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Tesla cria carro que voa

há 2 horas
5 min de leitura

A Tesla apresentou uma versão redesenhada da segunda geração do Roadster, seu superesportivo elétrico equipado com propulsores desenvolvidos em colaboração com a SpaceX. Durante um evento realizado nos arredores de Waco, no Texas, o CEO Elon Musk demonstrou capacidades incomuns para um veículo de produção, incluindo saltos, manobras aéreas e aceleração de 0 a 96 km/h em aproximadamente um segundo.

O novo Roadster utiliza uma combinação de ventiladores de alta potência e propulsores para executar movimentos que vão além da condução convencional. Na demonstração, o veículo subiu uma rampa invertida, girou no ar e realizou uma aterrissagem controlada no asfalto. Também utilizou os propulsores para passar por cima de outros veículos da Tesla, incluindo Cybercab, Cybertruck, Semi, Model Y e Model 3.


Segundo Musk, as capacidades apresentadas estarão disponíveis na versão destinada às ruas. O executivo afirmou que o carro poderá utilizar seus sistemas de propulsão para realizar essas manobras sempre que o motorista desejar.


A produção está prevista para 2028, após sucessivos adiamentos desde o anúncio original, em 2017. A Tesla ainda não divulgou os preços finais, mas confirmou três configurações com diferentes capacidades de desempenho.


Três versões com diferentes capacidades de propulsão

O novo Tesla Roadster será comercializado nas versões Performance, Thrust e Rocket, cada uma voltada a uma experiência específica de condução.


A versão Performance, descrita como preparada para as ruas, terá dois assentos, aerodinâmica ativa e um sistema de sucção multimodo destinado a melhorar o desempenho tanto em vias convencionais quanto em pistas.


A configuração Thrust, desenvolvida para utilização em circuitos, também acomodará dois ocupantes e contará com propulsores de gás frio instalados na traseira. Segundo a Tesla, essa tecnologia permitirá acelerar de 0 a 96 km/h em menos de um segundo.


Já a versão Rocket será equipada com dez propulsores de gás frio distribuídos pela carroceria, permitindo realizar manobras aéreas. Essa configuração terá apenas um assento e será disponibilizada exclusivamente mediante convite.

Versão

Principal característica

Reserva

Performance

Uso em ruas e pistas

US$ 50 mil

Thrust

Propulsores traseiros e aceleração extrema

US$ 250 mil

Rocket

Dez propulsores e manobras aéreas

Somente convidados

Valores divulgados para reserva, não para o preço final dos veículos.


Todas as configurações terão autonomia anunciada de aproximadamente 483 quilômetros e capacidade de superar 370 km/h.


A Tesla já recebe reservas das versões Performance e Thrust. O modelo Rocket, por sua vez, terá acesso restrito a clientes convidados.


Tecnologia da SpaceX utiliza ar comprimido para movimentar o veículo

Durante a apresentação, Lars Moravy, vice-presidente de engenharia da Tesla, explicou que o Roadster utiliza dez propulsores conectados a um sistema com 600 litros de ar comprimido. A pressão armazenada permite gerar força suficiente para levantar o veículo e controlar sua rotação durante manobras aéreas.


O sistema poderá ser recarregado, embora a empresa não tenha detalhado o tempo necessário para restabelecer sua capacidade após a utilização.


Em publicação na rede social X, a Tesla informou que os espaços disponíveis na estrutura do veículo são ocupados por recipientes de pressão revestidos com fibra de carbono, conhecidos como Carbon Fiber Overwrapped Pressure Vessels (COPVs).


Esses reservatórios são utilizados em aplicações aeroespaciais para armazenar gases sob alta pressão. Componentes dessa categoria também estiveram envolvidos em incidentes anteriores com foguetes da SpaceX.


A integração dessa tecnologia ao Roadster representa uma das principais diferenças em relação aos superesportivos elétricos convencionais, que dependem principalmente de motores, sistemas de tração e aerodinâmica para melhorar o desempenho.


Musk também mencionou a possibilidade de utilizar o veículo em uma tentativa de salto sobre o Snake River Canyon, local onde o motociclista Evel Knievel tentou atravessar um desfiladeiro com um foguete movido a vapor.


Design inspirado em aeronaves militares e carros esportivos

O Roadster também recebeu mudanças significativas no visual. Apresentado na cor branca, o veículo passou a adotar linhas mais angulares, com elementos que lembram superesportivos da Lamborghini e o Lotus Esprit utilizado no filme 007 – O Espião que Me Amava.


O próprio Musk possui o Lotus Esprit utilizado nas filmagens, que foi exibido durante o evento.


Segundo a Tesla, o novo desenho também recebeu influências do avião de reconhecimento SR-71 Blackbird e do caça F-35.


A fabricante explicou que sua linguagem visual evoluiu desde a apresentação original do Roadster, acompanhando o desenvolvimento de produtos como Cybertruck, Cybercab e o robô humanoide Optimus.


Musk descreveu o projeto como resultado da colaboração entre engenheiros da Tesla e da SpaceX, afirmando que o objetivo era desenvolver um automóvel com capacidades superiores às normalmente apresentadas em filmes de espionagem.


Roadster acumula quase nove anos de espera

A segunda geração do Roadster foi anunciada originalmente em 2017, durante a apresentação do caminhão elétrico Tesla Semi. Na ocasião, a empresa prometeu entregar o superesportivo poucos anos depois.


Clientes puderam realizar reservas mediante depósitos de US$ 50 mil, enquanto alguns interessados pagaram US$ 250 mil para garantir uma das mil unidades previstas da edição Founders Series.


Em 2018, Musk começou a discutir publicamente a instalação de aproximadamente dez pequenos propulsores de foguete no veículo. Segundo ele, a tecnologia poderia melhorar aceleração, velocidade máxima, frenagem e desempenho em curvas, além de eventualmente permitir que o automóvel voasse.


Entretanto, o desenvolvimento perdeu prioridade enquanto a Tesla enfrentava dificuldades para ampliar a produção do Model 3, período que Musk classificou como um verdadeiro desafio industrial.


Posteriormente, a empresa concentrou esforços no Model Y, que alcançou a liderança mundial de vendas de veículos, e na Cybertruck, cujo desempenho comercial ficou abaixo das expectativas da fabricante.


Ao longo desse período, o Roadster sofreu adiamentos em 2020, 2021, 2023 e 2024.


No final de 2025, Musk afirmou durante uma participação no podcast de Joe Rogan que pretendia apresentar o veículo antes do encerramento daquele ano. Pouco depois, durante uma assembleia de acionistas, o executivo transferiu a demonstração para 1º de abril de 2026.


A escolha do Dia da Mentira foi tratada com humor por Musk, que afirmou que poderia alegar estar brincando caso a apresentação fosse novamente adiada.


O evento acabou sendo remarcado. Uma nova tentativa de apresentação, prevista para 1º de outubro, também foi cancelada devido às condições climáticas severas.


Segurança e viabilidade comercial levantam questionamentos

Apesar das capacidades anunciadas, Musk reconheceu anteriormente que o Roadster não foi desenvolvido tendo a segurança como sua principal prioridade.


Em entrevista concedida a um podcast, o executivo comparou o veículo a superesportivos da Ferrari e afirmou que consumidores cuja principal preocupação seja a segurança não deveriam comprar o novo Roadster.


O CEO também indicou que o modelo funcionará principalmente como um veículo de demonstração tecnológica para a Tesla, sem necessariamente representar uma contribuição significativa para o faturamento da companhia.


Os sucessivos atrasos provocaram críticas de clientes que aguardam o automóvel há anos, incluindo o criador de conteúdo Marques Brownlee e Sam Altman, CEO da OpenAI.


Após a apresentação, Brownlee questionou publicamente a combinação de promessas técnicas, o peso do veículo e a previsão de entrega somente em 2028.


Embora a demonstração tenha apresentado capacidades inéditas para um automóvel da marca, ainda não está claro como a Tesla pretende incorporar essas funcionalidades ao uso cotidiano, especialmente diante das exigências de segurança e homologação para circulação em vias públicas.


A previsão de produção para 2028 representa, portanto, mais uma etapa de um projeto anunciado há quase uma década e que ainda precisa transformar suas demonstrações tecnológicas em veículos efetivamente entregues aos consumidores.

 
 
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