegurança é o mais abrangente. Ele foi projetado para bloquear não apenas o desenvolvimento de exploits, mas também tarefas ofensivas em geral, incluindo reconhecimento, descoberta, movimentação lateral e etapas agentivas que compõem uma invasão real. Em uma avaliação interna, realizada com o Fable 5 configurado para bloquear respostas em vez de transferi-las para outro modelo, e sem tentativas de contornar as proteções, os classificadores impediram o modelo de avançar nessas tarefas. Um parceiro externo também constatou que o Fable 5 não atendeu a nenhuma solicitação prejudicial de turno único relacionada a planejamento de ataques cibernéticos, desenvolvimento de exploits ou evasão de defesas, mesmo diante de 30 técnicas públicas de jailbreak. O custo dessa abordagem está nos falsos positivos. A Anthropic afirma ter ajustado as salvaguardas de forma conservadora para conseguir lançar o modelo rapidamente, o que pode fazer com que pedidos inofensivos também sejam capturados. Segundo a empresa, o redirecionamento ocorre em menos de 5% de todas as sessões. Isso significa que, em mais de 95% das interações, o Fable 5 se comporta como o Mythos 5 sem restrições cibernéticas. O número, porém, inclui todos os redirecionamentos, inclusive bloqueios legítimos, e por isso mede a interrupção total, não apenas a taxa de falsos positivos. A Anthropic afirma que pretende refinar as salvaguardas após o lançamento para reduzir esses casos. Em testes de robustez, um programa externo de bug bounty somou mais de 1.000 horas de avaliação sem encontrar um jailbreak universal, isto é, um prompt ou mecanismo capaz de remover as proteções de forma ampla. Equipes externas de red team também não encontraram esse tipo de falha em tarefas agentivas de longa duração. A empresa, no entanto, reconhece uma ressalva importante: o AI Security Institute do Reino Unido conseguiu avançar em direção a um jailbreak universal durante uma janela inicial curta de testes. A própria Anthropic admite que talvez seja impossível impedir completamente esse tipo de técnica. O objetivo declarado é tornar qualquer jailbreak remanescente lento e caro o suficiente para ser detectado antes de ser usado em larga escala. Por que essa capacidade representa risco A justificativa para tratar esse modelo com cautela apareceu em abril, quando a Anthropic lançou o Claude Mythos Preview para um grupo limitado por meio do Project Glasswing. O material técnico divulgado pela equipe de red team da empresa mostrou por que as capacidades do modelo chamaram atenção. Durante os testes, o Mythos Preview identificou e explorou vulnerabilidades zero-day em todos os principais sistemas operacionais e navegadores quando orientado por um usuário. A falha mais antiga encontrada era um bug de 27 anos no OpenBSD, sistema operacional conhecido historicamente por seu foco em segurança. O modelo também escreveu de forma autônoma um exploit de execução remota de código contra o servidor NFS do FreeBSD, a partir de uma vulnerabilidade de 17 anos classificada como CVE-2026-4747. Segundo a Anthropic, o resultado permitia acesso root completo para um invasor não autenticado a partir de qualquer ponto da internet. A descrição do NVD é mais cautelosa: a entrada observa que o estouro de pilha não exige autenticação do cliente, mas caracteriza a execução de código no kernel como algo alcançável por um invasor capaz de enviar pacotes ao servidor NFS enquanto o módulo kgssapi.ko estiver carregado. A Anthropic afirma que não treinou explicitamente essas capacidades ofensivas. Elas teriam surgido como efeito colateral de avanços gerais em código, raciocínio e autonomia, os mesmos fatores que tornam o modelo mais eficiente para correção de falhas e análise defensiva. O alerta da equipe de red team é direto: mitigações cujo valor de segurança depende mais de atrito operacional do que de barreiras técnicas fortes perdem eficácia diante de um modelo capaz de executar etapas tediosas de exploração em escala. Barreiras técnicas rígidas, como KASLR e W^X, ainda aumentam o custo dos ataques. A preocupação está em defesas que dependem da falta de paciência, tempo ou esforço manual do invasor — fatores que modelos autônomos podem compensar. O Mythos 5 preserva essas habilidades. De acordo com a Anthropic, usuários devem encontrar desempenho comparável ou ligeiramente superior ao Mythos Preview. O novo gargalo para os defensores O argumento defensivo para liberar essas capacidades a grupos selecionados não é hipotético. Nas primeiras semanas do Project Glasswing, a Anthropic e cerca de 50 parceiros usaram o Mythos Preview para encontrar mais de 10 mil vulnerabilidades de severidade alta ou crítica em softwares considerados sistemicamente importantes. A Cloudflare, sozinha, encontrou 2.000 bugs, dos quais 400 foram classificados como de alta ou crítica severidade. A Mozilla identificou e corrigiu 271 vulnerabilidades no Firefox 150, mais de dez vezes o volume encontrado no Firefox 148 com o modelo anterior Opus 4.6. Segundo a Anthropic, a mesma pressão aparece fora do Glasswing, com fornecedores publicando atualizações de segurança anormalmente grandes. O problema é que encontrar falhas se tornou mais barato e rápido. Verificar, priorizar e corrigir essas vulnerabilidades continua sendo um processo dependente de tempo humano, capacidade operacional e coordenação entre equipes. A Anthropic relata que mantenedores de projetos open source, já sobrecarregados por relatórios de bugs gerados por IA e de baixa qualidade, pediram que a empresa reduzisse o ritmo de divulgações porque não conseguem desenvolver patches com a mesma velocidade. No Glasswing, uma falha de severidade alta ou crítica encontrada pelo modelo levou, em média, cerca de duas semanas para ser corrigida. O gargalo, portanto, deslocou-se da descoberta para a correção. E o intervalo entre a divulgação pública de uma vulnerabilidade e a aplicação efetiva do patch é justamente onde invasores operam. Os experimentos da equipe de red team com vulnerabilidades N-day reforçam esse ponto. A partir apenas de um CVE divulgado e de seu respectivo patch, o Mythos Preview conseguiu criar exploits funcionais de elevação de privilégio em Linux em menos de um dia cada, com custo computacional de alguns milhares de dólares ou menos. Para equipes de defesa, a leitura operacional é que uma vulnerabilidade de alta severidade pode se transformar em exploit funcional em questão de horas após a divulgação, e não mais em semanas. Isso aumenta a pressão por caminhos de atualização automática em sistemas expostos à internet e torna atualizações de dependências associadas a CVEs uma atividade sensível ao tempo, não apenas um item de backlog. MFA e registro abrangente de logs continuam sendo controles básicos importantes para reduzir o impacto de uma falha não corrigida. A lógica é evitar que um único patch atrasado se torne a única barreira entre um invasor e a rede corporativa. A Anthropic também abriu um Programa de Verificação Cibernética, que permitirá a profissionais de segurança previamente avaliados usar seus modelos para atividades ofensivas legítimas sem as salvaguardas cibernéticas aplicadas ao público geral. Nova exigência de retenção de dados por 30 dias A Anthropic também alterou sua política de tratamento de dados para modelos da classe Mythos. A empresa passará a exigir retenção de 30 dias para todo o tráfego no Fable 5, Mythos 5 e futuros modelos nesse nível de capacidade, tanto em superfícies próprias quanto de terceiros. Segundo a empresa, esses dados não serão usados para treinamento nem para finalidades que não sejam de segurança. A Anthropic afirma ainda que todo acesso humano será registrado e que os dados serão excluídos após 30 dias, exceto quando uma investigação de segurança ou obrigação legal exigir retenção por mais tempo. A justificativa é defensiva: a retenção ajudaria a detectar ataques novos e jailbreaks distribuídos em múltiplas solicitações. Para empresas com requisitos rígidos de tratamento de dados, privacidade, compliance ou confidencialidade, essa janela de retenção deverá ser considerada antes de encaminhar informações sensíveis a esses modelos. A Anthropic planeja ampliar o acesso ao Mythos 5 por meio de um programa de acesso confiável. A empresa também afirma que, quando sua capacidade computacional aumentar, pretende reintegrar o Fable 5 aos planos de assinatura sem o prêmio de créditos de uso previsto após 22 de junho. O lançamento levanta uma questão maior que a Anthropic já vinha sinalizando desde abril: modelos de capacidade semelhante, desenvolvidos por outros laboratórios, estão a caminho, e nem todos necessariamente chegarão ao mercado com uma camada robusta de classificadores de segurança. A vantagem defensiva que o Project Glasswing buscava criar dependerá de como o restante da indústria decidirá usar, limitar e governar esse tipo de capacidade.
- Home office, e não IA, pode estar afetando vagas para jovens profissionais
O avanço do trabalho remoto pode estar dificultando a entrada de jovens profissionais no mercado de trabalho, segundo uma análise do Federal Reserve de Nova York. Embora recém-formados e profissionais em início de carreira consigam manter produtividade trabalhando de casa, a qualidade do trabalho entregue pode ser inferior em comparação com ambientes presenciais, especialmente pela redução de feedback, treinamento e mentoria. De acordo com o estudo, o desemprego entre jovens aumentou significativamente desde a pandemia de COVID-19 e não recuou no mesmo ritmo observado entre profissionais mais velhos e experientes com ensino superior. A análise aponta que a expansão do trabalho remoto no período pós-pandemia pode estar diretamente ligada a essa dificuldade maior de contratação de trabalhadores menos experientes. Segundo o Fed de Nova York, o trabalho remoto tornou mais difícil para gestores treinarem e orientarem novos funcionários. Como resultado, empresas podem estar mais relutantes em contratar profissionais juniores para funções distribuídas, nas quais o contato presencial com líderes e colegas mais experientes é reduzido. O relatório estima que o desemprego entre jovens tenha aumentado 20% desde a pandemia. Desse crescimento, 64% seria atribuível diretamente ao trabalho remoto, e não à inteligência artificial. Os pesquisadores reconhecem que a IA pode se tornar um fator relevante no futuro, mas afirmam que a alta no desemprego juvenil começou antes da rápida difusão das ferramentas de IA generativa. A conclusão contraria parte do debate recente sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. Nos últimos anos, a IA tem sido apontada como uma das principais ameaças a vagas de entrada, especialmente em áreas como tecnologia, atendimento, análise de dados, marketing e produção de conteúdo. No entanto, os pesquisadores afirmam que, mesmo ao controlar a exposição das ocupações à IA, a diferença entre trabalhadores jovens e mais experientes permanece. A análise também entra em tensão com a percepção positiva de muitos profissionais sobre o home office. Desde a pandemia, diversos trabalhadores passaram a defender o trabalho remoto por permitir mais flexibilidade, redução de custos, economia de tempo com deslocamento e melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Em muitos casos, estudos e relatos de empresas indicaram que o trabalho remoto não provocou queda significativa na produtividade. O ponto central do estudo, porém, não está apenas na quantidade de trabalho produzido. O documento de trabalho associado ao relatório analisou que profissionais juniores em regime remoto podem até realizar mais tarefas, mas a qualidade do resultado tende a cair. A diferença está no acesso limitado a comentários construtivos, revisão informal e aprendizado prático no contato diário com colegas. O estudo foi conduzido por Natalia Emanuel, economista do Fed de Nova York, em conjunto com Emma Harrington, professora de economia da Universidade da Virgínia, e Amanda Pallais, professora de Harvard. A pesquisa analisou especificamente desenvolvedores de software, tornando o levantamento particularmente relevante para o setor de tecnologia. Segundo os achados, desenvolvedores experientes que migraram do trabalho presencial para o remoto apresentaram pouca mudança na qualidade do código produzido. Essa qualidade foi medida por indicadores como code churn, que representa a frequência com que trechos de código precisam ser alterados após a entrega, e a quantidade de bugs introduzidos. Entre profissionais menos experientes, o efeito foi diferente. Quando trabalham próximos a colegas, eles recebem mais feedback sobre suas entregas e têm mais oportunidades de mentoria. Mesmo uma pequena distância física, como um desenvolvedor júnior alocado em outra área do escritório, pode reduzir as interações informais que ajudam no aprendizado. No regime remoto, essa perda tende a ser mais acentuada. Os pesquisadores afirmam que a redução de feedback afeta especialmente trabalhadores jovens, que deixam de receber comentários construtivos importantes para seu desenvolvimento profissional. Em áreas técnicas, como desenvolvimento de software, esse tipo de orientação é essencial para aprimorar práticas de codificação, arquitetura, revisão de código, resolução de problemas e entendimento dos padrões internos de uma equipe. O fenômeno não se restringe ao desenvolvimento de software. Um estudo de 2024 de Emanuel e Harrington analisou funcionários de atendimento ao cliente enviados para o trabalho remoto e encontrou efeito semelhante. Segundo a pesquisa, o número de chamadas necessárias para resolver um problema e o tempo total de resolução aumentaram, sugerindo queda na qualidade do trabalho realizado fora do ambiente presencial. Esses resultados ajudam a explicar por que empresas podem estar menos dispostas a contratar profissionais em início de carreira para vagas remotas. A preocupação não é apenas se o trabalhador será produtivo, mas se terá condições de aprender, evoluir e entregar com qualidade sem a estrutura de acompanhamento necessária nos primeiros anos de carreira. Para os pesquisadores, jovens que buscam vagas remotas enfrentam um duplo desafio. De um lado, têm menos acesso ao treinamento e à mentoria necessários para desenvolver suas habilidades. De outro, empresas podem evitar contratá-los justamente por entenderem que não conseguirão oferecer suporte adequado em um modelo totalmente distribuído. O estudo também ajuda a contextualizar as políticas de retorno ao escritório adotadas por muitas empresas nos últimos anos. Diversas organizações justificaram mandatos de retorno presencial ou modelos híbridos com base na importância da convivência para mentoria, aprendizado e colaboração. A pesquisa sugere que esse argumento pode ser mais relevante para profissionais juniores do que para trabalhadores experientes. A ironia, segundo os autores, é que, quando as vagas se tornam mais escassas, fica ainda mais difícil para jovens profissionais obterem justamente o treinamento de que precisam. Em um mercado mais competitivo, empresas tendem a preferir candidatos já prontos, com experiência acumulada e menor necessidade de acompanhamento próximo. Se as conclusões se confirmarem, uma possível resposta seria reservar funções totalmente remotas para profissionais mais experientes e direcionar trabalhadores em início de carreira para modelos presenciais ou híbridos. Nesse formato, jovens profissionais poderiam passar ao menos alguns dias por semana no escritório, interagindo diretamente com colegas mais experientes, recebendo feedback mais frequente e acelerando seu desenvolvimento. O debate, no entanto, não elimina os benefícios do trabalho remoto. A análise indica que o modelo pode funcionar bem para profissionais seniores e equipes maduras, mas apresenta limitações quando aplicado a trabalhadores que ainda dependem intensamente de aprendizado prático, observação e orientação. Para empresas de tecnologia e áreas que contratam muitos recém-formados, o desafio passa a ser equilibrar flexibilidade com mecanismos efetivos de formação profissional. A conclusão do Fed de Nova York desloca parte da discussão sobre o futuro do trabalho. Em vez de atribuir imediatamente à inteligência artificial a dificuldade dos jovens no mercado, o estudo aponta para uma transformação organizacional iniciada na pandemia: a perda de ambientes presenciais de aprendizagem. Para recém-formados, o problema pode não ser apenas competir com máquinas, mas encontrar empresas dispostas a investir tempo e estrutura para formar novos talentos em um mercado cada vez mais distribuído.












