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Governo dos EUA determina suspensão do acesso aos modelos Fable 5 e Mythos 5 da Anthropic para estrangeiros


A Anthropic anunciou que foi obrigada pelo governo dos Estados Unidos a suspender imediatamente o acesso aos seus modelos mais avançados de inteligência artificial, Claude Fable 5 e Mythos 5, para cidadãos estrangeiros em qualquer lugar do mundo. A medida foi determinada sob alegações de segurança nacional e ocorre poucos dias após o lançamento das novas plataformas de IA da empresa.


Segundo a Anthropic, a ordem foi recebida às 17h21 (horário da costa leste dos EUA) e exige o bloqueio completo do acesso aos modelos para todos os usuários que não sejam cidadãos norte-americanos. A empresa afirmou acreditar que houve um “mal-entendido” por parte das autoridades e informou que trabalha para reverter a decisão o mais rápido possível. Outros modelos da companhia não foram afetados pela diretiva de controle de exportação.


De acordo com a empresa, o governo acredita ter identificado um método capaz de contornar os mecanismos de proteção do Fable 5, técnica conhecida como jailbreak. A Anthropic afirmou ter analisado a demonstração apresentada e concluiu que ela permitia apenas identificar algumas vulnerabilidades previamente conhecidas e de baixo impacto.


A companhia argumenta que essas falhas são relativamente simples e que outros modelos de IA disponíveis publicamente também conseguem encontrá-las sem necessidade de qualquer técnica de bypass. Para a empresa, a evidência apresentada não justificaria a retirada de um produto já amplamente disponibilizado no mercado.


A decisão ganha relevância por envolver justamente os modelos mais poderosos da Anthropic. O Mythos 5, por exemplo, utiliza a mesma arquitetura do Fable 5, mas possui restrições reduzidas em áreas específicas, especialmente cibersegurança. A plataforma permanece disponível apenas para um grupo restrito e previamente validado de defensores cibernéticos e operadores de infraestruturas críticas.


A Anthropic descreve o Mythos 5 como o modelo com as capacidades de cibersegurança mais avançadas já desenvolvidas. Para evitar abusos, a empresa afirma ter implementado múltiplas camadas de proteção, incluindo classificadores especializados que identificam tentativas de uso indevido, ataques de jailbreak e solicitações relacionadas ao desenvolvimento de exploits, planejamento de ataques cibernéticos ou técnicas de evasão de defesa.


Esses mecanismos foram criados porque os modelos da classe Mythos demonstraram elevada capacidade para localizar vulnerabilidades em softwares e transformá-las rapidamente em códigos de exploração funcionais. Na semana passada, a empresa revelou que o sistema é capaz de converter vulnerabilidades recém-divulgadas em exploits operacionais em questão de horas — ou até minutos em alguns casos — reduzindo drasticamente o tempo tradicional entre a divulgação de uma falha e sua exploração prática.


A equipe de Red Team da Anthropic alertou que a evolução dos modelos de IA pode alterar profundamente os processos de gerenciamento de vulnerabilidades utilizados atualmente pela indústria. Segundo os pesquisadores, um único operador pode transformar rapidamente dezenas de correções de software em exploits funcionais utilizando apenas alguns milhares de dólares em recursos computacionais, sem necessidade de conhecimentos avançados.


Esse cenário pode pressionar empresas e desenvolvedores a acelerarem ciclos de atualização, uma vez que práticas tradicionais, como liberações mensais de patches, implantações graduais e longos períodos entre versões de teste e produção, podem deixar de ser suficientes diante da velocidade proporcionada pela inteligência artificial.


Apesar da restrição, a Anthropic afirmou que usuários que realizarem consultas relacionadas à cibersegurança por meio do Fable 5 continuarão recebendo respostas geradas pelo Claude Opus 4.8, modelo considerado menos sensível do ponto de vista regulatório.


A empresa também contestou a justificativa do governo norte-americano ao afirmar que não existe atualmente qualquer método universal capaz de contornar as proteções dos novos modelos. Segundo a companhia, tanto testes internos quanto avaliações independentes demonstraram que os mecanismos de segurança implementados são significativamente mais eficazes do que os observados em gerações anteriores de sistemas de IA.


Em sua defesa, a Anthropic ressaltou que a resistência absoluta a jailbreaks é tecnicamente impossível para qualquer fornecedor de inteligência artificial. A empresa argumenta que todos os sistemas do setor podem ser contornados em contextos específicos e limitados, exigindo adaptações e esforços adicionais para cada situação.


A companhia revelou ainda que as evidências apresentadas pelo governo consistiriam em um método restrito que basicamente solicita ao modelo analisar um código-fonte específico e corrigir vulnerabilidades encontradas. Segundo a Anthropic, capacidades semelhantes estão amplamente disponíveis em outras plataformas do mercado, incluindo o GPT-5.5 da OpenAI, e são utilizadas diariamente por equipes legítimas de defesa cibernética.


O episódio amplia o debate sobre exportação de tecnologias avançadas de IA, segurança nacional e o equilíbrio entre inovação e controle governamental. A tensão entre a Anthropic e autoridades dos Estados Unidos não é recente. No início deste ano, o Departamento de Defesa classificou a empresa como um potencial risco para a cadeia de suprimentos após divergências relacionadas ao uso militar de suas tecnologias. Desde então, a companhia ingressou com ações judiciais para contestar a classificação.

 
 
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