Polícia australiana prende dois suspeitos de integrar grupo hacker que atacou mais de mil organizações
- Cyber Security Brazil
- há 41 minutos
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A Polícia Federal Australiana (AFP) prendeu dois homens em Perth acusados de integrar o TeamPCP, grupo hacker associado a campanhas contra empresas de tecnologia, projetos de código aberto e mais de mil organizações. Entre os alvos relacionados às operações do grupo estão Mercor, GitHub, OpenAI e a infraestrutura de nuvem da Comissão Europeia.
Os dois suspeitos foram acusados de mais de uma dezena de crimes relacionados a invasões, lavagem de dinheiro e outras atividades de cibercrime. Segundo as autoridades australianas, as operações envolviam o comprometimento e a adulteração de projetos populares de código aberto.
A estratégia atribuída ao TeamPCP tinha como objetivo comprometer computadores em larga escala para roubar credenciais e outros dados, que posteriormente poderiam ser utilizados em novas invasões e na extorsão das vítimas. Brett Leatherman, chefe da divisão cibernética do FBI, afirmou que os dois suspeitos estão relacionados a ataques contra mais de mil organizações.
O TeamPCP ficou conhecido principalmente por campanhas de supply chain, nas quais os invasores comprometiam ferramentas de software de código aberto utilizadas por desenvolvedores e empresas. Código malicioso era então introduzido nesses projetos para atingir organizações que posteriormente instalassem ou utilizassem os componentes adulterados.
Uma vez executado nos sistemas das vítimas, o código poderia roubar chaves privadas e outras credenciais sensíveis usadas para acessar ambientes de armazenamento em nuvem e, em alguns casos, dados de clientes. Segundo as autoridades, mais de 500 mil credenciais foram roubadas e utilizadas para ampliar os ataques contra outras organizações.
Entre as operações atribuídas ao grupo está um ataque contra o Trivy, popular scanner de vulnerabilidades de código aberto. O comprometimento teve potencial para atingir empresas que dependiam da ferramenta e foi relacionado a organizações como LiteLLM e a startup de recrutamento por inteligência artificial Mercor.
Os hackers também são suspeitos de comprometer a infraestrutura de nuvem da Comissão Europeia e de atacar outros projetos de código aberto e aplicações utilizadas por desenvolvedores que poderiam fornecer acesso a empresas como GitHub e OpenAI.
A investigação australiana começou em abril de 2026, depois que as autoridades receberam informações fornecidas por diversas empresas de cibersegurança.
A polícia não divulgou oficialmente os nomes dos dois presos. No entanto, o jornalista independente Brian Krebs informou que um deles seria Ruben Thomson, conhecido pelo pseudônimo “Ellis”. Segundo Krebs, Thomson teria afirmado anteriormente que liderou o TeamPCP até março de 2026. A identificação, portanto, parte da investigação jornalística e não da divulgação oficial da polícia.
Durante as prisões, investigadores apreenderam dispositivos eletrônicos e uma grande quantidade de dados que seriam provenientes das operações criminosas. As autoridades afirmaram que pretendem entrar em contato com as organizações identificadas como vítimas.
Ainda não está claro se o Departamento de Justiça dos Estados Unidos buscará a extradição dos suspeitos. O FBI não comentou essa possibilidade.



