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Oracle deixará de manter Java para Macs Intel a partir do JDK 27



A Oracle está se preparando para encerrar a manutenção da versão macOS/x64 do Java Development Kit, o JDK, a partir do JDK 27, previsto para setembro. A mudança afeta Macs com processadores Intel e acompanha o movimento mais amplo do ecossistema de software para reduzir ou encerrar suporte a essa plataforma após a transição da Apple para seus próprios chips Apple Silicon.


A decisão aparece na JEP 8386091, uma JDK Enhancement Proposal ainda em estado de rascunho, segundo a qual engenheiros da Oracle deixarão de manter o port macOS/x64 a partir do JDK 27. Poucos dias depois, Mikael Vidstedt, diretor sênior de Java Virtual Machine na Oracle, submeteu uma pull request para implementar a depreciação.


Na prática, a mudança significa que a construção do JDK para macOS/x64 passará a exigir a ativação manual de uma flag específica. Mesmo assim, não haverá garantia de que o port será compilado corretamente, muito menos de que funcionará. Ou seja, a plataforma deixa de ser tratada como um alvo mantido ativamente pela Oracle.


O impacto recai sobre desenvolvedores e organizações que ainda usam Macs Intel para desenvolvimento Java. Embora esses equipamentos ainda estejam em operação em muitas empresas, a Apple já acelerou o processo de encerramento de suporte. O último Mac baseado em Intel, o Mac Pro de 2019, ainda podia ser comprado até junho de 2023, quando foi descontinuado.


Na Worldwide Developers Conference, a WWDC, a Apple confirmou que o macOS 27, chamado “Golden Gate”, não dará suporte a Macs Intel. A empresa também informou que essa será a última versão do sistema a incluir o Rosetta 2, camada de compatibilidade usada para executar aplicativos compilados para Intel em Macs com Apple Silicon.


A decisão da Oracle, portanto, não acontece isoladamente. Ela acompanha o fim gradual da relevância do macOS em arquitetura x64 dentro de grandes projetos de linguagem e runtime. À medida que a Apple concentra seus sistemas em chips Arm próprios, manter testes, builds, correções e validações para Intel Macs se torna menos prioritário para fornecedores de plataformas de desenvolvimento.


O projeto Rust já havia reduzido o suporte a Macs Intel para Tier 2 a partir do Rust 1.90, lançado em setembro passado. Nesse nível, o compilador e a biblioteca padrão ainda são distribuídos para a plataforma, mas os testes automatizados não têm mais garantia de execução. Isso aumenta o risco de bugs específicos do macOS/x64 passarem despercebidos.


O Python também classifica x86_64-apple-darwin como plataforma Tier 2 desde novembro de 2025. No caso do Python, porém, esse nível ainda oferece suporte relativamente forte: falhas podem bloquear lançamentos, e correções precisam ser feitas em até 24 horas.


O Node.js seguiu caminho semelhante e rebaixou o macOS x64 para Tier 2 em maio. Pela documentação atual do projeto, a plataforma Intel Mac deve passar a ser considerada experimental a partir do início de 2028. A justificativa é que, a partir desse período, o projeto não terá mais condições de testar mudanças em versões do macOS baseadas em Intel.


Ainda assim, o Node.js pretende continuar criando binários universais para versões em suporte, compatíveis tanto com macOS em Apple Silicon quanto com macOS em Intel. A diferença é que, no caso de Intel, esses binários não serão testados, o que reduz a previsibilidade para uso em ambientes críticos.


Para desenvolvedores Java, o fim da manutenção ativa no macOS/x64 pode exigir ajustes de planejamento. Uma alternativa é executar Linux em Macs Intel, diretamente ou em uma máquina virtual, e usar versões recentes do JDK nessa plataforma. Outra possibilidade é manter versões anteriores de longo prazo, como o JDK 25 LTS, que devem continuar recebendo atualizações para Intel Macs.


O cenário, portanto, não significa que Java deixará de funcionar imediatamente em todos os Macs Intel. O ponto central é que o JDK 27 marca o início do fim do suporte ativo da Oracle para essa combinação específica de sistema operacional e arquitetura. Com isso, novos recursos, correções e garantias de funcionamento passam a se concentrar em plataformas ainda mantidas como prioritárias.


Para empresas, a recomendação é mapear estações de desenvolvimento, pipelines de build e ambientes de teste que ainda dependem de macOS/x64. Caso esses ambientes executem Java em produção de software, será importante avaliar migração para Apple Silicon, Linux ou versões LTS compatíveis, evitando que builds futuros fiquem presos a uma plataforma sem garantia de manutenção.


A mudança também ilustra o efeito em cadeia da transição da Apple para Arm. O abandono dos Macs Intel não depende apenas da Apple: ele se propaga por linguagens, runtimes, bibliotecas, compiladores, ferramentas de desenvolvimento e plataformas de CI/CD. À medida que esses projetos reduzem testes e manutenção, o custo operacional de permanecer em Intel Mac tende a aumentar

 
 
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