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Pesquisadores usam IA para desenvolver exploit de falhas no Zoom em menos de um dia


Três vulnerabilidades no recurso de anotações do Zoom poderiam permitir que um participante de uma reunião comprometesse o cliente de outro usuário, inclusive em cenários nos quais a vítima apenas estivesse assistindo a um compartilhamento de tela.


As falhas estavam relacionadas ao mecanismo que permite desenhar e inserir textos durante o compartilhamento. Segundo pesquisadores da startup israelense de segurança ofensiva A Security, a exploração não exigiria cliques, downloads ou confirmação da vítima, nem apresentaria sinais visíveis na tela.


As correções já haviam sido distribuídas pelo Zoom em junho e julho, cerca de dois meses antes da divulgação pública da pesquisa. Até a publicação do estudo, não havia relatos de exploração das vulnerabilidades, e nenhuma delas constava no catálogo Known Exploited Vulnerabilities (KEV) da CISA.



As falhas foram identificadas como CVE-2026-53413, uma sobrescrita de buffer com CVSS 8,3; CVE-2026-53414, uma leitura além dos limites do buffer com CVSS 6,5; e CVE-2026-53415, uma vulnerabilidade use-after-free também classificada com CVSS 8,3.


As correções abrangem diferentes produtos. No Zoom Workplace, usuários devem utilizar as versões 7.1.5 ou 7.0.6, conforme a respectiva linha de versões. Para o Zoom Workplace VDI Client no Windows, as versões corrigidas são 7.0.11 e 6.6.16. Zoom Rooms e Zoom Meeting SDK receberam correções a partir da versão 7.1.0, enquanto a terceira vulnerabilidade exige a versão 7.1.5.


A análise técnica da A Security indica que uma anotação não é transmitida pela rede simplesmente como uma imagem. O cliente do Zoom transforma o desenho em um objeto estruturado, contendo contagens seguidas pelos respectivos dados. No lado receptor, essas contagens são utilizadas para determinar quanto conteúdo deve ser processado.


Em um dos casos analisados, dados poderiam preencher um buffer fixo de 128 bytes sem uma verificação adequada de tamanho. Como o campo afetado aparece no final do objeto, uma contagem excessivamente grande poderia ultrapassar os limites do buffer e alcançar o endereço de retorno, criando condições para execução de código.


Outro elemento importante estaria na forma como determinadas mensagens são tratadas entre os participantes. Durante o compartilhamento, os clientes mantêm canais de comunicação entre quem apresenta a tela e quem acompanha a transmissão. Segundo os pesquisadores, em determinados caminhos o dispatcher verificava o tipo da mensagem recebida, mas não validava adequadamente a função ocupada pelo remetente na reunião.


A análise identificou, por exemplo, os tipos de mensagem 0x10001, utilizado para transmitir um objeto, e 0x10002, empregado como confirmação de recebimento. Ao enviar o primeiro tipo por um caminho no qual deveria trafegar o segundo, seria possível fazer o cliente da vítima reconstruir integralmente um objeto malformado.


Há, porém, divergências entre a avaliação da A Security e a classificação oficial do Zoom. A startup atribuiu pontuação 9,0 no CVSS 4.0 às três vulnerabilidades, enquanto os boletins do fornecedor apresentam notas inferiores. Os vetores publicados pelo Zoom também indicam necessidade de interação do usuário, diferentemente da caracterização de ataque zero-click apresentada pelos pesquisadores.


A diferença é particularmente relevante na CVE-2026-53414. A A Security afirma ter conseguido recuperar memória heap não inicializada contendo ponteiros de código e vtable do cliente da vítima, informações potencialmente úteis para contornar mecanismos de randomização de endereços. O boletim do Zoom, por outro lado, descreve a possibilidade de negação de serviço e classifica o impacto sobre a confidencialidade como inexistente.


Também existem diferenças na atribuição das descobertas. Dois boletins creditam Idan Levcovich, da A Security, enquanto a CVE-2026-53415 é atribuída pelo Zoom à sua própria equipe Offensive Security. A startup inclui as três vulnerabilidades em sua pesquisa, mas reconhece que o Zoom já conhecia a terceira falha e havia implementado uma filtragem no lado do servidor antes de receber o relatório.


A A Security também afirma ter desenvolvido um exploit funcional em menos de um dia utilizando menos de 20 prompts em modelos públicos de inteligência artificial. A empresa, entretanto, não informou quais modelos foram utilizados, impedindo a verificação independente dessa alegação.


Segundo o relato, a primeira análise automatizada identificou 3.762 funções potencialmente relevantes em 70 bibliotecas, mas não encontrou inicialmente a biblioteca vulnerável, que apareceu apenas na 45ª posição. As falhas foram identificadas posteriormente após os pesquisadores acompanharem o comportamento do cliente durante uma chamada real e analisarem os recursos individualmente.

 
 
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