Quem ganha quando 750 mil vagas abertas em cibersegurança ignoram as mulheres?
- Cyber Security Brazil
- há 2 dias
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Vice-presidente do Grupo NTSec, Patrícia Angelina saiu do sertão de Pernambuco para comandar a operação de um dos maiores integradores de cibersegurança do país. Agora, quer que outras mulheres façam o mesmo. O programa Elas Que Inspiram | She Connects é a resposta.
O Brasil enfrenta um déficit de 750 mil profissionais de cibersegurança. Enquanto isso, as mulheres representam apenas 24% da força de trabalho global no setor, segundo o ISC² Cybersecurity Workforce Study 2025. Em posições de vice-presidência, esse número despenca para 16%. Os dados revelam um paradoxo que o mercado insiste em tratar como inevitável: sobram vagas, falta gente qualificada, e metade da população sequer é considerada parte da solução. Não é uma questão de capacidade.
É uma questão de acesso, representatividade e, sobretudo, de quem ocupa os espaços onde as decisões sobre o futuro da segurança digital são tomadas. Eu sei disso porque vivi essa jornada. Saí do sertão de Pernambuco, de um lugar onde não havia energia elétrica, e construí minha carreira ao longo de 12 anos dentro do Grupo NTSec até chegar à vice-presidência, com responsabilidade direta sobre toda a operação da empresa.
Não tenho formação técnica. Minha base é administrativa e de gestão. Entrei em uma empresa onde a ampla maioria dos profissionais era composta por homens e, ao contrário do que acontece em grande parte do setor, não precisei brigar por espaço. Fui impulsionada a ocupá-lo. Essa diferença não é detalhe. É o que separa empresas que falam sobre diversidade daquelas que a praticam.
O Grupo NTSec hoje reúne quase 400 colaboradores, faturou mais de R$ 500 milhões em 2025 e acaba de se consolidar como S.A. de capital fechado. Nesse crescimento, mulheres como Ayla, Taciana e Carolina ocupam posições de referência técnica e de liderança. Quando profissionais jovens, mulheres, olham para uma estrutura e enxergam alguém como elas em cargos de decisão, a mensagem é clara: é possível chegar lá.
A minha avó Angelina, que criou uma família inteira de mulheres no sertão com coragem e sem recurso algum, me ensinou isso antes de qualquer sala de reunião. Representatividade não é discurso corporativo. É motor de transformação real. Foi dessa convicção que nasceu o Elas Que Inspiram | She Connects. O programa é a materialização de algo que acredito profundamente: lugar de mulher é onde ela quiser. E não basta acreditar.
É preciso construir as condições para que isso aconteça. O Elas Que Inspiram | She Connects nasce dentro do Grupo NTSec, mas não pretende ficar restrito a ele. O programa é, desde a sua concepção, um convite aberto a outras empresas do setor de tecnologia e cibersegurança para se juntarem a essa missão. O desafio é grande demais para ser enfrentado por uma única organização.
São 750 mil vagas esperando por profissionais. Nós queremos garantir que as mulheres estejam preparadas, apoiadas e, acima de tudo, confiantes para ocupá-las. Se a gente já é minoria e não acreditar em si mesma, fica mais difícil. Quando estamos juntas, somos mais fortes. A cibersegurança do futuro será tão robusta quanto a diversidade das equipes que a constroem. E o futuro, para nós, começa agora.


