Roteadores chineses ZBT são vendidos com implantes que permitem acesso root sem autenticação
- Cyber Security Brazil
- há 2 horas
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Pesquisadores da VulnCheck identificaram dois componentes até então não documentados instalados de fábrica no firmware de roteadores fabricados pela chinesa Shenzhen Zhibotong Electronics (ZBT). Batizados de SPEAKINGSTONE e DARKLANTERN, os implantes podem permitir que atacantes remotos e não autenticados executem comandos com privilégios de root nos dispositivos afetados.
As falhas associadas aos componentes são rastreadas como CVE-2026-74232 e CVE-2026-74233. Ambas receberam pontuação 9,3 no CVSS 4.0 e 9,8 no CVSS 3.1. A exploração pode ocorrer pela rede sem exigir privilégios prévios ou interação do usuário.
O SPEAKINGSTONE, relacionado à CVE-2026-74232, é executado pelo serviço yunmgrd e envia sinais pela porta UDP 10000 para um servidor de comando e controle (C2) configurado no firmware. Como a conexão parte do próprio roteador, o mecanismo pode funcionar mesmo quando o equipamento está atrás de NAT ou de filtros convencionais de tráfego de saída.
O protocolo do implante oferece funções capazes de executar comandos arbitrários como root, extrair usuário e senha PPPoE da conexão WAN, ler e modificar uma lista usada para sequestro de DNS e estabelecer um túnel SSH reverso. A VulnCheck classificou o componente como um implante de vigilância com acesso root aos equipamentos em que está presente.
Já o DARKLANTERN, associado à CVE-2026-74233, opera por meio do serviço infosrvd na porta UDP 9992. O firewall padrão dos roteadores permite conexões de entrada para essa porta a partir de qualquer endereço da internet. Segundo os pesquisadores, o mecanismo de autenticação pode ser contornado devido ao uso de valores incorporados ao código, permitindo a execução remota de comandos.
Entre 18 e 21 de agosto, a VulnCheck encontrou 203 instâncias do DARKLANTERN expostas à internet em 22 países, envolvendo 16 modelos diferentes. O número representa equipamentos que responderam às sondagens dos pesquisadores e não significa que todos tenham sido comprometidos.
Os dois implantes foram encontrados em um roteador Deep Orange 3G/4G/LTE de US$ 88 comprado de um fornecedor nos Estados Unidos. O aparelho era, na realidade, um ZBT-WE826-T2 vendido com outra marca e utilizava firmware produzido em 2019.
A prática de fornecer equipamentos para outras empresas comercializarem com suas próprias marcas torna a identificação dos dispositivos afetados mais complexa. Por isso, o modelo do hardware pode ser um indicador mais confiável do que a marca impressa no equipamento. A investigação cita diversos modelos Zbtlink e dispositivos comercializados por outros fornecedores entre os produtos associados às vulnerabilidades.
A análise também revelou uma infraestrutura interessante ligada ao SPEAKINGSTONE. O implante possui um domínio C2 de backup incorporado ao código para ser utilizado quando um servidor principal não está configurado. Os pesquisadores descobriram que esse domínio estava disponível, registraram o endereço e implementaram um servidor capaz de interpretar o protocolo.
Assim que a infraestrutura entrou em funcionamento, os roteadores começaram a estabelecer conexões. Até 21 de agosto, 392 dispositivos únicos haviam se comunicado com o servidor, sendo 390 localizados na China. Cerca de 83% estavam na rede da China Mobile, e 304 transmitiam nomes de redes Wi-Fi começando com “CMCC”. Outros 363 se identificaram como o modelo L3_V2_8 com firmware 3.0.0.4.528.
Esse número, porém, não representa a quantidade total de equipamentos afetados. O domínio de backup é utilizado apenas quando não existe um C2 principal configurado, portanto os 392 dispositivos correspondem a uma parcela específica da possível base instalada.
A descoberta ocorre poucas semanas depois de a VulnCheck divulgar um terceiro componente nos roteadores ZBT, chamado ENDLESSDOORS e rastreado como CVE-2026-66747. Ele foi encontrado em pelo menos 20 modelos. Na ocasião, a Zbtlink afirmou que o recurso era destinado exclusivamente a suporte técnico pós-venda, mediante solicitação e autorização do cliente, e que não havia sido usado para acessos não autorizados.
Essa explicação, no entanto, refere-se apenas ao ENDLESSDOORS. Até a publicação da investigação, a empresa não havia divulgado uma manifestação pública específica sobre os serviços yunmgrd e infosrvd associados aos novos implantes.



